Entre cegos e invisíveis – André Diniz

Entre cegos e invisíveis é o mais recente livro de André Diniz, autor de origem brasileira que reside actualmente em Portugal e que tem publicado diveros livros no nosso mercado através da Polvo (sobretudo, ainda que tenha publicado na colecção Novela Gráfica o livro O Idiota, adaptação do romance de mesmo nome). O mais recente livro dá-nos a conhecer uma família marcada pela ausência do pai – um herói militar que, como pai, pouco se destacou.

O herói morreu. O funeral estava, como seria de esperar, apinhado de pessoas que pretendiam prestar a última homenagem. Mas entre os presentes encontravam-se os que, segundo a moralidade local, eram uma nódoa no passado do militar – os filhos ilegítimos.

A história é contada pela perspectiva destes filhos que cresceram sem presença do pai e começa com o regresso do funeral. Como ilegítimos a presença no funeral foi incómoda, ignorada pelos familiares e amigos do herói, facto que recordou os ressentimentos do passado.

Quando o carro fica sem combustível e são obrigados a retornar a pé, até à última bomba pela qual tinha passado, surge a necessidade de falar desses mesmos ressentimentos e da forma como cada um deles lidou com a ausência do pai, recordando as circunstâncias em que cresceram.

Num local onde a moralidade se baseia nas aparências tradicionais de uma família baseada no matrimónio de uma vida, a existência de filhos fora do casamento é algo que deve ser escondido e mantido em segredo. Mesmo que tal implique não dar o devido apoio aos filhos ignorados.

A força das aparências é de tal forma que os familiares e amigos defendem a manutenção da imagem perfeito em detrimento do reconhecimento daqueles jovens. Esta mentalidade condena à inexistência social os jovens que nascem destes relacionamentos, impedindo-os de terem um futuro normal, e negando-lhes o apoio que deveria ser normal de um progenitor.

Mas em Entre cegos e invisíveis, André Diniz faz muito mais do que tocar neste tema, desenvolvendo diferentes personagens e dando-lhes diferentes complexidades e problemas. Como adultos, estes jovens rejeitados, possuem dramas que vão para além da inexistência do pai, ainda que este facto seja uma sombra na forma como se irão relacionar com os outros.

Apresentando o estilo que já lhe é conhecido, André Diniz apresenta uma história bastante diferente das anteriores, com uma narrativa movida por um simples evento que justifica todas as conversas e acções posteriores. A ausência de combustível serve como motor para todo o desenrolar que se segue, mas, na prática, é apenas a justificação para que todos os conflitos sejam expostos.

Entre cegos e invisíveis de André Diniz foi publicado em Portugal pela Polvo.

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