Huck – Mark Millar, Rafael Albuquerque e Dave McCaig

Eis outro lançamento de Mark Millar no mercado português pela G Floy. Desta vez trata-se de Huck, um volume isolado que apresenta uma personagem simples, naive e descontraída – mas dotada de poderes interessantes!

Huck é um rapaz simples que trabalha numa bomba de gasolina de uma vila pacata. Quase parece atrasado. Mas na realidade é um herói que não gosta de receber os louros das suas boas acções diárias e que gosta de viver quase anónimo.

O quotidiano de Huck vai sofrer uma reviravolta quando uma nova habitante da vila descobre o seu segredo e, ao contrário dos restantes, resolve divulgar para a imprensa. Rapidamente jornalistas e cidadãos de outras cidades rodeiam a casa. Se, num primeiro momento, Huck decide isolar-se, no momento seguinte percebe que algumas das pessoas precisam da sua ajuda.

A revelação capta a atenção do público. Mas também dos vilões que terão perseguido a mãe de Huck, levando-a a abandonar o filho ainda bebé. Ingénuo, Huck é envolvido num plano para descobrir a localização da mãe – algo que anseia, mas que vai ser usado da pior maneira possível.

Com bons momentos de acção, este Huck é uma história bastante positiva, ao estilo de outras de Mark Millar, como Reborn. Existem pessoas boas (mesmo boas, estupidamente boas), pessoas más (movidas, neste caso, pela inteligência, mas desprovidas de moral) e pessoas comuns – as pessoas que não pensam e cometem erros, as pessoas que se deixam envolver pelo mal e que servem de contraste para fazer brilhar o herói, sempre recto nas suas interacções.

Aliás, esta caracterização de personagens é algo de realçar. É que parece haver uma ligação entre a inteligência e a falta de ética, mostrando-se os heróis como pessoas de pensamento muito simples e directo. Possuem um pensamento puro, imediato e pouco premeditado. Já os vilões fazem grandes planos, pensam intensamente e são frustrados em segundos por um herói de cabeça quente que quer fazer justiça imediata.

Trata-se de uma abordagem curiosa dos estereótipos de vilão e super herói que me recordam outras abordagens em relação a mundos fantásticos / de ficção científica. Os vilões são os que procuram a mudança e a evolução. Os inquietos. Os heróis serão os que se encontram em harmonia com a natureza, os que estão de bem com o mundo que os rodeia.

Mas, acima de tudo, após uma caracterização agradável de uma personagem que percorre o mundo a realizar boas acções, somos confrontados com um poder maléfico que peca por apresentar alguns clichés dos vilões. Clichés estes que parecem afastar-se do estilo do herói. 
Ainda assim, Huck é uma leitura agradável, dentro do estilo optimista de outras obras de Mark Millar, que nos apresenta uma personagem com a qual é fácil simpatizar. Em termos visuais, as figuras são expressivas e envolventes, resultando numa obra que nos deixa de bom humor!

Huck foi publicado em Portugal pela G Floy.

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