The Handmaid's Tale – Margaret Atwood, Renée Nault

Após a adaptação de The Handmaid’s Tale para uma série televisiva, será que era necessário uma adaptação para banda desenhada? Esta é a questão que já vi colocada. Bem, necessária, necessária, talvez não. Ninguém desaparece se não existir, mas, ainda assim, senti vontade de trazer esta adaptação para casa. O motivo? As primeiras páginas convenceram-me.

Para quem não conhece a história original, The Handmaid’s Tale é uma história pesada, que nos apresenta uma distopia gerada a partir de uma sociedade ocidental. O que é mais pesado nesta história é o quão possível ela se pode tornar realidade.

Enquanto que, nas distopias clássicas, vulgo 1984, We, ou Admirável Mundo Novo, a realidade descrita parece-nos muito distante, neste caso, percebemos que, antes da implementação deste regime militar, autoritário e distópico, existia uma sociedade normal, democrática e livre. Uma sociedade que, em muitos poucos meses se tornou uma distopia militar e religiosa, justificada pela existência de terrorismo e guerra – assim se suspende a liberdade do indivíduo e se ostracizam as mulheres, eliminando-as de todas as partes essenciais da sociedade (a não ser a procriação e as lides domésticas).

As mulheres são, assim, divididas em várias categorias. Existem as esposas dos comandantes, que são as mulheres com estatuto que não se podem ocupar da casa nem dos filhos. As lides domésticas são reservadas para as Martas. Se uma esposa for estéril recruta-se uma Aia, uma mulher que tem, como única função, receber a semente (num ritual a que assiste toda a casa)

Este regime é violento. Quem não se adapta rapidamente aos novos papéis será castigado e torturado, mostrando-se que o que importa é a manutenção da nova ordem. As aias valem apenas pela sua capacidade reprodutora. Se, para as manter dóceis for necessário torturar, física ou psicologicamente, que assim seja.

A adaptação para banda desenhada consegue captar bem estas condicionantes – mas falha, no meu entendimento, em passar todo o terror em torno dos novos papéis. O desenho é, na sua maioria, suave e as cenas mais pesadas são rapidamente ultrapassadas. Ainda assim, em termos narrativos, a sucessão de cenas transcreve de forma competente a história, resultando numa leitura cativante, mas menos pesada que a obra original.

Este volume está a ser lançado em Portugal pela Bertrand Editora.

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