Middlewest – Vol. 2 – Skottie Young e Jorge Corona

Neste segundo volume de Middlewest, continua-se a típica história numa realidade fantástica que tem como protagonista uma criança ou um jovem – neste caso, Abel, continua na demanda para obter uma cura para o problema que o aflige. O narrador sabe muito sobre os clichés deste tipo de histórias (e já provou isso em I Hate Fairyland) utilizando-os de forma adequada. O maior defeito da série será a urgência constante que deveria ser intercalada com momentos mais pausados. Os dois próximos parágrafos conterão spoilers ao primeiro volume, pelo que não vos aconselho a ler se ainda não começaram a série.

Depois de uma estadia no circo onde conhece uma nova família, Abel sente que os coloca a todos em perigo e parte com a sua amiga raposa, na busca por algo que o posso curar. A raiva que sente cresce no peito e transforma-o em algo perigoso para os que gosta. Alternadamente, vamos seguindo o pai de Abel, um homem preocupado mas demasiado raivoso que se descontrola demasiadas vezes – uma postura que não será muito produtiva em conseguir resultados.

A demanda de Abel levará a conhecer as origens do seu problema, confrontando-se com aquilo que é, e com os seus antecessores. Mas se esperam que este é o fim da busca, enganem-se. Abel é demasiado teimoso e prossegue, na negação do que descobriu. Esta negação leva-o a separar-se da amiga raposa e a cair numa armadilha onde conhece várias outras crianças fugidas de casa.

Do ponto de vista narrativo, destaca-se a tensão constante de todos os episódios. Este elemento leva-nos a prosseguir e a acompanhar as personagens, mas torna a leitura mais cansativa do que deveria. Tanto Abel como o pai estão envoltos numa raiva constante, numa emotividade de difícil controlo que se sente na leitura da história.

Pondo de parte esta componente, Middlewest consegue levar-nos por vários cenários na demanda, sem se demorar excessivamente em cada um e mostrando o que é essencial para a progressão da história. Ainda que existam cenários que pudessem dar azo a deambulações narrativas, o autor não se perde nelas – característica que já tinha estado presente em I Hate Fairyland. Skottie Young não tem problema em descartar cenário atrás de cenário após a sua proveitosa utilização.

Visualmente, a sucessão de diferentes cenários permite alternar visuais. Entre as tempestades cinzentas encontramos florestas verdejantes de cores diversas, cidades caóticas e degradadas, espaços nocturnos carregados de olhos brilhantes, desertos e montanhas geladas. Todos eles representados de forma belíssima, dentro do género da série.

Enquanto que, no primeiro volume, sentimos o desenrolar da novidade, este segundo é um de estabilização, apresentando elementos novos e dando progressão à componente narrativa, mas aproveitando a maior familiaridade do leitor com este mundo para acrescentar novos componentes – novos obstáculos e novos vilões.

Até ao momento, o autor está a saber levar a narrativa neste mundo fantástico. Se, na série I Hate Fairyland se denotam alguns altos e baixos (com um segundo volume muito mais fraco que pouco traz de novo), em Middlewest o narrador aprimorou algumas das suas capacidades e consegue manter o interesse e a novidade. Sem ser uma série excelente, é, até ao momento uma muito boa leitura.

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