A Menina de Bois-Caiman – Os Passageiros do Vento – Bourgeon

O primeiro ciclo de Os Passageiros do Vento foi publicado no início dos anos 80, apresentando as aventuras de Isa – desde identidade trocada, a uma viagem num navio negreiro, amores e desamores! Mais desinibida do que costuma ser usual numa personagem feminina, mais corajosa e menos púdica. O primeiro ciclo está repleto de cenas apimentadas, quer em violência quer em sexualidade.

25 anos depois, em 2009, Bourgeon volta ao mesmo mundo publicando A Menina de Bois-Caiman em dois volumes que foram, em Portugal, publicados pela Edições Asa. Notam-se diferenças no estilo visual, com contenção nas cenas de nudez, mas também uma diferença narrativa com menor irreverência por parte das personagens. A contenção não é só visual, mas também na forma de proceder das personagens, com maior desenvolvimento da história em detrimento da elevada concentração de acção que cunhava os volumes anteriores.

Em A Menina de Bois-Caiman somos apresentados a Miss Zabo, uma jovem orfã, sem pais nem irmãos, que se desloca pelo país em direcção ao Mississipi, em 1863. durante a Guerra da Secessão. Aqui encontra Isa, centenária, que lhe vai contando alguns episódios após o primeiro ciclo da série. A narrativa alterna com episódios de descoberta da vida na quinta, nos pântanos e entre animais selvagens. Zabo apresenta-se destemida, mas sem o sangue quente de Isa, tendo a coragem e a desinibição que a farão viajar pelo país mas com a cabeça fria que a mantém longe de grandes sarilhos.

A narrativa é, pois, mais pausada, com espaço para uma maior introspecção, e menos situada no presente. Isa vai contando alguns dos episódios a que sobreviveu e, com estes, vêm as partes mais movimentadas da narrativa. Apesar dos pontuais episódios de nudez, estes apresentam-se mais raros, existindo, também, menos sexualidade na narrativa.

Em termos visuais, o desenho apresenta-se mais detalhado, com maior textura nas imagens e maior diversidade nas cores usadas. Mesmo as feições são mais fortes e mais definidas, resultando numa maior qualidade visual do que aquela que se apresentou no primeiro ciclo. Esta diferença em estilo é realçada pela maior qualidade da edição.

A leitura é, em suma, agradável, mas induz a uma leitura mais lenta do que o primeiro ciclo. Esta pausa sente-se, também, no maior detalhe do desenho. Esta combinação leva-me a considerar estes dois volume superiores ao primeiro ciclo, quer em narrativa, quer em desenho. Estes dois volumes foram publicados em Portugal pela Asa.

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