Shanghai Dream – Philippe Thirault e Jorge Miguel

Shanghai Dream leva-nos a Berlim, ao ano de 1938, mais propriamente ao regime que ostracizou e matou inúmeros judeus. Mas antes de serem colocados em campos de concentração existiram outras medidas, de violência crescente, que levaram a que alguns tenham saído do país para a China.

A narrativa acompanha sobretudo um casal de judeus que, não conseguindo trabalho na Alemanha na indústria cinematográfica (como sempre tinham tido antes) e face ao clima de tensão crescente, resolve sair do país. Tal não será fácil, mas quando aparece a possibilidade de apanhar um barco para a china, a salvação parece estar perto.

No entanto, conseguir bilhetes só será possível a custo de muitos favores. E ainda assim, a saída do país não será desprovida de contratempos. Na China, o sonho prossegue – filmar finalmente o guião de um filme, adaptando-o para outro mercado, apesar das restrições que se fazem sentir na nova localização (diferentes, mas também opressores e violentas).

A narrativa apresenta-nos uma história com a qual é impossível não simpatizar. As primeiras páginas mostram-nos o clima que se vive na Alemanha, mesmo para quem tinha combatido em guerras anteriores, a favor dos alemães. De ostracizados, os judeus são rapidamente postos de parte e, mais tarde, como sabemos, eliminados. Mas quem conseguiu sair do país também não terá uma vida fácil.

Shanghai Dream é uma história suficientemente envolvente para nos fazer sentir alguma empatia para com as personagens. No entanto, possui alguns estratégias narrativas que tornam a história previsível nalguns pontos, e um foco excessivo em personagens específicas que lhe dá uma perspectiva pouco abrangente. Um dos pontos fortes é, sem dúvida, o desenho, expressivo e capaz de transmitir a história, de tom realista e sem excessos, quer em expressões, quer em cores.

Shanghai Dream foi publicado originalmente no mercado francês, mas possui um desenhador português, pelo que considero que é um dos melhores lançamentos de 2020 com autoria nacional. A qualidade da edição também ajuda a essa definição, destacando-se, novamente, o desenho.

A edição portuguesa de Shanghai Dream foi lançada pela parceria A Seita e A Arte de Autor.

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