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História de ficção científica que contém romance juvenil, parte de uma premissa bastante interessante – e se fosse possível viajar entre realidades paralelas, ocupando o corpo dos nossos duplos nessas realidades, sem perder a nossa própria consciência?

Filha de dois cientistas, Marguerite é a única da família que optou pela carreira artística, sabendo apenas superficialmente dos grandes avanços científicos dos pais. Mas tudo muda no dia em que o pai é assassinado por Paul, um dos alunos que coabita com a família, um dos dois protegidos pelos quais Marguerite tem um fraquinho. O outro, é Theo.

Assim que se descobre o perpetuador do crime, Theo tece um plano de vingança para o qual arrasta Marguerite, no qual perseguem Paul para uma das realidades paralelas. De realidade em realidade vão conhecendo versões das suas próprias personalidades, e do que as rodeiam, versões caracterizadas por uma evoluçao diferente das sociedades – mundos de catástrofe ambiental ou de permanência do Império Russo.

Diferentes em evolução social, cultural ou simplesmente em circunstânecias pessoais, nestas realidades consta-se quase sempre o princípio defendido por Paul de que existiria uma propensão para que determinadas pessoas se conhecessem independentemente das condições que as rodeiam: o trio amoroso constituído por Marguerite, Paul e Theo persiste, desenvolvendo dinâmicas diferentes de mundo em mundo.

No final revela-se uma teia de conspiração entre as várias realidades, onde cada peça encaixa sem folgas, mostrando uma história bem concebida e coesa. E não fosse a extrema lamechice de algumas passagens, com episódios de afectação hormonal, e esta teria sido uma das melhores leituras dos últimos tempos.