Destaque: Um Mundo de Pernas Para o Ar – Elan Mastai

Já tinha visto o lançamento e a sinopse, mas o que realmente me fez despertar o interesse foi a leitura do primeiro capítulo que foi distribuído gratuitamente à entrada do metro:

Estamos em 2016 e no mundo de Tom Barren a tecnologia solucionou os grandes problemas da humanidade: não há guerra, nem pobreza, nem abacates pouco maduros. Infelizmente, Tom não é um homem feliz. Perdeu a rapariga dos seus sonhos. E o que é que uma pessoa faz quando está de coração partido e depara com uma máquina do tempo? Faz uma estupidez. Agora Tom dá por si numa realidade paralela aterradora (que nós reconhecemos logo como sendo o nosso 2016) e só pensa em corrigir o erro e voltar para casa. Mas é então que descobre uma versão encantadora da sua família, da sua carreira e de uma mulher que pode muito bem ser a mulher da sua vida. Tem agora de enfrentar uma escolha impossível. Regressar para a sua vida perfeita, mas pouco emocionante, ou permanecer na nossa realidade, um mundo caótico, mas onde terá ao seu lado a sua alma gémea. À procura da resposta, Tom é levado numa viagem pelo tempo e pelo espaço, tentando perceber quem é de facto e qual será o seu futuro. Cheio de humor e emoção, um livro inteligente e caloroso que é uma poderosa história de vida, de perdas e de amor.

 

Resumo de leituras – Julho de 2017 (5)

97 – Lugar Maldito – André Oliveira e João Sequeira – Uma história de terror centrada numa casa amaldiçoada, local de refúgio de um jovem casal que se pretende unir. Fugidos das autoridades, sob pressão emocional e num local pouco hospitaleiro, não é de estranhar que os relacionamentos comecem a ficar contaminados, assombrados pelas sombras que circundam a casa;

98 – The Walking dead Vol.3 e 4 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn – Os dois volume seguem o grupo de sobreviventes que encontra, numa prisão um possível refúgio para se instalarem. Na prisão encontram quatro seres humanos não transformados, reclusos com um passado duvidoso que instiga a imaginação e a dúvida dos restantes. Uma mistura explosiva com o desespero palpável que irá ter o desfecho esperado;

100 – Jardim de Inverno – Renaud Dillies e Grazia la Padula – Fofo e envolvente, demonstra a solidão da cidade e o progressivo afastamento dos entes queridos no seguimento do cinzento urbano. Felizmente existem eventos que fazem contrariar esta espiral descendente.

Lugar Maldito – André Oliveira e João Sequeira

Um livro de banda desenhada que tenha como narrador André Oliveira tem logo vantagem para ser um livro de sucesso. Não é excepção este Lugar Maldito, uma história de terror actual centrada numa casa amaldiçoada no meio do bosque, rodeada por sombras assustadores.

Local de refúgio de um jovem casal que fugiu para se unir, a pressão emocional da fuga exacerba-se com a existência num local pouco hospitaleiro. Perseguidos pelas autoridades e observados por sombras que se movem, não é de estranhar que o relacionamento entre os dois se contamine e se degrade progressivamente.

A juntar à pressão da fuga, a própria casa tem uma história negra que lentamente se faz sentir não só nos que rodeiam o casal, como em Samuel que sente ciúmes do irmão e incompreensão da namorada e que se deixa consumir pela raiva galopante.

Lugar Maldito foi publicado pela Polvo.

Fatale – Vol. 5 – Ed Brubaker e Sean Phillips

Negro e lovecraftiano, Fatale é uma daquelas séries extraordinárias em que só nos apercebemos da dimensão no segundo ou terceiro volume. O primeiro intrigou-me mas não o suficiente, no seu tom pausado que fazia antever a existência de alguns mistérios, sem me mostrar o quão profundo eram.

Os volumes seguintes mostraram a existência de eventos cíclicos, inevitáveis, que ocorriam em torno de uma mulher fatal, uma mulher de palavra inquestionável por todos os homens que permanece inalterável ao longo dos anos e é perseguida por uma poderosa seita.

O poder desta mulher corrompe o que a rodeia, e se no início apenas se denota o fascínio masculino, depressa se torna obsessão violenta para com a própria ou percepcionados rivais. De catástrofe em catástrofe vamos acompanhando os eventos, e percebendo que a quebra do ciclo se aproxima.

De uma dupla quase perfeita, Ed Brubaker e Sean Phillips, esta série fecha com um final simples mas movimentado, materializando a tensão violenta que se acumulava desde o início mostrando que a presa também pode ser a predadora. A série Fatale foi publicada em Portugal pela G Floy.

Restantes volumes

A Leoa – Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg

A Leoa é a história de uma mulher que ultrapassou as convenções do seu próprio tempo, Karen Blixen. A autora do romance auto  biográfico Out of Africa (em português, África Minha, adaptado para cinema com sucesso) nasceu decididamente no século errado. Ou no género errado para a época.

O seu espírito curioso e aventureiro não tinha lugar como mulher na sociedade religiosa e conservadora do início do século XX em que apenas os rapazes iam à escola, e as raparigas ficavam em casa a aprender a bíblia e talvez um outro idioma, neste caso o inglês. Irreverente, consegue escapar-se de casa para uma escola de belas-artes, mas também aqui o lugar das mulheres é distante do dos homens, com menos possibilidades e oportunidades.

O casamento parece a opção perfeita. Com o barão sueco Blixen-Finecke muda-se para África, para uma quinta onde pretendem produzir café, enquanto partilham aventuras em esplendorosos safaris. O casamento revela-se, no entanto, uma má escolha. O barão transmite-lhe sífilis, no seguimento de vários encontros com raparigas locais. Assim Karen Blixen separa-se do marido mas mantém-se à frente da herdade.

Apesar de ser uma gestora capaz, o solo da herdade não é propício à produção de café, e a ida para África que a tinha libertado para aventuras em novos territórios, longe da mentalidade retrógrada da família, é também o evento que a deixa, mais tarde, sem nada, dependente dos familiares quando tem de regressar à Europa – triste consequência do papel de mulher, sem real formação que possa utilizar.

Com ela ficam os ecos de África e dos povos africanos, uma forma diferente de ver o mundo que a marca e que irá transparecer nos livros que se decide a escrever, como forma de explorar a criatividade que acumula. É graças a estes livros que se transforma numa mulher de sucesso, que usa para deixar um legado de conservação da Natureza.

Explorando a influência de personagens ficcionais na vida de Karen Blixen como forma de justificar a sua irreverência, A Leoa é a história apaixonante de uma pessoa que parece perdida na sua própria vida até ao momento em que o que viveu se consegue concretizar num projecto de sucesso. Em Portugal A Leoa foi publicado pela G Floy.

The new voices of fantasy – Vários autores

O mercado anglo-saxónico de ficção especulativa vai-se renovando, seguindo novas tendências, estilos e culturas, gerando cruzamentos impensáveis entre géneros em contos que reflectem as preocupações do seu próprio tempo. Ao longo dos anos vão surgindo novos autores que começam a ser conhecidos pelos contos destacados por prémios ou em antologias de melhores do ano. Este volume pretende reunir algumas histórias destes novos autores e destacá-los como promissores para os próximos tempos.

A antologia começa com um conto de Alyssa Wong, a quarta história publicada da autora, com a qual venceu o Nebula e o World Fantasy Award (a mesma história que foi, também, nomeada para um Shirley Jackson, um Bram Stoker e um Locus Award). Claro que prémios e nomeações não são garantia de boas histórias, mas este conto, Hungry Daughters of Starving Mothers contém detalhes de horror e fantástico num cenário actual onde a corrupção alastra, resultado do consumo imediato e da fome interminável.

Selkie stories are for losers é a história seguinte da autoria de Sofia Samatar, uma autora que não é propriamente uma voz emergente, antes uma autora já reconhecida no género com histórias como A Stranger in Olondria que venceu vários prémios. Cruzando lendas diversas sobre mulheres que se mantém entre os humanos até ao momento em que alguém encontra a sua antiga pele (ou descobre que são algo mais do que parecem), esta história quase banal consegue surpreender pela estrutura e desenvolvimento.

Depois de tornados apaixonados por raparigas (em Tornado’s Siren de Brooke Bolander que apenas possui como elemento distintivo o tornado capaz de sentimento) encontramos Left the century to sit unmoved de Sarah Pinsker que nos traz um fenómeno local, um lago que faz desaparecer totalmente algumas pessoas sem critério específico – mesmo depois de drenado o lago apenas se encontram os objectos e roupas da pessoa.

Max Gladstone também não é propriamente um autor desconhecido, escrevendo sobretudo fantasia urbana. Em A Kiss With Teeth não foge ao género mas apresenta uma das melhores histórias do conjunto, com um tom levemente cómico sobre as preocupações de um pai que vê o seu filho ter más notas. Como pai tenta perceber o que se passa, mas a sua própria natureza torna difícil ajudar sem dicas da professora, a presa perfeita. Ah. É que o pai é um vampiro reformado que tenta passar por humano, simulando os nosso gestos e forma de andar.

Em The Cartographer Wasps and the Anarchist Bees de E. Lily Yu explora-se uma premissa que não é totalmente nova. Recordo que em The Bees de Laline Paull já se apresentava a vida numa colmeia apresentando aspectos sociais da hierarquia e como esta poderia ser subvertida por um único elemento. Confrontando as abelhas com as vespas possuidoras de uma tecnologia mais avançada este conto de E. Lily Yu consegue ser um relato apaixonante sem necessitar de se centrar num único elemento, e comparar vários sistemas de sociedade.
A. C. Wise traz-nos outro dos melhores contos do conjunto, um guia cómico de como a bruxa pode arranjar uma casa. Começando com as formas aborrecidas como aquisição e ocupação, passa por nos apresentar como se pode domar uma casa ou fazer crescer uma, expressando para cada método os cuidados a ter (os humanos podem não gostar muito de ter uma bruxa dentro de casa e podem tentar queimá-la, por exemplo, ou a casa pode pregar partidas a quem a tenta influenciar).
Depois de Hauting o Apollo A7LB (um conto que já conhecia da excelente colectânea do autor Hannu Rajaniemi), segue-se uma história irónica de Chris Tarry, Here be dragons, onde dois homens simulam a existência de dragões para extorquírem dinheiro das vilas mostrando depois entranhas de vários animais como prova de uma chacina. Um dia esta trapaça pode voltar-se contra os supostos salvadores – de mais formas do que o leitor imagina.
Mais juvenil, mas enternecedora pela forma inocente e desiludida como nos apresenta o amor de um pato por uma rocha, The Duck de Ben Loory é um dos contos que vale a pena ler, nem que seja para ver a forma como transforma este premissa simples e aparentemente idiota numa boa história.
Publicado no The New Yorker, The Philosophers de Adam Ehrlich Sachs traz uma história demente de problemas genéticos hereditários que supostamente não trariam problemas psicológicos. Geração após geração, os homens desta família perdem na idade adulta todos os movimentos e passam a comunicar com os restantes recorrendo ao piscar de olhos com o intuito de transmitir as próximas palavras do seu livro. Arrepiante, claustrofóbico e assustador pela degradação, é um bom conto que vai elevando a premissa ao extremo absurdo .
Esta colectânea termina com uma novela mais longa, The Pauper Prince and the Eucalyptus Jinn, de Usman T. Malik, que se centra na problemática da emigração e da integração cultural sob uma fábula contada pelo avô (talvez demente) que recorda interacções com princesas e génios e que foi mudando de país em país até atingir determinados objectivos. Demonstrando como existe sempre muito para revelar da vida dos nossos antepassados, segredos dolorosos que ficaram enterrados, feitos que se silenciaram pelas circunstâncias, esta é uma novela excelente.
Ainda que não tenha apreciado todos os contos de igual forma, até porque os estilos e géneros são muito diversos, esta colectânea possui uma qualidade narrativa bastante elevada. Nem todas as histórias apresentam elementos que se destaquem pela originalidade, mas todos se encontram bem escritos e estruturados. São, na sua maioria, contos que possuem o necessário para envolver, mas sem excesso de detalhes que quebrem o ritmo ou desbalanceiem a história. Para os interessados em se actualizar para o que tem sido publicado recentemente, eis uma boa aposta.
(esta colectânea foi fornecida pela editora via NetGalley)

Criminosos do sexo – Vol.2 – Fraction e Zdarsky

Há poucos livros que consigam falar de sexo sem se assemelharem a adolescentes nervosos. E muito menos de uma forma que demonstra poucos preconceitos e limitações morais que, entre adultos capazes de consentimento só a eles lhes diz respeito. Criminosos do sexo consegue, nestes dois volumes, apresentar um super poder associado a orgasmos e explorar de forma bastante natural várias vertentes, passando por fetiches, trabalhadores do sexo e ginecologistas de forma bastante madura.

Depois de assaltarem bancos recorrendo à capacidade de pararem o tempo quando têm um orgasmo, Jon e Suzie percebem que a polícia do sexo se pretende vingar deles quando a tentativa de pegar o empréstimo da biblioteca falha e se inicia a demolição do edifício.

Para além de verem o objectivo dos seus esforços a cair por terra, Jon e Suzie debatem-se com o esmorecer do desejo sexual – por um lado Suzie iniciou a toma da pílula, por outro, Jon voltou aos medicamentos receitados pelo psicólogo. Neste seguimento Suzie vai ao ginecologista e é atendida por um médico novo que, dadas as características especiais do colo do útero, solicita que os estagiários a examinem. Já Jon, ao expor as suas maleitas a um desconhecido no centro comercial encontra um psicólogo que auspicia ser mais competente.

Ultrapassadas algumas barreiras decidem iniciar um plano para atacar a polícia do sexo recorrendo a outros que, tais como eles, possuem poderes associados aos orgasmos. Neste caso trata-se de uma ex-trabalhadora do sexo que agora é uma académica no tema e que, tal como eles, explora o assunto mas sem saber que não é a única com tal capacidade.

Mantendo uma linha narrativa, ainda que de forma pouco coesa, Criminosos do sexo consegue debater o tema sem juízos de valor e algum humor que usa de forma informativa e adulta, tornando-se este aspecto mais interessante do que o enredo em si.

A série Criminosos do sexo é publicada em Portugal pela Devir.

Outros volumes

The Autumnlands – Vol.2 – Kurt Busiek e Benjamin Dewey

Este segundo volume faz perder todo o glamour da aura fantástica do mundo apresentado no primeiro para ganhar a maior profundidade da ficção científica, com o cruzamento de seres de diferentes origens e diferentes universos, reviravolta que já se podia auspiciar de alguns detalhes anteriores, mas que aqui se concretiza de uma forma estrondosa, mas mantendo grandes mistérios que decerto serão explorados nos volumes seguintes.

Animais falantes e inteligentes em cidades suspensas pela magia – assim é o mundo que nos apresentaram no primeiro volume, em que a estabilidade hierárquica está ameaçada pela diminuição da magia ficando as cidades mais vulneráveis aos bárbaros que subsistem noutros terrenos pelo trabalho manual.

Por esse motivo os grandes mágicos reúnem-se e gastam os últimos recursos em trazer ao seu mundo um herói mítico que, esperam, possa repor a magia. O que aparece é um humano que, não sendo capaz de manipular a magia é perito em estratégia bélica e os leva a uma vitória duvidosa ao recorrer a armadilhas pouco éticas.

Depois da batalha, herói humano e jovem feiticeiro são arrastados pelo rio para as terras do inimigo, procurando, entre a floresta, uma forma de retomar ao seu território. No início do retorno o humano encontra um ser de aspecto humano, de tecnologia avançada, que o toma por alguém a cargo de um rival de profissão, dando-lhe comida e roupa, enquanto discursa sobre a rivalidade sem perceber que o humano não faz parte do seu mundo.

Mantendo o ritmo pausado e as dissertações mais longas entre fascículos, The Autumnlands surpreendeu pela forma como se transmutou de narrativa fantástica em narrativa de ficção científica, demonstrando que o mundo apresentado é, tal como as pistas anteriores indicavam, bastante mais complexo do que uma realidade baseada em magia.

Neste mundo vigiado por seres bastante poderosos, descritos pelos nativos como deuses, existem plataformas de divertimento com uma vasta literatura, que são abertas, não com um “abre-te sésamo”, mas com referências literárias do nosso mundo.

Com um visual rico, variado e detalhado, The Autumnlands promete transforma-se numa das melhores séries da Image que já tive oportunidade de ler – estou curiosa para perceber onde nos vão levar todas estas pistas literárias que se entre cruzam em mistérios cada vez mais profundos!

Outros volumes

Tony Chu – Vol.6 – Bolos Janados – John Layman e Rob Guillory

Se achavam que, com o alongar da série, a temática dos super-poderes associados a comida se esgotava, desenganem-se. Este sexto volume é tão intenso em detalhes cómicos, inusitados e mirabolantes que arrisco a referi-lo como um dos melhores da série, até agora.

Retirando o foco de Tony Chu e do seu colega, este volume segue a irmã, Toni, que apresenta características bastante diferentes do irmão – relaxada, divertida com uma pitada de irresponsável, mas possuindo, também, capacidades psíquicas associadas ao que come.

Se por um lado se investigam quadros com paladar que, dão, a quem os lambe o sabor da comida desenhada, por outro tenta-se perceber a origem da chuva de ovelhas que causou uma catástrofe. Entre investigações, Toni da NASA, passa os dias a cruzar-se com Caesar, sem que este se recorde de onde reconhece Toni. Mas se Caesar não se recorda, já Toni apresenta os múltiplos episódios mirabolantes os seus caminhos se cruzaram, nem sempre em circunstâncias legais .

Entre passagens de moda com roupa feita de carne, e vagas explosivas, assistimos, ainda, à entrada de Poyo no Inferno onde defronta demónios a torto e a direito. Galo de capacidades assustadores, Poyo é o grande herói deste livro.

De tom um pouco mais pesado do que é usual, este sexto volume apresenta detalhes deliciosos centrando-se em personagens mais rebeldes e menos seguidoras da lei, enquanto continua a apostar no visual colorido e caricato que ajudam a manter uma aura cómica, apesar dos detalhes nojentos associados à comida. A série Tony Chu continua, sem dúvida, em grande!

Resumo de leituras – Julho de 2017 (1)

81 – War for the Oaks – Emma Bull – Um dos primeiros livros de fantasia urbana que traz, para o cenário de uma cidade, as guerras e as influências das fadas (e das criaturas que pertencem a esse mundo) não é, em comparação com outros mais recentes, excelente. Percebemos o clima de tensão romântica que se vai acumulando, numa fórmula que é, hoje em dia, comum mas consegue ter elementos interessantes na forma como explora as componentes sobrenaturais;

82 – Wintersmith – Terry Pratchett – Livro de vertente mais juvenil, Wintersmith pertence ao mundo fantástico de Discworld e retoma a temática das bruxas, centrando-se numa jovem que, como todos os jovens, comete acções irreflectidas. No caso, sendo uma bruxa, estas acções têm consequências muito mais pesadas. Com as habituais tiradas divertidas de pequenos toques irónicos, é uma leitura engraçada;

83 – Cidades – Vários – Esta colectânea de histórias de banda desenhada reúne o trabalho de vários artistas do The Lisbon Studio, apresentando, de uma forma geral, um bom trabalho gráfico aliado a uma boa narrativa. Com uma boa diversidade de estilos esperemos que seja apenas o primeiro volume de muitos desta cooperação;

84 – A Morte é uma Serial Killer – Valentina Silva Ferreira – Não sabia o que esperar e ainda bem. O que encontrei foi uma boa narrativa com uma excelente capacidade para apresentar diálogos (o que é raro nos escritores portugueses) numa história em mosaico que apresenta o surgir de monstros humanos.

Nimona – Noelle Stevenson

Obra vencedora do prémio Eisner, Nimona é uma aventura divertida com dragões, castelos e muitos episódios mirabolantes onde os heróis são as personagens menos prováveis e as meninas são muito mais do que aparentam!

A história começa com Nimona a apresentar-se como a nova ajudante do vilão local, enviada pela Agência. Bem, na verdade, não foi enviada pela Agência, mas pretende ocupar o lugar de ajudante e para tal demonstra as suas capacidades de transmorfa, assumindo várias formas diferentes.

De utilidade promissora, o vilão lá aceita Nimona e mostra-lhe os planos para o próximo ataque. Claro que Nimona, no seu entusiasmo, acha os planos demasiado pobres e propõe uma série de actividades perigosas que são rejeitadas. De nada serve a rejeição. Difícil de controlar, Nimona age por conta própria durante o ataque, causando estragos bastante maiores do que os planeados.

Apesar do feitio explosivo de Nimona estabelece-se entre os dois um engraçado relacionamento, de alguma confiança e cumplicidade, uma amizade pouco usual que acaba por demonstrar que a rapariga transmorfa é muito mais do que diz ser.

Ao apresentar detalhes mais sérios e tristes, consequências das acções que vislumbramos, Nimona revela-se ser uma obra sem condescendências, apesar dos detalhes mirabolantes e divertidos que tornam a história movimentada e espirituosa.

Nimona foi publicada em Portugal pela Saída de Emergência.

Resumo de leituras – Junho de 2017 (2)

73 – O Incrível Hulk – Part 2 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – Se o primeiro volume parecia trazer “apenas” um  bom cenário para lutas mirabolantes, este apresenta algumas variantes interessantes numa história que parecia demasiado cliché;

74 – O Grande Baro e Outras histórias – Virgilio Piñera – Conjunto de excelentes histórias com detalhes deliciosos;

75 – Babel-17 – Samuel R. Delany – Um clássico no género da ficção científica que apresenta a linguagem como capaz de influenciar conhecimento e inteligência, bem como a percepção do mundo. Uma história movimentada que apresenta detalhes culturais interessantes;

76 – Os Monstros que nos habitam – vários – A mais recente antologia da Editorial Divergência reúne histórias sobrenaturais de vários autores nacionais num conjunto que representa várias vertentes do género, desde criaturas sobrenaturais a bruxas e fenómenos inexplicáveis.

Destaque: Velvet Vol.3 – Brubaker, Epting e Breitweiser

“E se Miss Moneypenny fosse uma espia mil vezes mais perigosa que James Bond?” é uma das frases que mais tem sido utilizada para descrever Velvet, uma aparentemente inofensiva secretária que se deixa tomar por parva pelos vários agentes secretos que por ela passam. A morte de um amigo fá-la voltar ao activo, iniciando uma investigação por conta própria e é assim que se vê como alvo a abater, perseguida ao longo de vários países.

Depois de dois volumes excelentes a história chega ao final com este terceiro, publicado em Portugal pela G Floy e que estará disponível a partir de quinta-feira (29 de Junho). Abaixo deixo-vos a sinose e algumas páginas:

Todas as pistas e todos os destinos que constituem o mistério que rodeia Velvet acabam por a levar de volta aos Estados Unidos e a Washington, para o final explosivo da saga de Velvet Templeton. Por dois dos criadores de comics mais aclamados de hoje, Ed  Brubaker e Steve Epting, a dupla responsável também pela série Fatale.

A primeira grande aventura de Velvet Templeton, a secretária que era uma espia e operacional de missões secretas, chega ao fim com este terceiro volume da série. E a conclusão levará Velvet até ao topo das hierarquias do pdoer do mundo Ocidental e ao perigoso jogo das agências secretas. Quem foi que tentou incriminá-la e destruir a sua carreia e imagem, deixando um rasto de destruição no seu caminho? Descubra tudo no último volume de Velvet!

Destaque e evento: O Homem que Passeia – Jiro Taniguchi

Do mesmo autor de O Diário do meu pai e Terra de Sonhos (publicados nas duas colecções Novelas Gráficas pela Levoir em parceria com o jornal Público) é agora lançado O Homem que Passeia pela Devir, no dia 24 de Junho pelas 17h30 na Festa do Japão. Deixo-vos a sinopse bem como algumas páginas:

Um homem contempla os subúrbios da sua cidade. Caminhando devagar, escuta e cheira. Para e observa.

É impossível não nos sentirmos alheios e indiferentes ao mundo, em    contraste com este olhar puro. Passeando por estas páginas reaprendemos a olhar, talvez a viver, mais atentos às pequenas coisas.

Destaque: Criminosos do Sexo Vol. 2 Matt Fraction e Chip Zdarsky

O primeiro volume de Criminosos do Sexo apresentou uma premissa interessante, centrada numa capacidade peculiar das personagens principais – a de parar o tempo! Mas apenas quando têm um orgasmo.

Depois de um encontro amoroso em que ambos pensavam estar sozinhos nos seus poderes, a partilha desta possibilidade fez com que ganhassem grande afinidade e objectivos comuns, objectivos que poderão ser mais facilmente atingidos se arranjarem uma forma fácil de ganhar dinheiro.

A série está a ser publicada em Portugal pela Devir.

Deixo-vos a sinopse e uma pequena amostra das páginas interiores, bem como a ligação para o comentário ao primeiro volume:

Suzie, uma bibliotecária e Jon, um ator partilham a mesma habilidade…

À medida que a sua relação evolui, decidem aproveitar este truque para assaltar bancos… mas o que fazer a seguir quando termina a emoção?

 

Destaque: Cage – Brian Azzarello e Richard Corben

A banda desenhada que inspirou a série é um dos mais recentes lançamentos da G Floy, com argumento de Brian Azzzarello e arte de Richard Corben. Deixo-vos a sinopse e algumas páginas:

Quando Luke Cage aceita investigar o assassinato de uma jovem adolescente, descobre que está a decorrer uma guerra entre três gangues diferentes pelo controlo do bairro a que chama lar. E que melhor maneira de quebrar um impasse do que oferecer os seus serviços a quem lhe pagar mais?

 

Feira do Livro de Lisboa – Sugestões livros do dia – 04/06/2017

Eis algumas sugestões de entre os vários livros do dia de hoje!

Referência ao género distópico, 1984 continua a ser um livro actual, cada vez mais aconselhável, publicado em Portugal pela Antígona, a mesma editora que publicou clássicos do género como Nós de Zamiatine ou Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.

Oscilando entre os tons sépia e os gradientes de cinzento, na ausência de palavras, as imagens contam uma história de emigração, acompanhando o sacrifício de um homem em deixar a família procurando condições melhores, na esperança de, um dia, os poder trazer. Emigrantes de Shaun Tan é um dos livros mais emotivos do autor e em Portugal foi publicado pela Kalandraka. Para os interessados eis um comentário mais longo ao livro.

Destinado a  um público mais juvenil, Os Livros que Devoraram o meu pai, contém várias referências a personagens ficcionais conhecidas utilizando-as para adicionar camadas de complexidade a uma história relativamente simples. O livro foi publicado pela Editorial Caminho. Para os interessados eis um comentário mais longo.

Utilizando a experiência com a banda desenhada e a frequência do curso de Psicologia Miguel Montenegro criou uma série de tiras cómicas que ironizam as práticas e as teorias da Psicologia. A primeira edição de Psicopatos foi publicada através da própria faculdade que frequentava. Entretanto foram publicados dois volumes pela Arcádia.

Eventos: Lançamento Jim Del Monaco – Ladrões do Tempo – Luís Louro e Tozé Simões

O nono álbum da colecção iniciada há 32 anos é apresentado no próximo Sábado pelas 18h30 na Feira do Livro de Lisboa. Deixo-vos a sinopse:

A inauguração de um museu de paleontologia, que esconde um poderoso segredo, está no centro de uma conspiração de perigosos extremistas amantes de práticas desviantes que desejam restabelecer a nova ordem mundial.

Quando, inusitadamente, rebenta uma velha guerra de ossos, é revelada a verdade que deu buraco, o mesmo através do qual se inicia uma perseguição errática no tempo, que leva Jim Del Monaco ao regresso ao passado e a um salto ao futuro, sempre no encalço dos meliantes com ameaçadoras criaturas a morderem-lhe os calcanhares.

Inicialmente inspiradas em Jim das Selvas e tendo por pano de fundo a era colonial de meados do século passado, as aventuras de Jim Del Monaco desenrolam-se em torno dos mitos e lendas do grande continente africano, bem como dos clássicos intemporais da literatura e do cinema de aventura, suspense, mistério e ficção científica. Os acontecimentos e personagens são tanto reais como ficcionados, mas estão sempre de alguma forma associados ao imaginário da época, embora por vezes pontuados por elementos descontextualizados e importados da modernidade.

Os enredos abordam os temas e situações de forma caricatural, numa linguagem humorística e apimentada, com desenlaces rápidos, inesperados, surreais e até mesmo absurdos, tendo unicamente por objetivo entreter e divertir de forma bem humorada.

 

Resumo de Leituras: Maio de 2017 (2)

65 – O Incrível Hulk – Part 1 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – O primeiro volume desta aventura coloca o herói num planeta carregado de estranhas espécies alienígenas que farão parte dos mais espectaculares cenários de batalha. A narrativa, apesar de possuir pontos cliché, consegue surpreender nalguns pontos com a progressão no segundo volume;

66 – Monstress – Vol.1 – Marjorie Liu e Sana Takeda – Fascinante, fabuloso, negro e imenso. Assim é o mundo de Monstress, de forte influência oriental onde os gatos possuem um papel preponderante;

67 – Herland – Charlotte Perkins Gilman – Um grupo de exploradores procura uma sociedade composta apenas por mulheres esperando encontrar a mais primitiva das combinações. O que encontra é a irmandade perfeita, evoluída mental e tecnologicamente com uma progressão estável – um choque para estes homens habituados a ver as mulheres como potes, belos, indefesos e utilizáveis;

68 – Apenas um peregrino – Garth Ennis e Carlos Ezquerra – Uma história violenta num mundo pós-apocalítptico carregado de salteadores e monstros, onde um homem, justiceiro, religioso mas obscuro, se coloca como bom samaritano, apesar da sua postura violenta e assustadora.