Exposição: O Elixir da Juventude

Encontra-se, na Bedeteca da Amadora, a partir de hoje, a exposição O Elixir da Eterna Juventude. A exposição será inaugurada pelas 17h00 e decorrerá até dia 27 de Maio. Para quem não conhece, este foi um dos grandes lançamentos de banda desenhada portuguesa no ano de 2017, uma obra que aproveita a música de Sérgio Godinho para tecer uma divertida e mirabolante história.

Mais informações sobre a exposição

Mais informações sobre a obra O Elixir da Eterna Juventude

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A recruta dos azuis – Os túnicas azuis – Willy Lambil e Raoul Cauvin

De tom leve e divertido, Os Túnicas Azuis baseia-se na dinâmica entre duas personagens – um homem que deseja a carreira militar mas que, por medo da mãe, não prosseguia, e um taberneiro que nunca pensou em integrar o exército. Nesta história explica-se como se aproveitou um momento de menor discernimento de ambos para os fazer integrar no exércioto.

Antes de iniciar a sua carreira militar, Chesterfield trabalhava como aprendiz num talho, fugindo dos olhares sedutores da filha do patrão, uma senhora pouco feminina que já tinha passado a idade usual para se casar. Entre o espírito protector da mãe (que vê nos favores da jovem, filha do dono do talho, um futuro promissor) e as histórias de coragem militar contadas pelo pai que se encontra numa cadeira de rodas, Chesterfield sonha secretamente com a farda, mas não ousa demonstrar esse desejo à mãe.

Por sua vez, Blutch tem uma taberna e está contente com esta vida, não aspirando a qualquer outra profissão. Conhece o caso de indecisão de Chesterfield e, após uns quantos copos, uns militares que se encontravam de passagem percebem que esta é uma oportunidade de ouro para captar dois novos recrutas.

Depois de ingressarem, contra vondade, no exército, o progresso até à cavalaria é carregado de sobressaltos e, como já é habitual, vêem-se recorrentemente nas posições mais perigosas e idiotas!

As histórias de Os Túnicas Azuis são curtas e divertidas e esta não é excepção. Aproveitando detalhes históricos bem posicionados (mas sem sobrecarregar a narrativa) e a dinâmica entre as duas personagens consegue divertir o leitor.

A série Os Túnicas Azuis foi publicada pela Asa em parceria com o jornal Público.

Kong The King – Osvaldo Medina

Numa história que assenta apenas em imagens Osvaldo Medina apresenta uma ligeira alteração à história de King Kong para apresentar uma narrativa tocante e expressiva numa espécie de homenagem ao cinema mudo.

O início da história é conhecido. Uma equipa de filmagens desloca-se a uma ilha supostamente deserta para filmar, mas não conta com a existência de predadores e outros perigos no local. O filme centra-se numa bela donzela que se vê verdadeiramente em perigo. Salva-a um gigante, mas, neste caso, não se trata de um gorila, mas de um ser humano enorme, um indígena.

Durante os momentos de aflição a filmagem prosseguiu e o produtor vê, no indígena, uma estrela que levará para a cidade. Triste por partir da ilha, o indígena deslumbra-se com a grande cidade e os estranhos hábitos destes homens. Como seria de esperar, o indígena não se habitua à grande cidade e procura retornar à sua ilha.

Em Kong the King compensa-se a falta de palavras concedendo movimento e emoção aos desenhos. As posições ligeiramente exageradas e a força das expressões conseguem transmitir ao leitor tudo o que é necessário para se simpatizar com a história e tornar este livro numa excelente e agradável “leitura”.

Kong The King foi publicado pela Kingpin Books.

Deadpool – Os erros pagam-se caro – Marvel Especial N.º 4

Bem vindos a mais um volume de Deadpool carregadinho de diversas histórias, algumas centradas nos mercenários que com ele trabalham! Se bem se recordam Deadpool montou uma empresa de serviços onde os vários mercenários que trabalham com ele vestem o mesmo uniforme – são sobretudo personagens com capacidades estranhas e traumatizadas com a sua estranheza.

Mas voltemos a Deadpool. O herói está com claros problemas de memória! O volume começa com uma vingança a todos os nomes que se encontram na lista negra. Os motivos para estarem na lista podem ser os mais mesquinhos e absurdos possíveis. Nem quem cometeu a falha se recorda, e muito menos Deadpool. Ele simplesmente sabe que tem um livro com faltosos e de tempos a tempos esquece-se que já se vingou e torna a rodar todos os nomes novamente.

Após este episódio de nova vingança por falha de memória (que continuará noutro volume centrado em Deadpool) são apresentados os vários mercenários ao serviço de Deadpool. A cada história corresponde um estilo gráfico diferente. São histórias curtas com elementos ligeiramente absurdos, apresentando desde um zombie com problemas de memória (porque a sua própria carne se degrada) a um boneco animado que ajuda uma donzela de quem todos se esquecem (uma alusão a A Súbita Aparição de Hope Arden?).

O volume termina com uma pequena história em família que nos apresenta a Deadpool. Não, não me enganei no género. Existe uma Deadpool que parece ter as mesmas capacidades regenerativas e aqui percebemos a sua origem, enquanto em pano de fundo se goza com a postura americana em relação às comissões do ambiente e dos furações – “então, se o ambiente é o problema, temos de nos livrar dessa agência também”.

Mirabolante, carregado de elementos aburdos e idiotas, este volume de Deadpool apresenta várias linhas narrativas – por um lado apresenta duas histórias mais longas que merecem continuidade, por outro, uma divertida secção de pequenas histórias centradas em personagens paralelas que ajudam a perceber a origem da empresa de Deadpool.

A colecção Marvel Especial é lançada em Portugal pela Goody.

Novidade: Homem-aranha Série 2 Vol.3

A segunda série de Homem-aranha lançada pela Goody prossegue! Deixo-vos a sinopse, detalhe de conteúdo e algumas páginas fornecidas pela editora.

Afinal quem se escondia atrás da máscara do deus Anúbis não era Miles Warren, mas sim Ben Reilly, o próprio clone do Peter Parker que, de forma surpreendente, está novamente vivo. Ben está convencido que a tecnologia da New U irá tornar o mundo melhor e, para convencer Peter a juntar-se a ele, traz de volta à vida vários dos seus amigos e entes queridos já falecidos, incluindo a própria Gwen Stacy, mas também alguns dos seus piores inimigos. Como Peter não vai na conversa, o Chacal decide colocar em andamento um plano diabólico que poderá resultar num apocalipse zombie à escala global. Sim, a Conspiração dos Clones está prestes a chegar ao fi m! Num outro contexto será revelado o que aconteceu ao jovem Miles Morales após os eventos da Guerra Civil II. Para garantir a proteção do filho, Jeff erson Davis volta ao ativo como espião da S.H.I.E.L.D.. Maria Hill aproveita a situação para enviar Jeff erson numa missão (ilegal) secreta que visa a recuperação de um artefacto que permite realizar viagens entre dimensões. Mas nem tudo corre como previsto e Jeff erson desaparece do radar da S.H.I.E.L.D.. Ao tentar resolver o mistério que envolve o desaparecimento do pai, Miles acaba por encontrar o seu primeiro grande amor: Gwen Stacy, a Mulher-Aranha da Terra-65, uma adolescente que foi picada por uma aranha modificada, situação que lhe concedeu poderes aracnídeos (de referir que, nesta dimensão, invejando os poderes de Gwen, Peter Parker transformou-se a si mesmo no vilão que todos conhecemos como Lagarto).

Conteúdo

AMAZING SPIDER-MAN (2015) #23 – Por DAN SLOTT, CHRISTOS GAGE, GIUSEPPE CAMUNCOLI e JASON KEITH
PROWLER (2016) #4 – Por SEAN RYAN, JAMAL CAMPBELL e JAVIER SALTARES
THE CLONE CONSPIRACY (2016) #5 – Por DAN SLOTT, JIM CHEUNG e JUSTION PONSOR
SPIDER-MAN (2016) #12-13 – Por BRIAN MICHAEL BENDIS, SARA PICHELLI e JUSTION PONSOR
SPIDER-GWEN (2015) #16 – Por JASON LATOUR, ROBBI RODRIGUEZ e RICO RENZI

Eventos: Coimbra BD

Cartaz da autoria de André Caetano

O Coimbra BD aproxima-se e promete algumas surpresas! Até agora conta com a presença de Walter Venturi, desenhador italiano que tem trabalhado nas séries Tex e Zagor. Na sequência da vinda do artista existirá uma exposição dedicada aos 70 anos de TEX e sessões de autógrafos para Sábado e Domingo.

O segundo convidado é André de Lima Araújo, que estará disponível para autógrafos no Sábado, dia 10 de Março. O artista tem trabalhos publicados na Marvel, Image e Titan Books, participando actualmente na criação de Black Panther. Algumas pranchas originais de Man: Plus (trabalho que escreveu e desenhou por inteiro, publicado na Titan Books originalmente e na Kingpin Boos em português) estarão disponíveis no Coimbra BD.

Para poderem acompanhar as novidades do evento deixo-vos a página não oficial do Coimbra BD.

Novidade: Pantera Negra – Vol.2

Está nas bancas, desde dia 13 de Fevereiro, o segundo volume da série Pantera Negra. Esta é uma das novas mini séries da Goody para este início de ano! Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas fornecidas pela editora.

IRÁ O FUTURO DE WAKANDA INCLUIR O SEU PRÓPRIO REI? Ao mesmo tempo que Zenzi continua a envenenar os cidadãos de Wakanda contra o seu próprio rei, T’Challa enfrenta outra ameaça: Ayo e Aneka, agora chamadas de Anjos da Meia-Noite, são chamadas por Tetu para se juntarem à revolução. Sem a força do povo do seu lado, e sob ataque do vilão Zeke Stane, o Pantera Negra vê-se obrigado a chamar a cavalaria, ou seja, o Gangue, grupo composto por Luke Cage, Misty Knight e Tempestade, além do seu amigo Vingador, Eden Fesi, a.k.a. Manifold, a.k.a. Dobra! Ao mesmo tempo, Shuri (a “falecida” irmã) segue a sua aprendizagem no mundo espiritual de Djalia (plano dimensional do passado, presente e futuro de Wakanda) e o Pantera Negra segue no seu encalço. A grande verdade sobre a revolução será fi nalmente revelada, mas ainda assim T’Challa terá de lutar com todas as forças pelo futuro da sua nação!

Conteúdo

BLACK PANTHER (2016) #7-12 – POR TA-NEHISI COATES, BRIAN STELFREEZE, CHRIS SPROUSE, KARL STORY, GORAN SUDŽUKA, WALDEN WONG, ROBERTO POGGI, SCOTT HANNA, LAURA MARTIN, MATT MILLA, LARRY MOLINAR, RACHELLE ROSENBERG e PAUL MOUNTS.

 

 

Thor: Deus do trovão – Os Últimos dias de Midgard

Eis um volume surpreendente! Visualmente agradável apresenta duas linhas narrativas centradas na ligação entre Thor e o planeta Terra. Na primeira o planeta tem graves problemas ecológicos. Thor, como Deus habituado a resolver tudo com o seu martelo, tenta resolver mais este problema enfrentando uma poderosa multinacional responsável pelos danos ecológicos.

Contra as multinacionais o poder de Thor parece irrelevante – os edifícios possuem seguros e a destruição momentânea causada pelo martelo serve apenas para que rapidamente sejam erguidos novos e maiores edifícios. E para que os interesses da multinacional se voltem para uma pequena cidade, muito querida a Thor – Broxton. Felizmente a agente Roz Solomon da SHIELD também está envolvida, e esta consegue agir de forma mais subtil que o Deus dos Trovões.

Paralelamente, Thor enfrenta, num futuro distante, Galactus, que tenta comer o planeta moribundo que já foi conhecido como Terra. Ainda que já não tenha seres humanos é protegido por Thor e suas netas pelo que outrora foi. Enquanto a primeira linha narrativa consegue apresentar cenários mais serenos, no fundo do mar, ou vistas da cidade pela perspectiva de Thor, esta segunda apresenta grandes cenários de batalha contra um ser enorme.

Este volume dá grande foco às questões ambientais, mostrando a destruição causada pelas grandes companhias, capazes de manobrar o sistema político e, consequentemente, manterem-se impunes aos olhos da lei. Pouco éticas e capazes de tudo, regeneram-se com mais força a cada embate e é necessário ser astucioso para as combater.

Thor: Os últimos dias de Midgard foi publicado em Portugal pela G Floy.

Novidade: Y The Last Man – Vol. 3 – 6

A Levoir publica finalmente mais alguns volumes da série Y: The Last Man! Estão assim planeados os seguintes volumes:

15 de Março 2018: Volume 3: Um pequeno passo;
22 de Março 2018: Volume 4: A Senha;
29 de Março 2018: Volume 5: O anel da verdade;
5 de Abril 2018: Volume 6: Entre mulheres.

 

 

 

 

Sandman Vol. 9 – As Benevolentes 1

Ainda faltam mais dois volumes de Sandman para terminar a série, mas neste volume 9 a tragicidade é palpável, bem como o peso de milénios nos ombros de Sonho. Pesa, sobre ele, a morte do filho, bem como os vários relacionamentos amorosos (frustrados que teve). Sonho revela-se quase apático ao que vai ocorrendo em seu torno e são vários os indícios de que estaremos a chegar ao final de uma época.

Uma mãe pede vingança pelo filho desaparecido. Caindo na demência por conta do desaparecimento (e consequente morte sem que se conheçam as circunstâncias) acabará por pedir ajuda às Benevolentes (ou Fúrias, como não gostam de ser chamadas) que, lentamente, se encarregam de tecer as circunstâncias para que seja feita justiça.

Por sua vez, no reino de Sonho nota-se que está cada vez mais ausente, pouco preocupado com quem habita o seu reino. Ausente, fechado sobre si próprio, Sonho mostra-se neste volume como uma personagem cansada e distante, questionando os acontecimentos recentes e exercendo pouca autoridade.

Visualmente este volume remete para a loucura, mostrando a mãe demente envolta em cores alucinantes e cores exageradas. Por sua vez, os episódios com Sonho são soturnos, mostrando uma perspectiva ainda mais sombria do que é habitual.

A série Sandman foi publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Descender – Vol. 5 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Não se deixem enganar pela capa – o quinto volume continua o fôlego introduzido pelo quarto, com episódios de grande acção e pequenas revelações que fazem com que se leia rapidamente e sem pausas. Os heróis separam-se cada vez mais na tentativa de se reunirem, capturados por circunstâncias que não controlam – é esta separação que provoca linhas narrativas paralelas de grande acção.

Enquanto Driller (um robot mineiro) explora, com um velhote, a superfície do planeta Woch, conferindo alguns dos episódios mais supreendentes do ponto de vista gráfico e mirabolantes a nível narrativo, misturando figuras fantásticas com tecnologia, Tim-22 já largou a máscara e mostra-se com toda a sua maldade, tentando eliminar os dois humanos que com ele viajam. Quando tudo parece perdido para os dois humanos, mostra-se que nem tudo é o que parece e é Tim-22 que ficará em apuros.

Por sua vez, Tim-21 continua entre os robots e tenta fugir pois recorda, com saudade, o humano que conheceu em criança e pretende reencontrar-se com ele. O pequeno robot não percebe a perspectiva dos que querem eliminar a humanidade, mantendo alguma da inocência infantil com que foi programado. A sua tentativa de fuga não será totalmente isenta de danos, mas irá permitir uma revelação importante.

Enquanto cada personagem persegue as suas motivações, a armada do Império encontra o esconderijo dos robots, levando a uma batalha inevitável. As perdas do lado humano são excessivas e os robots voltam a revoltar-se, exterminando todos os humanos que conseguem atingir – mas o fim desta revolta promete ser diferente – ou pelo menos assim o indicam as pistas apresentadas ao longo deste volume.

Ao explorar os percursos de cada personagem, vão sendo depositadas pistas de uma história mais antiga que poderá influenciar os acontecimentos e originar uma reviravolta não só para a humanidade, mas para os próprios robots.

Cada personagem tem a sua própria personalidade, inclusive os robots, o que permite distribuir episódios mais leves (embora movimentados) entre os episódios de maior tensão. Driller, um simples robot mineiro, é um dos elementos que fornece os momentos mais soltos enquanto enfrenta uma série de criaturas na superfície de um estranho planeta.

Até agora Descender revela-se uma série extraordinária com páginas que possuem composições diversas consoante o ritmo e a importância do episódio. Apesar do estilo gráfico nem sempre agradar à primeira, aquando da leitura confere uma excelente capacidade de movimentação às personagens, o que combina com a narrativa, dinâmica e carregada de pequenas relevações.

Outras obras do autor

Novidade: O cemitério dos esquecidos

O plano de edição de Fevereiro da G Floy tem várias boas surpresas no mercado português – o primeiro volume de Descender (excelente), o oitavo volume de Tony Chu (série nojentamente divertida),  Imperatriz (de Mark Millar), ou o terceiro volume de Harrow County (uma das melhores séries de horror em lançamento), apenas para referir alguns – mas esta parece ser, também, um excelente lançamento:

Mark Waid (Kingdom Come) e Paul Azaceta (Outcast) assinam este romance gráfico bem negro, a meio caminho entre o policial noir e o thriller, e a história de vigilantismo no limite do super-herói:  a história de um indivíduo misterioso, decidido a devolver o nome e a dignidade aos mortos anónimos enterrados em Potter’s Field, um cemitério para os esquecidos perto de Nova Iorque.

John Doe. Um homem que não tem identidade. Que não tem história. Que não deixa impressões digitais. Fazendo apelo a uma rede de agentes que agem fora dos circuitos tradicionais e que não se conhecem uns aos outros, deu a si próprio a missão de descobrir o passado e o nome de todos aqueles que foram assassinados injustamente e enterrados neste cemitério.

Mas que passado é que John Doe está a tentar esconder? E como é que ele conseguirá encontrar as chaves desse passado neste cemitério dos esquecidos? Investigações, ruas e vielas escuras, perigos, conspirações… POTTER’S FIELD é um thriller negro raramente visto nos comics.

 

 

 

 

Resumo de leituras – Fevereiro de 2018 (4)

27 – Thor – Os últimos dias de Midgard – Vários – Nem os super-heróis, nem os deuses conseguem travar os esforços de uma multinacional para fazer dinheiro à custa da Terra. Entre advogados e processos judiciais, todas as acções de Thor parecem piorar ainda mais a situação;

28 – O imortal punho de ferro – Brubaker, Fraction e Aja – Herói não registado, como manda a lei, Punho de ferro esconde a sua identidade por baixo de um milionário. Mas quando as suas empresas são alvo de uma compra agressiva resolve-se a explorar os escritórios da empresa rival e o que encontra são tudo menos secretárias e telefones;

29 – Corto Maltese – As célticas vol.1 –  Hugo Pratt – Corto Maltese passa na Europa e vai encontrando cenários de Guerra nos quais se envolve, sempre contra os alemães. Entre jogos de espionagem há grandes tesouros para ser recuperados e Corto Maltese é um dos principais interessados, usando o cenário para obter o que pretende;

30 – Ciudad – Giménez, Barreiro – Na esquina de uma cidade conhecida escondem-se caminhos para uma enorme cidade fantástica onde se encontram personagens ficcionais e míticas, cenários de ficção científica, visões do passado e do futuro, sem faltar seitas canibais e grupos armados que atacam todos os que encontram. Visualmente tem momentos excelentes.

Mil tormentas – Tony Sandoval

Mil Tormentas é uma história de auto descoberta – com o atingir da maturidade física a personagem envolve-se inocentemente com elementos sobrenaturais, enquanto é acusada de bruxarias pelos rapazes da aldeia onde vive. Das suas origens pouco desconhece, até porque a mãe faleceu há muito e o pai encontra-se ausente.

Lisa é uma rapariga peculiar que gosta de deambular pelo campo e apanhar pequenos objectos que encontra – ossos e dentes de forma pouco usual ou pedrinhas estranhas. Em casa da madrinha a rotina é rígida, mas Lisa escapa-se mostrando as boas notas que costuma ter, para desagrado do filho da madrinha, um rapaz que não gosta de Lisa e vê tudo o que esta faz com maus olhos.

O crescimento de Lisa não passa despercebido a alguns rapazes da vizinhança que passam a olhá-la de outra forma e a demonstrar um maior interesse pela sua companhia. Lisa interessa-se, também, por um desses rapazes, mas os encontros entre ambos não vão levá-los onde pretendem.

Cruzando elementos sobrenaturais com monstros a invadir esta realidade e Lisa a deter um papel determinante nesta invasão, Mil Tormentas distingue-se pelo aspecto visual caricato que coloca personagens de aspecto inocente em episódios de puro terror.

Visualmente semelhante a outras obras do autor, Mil Tormentas tem elementos interessantes, mas a história é bastante simples, centrando-se mais no despertar da adolescência do que na origem dos elementos sobrenaturais. Tal foco faz com que a invasão monstruosa pareça de dimensão pouco equilibrada quando se consideram as restantes manifestações sobrenaturais, bastante contidas, algumas dúbias.

Mil tormentas foi publicado em Portugal pela Kingpin Books.

Outros livros do autor

 

Novidade: O Legado de Júpiter Vol.1

O volume já anda nas bancas e constitui um dos muitos volumes de Mark Millar que a editora G Floy planeia lançar em Portugal (ainda em Fevereiro será lançado Imperatriz). Sobre este volume deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Chloe e Brandon são filhos dos maiores heróis e vilões deste mundo. Mas será que estão à altura do seu legado?

Em 1932, a busca por uma misteriosa fonte de energia e poder leva Sheldon Sampson,bem como o seu irmão Walter e um pequeno grupo de companheiros, numa viagem arriscada a uma estranha ilha perdida. Décadas mais tarde, Sheldon e Walter tornaram-se em super-heróis celebrados por todo o mundo. Mas uma nova geração de super-humanostem de seguir os seus passos, e a missão anuncia-se difícil… sobretudo quando dois lados da família iniciam uma luta terrível pelo poder. Quanto tempo poderá o mundo sobreviver a uma guerra entre seres super-poderosos?

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2018 (3)

 

23 – Ministry of Space – Ellis, Weston e Martin – Visualmente fabuloso, decorre numa realidade alternativa onde a corrida do espaço é vencida pelo Reino Unido graças  a uma reviravolta na obtenção dos segredos militares dos alemães. A partir daqui assistimos à construção de um novo Império, concretização das aspirações superiores dos ingleses;

24 – O ateneu – Quintanilha – De visual bastante diferente do usual no autor, adapta um romance brasileiro que se centra num rapaz que larga as saias da mãe para integrar um colégio interno que tem todos os filhos da elite brasileira. Não esperem amizades e companheirismo, à semelhança dos adultos que espelham, são jovens carregados de vícios que tecem jogos de influências e poder para concretizar as suas intenções;

25 – Torpedo 1936 Vol.1 – Abulí, Bernet – O assassino a soldo concretiza os seus planos de forma dura e vai aproveitando as oportunidades que se lhe apresentam para ganhar mais algum dinheiro. Os seus esquemas nem sempre funcionam, e por vezes altera os seus planos para ganhar momentos de menor remuneração imediata;

26 – Dormir com Lisboa – Fausta Cardoso Pereira – Vencedor do prémio Antón Risco, o livro da autora portuguesa foi publicado numa editora Galega e apresenta-nos as várias facetas de Lisboa numa história de detalhes fantásticos onde alguns trauseuntes vão desaparecendo sem deixar rasto, iniciando-se, assim, uma crise nacional pela busca e necessidade de explicação do fenómeno.

Novidade: Assassin’s Creed em banda desenhada

Para além de Pantera Negra, a Goody lança esta semana uma nova série mensal que não pertence à Marvel – Assassin’s Creed! Trata-se de uma pequena série de três volumes, e o primeiro volume já anda nas bancas desde dia 07 de Fevereiro. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

QUANDO TUDO PARECE PERDIDO, O CREDO PERSISTE.

A vida banal de Charlotte De La Cruz é virada do avesso quando esta é catapultada para o mundo obscuro da Irmandade dos Assassinos.

Juntando-se a eles numa disputa milenar contra a Ordem dos Templários, Charlotte é introduzida aos rituais da Irmandade à medida que entra nas memórias genéticas do seu antepassado assassino, Tom Stoddard.

Ao procurar desesperadamente por uma pista que possa salvar vidas, Charlotte testemunha em primeira mão o pânico e a histeria dos aterradores Julgamentos das Bruxas de Salem!

 

 

Ciudad – Giménez , Barreiro

O conhecer ambos os autores de outras obras foi o factor decisivo para a aquisição. De Ricardo Barreiro foi publicado Parque Chas na colecção  Novela Gráfica, e de Giménez é de realçar a participação na saga Metabarão. Com algumas semelhanças a Parque Chas, Ciudad centra-se numa cidade sem tempo, uma espécie de buraco negro onde vão parar habittantes de todos os tempos e lugares – imensa e diversa, uma cidade sem fim nem saída.

Depois de uma saída nocturna com a namorada, Jean separa-se saturado e resolve ir para casa a pé, sozinho. A meio do curto percurso encontra uma rua que desconhece existir no bairro onde vive. A partir daqui o caminho revela-se muito mais longo do que seria de esperar e é, com espanto que se vê alvo de metralhadoras na ruela em que está perdido. Salva-o uma mulher destemida, Karen

Tentando antecipar uma retaliação pela luta disputada anteirormente, a dupla constituída por Jean e Karen, parte num carro. Infelizmente, não partem a tempo. A partida é marcada por uma perseguição de desfecho violento em que Jean dispara, pela primeira vez, contra alguém. Escapam fisicamente ilesos mas encontram-se numa parecela desconhecida da cidade na qual deambulam sem encontra outras pessoas ou comida por longos dias.

A descoberta que os irá salvar é a de um supermercado enorme e automático, bem fornecido em todos os items de que poderiam necessitar. Desde comida a armas, tudo se encontra, reposto automaticamente por robots. Os problemas começam para ambos quando tentam sair do supermercado sem pagar – activam-se sistemas de defesa que decretam, logo, uma sentença pesada à dupla. Aqui são salvos por alguém que tenta, há muito, destruir o supermercado, mas sem sucesso. Tal como as fábricas de Philip K. Dick este supermercado recupera-se e mantém o funcionamento, mesmo sem clientes que desejem utilizá-lo, cumprindo o dever para o qual foi construído.

O restante caminho pela cidade vai ser feito de maravilhas e pesadelos de elementos fantásticos e de ficção científica, alternando eventos inexplicáveis com máquinas elaboradas. Encontram homens há muito perdidos que já perderam as esperanças de fugir da cidade e se deixam enrolar numa série de eventos cíclicos, e monstros dos clássicos de horror que aqui se tornam heróis. Dentro da grande cidade há cidades ordeiras de pessoas que cedem a liberdade a troco de uma comunidade e seitas caninais que recebem bem as futuras refeições.

Tal como Parque Chas, Ciudad apresenta uma cidade ficcional dentro da cidade real, uma cidade maior e mais complexa com múltiplas portas de entrada. Mas se em Parque Chas as deambulações na cidade alternativa são curtas, aqui prolongam-se pela eternidade, constituindo um local sem fim, repleto de absurdos monstruosos e locais ordeiros.

A cidade não é contínua, nem no espaço, nem no tempo, e a dupla experimenta o passado e o futuro, ambos traumatizantes, não percebendo as diferenças na duração da noite e do dia entre as diferentes partes da cidade. Se chove excessivamente numa parte da cidade causando uma inundação, no momento seguinte pode-se experimentar uma seca intensa que leva os viajantes a duvidar da sanidade. Cruzando outras ficções com esta narrativa (não só pela apresentação de monstros, como pelo surgir da figura Eternauta, e por referências indirectas a outras obras) Ciudad funde vários elementos para se transformar numa longa e rica viagem.

Outras obras dos autores