Votação: Capa Vingadores n.º 8

Depois da capa do volume n.5 de Homem-Aranha chegou a vez de ser votada a capa para um número da Vingadores, neste caso a n.º 8. A votação encontra-se aberta até dia 02 de Outubro pelas 10h da manhã. São quatro capas em votação que podem escolher na página facebook oficial.

 

Locke & Key – Small World – Joe Hill e Gabriel Rodriguez

Small world e small book! Este pequeno volume encontra-se carregado de extras  mas a história em si ocupa apenas umas 30 páginas, sendo uma pequena aventura passada na casa das chaves. A família que ocupa a casa carrega consigo a responsabilidade de as guardar e garantir que não são usadas erradamente.

Para quem não conhece a série principal, Locke & Key é uma série de seis volumes que decorre na cidade de Lovecraft e que tem a casa das chaves como palco principal. Cada chave prende um poder sobrenatural específico e estes poderes são tão cobiçados que, em torno das crianças da casa (as únicas que podem visualizar e utilizar os poderes) começam a ocorrer acidentes e mortes.

Esta pequena história utiliza a mesma cidade e a mesma casa, mas num passado diferente, apresentando uma família responsável pelas chaves. O envolvimento não é exclusivo de crianças, mas são sobretudo elas que aqui se mostram interagindo. Mais juvenil que a série principal, parte de uma casa de bonecas que representa a casa real e que permite interacção directa com qualquer parte da casa ou pessoa. Depois do uso irresponsável da casa de bonecas, todos os elementos da família se encontram em perigo.

Este volume possui cerca de 30 páginas de história e muitas mais de extra, com entrevistas sobre a série principal, bem como esboços e estudos sobre a história que aqui se apresenta. Ainda que seja uma história engraçada possui um tom menos série, mais juvenil que a faz perder capacidade de envolver.

Volumes da série principal

Novidade: Homens sem mulheres – Haruki Murakami

Desde Kafka on the Shore que tenho seguido a obra de Haruki Murakami. Não tenho gostado de tudo na mesma medida, sendo o Hard-Boiled Wonderland and the end of the world um dos meus títulos favoritos deste autor.

Fantasia ou realismo mágico, cruza elementos fantásticos com a realidade, resultando num relato que nos faz oscilar e não saber o que é suposto ser real ou não. Esta incapacidade de definir faz parte da experiência de leitura e torna algumas das suas obras muito especiais.

Este livro será um livro de contos do autor que se centra em homens assolados pela solidão e é lançado este mês pela Casa das Letras:

O que têm em comum os Beatles, Hemingway, François Truffaut, Woody Allen, Tchékhov, um rapaz chamado Gregor Samsa, um médico doente de amor e o dono de um bar de jazz? Haruki Murakami, pois claro. São sete os contos que dão forma ao mais recente livro: Homens sem Mulheres. Sete homens desencantados e a contas com a solidão. Sete histórias de solidão, mágoa e luto que desafiam os lugares- -comuns sobre o amor. Sete maneiras de traduzir a mesma melancolia, enquanto lá fora «a chuva continua a cair, provocando no mundo inteiro um interminável calafrio». Mas não se deixem enganar: este livro está repleto de mulheres: desejadas, sonhadas, traídas, ouvidas, invocadas, incompreendidas, sobrevalorizadas, eternamente amadas e perdidas para sempre. Um dia, o leitor corre o risco de se transformar num homem sem mulheres. Depois não digam que não avisámos.

Killer of Demons – Yost e Wegener

Um anjo que sussurra no ouvido, instigando a matar as pessoas que rodeiam quem o ouve, dizendo que se tratam de demónios. Parece a história de mais um assassino em série, um louco violento internado no hospício – só que neste caso até é verdade e cabe a Dave assumir a matança dos demónios que encontra.

O problema começa logo no local de trabalho – Dave trabalha numa grande empresa envolvida em produzir publicidade para a venda de tabaco e os colegas pouco escrupulosos que o rodeiam têm todos um par de chifres na cabeça, indicando tratarem-se de demónios. Ao invés de se preocuparem em trabalhar, as ideias discorrem em bares de striptease, e dá-se maior valor ao relacionamento pouco moral com os chefes do que à qualidade do trabalho.

Instigado pelo anjo, Dave perpetua pequenas chacinas, um pequeno café aqui, uma empregada de bar acolá, pequenos massacres que alertam as autoridades mas que demoram pouco tempo e que consegue esconder facilmente, até da esposa, uma polícia que investiga as mortes, e do irmão que é agente do FBI e que navega nos jogos de computador online para caçar pedófilos.

Assediado pelo diabo, provocado por agentes humanos do inferno que pretendem eliminá-lo, Dave julga-se, até, maluco e interna-se num hospício. Estadia de pouca dura, já que ao vislumbrar, também naquela instituição, demónios de todo o mundo, Dave escala a violência.

Divertido, com uma pitada de tom crítico em relação às empresas de moral duvidosa, Killer of demons é uma leitura movimentada que não se leva a sério. O aspecto gráfico não é muito cuidado, mas relaxado e de acordo com o tom da narrativa. Em suma, uma leitura engraçada que distrai mas que não roça o excelente.

Novidade: Homem Aranha Vol. 5

Lembram-se de ter votado nesta capa? Pois bem, podem encontrar o volume 5 desde ontem nas bancas! Deixo-vos a sinopse, detalhe do conteúdo bem como algumas páginas do interior do livro!

Quando um morto-vivo surge a deambular pelas ruas de Nova Iorque, o Homem-Aranha tem de fazer alguma coisa a esse respeito. Mas desta vez o aranhiço terá de sair da sua zona de conforto numa história do além que vai desafiar a sua própria fé. Na sua busca incessante para deslindar um caso verdadeiramente paranormal, o espetacular Homem-Aranha dá de caras com os famosos Santeiros! Este fabuloso grupo de vigilantes – criado por Joe Quesada em 2005 – regressa desta forma ao ativo e promete surpreender os leitores com os seus poderes baseados na mitologia e religião dos Orixás. Uma minissérie completa onde Peter Parker será forçado a enfrentar questões de vida ou morte… e tudo que está para além disso!

Conteúdo

Amazing Spider-Man (2015) #1.1-1.6 – Por Jose Molina, Simone Bianchi, Andrea Broccardo, Raymund Bermudez, Israel Silva, Java Tartaglia, Andres Mossa, Marte Garcia, David Curiel, Matt Yackey.

 

 

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (4)

141 – Acadie – Dave Hutchinson – Livro curto que se lê de uma vez, apresenta uma colónia criada por cientistas que fugiram da Terra, perseguidos pelas suas inovações genéticas. Uma colónia peculiar em quem são eleitos para cargos políticos (como presidente) os cidadãos que demonstrarem não quererem este tipo de ocupações;

142 – Os livros da Magia – Neil Gaiman – Uma história fabulosa de Neil Gaiman que demonstra as suas capacidades como contador de histórias ao apresentar um rapaz pouco interessante e ao tecer todo um mundo em seu torno, usando mitologias e referências do mundo real para conceder maior força e credibilidade à história;

143 – Um mundo de pernas para o ar – Elan Mastai Romance interessante em torno de uma teoria de viagens no tempo bastante assertiva – de que as viagens no tempo possuem dificuldades acrescidas pelo movimento constante da Terra em torno do Sol e do sistema no Universo, pelo que a localização à qual estaríamos a voltar atrás não seria exactamente aquela em que estaríamos. Em termos de história possui vários trechos desnecessários, mas com elementos interessantes;

144 – K. O. em Telavive – Asaf Hanuka Neste volume o autor expressa o seu quotidiano familiar, com altos e baixos no casamento, com momentos desesperantes do ponto de vista financeiro e psicológico. Interessante pelas diferenças culturais e porque, apesar destes, serem reconhecíveis os problemas e inseguranças que apoquentam a maioria dos seres humanos.

1602 – Witch hunter Angela – Bennett, Gillen e Hans

O mundo deste volume começou com 1602, um livro de Neil Gaiman que apresenta uma realidade alternativa onde os super-heróis apareceram durante os Descobrimentos, em auge pleno da Inquisição. Julgados como aberrações, demonstrações do poder do diabo ou resultado de bruxarias, os heróis surgem em meio pouco propício e facilmente acabam na fogueira.

Depois de 1602 de Neil Gaiman seguiram-se outras aventuras no mesmo Universo por outros autores, Fantastic Four ou Spider Man, aventuras mais standard num enquadramento diferente. Em Witch hunter Angela o ambiente difere de todos os volumes anteriores, com um ambiente mais negro e denso que contrasta a religiosidade com a magia, conferindo à caçadora de bruxas um aspecto angelical apesar da sua missão.

Entre peças de teatro e apresentações da corte que revelam monstros entre humanos, Angela avança, implacável e impiedosa, percebendo que alguns dos novos monstros não nasceram assim, mas escolheram o seu próprio destino e são, por isso, menos propensos à sua piedade ou simpatia.

Mas até a caçadora tem pontos fracos e será através destes que será testada e corrompida, manipulada apesar da força que demonstra. O poder da magia encontra-se em todo o lado, alimentado pelas preces de quem pouco tem e algo precisa.

Com coloração densa, escura e brilhante, a maioria das páginas contém uma composição arrojada que nem sempre está de acordo com a história que se apresenta, de narrativa mais classicamente fantástica apesar dos toques de super-herói, em que personagens conhecidas como Fury ou os Guardiões da Galáxia.

Ainda que, visualmente, não me tenha agradado (salvo algumas páginas) a história é interessante por cruzar personagens históricas com o Universo Marvel, e por retirar a perspectiva simplista de bom / mau usada nalguns outros volumes. Angela chacina os que já não são humanos sem dó, a serviço de algo em que acredita.

Outros volumes do Universo 1602

Histórias do Bairro – Gabi Beltrán e Bartolomé Seguí

Crescer num bairro onde não há lugar para a inocência não só determina uma infância diferente, como, quase sempre, aprisiona o futuro. Quando são inexistentes as perspectivas de sucesso e quando todos os adultos que se conhece possuem actividade incerta ou ilegal bem como existências afundadas em vícios, solidão e raiva, não se pensa em investir numa profissão honesta ou em sair do loop de corrupção.

Em Histórias do Bairro conhecemos a infância de um dos autores que cresceu num bairro problemático, carregado de prostitutas e pessoas de actividade incerta, deambulando livremente com outros miúdos e aproveitando para fazer pequenos biscates – ir ao tasco comprar o vinho ao velhote que vive fechado em casa ou ir às docas indicar aos marinheiros onde conseguem arranjar uma companhia para a noite.

Estas primeiras actividades, ainda que relativamente honestas, expõem a mente a duras realidades e fecham a porta à sensibilidade – os sentimentos são um luxo e é mostrando dureza que sobrevivem na rua entre outros miúdos, dando suporte a actividades ilegais como assaltos ou contrabando.

De episódio em episódio, o autor apresenta os relacionamentos fugazes com adultos de referência, a fraqueza escondida da avó, os destinos catastróficos dos outros rapazes. Paralelamente percebemos que a paixão por desenhos e livros o mantém, acabando por ser o que o salva de um destino quase certo de crime e vício.

Histórias do Bairro possui um visual caricato, retratando apenas o necessário e captando a dura realidade à qual dificilmente se escapa. Mesmo neste contexto consegue ter um tom ligeiramente descontraído encarando as cenas quase como normais (uma normalidade relativa causada pelo hábito) deixando ao leitor, com o devido texto de apresentação (mais maduro e recente), a interpretação de cada componente.

Histórias do Bairro foi publicado em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Novidade: O Diário de Anne Frank – adaptação banda desenhada

O Diário de Anne Frank foi adaptado para o formato da banda desenhada! A adaptação foi realizada por Ari Folman e David Polonsky e será lançada em Portugal no dia 21 pela Porto Editora. Esta nova edição foi patenteada pela Fundação Anne Frank e pretende ilustrar os 743 dias que Anne Frank viveu escondida, com mais 7 pessoas, num anexo em Amesterdão.

Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora, Porto Editora:

No verão de 1942, com a ocupação nazi da Holanda, Anne Frank e a família são forçados a esconder-se. Durante dois longos anos, vivem com um grupo de outros judeus num pequeno anexo secreto em Amesterdão, temendo diariamente ser descobertos. Anne tinha treze anos quando entrou para o anexo e levou com ela um diário que manteve no decorrer de todo este período, anotando os seus pensamentos mais íntimos, os seus receios e esperanças, e dando conta do dia a dia da vida em reclusão. Em 1947, após o fim da Segunda Guerra Mundial — a que Anne não sobreviveria —, o seu pai publicou este diário, um documento inspirador que é ainda hoje um dos livros mais acarinhados em todo o mundo e uma obra marcante na história do século XX.

Lançada mundialmente em celebração do 70º aniversário de O Diário de Anne Frank, esta é a sua primeira adaptação para banda desenhada, realizada com a autorização da família e tendo por base os textos originais do diário.

As melhores histórias de Donald & Patinhas

Ainda há dias alguém comentou, a propósito de outro livro de aventuras Disney, que estes livros lhe recordavam a infância. Para mim, tal sentimento é desperto especialmente por este grande volume carregado de boas histórias de construção mais clássicas, menos mirabolantes e desenhos mais detalhados e perfeitos.

Depois de uma fascinante árvore genealógica onde se expõem os relacionamentos familiares dos vários patos, começa uma das histórias mais longas do conjunto, Tio Patinhas e o tesouro sob o vidro, em que o Tio Patinhas convida os sobrinhos para procurarem os destroços de um barco. O que não sabe é que a zona que se propõe a explorar é dominada por dois rufiões que tentam, a todo o custo, impedir a progressão da expedição.

Em Donald em Acontece no Arranha-céus patinhas, Donald tenta demonstrar que perdeu o medo das alturas, peripécia que se inicia com sucesso, mas que prossegue com uma série de tropelias. Engraçada e curta, esta história rapidamente dá lugar a Tio Patinhas e os Guardiões da Biblioteca Perdida, onde se procura o destino dos livros que residiam na antiga Biblioteca de Alexandria. De país em país, seguindo a história das conquistas de várias civilizações, é uma das melhores histórias da Disney que li recentemente.

Tio Patinhas e o Solvente Universal centra-se na invenção de um produto capaz de dissolver tudo excepto diamante. Esta aventura leva o Tio Patinhas e respectivos sobrinhos ao centro da Terra, e vai dar bases para as seguintes, Tio Patinhas e o Cavaleiro Negro e Tio Patinhas e o Cavaleiro Negro volta a atacar, onde um milionário tem como hobbie o roubo de coisas impossíveis, fazendo da caixa forte o seu alvo.

Entre estas histórias temos a exploração da temática da redução de pessoas (Tio Patinhas e o incrível forreta miniturizado) que dá espaço aos irmãos Metralha para tentarem um novo golpe. Já em Tio Patinhas e o Tesouro dos Dez Avatares toca-se na temática da exploração da mão de obra barata em países de terceiro mundo, aproveitando os detalhes de outras culturas e respectivas mitologias.

Para além da qualidade gráfica acima da média, este volume reúne boas histórias que introduzem conceitos interessantes, tanto do ponto de vista histórico e cultural como científico, a mentes jovens. Reconhecemos referências a outras obras de ficção numa estrutura clássica, algo circular e coesa, fazendo com que a leitura possa ser apropriada também para adultos que gostem deste tipo de banda desenhada.

Este volume foi publicado pela Goody, a mesma editora que publica as revistas da Disney nas bancas nacionais.

Comix N.º200

Este é último volume desta colecção. Em troca a Goody lança três novas, dedicadas cada uma a uma personagem diferentes da Disney, Tio Patinhas, Mickey e Donald. Este último volume inicia-se com uma história de viagens no tempo em que o vilão, submetido a hipnose, percebe que o Mickey frustrou os seus planos de controlar o mundo.

A partir daqui, por forma a salvar a Minie, o Mickey tem de viajar ao passado, percebendo que a sua viagem já estava pré-determinada e seria necessária para compor o passado. Uma história engraçada que nos faz rever o estilo antigo de Mickey.

Depois de A Queda do Morcego onde se mostra uma aventura menos bem sucedida de Morcego Verde, Donald enfrenta em lobisomem em A Ameaça de Loup Garou e o Tio Patinhas vê o seu bom nome em perigo por conta de um plano da Maga Patalógica.

Populada, sobretudo, por histórias leves e engraçadas, este volume reúne várias personagens Disney num conjunto diverso que toca levemente nas temáticas da ficção científica e da fantasia.

Eventos: Festival Bang!

Aproxima-se a primeira edição do Festival Bang!, um festival alusivo à colecção com o mesmo nome, ambas organizadas pela Saída de Emergência, uma das poucas editoras portuguesas com uma extensa colecção de ficção científica e fantástico em catálogo.

Este festival promete, entre palestras, demonstrações de cosplay e momentos musicais, exposições (sobre Edgar Allan Poe) e a presença da autora Anne Bishop, conhecida pelas séries fantásticas Trilogia das Jóias Negras, Mundo Efémera ou Trilogia dos Pilares do Mundo (apenas para citar alguns dos imensos livros publicados em Portugal pela Saída de Emergência). 

O evento decorre no Pavilhão Carlos Lopes no dia 28 de Outubro e os bilhetes podem ser adquiridos no Ticketline, sendo possível descontar o valor do bilhete em livros. Mais informação sobre os bilhetes na página oficial.

One-Punch Man – Vol. 1 – One e Yusuke Murata

Ainda que não esteja habituada a ler este género, adorei o ambiente e o estilo do que li neste volume. A história centra-se num herói deprimido, sendo uma das principais causas da depressão a facilidade com que acaba com os monstros que enfrenta, bastando um murro.

Com um detalhe delicioso, os desenhos sucedem-se estrondosos, centrados num herói pouco típico o que confere uma ironia ligeiramente cómica que parece fazer pouco das grandes batalhas que normalmente se apresentam em livros de super-heróis. Aqui as batalhas são bastante resumidas e anti-climáticas, sendo a batalha propriamente dita mais rápida do que tudo o que antecede o murro.

Sem grande surpresa da parte que corresponde ao enfrentar do monstro, a novidade está num rapaz com várias peças mecânicas que pretende tornar-se discípulo deste herói peculiar. Rejeitando os vários títulos honrosos que lhe são dirigidos este herói prossegue, demonstrando apatia, quase total indiferença para com o que lhe vai acontecendo.

A série One-Punch Man está a ser publicada pela Devir.

Novidade: Os Vingadores / Homem-Aranha (vol.4)

A colecção da Marvel lançada pela Goody sobre o herói Homem-Aranha arrancou com o quarto volume no passado dia 08 de Setembro. Deixo-vos a sinopse, algum detalhe sobre as histórias contidas e algumas páginas do interior:

O sucesso de Peter Parker trouxe muitos inimigos à porta da sua empresa. Um dos casos mais graves aconteceu quando o grupo terrorista Zodíaco assaltou as Indústrias Parker e conseguiu roubar parte da sua tecnologia avançada. Utilizando um desses sistemas, o Zodíaco descobriu a localização de um misterioso e poderoso artefacto.
Em perigo iminente, os agentes da S.H.I.E.L.D. mobilizaram-se rapidamente e conseguiram capturar os membros superiores do Zodíaco. Infelizmente, o líder do grupo, o perigoso Escorpião, conseguiu escapar e continua foragido.
O Homem-Aranha não tem tempo para relaxar. As ameaças persistem, mas tudo irá terminar esta noite…

Histórias contidas no volume

  • AMAZING SPIDER-MAN (2015) #9-11 – Por Dan Slott e Giuseppe Camuncoli
  • A YEAR OF MARVELS: THE AMAZING (2016) #1 (SPIDER-MAN) – Por Ryan North e Danilo Beyruth
  • SPIDER-MAN (2016) #4-5 – Por Brian Michael Bendis e Sara Pichelli

 

Também a colecção de Os Vingadores arranca para o quarto volume hoje:

Há seis meses, Rick Jones expôs alguns arquivos de um programa ultrassecreto de segurança da S.H.I.E.L.D., com o nome de código Kobik, algo que permitiria às autoridades usar fragmentos do cubo cósmico para fazerem alterações no tecido da realidade. Depois de uma violenta reação pública, a diretora da S.H.I.E.L.D., Maria Hill, alegou que o programa tinha sido cancelado. No entanto, os fragmentos foram usados em segredo para criar uma idílica cidade chamada Pleasant Hill, local onde os supervilões mais perigosos do mundo viviam tranquilamente encarcerados… até agora!

Histórias contidas no volume

UNCANNY AVENGERS (2015B) #7-8 – Por Gerry Duggan e Ryan Stegman
ALL-NEW, ALL-DIFFERENT AVENGERS (2015) #7-8 – Por Mark Waid e Adam Kubert;
ASSAULT ON PLEASANT HILL OMEGA (2016) #1 – Por Nick Spencer e Daniel Acuña

 

Os Ignorantes – Étienne Davodeau

Dois homens trocam paixões. Um expressa a paixão pelas suas vinhas, outro a paixão pela banda desenhada. Ambas se cruzam nesta banda desenhada em que o autor se junta a Richard Leroy, um viticultor, para aprender um pouco mais sobre os detalhes do ofício.

Juntos passam por todos os passos na produção do vinho, desde o corte inicial das vinhas para moldar o crescimento, passando pela escolha e produção dos barris e uma série de procedimentos que quase parecem alquímicos, em que muitos têm dúvidas que funcione mas que Leroy adopta quase como se se tratasse de magia certa.

Se, para um desconhecedor de vinhos se torna difícil distinguir os vários paladares após umas quantas garrafas abertas, também o produtor de vinhos mostra desgostar de obras basilares da banda desenhada, numa espécie de liberdade que apenas é concedida àqueles que estão fora do género e que, portanto, desconhecem a importância dada a determinados autores.

A troca de conhecimentos e detalhes aproxima os dois amigos que, juntos, visitam outros produtores de vinho e outros autores de banda desenhada que permitirá construírem perspectivas próprias da ocupação de cada um.

 

Ao longo do ano, enquanto Richard Leroy mostra como trata as vinhas e vai abrindo várias garrafas de vinho para demonstrar as suas diferenças, o autor, por sua vez, dirige-o na exploração da banda desenhada, passando-lhe alguns clássicos do género, bem como obras mais experimentais que são digeridas a custo.

Os Ignorantes de Étienne Davodeau foi publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (3)

137 – Iraq + 100 – Vários autores – Sem grande tradição no género, foram convidados vários autores para perspectivarem o futuro do país. O resultado é diverso, com altos e baixos. Ainda que a qualidade não seja grande ao longo de todos os contos, a verdade é que vamos descobrindo excelentes e inesquecíveis contribuições;

138 – Valerian Vol.4 – O Embaixador das Sombras / Em terras fictícias – O quarto volume apresenta duas histórias que me parecem de qualidade distinta. A primeira expressa toda a variedade e originalidade que já espero da série enquanto na segunda se simulam várias viagens no tempo numa sucessão de rápidas missões em que Valerian é clonado e enviado;

139 – One Punch Man. Vol. 1 – One e Yusuke Murata – Não estou habituada a ler este género, mas achei este volume fabuloso. O nosso herói é meio deprimido, principalmente pela facilidade com que acaba com os monstros, num só murro. Com uma excelente qualidade gráfica, por vezes em desenhos detalhados, por vezes em imagens mais estrondosas, apresenta um herói pouco típico em episódios ligeiramente cómicos pelo tom;

140 – Os Ignorantes – Étienne Davodeau – Dois homens trocam paixões. Um expressa a paixão pelas vinhas e pela produção de vinho ensinando ao autor da banda desenhada todos os detalhes que rodeiam o seu quotidiano. Por sua vez, o autor mostra obras de banda desenhada diversas, entre o francobelga e o comic americano, obtendo respostas pouco esperadas para algumas das obras.

Os livros da magia – Neil Gaiman

Mais uma vez dou por mim a pensar, num livro de Neil Gaiman porque me sinto tão envolvida pela história. Vejamos. Depois de um episódio de rebeldia inicial o jovem em que se centra a história não se mostra especialmente inteligente. Ou dotado. Ou interessante. Todas as capacidades que alberga estão ainda dormentes e não as testemunhamos, sendo-nos indicadas por terceiros.

Então o que torna a história interessante e envolvente? Bem, por um lado a forma como Neil Gaiman nos apresenta as personagens, com uma aura de destino a que não podem escapar, algo simultaneamente horrível e belo que os circunda, que os poderá levar ora ao caminho da desgraça, ora para os mais elevados patamares da excelência.

Por outro, na própria história, Neil Gaiman cruza a história com uma série de outras conhecidas, sejam de outros trabalhos de ficção, sejam de mitologias e lendas, fortalecendo a mitologia do seu próprio mundo e concedendo um sentimento de mundo que possui alguma lógica, algo de conhecido e por isso mais familiar e passível de ser mais facilmente adoptado pelo leitor.

Bem, mas afinal o que é Os Livros da Magia? Um livro de banda desenhada com visual diverso e composto que opta por composições arrojadas e que variam a cada episódio. Sem chocarem os estilos, estes alteram-se de acordo com a parte da história contada, seja a origem mítica da magia, sejam as lendas que a contém e que conferem o tal sentimento de conhecido.

Timothy Hunter é um rapaz de doze anos que possuirá um poder latente, uma personagem que poderá vir a servir um dos dois lados em eterna batalha, o lado da magia e o lado da ciência. O rapaz será guiado pelas várias vertentes da magia para que possa escolher qual dos dois mundos pretende, o mundo da magia, fascinante mas perigoso, ou o mundo da ciência, esperado mas seguro.

Entre idas ao surgir do mundo em que se mostram algumas das várias Atlântidas (figuradas) que existiram, viagens pelo mundo das fadas (com todos os perigos conhecidos que lá podem prender quem deambula incauto) e visitas, reais, a uma festa carregada de figuras mágicas, Timothy vai experimentando um pouco de tudo – o seu próprio futuro e o fim de tudo o que existe ou o destino de outras personagens.

Não. Timothy não parece especial em nenhum momento. Não é especialmente corajoso, nem demonstra a desenvoltura das crianças típicas das ficções dos anos 80. Mas de alguma forma vai tomando as decisões correctas e safando-se das embrulhadas em que se coloca por desconhecimento.

Fascinante pelo cruzar de histórias e referências, interessante pela forma como Neil Gaiman consegue tornar a história envolvente, Os Livros da Magia é uma banda desenhada fantástica, aconselhável a todos os que gostam do género da Fantasia.

Os livros da magia de Neil Gaiman foi publicado em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Pùblico.

Outros livros do mesmo autor

 

 

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (2)

133 – Interzone 271 Revista de ficção especulativa que reúne contos de ficção científica e fantasia de vários autores, não descurando a componente de crítica a livros e a filmes. Uma excelente revista ainda que continue a preferir a Lightspeed Magazine;

134 – Southern Bastards – Vol.3 – Neste volume explora-se a história de diversas personagens e mostra-se como o clima de tensão causado pelo domínio da pequena máfia local representada pelo Treinador poderá originar uma pequena revolta na população. Esta ainda não ocorreu, mas poderá vir a ocorrer;

135 – Valerian Vol.3 – Bem vindos a Alflolol / Os Pássaros do Mestre – Christin Mézières – até agora o melhor volume da série apresenta duas histórias bastante críticas da história humana. Na primeira vemos a transposição da história dos novos ocupantes que determinam que quem já estava no território deve permanecer apenas em terrenos estéreis. No segundo assistimos a uma paródia na forma como os trabalhadores são influenciados a sentirem-se orgulhosos por trabalharem sem que recolham os frutos desse esforço;

136 – Vapor – Max – Um volume com pequenas histórias engraçadas centradas num homem que se desloca para o deserto numa viagem espiritual. As personagens que vai encontrando fazem-no repensar esse caminho de diferentes formas, mas não o demovem de prosseguir. O tom é leve e cómico.

East of West – Vol.3 – Hickman, Dragotta e Martin

Este é, até agora, o volume menos interessante da história. Ainda que, graficamente continue excelente, e que, do ponto de vista narrativo se resolvam alguns impasses de forma definitiva (eliminando algumas personagens) senti, no final, que não se tinha avançado propriamente com nenhuma das componentes principais.

Morte, cavaleiro do Apocalipse, continua em busca do filho, e as várias fracções interessadas em deter poder lutam entre si numa guerra de interesses que toma a forma de violência física.

No final um jovem robotizado de poderes imensos solta-se mas é uma liberdade falsa, pois a sua visão depende de terceiros que possuem interesses díspares e lhe mostram um mundo inóspito e carregado de caveiras ao invés de um prado primaveril.

Confesso que, neste volume, me senti menos envolvida e, até aborrecida. Salvaram-me as páginas de excelentes perspectivas que possuem imagens de cortar o fôlego. Decerto continuarei a explorar a série nos restantes volumes, mas por enquanto deverá perder prioridade.

Valerian – Vol.4 – O Embaixador das Sombras / Em terras fictícias – Christin Mézières

Apesar do título do filme, Valerian e a cidade dos 1000 planetas, a história que mais se assemelha é a apresenta aqui como O Embaixador das Sombras que se inicia com a entrada dos nossos heróis numa imensa cidade espacial onde co-existem milhares de espécies sapientes diferentes, criando um aglomerado heterogéneo e imenso.

Dentro deste imenso aglomerado sobrevivem os membros de uma civilização há muito perdida que pretendem refazer o seu mundo. Para tal necessitam de algo que a agente Valerian possui, um Transmutador, um espécime capaz de reproduzir o objecto que engole.

Estes mesmos espécimes raptam o Embaixador, o homem que pensam possuir o Transmutador. O rapto é pacífico, iniciando-se com a imobilização de todos os elementos que poderiam responder com as armas e cabe a Laureline seguir as pistas para resgatar o Embaixador.

E agora uma nota para quem viu o filme, sim, no livro, é Laureline que se infiltra numa cidade carregada de brutamontes e é Laureline que é seduzida por homens de tronco nu. Engraçado constatar como, numa obra com mais de 40 anos, é mais possível a heroína da história ser uma mulher do que no filme que resulta na sua adaptação.

Como as histórias anteriores esta apresenta-se carregada de elementos imaginativos com raças sem fim e culturas de diferentes perspectivas, realçando o temperamento tempestuoso e pouco submisso de Laureline.

A segunda história deste volume, Em Terras Fictícias, parece retornar à fórmula inicial, mas com maior grau de complexidade. Laureline acompanha uma agente mais velha que replica Valerian. Os duplos são enviados para vários pontos no tempo com missões cronometradas ao segundo.

Destacam-se aqui os sentimentos de Laureline por Valerian, apresentado como a força bruta da dupla. Laureline é tratada com condescendência pela agente mais velha, por um lado por conta da sua idade, por outro por demonstrar evidentes sentimentos por Valerian.

De narrativa mais simples e linear, toda a acção apresentada na história Em Terras Fictícias é repetitiva, reproduzindo ao longo de diferentes épocas o mesmo padrão, cada vez mais rápido e intenso que deveria terminar numa grande revelação. Existe revelação mas esta não teve o efeito bombástico esperado, deixando a sensação de história pouco conclusiva e sem objectivo.

Ainda que a segunda história do volume seja, do ponto de vista narrativo, inferior, a primeira é rica em detalhes futuristas que se completam de forma lógica criando um Universo fascinante.

A série Valerian está a ser lançada em Portugal pela Asa em parceria com o jornal Público.