Novidade: Saga Vol. 8

Uma das melhores séries de banda desenhada em curso chega ao oitavo volume no mercado português, sendo que o nono está programado para o Verão de 2019 e em 2020 o décimo (os autores decidiram fazer uma pausa maior entre os volumes da série). Deixo-vos a sinopse bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

SAGA narra a luta de uma jovem família para encontrar o seu lugar num universo vasto e hostil, e já foi descrito como um encontro entre a Guerra das Estrelas e Romeu e Julieta no espaço. Depois dos eventos traumáticos da Guerra por Phang, Hazel e a sua família e companheiros iniciam uma aventura que os irá mudar para sempre, nos limites mais distantes da galáxia. E teremos a oportunidade de descobrir o que aconteceu a Ghüs e à Vontade!

Fantasia e ficção científica – e sexo, traição, morte, amor verdadeiro e vinganças obsessivas – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples, que questiona incessantemente as narrativas e preconceitos do nosso tempo através do contraste com o seu mundo surreal e bizarro.

“O génio de SAGA não está só no seu argumento hábil e inteligente ou na sua arte maravilhosa, mas na simples e tremenda coragem de ter uma aristocracia robot, assassinos com corpo de aranha, e uma gata mentirosa incrivelmente cativante. Esta explosão de ideias que existe em SAGA de algum modo condensa-se e transforma-se na mais essencial das bandas desenhadas modernas.”

– THE IRISH TIMES

SAGA já venceu doze Prémios Eisner – o galardão máximo da banda desenhada anglo-saxónica – entre os quais prémios para Melhor Série em Continuação, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte. Foi também premiado com o Hugo para Melhor História Gráfica – os Hugos distinguem a melhor ficção científica publicada em cada ano, e com uns incríveis dezassete Harveys, que premeiam os melhores comics independentes, incluindo Melhor Argumento, Melhor Artista, e Melhor Nova Série.

O volume 9 está programado para o início do Verão de 2019 em Portugal. Os autores fizeram uma pausa na produção da série, que deverá regressar depois em 2020 com o volume 10.

 

 

Novidade: Conversas com os putos e com os pais deles – Álvaro

Lembram-se do livro Conversas com os putos? Recordo-vos rapidamente! O livro foi o premiado com o Prémio Nacional de Banda Desenhada do Amadora BD 2017 para o Melhor Álbum de Tiras Humorísticas e retrata o autor enquanto explicador de Geometria Descritiva. Tratam-se de várias cenas divertidas e inusitadas! Este ano o autor lança Conversas com os putos e com os pais deles – deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Não sei se ria ou se chore.”, “Aquilo é real?”, “Há por ali muito pouco de ficcional, não há?” ou “Aquilo aconteceu mesmo?” foram algumas das reacções a estes episódios de banda desenhada do primeiro volume do Conversas com os Putos que me ficaram na memória.
Um colega dos meus tempos da escola secundária, por volta da década de 80 do século passado, ao ler algumas destas tiras disse-me. “Nós na altura também éramos assim.”
Pooooois… Sim e não.
Há diferenças.
Nós quando andávamos na escola não passávamos 24 horas por dia agarrados a um ecrã portátil.
OK, está bem, ainda não existiam. Mas há mais diferenças.
Quando falhávamos alguma resposta por incapacidade de processamento ou por ignorância tínhamos vergonha. Hoje, por exemplo, não é raro depararmo-nos com miúdos do secundário que não sabem quanto é 18 a dividir por 3. E o problema não é o não se lembrarem da papagaiada da tabuada. É pior. Não sabem como lá chegar. E a coisa não fica por aí. Nem tentam lá chegar, nem se preocupam e ainda se riem enquanto pegam no telefone esperto e fazem a conta (18 a dividir por 3, repito) na calculadora.

Nós, naquela altura, fazíamos de tudo para sair do ninho.
Hoje, muitos dos actuais adolescentes ainda nem sequer saíram do ovo.

Mas aí, a culpa não será exclusivamente deles…

 

 

 

Futuroscópio – Miguel Montenegro

Em Futuroscópio o autor explora uma série de premissas futuristas, levando algumas das tendências actuais da nossa sociedade ao extremo – o extremo da vigilância, o extremo da estupidificação em massa, o extremo do afastamento da verdadeira ciência ou o extremo na entrega total à tecnologia.

De pequena história em pequena história, Miguel Montenegro debruça-se nas grandes questões sociais do presente mostrando sociedades distópicas onde, por exemplo, saber ler é grave, e ler um livro é crime passível de recondicionamento e estupidificação forçada do leitor. Ter capacidade de pensar, também. Aliás, o pensamento é algo que deve ser deixado de parte!

Noutro caso um jovem denuncia a medicina como prática incerta e baseada na crença, uma série de falácias que poderão ser prejudiciais à população. Pior do que ser condenado, o jovem é englobado na classe médica para, ele próprio, engordar das riquezas da classe e perceber as vantagens das práticas aplicadas.

Se por um lado assistimos à desvalorização da vida humana, por outro, esta, a vida, é mantida a todo o custo, mesmo quando alguém está cansado de viver eternamente, aspirando apenas a conseguir eliminar-se. A felicidade é uma espécie de imposição vazia, baseada em elementos supérfluos.

Nestes contos o futuro não é risonho e apesar de haver uma aparente felicidade dos cidadãos (da ignorância vem a felicidade) o futuro desenhado é um beco sem saída, sem evolução possível, uma regressão da humanidade que deixa, como  legado, a tecnologia, mas cuja inteligência dos humanos existentes não a poderia originar. Para o leitor trata-se de um constante contraste com tal mundo, que a mim me pareceu assustadora – não pelo retrato em si mas pelo receio da concretização de tal perspectiva extrema.

Miguel Montenegro explora, ainda, a sexualidade e as questões de género em três componentes distintas e bastante diferentes. Numa primeira, apresenta uma sociedade onde todos são fisicamente iguais, combinando os seus genes consoante a compatibilidade determinada por um programa. Querer ter um género é considerado uma traição e um desvio psicológico.

Noutra história, os “típicos” papéis encontram-se invertidos, com os homens a cuidar da casa e dos filhos, e as mulheres a desenvolver uma carreira e a terem um comportamento desrespeitoso e condescendente para com o outro género. No terceiro apresenta-se um cenário misógeno, de exercício de poder para dispor sexualmente das mulheres, quebrado por uma feminista que acaba por enfrentar a representação tradicional feminina.

Com este volume Miguel Montenegro demonstra ser capaz de duas coisas: capacidade em contar histórias e capacidade em apresentá-las graficamente. Por um lado as histórias apresentadas não são fáceis. Tratam-se de histórias futuristas e distópicas onde, sem grande introdução, conseguimos perceber o que acontece e onde, apesar de existirem temáticas já exploradas por outros autores, se reconhece um cunho próprio, um tom de ironia e crítica que consegue prosseguir por finais menos felizes (e por vezes, inesperados).

Por outro, apesar da complexidade das histórias, estas apresentam-se graficamente de forma competente e percetível, com capacidade para transmitir emoções e expor episódios de acção, resultando num volume de bom aspecto visual e de bons momentos narrativos.

Este volume foi publicado pela Arcádia, mas alguns destes contos já tinha encontrado em volumes anteriores de Apocryphus.

Outras publicações do autor:

Assim foi: Comic Con 2018

Fui pela primeira vez à Comic Con! Por um lado porque decorre em Lisboa, por outro porque fiz parte do júri dos Galardões Comic Con e porque ia apresentar o painel do Daniel Rodrigues no Domingo. Eis um pequeno apanhado sobre o evento: o bom, o mau e o vilão. Claro que, dados os meus interesses, o meu comentário centra-se nas vertentes que mais aprecio: livros, banda desenhada e jogos de tabuleiro.

Espaço dedicado à série Walking Dead

Acessos

Este foi, no Domino, O Vilão do evento. Pelo menos porque nesse dia houve condicionantes adicionais que, não sendo culpa da organização dificultaram o acesso ao evento.

O problema do acesso começou com estradas cortadas por uma corrida na marginal (ou algo do género). Talvez por esta razão, no Domingo, o estacionamento era inexistente. Fomos até Belém sem perspectiva de lugar. Optámos por fazer o resto do percurso de táxi mas nem este pode passar, algo que não é usual. Mas se até posso compreender que para nós os acessos fossem tão distantes. Mas vimos algumas pessoas com mobilidade reduzida (cadeira de rodas) que tiveram de fazer o percurso todo até à entrada do evento.

Saída de Emergência na Comic Con

Restauração

Li vários comentários referindo a pouca variedade de comida. A experiência, do nosso ponto de vista não foi má, considerando o tipo de evento e a expectativa que tinhamos. Quando quisemos comer, escolhemos e recebemos a comida em 5 minutos e até tivemos lugar sentados à sombra. Não vi confusão nem grandes filas e havia várias mesas espalhadas ao sol (demasiadas ao sol). A diversidade não era muita e não era barato. Mas também não achei excessivo para além do esperado.

Programação

Decididamente, O Mau. Uma confusão. A forma como é feita a divulgação e se encontra a informação na página oficial tornou difícil perceber, antes e durante o evento, quem estava onde, quando e a fazer o quê.  Vários autores e editoras tinham as duas publicações separadas, e os autores oscilavam entre o programa oficial do evento e o programa paralelo.

Para poder optimizar todas as presenças que me interessavam no evento, tinha de despender bastante tempo, coisas que não tive.

Espaço – Mapa e indicação

O evento dispunha de bastante espaço para se estender(O Bom). Mas faltavam indicações e organização. Cada stand estava voltado para o seu lado, e ainda que tivessem a mesma temática, não pareciam orientados para rapidamente se perceber a totalidade da oferta. Ainda, as indicações eram escassas – para alguém que pretendia estar em determinado local em determinada hora, houve alturas em que andei feita uma barata tonta. Ah. Quase me esquecia. Casas de banho. Costumam ser a parte esquecida da equação (excepto quando estão em estado miserável). Não vi muitas queixas nesta componente, o que, de si, é excepcional para um evento deste tamanho.

Os mais pequenos

Não levámos crianças ou jovens connosco, mas reparei que existiam várias actividades e espaços de que podiam dispor e divertirem-se!

O Espaço dos mais pequenos

Banda desenhada

Entre apresentações, sessões de autógrafos e stands, esta vertente estava bem representada mas parecia dispersa, sem aproveitar a totalidade dos interessados nessa componente:

  • Artist’s Alley – apertada, confusa e escura. Existiam várias bancas em que teria parado mais tempo se houvesse espaço, mas os visitantes acotovelavam-se. Existiam artistas semi escondidos e não era fácil dar com eles e deparei-me como autores convidados (Rubín, por exemplo) que não sabia que ia estar nesta zona no Domingo. Optei por contactar rapidamente aqueles que tinham livros que queria comprar, pedir os respectivos autógrafos e fugir. Sem dúvida O Vilão desta componente. Os autores que pagaram para expor o seu trabalho mereciam muito melhor;

 

Miguel Montenegro com o seu novo livro, Futuroscópio

Ricardo Venâncio

Pepedelrey

 

  • Painéis – alguns espaços encontravam-se rodeados de barulho, o que não facilitava a audição;
  • Autógrafos – confesso que não tive oportunidade para explorar esta vertente, dado ter planeado algumas entrevistas para o programa de rádio (vamos lá ver se possuem qualidade suficiente) mas várias pessoas que foram com o objectivo de recolher autógrafos se mostraram satisfeitas com o resultado – O Bom.

Jogos de tabuleiro

Talvez porque, em comparação com os videojogos, os jogos de tabuleiros não possuem, neste evento, a mesma quantidade de fãs, revelou-se uma parte com espaço suficiente para circular e comprar. Existiam bancas de várias editoras (a bons preços) e mesas para experimentar os jogos – O Bom.

Cosplay

Ainda que seja das vertentes do evento que menos me interessem, existiam fatos de grande qualidade, e de universos variados, conferindo um aspecto bastante interessante ao evento.

Steampunk

Existiam dois espaços Steampunk no evento, um com adereços próprios e informação, e outro dispondo um género de pavilhão de curiosidades, associado ao Custom Café (cujas fotos apresento a seguir).

Resultado

Quem lê parece que foi uma má experiência. Não foi. Também não foi excepcional. Para quem gosta de banda desenhada, livros e jogos de tabuleiro é um evento agradável, mas algo disperso. Esta dispersão sente-se em tudo: na comunicação das várias vertentes, tanto pública como aos que intervém nos painéis, ou na disposição da página web.

Compreendo que seja um evento de grande dimensão e que é a primeira vez neste espaço, mas existem vários elementos de pouco esforço que poderiam ter contribuído para uma melhor experiência.

Ether – Vol.1 – Matt Kindt e David Rubín

Em Ether a realidade que conhecemos é corrompida por uma série de portais para uma outra realidade fantásticas. Curioso, um homem de ciência viaja por estes portais com o objectivo de provar que mesmo este mundo fantástico pode ceder às regras das descobertas científicas e ser percebido de forma lógica.

A história começa com o inusitado processo de passagem, em que um gorila, após obter uma série de respostas, dá um pontapé no cientista e assim o encaminha para o mundo mágico. Mas desta vez a missão do cientista não seguirá o percurso normal pois houve um assassinato e os habitantes deste mundo precisam das suas capacidades dedutivas para perceber quem foi o assassino.

Oscilando entre a melancolia da obsessão pelo mundo fantástico (que impede a concretização de outros planos pessoais por parte da personagem principal) e os detalhes cómicos conferidos pelo seu sidekick (o gorila), Ether não explora uma premissa nova, mas fâ-lo de uma forma que achei de agradável leitura, destacando-se a forma como o cientista tenta aplicar as regras da lógica e se torna conhecido no mundo fantástico por esse processo estranho e incompreensível.

Do ponto de vista narrativo não é uma história perfeita, oscilando entre vários objectivos sem fechar algum (opinião que pode ser refeita quando ler o volume seguinte) e possuindo alguns saltos que se podem tornar ligeiramente confusos. Já do ponto de vista visual possui o estilo de David Rubín, que neste caso se une bem à componente narrativa, destacando o tom caricato de algumas personagens e os elementos do mundo fantástico.

O resultado é agradável, de fácil e divertida leitura apesar do contraste entre o ar bem disposto (cores alegres e aspecto caricato) e a urgência final quando as diferentes realidade perdem a sua integridade. Sem considerar excelente é uma boa e recomendável leitura.

Apocryphus – Vol.3 – Femme Power

Apocryphus surpreendeu positivamente nos primeiros dois volumes pela elevada qualidade de impressão e pelo aspecto gráfico. Já neste terceiro mantém a qualidade visual e aumenta bastante a qualidade narrativa, com pequenas histórias para todos os géneros que se centram em protagonistas femininas.

A primeira história, Scouting for girls, de Fernando Lucas, traz-nos um mundo decadente em guerra onde qualquer truque é bem vindo para passar a perna ao inimigo. Na segunda, Os níveis inferiores, o futuro continua deprimente, com argumento de Keith W. Cunningham e desenho de Miguel Jorge onde se apresenta uma sociedade distópica onde as rações podem ser cortadas àqueles que não contribuam da maneira desejada para a sociedade.

Em Suor e Aço, João Oliveira (argumento), Diana Andrade (Arte) e Mariana Flores (cores) colaboram para apresentar uma história em que os género masculino e feminino competem em igualdade. Já em Azul de Mariana Flores utiliza-se a arte como escapatória.

A Cura, a história de Maria João Lima (Argumento) e Ana Varela (Arte) apresenta uma perseguição pela floresta em busca de uma pessoa, enquanto em Femme Power de Miguel Montenegro se começa com um cenário misógeno quebrado por uma feminista que enfrenta a representação tradicional feminina.

Em Os Lobos de White Mist de Inocência Dias (argumento) e Daniel da Silva Lopes (Arte) apresenta-se uma história fantástica em que uma cidade se encontra coberta de espinhos e sem vida! Ainda que esta descrição seja conhecida, o desenrolar não vai de encontro às expectativas.

Este volume fecha com O Mito da Recriaçao, por Sofia Freire (Argumento), Felipe Coelho (Arte) e Fernando Madeira (Legendagem), uma história futurista em que os humanos deixam de ter caracteres primários e secundários de género por conta de uma intervenção!

Apocryphus regressa este ano com um terceiro volume de melhor qualidade narrativa, mantendo o nível gráfico a que já nos habituou. Entre cada história alterna-se o estilo e o resultado é um volume visualmente chamativo onde se denota o especial cuidado que houve em aumentar a presença feminina.

O terceiro volume esteve na banca na Comic Con mas encontra-se prevista uma sessão oficial de lançamento no Fórum Fantástico. Os vários volumes de Apocryphus encontram-se disponíveis na Convergência (este terceiro ainda não). 

Rascunhos na Voz Online – André Diniz

Com o passar das férias, o programa Rascunhos volta à carga, trazendo, desta vez, André Diniz, um autor brasileiro actualmente residente em Portugal que se tem tornado cada vez mais conhecido no mercado português, com os inúmeros livros publicados pela Polvo (entre os quais, Morro na Favela, Olimpo Tropical ou Malditos Amigos) ou com O Idiota publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público, na colecção Novela Gráfica.

Durante a nossa conversa André Diniz falou sobre estes trabalhos e muitos mais, do seu processo criativo e da expansão para o mercado europeu. Curiosos? Podem ouvir tudo no programa!

Novidade: Clássicos da Literatura Universal Disney – Vol.2

Chegou dia 13 de Setembro às bancas, o segundo volume da séries Os Clássicos da Literatura Universal na versão Disney. Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Drácula

Publicado em 1897 e escrito pelo irlandês Bram Stoker, esta obra de ficção gótica é um romance epistolar, por outras palavras a história é contada através de um conjunto de cartas, entradas de diários, jornais e registos de navios. O enredo tem início com a visita de Jonathan Harker, um advogado inglês, à propriedade de Conde Drácula, na fronteira entre a Transilvânia e a Moldávia. Rapidamente o jovem advogado inglês se apercebe do exotismo do seu anfitrião e que os tempos que se aproximam serão estranhos…

Pela Estrada Fora

Dentro do género romantismo sombrio, Edgar Allan Poe escreveu inúmeras obras que, abordavam a morte, os efeitos da decomposição e o luto. Poe também escreveu contos de humor e sátiras, recorrendo à ironia e ao ridículos para fazer o leitor libertar-se do paradigma cultural da época.

Novidade: Mickey Vol.8

A série Mickey da Goody continua com Mágicos Disney: O Desejado Regresso. Deixo-vos alguma informação sobre este volume:

Conteúdo

MÁGICOS DE MICKEY MONDIMONTANHAS PARTE1
MÁGICOS DE MICKEY MONDIMONTANHAS PARTE2
MICKEY E O INCRÍVEL VLADIMIR
VAMOS MUUUVER! MAS QUE FÉRIAS
MICKEY NÃO EXISTE
INDIANA PATETA E A SELVA DE TRÂNSITO
MICKEY E A ARTE DO PERFEITO VIAJANTE
VISITA INESPERADA

 

 

 

Novidade: Fantomius Vol.0

A Goody lançou, no dia 06 de Setembro, o volume 0 de Fantomius! Deixo-vos mais informação:

Após os cinco volumes iniciais, a coleção dedicada a Fantomius encerra com uma edição especial que revela novas informações sobre as origens do Ladrão Cavalheiro, nomeadamente a sua ligação com o Superpato. Lembramos que foi o diário do Fantomius que deu origem ao alter-ego do nosso Pato Donald.

Em Superpato e a Sombra De Fantomius vamos conhecer a história de alguém que também encontrou o diário do Ladrão Cavalheiro mas que, ao contrário de Donald, vai utilizar essas informações para cometer assaltos indiscriminados (colocando as culpas no Superpato).

Superpato e o Tesouro de Dolly Paprika gira em torno da lenda do pendente perdido da companheira de Fantomius que, segundo reza a história, permite a quem o encontrar aceder à localização de todos os tesouros da famosa dupla de ladrões. Claro que o Tio Patinhas fará de tudo para conseguir meter as mãos em tamanho achado.

Em Superpato e o Segredo de Fantomius será preciso apanhar outro criminoso que tenta seguir as pisadas de Fantomius, desta vez tendo como referência um romance escrito pelo
conhecido Stephen Quack, baseado nos feitos históricos do Ladrão Cavalheiro. Por fim, em Superpato e o Passado Sem Futuro vamos reviver o primeiro encontro entre Fantomius e Dolly Paprika (história apresentada no Volume 5), agora na pele do nosso Superpato face a uma inesperada viagem ao passado e que pode colocar em causa a própria existência do nosso super-herói do presente.

Inclui:
::: A SOMBRA DE FANTOMIUS
::: O TESOURO DE DOLLY PAPRIKA
::: O SEGREDO DE FANTOMIUS
::: O PASSADO SEM FUTURO

e ainda…
Além das quatro histórias do famoso Ladrão Cavalheiro, este volume inclui ainda um artigo especial sobre os loucos anos 20 do século passado, época que serve de pano de fundo às aventuras do nosso Fantomius, período em que se cultivava o gosto pela moda, pela música, pelo espetáculo e pelo desporto.

Novidade: Preacher Vol.1 – Colecção 25 anos Vertigo

O próximo volume da colecção da Levoir que comemora os 25 anos da Vertigo é Preacher! Já li a colecção há quase 10 anos, mas ainda me recordo da premissa e do quão cruamente irónica e cómica era esta banda desenhada, carregada de violência e heresia! Deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Esta semana na colecção comemorativa dos 25 anos da Vertigo, a Levoir e o Público lançam o primeiro volume de Preacher, do irlandês Garth Ennis, um dos mais inovadores escritores de banda desenhada actuais e do falecido artista Steve Dillon. Nas bancas no dia 15 de Setembro.

Publicada entre 1995 e 2000, Preacher foi uma das séries mais importantes do selo adulto da DC Comics, juntamente com Sandman e Hellblazer, (já editados pela Levoir) entre outros. A popular série de culto foi recentemente adaptada para a televisão numa excelente série da AMC e que actualmente está em exibição na terceira temporada.

Preacher conta a história de Jesse Custer (nome que, não por acaso, tem as mesmas iniciais do que o de Jesus Cristo…) um pastor em crise de fé de Annville, uma pequena cidade texana, que durante um dos seus sermões é acidentalmente atingido por uma estranha energia vinda dos céus, Génesis, fruto do amor proibido entre um anjo e um demónio. Como resultado, a pequena igreja em que ele pregava é completamente destruída e todos os fiéis mortos. Só Custer sobrevive ao desastre. O pastor descobre que recebeu a dádiva da voz de Deus, o que faz com que qualquer pessoa obedeça ao que ele diz.

Acompanhado por Tulip, a sua antiga namorada de gatilho fácil, e por Cassidy, um vampiro irlandês que gosta tanto de álcool como de sangue, Custer inicia uma viagem pelo continente americano em busca de Deus, perseguidos pelo Santo dos Assassinos, o mais implacável executor entre o Céu e o Inferno.

Escrita pelo irónico Garth Ennis, magistralmente desenhada por Steve Dillon e com capas de Glenn Fabry, Preacher teve 66 edições e 6 histórias especiais — formando o cabalístico número da besta, o 666 — que formam um saga ácida, com as doses certas de profano, sagrado, magia, acção e muito humor negro.

 

Novidade – Futuroscópio – Miguel Montenegro

Miguel Montenegro lança novo livro pela Arcádia onde apresenta várias histórias num futuro distópico em que cada ideia é levada às últimas consequências. A individualidade é punível e curável, pensar é uma doença e as oscilações de poder entre os géneros levam a uma temporária troca de papéis sociais. Deixo-vos a sinopse (e daqui a uns dias, uma opinião):

Num estado terapêutico, o poder político e a autoridade médica aliam-se para determinar o percurso que a humanidade deve seguir, e não se admitem excepções. Vigiar e punir, estigmatizar e manipular: a diferença é uma doença que pode ser curada, a revolução uma epidemia a ser tratada. Inspirado por alguns dos mais importantes debates ideológicos e morais do iníco do século XXI, Miguel Montenegro apresenta um Universo distópico, marcado pelo intervencionismo estatal e pelo furor terapêutico da Medicina, onde o individualismo é uma ilusão e a liberdade um conceito arcaico, num futuro onde a pessoa dá lugar ao simulacro e a angústia à felicidade.

O cogumelo vermelho – H. G. Wells

Este pequeno livrinho, comprado em segunda mão na Barata, contém três curiosos contos de H. G. Wells que pertencem à ficção especulativa, oscilando entre o fantástico e a ficção científica. No primeiro, que dá nome ao título, um homem sai de casa furioso, farto das festas que a sua esposa quer manter todos os Domingos, dia Santo, ameaçando a sua seriedade enquanto homem de negócios. É neste estado que encontra uns cogumelos vermelhos que ingere – o resultado há-de mudar o equilíbrio familiar para sempre!

Em A Estranha doença de Davidson um homem é atacado por uma maleita que o faz ver outra realidade totalmente diferente daquela em que se encontra. Confuso, vai recuperando a visão da realidade actual muito lentamente. O que afinal viu durante a doença será revelado, mas como e porquê permanecerá um mistério.

No terceiro conto, O novo acelerador, um investigador desenvolve uma poção que tem um efeito peculiar em quem a ingere – acelera a pessoa ao ponto de viver horas enquanto em seu redor passam escassos segundos. Neste caso tomam-na dois homens que conseguem atravessar a cidade sem que nada se mexa em seu redor.

Os três contos possuem elementos de ficção científica ou de fantástico, principalmente se considerarmos o desenvolvimento da ciência para a época. Os três contos são quase mundanos, levando os seus protagonistas a voltar à realidade banal. Notam-se alguns elementos discriminatórios mas são espelho da época em que o autor viveu.

O cogumelo vermelho foi publicado na colecção Mosaico.

Novidade: Corto Maltese – Sempre um pouco mais longe – Hugo Pratt

A Arte de Autor anuncia dois lançamentos para Setembro de Corto Maltese! Eis informação sobre este:

Corto Maltese alarga o seu périplo tropical à selva sul e centro-americana e às ilhas caribenhas. Vudu e política, golpes e repúblicas de bananas, escravatura, mulheres belas e misteriosas, a duradoura miragem do Eldorado, são alguns dos cenários e dos meandros das aventuras deste herói singular, independente e livre, imbuído de um certeiro instinto de justiça. Na extraordinária elegia que é «A Lagoa dos Bons Sonhos», o fim próximo da I Guerra Mundial é pretexto para uma meditação melancólica sobre os sonhos de glória.

 

Resumo de Leituras – Setembro de 2018 (3)

168 – Mensur – Rafael Coutinho – Com saltos narrativos e movimentações pouco directas, de termos algo difíceis de apanhar para português, Mensur de Rafael Coutinho é uma banda desenhada interessante, movimentada e graficamente brilhante onde a honra tem papel principal;

169 – Visão – Vol. 1 – Há vários anos que tenho este livro na lista de livros a adquirir! E realmente corresponde às várias críticas positivas! A família de Visão tenta integrar-se entre os humanos fazendo-nos questionar o que é humano, o que é máquina e pensamento lógico, bem como o poder dos relacionamentos e da vontade de querer a concretização de um sonho;

170 / 171 – Batman – O príncipe encantado das trevas vol.1 /2- Marini – Ainda que a narrativa tenha algumas falhas (clichés, desenvolvimentos expectáveis) o aspecto gráfico é fabuloso, fazendo com que a leitura se transforme no assistir de um brutal filme de acção.

Batman – O príncipe encantado das trevas – Vol.1 e 2 – Marini

Apesar de ser um herói peculiar, pela aura deprimida e soturna, não costumo ler muitos livros de Batman. Mas este, de Marini, tem tal qualidade gráfica que, quando o terminei, quase acreditava ter visto um filme e não lido uma banda desenhada. São varios os episódios movimentos e de confronto tenso, mas sem descurar os episódios mais pausados e introspectivos, demonstrando mestria na componente narrativa, de grande envolvência.

O príncipe encantado das trevas alterna o foco entre dois casais peculiares – o de Batman com a Catwoman, e o de Joker com Harley Quinn. O aniversário de Quinn aproxima-se e Joker irá tentar obter o presente perfeito. Falhando redondamente e enfrentando a fúria da sua apaixonada de humores flutuantes – não sem, pelo meio, chacinar a quase totalidade da sua equipa de bandidos contratados. Salva-se um anão com tendências suicidas e comentários cínicos e depressivos.

Um plano para arranjar um novo presente para Quinn surge quando uma mulher vem a público acusar Bruce Wayne de ser o pai da sua filha. Joker rapta a miúda com o objectivo de manipular Batman mas não conta com o carácter destemido da criança, nem com a fúria do herói que irá virar a cidade do avesso para encontrar o esconderijo de Joker.

Os dois volumes de O príncipe encantado das trevas possuem um formato maior do que é habitual para os volumes da DC publicados pela Levoir, destacando o belíssimo aspecto gráfico desta história, em que Marini é narrador e desenhador, conciliando ambas as vertentes. A linha narrativa tem vários pontos previsíveis e as personagens correspondem aos usuais clichés de género (principalmente as mulheres, voláteis e incompreensíveis) mas o que se destaca é mesmo o aspecto gráfico.

Os dois volumes de O príncipe encantado das trevas foram publicados pela Levoir.

Novidade: Corto Maltese – Sob o signo do Capricórnio – Hugo Pratt

A Arte de Autor anuncia dois novos  lançamentos de Corto Maltese para este mês, dois livros a preto e branco com prefácio a cores. Deixo-vos a sinopse do volume, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

No início do seu período tropical, em plena I Guerra Mundial, Corto Maltese – «o último representante de uma dinastia completamente extinta que acreditava na generosidade e no heroísmo» – faz amizade com o jovem inglês Tristan Bantam, meio-irmão de Morgana Dias dos Santos, praticante de macumba e pupila da visionária Boca Dourada, a quem visita na Baía acompanhado por Steiner, antigo professor da universidade Praga e futuro companheiro de viagens, na pista de tesouros misteriosos, cumprindo o seu destino de cavalheiro da fortuna.

 

 

 

Novidade: Marvel Vol.1 Série 2- Thor

A colecção Marvel Especial tem segunda parte e começa com um volume de Thor, Guerra dos Reinos. Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

A GUERRA DOS REINOS – As ações de Odin, o “pai-de-todos”, estão a gerar o caos nos Nove Reinos e está prestes a iniciar-se uma guerra a uma escala nunca antes vista. Malekith e os Elfos Negros estão a atacar Alfheim e Thor (Jane Foster) faz tudo o que consegue para os proteger. Mas os planos de Malekith são muito mais cruéis e que a aniquilação dos Elfos Brancos ou um ataque brutal que pudesse ser travado por Thor. Não… Os planos dele são unir os Elfos Brancos e­ Negros através do casamento com Aelsa, Rainha dos Elfos Brancos. Em Asgard a situação não está melhor. Odin ­levou a julgamento a sua própria mulher, a Lady Freyja. Com a “mãe-de- todos” a ser julgada e Heimdall na ­prisão, tem início uma autêntica guerra civil no seio de Asgard. Freyja, Loki e muitos outros tentam proteger o ­reino de Cul Borson, enquando Thor testa os seus poderes numa batalha contra o grande Odin.

Detalhe de conteúdo:

MIGHTY THOR (2015) #3-8 – POR JASON AARON, RUSSELL DAUTERMAN e MATTHEW WILSON

 

PPL Crowdfunding – Random – Miguel Peres, Marcus Equino e Joana Oliveira

Iniciou-se, ontem, um novo projecto em crowdfunding de Miguel Peres. Ainda recentemente falei de projectos de crowndfunding e dos vários cuidados que há a ter. Neste caso quem dirige o projecto é um conhecido autor de banda desenhada, envolvido noutros projectos de sucesso.

Para quem não conhece (ou não se recorda), Miguel Peres lançou dois livros no nosso mercado, Cinzas da revolta e Cemitério dos sonhos. Enquanto o primeiro se centra na Guerra Colonial em Angola, o segundo apresenta-nos um rapaz que perdeu o pai muito cedo, arrastando-se numa existência cinzenta na qual os seus sonhos se parecem ter perdido há muito.

Trata-se de um livro de visual fascinante (que combina, com sucesso, o trabalho de quatro desenhadores) e com uma história introspectiva que nos leva a reflectir sobre a nossa existência cinzenta, analisar as barreiras acumuladas ao longo dos anos e recuperar sonhos e objectivos de vida.

Random é o novo projecto de Miguel Peres que espera lançar com o apoio da campanha de angariação de fundos, de forma a poder pagar o trabalho de todos os que espera virem a trabalhar neste livro. Eis a primeira parte da sinopse e espero que fiquem curiosos o suficiente para visitarem a página oficial, https://ppl.com.pt/prj/random. Eu já apoiei!

Irrita-o quando tenta sair do metro e não consegue porque os magotes de gente estão a entrar? E aquele anormal que lhe rouba o lugar que estava à sua espera há meia hora? RANDOM está farto disto e decide resolver tudo com um taco de basebol!

Mais informação sobre Miguel Peres

Crítica a Cemitério dos Sonhos (com algumas páginas);

Entrevista ao autor na Rádio Voz Online;

Resumo de Leituras – Setembro de 2018 (2)

164 – Morte – Neil Gaiman – Voltamos ao Universo de Sandman, mas desta vez centrados na irmã do senhor dos sonhos, Morte. Morte vive entre os mortais uma vez por ano. A sua vinda não passa despercebida entre uma série de personalidades fantásticas que a tentarão usar para os seus próprios fins;

165 – Dicionário cómico – José Vilhena – Neste pequeno dicionário Vilhena usa algumas palavras para expressar ironia e sarcasmo para com a sociedade, revelando duras verdades em curtos trejeitos;

166 – 100 Balas – Primeiro disparo, última rodada – O primeiro volume desta famosa série aparece pela Levoir em comemoração dos 25 anos da Vertigo, mostrando histórias completas. Neste volume percebemos que quem paga pelos crimes não é quem os comete. Quem sofre são os inocentes que afinal vão ter uma forma de corrigir as injustiças;

167 – Ether Vol.1 – Matt Kindt e David Rubín – A premissa de viajar entre mundos através de mecanismos fantásticos não é nova. Mas não é a novidade da premissa que aqui se torna interessante, mas a forma como é explorada, seguindo um homem dedicado à ciência que pretende explicar cientificamente os portais e as diferentes regras dos mundos em que viaja. Apesar de ter algumas falhas narrativas é uma leitura bastante interessante que me levará a comprar o segundo volume.