Novidade: Crime no Expresso Oriente

Eis a segunda novidade da Arte de Autor para o AmadoraBD, neste caso trata-se de uma adaptação do livro de Agatha Christie:

Crime no Expresso do Oriente é, com As Dez Figuras Negras, um dos romances de Agatha Christie que conheceu maior sucesso, tendo sido traduzido em mais de trinta línguas.

Inverno de 1934. Pouco depois da meia-noite, um banco de neve obriga o Expresso do Oriente a parar. O luxuoso comboio está surpreendentemente cheio para a época do ano, mas, ao amanhecer, conta-se um passageiro a menos… Um magnata americano morre com uma dúzia de punhaladas, a porta do seu compartimento está trancada por dentro. Hércule Poirot conduz o inquérito no comboio isolado do mundo…

 

Novidade: Bouncer – Volume duplo – Tomos 10 e 11

Com a proximidade do Amadora BD a Arte de Autor anuncia um dos seus lançamentos, neste caso, um volume duplo de Bouncer com os Tomos 10 e 11! Eis a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Um ano após o lançamento em Portugal do díptico, TO HELL |.AND BACK (tomo 8 e 9), editamos agora um novo díptico BOUNCER – O OURO MALDITO | O ESPINHAÇO DO DRAGÃO (tomo 10 e 11) assinado por François Boucq.

Bouncer pensava em dias tranquilos depois de se livrar do infame João Feio. Mas ele deve saber que a lei do Ocidente é sempre implacável… Na cidade de Barro, o relojoeiro foi atacado e a sua filha, Gretel sofreu atrozes mutilações. Como poderia uma cara sem histórias e um pouco inocente ter sido submetido a tais atrocidades? Perseguindo os assassinos, descobre que sua rota se une à de um tesouro amaldiçoado no coração do deserto de Sonora, no México. Um lugar árido com lendas escuras, tão terrível que até os índios não ousam se aventurar ali. Bouncer pensou que já conhecia o inferno. Mas ele descobre que o último tem múltiplas faces.

Novidade: Humanus – Vários autores

A Escorpião Azul anuncia um dos lançamentos da Amadora BD, tratando-se, neste caso de um livro que conta com a participação de 37 autores. Eis mais informação:

Esta é uma obra comemorativa dos cinco anos da Escorpião Azul como chancela de banda desenhada que publica maioritariamente autores lusos. Nele estão incluídos 37 autores entre desenhadores e argumentistas, desconhecidos e conhecidos que contribuíram com as suas 33 histórias dos mais variados estilos, para dar à luz do dia esta colectânea que homenageia a banda desenhada no seu todo e que quer dar uma visão mais abrangente daquilo que hoje se faz em Portugal.

Este livro conta com a participação dos autores:               Rui Lacas, Andre Mateus, Filipe Duarte, Patrik Caetano, Susa Monteiro, Miguel Santos, Paulo Monteiro, Pepedelrey, Ricardo Lopes, Catarina Quintas, Mitsu, Fábio Veras, Álvaro, Derradé, Sharon Mendes, Rafael Sales, Jorge Deodato, Miguel Ángel Martín, Rita Alfaiate, Maf, Carlos Páscoa, Agonia Sampaio, João Vasconcelos, Joana Geraldes, Lança Guerreiro, Inês Garcia, João Monteiro, Catarina Teixeira, Mário Teixeira, Tiago Cruz, João Pinto, João Gordinho, Miguel Falcato e Picalima.

 

Assim foi – Fórum Fantástico 2018

 

O Fórum Fantástico deste ano foi caracterizado por vários lançamentos de autores portugueses pelas editoras Imaginauta e Editorial Divergência, destacando-se, também, a presença do autor de ficção especulativa Chris Wooding e da editora Gilian Redfearn, que trabalha para a Gollancz.

Lançamentos

Aproveitando um dia mais direccionado para a cidade de Lisboa (até no seguimento do recente espaço de reflexão de que o futuro da cidade que se tem criado), ocorreu o lançamento de Lisboa Oculta – Guia Turístico.  Tratando-se de um projecto que está em curso há algum tempo, era dos lançamentos que mais esperava. A apresentação ficou a cargo de Anísio Franco, licenciado em História da Arte e conservador no Museu Nacional de Arte Antiga, que bem conhece a história de muitos dos locais retratados, e que deu uma perspectiva interessante a este lançamento. Nesta antologia de contos com a forma de guia turístico, vários espaços da cidade são convertidos em cenários fantásticos, sobretudo envoltos em horror, destacando-se o visual cuidado das páginas, diferente de conto para conto.

Outro dos livros cujo lançamento teve grande destaque no Fórum Fantástico, foi Tudo Isto Existe de João Ventura. João Ventura é um dos autores mais prolíferos do meio da ficção especulativa portuguesa, que tem publicado em diversas antologias. Os seus contos encontravam-se, por isso, até agora, dispersos, sendo que Tudo Isto Existe constitui a primeira colectânea do autor. A apresentação foi precedida por uma pequena peça de teatro, que consistiu na adaptação de um dos contos curtos de João Ventura, Outro Sentido, com encenação de Sara Afonso.

Outra das obras de ficção especulativa apresentada foi O Resto é Paisagem, uma antologia que teve como editor o Luís Filipe Silva, e que foi lançada pela Editorial Divergência. Esta antologia reuniu vários contos que decorrem num cenário rural, cenário inquietante e que não é totalmente dominado pelo homem e que, como tal, é propício a histórias com elementos de terror.

Neste caso o espaço da apresentação foi partilhado com André Oliveira que também aproveita o cenário rural para tecer várias das suas histórias, exactamente pelos mesmos motivos.  Neste caso, a conversa começou por referir as obras de André Oliveira e prosseguiu para o seu mais recente projecto, como editor da JBC.

Na componente de banda desenhada lançou-se, como já é habitual, o mais recente volume da Apocryphus, Femme Fatale, com a presença de vários dos autores. Falou-se, claro, do processo criativo e da cooperação entre narradores e desenhadores, sem esquecer as adversidades e a evolução da antologia ao longo dos volumes. Infelizmente, esta sessão passou do Sábado para o Domingo (no seguimento do temporal que se esperava) tendo, por isso, sido realizada com menor presença de autores do que seria expectável.

Convidados internacionais

Mas o Fórum Fantástico não apresentou apenas novos livros. Este ano teve dois convidados internacionais, Chris Wooding e Gilian Redfearn que participaram em duas conversas sobre publicação e edição, em dois dias diferentes, sexta e sábado. Na sexta a conversa centrou-se mais em Gilian Redfearn, editora na Gollancz, uma das mais conhecidas editoras mundiais no género da ficção especulativa. Falou-se do processo de edição, das diferentes formas de editar e da forma como se escolhem as obras a publicar.

Já no Sábado a conversa centoru-se em Chris Wooding, que falou das suas obras e da forma como se adaptou à temática YA por ter mais liberdade do que nas restantes secções, em que os livros são demasiado catalogados e direccionados para um rótulo. A conversa tocou, claro, na sua perspectiva sobre a componente de edição, e na forma como recebe as sugestões (por exemplo, de Gilian Redfearn.

Chris Wooding foi, ainda, responsável por um workshop do Domingo de escrita, com o título: Character, character, character: putting people in you story.

Lisboa, cidade fantástica de futuros diversos

Ainda que, para mim, o dia de sexta tenha começado mais tarde do que o horário oficial, ainda apanhei parte da conversa “A Lisboa que teria sido… a Lisboa que poderá ser” em que se falou da cidade enquanto espaço de pessoas e para pessoas, espaço em mudança e adaptação constante. Claro que, tendo esta conversa, a presença de João Barreiros, Lisboa foi arrasada por monstros e alienígenas, mas sobrevive ainda, com vários futuros possíveis.

Aniversários

Na sequência dos 25 anos de Filipe Seems foi inaugurada uma exposição com algumas pranchas da obra, e os autores, Nuno Artur Silva e António José Gonçalves, tiveram presentes para uma conversa sobre o surgir da obra, sobre o processo criativo e a evolução da forma de publicação, passando de tiras para volume que as reúne.

Ainda, por ocasião dos 20 anos da morte de Lima de Freitas, foi feita uma homenagem com a presença de José Hartvig de Freitas, o filho que é conhecido como tendo um papel bastante importante na banda desenhada portuguesa. Lima de Freitas, pintor, desenhador e escritor português é conhecido, entre os leitores de ficção científica, como o criador de várias capas dos livros da colecção Argonauta, tendo sido apresentadas várias das que criou. Hartvig de Freitas falou, não só da sua experiência como filho (crescendo com os cenários fantásticos) como da carreira do pai.

Prémios

Este ano foi caracterizado pelo anúncio de dois prémios, um o prémio António de Macedo, como homenagem ao falecido escritor de ficção especulativa, que é atribuído pela Editorial Divergência, com publicação do trabalho escolhido (sem que o autor tenha, claro, de pagar seja o que for – a Divergência não é uma Vanity). O prémio teve, como júri, Rui Ramos e Bruno Martins Soares (para além de Pedro Cipriano, claro) e foi atribuído a Pedro Lucas Martins.

Foram, ainda, revelados os vencedores do prémio Adamastor nas várias categorias. O prémio teve uma fase de nomeação e uma fase de votação, sendo que indico os nomeados e os vencedores (a negrito em cada categoria):

Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Portuguesa

Anjos, de Carlos Silva
Dormir com Lisboa, de Fausta Cardoso Pereira
Espada que Sangra, de Nuno Ferreira
Lovesenda, de António de Macedo
As Nuvens de Hamburgo, de Pedro Cipriano
Proxy, de vários

Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Estrangeira

Coração Negro, de Naomi Novik
Fome, de Alma Katsu
Livro do Pó, de Philip Pullman
Lovestar, de Andri Snaer Magnason
Normal, de Warren Ellis
O que se vê da última fila, de Neil Gaiman
Quem Teme a Morte, de Nnedi Okorafor
Reino do Amanhã, de J.G. Ballard
Revelação do Bobo, de Robin Hobb
Semente de Bruxa, de Margaret Atwood

Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Conto

Aranha, de Pedro Cipriano
Bastet, de Mário Seabra Coelho
Coração de Pedra, de Diana Pinguicha
Crazy Equoides, de João Barreiros
Modelação ascendente, de Júlia Durand
Videri Quam Esse, de Anton Stark

Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Banda Desenhada

Cemitério dos Sonhos, de Miguel Peres
Dragomante, de Manuel Morgado e Filipe Faria
Free Lance, de Diogo Carvalho
Futuro Proibido, de Pepedelrey
Hanuram, de Ricardo Venâncio
Lugar Maldito, de André Oliveira e João Sequeira
SINtra, de Inês Garcia e Tiago Cruz

Outras conversas

Vencedor do prémio Utopiales, com A Instalação do Medo, Rui Zink falou do seu livro e do respectivo prémio (pouco mencionado na media tradicional) bem como de vários factores sociais (e das redes sociais) actuais. Foi uma conversa divertida com alguns pontos interessantes (ainda que não subscreva várias das perspectivas apresentadas) como a constante desumanização do outro (e por isso passível de linchamento) que passou pela componente literária e sobre o facto das pessoas ficarem fascinadas com um livro na medida do que leram (em relação a outros livros). Ou do que não leram.

Outros espaços

A maioria das actividades decorreu no auditório, mas o Fórum Fantástico é mais do que esta componente. À semelhança de outros anos, existiam várias bancas de várias editoras com livros publicados de fantástico (como Imaginauta, Editorial Divergência ou Saída de Emergência) para além de bancas de alguns autores com material próprio. Destaca-se, também, a tenda com banda desenhada e livros de ficção especulativa (em português e inglês), bem como a exposição alusiva a Philip Seems.

Esta componente (outros espaços) estava um pouco mais fraca do que o ano anterior, em que o agendamento do evento para datas mais próximas do Verão, permitiu uma melhor exploração do espaço da biblioteca. Tanto quanto percebi da programação estava previsto um espaço com demonstração e jogos de tabuleiro, mas sempre que fui à zona assignada, não encontrei esta componente, julgo que, também, por constrangimentos metereológicos.

Outras opiniões

O cão que guarda as estrelas – Takashi Murakami

Neste pequeno livro aproveita-se a figura do animal de estimação, neste caso um cão, como forma de explorar a complexidade dos relacionamentos (e a sua evolução). O cão oferece uma visão simples, mas através dele vamos interpretando os sinais de algo diferente, como o afastamento do casal, em que, ao invés de apoio mútuo, encontramos sacrifício e apoio de uma das partes, mas, da outra, egoísmo e quebra completa.

O animal de estimação acaba por se tornar o único ponto de consolo e de amizade, o único relacionamento que se mantém, e que serve de consolo para o homem que se vê fora da própria casa e da própria vida.

A história começa por nos apresentar um carro abandonado num campo, dentro do qual aparecem dois corpos, o de um homem e o de um animal. A partir deste cenário inicial, que serve como final esperado e transição para outra história, acompanhamos o animal de estimação desde o primeiro dia em que é adoptado pela família, como companhia para a criança.

Como é usual, inicialmente a criança brinca bastante com o cão, mas passada a novidade passa a ignorá-lo e a desresponsabilizar-se da alimentação (que fica a cargo da mãe) e do passeio diário (que fica a cargo do pai). Nestes passeios o pai é bastante mais comunicativo do que no quotidiano em casa e vai-se criando um laço forte entre os dois elementos.

Colocando o foco como o animal passa, de celebrado a aturado, uma responsabilidade chata que se tenta ignorar, a história apresenta várias pistas para a quebra familiar a que o animal assiste (sem compreender) referindo estas pistas de forma isenta e ocasional. O animal funciona aqui como reflexo dos relacionamentos familiares e dos afectos, reflexo do afastamento familiar ao estar no mesmo núcleo que o pai, uma pessoa calma e bondosa de quem os restantes elementos se vão afastando.

Com uma pequena aura de tragicidade (já conhecemos o final da dupla desde o início) e passando o sentimento de destino que se irá cumprir, a história coloca-nos a tentar perceber o percurso das duas personagens. Após esta exploração, seguimos o investigador que irá tentar perceber a identidade do homem, também ele recordando o cão que o avô lhe deixou, o único laço familiar que lhe irá dar suporte.

O cão que guarda as estrelas foi publicado em Portugal pela JBC.

Fórum Fantástico – Escolhas do Ano e Podcasts literários

Este ano participei, como já é habitual, na apresentação das escolhas do ano, uma apresentação em que seleccionamos as melhores leituras deste o último fórum fantástico e, rapidamente, explicamos, sucintamente, o livro. Este ano o Artur Coelho esteve ausente (mas deixou as recomendações, que foram passadas na apresentação, e publicou-as no seu blogue), mas foi substituído pelo Rogério Ribeiro.

Como já é habitual de outros anos, existiram sugestões sobrepostas, pelo que um de nós falou, mas manteve-se a referência na apresentação. Falarei, apenas das minhas escolhas:

 

 

 

 

 

 

 

Comandante Serralves – Expansão

O Universo de Space Opera continua a alongar-se em Comandante Serralves, com a publicação de mais um livro de contos passados no mesmo Universo. Este expansão reúne bons contos em que se acresce, à dificuldade do género (Space Opera) a necessidade de manter uma coerência entre as histórias.

Na realidade aqui retratada existe um Império intergaláctico humano que pretende eliminar as diferenças culturais como forma de unir os humanos perante um objectivo ou inimigo comum.  Mas eliminar a história de cada nação, os costumes, alimentação e roupas próprias de cada cultura é algo que não é de fácil execução e gera-se, claro, um grupo de resistentes, que irá lutar contra o Império. As histórias centram-se, sobretudo, nesta resistência.

António Ladeira

Sugeri, claro, os dois livros de contos de António Ladeira, dois livros com histórias futuristas em que se exageram algumas componentes tecnológicas, levando à criação de sociedades distópicas, ora controladoras, ora mirabolantes pelo desenvolvimento das suas premissas.

 

 

 

 

 

 

 

O Farol Intergaláctico

Trata-se de um dos meus contos barbante favoritos, em que o autor explora as viagens espaciais acima da velocidade da luz e as consequências de separação temporal que se criam com estas viagens. Dois amigos encontram-se após a viagem de um deles, mas enquanto um ainda se encontra jovem e recorda a amizade como recente, o outro é já idoso, e confronta as memórias recentes com as memórias que sobreviveram ao tempo.

Borne – Jeff Vandermeer

À semelhança de outras realidades inventadas pelo autor de Aniquilação, Borne apresenta um mundo decadente e corrupto, um mundo em declínio ecológico por causa do homem. Mas aqui o problema não é a poluição, mas sim as criaturas geneticamente modificadas e cruzadas que o homem criou e que são controladas por companhias. Mas até quando conseguirão as companhias manter o controlo sobre estes seres poderosos de elevada força e capacidade de destruição?

 

O Corpo dela  e outras partes – Carmen Maria Machado

Nesta antologia pubilcada recentemente em Portugal, Carmen Maria Machado cruza as questões de género e sexualidade com fortes elementos fantásticos e de ficção especulativa. Apresenta-se a violência nos relacionamentos, a sexualidade sob várias formas em contextos apocalípticos e o corpo da mulher sob várias formas.

 

 

 

 

 

 

 

Os Humanos – Matt Haig

Livro mais leve e de leitura rápida, em Os humanos, os alienígenas pretendem garantir que a espécie humana não consegue atingir determinado patamar tecnológico por não estar preparado para ele. Com este objectivo, um alienígena incorpora o cientista responsável pela descoberta (matando-o) e assume a sua identidade em busca de mais alguém que conheça o seu segredo.

Sendo mais simpático e sociável que o cientista, o alienígena consegue estabelecer laços emocionais mais fortes, enquanto mantém o pensamento de desconfiança constante “será que também tenho de matar este?” O resultado é divertido, mas também introspectivo, colocando os seres humanos e a forma como se relacionam em perspectiva.

Zahna – Joana Afonso

No mais recente livro, Joana Afonso apresenta-se como narradora e desenhadora, apresentando uma guerreira que foi expulsa da sua cidade por ter morto, de forma excessiva, os invasores da cidade. A guerreira de nome Zahna deambula com uma maldição sobre a sua cabeça, literalmente, maldição que tenta curar procurando um mago. Pelo caminho faz alguns amigos – mas nem todos são honestos e desinteressados.

 

 

 

 

 

 

 

Futuroscópio – Miguel Montenegro

Em Futuroscópio Miguel Montenegro apresenta vários contos futuristas onde explora questões sociais e tecnológicas, tocando na menor literacia ou nas questões de género, de formas bastante diferentes.

O Elixir da Eterna Juventude – Fernando Dordio e Osvaldo Medina

Aproveitando a música de mesmo título de Sérgio Godinho, e colocando o artista como personagem principal, constrói-se uma demanda mirabolante em busca do elixir. Trata-se de uma história divertida e movimentada com vários elementos provenientes da música.

 

 

 

 

 

 

 

Apocryphus – Vários autores

A Apocryphus tem-se vindo a destacar pela componente visual, com a participação de vários autores, e a entrega de um volume de excelente qualidade (páginas grossas de impressão impecável). No mais recente volume, Femme Fatale, os contos melhoram bastante de qualidade narrativa, fazendo com que se torne uma leitura obrigatória.

Nonnonba 

O autor transporta-nos para o Japão rural da sua infância, um Japão em que  os avanços tecnológicos ainda não chegaram (como meios de transporte ou elevadores) e todos os detalhes do quotidiano são explicados pela presença de criaturas fantásticas do fantástico japonês. O barulho do vento será o gemido de uma criatura, os ramos que se partem numa floresta, uma perseguição por outra.

 

 

 

 

 

 

 

The Fade Out – Ed Brubaker e Sean Philips

A dupla que criou outras obras como Criminal ou Fatalle, cria agora uma história que se centra nos anos 40 / 50 de Hollywood, mais especificamente no clima de perseguição e censura, a favor da moral e dos bons costumes, mas que na prática persegue artistas e actores menos conhecidos, num viciado e enjoativo jogo de poderes, onde se sente o constante abuso sexual e são deixadas pistas para práticas como a prostituição e a pedofilia.

O que se vê da primeira fila – Neil Gaiman

Tratou-se de uma escolha de Rogério Ribeiro mas que também é minha. Este livro reúne vários textos de Neil Gaiman que falam do processo criativo ou das obras que escreveu, sem esquecer de discursos que deu em várias ocasiões. Destacaria um texto em que o autor fala sobre os contos tradicionais e consegue reverter o conto da Branca de Neve, questionando que tipo de pessoa descobre uma mulher morta numa floresta e a beija?

Podcasts literários

Esta sessão centrou-se tanto no processo de criação do podcast, como nos objectivos dos podcasts,  mais especificamente, no da Gazervici e no meu (com o mesmo nome do blogue, Rascunhos). Foi uma sessão com maior assistência do que esperava, em que se falou de tudo o que envolve um programa sobre livros, desde as parcerias, às expectativas.

Conversas com os putos e com os pais deles – Álvaro

Recordam-se das conversas hilariantes em Conversas com os putos? Álvaro está de volta com um segundo volume onde apresenta novas conversas, mas desta vez, também, com os pais dos putos. E se as conversas com os mais jovens (com origem real) já eram de outro mundo, as conversas com os mais adultos são ainda mais inacreditáveis.

Entre as conversas encontramos de tudo – tiradas inteligentes e bem colocadas, comentários de alunos que parecem ser propositadamente idiotas (mas que percebemos que são antes comentários de pessoas sem noção do ridículo que acabaram de cometer), conversas de adolescentes de hormonas descontroladas.

Mas tão surpreendentes quanto estas são as conversas com os adultos, os pais dos alunos, que nos fazem perceber que estes jovens são resultado de um sistema do qual dificilmente podem escapar  – um sistema de deturpação de valores e idiotice do qual ecoam as ideias (ou falta delas) e que os leva a fazerem-se convencidos da sua superior moralidade.

Tudo isto nos é apresentado em pequenas tiradas cómicas, onde se destaca o tom irónico, colocando o leitor, durante a leitura, quase ao mesmo nível do professor / autor, como observador do que ocorre, sem juízos de valor sobre tais episódios, com a grande diferença de que o leitor se pode rir, abertamente, do que é retratado.

Trata-se de uma leitura leve, que, a par com a componente divertida, nos induz a momentos de introspecção pela realidade que nos apresenta – pessoas da mesma cultura e sociedade que revelam valores e ideias bastante peculiares. Mas desta vez o livro termina com um episódio extraordinário de algúem claramente de baixa condição social que tudo faz para que os seus filhos possam ter um futuro.

Novidade: O Xerife da Babilónia Vol.2

Chegou esta semana às bancas o segundo volume de Xerife da Babilónia,  uma obra de Tom King e Mitch Gerads, que faz parte da colecção de comemoração de 25 anos da Vertigo, publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Escrito pelo ex-agente da CIA e já famoso argumentista Tom King (Batman), Prémio Eisner 2018 para o melhor escritor, e desenhado por Mitch Gerads (Justiceiro), o volume 2 de “O Xerife da Babilónia e sétimo da Colecção Vertigo 25 Anos tem saída em banca a 11 de Outubro, concluindo-se uma das séries mais aclamadas da década.

Christopher Henry veio para o Iraque após a invasão dos Estados Unidos em 2003 para treinar uma nova geração de polícias pós-queda de Saddam Hussein. Mas um dos recrutas foi assassinado, abrindo a porta para uma vasta rede de segredos e mentiras, ligando o antigo regime, o novo governo, militares dos Estados Unidos, o submundo do crime e a rede jihadista num emaranhado de morte e falsidade.

Chris não está sozinho no meio do caos. Nassir é um antigo polícia de Bagdade e Sofia que faz parte do poder político da região, juntam-se a Chris na tentativa de descobrirem o assassino, mas estão prestes a descobrir que nada é tão simples quanto parece no universo apocalíptico em que vivem.

Abu Rahim é o homem que está por detrás do crime, conseguirá Chris chegar à verdade nas ruas ensanguentadas de Bagdade onde nada é o que parece?

 

 

 

Morte – Neil Gaiman

No seguimento da publicação de Sandman, o eterno responsável pelo reino dos sonhos, obra icónica de Neil Gaiman, a Levoir publica, novamente, em parceria com o jornal Público, Morte, uma história que se centra na irmã, a responsável por acompanhar os mortos.

Uma vez por ano Morte vive entre os humanos, passando a recordar-se do que é viver, desde comer a interagir com outras pessoas. Este ano não é excepção, mas uma série de entidades, sabendo da sua materialização, pretende usá-la para os seus próprios fins, numa batalha que dura há vários séculos e onde se vão conseguindo pequenas vantagens.

Ao mesmo estilo de Sandman, a história de Morte confronta eternos e mortais, uns de vidas efémeras com outros de longas e esquecidas existências, tão longas que são pautadas por esquecimentos e loucuras. Tão longas que olham para os humanos com desprezo, e facilmente os podem fazer desaparecer sem pensar uma segunda vez.

O ambiente é semelhante ao de Sandman, uma espécie de nostalgia calma misturada com a urgência de uma missão, incutida por perseguidores perigosos e personagens loucas de objectivos estranhos. O aspecto visual ajuda a transmitir esta sensação, numa história que se vai suspendendo na surrealidade.

Mas este volume possui mais histórias – e numa delas poderão encontrar pistas para alguns dos episódios que vimos em Sandman, tratando-se por isso de uma leitura aconselhável a quem seguiu a série.

Morte foi publicado na colecção Vertigo, pela Levoir em parceria com o jornal Público, no seguimento da comemoração dos 25 anos da Vertigo.

 

Evento: Fórum Fantástico

Começa amanhã, dia 12, um dos mais esperados eventos do ano em torno da ficção científica e fantasia, o Fórum Fantástico. O Fórum apresenta, como já nos habituou, um programa extenso e diverso, onde se discutem e apresentam projectos. Neste seguimento entrevistei o Rogério Ribeiro, um dos organizadores (conforme já tinha divulgado),  mas aproveito para realçar algumas componentes, cujo programa podem consultar na página oficial do evento:

Workshops de escrita – com Bruno Martins Soares e Pedro Cipriano ou com Chris Wooding (o convidado internacional deste ano);

Lançamento de livrosLisboa Oculta (Guia Turístico), Tudo isto existe de João Ventura, O Resto é paisagem, Apocryphys vol. 3 (banda desenhada);

Palestras com vários autores nacionais e internacionais – de banda desenhada, ficção científica e fantástico;

– Jogos de tabuleiro;

– Exposições – Nos 25 Anos de Filipe Seems; de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves; Jardim Secreto, de Bruno Caetano;

– Feira do fantástico.

Dicionário Cómico – Vilhena

A E- Primatur continua a publicar as obras de Vilhena em boa velocidade (conto pelo menos uns cinco livros), sendo o mais recente, este Dicionário Cómico, onde o autor, no seu estilo caústico e obsceno, converte alguns termos, dizendo verdades de forma crua e dura, ou colocando alguns termos em novas perspectivas:

Cortesia – A mais simpática das formas da hipocrisia.

Manter a palavra – É um luxo a que pode dar-se qualquer miserável. Já o mesmo não sucede com o «manter uma amante».

Prostituta – Rapariga que se veste a prestações e se despe a pronto.

A acompanhar estes significados próprios de Vilhena encontramos ilustrações, algumas tão corrosivas quanto as palavras que acompanham, algumas meramente decorativas, mas a maioria dando, às palavras, maior força no seu sentido dúbio.

Livro pequeno, carregado de elementos sarcásticos, este dicionário cómico resulta numa divertida leitura, algo que se pretende ir lendo devagar, abrindo páginas ao caso, ou procurando um significado concreto, numa experiência de leitura engraçada que cria, no leitor, novas perspectivas e dualidades.

 

Novidade: Outcast Vol.4 – Kirkman e Azaceta

O quarto volume de Outcast foi apresentado ao mercado português durante a Comic Con de 2018, e chega agora às livrarias e bancas. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Toda a vida, Kyle Barnes foi perseguido por influências demoníacas, e, para sobreviver e defender aqueles que ama, precisa de respostas… e essas respostas começam finalmente a chegar, e a serem revelados segredos, quando Kyle e Sidney têm uma conversa que vai mudar tudo. Mas a família Barnes fica em mais perigo do que alguma vez esteve! Allison descobre que a sua filha tem um dom muito especial, mas onde está Kyle? E Anderson, estará disposto a arriscar tudo para o salvar?

Robert Kirkman é um dos mais influentes criadores de comics actual, e um dos cinco partners da Image – o único que não é um dos fundadores. Kirkman é mundialmente famoso pela série The Walking Dead, que foi adaptada à TV pela Fox e se transformou num dos maiores êxitos de sempre.  É considerado como um dos grandes responsáveis daquilo que foi chamado a “Revolução Image”, o incrível período de criatividade pelo qual a editora tem passado e que a transformou numa das maiores editoras de BD do mundo, a terceira maior do mercado americano.

Paul Azaceta, o desenhador de Outcast, é um artista cujo estilo simples, directo e arrojado, já ilustrou séries como Demolidor, Punisher Noir, Homem-Aranha e outras. Outcast é o seu trabalho mais mediático e aclamado, onde o seu estilo, geralmente visto nas páginas de comics de acção muito dinâmicos, é posto ao serviço de uma narrativa pausada e inquietante. O trabalho de Azaceta pode também ser visto no excelente romance policial noir Potter’s Field: O Cemitério dos Esquecidos (com argumento de Mark Waid), também editado pela G. Floy.

“Este é o volume em que subitamente o horror chega, não só pela história que está a ser contada, mas pela arte que a está a contar. Os eventos que aqui acontecem elevam a brutalidade da acção a um nível superior, que é mesmo chocante na maneira como a equipa artística consegue criar uma cena de tal maneira forte que é uma verdadeira declaração de guerra acerca desta guerra que está a acontecer no livro. Um momento do qual não há como regressar, e que vai fazer com que os leitores questionem quem é o verdadeiro monstro.”

– Geeked Out Nation

Outcast está programado para um total de 48 números. A G. Floy planeia editar os arcos de história finais da série em dois volumes duplos, de c. 256 pgs. que reúnem 12 comics individuais cada. O vol. 5 está programado para a Primavera de 2019, e o vol. 6 será provavelmente editado em inícios de 2020 (já que o último número da série, o #48, sairá nos EUA em Dezembro de 2019).

 

 

Sebastià Cabot – Entrevista

Sebastià Cabot é o autor de Novembro, uma das obras publicadas na colecção Novela Gráfica (e da qual falei na segunda) pela Levoir, em parceria com o jornal Público. Trata-se de uma história que explora os relacionamentos na actualidade, com as interacções fáceis mas a dificuldade de criar laços fortes. Por um lado, a comunicação é fácil, mas nem sempre é bem concretizada, faltando, por exemplo, na internet, a expressão facial ou vocal, o que dá grande ambiguidade às conversas.

Neste seguimento, estivemos à conversa com o autor, durante a Comic Con que decorreu em Lisboa este ano, mas, infelizmente, o local não foi propício à gravação (nem levei equipamento próprio, nem o meu inglês é muito bom). Optei por apresentar algumas das falas do autor, bem como a transcrição das restantes perguntas traduzidas para português, ainda que a conversa tenha ocorrido em inglês. Claro que nas transcrições perde-se o tom de simpatia do autor (ironicamente, reflectindo o que se perde na comunicação através dos novos meios, elemento que é falado na novela Novembro).

Q: Começo por uma questão simples, mas que costumo realizar – como te interessaste pela banda desenhada?

Quando eu era criança costumava ler banda desenhada e sempre gostei de desenhar mas… sempre tive uma ligação com a pintura e com a banda desenhada – por isso com 18 anos fui estudar Fine Arts para Barcelona e como estava mais interessado em arte contemporânea, só comecei a fazer banda desenhada em 2010, mais ou menos, com o meu primeiro álbum, Perros y clarinetes, em Espanha, e na realidade fi-lo por divertimento, mas quase ganhou um prémio !

Q: Usaste algumas ferramentas do curso?

Nem por isso. A Universidade de Barcelona está mais voltada para a Arte Contemporânea. Claro que existem várias aulas que ajudam a desenhar, mas não fiz muita ilustração ou banda desenhada.

Q: Mas depois de Perros y Clarinetes com Joan March fazes um trabalho a solo. Porquê?

Com o primeiro tinha ideia mas como nunca tinha escrito nada falei com um amigo, falei-lhe da ideia que tinha e escrevemos o álbum juntos. Neste já tinha mais confiança e uma ideia clara do que queria, por isso, fi-lo.

Q: O que preferes? Trabalhar sozinho ou com outra pessoa? Ou estava relacionado com a ideia concreta que querias para este livro?

Bem, Joan é um dos meus melhores amigos e foi bastante divertido trabalhar com ele. Temos visões e ideias diferentes. Claro que temos de dialogar sobre elas e chegar a um acordo. Quando se traabalha sozinho, faz-se o que se quer.

Q: Li Novembro e pareceu-me uma história muito real com personagens autênticas, em que o intenso uso de telemóveis e internet, produz relações rápidas, mas a incapacidade de realmente nos ligarmos. Por outro lado, no fundo, temos referências ao passado, quase cristalizado como perfeito. Pelo menos em aparência. Trata-se de um comentário à sociedade moderna?

Eu queria que a história reflectisse a ideia contemporânea de que hoje em dia temos tecnologia, mas parece que estamos muito sozinhos – a sociedade é muito individualizada. Muito focada no momento e em parecer feliz.  Por isso, sim, tem essa componente. Em relação à nostalgia, é muito comum hoje em dia, certo? Há muita obsessão pelos anos 80, vemos miúdos mais novos a coleccionar cassetes. E pensei voltar ao passado através do cinema noir, e daí a ideia da nostalgia.

Q: La nuit des chat é o teu projecto actual…

Bem, é um projecto que já tenho há dois anos, e a ideia está na minha cabeça, tenho a história mas ainda não a escrevi, ainda vai demorar. Por isso, vou esperar um pouco – o meu projecto actual é com histórias infantis, livros para crianças. Uma novela gráfica é algo muito cansativo, exaustivo. E fazer livros para crianças é mais rápido.

Q: Tens mais projectos planeados?

Tenho ideias. Tenho sempre muitas ideias, mas ainda não comecei a escrevê-las – Às vezes o processo é mais longo. O que faço às vezes é juntar ideias e criar novas para uma história.

Q: Foste publicado em Portugal e em Espanha. Que diferenças encontras no mercado? Ou na recepção?

Bem, não sou um especialista, seria uma pergunta mais para as editoras, porque não sei assim tanto do mercado, mas, pelo que vejo, o mercado aqui é mais pequeno e Espanha tem muitas mais editoras, está mais dividido. Estamos aqui na Levoir, no stand, e vejo livros da Marvel, da DC, autores espanhóis e franceses. Em Espanha seria mais específico. As editoras são mais específicas. Terias Norma com banda desenhada comercial. Mangá noutra. E não sei quantas pessoas gostam de banda desenhada em Portugal.

Q: Porquê a necessidade de publicares noutros países?

Bem, a não ser que estejas nas publicações Marvel ou algo muito comercial, o que ganhas como autor não é muito, precisas de publicar em diferentes autor. Por isso experimenta-se publicar em França, Espanha, Portugal.

Este foi publicado agora em Portugal e em Novembro foi ser publicado em França. Por isso, para Espanha ainda não tive contactos, talvez para o próximo ano.

Q: Como surgiu a oportunidade de ser publicado em Portugal?

Estive em Angoulême. O meu objectivo era ser publicado mais internacionalmente por isso fui a Angoulême e entrar em contacto com várias editoras. Tenho muita sorte porque como autor das Ilhas, porque temos o Instituto dos Estudos Baleares. Eles têm muita força e possuem muitos contactos e foi através deles que entrei em contacto com a Levoir, e eles ficaram interessados.

Assim foi: Tertúlia BD de Lisboa

Se gostam de banda desenhada e de conversar sobre o assunto, a Tertúlia BD de Lisboa poderá ser um bom lugar para tal. Andava há alguns meses para lá passar, mas a oportunidade surgiu de uma forma inesperada, sendo convidada para apresentar o Rascunhos no jantar de Outubro!

Foto de NCULTURA (clicar para ser direccionado para a página sobre o edifício)

O ambiente é descontraído e apesar do tema do jantar ser a banda desenhada, claro que se vai conversando sobre outras coisas. No final decorre um leilão com as rifas que os presentes compram, rifas através das quais se sorteiam livros de banda desenhada (pode ser uma boa ocasião para se desfazerem dos repetidos ou daqueles que já não querem). Ao leilão seguem-se as apresentações.

Curiosos? Podem estar atentos aos próximos jantares através do blogue Divulgando BD, ou através da página facebook.

Resumo de Leituras – Outubro de 2018

 

176 – Futuroscópio – Miguel Montenegro – Com este volume Miguel Montenegro demonstra ser capaz de duas coisas: capacidade em contar histórias e capacidade em apresentá-las graficamente. Por um lado as histórias apresentadas não são fáceis. Tratam-se de histórias futuristas e distópicas onde, sem grande introdução, conseguimos perceber o que acontece e onde, apesar de existirem temáticas já exploradas por outros autores, se reconhece um cunho próprio, um tom de ironia e crítica que consegue prosseguir por finais menos felizes (e por vezes, inesperados).

177 – Sexo, mentira e fotocópias – Álvaro – Atender o público não é fácil. Por vezes, ser o público também não. Neste caso um rapaz apenas quer uma folha. A3. Mas o centro de fotocópias não vende folhas. Apenas fotocópias. Sucede-se uma cómica sucessão de interacções entre a senhora das fotocópias e o rapaz – episódios que recordarão, aos leitores, outros semelhantes pelos quais já terão passado;

178 – Nightflyers – George R. R. Martin – Tal como Fevre Dream, George R. R. Martin explora uma vertente mais de horror, mas neste caso a bordo de uma nave. Quando um grupo de exploração aluga uma estranha nave, dividida em duas áreas estanques, não pensa bem neste detalhe… excepto quando os mortos se começam a acumular…

179 – Zahna – Joana Afonso  – Num bem humorado tom de resmungo, este Zahna é uma história caricata que utiliza alguns elementos clássicos das histórias fantásticas, revertendo-os! Zahna é o nome da personagem principal, uma guerreira de armadura com uma maldição que paira sobre a sua cabeça. Literalmente.

Rascunhos na Voz Online – Rogério Ribeiro (Fórum Fantástico)

O Fórum Fantástico decorre no próximo fim de semana, na Biblioteca Orlando Ribeiro! Para quem não conhece o evento, trata-se de um evento gratuito em torno da ficção especulativa, ficção científica, fantasia e terror, que tem espaço para livros, banda desenhada, jogos de tabuleiro, filmes e até música, entre outras diversões!

Para ouvirem a nossa conversa, basta seguirem a ligação para a mixcloud! E para saberem as actividades que estarão disponíveis, consultem o programa!

Novembro – Sebastià Cabot

Novembro é uma das histórias publicadas pela Levoir, em parceria com o jornal Público, na colecção Novela Gráfica. A novela começa por nos apresentar duas linhas narrativas, até se cruzarem. Por um lado, Gus é um aspirante a escritor que trabalha numa loja de discos para se sustentar – enquanto é confrontado com as duras críticas do seu melhor amigo, um rapaz que vai saltanto entre máscaras publicitárias. Do outro lado encontramos Clara que está numa maré de azar – dorme no sofá de uma amiga, mas vai ser expulsa e, após várias entrevistas de trabalho, não consegue encontrar um emprego com as condições de que necessita para ser autónoma.

O caminho de Gus cruza-se com o de Clara numa lavandaria, quando este ouve duas raparigas conversarem sobre a necessidade de encontrarem um quarto acessível e limpo. Bem, Gus tem um quarto disponível! A partir daqui os quatro (Gus, Clara e respectivos amigos) vão-se relacionando e criando cumplicidades, mas os relacionamentos não avançando nos melhores sentidos.

Comentando, de forma indirecta, a sociedade actual, as personagens vão criando novos laços, rápidos e efémeros, por meios de comunicação que nem sempre permitem uma verdadeira ligação ao outro, reflectindo a personalidade da própria pessoa, ou dificultando o estabelecer de relacionamentos duradoiros.

É esta realidade que Novembro explora, mostrando os problemas, entendimentos e desentendimentos de uma nova geração que vê os sonhos esfumarem-se ante uma negação de um empréstimo, ou a impossibilidade de arranjarem empregos e vidas estáveis. Por sua vez, o relacionamento com os progenitores não é dos melhores – as circunstâncias económicas mudaram e deixou de haver o mesmo paralelismo entre ordenado (ou possibilidade de emprego) e esforço.

A história vai contrastando duas componentes – por um lado encontramos relacionamentos amorosos instáveis e dificuldades de empatia entre diferentes gerações. Por outro, encontramos a nostalgia pelo romance cristalizado do passado, tido como perfeito, onde se deixa a impressão do “foram felizes para sempre”. Novembro cruza músicas e romance, filmes antigos e novas amizades para mostrar uma sociedade em mudança e adaptação, que transmite a sua própria mutabilidade a quem nela vive, sob a forma de instabilidade.

Novembro foi publicado pela Levoir, em parceria com o jornal Público, na colecção Novela Gráfica.

Zahna – Joana Afonso

Publicado pela Polvo, Zahna é a mais recente obra de Joana Afonso, uma obra onde é responsável tanto pela componente gráfica como pela componente narrativa. Contendo o estilo gráfico reconhecível de Joana Afonso, Zahna é a personagem principal, uma guerreira com mau feitio que se vê escorraçada da cidade que defendia por ter cedido à fúria e morto ladrões invasores.

Sabendo que mais alguma coisa terá corrido mal nessa noite (os portões não se terão aberto sozinhos), Zahna deixa a cidade decidida a limpar a maldição que paira, literalmente, sob a sua cabeça, na forma de uma chama pouco quente. Pelo caminho encontra quem a ajuda, mas nem sempre as intenções destes novos amigos serão as melhores.

Aproveitando os estereotipos das fantasias de ambiente medieval de vertente ocidental, Joana Afonso torce alguns elementos comuns e apresenta uma história centrada numa forte guerreira (mas de péssimo humor) capaz de causar empatia e alguns sorrisos de boa disposição.

O resultado é uma leitura agradável e divertida, provando que a autora consegue apresentar uma narrativa competente, a par com a componente visual, que apesar de ter alguns elementos naive funciona muito bem !

Zahna foi publicado pela Polvo, numa edição a cores de capa dura!

Novidade: Moonshine – Azzarello e Risso

A G Floy dá início a outra grande série de banda desenhada, desta vez por Azzarello e Risso – Moonshine! Deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Há coisas que vão sempre bem juntas, como café e bolachas de chocolate, bife e batatas fritas, ou Brian Azzarello e Eduardo Risso, uma das duplas de argumentista e artista mais famosas nos comics, que formam uma parceria que dura há já duas décadas. E Moonshine é a sua nova série independente, uma colaboração que iniciam num comic que nos levará pelos anos 1920 e a Era da Proibição, com gangsters, traficantes, e… lobisomens?

Durante a Proibição, Lou Pirlo, um gangster de Nova Iorque a soldo de um dos maiores reis do crime da cidade, tem de viajar para os isolados Montes Appalachia e descobrir um fornecedor de bebida ilegal. Mas o que ele descobre na realidade, é um terrível segredo sobrenatural que não pode nunca ser revelado à luz do dia, ou melhor… nunca poderá ver a luz da lua cheia!

Brian Azzarello é um hoje um dos mais conhecidos argumentistas dos comics americanos. A sua carreira iniciou-se na Vertigo, e um dos seus primeiros sucessos foi Johnny Double, que marcou também a sua primeira colaboração com Eduardo Risso, e que levaria pouco tempo depois ao lançamento de 100 Balas, talvez a mais conhecida obra desta dupla. Depois de muitos anos de trabalhos diversos para as principais editoras americanas, DC e Marvel, notabilizou-se mais recentemente pela sua colaboração com Frank Miller em The Master Race, a saga de Batman que é a conclusão de O Regresso do Cavaleiro das Trevas.

Quanto a Eduardo Risso, já tinha construído uma longa carreira de sucesso na sua Argentina natal e na Europa, com destaque para os mercados italiano e espanhol, mas depois de ter ilustrado Johnny Double para Azzarello, o bom entendimento entre ambos levou a que iniciassem a série 100 Balas, que os propulsou para o estrelato dos comics. Ao longo dos anos colaborou extensamente com Azzarello, embora tenha também assinado álbuns para outros escritores, de que um bom exemplo é Wolverine: Logan, publicado pela G. Floy, com argumento de Brian K. Vaughan. Em 2018, Risso desenhou também o primeiro álbum de Torpedo em quase quinze anos, e neste Moonshine assina também as cores.

Nos EUA o segundo volume da série sai em finais de Outubro deste ano, e tem lançamento previsto em Portugal no Verão de 2019. E qual o futuro para Moonshine? Azzarello afirmou recentemente que, “planeámos uns 30 números da série, até agora. Não quer dizer que não haja material e histórias para contar suficientes para estender Moonshine muito para além disso… mas acho que nunca haverá outro 100 Balas. Um é suficiente!”

 

 

Clássicos da Literatura Universal – Vol.3 – Disney

Chega esta semana às bancas, o terceiro volume da série Disney – Clássicos da Literatura Universal! Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Don Quixote de la Mancha representa o desejo de todos nós de superarmos os nossos limites e nos lançarmos na aventura sem olharmos às consequências. São os mesmos desejos que, quatro séculos mais tarde, levarão outro extraordinário escritor a inventar personagens que inteiras gerações de crianças e adultos amarão. Esse escritor chamava-se Walt Disney. Esta história é uma homenagem da Disney a Cervantes e a todos os Don Quixote que a lerão. Mas é também um ato de amor para com a banda desenhada, uma forma de expressão que continua a apaixonar milhões de leitores em tudo o mundo. E que enche de orgulho quem tem o enorme privilégio de escrever e desenhar banda desenhada.*

* De uma entrevista a Fausto Vitaliano, autor da história juntamente com Claudio Sciarrone

Conteúdo:

As Fantásticas Aventuras de Don Patetote – Inspirado no Dom Quixote de La Mancha de Cervantes
Damas Vitorianas – Minnie e o coração da Aventura – Minnie leva-nos ao tempo da Rainha Vitória