Injection – Vol. 3 – Ellis, Shalvey e Bellaire

Se o primeiro volume apresenta várias vertentes desta realidade semi futurista, semi apocalíptica e semi distópica, e o segundo volume apresenta um lado mais racional, calculista e lógico das investigações em torno da I.A., o terceiro alterna com um tom mais movimentado e agressivo, dando força a toda a componente fabulástica que já me tinha fascinado no primeiro volume.

Neste volume o cenário desloca-se para a Cornuália, mais especificamente nas imediações de um círculo de pedra descoberto há pouco tempo – um momento onde também é descoberto um corpo recente, e que desperta atenção suficiente para que a uma das pessoas da equipa que construiu a I.A. se desloque ao local.

O cenário não desilude e, entre personagens suspeitas, fechadas e desconfiadas, encontramos muito mais do que seria de esperar num local de importância arqueológica, revelando-se fortes elementos sobrenaturais que provocam estranhos e horripilantes cenários.

Este terceiro volume possui bastante mais acção e menos introspecção do que o segundo, colocando fortes elementos sobrenaturais e misturando-os com as fábulas célticas, tal como tinhamos visto rapidamente no primeiro. A I.A. criada pelos humanos tem uma forma muito distinta de pensar e continua a tentar alargar-se para outras realidades, construindo-as ou alterando-as – é uma força com lógica própria que pode ser intuída pelos seus criadores, mas não prevista, o que lhe confere uma aura de inquietação e horror.

Este volume possui uma história estanque, dando pistas para a história global que tem sido exposta ao longo destes três volumes – ainda estao a ser expostas as peças do puzzle, peças que vão sendo mostradas de ângulos bastante diferentes e que seguem as perspectivas peculiares de cada investigador que contribuíu para a construção da inteligência artificial.

Novidade: Nova Colecção Batman 80 anos – Detalhes colecção e primeiro volume

No seguimento dos 80 anos do super herói Batman, a Levoir publica, em parceria com o jornal Público, uma nova colecção! Abaixo encontram mais detalhes sobre o conteúdo da colecção, como informação do primeiro volume que será lançado já no dia 21 de Fevereiro:

1.- Jogo Final – Scott Snyder e Greg Capullo (21 de fevereiro)
2.- Peso Pesado – Scott Snyder e Greg Capullo (28 de fevereiro)
3.- Bloom -Scott Snyder e Greg Capullo (7 de março)
4.- Gothtópia – John Layman e Jason Fabok (14 de março)
5.- Noel: Um Conto de Natal – Lee Bermejo (21 de março)
6.- Ícaro – Francis Manapul e Brian Buccellato (28 de março)
7.- Black & White: Os melhores contos noir – Richard Corben, Matt Wagner, Katshuiro Otomo (4 de abril)
8.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 1– Frank Miller (11 de abril)
9.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 2 – Frank Miller (18 de abril)
10.- Antologia Batman: 80 Anos de Aventuras – Tom King, Paul Dini, Len Wayne, Neal Adams (25 de abril)

 

Scott Snyder e Greg Capullo são dois dos nomes mais falados da DC Comics desde o início dos Novos 52. Snyder iniciou a sua carreira como escritor de terror, mas daí até se tornar um dos maiores escritores dos comics americanos deste século, foi um instante. Na sua etapa com o Batman, Snyder conta com a arte de Greg Capullo, desenhador, cuja carreira está sobretudo associada à sua colaboração com Todd McFarlane na série Spawn, durante perto de vinte anos. Capullo revelou-se um dos melhores desenhadores do Batman deste século, adaptando o seu estilo às necessidades da personagem e influenciando a própria narração de SnyderEm Jogo Final, o Joker está de volta, mas desta vez o maior inimigo do Batman não está a rir. No encontro anterior, o Cavaleiro das Trevas não esteve à altura dos planos do Príncipe Palhaço do Crime, e agora o vilão não está para brincadeiras. Os jogos acabaram. Todas as cartas estão na mesa. E no confronto mais intenso já visto entre eles, nada mais será sagrado para o Joker… a família do Homem-Morcego, os seus amigos e aliados, a sua casa. Ninguém está a salvo. Batman e Joker enfrentam-se, cada um deles representando uma força primordial da natureza: a Justiça contra o Caos. O Bem contra o Mal. O sombrio contra a gargalhada. Mas ambos são eternos.Este é um comic aterrador que marcou uma época dourada para o personagem. Joker é possivelmente o melhor vilão que existiu em toda a história, não só dos comics, mas também da literatura universal.

 

 

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (2)

13 – Y: O Último Homem – Vol. 7 – Bonecas de Papel – Yorick chega finalmente à Austrália e descobre pistas da sua namorada – mas esta há muito que deixou o continente e foi para Paris. Paralelamente, uma jornalista tenta divulgar a existência de Yorick e não olha a fins para o fazer;

14 – Injection – Vol.3 – Ellis, Shalvey e Bellaire – Um local histórico torna-se o cenário de um horrendo crime revelando-se, também, um local de grandes forças sobrenaturais. Se, no volume anterior, se tinha investido na lógica para perceber a IA, neste volume seguem-se caminhos menos óbvios mas mais macabros;

15 – Jessica Jones – Vol.1 – Sem Limites – Bendis, Gaydos e Hollingsworth – A heroína sai da prisão e é envolvida por uma organização que pretende acabar com os super heróis – precisando, para tal, de Jessica para conhecer os seus segredos;

16 – Y: O Último Homem – Vol. 8 – Dragões de Kimono – Neste oitavo volume a busca pelo macaco capuchinho de Yorick leva-os ao Japão, onde encontram uma máfia conduzida por uma cantora pop americana!

Novidade: Tony Chu – Vol. 10 – Galo de Cabidela

 

A série mais nojentamene divertida chega ao décimo volume no mercado português, denominado Galo de Cabidela! Sobre este volume deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora (G Floy):

Tony Chu, o agente federal cibopata capaz de obter impressões psíquicas daquilo que come, vai enfrentar o seu maior desafio. O confronto final com o monstro que matou a irmã dele. Que desfigurou os seus colegas. E que agora ameaça a sua filha. Para sobreviver a esta batalha, Tony vai precisar da ajuda do maior agente secreto que alguma vez viveu… Poyo! O problema? Poyo está desaparecido, e presume-se que esteja morto…

O novo arco de história de Tony CHU, a série best-seller do New York Times, aproxima-nos rapidamente do final da série (serão 12 volumes), com a sua combinação improvável (e um pouco parva, seremos os primeiros a admiti-lo) de detectives, bandidos, canibais, clarividentes, cozinheiros e homens biónicos.

 

Injection Vol. 2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire

Após uma rápida introdução das várias linhas narrativas e das várias personagens do primeiro volume, este segundo apresenta-se mais coeso, seguindo quase sempre uma única linha em torno do detective Vivek Headland, mas, ainda assim, conseguindo avançar com alguns elementos das restantes personagens.

Neste volume o detective é confrontado com um caso mais estranho do que lhe é usual – o de um homem que se diz visitado pelo fantasma da amante, pelo menos até há poucos dias, e que acha que esta ausência do fantasma estará relacionado com o roubo de uma foto. O homem está pouco preocupado ou pesaroso com a morte do filho, pensando apenas na ausência da amante. Se este facto é estranho por si só, durante a reunião com o homem, o detective descobre que o presunto que está na sua sandes não é de porco, mas de humano.

Este curto encontro irá ser o ponto de partida para todo o volume que alterna entre episódios de acção e momentos de raciocínio que explicam um pouco mais sobre o que se passa na realidade retratada – uma inteligência artificial foi libertada. E se se trata de uma inteligência artificial porque pensaria ou valorizaria um ser humano? Capaz de distorcer a realidade e de interagir com humanos, a inteligência artificial confere elementos sobrenaturais e fantásticos à narrativa – e extrema tecnologia a parecer magia aos olhos humanos, ou algo mais?

Injection mistura misticismo com tecnologia produzindo uma inteligência artificial que é, à percepção humana, alienígena. Esta inteligência aprende e desenvolve-se sem uma moral que possamos reconhecer, manipulando os seres humanos e a realidade que os rodeia. Este cruzamento de elementos sobrenaturais e místicos com a tecnologia resulta em cenários fantasticamente horrendos (explorados mais no primeiro volume) que conferem uma aura estranha e fascinante à história.

Em termos narrativos este volume centra-se mais na investigação mas fornece, ocasionalmente, cenas passadas de algumas personagens, mostrando as suas motivações e desejos – percebemos a origem do relacionamento de algumas e justifica-se a forma como se relacionam. Mais pausado que o primeiro volume, este segundo é mais coeso mas, simultaneamente, mais inquietante.

Esta é, sem dúvida, uma série para continuar a ler, apesar do espaçamento com que os volumes são lançados.

Rascunhos na Voz Online – Bruno Caetano

A principal ocupação de Bruno Caetano é em Stop Motion (animação) mas é conhecido no mundo da banda desenhada pela Comic Heart, através da qual participa na edição, publicação e divulgação de banda desenhada!  O programa está disponível em formato podcast na Mixcloud!

 

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (1)

 

9 – Ms. Marvel – Vol. 2 – G. Wollow Vwilson e Adrian Alphona – Neste segundo volume de Ms. Marvel a heroína continua a distinguir-se pela sua diferente ascendência e pelas batalhas que escolhe, reparando no desaparecimento de elementos da sociedade que ninguém se preocupa em investigar. Com elementos divertidos e leves, é uma banda desenhada interessante, com alguma acção;

10 – Circe – Madeline Miller – A autora pega em Circe e romantiza a vida desta divindade, tornando-a numa personagem com dimensão, em que os elementos que a caracterizam são justificados, dando noção de coerência entre os vários mitos em que aparece;

11 – Injection Vol.2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire – O segundo volume centra-se na investigação de duas mortes para apresentar uma outra perspectiva sobre a peculiar Inteligência Artificial que tem uma forma própria de aprender e de manipular os seres humanos. A história possui detalhes grotescos (como seria de esperar de Warren Ellis), de horror fantástico e de ficção científica, numa mistura inquietante;

12 – Os crimes dos viúvos negros – Isaac Asimov – O famoso autor de ficção científica escreveu, também, algumas histórias no género de crime. Neste volume reúnem-se aquelas que decorrem com os Viúvos Negros, um clube de homens que não permite, nos seus serões, mulheres. Cada membro vai organizando um serão diferente, podendo convidar alguém que possa suscitar interesse – mas ao longo dos serões aqui relatados os convidados apresentam crimes para os quais não tinham solução, mas que o empregado de mesa do clube resolve com astúcia e humildade após o questionamento dos membros do clube.

Novidade: Y – O Último Homem – Vol.7

A Levoir continua, em parceria com o jornal Público, a publicação da série Y – O último homem, com o lançamento dos volumes sete e oito, nos dias 07 e 14 de Fevereiro! Deixo-vos já os detalhes do sétimo volume:

Em “Bonecas de Papel”, título do 7º volume da colecção, o jovem Brown chega finalmente à Austrália, país onde a sua namorada Beth, está perdida desde a praga que matou todos os homens há mais de três anos. Mas esta partiu para Paris à procura dele.

Yorick, a Agente 355 e a bioquímica Allison Mann continuam à procura de Ampersand – o outro mamífero do sexo masculino sobrevivente e peça-chave para uma possível cura para a praga. O macaco foi sequestrado por uma misteriosa ninja e o seu rasto vai até o Japão.

A repórter de um jornal sensacionalista investiga sobre a sobrevivência de algum homem à praga. Até agora, tudo se resume a uma grande colecção de boatos, até que ela consegue descobrir Yorick obrigando-o a despir-se e fazendo-lhe fotos que publica. Temendo que a divulgação dessa notícia atraia a atenção e gere muitos conflitos e problemas, a agente 355 caça a repórter, procurando destruir a fotografia custe o que custar.

Mais uma vez Brian K. Vaughan põe o leitor a questionar-se. Qual é a extensão do poder da imprensa? Quais os reais interesses por trás da publicação de uma notícia? A verdade deve sempre vir a público ou há situações em que é melhor manter o sigilo? A necessidade justifica a censura?

A história não propõe nenhuma resposta, apenas inspira as perguntas. E a resolução para o problema das fotos de Yorick é tão simples quanto surpreendente.

O nível constante de qualidade dos textos e desenhos fazem de Y – O Último Homem uma das melhores séries publicadas tendo ganho 3 Prémios Eisner.

 

Novidade: Southern Bastards – Vol.4 – Jason Aaron, Jason Latour e Chris Brunner

A G Floy lança o quarto volume de Southern Bastards, fechando a história com a visita da filha de Tubb ao condado de Crawford!

O final do grande arco de história inicial de SOUTHERN BASTARDS, com o regresso ao Condado de Crawford de Roberta Tubb, a filha de Earl Tubb, e o seu primeiro grande confronto com o Coach Boss!

A aclamada série “frita à moda do Sul” regressa para mais uma grande noite de desporto! O Coach Boss só consegue mandar no Condado de Craw com mão de ferro por uma razão apenas: ganha jogos de futebol. Mas depois da maior e mais terrível das derrotas da sua carreira, Euless Boss tem de se tornar num criminoso ainda mais empedernido se quer poder sobreviver ao ataque dos seus inimigos.

Inimigos como Roberta Tubb, que chegou à cidade de Kalashnikov em punho à procura de respostas à séria sobre a morte do seu pai.

Tudo se encaminha para um primeiro desfecho, uma primeira resolução dos conflitos que assolam esta pequena cidade americana, um momento final em que todos os lados desta batalha se vão finalmente definir. E no meio de toda a confusão é que se vai ver quem é que os tem mesmo no sítio!

 

Monstress vol.3 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Desde o primeiro volume desta série que nos habituámos a uma elevada qualidade gráfica – qualidade esta que se tem mantido e que nos remete para um mundo fantástico onde deuses antigos moldaram a existência de uma série de raças inteligentes, uma delas denominada por Arcânicos, seres humanóides com características mais ou menos evidentes de outros animais, que são perseguidos pelos humanos pelos seus poderes mágicos.

Maika é uma arcánica, mas uma arcánica pouco usual. Unida a um deus antigo, é lentamente consumida quando usa os poderes do deus, um monstro esfomeado que então ocupa o seu corpo e devora todos os que apanhar para repor energia. Para além do monstro que a devora, Maika descende de uma linhagem peculiar de quem pouco se sabe inicialmente, mas sobre a qual se vão descobrindo detalhes inquietantes ao longo da história.

Após a exploração de uma ilha carregada de más surpresas e poderes obscuros, Maika e os amigos têm agora de fugir de quem os pretende prender e usar – mas conseguem exílio numa cidade que reserva, também, alguns segredos poderosos. Enquanto Maika é chamada a ajudar na manutenção do escudo da cidade, uma das suas pequenas amigas descobre refugiados que são como ela e decide, também ela, ajudar – mas é demasiado inocente e acaba por cair em enredos que não compreende totalmente.

Se os volumes anteriores apresentam a fuga das personagens principais por terra e mar, evitando confrontos, neste volume tal torna-se inevitável, resultando em lutas violentas e esmagadoras. Os deuses mantém parte dos seus grandes poderes e soltam-nos sem dó nem piedade por aqueles que podem atingir.

É, também neste volume, que descobrimos que algumas das personagens têm uma agenda muito própria, como agentes de diferentes facções com interesses distintos. Estas personagens reportam a poderes diferentes mas terão de escolher entre a amizade e a sua verdadeira identidade – se algumas o fazem abertamente, com jogos duplos e conversas subtis convidando à desconfiança, outras revelam-se de forma surpreendente.

Até este volume a história tem vindo a ganhar tensão – a maioria dos diálogos são indirectos e subtis, mostrando existirem vontades obscuras e pensamentos não revelados. Ainda que algumas das interacções assim se mantenham (deixando nas entrelinhas ameaças, consequências ou interesses) alguma desta tensão é descarregada em grandes episódios de luta divina.

Monstress continua a ser uma série visualmente arrebatadora, distinguindo-se pelos elementos asiáticos que conferem, às personagens, algumas características de Anime. Os deuses são verdadeiramente alienígenas e incompreensíveis, os poderes são simultaneamente fantásticos e horrorosos e a inocência convive com o horror da guerra e da morte por racismo.

Se, no primeiro volume, a história permitia tecer paralelismos com perseguição de humanos pela sua cor ou origem (ao apresentar séries sapientes e sensíveis que são desconsideradas como se fossem animais), neste volume toca-se levemente no tema dos refugiados.

A série tem sido publicada em Portugal pela Saída de Emergência e este terceiro volume encontra-se agendado para dia 08 de Fevereiro.

Ms. Marvel – Vol.2 – Geração Perdida – G. Wollow Vwilson e Adrian Alphona

Neste segundo volume, Ms. Marvel continua a apresentar-se como uma heroína peculiar, tanto pelas particularidades culturais, como por ter em consideração os restantes mortais – o novo papel de heroína leva-a a ausentar de casa a horas estranhas e a família obriga-a a falar com o xeque da mesquita local para alinhar ideias, enquanto segue as pistas para uma série de jovens desaparecidos – jovens sem família ou sem fortes raízes que desaparecem silenciosamente.

O resultado da conversa do xeque é inesperado, sugerindo-lhe que arranje alguém mais experimente que a possa guiar no trabalho que faz para a comunidade. Este companheiro de missões há-de surgir de forma inesperada, através de Wolverine que se interessa pelos poderes de Ms. Marvel – um cão enorme capaz de se teletransportar e que a irá salvar várias vezes ao longo deste volume.

Não há heróis sem vilões e, neste caso, o vilão é Thomas Edison, ou melhor, um clone do famoso inventor (cujo DNA foi contaminado pelo de uma caturra) que arranjou uma nova forma de obter energia para as suas engenhocas, usando jovens como se fossem baterias. Ao contrário do que se pensa, alguns destes jovens até estão a ser usados por sua própria vontade – mas o que os leva a assumir o papel de mera bateria?

Este segundo volume de Ms. Marvel é uma leitura ligeira que alterna momentos de acção pouco pesados com episódios de pequeno teor cómico que usam a personalidade de Ms. Marvel e dos seus amigos, bem como elementos culturais, para aligeirar a história. De realçar que estes elementos culturais fornecem pequenos toques de uma lógica diferente que proibe, por exemplo, ter cães em casa, ajudando-nos a compreender as diferenças de perspectiva para algo que, na cultura ocidental, é tão banal.

A série Ms. Marvel é publicada em Portugal pela G Floy.

Opinião ao primeiro volume

Novidade: Caravaggio 2 – O Indulto

Pela Arte de Autor chega-nos, na próxima semana, o segundo volume de Caravaggio. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Susceptível, impetuoso, hedionista e brigão, impor-se-á como um dos grandes pintores da história de Arte, esculpindo trevas e luz com o seu pincel para criar obras inesquecíveis, de um realismo perturbador.

Quatro séculos depois, um outro génio italiano do desenho, Milo Manara, presta-lhe homenagem numa banda desenhada em dois volumes que fará história.

East of West – Vol.5 – Hickman e Dragotta

East of West é uma série de excelente aspecto gráfico que intercala elementos de fantasia com ficção científica (e pitadas de horror) debruçando-se no Apocalipse que começa com Morte em busca do filho. Os volumes anteriores apresentam-nos as várias facções que governam o mundo, mas centra-se, sobretudo, em personagens chave – já este quinto volume desenvolve a movimentação política destas facções e parece colocar as personagens em locais chave.

Apesar de existirem episódios pesados de grande violência e sadismo (como é habitual nos volumes anteriores) estes são em menor quantidade e menos intensos – este volume é mais pausado e mais centrado em desenvolver personagens. Parece existir, neste volume, uma necessidade de posicionar personagens e de fazer evoluir algumas facções para um propósito definido pelo autor. Talvez por isso, é um volume menos envolvente e, apesar de toda a tensa movimentação política, fiquei com a sensação de que pouco aconteceu.

Ainda assim, destaco novamente o excelente aspecto gráfico que usa elementos futuristas tanto na tecnologia das armas e dos transportes, como elementos fantásticos de horror usando criaturas horrendas com capacidades mágicas e sobrenaturais. Enquanto algumas facções possuem grande poder militar,  outras crescem nas sombras por meios menos visíveis.

Gosto da série (e vou decerto ler os seguintes) mas a forma como se iniciou o quarto volume (introduzindo as várias facções políticas) e a forma como este quinto concentra uma série de momentos importantes para o desfecho faz-me pensar que esta foi alongada ou reestruturada a meio da série, causando quebras no ritmo narrativo – alguma da informação introdutória do quarto volume poderia ter sido dispersa, bem como alguns destes movimentos políticos que encontramos no quinto. Mesmo considerando o abrandar do ritmo e as diferenças de estrutura de cada um dos volumes, a série continua a agradar do ponto de vista gráfico e narrativo.

Sobre outros volumes da série

Resumo de Leituras – Janeiro de 2018 (2)

5 – Outcast – Vol.4 – Kirkman & Azaceta – O enredo continua a avançar lentamente, revelando mais algumas pistas sobre o que estará a possuir uma série de pessoas. A história continua lenta, com alguns pontos de interesse, mas revela demasiado pouco a cada passo;

6 – Uncanny X- Force Vol.2 – Noutra realidade alternativa o Arcanjo já dominou o mundo – e é a esta que os heróis têm de se deslocar. Lá encontram amados há muito perdidos, companheiros que possuem o cerne da pessoa querida mas, também, apresentam muitas diferenças. Entre as batalhas bombásticas encontramos alguns conflitos pessoais. Neste volume destaca-se o excelente aspecto visual!

7 – Descender – Vol.6 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen A série termina neste sexto volume mas deixa espaço para se explorar uma nova linha narrativa (que dará origem â série Ascender). Se já gostava da série desde o primeiro volume, este último veio consolidar a opinião, mostrando que a série consegue ser interessante do ponto de vista narrativo, desenvolver personagens e dar espaço para algumas questões filosóficas interessantes;

8 – East of West – Vol.6 – Hickman, Dragotta, Martin -Visualmente esta série é das melhores que estou a ler agora! Enquanto os cavaleiros do apolipse cavalgam na terra para fazer chegar o fim do mundo, um deles procura o filho perdido para uma facção oposta que o manipula. Cada facção procura superar o poder das restantes, mostrando-se impediosa, violenta e subversiva. Os elementos visuais e os fortes episódios quase fazem o leitor esquecer-se que pouco acontece neste volume.

Descender – Vol.6 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Se desde o primeiro volume que acho Descender uma das melhores séries de banda desenhada de ficção científica dos últimos tempos, a leitura do último volume da série veio reforçar essa opinião! A série centra-se num robot de aspecto juvenil, cruzando elementos de pinóquio (versão moderna como o A. I.) com o conceito de revolta das máquinas numa realidade futurista em que a humanidade se estendeu por vários planetas.

Ao longo desta série temos acompanhado o conflituoso relacionamento homem Vs máquina após a revolta das máquinas, mas é neste volume que percebemos que esta interacção não é a primeira vez que se revela catastrófica. As primeiras páginas são dedicadas a mostrar uma civilização anterior, há largos milénios que conheceu os Descenders, uma civilização de robots altamente avançados, conscientes e inteligentes!

Nesta outra civilização, um humanóide tenta reproduzir, no seu próprio planeta, os mesmos robots, com o objectivo de libertar a humanidade do trabalho, construindo escravos metálicos que realizem as tarefas mais pesadas. Mas os robots são seres conscientes da sua própria existência, não se considerando inferiores aos humanos nem pretendendo permanecer nesse papel limitado.

Após a apresentação dos Descenders, voltamos à linha temporal que conhecemos, em que TIM-21 é uma peça chave para o confronto entre a civilização humana e os robots revoltados. Enquanto o rapaz de quem era amigo (agora adulto) o procura, TIM-21 é levado para o centro dos confrontos por uma militar. Simultaneamente, assistimos ao reposicionamento de poderosas armas de guerra que poderão fazer pender a guerra para um dos lados.

Descender não é, apenas, uma série de bons momentos de acção, com lutas épicas e fortes cenários idílicos de ficção científica. Descender é, também, uma boa narrativa que desenvolve personagens e não se inibe de colocar e responder a algumas questões sobre ética e inteligência. E mesmo que o leitor não partilhe o ponto de vista, é impossível não deixar de sentir empatia para com as personagens – principalmente com as máquinas.

O que caracteriza um ser humano? O que leva um humano a ter consideração por outro ser? Seja artificial ou biológico? Durante vários séculos o homem ocidental escravizou outros seres humanos acreditando (ou desculpando-se) com diferenças intelectuais e físicas que o levavam a concluir ser superior.

Não estou, claro, a comparar homens a máquinas, mas aqui as máquinas não o são simplesmente. Copiadas de uma vertente sapiente e consciente, as máquinas, construídas pelos humanos nesta realidade, possuem pensamento independente com feitio próprio, capacidades de análise e de percepção, bem como uma sensibilidade emocional que as coloca a par com os humanos.

Em Descender um robot é um escravo. Sim, foi construído pelo homem, mas é capaz de pensar na liberdade, sentindo-se inferiorizado e desconsiderado. Mas não só. Sente-se preso e incapaz de exercer o seu livre arbítrio. E como qualquer ser capaz de tal pensamento, irá querer a sua liberdade.

A capacidade de sensibilidade por parte de uma máquina é de tal forma exacerbada na narrativa de Descender que, na prática, os brutamontes são os humanos. São os humanos que se mostram insensíveis perante outros seres pensantes (sejam artificiais ou biológicos) e pensam apenas na supremacia militar e no lucro mostrando uma ambição sem limites; enquanto as máquinas parecem movidas por pensamentos lógicos e sentimentos.

A relação homem Vs máquina é, ainda, explorada na vertente das próteses – quantas substituições mecânicas pode sofrer um ser humano e continuar humano? O que o torna comparável a humano e o que o torna comparável a máquina? Ainda que, fora do contexto, esta questão possa parecer fácil de explicar, com a narrativa percebemos que alguns humanos pretendem usar as extensões mecânicas para deixarem a sua categoria original.

Sensível, envolvente e emocionante. Descender consegue um final satisfatório neste sexto volume mas deixa a porta aberta para a construção de outras histórias neste Universo, constituindo uma grande série de banda desenhada.

Em Portugal a série está a ser lançada pela G Floy.

Novidade: Jessica Jones – Sem Limites

A G Floy anuncia nova trilogia de Jessica Jones e o primeiro volume já está nas bancas! Eis mais informação sobre o volume e sobre a trilogia, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Muita coisa mudou no Universo Marvel, e existem segredos tremendos escondidos nas sombras – segredos que só uma mulher especial, como Jessica Jones, poderia desvendar… e desta vez ela parece ter tropeçado na mais perigosa das investigações! Uma nova série das aventuras da investigadora privada que já foi super-heroína, que vai incluir revelações sobre o passado de Jessica e respostas a alguns grandes mistérios do Universo Marvel, pelas mãos dos seus criadores originais, Brian Michael Bendis e Michael Gaydos.

Brian Michael Bendis, um dos mais conhecidos argumentistas de comics nos EUA, regressou em 2016 à personagem que tinha criado há tantos atrás para a linha Marvel MAX, juntando-se com o artista original da série, Michael Gaydos, para contar mais uma mão-cheia de histórias da célebre detective privada, Jessica Jones.

Nesta nova série, seguiremos várias tramas distintas, uma das quais, a relação de Jessica Jones com Luke Cage, que azedou de maneira dramática, e o destino da filha que ambos têm, se estenderá ao longo dos volumes da série. Neste primeiro volume, Jessica vai ser confrontada também com mais dois casos complexos. Um homem cuja mulher afirma que ele não é exactamente o seu marido, mas sim um homem vindo de outro local, de outro mundo talvez… e no outro, Jessica terá de enfrentar uma mulher que apenas quer uma coisa: vingança sobre a comunidade dos super-heróis e sobre a SHIELD, por ter sido presa por algo que nunca tinha chegado a fazer… Dois casos com os quais vamos voltar a mergulhar na Nova Iorque de super-heróis, detectives, criminosos e polícias, e pessoas normais que tentam sobreviver às consequências imensas dos eventos super-poderosos à sua volta… tudo aquilo que tornou a série de banda desenhada de Jessica Jones famosa!

A edição da G. Floy inclui um caderno extra com uma extensa selecção de capas alternativas.

Detalhe de conteúdo

1-6 de Jessica Jones (2016)

 

Humanus – Vários autores

Humanus é uma antologia de banda desenhada publicada pela Escorpião Azul que possui tanta diversidade nas suas histórias quantos os livros publicados pela editora, resultando de um convite a todos os seus autores (e mais alguns) para construirem novas e curtas histórias.

O volume abre com uma belíssima história de Rui Lacas que apresenta o confronto de criaturas antigas com a humanidade, passando para uma história de fantasia e ficção científica de Miguel Santos (conhecido por Ermal). A partir daqui vamos lendo todo o género de histórias em todo o género de estilos – futuristas como João Monteiro, distópicas como João Vasconcelos, cómicas como Álvaro ou Derradé, poéticas como a da dupla de Inês Garcia e Tiago Cruz.

Com 270 páginas e mais de 30 histórias, Humanus apresenta histórias de todos os géneros, podendo ser um óptima forma de introduzir os autores que tem em catálogo ou de os rever, para quem já os conhece. O resultado é um excelente conjunto de pequenas curtas de banda desenhada de autores que publicam no mercado português!

Resumo de Leituras – Janeiro de 2018

01 – Luzes de Niterói – Marcello Quintanilha – Num país de contrastes, dois jovens aventuram-se a pescar para conseguirem um rendimento extra. Mas os seus planos rapidamente se desmancham e os colocam em perigo quando encontram um perigo bandido que os toma por polícias;

02 – Mister NO – Ovnis na Amazónia – Sclavi, Civitelli, Nolitta e Diso – Mirabolante, apresenta um episódio aventureiro em que dois exploradores se cruzam e se unem perante uma ameaça comum – os índios;

03 – Gran Hotel Abismo – Prior e Rubin – Mais interessante visualmente do que do ponto de vista narrativo, Gran Hotel Abismo apresenta um futuro pouco distante em que quem manda na sociedade são as grandes empresas. Em nome do lucro diminuem ordenados ao mínimo que acham suportável e não é de estranhar que se iniciem grandes manifestações que serão recebidas com fortes cargas policiais;

04 – Sorcerer to the crown – Zen Cho – Apesar de ter elementos interessantes na forma como usa a magia (e como justifica a sua fonte) é um livro dúbio na caracterização de personagens, mostrando uma personagem masculina de origem não ocidental como personagem principal e forte, mas mostrando uma personagem feminina completamente cliché nos seus objectivos de vida.

Evento: 90 anos de Tintin

Tintin fez 90 anos! E para celebrar este aniversário, organizou-se, na Universidade Lusíada de Lisboa, uma conferência que vai decorrer no dia 1 de Fevereiro. Esta conferência tem o seguinte programa

TINTIN E O CONGO TINTIN E A LUA
16h30
Inauguração de uma mini-exposição.
Projecção do filme Na sombra de Tintin

MÚSICA : “ÁRIA DAS JÓIAS”
18h00
Pela soprano Cristina Ribeiro, acompanhada ao piano por
Manuela Fonseca
(do grupo OPERAWAVE)

CONFERÊNCIA
“HERGÉ, TINTIN E O CONGO”
18h30
Por Dominique Maricq – autor das Éditions Moulinsart

PAUSA-CAFÉ E BOLO DE ANIVERSÁRIO
19h15

PROJECÇÃO DE UM FILME “NO ENCALÇO DO TINTIN”
19h30
Comentado por Guilherme d’Oliveira Martins

CONFERÊNCIA POR NINO PAREDES
“HERGÉ, FOTOGRAFO DE VIÑETA”
20h00
Presidente da Associação Mil Rayos !

Injection – Vol.1 – Ellis, Shalvey e Bellaire

Entre os mitos fantásticos tornados realidade e a inteligência artificial, este é o primeiro volume de uma série de Warren Ellis que revela apenas alguns dos seus elementos base para este Universo ligeiramente futurista e sobrecarregado em fenómenos sobre naturais (serão mesmo?) originados por uma consciência cuja origem apenas suspeitamos.

Nos interstícios da realidade encontramos bolsas em que os mais assustadores mitos se materializam – e para as quais são chamados agentes especiais para as domarem, ainda que nem sempre com o efeito desejado. Estas bolsas de realidade apresentam elementos fantásticos tradicionais de cultura irlandesa / celta, tornando alguns seres humanos cativos – escapar é só para alguns, os mais sagazes que são capazes de reunir e interpretar algumas pistas difíceis.

Contada de forma pouco linear, intercalando linhas temporais diferentes e várias perspectivas, Injection consegue cruzar elementos fantásticos com horror e ficção científica, resultando num assustador pesadelo onde se apresentam questões interessantes – porque seria uma inteligência criada minimamente semelhante à inteligência humana? Porque teria alguma ideia semelhante da realidade ou do que é justo e correcto? Será que teria algum interesse pela humanidade e pela estabilidade da realidade? Ou seria aparentemente louca e homicida?

Claro que, ao colocar estas questões o enredo abdica de algum do seu mistério e apresenta algumas pistas para entendermos a premissa – ainda assim, muito falta desvendar. Porquê esta obsessão óbvia pelo folclore celta e quais os motivos para que as várias personagens ajam de determinada forma? Decerto serão estes elementos que o autor irá explorar nos próximos volumes, numa série que promete distinguir-se do que tem sido feito em mundos fantásticos na banda desenhada.