Fables Vol.13 – The Great Fables Crossover

A presença demoníaca que se libertou com a queda do Império continua a exercer o seu efeito sobre as figuras dos contos de fadas e sobre os comuns mortais. Se nas cidades comuns se verifica um aumento do crime e do medo de todas as sombras, já algumas personagens de contos de fadas percebem que o seu lado negro está descontrolado, pronto a partir para a violência.

Enquanto Bigby (o lobo mau / lobisomem) e o Monstro (de a Bela e o Monstro) se batem quase mortalmente por não se conseguirem controlar, Jack envia uma mensagem – o Literal responsável pela criação de todos eles está ainda mais louco e pretende acabar com a existência de todos os seus Mundos e respectivas fábulas!

Enquanto Branca de Neve e Bigby partem para investigar os Literais, a quinta sofre uma revolução. Os animais estão crentes no possível regresso de Blue que irá conduzir o repovoamento dos reinos das fábulas. Uma crença demasiado excessiva que leva a um fanatismo extremo, fanatismo aproveitado por Jack que se faz passar por Blue para pregar mais umas quantas partidas.

Os literais serão as entidades responsáveis pela escrita dos vários géneros literários e os criadores de vários mundos. Para cada género encontramos um literal que se expressa de acordo com o género a que corresponde. O literal responsável pelo reino das fábulas acordou de um torpor e encontrou as fábulas com percursos diversos, bastante diferentes do que pretendia – o Lobo Mau casado com a Branca de Neve? Que desvio tão grande!

Percebendo o risco que correm, Branca de Neve e Bigby procuram o Literal responsável, sofrendo directamente algumas consequências transformadores – o Literal é capaz de, com o escrever de uma caneta, mudar o aspecto de Bigby. Mas, por alguma razão que não compreende, não consegue matá-lo logo num acidente.

Divertido e utilizando uma ideia engraçada, este volume mostra como a crença em Blue cresce e se torna problemática, enquanto as restantes fábulas enveredam por batalhas que, sendo necessárias, atrasam o enfrentar da figura maléfica que destruiu a cidade e os impede de prosseguir na reconquista dos reinos fantásticos.

Visualmente interessante (ainda que menos do que o próximo, o 14 volume – sim, sem querer troquei a leitura de ambos, sem grande prejuízo) The Great Fables Crossover mostra como se tornam independentes e passam a ser responsáveis pelo seu próprio destino.

As serpentes de água – Tony Sandoval

Já tinha sentido alguma curiosidade pelos livros do autor, sobretudo depois de ter visto, o ano passado, uma longa fila à procura de um autógrafo no Amadora BD. Foi com o lançamento de Ecos invisíveis, um livro também da Kingpinbooks com autoria partilhada com Grazia La Padula, que senti maior curiosidade e peguei neste volume a solo.

O que encontrei foi uma história negra e misteriosa onde uma jovem rapariga encontra, nas suas deambulações fora a cidade, uma amiga estranha e especial. Estranha por contar histórias carregadas de elementos sobrenaturais, fruto, decerto, da sua imaginação. Mas será apenas imaginação?

Juntas, divertem-se, enveredando pelas mais simples aventuras. Até ao dia em que algo estranho acontece, algo que roça o sonho mas que será o evento que faz Mila questionar a existência física da amiga ,Agnês. Tendo deixado a bicicleta em casa da amiga, o irmão trá-la, revelando-lhe o quão sortuda é por ser capaz de ver Agnês.

A partir daqui as aventures atingem níveis míticos e surreais com estranhos elementos fantásticos que conferem, a esta história, um ambiente próprio. O facto de serem duas meninas não torna a aventura menos perigosa e mirabolante, levando-as a uma prova de afirmação e superação.

As serpentes de água foi publicado pela Kingpin books.

Valerian Vol.10 – Tempos Incertos / Nas Imediações do Grande Nada – Christin, Mézières

Depois de algumas aventuras deambulando pela Galáxia, Valerian e Laureline resolvem pôr mãos à obra e procurar a Terra da sua realidade – talvez no Grande nada? Apanhando as entidades que controlam economicamente a Terra (e que representam Deus, Jesus e o Espírito Santo, sem que faltem as acções de Sat) arranjam pistas adicionais para procurar a Terra do seu tempo.

Nas imediações do Grande Nada, numa prisão onde existem presos anónimos e escondidos, Laureline e Valerian instalam uma pequena nave comerciante a fim de obter informações sobre o que os rodeia.

Enquanto Laureline faz a diferença na vida de um grupo de ex-empregadas de uma fábrica, Valerian consegue que sejam novamente multados. Existe algo a esconder e os guardas da prisão não gostam de novos olhos no planeta.

Este é, sem dúvida, um volume que pretende colocar os nossos heróis no local necessário para o grande final. Sem grandes pressas, apresenta a forma como obtém informação sobre o Grande Nada e uma forma de investigarem sem darem muito nas vistas.

Demonstrando, mais uma vez, o espírito aventureiro e decidido de Valerian, bem como o espírito bondoso de Laureline que faz a diferença nos locais por onde passa, sem deixar de lado a inteligência que a caracteriza, é um volume com algumas reviravoltas e com episódios de transição para um objectivo que só a seguir será cumprido.

A série Valerian foi publicada em Portugal pela Asa.

Resumo de leituras – Novembro de 2017 (5)

225 – O imperativo Thanos – Excessivo em acção e demasiado denso em imagens de coloração pesada, é dos volumes da colecção um dos que achei menos interessante. Enquanto Thanos regressa lutando contra tudo e contra todos com o objectivo de encontra a morte, um vilão poderoso entra nesta realidade. Tendo descoberto como enganar a morte eternamente, pretende expandir com a sua horda demoníaca;

226 – Neutron Star – Larry Niven – Uma série de contos de ficção científica que se centram num aventureiro. Quase sempre solitário e de nome heróico, a personagem principal assiste a grandes eventos quando aceita, a troco de somas avultadas, ser pioneiro de uma nova nave. A partir daí o conhecimento que advém desta viagem impulsiona algumas espécies a tomarem decisões de largo prazo para a sua sobrevivência;

227 – A filha do professor – Uma história engraçada e mirabolante em que as múmias egípcias possuem capacidade para se movimentar e falar. Uma delas estará apaixonado pela filha de um historiador, sendo que a interacção de ambos leva a acontecimentos catastróficos;

228 – O infante – Daniela Viçoso – Uma história centrada num infante português, um menino mimado e protegido, a quem nunca são pedidas responsabilidades e que nunca é confrontado pela realidade. Vive, assim, aventureiro, sendo que são os que o rodeiam que sofrem as consequências dos perigos a que se submete;

229 – Deadpool – O Mercenário desbocado – Duggan e Hawthorne – Centrado neste invulgar herói da Marvel, não é uma história genial, mas é uma história divertida carregada de imprevistos e confrontos mirabolantes. Deadpool é uma personagem controversa, de moralidade flexível e com evidentes falhas de memória;

230 – Monstress – Vol.2 – Marjorie Liu e Sana Takeda – Mantendo o peculiar aspecto gráfico desta banda desenhada, o segundo volume aprofunda o mistério em torno da personagem principal, apresentando uma alteração de dinâmica entre a rapariga e o Deus que a ela se fundiu, consumindo-a.

O que se vê da última fila – Neil Gaiman

De Neil Gaiman conheço mais os livros de fantasia do que a banda desenhada, tendo lido Sandman e Miracleman mais recentemente. Algo que sempre me surpreendeu é a capacidade que o autor tem para provocar a empatia com os leitores mesmo quando nos apresenta personagens com as quais nos pareceria difícil se as analisássemos friamente. Não só provoca empatia como aquela necessidade de virar a próxima página.

Apesar de conter vários textos, todos não ficcionais, esta sensação de texto a escorrer permanece. Neil Gaiman pode ser um escritor, mas lê o suficiente para carregar os textos com referências conhecidas de obras várias, demonstrando que é, nas áreas de conhecimento mais díspares que podem surgir ideias para uma nova história.

Era suposto que na manhã seguinte eu fizesse uma intervenção formal (em evento académico) acerca do tema dos mitos e dos contos de fadas. E quando chegou a altura, deitei fora os meus apontamentos e, em vez de lhes dar um sermão, contei-lhes uma história.

Era uma nova versão da história da Branca de Neve, contada do ponto de vista da rainha malvada. Levantava questões como: “Que tipo de príncipe se depara com o cadáver de uma rapariga num caixão de vidro e declara estar apaixonado e que irá levar o corpo de volta ao castelo” e, por falar nisso, “Que tipo de rapariga tem a pele branca como a neve, cabelo negro como o carvão, lábios vermelhos de sangue e permanece deitada, como se estivesse morta durante muito tempo?” Ao ouvirmos a história, apercebemo-nos de que a rainha malvada não era malvada: ela simplesmente não foi longe demais”.

O livro começa por apresentar as coisas em que Neil Gaiman acredita, e é fácil concordar com vários destes textos: a importância das bibliotecas para as comunidades como forma de escapar ao quotidiano menos positivo, a importância dos mitos que são menorizados pelos académicos como histórias lineares para crianças ou a liberdade de expressão.

Ao apresentar um conto de fadas tradicional com algumas questões extra Neil Gaiman demonstra que estas histórias tem nuances não perceptíveis pelos leitores comuns. Nem pelos académicos. Já na componente da liberdade de expressão apresenta uma história em torno de Outrageous Tales, onde se apresentam várias histórias bíblicas do velho testamento, passagens que já são, no seu original, bastante violentas.

Neil Gaiman segue falando sobre alguns dos autores mais reconhecidos nos géneros do fantástico (não pode faltar, claro, Terry Pratchett) ou sobre livros, como Fahrenheit 451, passando, também, pelos prémios Nebula. Mais tarde, irá falar, também, de música e de outros autores, alguns controversos, como Kipling ou Lovecraft.

Comentam erros. Cometam erros crassos, cometam erros maravilhosos,  cometam erros gloriosos. É melhor cometer cem erros do que ficar a olhar para uma página em branco com receio de fazer alguma coisa mal, com receio de fazer seja o que for

Este é um conselho que vamos ver em vários discursos de Neil Gaiman. O que ele nos diz é que, não sabendo escrever, iniciou-se com o jornalismo e com ele treina uma escrita limpa de floreados e artefactos. Paralelamente vai escrevendo ficção. E com o escrever ganhou o treino que pretendia.

De vez em quando mete-se em projectos que sabe não ter as bases teóricas, mas com este desconhecimento fez, por vezes, a novidade. Na prática, o que o autor aconselha é a realização de todos os projectos que se conseguir, treinar e produzir, no estilo próprio de cada um, não ter medo de errar, uma e outra vez.

O que se vê da última fila é um livro de agradável leitura onde o autor expressa ideias sobre a produção de ficção e sobre a vida, demonstrando o fascínio por outros artistas, sejam desenhadores ou escritores. Ainda que ache que alguns dos livros do autor não obtiveram o efeito desejado em mim como leitora, as ideias expressas por Neil Gaiman são coesas e facilmente transforma episódios que viveu em relatos vivos para serem apreciados pelo leitor.

O que se vê da última fila foi publicado em Portugal pela Elsinore.

Novos projectos literários em curso

Amanhãs que cantam

Este é o novo projecto da Imaginauta, em parceria com a Épica, que já nos trouxe obras como Comandante Serralves, uma obra de ficção científica portuguesa que ultrapassou todas as expectativas e nos presenteou com um conjunto coeso de histórias que decorre numa realidade alternativa interessante – o que tem de peculiar este conjunto? Está carregado de referências bem portuguesas!

Amanhãs que cantam, o novo projecto pretende agregar histórias que decorram numa realidade alternativa em que Portugal ficou sob um regime comunista desde 1968, ano em que Salazar caiu da cadeira. Neste projecto os contos não têm de ser concordantes e podem expressar a sua própria versão deste regime, podendo constituir histórias utópicas ou distópicas.

Interessados? Podem consultar o regulamento na página oficial da Imaginauta.

Concurso nacional de contos de ficção especulativa

Este concurso resulta numa parceria entre o Sc-fi LX, a Imaginauta e a Editorial Divergência e pretende premiar contos de ficção especulativa, ou seja, fantasia, ficção científica ou terror. O concurso tem, associado, um prémio e um acordo de exploração comercial. Para mais detalhes podem consultar a página da Imaginauta sobre o prémio.

 

Antologia de Space Opera “Na imensidão do Universo”

Trata-se de um projecto da Editorial Divergência, uma das poucas editoras portuguesas que tem vindo a apostar na publicação de ficção especulativa de autores nacionais, com obras como Lovesenda de António de Macedo ou Anjos de Carlos Silva, para além das inúmeras antologias.

Para mais detalhes podem consultar a página oficial com o regulamento e informação sobre o que é pretendido.

Antologia de Fantasia Rural “O resto é paisagem!”

Esta antologia resulta de uma parceria com Luís Filipe Silva, conhecido autor de ficção científica português que já organizou outros projectos e que tem representado Portugal nalguns eventos internacionais de ficção especulativa, como a Eurocon.

Para mais detalhes podem consultar a página oficial com o regulamento e informação sobre o que é pretendido.

Base de dados de ficção especulativa Portuguesa

Este projecto distingue-se dos anteriores por não se referir à organização de uma antologia ou por envolver a escrita de contos. Ou melhor. Já envolveu a escrita. Pretende-se criar uma antologia que seja representativa da produção nacional dentro da Ficção Científica, do Fantástico e do Horror.

Para tal criou-se uma base de dados de acesso livre com os contos portugueses já publicados, e criou-se um fórum para facilitar o debate sobre que contos devem ser escolhidos para tal antologia.

Deixo-vos as ligações para cada uma das componentes

Resumo de leituras – Novembro de 2017 (4)

219- Ecos invisíveis – Tony Sandoval e Grazia La Padula – Com desenhos particularmente emotivos onde se realçam as expressões, Ecos invisíveis é uma pequena história envolvente que segue um homem que perdeu a esposa. Este episódio trágico provoca o despertar de uma capacidade que o leva a isolar-se;

220- A Asa Quebrada  – Antonio Altarriba e Kim – Depois de fazer uma banda desenhada em torno do pai, Altarriba percebeu que tinha sido injusto com a mãe, a mulher que viveu toda a vida com um braço aleijado sem que ninguém tenha dado por isso, nem o marido ou o próprio filho;

221 – Homem-aranha Vol.5 – Este volume apresenta uma aventura onde os Santeiros têm um papel preponderante. Quando um homem regressa à vida depois de enterrado muitos parecem crer num milagre mas o homem parece comportar-se de maneira diferente e provavelmente o seu regresso terá origens obscuras;

222 – As serpentes de água – Tony Sandoval – Uma menina aventureira encontra a parceira de brincadeiras perfeita – muito imaginativa e algo lunática, andar com ela é uma diversão. Mas quando se apercebe que nem o irmão a vê, só a ouve, apercebe-se que a nova companheira de brincadeiras não é mesmo uma menina normal;

223 – Alice num mundo real – Isabel Franc e Susanna Martin – A autora enfrenta o cancro da mama a apresenta os vários passos e situações por que passou de uma forma leve com pitadas de humor;

224 – Homem-aranha Vol.6 – Este volume marca o início da Guerra Civil com o homem de ferro a puxar Miles Morales para o seu lado.

Sandman Vol.7 – Vidas Breves – Neil Gaiman, Jill Thompson e Vince Locke

Neste sétimo volume de Sandman, Neil Gaiman volta-se a centrar no Mestre dos Sonhos, explorando, mais propriamente, as intrincadas e difíceis relações familiares. A história começa com Delírio, a mais nova dos Eternos que procura o irmão, Destruição.

Ao perceber que, sozinha, pouco consegue concretizar, Delírio procura a ajuda de vários irmãos, chegando a Morfeu com poucas esperanças. Mas Morfeu, que recupera de mais uma recente desilusão amorosa, aproveita a demanda para se distrair e acede a ajudar a irmã na busca.

A busca por Destruição começa, com base numa lista construída por Delírio onde constam os amigos do irmão (ou aqueles que costumavam conhecê-lo). Tratam-se de entidades quase imortais, elementos que passam por seres humanos mas que vivem na Terra há largos milhares de anos.

Pista a pista, os elementos que outrora conheceram Destruição vão perecendo de formas diversas, resultado do infortúnio ou dos seus próprios poderes. Morfeu desiste assim de procurar o irmão, deixando Delírio desesperada – mas a chave para este mistério reside na própria família.

De páginas visualmente delirantes, entre a sonho e a loucura, este volume de Sandman explora algumas personagens secundárias mas centra-se mais nos Eternos. A sua longevidade faz com que os relacionamentos entre eles se tornem difíceis, existindo sempre a memória de algum momento menos positivo.

Não sendo um dos volumes mais interessantes até agora, este sétimo parece estabelecer as bases para algo mais, um volume que deixa vislumbrar, novamente, as várias facetas dos Eternos.

Sandman foi publicado em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Novidade: O Diabo, o Relojoeiro e a Máquina dos Sacrifícios – Michael Marshall Smith

A Topseller parece ter investido nos géneros da ficção especulativa com mais um lançamento, desta vez mais voltado para a fantasia:

Imagine, caro leitor, a oficina de um relojoeiro.
Imagine ainda que esta história se passa num mundo banal e que o relojoeiro é, também ele, um homem normal? com um talento extraordinário.
Até ao dia em que alguém entra na oficina com o mais invulgar dos pedidos: uma máquina para converter a maldade do mundo em energia.
Quem (pergunta-se o leitor) quererá esta bizarra extravagância? Ora, ninguém mais do que o próprio Diabo? Que, como se sabe, tem formas muito persuasivas de obter o que deseja.
Passaram-se séculos, e o Diabo e a sua máquina estão a ter problemas. É então que, acidentalmente (embora se suspeite de uma certa influência maligna), a pequena e ingénua Hannah Green é arrastada para uma tenebrosa aventura maquinada pelo Diabo.
Preste bem atenção, estimado leitor, pois aqui começará também a sua história, num mundo onde as aparências enganam e as coincidências não existem.

 

 

Resumo de leituras – Novembro de 2017 (3)

213 / 214 / 215- Valerian – Vol. 10, 11 e 12 – Christin, Mézières – Chega assim ao fim a série de ficção científica que nos transporta pelo tempo e pelo espaço, numa série de aventuras mirabolantes e divertidas, carregadas de detalhes imaginativos. Não faltam as espécies alienígenas com as suas particularidades nem as armas que são animais vivos prontos a serem comandados por um dono. Sem um vilão concreto na maioria das aventuras, vai ganhando complexidade e aproveitando os elementos que criou em aventuras anteriores para enriquecer as seguintes;

216 – A história de um rato mau – Bryan Talbot -Uma história de abuso sexual dentro do espaço familiar que resulta na fuga de uma jovem. Sem abrigo, vive alguns maus momentos até encontrar, finalmente, um local onde se encontra segura;

217 – Sandman Vol.7 – Vidas Breves – Um volume mais centrado em Orfeu, mais concretamente nas suas tumultuosas relações familiares. Os Eternos acumulam tensões e simpatias mas não são totalmente imutáveis;

218 – Astérix e a Transitálica – Jean-Yves Ferri e Didier Conrad – A nova aventura de Astérix e Obélix leva-os a percorrer a Península Itálica percebendo-se que nem todos os habitantes desta zona são romanos. A corrida está carregada de contratempos e nem todos são obra do acaso. Divertida, carregada de nuances e trocadilhos, não ultrapassa a diversão que obtive no volume anterior.

Novidade: Kazuo Ishiguro

A Gradiva aproveita a atribuição do prémio Nobel a um dos seus autores, Kazuo Ishiguro, para voltar a lançar algumas das suas obras já esgotadas, e anunciar o lançamento de dois dos seus títulos ainda não publicados em Portugal.

Ainda que não goste homogeneamente de todas as obras do autor, gostei bastante de Nunca me Deixes, um livro em que existem clones humanos cujo propósito é fornecer peças extra compatíveis aos originais, apesar do seu lento desenvolvimento e decisões de percurso que podem parecer menos lógicas, mas O Gigante Enterrado, que usa metaforicamente a mitologia arturiana para contar a envolvente aventura de um casal de velhotes de memória nublada, foi de tal forma marcante que se tornou um dos livros favoritos do ano.

Comentários a obras do autor

Resumo de leituras – Novembro de 2017 (2)

207 – Valerian Vol.9 – Christin, Mézières -Sem o mundo que lhes deu origem, Valerian e Laureline vão-se envolvendo nos conflitos a que assistem, vivendo pequenas e movimentadas aventuras. É nestas que irão conhecer alguns dos elementos que lhes permitirão fazer uma revolução em volumes mais avançados da história;

208 / 209 – Homem-aranha vol.3 / 4 – Slott, Camuncoli, Buffagni, Bendis e Pichieli – Enquanto o homem-aranha original explora novas geografias mas luta contra vilões já muito conhecidos, Miles Morales, o novo homem-aranha debate-se com as suas responsabilidades quotidianas, enquanto jovem estudante, e tenta justificar, à família, a quebra nas notas;

210 – Apocryphus – Vol.2 – vários autores – Graficamente melhor do que o primeiro volume (se tal era possível), este segundo denota, também, uma melhoria a nível narrativo, explorando a temática Crime;

211 – Vingadores secretos – Vol.35 Coleção oficial de Graphic Novels Marvel – Visualmente este volume é esplendoroso. Explora um conjunto de super-heróis que age de forma mais subtil, realizando pequenas missões secretas com o objectivo de salvar o mundo;

212 – Thor o último Viking – Vol. 33 Coleção oficial de Graphic Novels Marvel – Volume com trechos mais antigos que explicam o surgir de Thor, bem como os anos que passou entre os mortais sem reconhecer os seus poderes. Como mortal procura uma identidade banal que lhe possibilite sobreviver, mas o aparecimento de monstros que procuram eliminá-lo dificulta a sua existência em anonimato.

O Imperativo Thanos – Marvel Graphic Novels Vol. 37

Não sei se pela alternância com outras histórias mais calmas, achei este volume excessivo. Excessivo na acção, não tendo momentos de paragem e transmitindo uma constante urgência, excessivo na densidade cromática e de quadrados, fazendo com que ocorra demasiado em pouco espaço, e apresentando diferentes características visuais na mesma página. Há, também, a destacar que, visualmente, este volume tem, também, planos brutais nalgumas páginas que dão espaço para todo o detalhe que elas possuem.

Thanos volta mas a sua obsessão não se concretiza. Thanos quer morrer a todo o custo e as suas acções são determinadas pela possibilidade de tal desejo ocorrer. Em simultâneo Cancroverso liberta-se neste Universo e com ele uma série de monstros imortais, provenientes de uma realidade em excesso por se ter dado cabo da Morte.

Perante esta ameaça, diversos grupos se unem, provenientes dos mais diversos planetas e de todos os cantos do Universo. A ameaça é enorme e os episódios de luta frustrada sucedem-se, levando os heróis a enveredar por engodos, armadilhas e subterfúgios. Existe, na prática, não uma luta contra a morte, mas a favor da morte, demonstrando que tem um papel fulcral no Universo na renovação e manutenção do equilíbrio.

Entre o rápido questionamento filosófico a ameaça desdobra-se e impõe-se, levando ao cansaço dos heróis que nem sempre tomam as opções mais correctas, agindo contra o comum acordo estabelecido.

Ainda que possua elementos interessantes, este é um dos volumes que achei menos interessantes da colecção, sobretudo pela sobrecarga de acção. Este é o volume 37 da Colecção Oficial de Graphic Novels Marvel.

Tio Patinhas N.º 1 e N.º2

Estes são os dois primeiros números da revista Tio Patinhas, uma das três revistas publicadas pela Goody em Portugal depois de extinguir a Comix. Cada uma destas revistas é dedicada a uma personagem, Donald, Mickey e Tio Patinhas. Relativamente a esta estruturação das histórias da Disney, a editora já informou que vai interromper temporariamente a edição destas três edições para repensar aspectos na sua configuração. Mais detalhes sobre esta avaliação serão disponibilizados quando existirem.

Estes dois números apresentam sobretudo histórias centradas no Tio Patinhas e na sua avareza, mas não só. O primeiro número tem, também duas histórias do Mickey, uma do Donald e uma do Zé Carioca, onde não se vislumbra o Patinhas. O segundo volume tem uma estrutura semelhante.

Ainda que ambos os volumes possuam pequenas histórias simples e lineares, têm também, algumas com elementos mais complexos. No primeiro número temos uma história de uma realidade virtual de difícil controlo, uma viagem no tempo em que a linearidade dos acontecimentos depende da viagem e uma regressão de idade para tentar transformar um vilão num homem bom.

Já o segundo número começa com uma aventura na Lua, para passar a centrar-se bastante em Fantomius o Ladrão Cavalheiro – entre as classes altas existem aqueles que caíram em desgraça à mão de aproveitadores e apesar da sua fama de ladrão, Fantomius rouba aos ricos com um grande sentido de justiça, revelando-se culto e inteligente.

Ainda que sejam destinados a um público mais juvenil estes dois números possuem histórias um pouco mais compostas com detalhes mirabolantes. A qualidade dos desenhos e da narrativa vai, assim, também, oscilando. O segundo número é um pouco mais coeso do que o primeiro (por possuir um grande seguimento de histórias que se sucedem).

A revista Tio Patinhas é publicada em Portugal pela Goody.

Reféns do Ultralum / O órfão dos Astros – Valerian Vol.9 – Christin Mézières

Aproveitando a elevada soma que ganharam recentemente e o já não estarem associados a uma agência, Valerian e Laureline encontram-se numa belíssima e luxuosa viagem. Laureline aproveita o momento mas Valerian, habituado a missões movimentadas e perigosas está aborrecido.

Eis que, a bordo da nave em que se encontram, ocorre um rapto. O filho de um riquíssimo sultão é levado, conjuntamente com Laureline na nave de uma alienígena, a mesma alienígena que tinha sido morta por um terrestre, razão pela qual repudia essa espécie. Ainda assim, por motivos de força maior, acaba por cooperar com Valerian na busca em Ponto Central.

Esta aventura mirabolante prossegue com contornos imprevistos. Claro que Valerian encontra Laureline, mas também o terrestre em falta terá oportunidade de expiar as suas acções. Já o filho do sultão não acabará com o pai, numa extraordinária reviravolta.

A segunda história deste volume é uma continuação da anterior, com Valerian e Laureline a fugir de um grupo de assassinos, sendo que, para tal, pede ajuda a um distribuidor de comida. A dupla acaba nas filmagens com Laureline a aproveitar todo o seu potencial – mas não da forma como poderia ser típica numa mulher bonita.

Estas aventuras, sem rumo concreto, ou melhor, sem uma missão explícita, acabam por ser bastante mais interessantes, fazendo com que a dupla realize boas acções por si, e interagindo livremente com várias espécies alienígenas de forma mais pessoal. Este volume apresenta vários episódios movimentados onde se exploram as potencialidades de uma série de espécies que podem ser usadas como arma ou como meio de comunicação.

A série Valerian foi publicada, em Portugal, pela Asa.

Novidade: Os Portões da Casa dos Mortos – Steven Erikson

O segundo volume da Saga do Império Malazano já tem data programada para dia 03! Deixo-vos a sinopse:

O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha’ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.

Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos.

Novidade: O que se vê da última fila – Neil Gaiman

Do conhecido autor de vários livros de fantasia e banda desenhada, Neil Gaiman, foi publicado, este mês, pela Elsinore, este conjunto de ensaios onde foge da sua vertente ficcional e se expressa sobre diversos assuntos:

«Há aqui textos sobre coisas e pessoas que me dizem muito. Há também aqui um pouco da minha vida: tenho a tendência para escrever do ponto onde me encontro e isso significa que talvez ponha demasiado de mim naquilo que escrevo.» Neil Gaiman é há muito conhecido do público pela sua imaginação sem limites e inteligência aguda. Neste apaixonante conjunto de ensaios, dá-se a conhecer como curioso e perspicaz observador da realidade, numa variedade de temas e argumentos que lhe são próximos, incluindo opiniões muito pessoais sobre arte e alguns artistas, literatura, cinema, viagens, sonhos, mitos e memórias. Um livro que oferece uma visão íntima do pensamento e paixões de um dos autores mais influentes e originais do nosso tempo.

Ecos Invisíveis – Tony Sandoval e Grazia La Padula

Grazia La Padula é uma das autoras convidadas do AmadoraBD e que estará no evento entre os dias 11 e 12 de Novembro. Já conhecia outro trabalho da autora, Jardim de Inverno, uma história deliciosa que apresenta um jovem que se distancia dos pais enquanto a vida não lhe corre bem, deprimido e desiludido com a vida na cidade.

Em Ecos Invisíveis a história começa com o funeral da esposa de Baltus. Recordando os momentos em que se conheceram, e a foto que lhe tirou antes sequer de lhe saber o nome, Baltus tem uma forte premonição de que algo vai acontecer a essa foto. Sobrecarregado pelo surgir de um dom e de luto, Baltus isola-se da civilização.

Como seria de esperar, este isolamento não é eterno. Vários anos decorreram desde o seu afastamento mas ao utilizar o dom para ajudar o desaparecimento de uma rapariga local, chama a atenção de uma repórter que se encontra em busca de pessoas com essas características.

Apesar de Baltus fazer passar o seu dom como profundo conhecimento da Natureza, sem reais capacidades, a repórter, percebendo que existe algo mais, não insiste. Prefere investir num relacionamento mais pessoal com Baltus e convidá-lo ao lançamento do seu livro na cidade.

Envolvente e carregado de emoções, Ecos Invisíveis é uma história relativamente simples mas que capta o leitor desde a primeira página. É impossível não sentir o peso da perda, é impossível não sentir o peso do destino que Baltus carrega consigo e que acaba por se tornar decisivo no relacionamento com os outros.

A grande empatia que se sente em Ecos invisíveis provém, sobretudo, da expressividade dos desenhos de La Padula. A desproporção das cabeças é um mecanismo que funciona bem no destaque de expressões e emoções, diminuindo a necessidade de diálogos complexos para apresentar interacções.

Ecos Invisíveis foi publicado em Portugal por Kingpin books.

Comentários a outros livros dos autores

Thor – O Último Viking – Marvel Graphic Novels Vol. 33

Neste volume apresenta-se Thor, o herói que é, também, o Deus nórdico que, por castigo do pai, vive entre os humanos, integrando as suas capacidades apenas quando usa um cajado para a sua transformação. Até recentemente não se recordava desta duplicidade e pensava ser humano. Agora, vê os humanos com outros olhos, reconhecendo a sua fragilidade, e mortalidade.

Com a descoberta das suas capacidades escondidas e da recuperação memória enquanto Thor, perdeu o seu disfarce humano. Para permanecer na Terra precisa de encontrar um trabalho e uma casa, servindo-se dos seus contactos, Fury, para os tentar obter.

Não se pode dizer que esta faceta humana esteja a correr bem – logo no primeiro dia de trabalho um monstro adormecido encontra-o, tendo em vista uma vingança, e Thor quase revela a sua verdadeira identidade ao ter de enfrentar a besta e, simultaneamente, salvar uma donzela em perigo.

Enquanto Thor luta com os monstros com que se depara, em Asgard os acontecimentos estranhos sucedem-se. Chegará em breve o último grande herói para ocupar o último lugar na mesa de banquete e Loki tece mais umas quantas intrigas com vista a perturbar o irmão.

Mas, o tema principal deste volume vai ser a chegada de um alienígena que viajou por quase todo o Universo para arranjar uma forma de eliminar os demónios que ameaçam destruir toda a sua espécie. Este alienígena destaca-se pela sua coragem e capacidade guerreira, características com as quais enfrenta Thor.

Com algumas histórias a datarem mais de 30 anos, este volume tem um aspecto mais clássico que se distingue bastante da coloração mais realista que vemos em números mais recentes. Também algumas das histórias e as batalhas contra os monstros têm uma perspectiva relativamente simples, destacando-se positivamente as componentes associadas ao último Viking e ao alienígena, usadas para apresentar grandes guerreiros (ainda que de forma diferente).

Thor ainda se tenta fazer passar por humano usando um simples estratagema usado por outros heróis (óculos! com um forte piscar de olho ao super-homem) e aprendeu, com o castigo do pai, uma grande lição. Com um início destes explica-se que um Deus esteja entre os humanos ajudando-os nas constantes ameaças a que estão sujeitos.

Este volume é o número 33 da colecção oficial de Graphic Novels Marvel.

Resumo de leituras – Novembro de 2017 (1)

201 – As armas vivas / Os círculos do poder – Valerian Vol.8 – Christin, Mézières – Este volume começa com uma história num planeta dominado pela Guerra onde até para acabar com a Guerra se faz a Guerra pela Guerra. A segunda história apresenta um planeta dominado pela corrupção – conhecida e publicitada abertamente – tudo se compra e tudo se vende. O local perfeito para a dupla conseguir reparar a nave a troco de uma pequena missão;

202 – Bouncer 5 – Boucq, Jodorowsky – Andando a procura do quarto volume e enquanto esperava numa livraria li o quinto. Implacável, demonstrando que o destino a todos espera e um sentido de justiça “olho por olho” apresenta um novo amor de Bouncer que se revela incompatível por razões de vingança;

203 – As Helvéticas – Hugo Pratt – O segundo contemplado pela espera, é uma aventura esotérica de Pratt onde se revelam segredos de cabalas e grupos secretos, entre referências literárias e históricas. É sobretudo uma aventura mental e interior de descobrimento e julgamento;

204 – O Idiota – André Diniz – Apesar de não ter lido o famoso romance, a adaptação é inteligível, captando o ambiente dos romances russos e apresentando a história de uma forma coerente e muito visual;

205 – Os Pássaros no fim do mundo – Charlie Jane Anders – Vencedor de prémios no género como o Nebula, é uma romance que cruza a ficção científica com a fantasia com muitos elementos de preocupação ecológica;

206 – Fables vol.13 – The Great Fables Crossover – Jack descobre o literal responsável pela escrita do reino das fábulas. E descobre que esse literal pretende eliminar esse mundo conjuntamente com todas as personagens. Parte então uma pequena comitiva para tentar travar o literal numa pequena aventura carregada de elementos cómicos onde se goza com os géneros literários e com as possibilidades do ridículo.