Novidade: Nova Colecção Batman 80 anos – Detalhes colecção e primeiro volume

No seguimento dos 80 anos do super herói Batman, a Levoir publica, em parceria com o jornal Público, uma nova colecção! Abaixo encontram mais detalhes sobre o conteúdo da colecção, como informação do primeiro volume que será lançado já no dia 21 de Fevereiro:

1.- Jogo Final – Scott Snyder e Greg Capullo (21 de fevereiro)
2.- Peso Pesado – Scott Snyder e Greg Capullo (28 de fevereiro)
3.- Bloom -Scott Snyder e Greg Capullo (7 de março)
4.- Gothtópia – John Layman e Jason Fabok (14 de março)
5.- Noel: Um Conto de Natal – Lee Bermejo (21 de março)
6.- Ícaro – Francis Manapul e Brian Buccellato (28 de março)
7.- Black & White: Os melhores contos noir – Richard Corben, Matt Wagner, Katshuiro Otomo (4 de abril)
8.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 1– Frank Miller (11 de abril)
9.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 2 – Frank Miller (18 de abril)
10.- Antologia Batman: 80 Anos de Aventuras – Tom King, Paul Dini, Len Wayne, Neal Adams (25 de abril)

 

Scott Snyder e Greg Capullo são dois dos nomes mais falados da DC Comics desde o início dos Novos 52. Snyder iniciou a sua carreira como escritor de terror, mas daí até se tornar um dos maiores escritores dos comics americanos deste século, foi um instante. Na sua etapa com o Batman, Snyder conta com a arte de Greg Capullo, desenhador, cuja carreira está sobretudo associada à sua colaboração com Todd McFarlane na série Spawn, durante perto de vinte anos. Capullo revelou-se um dos melhores desenhadores do Batman deste século, adaptando o seu estilo às necessidades da personagem e influenciando a própria narração de SnyderEm Jogo Final, o Joker está de volta, mas desta vez o maior inimigo do Batman não está a rir. No encontro anterior, o Cavaleiro das Trevas não esteve à altura dos planos do Príncipe Palhaço do Crime, e agora o vilão não está para brincadeiras. Os jogos acabaram. Todas as cartas estão na mesa. E no confronto mais intenso já visto entre eles, nada mais será sagrado para o Joker… a família do Homem-Morcego, os seus amigos e aliados, a sua casa. Ninguém está a salvo. Batman e Joker enfrentam-se, cada um deles representando uma força primordial da natureza: a Justiça contra o Caos. O Bem contra o Mal. O sombrio contra a gargalhada. Mas ambos são eternos.Este é um comic aterrador que marcou uma época dourada para o personagem. Joker é possivelmente o melhor vilão que existiu em toda a história, não só dos comics, mas também da literatura universal.

 

 

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (2)

13 – Y: O Último Homem – Vol. 7 – Bonecas de Papel – Yorick chega finalmente à Austrália e descobre pistas da sua namorada – mas esta há muito que deixou o continente e foi para Paris. Paralelamente, uma jornalista tenta divulgar a existência de Yorick e não olha a fins para o fazer;

14 – Injection – Vol.3 – Ellis, Shalvey e Bellaire – Um local histórico torna-se o cenário de um horrendo crime revelando-se, também, um local de grandes forças sobrenaturais. Se, no volume anterior, se tinha investido na lógica para perceber a IA, neste volume seguem-se caminhos menos óbvios mas mais macabros;

15 – Jessica Jones – Vol.1 – Sem Limites – Bendis, Gaydos e Hollingsworth – A heroína sai da prisão e é envolvida por uma organização que pretende acabar com os super heróis – precisando, para tal, de Jessica para conhecer os seus segredos;

16 – Y: O Último Homem – Vol. 8 – Dragões de Kimono – Neste oitavo volume a busca pelo macaco capuchinho de Yorick leva-os ao Japão, onde encontram uma máfia conduzida por uma cantora pop americana!

Novidade: Tony Chu – Vol. 10 – Galo de Cabidela

 

A série mais nojentamene divertida chega ao décimo volume no mercado português, denominado Galo de Cabidela! Sobre este volume deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora (G Floy):

Tony Chu, o agente federal cibopata capaz de obter impressões psíquicas daquilo que come, vai enfrentar o seu maior desafio. O confronto final com o monstro que matou a irmã dele. Que desfigurou os seus colegas. E que agora ameaça a sua filha. Para sobreviver a esta batalha, Tony vai precisar da ajuda do maior agente secreto que alguma vez viveu… Poyo! O problema? Poyo está desaparecido, e presume-se que esteja morto…

O novo arco de história de Tony CHU, a série best-seller do New York Times, aproxima-nos rapidamente do final da série (serão 12 volumes), com a sua combinação improvável (e um pouco parva, seremos os primeiros a admiti-lo) de detectives, bandidos, canibais, clarividentes, cozinheiros e homens biónicos.

 

Injection Vol. 2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire

Após uma rápida introdução das várias linhas narrativas e das várias personagens do primeiro volume, este segundo apresenta-se mais coeso, seguindo quase sempre uma única linha em torno do detective Vivek Headland, mas, ainda assim, conseguindo avançar com alguns elementos das restantes personagens.

Neste volume o detective é confrontado com um caso mais estranho do que lhe é usual – o de um homem que se diz visitado pelo fantasma da amante, pelo menos até há poucos dias, e que acha que esta ausência do fantasma estará relacionado com o roubo de uma foto. O homem está pouco preocupado ou pesaroso com a morte do filho, pensando apenas na ausência da amante. Se este facto é estranho por si só, durante a reunião com o homem, o detective descobre que o presunto que está na sua sandes não é de porco, mas de humano.

Este curto encontro irá ser o ponto de partida para todo o volume que alterna entre episódios de acção e momentos de raciocínio que explicam um pouco mais sobre o que se passa na realidade retratada – uma inteligência artificial foi libertada. E se se trata de uma inteligência artificial porque pensaria ou valorizaria um ser humano? Capaz de distorcer a realidade e de interagir com humanos, a inteligência artificial confere elementos sobrenaturais e fantásticos à narrativa – e extrema tecnologia a parecer magia aos olhos humanos, ou algo mais?

Injection mistura misticismo com tecnologia produzindo uma inteligência artificial que é, à percepção humana, alienígena. Esta inteligência aprende e desenvolve-se sem uma moral que possamos reconhecer, manipulando os seres humanos e a realidade que os rodeia. Este cruzamento de elementos sobrenaturais e místicos com a tecnologia resulta em cenários fantasticamente horrendos (explorados mais no primeiro volume) que conferem uma aura estranha e fascinante à história.

Em termos narrativos este volume centra-se mais na investigação mas fornece, ocasionalmente, cenas passadas de algumas personagens, mostrando as suas motivações e desejos – percebemos a origem do relacionamento de algumas e justifica-se a forma como se relacionam. Mais pausado que o primeiro volume, este segundo é mais coeso mas, simultaneamente, mais inquietante.

Esta é, sem dúvida, uma série para continuar a ler, apesar do espaçamento com que os volumes são lançados.

Novidade: Seafire – Natalie C. Parker

A Topseller lança nova obra fantástica este mês! Desta vez trata-se do primeiro volume de uma trilogia pirata direccionada para jovens adultos (YA) que tem tido algum sucesso no mercado anglosaxónico:

Nunca subestimes uma mulher.
Especialmente se for uma pirata.

No mar alto, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Depois de as famílias de Caledonia e Pisces serem brutalmente assassinadas, as duas raparigas fazem um pacto de sangue. Juntas, perseguirão Aric Althair, senhor da guerra e responsável por estas mortes, até conseguirem a vingança.

Quando o teu navio fraqueja, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Corajosas e determinadas, Caledonia e Pisces constroem e equipam o seu próprio navio, o Mors Navis, tripulado apenas por raparigas. Caledonia comanda estas irmãs dedicadas à mesma causa. Juntas percorrem os mares com um só objetivo: acabar de vez com a violência e maldade de Althair e da sua frota de mercenários.

No meio de fogo cerrado, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Mas, durante um confronto, quando um dos homens de Althair salva a vida de Pisces, é revelado um segredo inesperado. O rapaz garante que o irmão de Caledonia está vivo e afirma conhecer o seu paradeiro. Será um truque? Será verdade? Estará Caledonia disposta a descobrir?

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (1)

 

9 – Ms. Marvel – Vol. 2 – G. Wollow Vwilson e Adrian Alphona – Neste segundo volume de Ms. Marvel a heroína continua a distinguir-se pela sua diferente ascendência e pelas batalhas que escolhe, reparando no desaparecimento de elementos da sociedade que ninguém se preocupa em investigar. Com elementos divertidos e leves, é uma banda desenhada interessante, com alguma acção;

10 – Circe – Madeline Miller – A autora pega em Circe e romantiza a vida desta divindade, tornando-a numa personagem com dimensão, em que os elementos que a caracterizam são justificados, dando noção de coerência entre os vários mitos em que aparece;

11 – Injection Vol.2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire – O segundo volume centra-se na investigação de duas mortes para apresentar uma outra perspectiva sobre a peculiar Inteligência Artificial que tem uma forma própria de aprender e de manipular os seres humanos. A história possui detalhes grotescos (como seria de esperar de Warren Ellis), de horror fantástico e de ficção científica, numa mistura inquietante;

12 – Os crimes dos viúvos negros – Isaac Asimov – O famoso autor de ficção científica escreveu, também, algumas histórias no género de crime. Neste volume reúnem-se aquelas que decorrem com os Viúvos Negros, um clube de homens que não permite, nos seus serões, mulheres. Cada membro vai organizando um serão diferente, podendo convidar alguém que possa suscitar interesse – mas ao longo dos serões aqui relatados os convidados apresentam crimes para os quais não tinham solução, mas que o empregado de mesa do clube resolve com astúcia e humildade após o questionamento dos membros do clube.

Novidade: Y – O Último Homem – Vol.7

A Levoir continua, em parceria com o jornal Público, a publicação da série Y – O último homem, com o lançamento dos volumes sete e oito, nos dias 07 e 14 de Fevereiro! Deixo-vos já os detalhes do sétimo volume:

Em “Bonecas de Papel”, título do 7º volume da colecção, o jovem Brown chega finalmente à Austrália, país onde a sua namorada Beth, está perdida desde a praga que matou todos os homens há mais de três anos. Mas esta partiu para Paris à procura dele.

Yorick, a Agente 355 e a bioquímica Allison Mann continuam à procura de Ampersand – o outro mamífero do sexo masculino sobrevivente e peça-chave para uma possível cura para a praga. O macaco foi sequestrado por uma misteriosa ninja e o seu rasto vai até o Japão.

A repórter de um jornal sensacionalista investiga sobre a sobrevivência de algum homem à praga. Até agora, tudo se resume a uma grande colecção de boatos, até que ela consegue descobrir Yorick obrigando-o a despir-se e fazendo-lhe fotos que publica. Temendo que a divulgação dessa notícia atraia a atenção e gere muitos conflitos e problemas, a agente 355 caça a repórter, procurando destruir a fotografia custe o que custar.

Mais uma vez Brian K. Vaughan põe o leitor a questionar-se. Qual é a extensão do poder da imprensa? Quais os reais interesses por trás da publicação de uma notícia? A verdade deve sempre vir a público ou há situações em que é melhor manter o sigilo? A necessidade justifica a censura?

A história não propõe nenhuma resposta, apenas inspira as perguntas. E a resolução para o problema das fotos de Yorick é tão simples quanto surpreendente.

O nível constante de qualidade dos textos e desenhos fazem de Y – O Último Homem uma das melhores séries publicadas tendo ganho 3 Prémios Eisner.

 

Novidade: Southern Bastards – Vol.4 – Jason Aaron, Jason Latour e Chris Brunner

A G Floy lança o quarto volume de Southern Bastards, fechando a história com a visita da filha de Tubb ao condado de Crawford!

O final do grande arco de história inicial de SOUTHERN BASTARDS, com o regresso ao Condado de Crawford de Roberta Tubb, a filha de Earl Tubb, e o seu primeiro grande confronto com o Coach Boss!

A aclamada série “frita à moda do Sul” regressa para mais uma grande noite de desporto! O Coach Boss só consegue mandar no Condado de Craw com mão de ferro por uma razão apenas: ganha jogos de futebol. Mas depois da maior e mais terrível das derrotas da sua carreira, Euless Boss tem de se tornar num criminoso ainda mais empedernido se quer poder sobreviver ao ataque dos seus inimigos.

Inimigos como Roberta Tubb, que chegou à cidade de Kalashnikov em punho à procura de respostas à séria sobre a morte do seu pai.

Tudo se encaminha para um primeiro desfecho, uma primeira resolução dos conflitos que assolam esta pequena cidade americana, um momento final em que todos os lados desta batalha se vão finalmente definir. E no meio de toda a confusão é que se vai ver quem é que os tem mesmo no sítio!

 

Monstress vol.3 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Desde o primeiro volume desta série que nos habituámos a uma elevada qualidade gráfica – qualidade esta que se tem mantido e que nos remete para um mundo fantástico onde deuses antigos moldaram a existência de uma série de raças inteligentes, uma delas denominada por Arcânicos, seres humanóides com características mais ou menos evidentes de outros animais, que são perseguidos pelos humanos pelos seus poderes mágicos.

Maika é uma arcánica, mas uma arcánica pouco usual. Unida a um deus antigo, é lentamente consumida quando usa os poderes do deus, um monstro esfomeado que então ocupa o seu corpo e devora todos os que apanhar para repor energia. Para além do monstro que a devora, Maika descende de uma linhagem peculiar de quem pouco se sabe inicialmente, mas sobre a qual se vão descobrindo detalhes inquietantes ao longo da história.

Após a exploração de uma ilha carregada de más surpresas e poderes obscuros, Maika e os amigos têm agora de fugir de quem os pretende prender e usar – mas conseguem exílio numa cidade que reserva, também, alguns segredos poderosos. Enquanto Maika é chamada a ajudar na manutenção do escudo da cidade, uma das suas pequenas amigas descobre refugiados que são como ela e decide, também ela, ajudar – mas é demasiado inocente e acaba por cair em enredos que não compreende totalmente.

Se os volumes anteriores apresentam a fuga das personagens principais por terra e mar, evitando confrontos, neste volume tal torna-se inevitável, resultando em lutas violentas e esmagadoras. Os deuses mantém parte dos seus grandes poderes e soltam-nos sem dó nem piedade por aqueles que podem atingir.

É, também neste volume, que descobrimos que algumas das personagens têm uma agenda muito própria, como agentes de diferentes facções com interesses distintos. Estas personagens reportam a poderes diferentes mas terão de escolher entre a amizade e a sua verdadeira identidade – se algumas o fazem abertamente, com jogos duplos e conversas subtis convidando à desconfiança, outras revelam-se de forma surpreendente.

Até este volume a história tem vindo a ganhar tensão – a maioria dos diálogos são indirectos e subtis, mostrando existirem vontades obscuras e pensamentos não revelados. Ainda que algumas das interacções assim se mantenham (deixando nas entrelinhas ameaças, consequências ou interesses) alguma desta tensão é descarregada em grandes episódios de luta divina.

Monstress continua a ser uma série visualmente arrebatadora, distinguindo-se pelos elementos asiáticos que conferem, às personagens, algumas características de Anime. Os deuses são verdadeiramente alienígenas e incompreensíveis, os poderes são simultaneamente fantásticos e horrorosos e a inocência convive com o horror da guerra e da morte por racismo.

Se, no primeiro volume, a história permitia tecer paralelismos com perseguição de humanos pela sua cor ou origem (ao apresentar séries sapientes e sensíveis que são desconsideradas como se fossem animais), neste volume toca-se levemente no tema dos refugiados.

A série tem sido publicada em Portugal pela Saída de Emergência e este terceiro volume encontra-se agendado para dia 08 de Fevereiro.

Circe – Madeline Miller

Deusa da magia, ninfa, bruxa, encantadora ou mágica, Circe é uma figura da mitologia grega dúbia e diferente dos outros deuses ou divindades. Filha de Hélio e Perseis (uma ninfa) é conhecida pelo seu conhecimento de poções e ervas, sendo destas que deriva o seu poder de influenciar e transformar os seus inimigos. Neste livro a autora centra-se em Circe, contando a sua vida imortal desde os primeiros anos como divindade menor e esquecível, até ao exílio e transformação final.

De voz humana, aparência incomum (e até feia para os restantes deuses) Circe cresce esquecida entre uma série de divindades poderosas, numa corte carregada de jogos de poderes e influências, na qual não desempenha qualquer papel. A sua presença é tolerada, mas não tem amigos nem protectores, vivendo nas sombras como uma personagem simples.

A sua existência na corte será influenciada por Prometeu, a divindade que trouxe o fogo aos humanos, e que é trazido à corte de Hélio antes da concretização da sentença que o irá prender a uma rocha por toda a eternidade (enquanto uma águia, todos os dias, lhe come o fígado que se regenera). Circe interessa-se por esta personagem e assim ganha a curiosidade pelos humanos que a há-de marcar.

Entre a transformação de um humano em divindade, assistir ao parto de Minotauro, conhecer Dédalo (e Ícaro), e receber Ulisses na ilha em que se encontra exilada (por usar os seus poderes mágicos que os restantes deuses que não compreendem) Circe é uma personagem peculiar que se adapta à solidão e que possui todas as características de uma bruxa típica, vivendo alguns dos mais marcantes episódios mitológicos – e assim é usada pela autora que acaba por retratar a divindade, bem como as motivações de algumas das personagens mais marcantes da mitologia grega.

Distinguido com o prémio de Fantasia do Goodreads, Circe é um livro que me despertou opiniões dúbias – se por um lado possui bons momentos de caracterização, mostrando o lado perverso das dividantes (que reflectem os humanos) e das figuras mortais lendárias, por outro alonga-se demasiado nalgumas passagens mais pausadas (ainda que reconheça que algumas sejam necessárias para descrever momentos marcantes e decisivos de Circe).

Menosprezada pelas restantes divindades pela sua falta de poderes e pela voz humana, Circe consegue a proeza de atingir o seu auge enquanto isolada numa ilha, onde usa tudo o que a rodeia para tecer fortes bruxarias que fazem frente aos poderes tradicionais dos deuses. Circe conhece bastante bem o funcionamento de uma divindade típica e usa isso para defender o seu filho ou os restantes humanos pelos quais se interessa, constituindo uma divindade altruísta de psicologia complexa.

Para quem gosta de histórias mitológicas Circe constitui uma abordagem interessante, desconstruindo os deuses – a sua imortalidade e poderes são os elementos que os diferenciam dos seres humanos, mas, também, o que os torna estáticos, previsíveis e receosos pela mudança ou por aquilo que não compreendem. Circe mostra uma divindade diferente, uma divindade menor que, desconsiderando a imortalidade, é comparável a um humano, não revelando os vícios usuais dos mais poderosos.

Circe é, portanto uma boa leitura – as personagens são complexas e desenvolvem-se de acordo com os eventos que marcam a sua existência, os eventos mitológicos apresentados possuem abordagens diferentes do usual e a autora consegue envolver o leitor e fazer sentir empatia pelas personagens que constrói. Para mim, terá como defeito o arranque mais leito, debruçando-se demasiado na existência de Circe na corte de Hélio.

Novidade: Baptismo de Fogo – Andrzej Sapkowski

O quinto volume da Saga The Witcher já tem data marcada! A série encontra-se a ser lançada em Portugal pela Saída de Emergência e este volume será lançado no dia 15 de Fevereiro. Deixo-vos a sinopse:

Venha conhecer os livros que inspiraram o popular jogo The Witcher

A Irmandade dos Magos foi aniquilada e Geralt ficou seriamente ferido. O bruxo deveria ser o guardião dos inocentes e o protetor dos necessitados perante os monstros poderosos e implacáveis que fazem dos humanos a sua presa. Mas agora que tempos sombrios pairam sobre o mundo, Geralt não poderá defender os homens enquanto não recuperar dos seus ferimentos.

As guerras devastam todos os territórios e o futuro da magia está ameaçado. Mas as feiticeiras que sobreviveram estão determinadas a protegê-lo. É um momento conturbado, e Ciri, a herdeira do trono de Cintra, continua desaparecida. Surgem rumores de que ela estará na corte de Nilfgaard para casar com o imperador. Ferido ou não, Geralt tem uma missão a cumprir…

East of West – Vol.5 – Hickman e Dragotta

East of West é uma série de excelente aspecto gráfico que intercala elementos de fantasia com ficção científica (e pitadas de horror) debruçando-se no Apocalipse que começa com Morte em busca do filho. Os volumes anteriores apresentam-nos as várias facções que governam o mundo, mas centra-se, sobretudo, em personagens chave – já este quinto volume desenvolve a movimentação política destas facções e parece colocar as personagens em locais chave.

Apesar de existirem episódios pesados de grande violência e sadismo (como é habitual nos volumes anteriores) estes são em menor quantidade e menos intensos – este volume é mais pausado e mais centrado em desenvolver personagens. Parece existir, neste volume, uma necessidade de posicionar personagens e de fazer evoluir algumas facções para um propósito definido pelo autor. Talvez por isso, é um volume menos envolvente e, apesar de toda a tensa movimentação política, fiquei com a sensação de que pouco aconteceu.

Ainda assim, destaco novamente o excelente aspecto gráfico que usa elementos futuristas tanto na tecnologia das armas e dos transportes, como elementos fantásticos de horror usando criaturas horrendas com capacidades mágicas e sobrenaturais. Enquanto algumas facções possuem grande poder militar,  outras crescem nas sombras por meios menos visíveis.

Gosto da série (e vou decerto ler os seguintes) mas a forma como se iniciou o quarto volume (introduzindo as várias facções políticas) e a forma como este quinto concentra uma série de momentos importantes para o desfecho faz-me pensar que esta foi alongada ou reestruturada a meio da série, causando quebras no ritmo narrativo – alguma da informação introdutória do quarto volume poderia ter sido dispersa, bem como alguns destes movimentos políticos que encontramos no quinto. Mesmo considerando o abrandar do ritmo e as diferenças de estrutura de cada um dos volumes, a série continua a agradar do ponto de vista gráfico e narrativo.

Sobre outros volumes da série

Resumo de Leituras – Janeiro de 2018 (2)

5 – Outcast – Vol.4 – Kirkman & Azaceta – O enredo continua a avançar lentamente, revelando mais algumas pistas sobre o que estará a possuir uma série de pessoas. A história continua lenta, com alguns pontos de interesse, mas revela demasiado pouco a cada passo;

6 – Uncanny X- Force Vol.2 – Noutra realidade alternativa o Arcanjo já dominou o mundo – e é a esta que os heróis têm de se deslocar. Lá encontram amados há muito perdidos, companheiros que possuem o cerne da pessoa querida mas, também, apresentam muitas diferenças. Entre as batalhas bombásticas encontramos alguns conflitos pessoais. Neste volume destaca-se o excelente aspecto visual!

7 – Descender – Vol.6 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen A série termina neste sexto volume mas deixa espaço para se explorar uma nova linha narrativa (que dará origem â série Ascender). Se já gostava da série desde o primeiro volume, este último veio consolidar a opinião, mostrando que a série consegue ser interessante do ponto de vista narrativo, desenvolver personagens e dar espaço para algumas questões filosóficas interessantes;

8 – East of West – Vol.6 – Hickman, Dragotta, Martin -Visualmente esta série é das melhores que estou a ler agora! Enquanto os cavaleiros do apolipse cavalgam na terra para fazer chegar o fim do mundo, um deles procura o filho perdido para uma facção oposta que o manipula. Cada facção procura superar o poder das restantes, mostrando-se impediosa, violenta e subversiva. Os elementos visuais e os fortes episódios quase fazem o leitor esquecer-se que pouco acontece neste volume.

Novidade: O Mel do Leão – David Grossman

A Elsinore publica novo volume da colecção Mitos! Esta colecção surgiu por sugestão do dono da editora Canongate que dirigiu um desafio a vários escritores contemporâneos para que escrevessem mitos antigos dando-lhes características actuais. Neste seguimento Margaret Atwood construiu o The Penelopiad, e Victor Pelevin O Elmo do Horror, mas a colecção atingiu os 18 volumes e O Mel do Leão é um destes.

«Há poucas outras histórias na Bíblia com tanto drama e ação, tanto fogo de artifício narrativo e emoção pura, como os que encontramos no conto de Sansão: a batalha com o leão; as trezentas raposas a arder; as mulheres com quem dormiu, e a única que amou; a traição por parte de todas as mulheres da sua vida, desde a sua mãe Dalila; e, no final, o seu suicídio homicida, quando fez desabar a casa sobre si próprio e três mil filisteus. Contudo, para além da fera impulsividade, do caos e do barulho, podemos entrever uma história de vida que é, no fundo, a viagem atormentada de uma alma isolada, solitária e turbulenta, que nunca encontrou, em lado algum, um verdadeiro lar no mundo, cujo corpo era ele próprio um duro lugar de exílio.»

Em O Mel do Leão, David Grossman escolhe um dos mais vivos e controversos personagens da Bíblia. Ao revisitar a famosa luta de Sansão com o Leão, as suas muitas mulheres e a traição de todas elas – incluindo a única que ele amou – Grossman dá-nos uma provocatória visão da história e do seu clímax, a última ação mortal de Sansão quando faz ruir um templo sobre ele próprio e milhares de filisteus.

Numa prosa extremamente lúcida, Grossman revela-nos a vida de uma alma só e torturada, que nunca encontrou uma verdadeira casa no mundo, que nunca se sentiu bem no seu corpo e que, poderão dizer alguns, foi o percursor dos modernos bombistas suicidas.

Uma viagem fascinante e controversa pela história e psicologia de uma das personagens mais significativas da Bíblia, que lança um novo olhar sobre o passado, projetando-o no mundo de hoje.

Novidade: Winepunk

 

Eis um dos que será, decerto, um dos lançamentos do ano na ficção especulativa portuguesa! Trata-se de uma antologia de história alternativa que pega em factos reais e os altera ligeiramente para criar uma realidade portuguesa em que a Monarquia do Norte se teria alongado para além de algumas semanas, aproveitando um dos produtos fundamentais na economia do Norte – o vinho!

A antologia reúne histórias dos autores de ficção especulativa portuguesa mais reconhecidos, como João Barreiros, João Ventura ou Carlos Silva, bem como uma história de Rhys Hughes! Já tive oportunidade de espreitar o produto final e para além de aconselhar vivamente pela qualidade das histórias, destaco o cuidado na edição, carregada de ilustrações! Deixo-vos a sinopse e a ligação para a editora, a Editorial Divergência:

Em 1919 foi fundada a Monarquia do Norte no meio das convulsões republicanas. Neste universo, ela não durou semana mas sim três anos extraordinários em que a junção de um passado british e a casta Touriga de uvas do Douro fundiu-se numa realidade Winepunk. Um mundo rebelde e com morte anunciada, com fleuma nortenha, linguagem desbragada e ferozmente anti-republicano.

 

Humanus – Vários autores

Humanus é uma antologia de banda desenhada publicada pela Escorpião Azul que possui tanta diversidade nas suas histórias quantos os livros publicados pela editora, resultando de um convite a todos os seus autores (e mais alguns) para construirem novas e curtas histórias.

O volume abre com uma belíssima história de Rui Lacas que apresenta o confronto de criaturas antigas com a humanidade, passando para uma história de fantasia e ficção científica de Miguel Santos (conhecido por Ermal). A partir daqui vamos lendo todo o género de histórias em todo o género de estilos – futuristas como João Monteiro, distópicas como João Vasconcelos, cómicas como Álvaro ou Derradé, poéticas como a da dupla de Inês Garcia e Tiago Cruz.

Com 270 páginas e mais de 30 histórias, Humanus apresenta histórias de todos os géneros, podendo ser um óptima forma de introduzir os autores que tem em catálogo ou de os rever, para quem já os conhece. O resultado é um excelente conjunto de pequenas curtas de banda desenhada de autores que publicam no mercado português!

Resumo de Leituras – Janeiro de 2018

01 – Luzes de Niterói – Marcello Quintanilha – Num país de contrastes, dois jovens aventuram-se a pescar para conseguirem um rendimento extra. Mas os seus planos rapidamente se desmancham e os colocam em perigo quando encontram um perigo bandido que os toma por polícias;

02 – Mister NO – Ovnis na Amazónia – Sclavi, Civitelli, Nolitta e Diso – Mirabolante, apresenta um episódio aventureiro em que dois exploradores se cruzam e se unem perante uma ameaça comum – os índios;

03 – Gran Hotel Abismo – Prior e Rubin – Mais interessante visualmente do que do ponto de vista narrativo, Gran Hotel Abismo apresenta um futuro pouco distante em que quem manda na sociedade são as grandes empresas. Em nome do lucro diminuem ordenados ao mínimo que acham suportável e não é de estranhar que se iniciem grandes manifestações que serão recebidas com fortes cargas policiais;

04 – Sorcerer to the crown – Zen Cho – Apesar de ter elementos interessantes na forma como usa a magia (e como justifica a sua fonte) é um livro dúbio na caracterização de personagens, mostrando uma personagem masculina de origem não ocidental como personagem principal e forte, mas mostrando uma personagem feminina completamente cliché nos seus objectivos de vida.

Injection – Vol.1 – Ellis, Shalvey e Bellaire

Entre os mitos fantásticos tornados realidade e a inteligência artificial, este é o primeiro volume de uma série de Warren Ellis que revela apenas alguns dos seus elementos base para este Universo ligeiramente futurista e sobrecarregado em fenómenos sobre naturais (serão mesmo?) originados por uma consciência cuja origem apenas suspeitamos.

Nos interstícios da realidade encontramos bolsas em que os mais assustadores mitos se materializam – e para as quais são chamados agentes especiais para as domarem, ainda que nem sempre com o efeito desejado. Estas bolsas de realidade apresentam elementos fantásticos tradicionais de cultura irlandesa / celta, tornando alguns seres humanos cativos – escapar é só para alguns, os mais sagazes que são capazes de reunir e interpretar algumas pistas difíceis.

Contada de forma pouco linear, intercalando linhas temporais diferentes e várias perspectivas, Injection consegue cruzar elementos fantásticos com horror e ficção científica, resultando num assustador pesadelo onde se apresentam questões interessantes – porque seria uma inteligência criada minimamente semelhante à inteligência humana? Porque teria alguma ideia semelhante da realidade ou do que é justo e correcto? Será que teria algum interesse pela humanidade e pela estabilidade da realidade? Ou seria aparentemente louca e homicida?

Claro que, ao colocar estas questões o enredo abdica de algum do seu mistério e apresenta algumas pistas para entendermos a premissa – ainda assim, muito falta desvendar. Porquê esta obsessão óbvia pelo folclore celta e quais os motivos para que as várias personagens ajam de determinada forma? Decerto serão estes elementos que o autor irá explorar nos próximos volumes, numa série que promete distinguir-se do que tem sido feito em mundos fantásticos na banda desenhada.

Novidade: O Garfo, a Bruxa e o Dragão – Histórias de Alagaësia – Christopher Paolini

 

Ainda que não tenha, ainda, sentido especial curiosidade por esta saga (parece-me beber demasiado de várias séries fantásticas mais antigas que nunca chegaram a ser publicadas em Portugal), o nome Christopher Paolini marcou, sem dúvida, o género fantástico, não só pelo número de vendas que atingiu, mas pela quantidade de fãs a nível mundial. O autor está de volta com um novo livro no mesmo Universo que foi publicado no início deste mês pela Asa na colecção 1001 Mundos:

Três dias depois do lançamento no mercado norte-americano e oito anos depois de concluir a mais famosa saga de dragões do século, Christopher Paolini tem novo livro a chegar amanhã às livrarias portuguesas.

O Fantástico foi o género literário escolhido para fechar o ano editorial 2018 nos EUA e para abrir o de 2019 em Portugal, e logo com um ‘peso pesado’: O Garfo, a Bruxa e o Dragão – Histórias de Alagaësia, de Christopher Paolini que acaba de chegar às livrarias Norte-americanas e chega amanhã a Portugal! O regresso do autor de Eragon (2003), Eldest (2005), Brisingr (2008) e Herança (2011) vai certamente alegrar os leitores de todo o mundo: juntos, os quatro livros do Ciclo da Herança venderam mais de 25 milhões de exemplares em mais de 40 países. Foi preciso esperar quase 8 anos para que o autor nos desse um novo livro mas ele aí está…

Um viajante e uma criança amaldiçoada. Feitiços e Magia. E dragões, é claro…

“Já era noite quando Eragon regressou a si e a única iluminação do Salão das Cores provinha das candeias sem chama, penduradas nas paredes, e do brilho interno dos próprios Eldunarí. Sentou-se de olhos postos no chão, a recompor-se e a recuperar. Abriu-se-lhe um sorriso no rosto.”

Bem-vindos, novamente, ao mundo de Alagaësia. Já passou um ano desde que Eragon partiu em busca do lugar perfeito para treinar uma nova geração de Cavaleiros do Dragão. Agora, debate-se com as inúmeras tarefas que tem pela frente: construir a Fortaleza do Dragão, entender-se com os fornecedores, cuidar dos ovos de dragão e lidar com os aguerridos Urgals e os arrogantes elfos. Isto até ao momento em que uma visão dos Eldunarí, visitantes inesperados, e uma lenda Urgal trazem uma necessária distração e um novo desafio…. Neste volume – o primeiro de três – os leitores encontrarão três histórias originais que decorrem em Alagaësia, a par com o desenrolar da aventura de Eragon. E ainda um excerto das Memórias da inesquecível bruxa e adivinha Angela, a herbalista, escrito por Angela Paolini, irmã do autor e a mulher que serviu de inspiração à personagem!

A evolução da ficção especulativa em Portugal – uma perspectiva pessoal

Quem anda há mais décadas no meio fala de uma época longínquoa em que se traziam, com bastante regularidade, os autores mais importantes do género a Portugal. Fala, também, de uma quantidade absurda de livros publicados que englobava clássicos e novidades. Como exemplo desta época dourada, ficaram as extensas colecções de livros de bolso, Argonauta, Caminho ou Europa-América.

Pois bem, nessa época, eu não conhecia nada disso, pelo que não tenho uma perspectiva tão catastrófica quanto aos tempos actuais. O pico do género que conheço tinha alguma publicação regular (com as colecções Europa-América há 20 anos ou a da Presença). Mas foi há uns 15 anos que tive finalmente acesso regular à internet e me apercebi que existiam outros leitores dos géneros da ficção especulativa, ficção científica, fantasia e horror. Existiam, até, autores portugueses! E, espante-se, existiam novas editoras a publicar livros clássicos, a produzir antologias, e autores portugueses com boas obras que nada ficavam a dever às estrangeiras.

Falava-se de ficção científica e fantasia. Mas sobretudo em fórums (Filhos de Athena e Scifi freaks com os respectivos canais IRC) onde conheci algumas das pessoas que ainda hoje são referências no género. A Saída de Emergência estava a dar os primeiros passos, com livros como À Boleia pela Galáxia, Elric ou a Invenção de Leonardo de Paul McAuley. A Safaa Dib ainda não pertencia à editora mas organizava, com o Rogério Ribeiro, o Fórum Fantástico. Tanto a Gailivro, como a Editorial Presença publicavam, regularmente nos géneros da ficção especulativa, onde se destacavam vários autores portugueses (João Barreiros, Luís Filipe Silva, Filipe Faria, Ricardo Pinto, Sandra Carvalho, Inês Botelho). Existia, ainda, uma pequena editora que lançou poucos livros, em edições de pequena tiragem, mas de grande qualidade – A Livros de Areia.

Então, quais têm sido as grandes mudanças no género em Portugal  na publicação? Bem, a maioria destas grandes editoras quase que deixaram de publicar no género. Quer autores portugueses, quer autores estrangeiros. E quando o fazem raramente indicam o género a que os livros pertencem. Ficam-se pela etiqueta de ficção, e algumas descrições mais filosóficas sobre o conteúdo. A Saída de Emergência tem publicado bons livros, mas são escolhas mais conservadoras e menos arriscadas. Já as restantes, fugiram totalmente da ficção científica explícita, publicam alguma fantasia solta e quase nada de horror. Mais recentemente, a Topseller tem-se distinguido com boas leituras de autores menos conhecidos em Portugal e nem sempre ligados à indústria cinematográfica.

A publicação de autores portugueses tem sido feita, sobretudo, por pequenas editoras. Destacam-se as edições de autor, a Imaginauta e a Editorial Divergência. Existe, sobretudo nestas duas editoras, um esforço em publicar romances e contos em antologias, mas não existe nenhuma publicação regular em formato revista para além da Bang!. As fanzines praticamente desapareceram. Já a crítica literária de ficção especulativa é quase inexistente nos meios oficiais – a crítica centra-se sobretudo em livros políticos, obras sem grande componente narrativa, mais filosófica e introspectiva. Restam os blogues. Restam os comentários em grupos de facebook. O que não é mau, mas não é comparável em termos de exposição.

 

Então e os eventos?

Nesta componente acho que estamos a evoluir a passos largos. O Fórum Fantástico persiste, conseguindo melhorar a cada ano, e têm surgido outros eventos interessantes no género. O Sci-fi LX tem decorrido no IST. A Saída de Emergência tem organizado o seu próprio evento fantástico (com uma grande adesão de leitores), o Festival Bang!. Surgiu a Comic Con no Porto que passou este ano para Lisboa (com todos os seus defeitos e vantagens, mas é mais um meio para os que gostam do género). O Contacto organizou-se pela primeira vez o ano passado e promete regressar agora em 2019! Estes novos eventos não se centram apenas nos livros, mas também em todas as outras vertentes, com o intuito de juntar fãs e proporcionar bons momentos.

Prémios literários

Ainda que a publicação seja, sobretudo, em pequenas edições, existem alguns prémios para incentivar novos autores. Mesmo que não exista propriamente uma indústria onde possam crescer (pelo menos não comparável à que existe nos mercados anglosaxónico ou francófono). O Prémio Bang! organizado em parceria com a FNAC possibilita a publicação de contos na revista Bang!, o prémio António de Macedo possibilita a publicação de um livro pela Editorial Divergência (para além de conceder um prémio monetário) e o Prémio Ataegina premeia um conto, mas não confere, ainda, possibilidade de publicaçao. Também durante o Fórum Fantástico são atribuídos prémios para diversas categorias – os Prémios Adamastor. Lá fora, Rui Zink venceu o prémio Utopiales com uma distopia.

E a projecção dos autores portugueses para o estrangeiro?

Era baixa e continua a ser baixa. Entre 2001 e 2006 o Luís Rodrigues participou (e mais tarde assumiu) a publicação de Fantastic Metropolis e em 2007 João Barreiros teve um conto publicado numa antologia estrangeira em 2007 (The SFWA European Hall of Fame). Mais recentemente, Dormir com Lisboa de Fausta Cardoso Pereira venceu um prémio galego e foi publicado em Espanha, Mário de Seabra Coelho teve dois contos publicados em revistas anglosaxónicas e foi um conto deste autor que a Imaginauta escolheu para levar a uma convenção internacional para dar a conhecer algo do que se produz em Portugal.

Os próximos anos

Enquanto algumas iniciativas recuperam livros quase esquecidos de autores portugueses de ficção científica (como o Projecto Adamastor), planeia-se uma continuação dos eventos para os próximos anos (se bem que se denota que alguns irão, decerto, sofrer reestruturações). A Imaginauta e Editorial Divergência já prometeram que o próximo ano trará duas mãos cheias de novos livros de autores portugueses.

O que falta?

1. Uma crítica consistente que consiga chegar a novos leitores. Novos leitores trarão, sem dúvida, um maior investimento no género e a possibilidade de fazer crescer a qualidade e a quantidade de publicações. O Candeias tem feito um óptimo trabalho na agregação de comentários a livros de ficção especulativa, mas falta algo que faça chegar os livros a um público maior.

2. Publicações regulares sobre o género que informem e envolvam novos leitores. A Bang! é uma excelente revista, mas não pode continuar a ser a única. Por outro lado, a diversidade de editoras que publicam autores portugueses também é baixa e não favorece o surgir de novos autores (apesar dos esforços das pequenas editoras nacionais).

Notas finais – esta perspectiva baseia-se, sobretudo, nas pessoas que fazem parte do fandom, as que têm como interesse uma das vertentes da ficção especulativa. Ficam de fora as publicações por Vanity Press.