Resumo de leituras – Julho de 2018 (4)

120 – Love Star – Andri Snae Magnason – O que pretendia ser o paraíso tecnológico dos seres humanos, uma companhia fascinante e economicamente bem sucedida, facilmente se torna numa distopia controladora. Não que este controlo seja directo. Mas através da pressão social (sobre como encaixar melhor na sociedade e demonstrar ser bem sucedido) instigam-se as pessoas a consumir determinador produtos. Catastrófico e muito pouco amoroso, Love Star surpreendeu por ser tão corrosível;

121 – Afirma Pereira – Pierre-Henry Gomont – Não li o livro de Tabucchi. Infelizmente. Mas a adaptação permite absorver a história sem maiores introduções (apesar de deixar a curiosidade por ler o livro). A história passa-se durante o Estado Novo, em torno de um jornalista que se deixa corromper pelo ajudante revolucionário. Inicialmente preso nos seus hábitos, por desgosto e comodidade, o jornalista revolta-se e faz o pouco que pode pela revolução;

122 – Espero por ti na próxima tempestade – Robert Yves O género romance não é o meu tipo de leitura, mesmo quando possui alguns detalhes de surrealidade. Ainda assim, já conhecia o autor de outras andanças e gostei da história que teceu – uma história de encontros e desencontros, de simulações e dissimulações;

123 – One-punch man vol.3 – No terceiro volume este herói anti cliché regista-se oficialmente como herói. A componente interessante deste volume encontra-se na forma como contrasta com os restantes heróis, de posturas dramáticas e carregados de uma suposta importância, mas de capacidades que não se comparam às no One-Punch que dá cabo de qualquer monstro só com um murro.

Palestras no Sci-fi LX 2018

Este ano foram duas as palestras no Sci-fi LX, uma primeira sobre ficção científica portuguesa, e uma segunda, com João Barreiros, sobre Robots na Ficção Científica. Em ambas segui a regra de não referir o que não li, pelo que algumas exclusões terão sido unicamente por esta razão.

As naves na ficção científica portuguesa

Comecei por referir onde podemos encontrar as naves (dando destaque ao seu carácter inventivo e único) e passei depois para alguma ficção científica nacional digna de referência.

Aqui servi , sobretudo, de apoio ao João Barreiros, introduzindo o tema e falando de alguns exemplos que me parecem imprescindíveis.

Resumo de Leituras – Julho de 2018 (3)

116 – Harrow County Vol.4 – Cullen Bunn, Tyler Crook – Neste quarto volume Emmy descobre uma possível família, mas o preço a pagar pela aceitação é demasiado elevado! Eis mais um volume carregado de monstros e de possibilidade, mostrando as verdadeiras lealdades de Emmy;

117 – Que Deus te abandone – André Diniz – Neste pequeno livro mostra-se a revolta da população contra um vizinho bandido, um vizinho que ninguém irá ajudar quando a casa colapsa;

118 – Han Solo – Rui Lacas Com o típico estilo do autor, é uma história pela qual rapidamente se sente empatia, dada a elevada capacidade de transparecer emoções e reacções pelas expressões faciais e corporais;

119 – Ms Marvel Vol.1 – A nova heroína não tem as características físicas habituais. Não é alta, loira, nem de ascendência ocidental, nem tem a liberdade de movimentos de uma normal jovem americana. Enquanto cruza as usuais preocupações adolescentes com o choque cultural, este volume apresenta uma heroína que se preocupa com as consequências das batalhas monstruosas entre heróis e vilões.

Novidade: Mágicos de Mickey

Depois do lançamento de Fantomius, uma mini série com uma página maior e de melhor qualidade do que é habitual nas séries Disney, a Goody lança nova mini série! Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora, deste primeiro volume que está disponível nas bancas desde dia 12 de Julho:

Uma das mais belas sagas de Banda Desenhada da Disney é agora reeditada em Portugal, começando pelos primeiros volumes de Origens. Com argumento de Stefano Ambrosio e arte de Lorenzo Pastrovicchio, Marco Gervasio, Marco Palazzi, Marco Mazzarello e Alessandro Perina, Mágicos de Mickey: Origens Volume 1, conta a demanda de Mickey em tornar-se no maior Mago do Reino, contando para tal com o apoio de Pateta, Donald e de Fafnir – uma cria de dragão “adotada” pelo Donald. Mas a tarefa não se configura fácil, pois terá de reconquistar a confiança do seu mestre Nereus e levar a sua equipa a dominar o Grande Torneio de Bruxaria, de forma a salvar a sua aldeia de Ratolândia. Quem tem outros planos é o Bafo de Onça e sobretudo o Mancha Negra, o Senhor da Mentira, vilão que tem por objetivo conquistar a coroa de feiticeiro supremo para dominar o mundo.

Conteúdo

O GRANDE TORNEIO
O PÂNTANO DOS DÓLMENES
O SEGREDO DA GRANDE COROA
LUA DIAMANTE
O POÇO DOS DRAGÕES

Free Lance – Diogo Carvalho e Nimesh Morarji

Neste pequeno volume (disponível através da Convergência) encontramos duas divertidas aventuras de um cavaleiro típico das histórias de donzelas em perigo que são salvas de grandes monstros. Em ambos os casos o cavaleiro demonstra ser um oportunista, alguém que age de acordo com a expectativa de uma remuneração.

Se, na primeira história, é contratado para salvar uma princesa num castelo em que cada andar corresponde a um grupo de monstros para enfrentar, e o resultado é inesperado, na segunda acaba por salvar uma donzela mais porque até dá jeito do que por honra ou dever.

Ambas as histórias possuem resoluções caricatas, uma paródia às histórias fantásticas de cavaleiros e princesas, que se afastam bastante do ideal de pureza e honra das histórias tradicionais. Tratam-se de duas pequenas histórias divertidas onde os desenhos conseguem representar a acção necessária.

Resumo de Leituras – Julho de 2018 (2)

112 – Duas Luas – André Diniz  e Pablo Mayer – Uma história trágica de como os acontecimentos fazem vergar um homem, cedendo às circunstâncias do local onde vive para sobreviver e possibilitar a sobrevivência dos que gosta – como outros livros de André Diniz, possui uma excelente componente narrativa;

113 – Dylan Dog – Os Inquilinos Arcanos – O último livro da colecção Bonelli traz um conjunto diverso de aventuras de Dylan Dog, com prefácio de Filipe Melo, a pessoa que me pôs a pesquisar mais sobre a personagem. De realçar um sonho futurista que recorda um clássico da banda desenhada;

114 – No bosque do espelho – Alberto Manguel – Um conjunto de textos de Manguel onde fala sobre livros, mas também de aspectos políticos e sociais. Concordando ou não com todas as suas posições é uma leitura bastante interessante;

115 – Aqui mesmo – Forsest & Tardi –  uma leitura estranhamente movimentada, carregada de episódios extravagantes, onde o cómico anda de mão dada com o trágico e o inusitado – os elementos caricatos da personagem resultam de traumas que só mais tarde conhecemos, conferindo alguma loucura à história.

Eventos: Sci-fi LX 2018

Cartaz da autoria de Edgar Ascenção

A menos de uma semana do evento (gratuito) vou começar a divulgar algumas componentes já anunciadas para o próximo fim de semana no Instituto Superior Técnico!

Isaque Sanches vem falar da relação entre a construção de narrativas e os videojogos

António de Sousa Dias apresenta uma homenagem a um dos mais prolíficos cineastas e escritores do Fantástico português. Conheçam a obra e o percurso de António de Macedo (1931-2017).

Entre os workshops disponibilizados este ano (em que se podem inscrever aqui) encontra-se um de Impressão 3D (dado por Artur Coelho) de Crochet, Amigurimi, pintura de miniaturas, desenho manga, criação de marcadores, como escrever um conto apocalíptico (por Pedro Cipriano) e de escrita criativa em Como Matar Personagens (de Bruno Martins Soares e Pedro Cipriano).

Harrow County – Vol.4 – Laços de Família – Cullen Bunn, Tyler Crook

Em volumes anteriores já nos tinhamos apercebido que existiam outras entidades com fortes poderes – poderes que rivalizavam com os de Emmy. Neste quarto volume estas entidades apresentam-se finalmente – tratam-se de seres intemporais, cada um com capacidades específicas e poderes diferentes, que baniram Hester do seu grupo.

Sendo Hester a bruxa que viria a dar origem a Harrow County e a Emmy, o grupo tem vigiado a jovem e apresenta-se agora como uma espécie de família que se reúne, de tempos a tempos, numa casa sobrenatural fora do tempo e do espaço. A integração de Emmy pressupõe um preço demasiado caro, um preço com o qual não concorda mas quase é obrigada a pagar – o extermínio das pessoas de Harrow County!

Se, por um lado, Emmy sente uma certa familiaridade pelo local em que se encontram e algum fascínio por estas entidades, a sua vontade em acabar com Harrow County acorda o espírito protector de Emmy que acaba por se revoltar.

Carregado de monstros e de entidades de intuitos duvidosos, este quarto volume cimenta a realidade de Harrow County como sendo um local impregnado de magia, onde os espantalhos ganham vida para atormentar os habitantes, as bruxas proliferam e os monstros se escondem nas sombras. Populam os episódios de acção, mas sem deixar de lado algum espaço para a introspecção. A combinação rara para uma série de horror faz desta uma das melhores do género.

A série é publicada em Portugal pela G Floy.

Novidade: Novos contos Barbante

A Imaginauta anuncia dois novos títulos na colecção Barbante e uma estreia em inglês. Teremos, então, disponíveis no Sci-fi Lx  os contos: O Jogo da Carmo Cardoso e José Machado e O Farol Intergaláctico de João Pedro Oliveira. Verum é o conto escolhido para ser traduzido e divulgado na Eurocon 2018, onde estarão Rogério Ribeiro, Pedro Cipriano e Carlos Silva a representar Portugal. Verum é da autoria de Mário de Seabra Coelho, autor português já publicado em inglês na Strange Horizons.

Resumo – 2º trimestre de 2018

Se o primeiro trimestre já tinha começado bem, este segundo permitiu a consolidação das novas vertentes do Rascunhos, apesar dos contratempos pessoais (mudança de casa e novos projectos profissionais). As visualizações ultrapassaram as 26 000 mantendo a tendência do primeiro trimestre, e continuei com a nova vertente do Rascunhos na rádio (na Voz Online, onde falei sobre livros, sozinha e acompanhada, bem como de eventos como o Sci-fi LX – os programas encontram-se disponíveis também na Mixcloud). A componente de jogos de tabuleiro prosseguiu mais lentamente, mas estabeleci a minha primeira parceria de jogos (A Floresta Misteriosa).

EVENTOS

O evento que marcou este segundo trimestre foi definitivamente o Festival Contacto. Apesar de ter decorrido apenas numa tarde em Benfica (num local priveligiado, o Palácio Baldaya) forneceu grande momentos de diversão para todas as idades, com a Escape Room da Liga Steampunk, jogos de tabuleiro diversos, lançamentos de livros, lutas de sabres – entre outros. De destacar o espaço ao ar livre e a existência de um bar de apoio que permitiu a permanência no evento durante toda a tarde.

Este trimestre foi, também, a minha estreia no Lisboacon (sobre este evento falarei mais detalhadamente nos próximos dias). Trata-se de um evento focado exclusivamente em jogos, sobretudo em jogos de tabuleiro (tendo, também, RPG’s) onde se pode experimentar uma enorme diversidade de jogos e adquirir outros tantos a preço mais acessível do que é comum nas lojas. Outro evento que marcou o trimestre foi o breve retorno do Sustos às sextas (ao qual não pude comparecer).

Alguns dos jogos disponíveis no Lisboacon

Mas os últimos trimestres também prometem! Aproximam-se o Sci-fi LX e a Comic Con Portugal, e começaram a ser anunciadas algumas novidades para o último trimestre do ano – Fórum Fantástico e Festival Bang!

LIVROS E BANDA DESENHADA – Portugueses 

Com o mesmo número de leituras do trimestre passado (cerca de 60) destaco, de autoers portugueses, Comandante Serralves – Expansão, The Worst of Álvaro e Han Solo. O primeiro é uma continuação da primeira antologia Serralves, contendo contos Space Opera de vários autores num mesmo Universo. Esta antologia destaca-se pelos elementos portugueses na sua narrativa, desde o humor às expressões e alguns detalhes culturais das personagens.

 

 

 

 

 

 

 

 

The Worst of Álvaro apresenta as piores tiras de Álvaro, num  conjunto divertido que começa com uma paródia certeira às seitas religiosas que realizam espectáculos de diversão (e engodo) nas suas cerimónias. Han Solo de Rui Lacas destaca-se pela expressividade das personagens, criando uma história envolvente com poucas palavras.

LIVROS

 

 

 

 

 

 

 

Este ano tem sido marcado por bons lançamentos de ficção especulativa (não em grande quantidade, mas o que tem havido é de qualidade) e este trimestre li, sobretudo, as novidades publicadas no mercado português. A Cavalo de Ferro surpreendeu com o lançamento de um clássico de horror de Shirley Jackson, A Maldição de Hill House. Não sendo a melhor leitura desta autora, apresenta uma história claustrofóbica que nunca se afimar sobre a origem dos supostos detalhes sobrenaturais, deixando a possibilidade de várias interpretações para o autor.

Num tom bastante diferente, Os Humanos é um relato divertido de um alienígena que tem de se integrar como humano para limpar as pistas de uma importante descoberta científica. Proveniente de uma sociedade bastante diferente, onde os indivíduos são imortais e poderosos, a perspectiva do alienígena é, simultaneamente, perspicaz e cómica.

 

 

 

 

 

 

 

 

Tendo no título a palavra Love, Love Star corre o risco de ser incluído na secção de romance fofinho e cor de rosa (como já o vi). Não poderia ser uma classificação mais enganadora. Love Star apresenta uma sociedade onde a tecnologia se aliou à publicidade com a perspectiva de responder a todas as necessidades de consumo da população, apresentando produtos inovadores como a disposição de corpos humanos em foguetes para serem incinerados automaticamente quando entrem novamente na atmosfera. Trata-se de uma história interessante carregada de reviravoltas irónicas, carregadas de crítica social.

O Poder é outro dos grandes lançamentos deste ano. Bastante aclamado no estrangeiro, apresenta uma reviravolta no equilíbrio de poder nas sociedades humanas – e se as mulheres tivessem a capacidade de electrocutar? O poder surge sobretudo em situações de violência física e psicológica contra mulheres, resultante numa reviravolta interessante. Deste surgir por necessidade ao exercício de poder, a história apresenta novos equilíbrios e desequilíbrios.

 

 

 

 

 

 

 

 

Amatka é, também, um lançamento inesperado para o mercado português, contendo uma sociedade distópica onde os objectos têm de ser constantemente marcados para manterem a sua forma e funções. Quem teme a morte de Nnedi Okorafor não é uma leitura deste ano (li-o em inglês em 2015) mas é um grande lançamento em Portugal. Trata-se de um dos grandes exemplos de afrofuturismo que não teme tratar de temas como o controlo das mulheres através da castração ou como a luta entre populações através das violações que visam diluir o sangue dos vencidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Em inglês, destacou-se The Tangled Lands, um livro de fantasia pouco optimista em que o exercício de magia tem um preço muito elevado e onde o destino das personagens nunca é o programado, com contratempos e reviravoltas difíceis. Já The Martian in the Wood é um dos contos da TOR.com e centra-se num mundo pós Guerra dos Mundos de H. G. Wells, mostrando a vida dos que sobreviveram e como tentam lidar com o desaparecimento dos familiares – mas… nem todos os alienígenas conseguiram abandonar a Terra!

BANDA DESENHADA

A colecção Novela Gráfica ainda agora começou e já proporcionou duas das melhores leituras dos últimos meses, Os Guardiões do Louvre de Taniguchi e Aqui mesmo de Tardi. O primeiro centra-se no Louvre, enquanto museu e espaço que sofreu alterações, falando de alguns autores que influenciaram artistas japonses. Trata-se de um trabalho a cores que dá grande representação a algumas obras clássicas captando o seu próprio estilo. Não sendo dos trabalhos favoritos do autor em termos narrativos, fascina pelo grafismo.

Aqui mesmo (que ainda não tive oportunidade de comentar detalhadamente) é um trabalho excelente que pode ter interpretações políticas (ainda que o autor, na sua introdução descarte grande parte delas), centrando-se numa personagem demasiado agarrada ao passado, traumatizada com as guerras entre famílias e por isso, decidida a manter a sua posição desconfortável, nem que para isso deixe de ter vida própria.

Não tendo lido o romance original no qual se baseia, Afirma Pereira é um fascinante retrato da sociedade portuguesa antes do 25 de Abril mostrando como se exercia influência, poder e medo sobre a população e, neste caso, sobre a classe jornalística portuguesa.

Outra das colecções lançadas pela Levoir foi a colecção Bonelli em que se lançaram álbuns representativos das colecções italianas da editora Bonelli. Em geral são álbuns que dão especial destaque à narrativa, bastante movimentados e centrados em heróis peculiares. Dragonero foi dos meus favoritos contendo referências às mais clássicas séries de Fantasia. Já este volume de Dylan Dog, Os Inquilinos Arcanos, destaca-se pela introdução de Filipe Melo e contém uma diversidade interessante das histórias deste herói com um grafismo competente onde não se podem esquecer os efeitos sobrenaturais e fantásticos.

Próximos tempos? Espera-me o Sci-fi LX, com duas palestras, uma sobre ficção especulativa nacional e outra sobre robots (com João Barreiros), muitos livros e muitos jogos de tabuleiro!

Resumo de Leituras – Junho de 2018 (2)

104 – Terra 2.7 – MAF – Ainda que o tema seja interessante (os seres humanos tentam colonizar um novo planeta mas são travados nas suas ambições de conquista), os desenhos são demasiado estáticos e os diálogos estereotipados não soam naturais, pelo que o conjunto não me cativou.

105 – Prazeres estivais – Vilhena – Um livro ao estilo de Vilhena, onde o autor expõe as canalhices dos humanos;

106 – The Tangled Lands – Paolo Bacigalupi e Tobias S. Buckell – O livro é composto por quatro histórias no mesmo Universo, sendo que duas tinha já lido porque tinham sido publicadas em volumes independentes. Neste mundo a magia tem um preço – alimenta uma erva daninha cujo contacto com os seres humanos é perigoso. Cidade após cidade os humanos ficam sem espaço e refugiam-se nos poucos locais a salvo. Neste mundo não há heróis absolutos nem vitórias extremas – tratam-se de histórias bem equilibradas;

107 – Os Guardiões do Louvre – Taniguchi – A colecção novela gráfica deste ano abriu com um livro de Taniguchi, a cores, onde o autor explora o Louvre enquanto espaço e enquanto museu, falando sobre artistas e sobre a forma como as obras sobreviveram às invasões nazis. Visualmente excelente.

Novidade: O Rio do Sonho – Joanne Harris

Quem me conhece (ou segue este blogue) já deve ter percebido que o género Romance não se enquadra muito nos meus gostos. Uma das poucas excepções são alguns dos livros de Joanne Harris (mais do que o filme baseado no livro, como seria de esperar) onde consegue cruzar algum realismo mágico e apresentar personagens em contextos românticos sem a pesada tragicidade de algumas obras típicas do género.

Realço, por exemplo, Gentleman and players (em português lançado como Cheque ao Rei) em que a autora apresenta uma trama interessante, centrando-se no assassino , sem nunca revelar o seu género, faceta que é mais possível desenvolver na língua inglesa do que na portuguesa.

Ao mercado português chegou mais um dos livros de Joanne Harris, neste caso centrado no deus nórdico mais dúbio – Loki! O livro tem lançamento marcado pela Asa para Julho:

Asgard caiu. Os deuses nórdicos foram derrotados e estão agora confinados ao tormento eterno da Terra dos Mortos. Mas o maquiavélico Loki não se conforma. Está determinado a fugir. E, um dia, encontra uma saída. Pois os deuses não morrem enquanto forem lembrados e, ao perceber que a Humanidade ainda sonha com eles, Loki encontra nas suas fantasias uma maneira de regressar à Terra… dentro da mente de uma jovem adolescente. Jumps tem 17 anos, é rebelde e inquieta… e não fica nada satisfeita com a intromissão, principalmente porque o seu deus de eleição é Thor. Mas também os seus melhores amigos são tomados pelos deuses, que, um a um, estão a conseguir escapar. Thor, Odin e muitos outros… Loki não antecipou tal movimentação. E tão-pouco está preparado para enfrentar a determinação de Jumps… ou o plano de Odin, que quer restituir o domínio dos deuses. Claro que, com Loki à mistura, o caos é total…

 

Dylan Dog – Os Inquilinos Arcanos

Este volume fecha com chave de ouro uma colecção de autores e heróis praticamente inéditos em Portugal. Tex não era inédito e no caso de Dylan Dog tínhamos já tido a publicação de um magnífico volume fora da colecção Bonelli, na colecção Novela Gráfica, publicada pela Levoir. E porquê com chave de ouro?

Comecei a sentir verdadeira curiosidade por Dylan Dog com Dellamorte Dellamore, filme que conheci numa das sessões de culto de Filipe Melo, inspirado na banda desenhada. Antes disso, já tinha visto alguns comentários sobre a banda desenhada (sobretudo pelo Artur Coelho) mas o que me fez ganhar interesse foi, não só a temática, mas a forma como é abordada, no limite do absurdo sem perder o romantismo.  E ao ver o filme vi uma série de referências espalhadas na ficção a Dylan Dog!

De uma forma bastante mais fascinante, este volume abre com Filipe Melo a referir como o herói influenciou a sua entrada no cinema e na banda desenhada, levando-o a criar I’ll see you in my dreams e Dog Mendonça, dois projectos que começaram por ter sucesso nacional e se estenderam ao sucesso internacional. Trata-se de um relato apaixonante de Filipe Melo, uma espécie de pequena homenagem a Dylan Dog.

Tal introdução dá especial enquadramento a este volume que nos apresenta três histórias. A primeira, mais longa, Os Inquilinos Arcanos, apresenta uma série de episódios estranhos que ocorrem num edifício. No primeiro episódio um apartamento encontra-se assombrado e Dylan Dog é chamado a investigar a veracidade da assombração. Trata-se de um episódio com detalhes irónicos que nos dá a conhecer parte da vizinhança do edifício.

Entre inquilinos cujo apartamento desaparece e parte de um edificío que permanence vigilante após a demoliação, Os Inquilinos Arcanos possui um enredo interessante e divertido, tocando no sobrenatural não sob a forma de horror, mas entre o fascínio e o misterioso.

A história seguinte recordou-me o clássico Eternauta. Em O grande nevão Dylan Dog conhece os próximos acontecimentos – uma catástrofe que irá ser perigosa para a maioria da espécie humana, uma série de monstros que atacam os sobreviventes, seguida de uma vaga de zombies. De final dúbio trata-se de uma história movimentada e de narrativa circular que deixa a personagem convencida de ter descoberto o seu mistério. Visual e narrativamente, esta tornou-se a história preferida do conjunto.

Em Dançando com um desconhecido Dylan Dog investiga os acontecimentos estranhos numa escola, acontecimentos que o levam por um rumo imprevisível e a um final redentor.

As histórias contidas neste volume apresentam visuais bastante diferentes, mostrando a diversidade que é possível para uma série como esta onde participam vários narradores e vários desenhadores. A personagem continua o galã do costume, envolvendo-se com algumas das raparigas que se lhe apresentam, mas não daquela forma excessivamente prepotente que caracteriza alguns heróis bidimensionais.

O resultado não é um volume profundo que dê lugar a questionamentos filosóficos, mas histórias engraçadas e movimentadas, que distraem o leitor por caminhos inusitados e imprevistos, acompanhadas por desenhos agradáveis e competentes para o final a que se destinam.

Este volume é o último da Colecção Bonelli, publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Novidade: X-men Série 1 – Vol.7

Chegou, no dia 15 de Junho, às banca, novo volume da colecção  X-men! Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

IMPÉRIO SECRETO CHEGA AOS MUTANTES

O impacto de ter um agente infiltrado da Hidra aos comandos da S.H.I.E.L.D., e a decidir os destinos dos Estados Unidos, está a atingir a comunidade mutante como seria de esperar. Steve Rogers, através de um regime totalitário e impiedoso, colocou já os Inumanos em centros de detenção espalhados pelo país e negociou com Emma Frost (que tenta evitar a todo o custo ter o mesmo destino dos Inumanos) a criação de uma nova nação soberana para todos os mutantes – Nova Tian. Steve Rogers quer sobretudo ganhar tempo e não abrir demasiadas frentes de batalha nesta altura, mas os planos da Hidra para Nova Tian estão longe de ser pacíficos… restando agora saber qual será a resposta dos Heróis mutantes a tudo o que se está a passar com este Capitão América.

 

Novidade: Dylan Dog – Os inquilinos arcanos – Colecção Bonelli

A colecção Bonelli termina com mais um volume de Dylan Dog! Eis a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Os Inquilinos Arcanos, história dividida em três partes aparentemente diferentes, mas que têm um denominador comum: um olho, que perscruta os personagens e entra no leitor. Histórias de uma intensidade incrível como só Sclavi poderia fazer. Publicada originalmente na revista Comic Art, tem argumento de Tiziano Sclavi (criador da série), Mignaco e Baraldi, com desenhos de Roi, Breccia e Manara. Nesta aventura, Dylan Dog investiga os estranhos fenómenos que afectam um edifício em Londres, assombrado por presenças inquietantes.

Em A Grande Nevada, depois de despertar de um horrível pesadelo em que Londres sofria um  ataque de zombies no meio dum estranho nevão, Dylan Dog descobre que o que havia sonhado está a ponto de se tornar realidade… Uma história imperdível, que tem argumento de Luigi Mignaco e desenhos do lendário desenhador argentino Enrique Breccia, um dos ilustradores de A Vida de Che, editado pela Levoir em Outubro de 2017.

Finalmente, em Bailando com um Desconhecido, Nives Manara, a irmã do mestre do erotismo, Milo Manara, ilustra uma história de fantasmas escrita por Barbara Baraldi.

 

 

 

Bestiário Fantástico – Jean Ray

Eis um autor de terror sobejamente falado nas sessões de Sustos às sextas, um dos grandes eventos do género em Portugal. Apesar da sua notoriedade em vários países europeus, não é um autor muito publicado em Portugal, e os livros que se encontram em português só se podem encontrar em alfarrabistas – como este Bestiário Fantástico que adquiri recentemente na Feira do Livro.

Bestiário Fantástico é um pequeno volume que nos traz histórias em torno de criaturas fantásticas – algumas não fantásticas apenas enquanto excepcionais, outras autênticos monstros ou simples curiosidades. Temos cães valorosos, abandonados à sua sorte que procuram companhia e brincadeira, tritões e monstros marinhos.

Se algumas histórias são longas e envolventes, outras são curtas pretendendo narrar rapidamente os factos (ou a lenda) pela qual se defende a existência de determinada criatura. Outras há que narram eventos estranhos em torno de uma criatura, ave ou aranha, enquanto outras, ainda, envolvem animais normalíssimos confrontados com estranhos seres humanos.

O conjunto é, apesar de heterogéneo, interessante e de tom pausado, enquadrando-se naquele género de terror que não resvala para o gore ou a carnificina.

Deiciders – Issue 1 – P. Mendes, A. Mateus, P. Caetano e R. Bielak

Existe uma nova plataforma de distribuição para pequenas editoras que pode ser usadas por pontos de venda ou particulares – trata-se da Convergência, um projecto de Pedro Cipriano, o editor da Editorial Divergência. Entre os livros disponíveis na Convergência encontramos, claro, os da editora, mas também muitas outras publicações de autores nacionais que dificilmente se encontram noutros lados, entre elas, este Deiciders.

Trata-se do primeiro número de uma série que decorre entre os povos do Norte da Europa onde se conta parte de uma aventura envolvendo as entidades divinas típicas destes povos. Um pequeno grupo de guerreiros enfrenta uma entidade feroz, tendo como objectivo recuperar a filha de um deles.

A história, em inglês, é curta mas coerente, contada por um mendigo que assim paga uma esmola. Apesar deste mecanismo para contar a história o fulcral são os episódios de acção movimentada, destacando-se o aspecto visual da banda desenhada e a qualidade de impressão.

Novidade: Harrow County Vol.4

Uma das melhores séries de banda desenhada de terror publicadas nos últimos tempos é Harrow County. De ambiente rural, centra-se nas bruxas que se encontram no interior, bruxas que cuidam das povoações mas que possuem, também, uma influência perigosa sobre o ambiente e alguns monstros. A série tem sido lançada em Portugal pela G Floy.

Emmy acredita que é única, que não há mais ninguém no mundo com as suas… potencialidades. Mas, quando começam a chegar uma série de estranhos a Harrow County, vai descobrir que estava muito enganada. Mas serão todos estes seres que surgiram de repente, cada um deles dono de estranhas e assustadoras habilidades sobrenaturais… da família dela?

The Tangled Lands – Paolo Bacigalupi e Tobias S. Buckell

Este volume tem a particularidade de reunir quatro histórias de dois autores (duas histórias de cada autor) que decorrem numa mesma realidade. As histórias são coerentes entre si, apresentando perspectivas diferentes que se complementam. O resultado é interessante, mostrando um mundo onde uma premissa simples permite demonstrar o pior lado da espécie humana.

Na realidade aqui descrita o preço a pagar pela utilização da magia é demasiado elevado – cada vez que se faz um feitiço alimenta-se uma perigosa erva daninha, uma erva capaz de crescer em todo o lado e que envenena os seres humanos, deixando-os num sono interminável. Esta praga asfixia as cidades que, com o seu uso recorrente da magia, vão caindo, uma a uma. Surgem os refugiados e os bárbaros que têm como objectivo eliminar os que praticam a magia.

Se, nalguns lados, se tenta opor o crescimento da erva com mais feitiços, aqui a história começa por nos apresentar um alquimista, um homem que tenta recorrer às reacções químicas para matar a erva. Investindo todo o seu dinheiro nesta tentativa e passando da riqueza à pobreza, o homem descobre finalmente uma form.. Mas ao contrário do que pensa, o novo mecanismo não será usado para o fim com que o construíu, mas para ajudar a impor uma dura ditadura em que todos os cidadãos que realizam magia apresenta aura azul e acabam nas mãos do carrasco. Quem controla a cidade arranja, assim, uma forma de ser o único autorizado a usar a magia.

A segunda história centra-se no carrasco. Ou melhor, na filha do carrasco que é obrigada pelo pai a ir em seu lugar no seguimento de uma longa doença. A primeira vez que desempenha estas funções não corre pelo melhor, não só por não conseguir dar um golpe limpo, mas porque quando regressa encontra a casa encontra-se pilhada, o marido morto e os filhos raptados por bárbaros. Desesperada persegue-os e com o seu machado consegue surpreender um dos que ficou para trás, mas acaba por se envenenar com a erva maldita e sucumbir. Recolhida por uma caravana de mercadores, a executadora cria, com a sua coragem em enfrentar um dos bárbaros uma lenda que irá originar uma revolução contra os bárbaros.

Na terceira história deste conjunto encontramos um rapaz refugiado de uma cidade caída, um rapaz que deixou de ser um nobre rico e passou a exercer, com a irmã, a pior profissão da cidade: apanhar as sementes da praga que tudo consome, correndo o risco de desaparecerem num sono profundo. Quem se descuida é a irmã que se deixa picar vezes suficientes. O rapaz bem tenta proteger o seu corpo, mas não havendo remédio para a maleita, a irmã passou a ser mais um corpo inútil, um corpo que pode ser usado por outros para fins obscuros.

Na quarta e última história conhecemos uma família de ferreiros que se vê na miséria. Tendo aceite fazer uma armadura para o filho de um nobre, não possuem dinheiro suficiente para terminá-la. Tendo o nobre dado um pequeno adiantamento persegue-os e pressiona-os, com o intuito de lhes extorquir uma boa armadura por bom preço.

As histórias deste conjunto coeso são, sobretudo, de pouca esperança. A realidade onde decorrem está em colapso, com os seres humanos a deixarem cair cidade após cidade. As consequências de tal progressão da praga fazem-se sentir em todas as facetas da sociedade e resultam num aproveitamento pelos mais fortes e ricos, que utilizam a situação limite para concretizarem as suas ambições.

De realçar que, nestes livros, encontramos heroínas fortes – mas nem por isso esperem impossíveis. A filha do carrasco torna-se uma lutadora mas, dada a sua pouca prática no manejo de armas não é invencível nem consegue destruir exércitos inteiros, apesar da fama que a precede. Já a filha do ferreiro é uma mulher forte e capaz de fazer frente a soldados, mas nem ela é capaz de impedir aqueles que detêm maior poder.

A realidade aqui expressa é dura mas verosímel e apesar de termos alguns actos heróicos, numa sociedade de estrutura medieval o poder cabe sobretudo a homens que olham apenas pelos seus próprios interesses, manipulando e maltratando aqueles que podem. Existem algumas episódios em que o herói consegue aquilo que pretende, mas nunca tudo – se, por um lado, tem sucesso na sua empreitada, por outro, não irá sair incólume do episódio que não pediu que ocorresse.

O conjunto é bastante agradável e coeso (apesar de escrito por dois autores diferentes) e as histórias destacam-se por, apesar de pertencerem ao género de fantasia, serem balanceadas, com circunstâncias duras apesar da utilização da magia.

Novidade: Colecção Novela Gráfica 2018

A Levoir já revelou a totalidade dos livros (e das capas) que compõem a próxima colecção de Novela Gráfica que começou hoje! Realço que as edições anteriores foram marcadas pela publicação de excelentes histórias inéditas no mercado português a preço acessível e, decerto, que esta não será excepção.

Entre os autores publicados destacam-se os já conhecidos Taniguchi, Cosey, Tardi ou Paco Roca, bem como um candidato aos prémios Eisner 2018, O Fantasma de Gaudí, um livro que li recentemente em espanhol e que traduz bem a beleza arquitectónica de Barcelona em que se destacam, claro, os edifícios de Gaudí.

Deixo-vos a listagem dos títulos, bem como a respectiva data de lançamento:

  1. Os Guardiões do Louvre – Jiro Taniguchi 6 de Junho
  2. Aqui Mesmo – Jean-Claude Forest e Tardi-13 de Junho
  3. O Fantasma de Gaudí – Jesús Alonso Iglesias e El Torres-20 de Junho
  4. Calipso – Cosey-27 de Junho
  5. O Farol e O Jogo Lúgubre – Paco Roca-4 de Julho
  6. Uma irmã – Bastien Vivès-11 de Julho
  7. Destemidas – Pénélope Bagieu-18 de Julho
  8. Tatuagem – Hernán Migoya e Bartolomé Seguí, adaptação do romance de Manuel Vázquez Montalbán-25 de Julho
  9. Gente de Dublin – Alfonso Zapico, biografia de James Joyce-1 de Agosto
  10. O Jogador de Xadrez – David Sala- 8 de Agosto
  11. O Último recreio – Carlos Trillo e Horacio Altuna-15 de Agosto
  12. Novembro – Sebastià Cabot- 22 de Agosto