Exposição: O Elixir da Juventude

Encontra-se, na Bedeteca da Amadora, a partir de hoje, a exposição O Elixir da Eterna Juventude. A exposição será inaugurada pelas 17h00 e decorrerá até dia 27 de Maio. Para quem não conhece, este foi um dos grandes lançamentos de banda desenhada portuguesa no ano de 2017, uma obra que aproveita a música de Sérgio Godinho para tecer uma divertida e mirabolante história.

Mais informações sobre a exposição

Mais informações sobre a obra O Elixir da Eterna Juventude

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Evento: Jantar Devoradores de Livros – Luís Corredoura

O próximo jantar de devoradores de livros já tem convidado e data! Luís Corredoura é o convidado! Recordo que o autor foi o premiado com o Grande prémio Adamastor de Literatura Fantástica de 2014. O prémio foi atribuído durante o Fórum Fantástico e visou distinguir Nome de Código Portograal. O evento está marcado para dia 22 e começa com uma conversa na Tigre de Papel!

 

Sandman Vol. 9 – As Benevolentes 1

Ainda faltam mais dois volumes de Sandman para terminar a série, mas neste volume 9 a tragicidade é palpável, bem como o peso de milénios nos ombros de Sonho. Pesa, sobre ele, a morte do filho, bem como os vários relacionamentos amorosos (frustrados que teve). Sonho revela-se quase apático ao que vai ocorrendo em seu torno e são vários os indícios de que estaremos a chegar ao final de uma época.

Uma mãe pede vingança pelo filho desaparecido. Caindo na demência por conta do desaparecimento (e consequente morte sem que se conheçam as circunstâncias) acabará por pedir ajuda às Benevolentes (ou Fúrias, como não gostam de ser chamadas) que, lentamente, se encarregam de tecer as circunstâncias para que seja feita justiça.

Por sua vez, no reino de Sonho nota-se que está cada vez mais ausente, pouco preocupado com quem habita o seu reino. Ausente, fechado sobre si próprio, Sonho mostra-se neste volume como uma personagem cansada e distante, questionando os acontecimentos recentes e exercendo pouca autoridade.

Visualmente este volume remete para a loucura, mostrando a mãe demente envolta em cores alucinantes e cores exageradas. Por sua vez, os episódios com Sonho são soturnos, mostrando uma perspectiva ainda mais sombria do que é habitual.

A série Sandman foi publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Resumo de leituras – Fevereiro de 2018 (4)

27 – Thor – Os últimos dias de Midgard – Vários – Nem os super-heróis, nem os deuses conseguem travar os esforços de uma multinacional para fazer dinheiro à custa da Terra. Entre advogados e processos judiciais, todas as acções de Thor parecem piorar ainda mais a situação;

28 – O imortal punho de ferro – Brubaker, Fraction e Aja – Herói não registado, como manda a lei, Punho de ferro esconde a sua identidade por baixo de um milionário. Mas quando as suas empresas são alvo de uma compra agressiva resolve-se a explorar os escritórios da empresa rival e o que encontra são tudo menos secretárias e telefones;

29 – Corto Maltese – As célticas vol.1 –  Hugo Pratt – Corto Maltese passa na Europa e vai encontrando cenários de Guerra nos quais se envolve, sempre contra os alemães. Entre jogos de espionagem há grandes tesouros para ser recuperados e Corto Maltese é um dos principais interessados, usando o cenário para obter o que pretende;

30 – Ciudad – Giménez, Barreiro – Na esquina de uma cidade conhecida escondem-se caminhos para uma enorme cidade fantástica onde se encontram personagens ficcionais e míticas, cenários de ficção científica, visões do passado e do futuro, sem faltar seitas canibais e grupos armados que atacam todos os que encontram. Visualmente tem momentos excelentes.

Dormir com Lisboa – Fausta Cardoso Pereira

O prémio Antón Risco pretende distinguir obras de literatura fantástica, concedendo-lhes um prémio monetário e a publicação através da editora galega Urco. A primeira edição deste prémio foi realizada em 2015 e a segunda foi ganha por esta obra, Dormir com Lisboa.

Num dia, sem qualquer aviso ou razão, a cidade de Lisboa começa a engolir pessoas. Apenas algumas. Pontualmente. Abrem-se burados no chão que duram o suficiente para fazer desaparecer alguém, mas não mais do que isso. Nada parece unir os alvos de Lisboa. Os locais em que desaparecem são diversos, as idades e costumes também. Alguns moram na cidade, outros apenas lá trabalham, outros, ainda, estão apenas de passagem.

Instala-se o pânico. Que fenômeno estará por detrás dos desaparecimentos? E quem? Reúne-se um grupo de emergência composto por diversas entidades – ministros e presidente da câmara, general e cientistas. Cada um tem a sua própria visão dos acontecimentos e cada um tem ideias muito diferentes de como controlar a situação.

A investigação policial parece não descobrir muito, para além dos factos. Nem motivos, nem causas. Antes de cada desaparecimento ouve-se um estrondo. De seguida, abre-se um buraco e a pessoa desaparece. Alguns não deixam quem dê por falta deles, mas são dados como desaparecidos por quem viu a ocorrência.

Tecendo um fenômeno na cidade, a autora transforma Lisboa na personagem principal, uma personagem presente mas silenciosa que se expressa de formas nem sempre perceptíveis pelos seus habitantes. Cada pessoa tem a sua própria visão da cidade, vendo-a como uma mulher misteriosa que pode fugir facilmente ao poder de um político ou como uma velhota de múltiplos retalhos.

Dormir com Lisboa explora a pluralidade da cidade – a diversidade dos habitantes e dos locais, uma cidade que foi construído ao longo de séculos e que possui restos de todas as suas fases. Não é uma cidade homogénea, mas uma cidade que abriga diferentes habitats, de amores e humores, com locais de lazer e introspecção e com locais frios de passagem apressada.

 

Dormir com Lisboa foi publicado pela Urco Editora.

Mil tormentas – Tony Sandoval

Mil Tormentas é uma história de auto descoberta – com o atingir da maturidade física a personagem envolve-se inocentemente com elementos sobrenaturais, enquanto é acusada de bruxarias pelos rapazes da aldeia onde vive. Das suas origens pouco desconhece, até porque a mãe faleceu há muito e o pai encontra-se ausente.

Lisa é uma rapariga peculiar que gosta de deambular pelo campo e apanhar pequenos objectos que encontra – ossos e dentes de forma pouco usual ou pedrinhas estranhas. Em casa da madrinha a rotina é rígida, mas Lisa escapa-se mostrando as boas notas que costuma ter, para desagrado do filho da madrinha, um rapaz que não gosta de Lisa e vê tudo o que esta faz com maus olhos.

O crescimento de Lisa não passa despercebido a alguns rapazes da vizinhança que passam a olhá-la de outra forma e a demonstrar um maior interesse pela sua companhia. Lisa interessa-se, também, por um desses rapazes, mas os encontros entre ambos não vão levá-los onde pretendem.

Cruzando elementos sobrenaturais com monstros a invadir esta realidade e Lisa a deter um papel determinante nesta invasão, Mil Tormentas distingue-se pelo aspecto visual caricato que coloca personagens de aspecto inocente em episódios de puro terror.

Visualmente semelhante a outras obras do autor, Mil Tormentas tem elementos interessantes, mas a história é bastante simples, centrando-se mais no despertar da adolescência do que na origem dos elementos sobrenaturais. Tal foco faz com que a invasão monstruosa pareça de dimensão pouco equilibrada quando se consideram as restantes manifestações sobrenaturais, bastante contidas, algumas dúbias.

Mil tormentas foi publicado em Portugal pela Kingpin Books.

Outros livros do autor

 

Novidade: O Legado de Júpiter Vol.1

O volume já anda nas bancas e constitui um dos muitos volumes de Mark Millar que a editora G Floy planeia lançar em Portugal (ainda em Fevereiro será lançado Imperatriz). Sobre este volume deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Chloe e Brandon são filhos dos maiores heróis e vilões deste mundo. Mas será que estão à altura do seu legado?

Em 1932, a busca por uma misteriosa fonte de energia e poder leva Sheldon Sampson,bem como o seu irmão Walter e um pequeno grupo de companheiros, numa viagem arriscada a uma estranha ilha perdida. Décadas mais tarde, Sheldon e Walter tornaram-se em super-heróis celebrados por todo o mundo. Mas uma nova geração de super-humanostem de seguir os seus passos, e a missão anuncia-se difícil… sobretudo quando dois lados da família iniciam uma luta terrível pelo poder. Quanto tempo poderá o mundo sobreviver a uma guerra entre seres super-poderosos?

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2018 (3)

 

23 – Ministry of Space – Ellis, Weston e Martin – Visualmente fabuloso, decorre numa realidade alternativa onde a corrida do espaço é vencida pelo Reino Unido graças  a uma reviravolta na obtenção dos segredos militares dos alemães. A partir daqui assistimos à construção de um novo Império, concretização das aspirações superiores dos ingleses;

24 – O ateneu – Quintanilha – De visual bastante diferente do usual no autor, adapta um romance brasileiro que se centra num rapaz que larga as saias da mãe para integrar um colégio interno que tem todos os filhos da elite brasileira. Não esperem amizades e companheirismo, à semelhança dos adultos que espelham, são jovens carregados de vícios que tecem jogos de influências e poder para concretizar as suas intenções;

25 – Torpedo 1936 Vol.1 – Abulí, Bernet – O assassino a soldo concretiza os seus planos de forma dura e vai aproveitando as oportunidades que se lhe apresentam para ganhar mais algum dinheiro. Os seus esquemas nem sempre funcionam, e por vezes altera os seus planos para ganhar momentos de menor remuneração imediata;

26 – Dormir com Lisboa – Fausta Cardoso Pereira – Vencedor do prémio Antón Risco, o livro da autora portuguesa foi publicado numa editora Galega e apresenta-nos as várias facetas de Lisboa numa história de detalhes fantásticos onde alguns trauseuntes vão desaparecendo sem deixar rasto, iniciando-se, assim, uma crise nacional pela busca e necessidade de explicação do fenómeno.

Novidade: Assassin’s Creed em banda desenhada

Para além de Pantera Negra, a Goody lança esta semana uma nova série mensal que não pertence à Marvel – Assassin’s Creed! Trata-se de uma pequena série de três volumes, e o primeiro volume já anda nas bancas desde dia 07 de Fevereiro. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

QUANDO TUDO PARECE PERDIDO, O CREDO PERSISTE.

A vida banal de Charlotte De La Cruz é virada do avesso quando esta é catapultada para o mundo obscuro da Irmandade dos Assassinos.

Juntando-se a eles numa disputa milenar contra a Ordem dos Templários, Charlotte é introduzida aos rituais da Irmandade à medida que entra nas memórias genéticas do seu antepassado assassino, Tom Stoddard.

Ao procurar desesperadamente por uma pista que possa salvar vidas, Charlotte testemunha em primeira mão o pânico e a histeria dos aterradores Julgamentos das Bruxas de Salem!

 

 

Ciudad – Giménez , Barreiro

O conhecer ambos os autores de outras obras foi o factor decisivo para a aquisição. De Ricardo Barreiro foi publicado Parque Chas na colecção  Novela Gráfica, e de Giménez é de realçar a participação na saga Metabarão. Com algumas semelhanças a Parque Chas, Ciudad centra-se numa cidade sem tempo, uma espécie de buraco negro onde vão parar habittantes de todos os tempos e lugares – imensa e diversa, uma cidade sem fim nem saída.

Depois de uma saída nocturna com a namorada, Jean separa-se saturado e resolve ir para casa a pé, sozinho. A meio do curto percurso encontra uma rua que desconhece existir no bairro onde vive. A partir daqui o caminho revela-se muito mais longo do que seria de esperar e é, com espanto que se vê alvo de metralhadoras na ruela em que está perdido. Salva-o uma mulher destemida, Karen

Tentando antecipar uma retaliação pela luta disputada anteirormente, a dupla constituída por Jean e Karen, parte num carro. Infelizmente, não partem a tempo. A partida é marcada por uma perseguição de desfecho violento em que Jean dispara, pela primeira vez, contra alguém. Escapam fisicamente ilesos mas encontram-se numa parecela desconhecida da cidade na qual deambulam sem encontra outras pessoas ou comida por longos dias.

A descoberta que os irá salvar é a de um supermercado enorme e automático, bem fornecido em todos os items de que poderiam necessitar. Desde comida a armas, tudo se encontra, reposto automaticamente por robots. Os problemas começam para ambos quando tentam sair do supermercado sem pagar – activam-se sistemas de defesa que decretam, logo, uma sentença pesada à dupla. Aqui são salvos por alguém que tenta, há muito, destruir o supermercado, mas sem sucesso. Tal como as fábricas de Philip K. Dick este supermercado recupera-se e mantém o funcionamento, mesmo sem clientes que desejem utilizá-lo, cumprindo o dever para o qual foi construído.

O restante caminho pela cidade vai ser feito de maravilhas e pesadelos de elementos fantásticos e de ficção científica, alternando eventos inexplicáveis com máquinas elaboradas. Encontram homens há muito perdidos que já perderam as esperanças de fugir da cidade e se deixam enrolar numa série de eventos cíclicos, e monstros dos clássicos de horror que aqui se tornam heróis. Dentro da grande cidade há cidades ordeiras de pessoas que cedem a liberdade a troco de uma comunidade e seitas caninais que recebem bem as futuras refeições.

Tal como Parque Chas, Ciudad apresenta uma cidade ficcional dentro da cidade real, uma cidade maior e mais complexa com múltiplas portas de entrada. Mas se em Parque Chas as deambulações na cidade alternativa são curtas, aqui prolongam-se pela eternidade, constituindo um local sem fim, repleto de absurdos monstruosos e locais ordeiros.

A cidade não é contínua, nem no espaço, nem no tempo, e a dupla experimenta o passado e o futuro, ambos traumatizantes, não percebendo as diferenças na duração da noite e do dia entre as diferentes partes da cidade. Se chove excessivamente numa parte da cidade causando uma inundação, no momento seguinte pode-se experimentar uma seca intensa que leva os viajantes a duvidar da sanidade. Cruzando outras ficções com esta narrativa (não só pela apresentação de monstros, como pelo surgir da figura Eternauta, e por referências indirectas a outras obras) Ciudad funde vários elementos para se transformar numa longa e rica viagem.

Outras obras dos autores

 

Novidade: Harrow County Vol.3

Chega às bancas portuguesas o terceiro volume de Harrow County, uma das melhores (a melhor, para mim) séries de banda desenhada de terror em curso! Depois de um primeiro volume brutal e de um segundo surpreendente, veremos o que nos espera no terceiro:

O Rapaz sem Pele tenta compreender os mistérios do seu passado, Emmy investiga uma casa assombrada, e umas serpentes maléficas infectaram as mentes dos habitantes do Holler. E só Bernice poderá opor-se a este novo mal – mas será que pedir ajuda à sombria e temível Lovey Belfont a vai colocar num perigo ainda maior?

Beowulf – Santiago García e David Rubín

Mítico herói, cuja história foi enaltecida e adaptada para os mais diversos formatos, com várias versões interessantes (inclusivé uma contada pela perspectiva do monstro, Grendel de John Gardner) tem, nesta banda desenhada, uma abordagem mais gráfica, rareando as falas e dando-se especial destaque às interacções sangrentas com o monstro, onde o guerreiro, procurando a glória eterna, se debate usando apenas as mãos contra o sanguinário Grendel.

A história é composta por três partes, uma primeira onde se apresenta a devastação causada pelo monstro e a chegada de um herói de um povo distante que se oferece para exterminar o monstro ou morrer a tentar. Aproveitando um novo ataque, Beowulf consegue ferir, gravemente o monstro que, regressa para o local de onde veio. O resultado é um troféu, parte do corpo do monstro, que Beofulf mantém a seu cargo,exposto.

Durante a noite ocorre novo ataque, desaparecendo o troféu. Sabendo-se que o monstro não poderia ter sobrevivido, percebe-se que existirá outro, mais esperto que o resolve vingar! Beowulf volta-se a preparar para novo confronto e segue as pistas até ao lago profundo, para o qual mergulha a fim de enfrentar nova besta.

Beowulf extermina os monstros. Tendo já acabado com os que existiam noutras localidades, enfrenta-os, por vezes sem armas, numa demanda por fama eterna e honra. Sobrevivendo a estas provas, o destino encarrega-se de o fazer rei, ocupação que não o satisfaz como as lutas de outrora. Pouco dado a políticas ou a influências e já de idade avançada, só volta a sentir o vigor de antigamente quando surgem relatos de um monstro escondido, um dragão que terá de ser enfrentado.

Beowulf é um volume num formato bastante maior do que é usual nos de capa dura da Image, um formato que pretende destacar o aspecto visual numa obra que tem poucas palavras e que recorre sobretudo a expressões e acção para se fazer entender. O papel utilizado na impressão também é um pouco mais brilhante do que é usual, escolha que nem sempre é a melhor por causa dos reflexos na página.

Visualmente, Beowulf é uma obra interessante, com páginas carregadas de acção que deixam espaço para se encontrar o fascínio pelos monstros e pelos heróis, mostrando um guerreiro destemido sem medo de morrer que ganha ímpeto perante o próximo desafio. O cenário é inóspito, o que justifica a pouca exploração do terreno e o surgir de monstros no desconhecido, monstros que se encontravam na imaginação do homem que assim justifica os acontecimentos, monstros que se tornam passíveis de enfrentar.

Ainda que o estilo de desenho não faça totalmente o meu género (optando pela imperfeição anatómica e tendo alguns desenhos pouco detalhados) Beowulf tem páginas fortes pelas cores e pela acção.

Geek life

A noite começa com a actualização do firmware da lâmpada da sala. É que as lâmpadas, que têm colunas incorporadas, controlam-se pelo telemóvel. E não são só as lâmpadas – a televisão ou o ar condicionado também! Apesar de terem comandos próprios. O problema é quando se perde o telemóvel e já não se consegue ligar as luzes da sala.

Ao jantar converte-se a história do homem aranha numa fairytale em que o duende verde não é tão mau quanto o vermelho (casa de sportinguista é assim)  e os pêssegos são descascados da mesma forma que se aprendeu numa banda desenhada do Wolverine.

May the force be with you ou Keep calm and bazinga são frases rotineiras, existem pequenos robots controláveis por som e nas prateleiras escondem-se livros, sabres de luz e jogos de tabuleiro, enquanto passa um filme de ficção científica na televisão.

Resumo de leituras – Fevereiro de 2018 (1)

 

13 – Sandman Vol.8 – A estalagem no fim do mundo – Neste oitavo volume a personagem Sonho volta a estar quase ausente, centrando-se as histórias mais no seu reino e nas suas capacidades do que na sua “vida pessoal”. Um bom volume onde histórias contém histórias que, por sua vez, contém histórias mais pequenas!

14 – The Dark Tower Vol.2 – The long road home – A banda desenhada reitira a primeira impressão de que o filme foi uma péssima adaptação! Trata-se de um mundo denso, que consegue cruzar elementos medievais, fantásticos e de ficção científica (com restos de tecnologia avançada) num ambiente de faroeste onde se safa o mais rápido com as armas!

15 – The Gods Themselves – Isaac Asimov – Um livro que se centra em humanos e, numa componente separada, em alienígenas de outro universo, conseguindo a proeza de retratar alienígenas verdadeiramente alienígenas, com fisionomia e cultura própria, mas, ainda assim, fazer com que o leitor simpatize com estes seres;

16 – Marvel especial N.º 3 – Guardiões da Galáxia – Mãe entropiaNeste volume mirabolante encontramos os Guardiões em apuros! O terem salvo a Galáxia não os salva das dívidas e são forçados a cumprir uma missão para se safarem. A missão, aparentemente simples, leva-os a confrontar uma invasão que transforma todos os seres numa nova espécie quase zombie! Um volume carregado de acção onde não falta uma aventura que consegue cruzar Guardiões da Galáxia e Deadpool!

17 – El fantasma de Gaudí – El Torres e Jesús Alonso Iglesias – Um crime na cidade de Barcelona leva a percorrer a obra de Gaudí na cidade, dando-lhe intenção e integração em Barcelona e realçando as alterações posteriores que ocorreram! Uma história visualmente fascinante que aproveita a riqueza arquitectónica da cidade!

18 – Hugo Pratt – Sob o signo do capricórnio Vol. 1 – Corto Maltese – Envolvendo-se no tráfico de armas para fornecer rebeldes que lutam pela libertação, Corto Maltese acompanha um jovem inglês que irá conhecer a irmã, meio brasileira. Pelo caminho são vários os que atentam contra a vida dos envolvidos, numa conspiração de raízes profundas que tem por único objectivo, a obtenção de dinheiro!

Resumo de leituras – Janeiro de 2018 (2)

7 – Mil tormentas – Tony Sandoval – Trata-se da terceira história deste autor (ainda que uma tenha sido em cooperação com La Padula) e o estilo narrativo é semelhante, centrando-se em jovens que se vêem em cenários sobrenaturais onde enfrentam poderosos monstros. Tratam-se de histórias carregadas de símbolos onde as pequenas acções ganham enorme importância que exploram, também, relacionamentos e sentimentos;

8 – Michael Chabon’s The Escapists – Brian K. Vaughan, Steve Rolston, Jason Shawn Alexander, Philip Bond e Eduardo Barreto Uma excelente alusão ao herói de banda desenhada criada na obra ficcional de Michael Chabon, The Amazing Adventures of Kavalier & Clay, onde um jovem compra os direitos de autor do herói para tentar produzir novas aventuras. Os problemas começam com o sucesso e uma grande empresa que decide comprar os direitos de volta;

9 – Contos populares russos – Viale Moutinho – Um pequeno conjunto de histórias populares que ocupam 2-3 páginas. Algumas histórias são semelhantes (em desenvolvimento ou conclusão) às das 1001 noites, outras são de moral comum às histórias populares portuguesas, mas a grande maioria possui uma reviravolta onde é o idiota preguiçoso que vence na vida, por pura sorte, ou artes mágicas de criaturas que encontra;

10/11 – Homem-aranha Vol.9 /10 – Nestes dois  volumes apresentam-se aventuras onde o Homem-aranha e Deadpool lutam lado a lado, o que pode parecer impossível dado o espírito irritante e pouco colaborativo de Deadpool.

12 – Luna Park – Kevin Baker e Danijel Zezelj – Os desenhos têm um aspecto sombrio, nublado, não deixando percepcionar explicitamente detalhes do ambiente ou das feições. Se não é propositado é algo que combina pois centra-se num homem cujas memórias, passado, presente e relatos de outros, se misturam relectindo uma mente confusa e doente.

El fantasmas de Gaudí – El Torres e Jesús Alonso Iglesias

Qualquer livro que decorra na cidade de Barcelona e que explore a cidade na sua narrativa é um bom candidato a ser um preferido, por se tratar de uma das minhas cidades favoritas. Neste caso a história centra-se, sobretudo, na obra de Gaudí que se encontra em Barcelona, cruzando significados das obras com intenções em reflectir as constelações numa cidade, enquanto decorre a tentativa de apanhar um assassino em série.

O primeiro corpo foi encontrado na casa Vincens, pendurado, de vísceras de fora. Trata-se de um crime difícil de concretizar, pois percebe-se que a morte ocorreu noutro local, tendo o corpo sido transportado através da cidade, por uma rua movimentada. O inspector que foi chamado a investigar o caso percebe tratar-se de uma tentativa de chamar à atenção mas não acredita na relação com a obra de Gaudí.

Paralelamente, uma jovem salva um homem de ser atropelado e vai parar ao hospital. A partir desse momento será envolvida no enredo, fascinando-se com a obra de Gaudí e visitando as construções na cidade de Barcelona, sem perceber que existe mais do que casualidade nos estranhos episódios que ocorrem à sua volta.

Quando os corpos seguintes começam a aparecer nos restantes edifícios de Gaudí, deixa de ser possível ignorar a relação. Os corpos reflectem alguma da arte dos edifícios e pensa-se que os crimes poderão estar relacionados com a degradação (ou alteração) de alguns dos edifícios e respectivos jardins construídos por Gaudí.

A narrativa é relativamente simples, mas coesa, seguindo os crimes e dando-nos algumas pistas sobre quem estará por detrás dos corpos que se vão encontrando. Sem ser uma história que dê especial relevância ao desenvolvimento de personagens (apesar de as diferentes personagens terem personalidades bem vincadas e perceptíveis) é uma boa história que capta o essencial da cidade e que aproveita o cenário para embelezar as páginas da banda desenhada.

El fantasma de Gaudí aproveita a obra fascinante de Gaudí para (dando uma estocada sobre o actual estado dos edifícios, conservados mas alterados e, talvez, corrompidos no seu enquadramento) tecer uma história que entretém o leitor e deixa uma boa recordação.

The Dark Tower Vol.2 – The long road home – Robin Furth, Peter David, Jae Lee, Richard Isanove

Eis o que me irritou profundamente no filme – ainda que não seja particularmente fã da obra de Stephen King, não tenha lido os livros e apenas tivesse lido o primeiro livro da banda desenhada à data da visualização cinematográfica,  achei que a adaptação transformava um mundo com excelentes capacidades na história rotineira de um rapaz que, na ausência dos pais, encontra alguém que o ajuda a explorar os poderes adormecidos. Cliché. E se é verdade que o problema dos clichés é que funcionam, neste caso havia tantas falhas narrativas que a capacidade de crença do narrador foi rapidamente esgotada.

No volume anterior acompanhámos uma série de forças negras que tentam ganhar poder no mundo onde se encontra a Torre Negra, uma construção que constituirá o centro de suporte para a existência de vários mundos. Sem ela, tudo colapsa. Roland pertence à família que tem como objectivo proteger a Torre Negra e quando as várias forças colapsam é obrigado a crescer e a tornar-se um adulto capaz.

Paralelamente desenrola-se um romance entre Roland e Susan Delgado, uma jovem que é vendida como concunbina pela própria família. Mas antes de desempenhar este papel apaixona-se por Roland e acaba por morrer numa fuga mal sucedida. Este volume começa após essa morte, com Roland inanimado na maioria das páginas, depois de um acidente com um objecto poderoso. Na realidade a mente de Roland está dentro do objecto, onde encontra um dos seus piores inimigos e onde lhe é exposto o motivo pelo qual tenta destruir o Universo.

Enquanto Roland e os companheiros de viagem (que o transportam) se dirigem até território seguro, muitas coisas acontecem. Enquanto são caçados por um batalhão de homens, um rapaz idiota que segue este batalhão (com o intuito de vingar a morte de Susan Delgado) é modificado no que reconhecemos ser o resto de um parque de diversões (referência interessante num mundo de características medievais que teoricamente não tem electricidade nem tecnologia) – esta modificação será fulcral para os episódios que se seguem.

Roland e os seus amigos não terão apenas de fugir do batalhão de homens – pelo caminho enfrentam muitos outros perigos que não os deixam incólumes. Para além das pontes frágeis encontram-se com lobos e monstros.

A história apresenta na banda desenhada constitui uma prequela à história dos livros, ainda que possua episódios que (pelo que li) podemos encontrar nos livros. A história está carregada de elementos fantásticos, mas inclui, também, o conceito de mundos paralelos que serão suportados pela Torre Negra, ou resquícios de uma tecnologia avançada de uma época anterior.

Cruzando elementos de uma sociedade entre o medieval e o faroeste, com magia e tecnologia, um dos pontos fortes desta série é a qualidade da edição e o fantástico aspecto das páginas que transmitem um ambiente negro onde as forças benignas parecem esmagadas pelas circunstâncias. Há muito para compreender neste mundo que parece ter uma história rica em detalhes.

Opinião a volumes anteirores

Sandaman Vol. 8 – A estalagem no fim do Mundo

Bem nos avisa Stephen King no seu prefácio a este oitavo volume que vamos encontrar história dentro de história, dentro de história, qual série de Matrioskas em que nunca sabemos quando termina a inclusão nem as referências a outras histórias e mitos. Numa estalagem onde a paga é um relato inédito, o tempo é suspenso e pessoas de diferentes origens trocam contos curiosos.

Este volume abre com um conto fora deste círculo eterno de histórias, onde o Sultão de Bagdad angostia quando contempla a perfeição da sua grande cidade. No mercado encontram-se todas as maravilhas do mundo e conhecem-se todas as histórias que podem ser conhecidas. Perante a cidade de diversão, de maravilhas e de cultura, a angústia do Sultão é só uma – como preservar eternamente a cidade perfeita.

A segunda componente deste volume começa com a viagem de carro de duas pessoas. O percurso é longo, a noite é escura, mas a surpresa da viagem começa quando começa a nevar em pleno Junho. O condutor, cansado, continua a conduzir ao invés de acordar a outra pessoa que o acompanha para o substituir. Acontece o inevitável acidente. Distantes de qualquer estrada, encaminham-se para uma estalagem no meio da tempestade. Tal como eles, outros se refugiam a troco de uma história.

História atrás de história falam-se de cidades distantes e maravilhosas que sucumbiram à ganância de um governador impostor, de sonhos de cidades compostos por parcelas reais e outras inexistentes, ou de necrópoles, cidades destinadas a executar os ritos funerários, por forma a fornecer a última despedida à família. Em torno da necrópoles vamos conhecendo os seus trabalhadores e cada um, à vez, conta as suas próprias histórias.

Novamente pouco centrado em Sonho, mas mais no seu reino e nas suas capacidades, constituindo uma personagem presente mais pela sua influência do que pela sua presença física, o oitavo volume de Sandman mostra-nos a extensão dos domínios de Sonho e o seu poder longínquo no espaço e no tempo.

A série Sandman foi publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público mas já se encontra disponível nas livrarias.

Evento: Apresentação da BD Cemitério dos Sonhos

 

Cemitério dos sonhos foi publicado há pouco mais de 1 ano pela Bicho Carpinteiro, mas terá, no dia 27 de Janeiro, uma sessão de apresentação na Casa da Cultura dos Olivais. Trata-se de uma banda desenhada que contém arte de diversos autores, cada um com o seu próprio estilo. Cada estilo é responsável por um trecho da história, dando-lhe um tom próprio e complementar.

Sobre o evento podem consultar a página oficial.

Sobre o livro, podem consultar a crítica que fiz aquando da leitura.