Resumo de Leituras: Maio de 2017 (2)

65 – O Incrível Hulk – Part 1 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – O primeiro volume desta aventura coloca o herói num planeta carregado de estranhas espécies alienígenas que farão parte dos mais espectaculares cenários de batalha. A narrativa, apesar de possuir pontos cliché, consegue surpreender nalguns pontos com a progressão no segundo volume;

66 – Monstress – Vol.1 – Marjorie Liu e Sana Takeda – Fascinante, fabuloso, negro e imenso. Assim é o mundo de Monstress, de forte influência oriental onde os gatos possuem um papel preponderante;

67 – Herland – Charlotte Perkins Gilman – Um grupo de exploradores procura uma sociedade composta apenas por mulheres esperando encontrar a mais primitiva das combinações. O que encontra é a irmandade perfeita, evoluída mental e tecnologicamente com uma progressão estável – um choque para estes homens habituados a ver as mulheres como potes, belos, indefesos e utilizáveis;

68 – Apenas um peregrino – Garth Ennis e Carlos Ezquerra – Uma história violenta num mundo pós-apocalítptico carregado de salteadores e monstros, onde um homem, justiceiro, religioso mas obscuro, se coloca como bom samaritano, apesar da sua postura violenta e assustadora.

Resumo de Leituras – Maio de 2017

(já foram lidos há mais tempo, mas só agora tive tempo de actualizar esta rubrica)

61 – Edição Extra – Geral & Derradé – Este volume compila histórias mais antigas de Geral & Derradé, entre as quais algumas que foram publicadas em formato solto em jornais e outras publicações do género. Volume menos coeso que A Demanda do G, apresenta o mesmo espírito cómico, leve e divertido revelando-se, por isso, uma leitura muito agradável;

62 – Coisas de adornar paredes – José Aguiar – Uma história pausada sobre a procura de boas premissas quando a mais óbvia se encontra no quotidiano;

63 – Lovesenda – António de Macedo – Conhecido primeiro como cineasta que chegou a ter um filme seleccionado para o festival de Cannes, tem-se dedicado, nos últimos anos à escrita. Entre ficção científica, histórias mais esotéricas e textos que acompanham o desenvolvimento da fantasia, António de Macedo também produz Fantasia! De realçar que este será, sem dúvida, uma das grandes publicações em Portugal nos últimos anos! Apresentando a Ibéria numa época em que os cavaleiros cristãos co-existiam com a presença moura, Lovesenda contém uma história mítica, mística e extraordinária, contada através de uma escrita pausada e bem tecida;

64 – Hoje acontece-me uma coisa brutal – El Torres e Julián López – Partindo com a premissa usual de herói que surge quase do nada com poderes sobrenaturais que usa para o caminho da justiça, apresenta alguns detalhes narrativos poucos usuais e explora a cidade de Barcelona em páginas de excelente visual.

Destaque: Beirão – Rafael Sales

 

Pela Escorpião Azul, a editora que lançou Quest for Tula ou Histórias do Outro Mundo, chega-nos agora Beirão! Deixo-vos a sinopse, algumas páginas e… o trailler !

Há anos atrás o povo dizia que o mundo ia acabar em 2000. Não acabou, mas algo aconteceu…

Houve mudanças. A vila de Castendo, no interior de Portugal tornou-se mais agitada no que toca ao crime. É nessas alturas que surge um vigilante. Alguém decidido a travar os criminosos que pensam conseguir escapar à justiça. Na pequena vila de Castendo, a esse herói é dado o nome de… Beirão!

 

Destaque: Uma magia mais escura – V. E. Schwab

Os lançamentos de fantasia este mês parecem ter proliferado! Desta vez pela Minotauro, um livro de fantasia que auspicia alguma diversão:

Kell é um dos últimos viajantes, magos com a capacidade rara e muito desejada de viajar entre universos paralelos, ligados através de uma cidade mágica. Existe a Londres Cinzenta, suja e aborrecida, desprovida de qualquer magia e regida por um rei louco: George III. Existe a Londres Vermelha, onde a vida e a magia são veneradas e onde Kell cresceu com Rhy Maresh, o herdeiro irreverente de um império próspero. Existe a Londres Branca, um lugar onde as pessoas lutam para controlar a magia e a magia contra-ataca, consumindo a cidade até aos ossos. Outrora, existiu a Londres Negra. Mas já ninguém fala dela. Kell é oficialmente o viajante da Londres Vermelha, embaixador do império Maresh, guardião da correspondência mensal entre as realezas de cada Londres. Não oficialmente, é um contrabandista, servindo as pessoas dispostas a pagar pelo mais pequeno vislumbre de um mundo que nunca verão. É um passatempo difícil, cujas consequências perigosas Kell sofrerá em primeira mão. Fugitivo na Londres Cinzenta, conhece Delilah Bard, uma fora da lei com aspirações grandiosas. Primeiro, rouba-o, depois, salva-o de um inimigo mortífero e, por fim, obriga-o a levá-la para outro mundo à procura de uma verdadeira aventura. Mas uma magia perigosa cresce e a traição está em todas as esquinas. Para salvar todos os mundos, têm, antes de mais, de sobreviver.

Evento: Lançamento – Os Monstros que nos habitam

A mais recente antologia da Editorial Divergência vai ser lançada durante o próximo fim de semana, em dois eventos, um a decorrer em Lisboa na maravilhosa Biblioteca de São Lázaro e outro a decorrer no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha (Santarém). Sobre o evento podem consultar a página oficial e sobre a antologia deixo-vos a sinopse:

NO AR PAIRA ALGO MALIGNO…

Os mortos erguem-se das campas, os espíritos rondam a calçada, os demónios caçam almas para torturar e os cientistas tentam encontrar a fórmula para ressuscitar os mortos.

* * *
OS MONSTROS QUE NOS HABITAM é a mais recente antologia da Editorial Divergência, focada no paranormal. Nela estão incluídos seis contos de seis autores portugueses: Alexandra Torres, Ângelo Teodoro, Carina Rosa, Nuno Ferreira, Soraia Matos e Patrícia Morais.

Destaque: As Crónicas de Âmbar – Livro 1: Nove Príncipes de Âmbar – Zelazny

Sim, já saiu no início do mês, mas não podia deixar passar este lançamento em Portugal sem o referir! Com uma pitada de demência e de instintos assassinos, As Crónicas de Âmbar apresentam-nos um conjunto de irmãos que, constantemente, tecem planos para se matarem uns aos outros – e não é apenas o desejo de poder que os motiva. Li esta série há uns anitos e foi daquelas que marcou o meu gosto por fantasia a sério,  sem condescendências, príncipes encantados e felicidades idiotas. O primeiro volume da série foi publicado pela Saída de Emergência:

Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam. Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar.

 

Resumo de Leituras – Março de 2017 (2)

57 – O Submarino David – Os Túnicas Azuis – Willy Lambil e Raoul Cauvin – Se num volume anterior assistimos à utilização, na Guerra da Secessão, dos primeiros navios couraçados, neste volume acompanhamos a utilização do CSS David, já considerado um submarino;

58 – Agnar, o Bisavô – A Casta dos Metabarões – Jodorowsky e Gimenez – Este foi lido na biblioteca enquanto aguardava a sessão de lançamento de Lovesenda da autoria de António de Macedo. Este volume continua a apresentar a história dos antepassados do Metabarão demonstrando que se trata de uma linhagem forte que apenas poderia resultar na produção de um super guerreiro;

59 – My work is not yet done – Thomas Ligotti – O conhecido autor de terror apresenta um trio de histórias de terror corporativo onde se apresentam as intensas e corrosivas relações entre chefes de departamento. Nalguns episódios o ar é tão pesado que se apresenta como nevoeiro, impossibilitando o normal andar dos empregados. Claro que sendo Thomas Ligotti não se trata, apenas de terror de ambiente – esperem algumas partes mais gore  brutais com elementos sobrenaturais;

60 – Histórias de outro Mundo – Vários autores  – Antologia de histórias de banda desenhada de ficção científica, possui bons momentos e boas histórias, algumas com pitada de humor e ironia.

Herland – Charlotte Perkins Gilman

A ideia de uma sociedade constituída exclusivamente por mulheres não é nova – tem vários séculos, para não dizer milénios e o mito grego poderá ter ganho força (ou inspiração) num grupo de nómadas iranianos onde se poderiam encontrar mulheres guerreiras.

De forma bastante diferente, mas revolucionária, Herland foi escrito há mais de um século e ninguém o diria se o lê-se sem saber a data de publicação. Não só pela prosa, que é escorregadia, mas sobretudo pelas ideias originais e avançada para a época, onde o contraste de uma sociedade exclusivamente feminina permite vislumbrar pessoas e não géneros, sem condescendências ou agressividades.

Herland começa por nos apresentar um grupo de três exploradores (homens, claro) que parte em busca de um rumor onde se expressa a existência de uma civilização composta apenas por mulheres. A expectativa é baixa. Sem homens decerto que não terão ordem nem ciência. Esperam uma sociedade caótica, desorganizada e fútil, onde as mulheres se sentam a fazer casacos de malha ou a cochichar.

O que encontram não podia ser mais discrepante. Pensando, inicialmente, que existirão homens (escondidos) que justifiquem a civilização que encontram, são capturados por várias senhoras que, educadamente, os mantém em quartos compostos. O dia a dia é passado a aprender a língua desta civilização, mostrando estes homens o quão superior pensam ser.

Apesar da origem comum, os três homens apresentam perspectivas bastante diferentes. O narrador é mais acessível e rapidamente percebe que a civilização que encontrou corrigiu todos os defeitos da sua – sem religião (ou pelo menos num conceito bastante diferente) e sem conflitos, é uma sociedade próspera com capacidade de evolução, em que se concede a liberdade de prosseguir as inclinações de cada indivíduo, deixando o papel da educação aos mais sábios e experientes com uma dissociação lógica entre o papel de progenitora e mãe.

É desta forma que aprende a ser parceiro da mulher que o ensina e a aceitá-la como ser inteligente, capaz e igual, algo que não ocorre com outro dos membros do grupo que conhece apenas a lógica do forçar o género feminino ao interpretar o não como sim obscuro, minimizando o querer individual e mostrando-se como incapaz de percepcionar uma mulher como um indivíduo por si.

Tão interessante quanto a sociedade descrita é a evolução do narrador quando confrontado com as diferenças, inicialmente relutante e céptico em relação à perfeição daquela cultura, mas que, com a constante exploração e confronto de ideias, percebe as diferenças, a igualdade entre os membros daquela irmandade, impossível no mundo de competição e corrupção em que cresce.

Interessante não só pela perspectiva de género mas pela perspectiva de construção social em que, sendo possível a igualdade, é também possível o desenvolvimento individual e a concretização das capacidades de cada um, Herland torna-se uma leitura excepcional por conseguir apresentar todas estas ideias de uma forma estável, coesa e lógica.

Monstress – Marjorie Liu e Sana Takeda

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Publicada pela Image, Monstress revelou um fabuloso mas negro mundo fantástico onde os seres humanos repartem o mundo com Arcanics, seres mágicos na sua maioria antropormóficos ainda que possam misturar características de outros seres ou elementos irreconhecíveis. Bem, repartir o mundo não será a palavra correcta. Os humanos encontram-se em guerra com os Arcanics e consomem-nos para obterem mais magia.

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A história começa com a captura de uns quantos Arcanics, entre os quais se encontra Maika, uma jovem Arcanic que tem poderes pouco usuais associados a uma marca corporal. Em missão de descoberta e vingança, Maika irá libertar-se e libertar os restantes prisioneiros, numa enorme chacina em que enfrenta o passado e revela um assustador monstro interior – um monstro faminto que a protege mas que toma conta da sua consciência e provoca horrores indescritíveis.

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De forte influência oriental, Monstress mistura várias mitologias e dá à figura felina um papel importante nesta realidade fantástica – um papel que vai ganhando importância com a progressão da narrativa, mostrando que são os detentores do conhecimento antigo, da história e de grandes segredos que poderão explicar o actual relacionamento entre os Arcanics e os seres humanos.

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Os Arcanics, vistos pelos humanos como animais úteis, monstros que são chacinados e usados em experiências macabras, são criaturas inteligentes e sensíveis com os quais é mais fácil mostrar empatia. Os humanos mostram-se, ora como marionetas obedientes, ora como seres manipuladores, sádicos em busca de maior poder.

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A história é sombria e explora, indirectamente várias temáticas. Por um lado, Monstress recorre a várias personagens femininas para quebrar os estereótipos e a comum atribuição de papéis.  Vilãs ou heroínas, as várias mulheres que aqui encontramos são personagens complexas, com passados que desconhecemos mas que vamos descobrindo, pessoas de objectivos vários que se confrontam em mais do que um plano.

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Para além da óbvia dissociação entre o género e a capacidade de realizar acções violentas, Monstress apresenta questões associadas à descriminação levando-nos a questionar não só o que define um ser humano mas a legitimidade de torturar, matar e usar indiscriminadamente seres sensíveis e, até inteligentes.

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Monstress é, em suma, uma banda desenhada de difícil definição. Contendo elementos que recordam a melancolia sombria de alguns animes com a impossibilidade de fugir de um destino mesmo que o mesmo se preveja catastrófico, é uma história de auto-descoberta encapuçada de demanda pela vingança.

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Histórias do outro mundo – vários autores

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Este Histórias do Outro Mundo publicado pela Escorpião Azul reúne várias histórias de ficção científica de premissas e visuais variados, algumas histórias irónicas, outras traumáticas ou pesadas, mas todas numa boa combinação de elementos narrativos e artísticos.

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Histórias de horror perpetuadas por familiares, bases espaciais atacadas em surtos de guerra ou enormes catástrofes apocalípticas – algumas investem em sucessivas reviravoltas narrativas, outras em fortes cenários e episódios de acção. Escolham o que preferem numa história de ficção científica e decerto encontrarão neste conjunto.

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Histórias do Outro Mundo foi publicado pela Escorpião Azul.

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Um jogo de ti – Sandman Vol. 5 – Neil Gaiman, Swan McManus, Colleen Doran, Bryan Talbot, George Pratt, Stan Woch e Dick Giordano

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Depois de um volume esplendoroso quer na forma como explora a personagem do Eterno Sono, quer na forma como nos mostra vários deuses, de várias mitologias, em competição pelo Inferno, este volume traz-nos uma história bem mais sombria e arrepiante.

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Quando Barbie, uma rapariga do interior que agora vive na grande cidade, revela que é incapaz de sonhar, tal não parece de grande importância. Quando os elementos dos seus antigos sonhos e brincadeiras infantis se parecem materializar no mundo real, provocando surtos de surrealidade nos que a circundam, percebemos que algo de mundo errado está a ocorrer.

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Uma noite algo de muito errado ocorre. Barbie é puxada para o mundo dos sonhos de criança, numa noite de pesadelo comum a todos os moradores do prédio. Por coincidência (ou não), no mesmo prédio reside um homem vazio que alberga cucos no seu interior, bem como uma bruxa antiga que, ao ser incomodada, inicia uma série de perigosos rituais em vingança.

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Chamada à terra das suas brincadeiras infantis pelos brinquedos materializados em pequenas personagens, Barbie tem uma árdua e longa missão para vencer a governante dos domínios, o Cuco, a personagem que toma conta do ninho alheio, captando recursos e a dedicação dos que a rodeiam.

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Este volume mostra que a fronteira entre o sonho, a imaginação e a realidade é ténue. Neste caso a terra de sonho, formada pela imaginação, transforma-se num longo pesadelo, que engole personagens e tem efeitos bastante nefastos na realidade. O pesadelo não vem só da realidade paralela, mas da conversão das personagens boas em adoradoras do Cuco, fascinadas pelo seu carisma.

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Negro e carregado de consequências pela mútua invasão entre os mundos, o quinto volume volta a demonstrar que atingir novamente o equilíbrio tem um pesado preço, mais para os envolvidos parcialmente do que para os que se encontram no centro dos acontecimentos.

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A colecção Sandman foi publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

O Incrível Hulk – Planeta Hulk parte 1 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti

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Se querem força bruta e grandes cenários de batalha mirabolantes, chamem Hulk. Pouco racional e raivoso, Hulk investe contra tudo e contra todos, descarregando grandes quantidades de energia por quem se encontra à sua frente. O facto de ser quase incapaz de se encontrar leva a que os outros super heróis se reúnam e o enviem para um planeta alienígena sem saberem que o estão a enviar para um planeta carregado de batalhas.

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O planeta em que Hulk agora se encontra é dominado por um Imperador, um ditador déspota, maléfico e impiedoso que, à mínima contrariedade ou simplesmente capricho, condena os seus súbditos aos calabouços para ingressarem em batalhas sucessivas onde lutam uns contras os outros, para além de enfrentarem enormes monstros locais.

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Possuidor de uma força sobrenatural, mesmo para este planeta, o cenário não poderia ser melhor para a raiva de Hulk. Não se aliando a ninguém, enfrenta estes monstros de forma desprendida mas vitoriosa em cenas de suster a respiração pela espectacularidade visual.

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Este primeiro volume apresenta não só as sucessivas batalhas, mas a consequente libertação do povo, impulsionados pela destruição de Hulk que acaba por soltar alguns dos outros “gladiadores”. É assim que vamos conhecendo o restante planeta e as povoações, também elas movidas pela raiva, mas também pela vingança, iniciando-se uma série de batalhas que corresponderão à concretização de uma antiga profecia.

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Intercalando diferentes espécimes inteligentes com esplendorosas capacidades para a guerra e para o confronto corpo a corpo, Hulk – Planeta Hulk possui uma premissa bastante simples, quase linear que atinge o seu objectivo de forma bastante simples. A sucessão dos episódios de acção garante uma dinâmica elevada e uma boa variedade visual.

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Este volume é quinto de A Colecção Oficial de Graphic Novels Marvel publicada pela Salvat.

Hoje aconteceu-me uma coisa brutal – El Torres e Julián López

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Hoje aconteceu-me uma coisa brutal foi publicado aquando da Comic Con Portugal de 2016, com a vinda dos autores El Torres e Julián López ao evento. Apesar de ter ficado curiosa só recentemente adquiri o livro e descobri uma história de super-herói com poderes um pouco mais introspectiva do que é habitual e um excelente visual.

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Para além das fortes dor de cabeça, Daniel começa, um dia, a ouvir uma voz feminina – uma voz que só ele é capaz de ouvir. A voz instiga-o a intervir no episódio de violência doméstica que decorre no apartamento ao lado e é assim que descobre uma força sobrenatural aliada a uma elevada capacidade de regeneração.

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A este sucedem-se vários episódios em que se decide a intervir, aproveitando os novos poderes para parar e enfrentar criminosos. Como seria de esperar, existem outros como ele, que, desde logo percebe, terem planos próprios ainda que não encarnem o papel de vilão maléfico.

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Apesar destes elementos com super-poderes diferentes juntarem, por vezes esforços para atingirem objectivos comuns, Daniel percebe, num mau momento, que raramente poderá contar com a imediata ajuda e apoio dos restantes. Qual exactamente o papel de cada um e as suas intenções desconhecemos.

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Com elementos comuns a tantas outras histórias semelhantes (o acolhimento alegre e desprendido dos amigos quando descobrem as capacidades de Daniel, a existência de outros, a utilização imediata dos poderes para o bem) e de não conseguir concretizar, na totalidade deste volume, o potencial possível, Hoje aconteceu-me uma coisa brutal tem, também, um desenvolvimento cliché, quase genérico, com a desilusão nos outros elementos com super-poderes e o afastamento necessário de quem se gosta para não os por em perigo.

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No final existem alguns episódios que fogem um pouco à linha narrativa habitual, não se revelando todos os segredos deste mundo e mostrando que o herói central pode escolher o seu próprio percurso afastando-se do que é imediatamente esperado dele.

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Apesar dos elementos conhecidos que são desenvolvidos ao longo da história, a leitura de Hoje aconteceu-me uma coisa brutal vale bastante pelo visual, de fortes contrastes onde se explora, como cenário, a cidade de Barcelona.

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Hoje aconteceu-me uma coisa brutal foi publicado pela Comic Con Portugal.

Assim foi: Lançamento Lovesenda de António de Macedo

Decorreu, no dia 18 de Fevereiro, o lançamento do muito esperado livro de fantasia de António de Macedo, Lovesenda, publicado pela Editorial Divergência. Em local privilegiado, na Biblioteca de São Lázaro em Lisboa, numa espectacular sala circular, o evento decorre com ausência do autor (que não compareceu por motivos de doença) mas com presença do filho.

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Logo no início podem assistir aos primeiros minutos do evento onde o editor, Pedro Cipriano, revela a surpresa que foi receber um manuscrito do tão famoso António de Macedo. Mais conhecido pela sua carreira cinematográfica, António de Macedo tem publicado, ao longo das últimas décadas, algumas obras de ficção, sobretudo ficção científica, de onde se destaca o livro de não ficção A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários.

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E porquê este destaque? É que já neste livro que compilava os vários textos de António de Macedo se percebia um forte trabalho de pesquisa, trabalho que, em Lovesenda, permite a criação de um trabalho monumental, intercalando lendas mouriscas com hábitos da época, sem descurar ritos pagãos e crenças cristãs que, na época, se misturavam facilmente.

Mas este forte trabalho de investigação serve apenas como base. Os fortes alicerces permitem a construção de uma história coesa, de prosa elegante, perfeita, que escorre facilmente de página em página. Para saberem mais sobre o livro deixo-vos os comentários feitos por Luís Filipe Silva, Rui Bastos e eu mesma ao livro. Ainda sobre o evento, eis a página oficial da editora.

O livro pode ser adquirido na página da editora, bem como na Leituria.

António de Macedo transporta-nos para uma época em que o encantamento coabitava com o mundano, um tempo de lendas e seres fantásticos, em que cada vida se tornava epopeia mil vezes relembrada (e reinventada). Eis a vida de Lovesenda e as tuas desaventuranças por terras portucalentes, quando ainda era possível tudo acontecer. Erudito, divertido e fascinante, eis António de Macedo no seu melhor.

– Luis Filipe Silva
http://blog.tecnofantasia.com

Uma história medieval em que o místico é contado de forma tão convincente que mais parece um relato histórico. Lovesenda é uma protagonista complexa rodeada de personagens interessantes. O confronto entre o Bem e o Mal é infiltrado por algo misterioso, ao mesmo tempo arcaico e moderno. Enfim, um livro fascinante tão identificável com o autor que chega a ser fotográfico.

– Rui Bastos
http://livrosimples.blogspot.pt/

Lovesenda é um daqueles casos raros em que a elegância da escrita, aliada a fortes descrições, cria um texto claro e deslizante. As narrativas entrelaçam-se, a imaginação é libertada e somos transportados para a remota história portuguesa, quando na Península conviviam mouros, cristãos e outras crenças. A existência simultânea de diversos misticismos cria um ambiente onde a realidade se difunde com o fantástico e os relatos lendários se tornam vívidos. Por tudo isto, Lovesenda é um marco na literatura fantástica portuguesa.

– Cristina Alves
https://osrascunhos.com

My work is not yet done – Thomas Ligotti

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Conhecido por ser uma personagem reclusa, quase escondida e desaparecida, Thomas Ligotti tem recebido ao longo dos vários anos de carreira, inúmeros prémios de onde se destacam 5 prémios Bram Stoker, 3 World Fantasy Award e 1 BFSA. My work is not yet done venceu dois, um Bram Stoker e um International Horror Guild Award.

Depositando pouca esperança na espécie humana, My Work is not yet done apresenta três histórias de terror corporativo. A primeira história, a mais extensa e que dá nome ao conjunto, começa por nos apresentar o horror das reuniões entre chefes onde cada tema é abertura para indirectas que enterram, sem possibilidade de resposta, os colegas.

Oscilando entre as palmadinhas nas costas e a identificação do elo mais fraco que podem atacar de seguida, estas reuniões entre chefes são os locais onde cada um define as suas estratégias destrutivas, ao mesmo tempo que fazem o mínimo possível para manterem o lugar e aproveitam para alimentar a fama de capacidades indispensáveis para a empresa.

A personagem principal, um dos chefes mais recentes, foi identificado como elo mais fraco. As reuniões são momentos tão terríveis que tece uma boa metáfora dos restantes identificando-os como porcos. Tal analogia só é ultrapassada pela associação do aspecto atarracado que têm nas cadeiras da reunião aos sete anões.

Claro que há uma altura em que a personagem principal, homem que tentou inovar ao introduzir um produto revolucionário (herege!), perde a razão e, ajudado por negras forças sobrenaturais, começa a ter uma macabra vingança sobre os sete anões.

Os dois contos seguintes, mais pequenos, são semelhantes, roçando o poder negro sobrenatural que estará por detrás do horror instigado no ambiente empresarial, referindo ambientes tão densos de tensão que funcionam como nevoeiro e impedem a normal circulação de pessoas.

Negro, sarcástico, inovador e quase cómico na forma como aproveita o ambiente aterrorizante de empresas que sugam as energias dos seus trabalhadores e que se impõem pelo medo da hierarquia, My work is not yet done revela a pouca esperança na humanidade

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (7)

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49 – Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi – Este volume reúne duas histórias bastante distintas, uma primeira, mais longa em que assistimos aos últimos dias de um cão, um animal doméstico muito bem tratado que aguenta o sofrimento da velhice por longos dias, a que se segue a adopção de uma gata prenha que vem preencher o espaço deixado. A segunda é uma história sobre a exploração e o ultrapassar de barreiras físicas e mentais;

50 – Black Face – Túnicas azuis Vol. 9Willy Lambil e Raoul Cauvin – A série continua a explorar a guerra da Secessão aproveitando, neste caso, para explorar o tema da escravatura, um pretexto para fazer uma guerra de ambição e de busca por lucros, que pouco tem a ver com o trabalho escravo;

51 – Histórias de Vigaristas e canalhasOrganizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, a antologia reúne várias histórias fantásticas protagonizadas por vilões em diversos cenários e premissas mirabolantes e imaginativas;

52 – Drifter – Vol.2 – Ivan Brandon e Nick Klein – Tal como no primeiro, a história não é linear e directa. Vamos observando o desenrolar de acontecimentos como meros espectadores, com pouco enquadramento ou compreensão e temos de ir construindo a história, com pistas espalhadas ao longo das várias narrativas.

Through the Woods – Emily Carroll

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Negro e sangrento – Through the woods apresenta uma série de histórias carregadas de monstros, alguns dos quais bem humanos, onde nem as crianças nem as jovens donzelas estão a salvo.

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Jovens donzelas que casam com senhores poderosos e descobrem os restos mortais de jovens esposas no castelo, restos que as irão assombrar para sempre, monstros semelhantes a humanos que iludem crianças a acompanhá-los, pessoas que servem de máscara a pequenos seres, capuchinhas que escapam ao lobo… mas por quantas noites?

Oh, but you must travel through these woods again & again and you must be lucky to avoid the wolf every time. But the wolf… the wolf only needs enought luck to find you once.

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Por mais simples que seja a narrativa, quase linear por vezes e expectável, todos os contos presentes em Through the woods estão impregnados de uma negridão quase total, onde, mesmo fisicamente intactos, ninguém escapa incólume.

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Algumas histórias são adaptações de contos conhecidos enquanto outras aproveitam medos comuns perpetuando a noção de que o Mundo é um lugar de perigos constantes que não se suspendem.

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Visualmente apresenta páginas de fortes contraste, onde o negro das histórias é sobreposto por balões de cores berrantes, elementos que nem sempre me agradaram e que conseguem, por vezes, quebrar o ambiente.

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Com alguns elementos interessantes do ponto de vista narrativo (alguma subversão, muita falta de esperança e resignação perante o destino que se apresenta) Through the woods contém um conjunto de histórias negro que mereciam maior desenvolvimento.