Novidade – O Núcleo – Peter V. Brett (Saga A Noite Dos Demónios)

Com este quinto volume chega ao fim a saga fantástica de Peter V. Brett, uma saga com uma premissa interessante em que os demónios, todas as noites, sobem do centro da Terra e atacam os humanos. Para se protegerem os humanos utilizam runas, pequenas inscrições que, bem feitos, adquirem poder mágico e formam uma barreira contra os humanos.

Por conta da subida, diária, à noite, dos demónios, a sociedade dos humanos regride – longos séculos após esta rotina, existem restos de uma civilização anterior, mais evoluída, uma civilização que sucumbiu. Deixo-vos a sinopse do quinto volume desta série fantástica lançada na colecção 1001 Mundos:

Demónios sedentos de sangue rondam a noite. A raça humana está reduzida a uma resistência dispersa e dependente de magias antiquadas. De entre os resistentes, surgem dois heróis. Tão próximos como irmãos, e no entanto divididos por uma amarga traição. Arlen Bales, o Homem Pintado, está coberto de tatuagens de poderosos símbolos mágicos que lhe permitem combater – e vencer – os demónios. Ahmann Jardir, possuidor de armas mágicas, autoproclamou-se o Libertador, uma figura que as profecias dizem ser capaz de unir a humanidade e conduzi-la ao triunfo na Sharak Ka – a derradeira guerra contra os demónios. Mas, nos seus esforços para derrotar os demónios, Arlen e Jardir desencadearam uma força que poderá pôr fim a tudo: um Enxame. A guerra está à porta, e a única esperança da humanidade reside em Arlen e Jardir. Com a ajuda de Renna, mulher de Arlen, tentam subjugar um príncipe dos demónios, obrigando-o a indicar-lhes o caminho até ao Núcleo, onde a Mãe dos Demónios está a formar um exército invencível. Enquanto os leais Leesha, Inevera, Ragen, e Elissa guiam o turbulento povo das Cidades Livres na batalha contra o Enxame, Arlen, Renna e Jardir lançam-se numa perseguição desesperada nas profundezas mais escuras do mal – de onde nenhum deles espera regressar com vida… Com “O Núcleo”, chega ao fim o épico “Ciclo da Noite dos Demónios”, uma das mais aclamadas sagas de fantasia dos nossos tempos

Redneck – Vol.1 – Donny Cates, Lisandro Estherren, Dee Cunnife

Redneck é uma série de vampiros no interior americano – uma premissa que tem sido bastante explorada no cinema e na televisão, mas que, aqui, não assume detalhes românticos ou sonhadores, apenas práticos. Neste caso concreto trata-se de uma família de vampiros que tenta uma existência pacífica alimentando-se de sangue de vacas para conseguirem sobreviver sem entrar em conflito com os humanos.

De longas existências, estes vampiros desejam manter-se em paz, mas a verdade é que, tanto eles, como os humanos, recordam tempos em que tal não era possível. A tensão, sobretudo psicológica acumula-se, o receio dá lugar à materialização do medo. O resultado é uma guerra sangrenta de vingança, uma guerra com origem num mal entendido.

Nem todos os vampiros possuem os mesmos dons e, no caso desta família, apenas dois possuem o poder de ler os pensamentos e memórias de outros seres. Neste caso trata-se de um vampiro idoso que aspira aos costumes antigos, e um vampiro muito jovem que ainda não tem maturidade para que o deixam percepcionar determinados acontecimentos. Ambos possuem a chave para se perceber os acontecimentos que dão origem à guerra, mas, por motivos opostos, não se procura a capacidade de nenhum a não ser quando já é demasiado tarde.

Redneck é uma história sombria que explora personagens cuja longa vida não os deixa esquecer os traumas do passado – tão habituados estão a que os acontecimentos se desenrolem de determinada forma que é só uma questão de tempo para que voltem a acontecer. E ainda que tal seja verdade na maioria das vezes, esta expectativa fortalecida pela experiência leva-os, neste caso, a assumir determinados factos antes de os validarem.

Este volume começa de forma lenta, tentando acumular tensão nas primeiras páginas para levar o leitor ao esperado episódio de acção. E ainda que o tenha feito, parecem faltar peças no puzzle e os acontecimentos sucedem-se sem conseguir envolver, consistentemente o leitor. Ainda que existam momentos em que consegue captar, esta capacidade não se mantém, oscilando durante os episódios mais calmos que deveriam servir para tal.

Entenda-se, não é uma má banda desenhada. Tem personagens interessantes que poderiam ter sido melhor desenvolvidas e uma premissa que, não sendo totalmente original, poderia ter resultado melhor se alguns episódios tivessem sido limados. Trata-se de uma leitura engraçada, mas que ainda não sei se me vai levar a ler os restantes da série.

Novidade: Príncipe das trevas – Mark Lawrence

No seguimento das fantasias mais negras, de autores como George R. R. Martin (que não tem medo receio de exterminar as suas personagens) ou Joe Abercrombie (que se centra em personagens que podem ser descritas como “feios, porcos e maus”), temos Mark Lawrence, agora publicado em português pela TOPSELLER:

A Rainha Vermelha está velha. Ainda assim, controla todo o poder no seu vasto império. Jalan Kendeth, o seu neto, não tem tais preocupações. A bebida, as mulheres e uma vida longe de todas as responsabilidades mantêm-no ocupado.

Por isso fica tão surpreso quando é chamado a ouvir estas histórias da boca de escravos e prisioneiros. Porque quereria a Rainha Vermelha envolvê-lo? Quando Snorri, um guerreiro nórdico, conta uma história de cadáveres devolvidos à vida e do Rei Morto, Jalan só pensa nas várias formas de o utilizar para ganhar dinheiro. São fantasias, o que conta. Mitos. Histórias de encantar.

E é por isso que Jalan fica tão frustrado quando a magia o liga a Snorri. Agora vai ter de ir ao norte desfazer o feitiço. O que será que os espera?

 

 

 

 

 

Bibilioteca de Brasov – Afonso Cruz (Enciclopédia da Estória Universal)

Biblioteca de Brasov é o sexto volume de Enciclopédia da Estória Universal – um conjunto de livros da autoria de Afonso Cruz em que a(s) história(s) vai sendo apresentada como entradas numa enciclopédia por ordem alfabética. É comum encontrarmos referências a histórias de outros livros (mesmo que não sejam da enciclopédia) ou a entradas anteriores, fazendo com que cada livro seja um jogo de memória e de ocorrências interligadas.

Em Nova Iorque, os fumadores só podem fumar se estiverem três metros afastados das entradas dos edifícios, para que as pessoas que saem desses prédios possam respirar os fumos dos escapes dos carros em toda a sua pureza.

Entre os pedaços interligados de uma história encontramos frases como esta, de perspectiva irónica sob algum aspecto da sociedade humana. São elementos soltos que nos fazem parar para pensar. No caso deste volume, para além destas frases encontramos uma longa menção a cogumelos, com entradas de cariz cultural que explicam o surgir de várias lendas e criaturas sobrenaturais (como o Pai Natal e as suas renas), ou uma história centrada no poder venenoso dos cogumelos.

A verdade é que a alucinação deste cogumelo gera dois tipos de sensações facilmente identificáveis: a sensação de que somos muito grandes ou muito pequeninos – o que explica as visões com duendes e gigantes – e uma grande sensação de leveza ou de voo. daí o trenó voador do Pai Natal e os seus duendes.

Ao longo do volume encontramos, também, várias referências a outras obras e autores, desde Monterroso a Kafka, neste caso como forma de apresentar o conceito de identidade, e de que forma se afasta o «eu» de um número num cartão:

Uma pessoa poderia acordar transformada em barata checa, que continuava a ser ela, olhava-se ao espelho e, apesar de estar completamente diferente, com antenas e exosqueleto quitinoso, continuaria a dizer «eu».

Apesar de continuar a achar que o primeiro volume da Enciclopédia foi o meu favorito (mais coeso e com entradas mais interligadas) este volume volta a subir o nível em relação a outros que achei demasiado disconexos. Biblioteca de Brasov foi publicado em Portugal pela Alfaguara.

Outros livros do autor

Jogos aos Sábados – A Floresta Misteriosa – Carlo A. Rossi e Daniel Lieske

Quando se pega em A Floresta Misteriosa, o grande destaque vai para o aspecto visual, semelhante ao livros da saga fantástica em que é baseado – The Wormworld Saga. Ambos (livros e jogo) se centram num rapaz, Jonas, que tem de explorar uma floresta num mundo estranho, carregada de monstros horríveis.

Partindo deste cenário fantástico, o objectivo do jogo é ultrapassar todas as etapas da floresta com sucesso! E como se ultrapassam estas etapas? Tendo, na mochila, o equipamento necessário para cada etapa! O jogo começa com a revelação da carta de cada etapa onde se mostra o equipamento necessário. À fase de revelação sucede-se uma de recolha de equipamento, onde os jogadores devem recorrer à memória para conseguirem cumprir os requisitos.

Não sendo meu objectivo explicar detalhadamente a dinâmica do jogo (podem consultar a página da MEBO que tem vídeos explicativos – aprende a jogar em 3 minutos) trata-se de um jogo cooperativo com uma dinâmica simples que pode ser jogado pelos mais jovens ou em família. É um jogo que exercita a memória e cuja complexidade pode ser adaptada, tornando o jogo mais simples, retirando etapas, ou mais complexo, retirando os dados que permitem peças especiais ou acrescentando mais etapas!

Tendo como atractivo o aspecto cuidado (com peças que respeitam o visual dos livros, em imagens fantásticas fabulosas) o jogo ganha particular interesse pela componente cooperativa que favorece o trabalho em equipa e a coordenação dos diferentes jogadores!

Este jogo está a ser lançada este mês pela MEBO.

Mais jogos

Novidade: Homem-aranha Vol.6 – Série II

Chega, hoje, às bancas, o sexto volume da segunda série de Homem-aranha publicada pela Goody! Este volume promete trazer, para além de Homem-aranha, Venom e Deadpool! Deixo-vos com a sinose, bem como detalhe de conteúdo e algumas págias disponibilizadas pela editora:

Aventuras a triplicar? Sim, não uma, não duas, mas três histórias explosivas, carregadas de surpresas, grandes reviravoltas e… esperem lá… parou tudo… Venom? Sim, é isso mesmo, o simbionte mais famoso e amado por todos está de regresso a Nova Iorque e tem um novo hospedeiro. Mas onde está o Aranha? Concentradíssimo na perseguição ao seu grande arqui-inimigo, Norman Osborn. O supervilão tem estado bastante ativo com a venda ilegal de armamento e veículos de guerra, mas isso é apenas a ponta do icebergue do seu novo plano maléfi co para dominar o mundo. Felizmente que o nosso super-herói conta com a ajuda de vários aliados, incluindo a Sabre de Prata. Esta edição especial conta ainda com mais uma história da parelha mais famosa do mundo, Aranha / Deadpool, numa aventura hilariante onde os nossos “heróis” decidem assumir uma postura mais profi ssional, sem recurso a piadas secas e violência desnecessária. Como é óbvio é muito fácil falar, difícil é fazer, sobretudo quando pelo meio a dupla maravilha terá de lidar com Slapstick, o famoso palhaço pastelão em formato desenho animado.

Conteúdo

SPIDER-MAN/DEADPOOL (2016) #19-20 – POR JOSHUA CORIN, WILL ROBSON, SCOTT HANNA e JORDAN BOYD
AMAZING SPIDER-MAN (2015) #27 – POR DAN SLOTT, STUART IMMONEN, WADE VON GRAWBADGER e MARTE GRACIA
VENOM (2016) #1-2 – POR MIKE COSTA, GERARDO SANDOVAL e DONO SÁNCHEZ-ALMARA

 

Novidade: Le Storie – Sangue e Gelo

Chegámos ao quinto volume da colecção Bonelli! Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Sangue e Gelo, passa-se no início do século XIX quando o Grande Exército napoleónico desgastado pela estratégia russa da “terra queimada”, retira através de um deserto de neve deixando atrás de si centenas de milhares de homens à fome, que lutam pela mera sobrevivência num ambiente de horror. Um pedaço de pão e um fogo em torno do qual se aquecer é tudo o que os homens do capitão Lozère querem. Quando um brilho distante, quente e convidativo, aparece sob o cinzento mortal do céu, a esperança parece renascer … No entanto, é como se no ar frio e sombrio houvesse algo sinistro, uma sensação ingrata, uma presença sem rosto aguardando a sua chegada com paciência imortal.

 

Dampyr – Infante – Aventuras em Portugal – Boselli / Bocci / Eccher / Dotti

Dampyr surpreendeu-me, sobretudo, pelo aspecto gráfico. Constituindo uma espécie de pulp da banda desenhada, com histórias movimentadas e de premissa simples, esperava desenhos mais simples e menos detalhados. Em Dampyr encontramos vampiros e outras criaturas sobrenaturais mas os verdadeiros monstros parecem ser os humanos que os ajudam, ludibriando outros humanos e entregando-os.

As duas aventuras reunidas neste volume rodam em torno de um caçador de vampiros, que é fruto da união de um vampiro com uma mulher humana e que, por isso, possui os seus próprios poderes peculiares. Ambas as aventuras decorrem no Norte de Portugal, a primeira num castelo quase abandonado, cenário de filmagem de um filme de terror, e a segunda no Porto, em torno da produção do vinho do Porto.

Que o ambiente de filmes de terror é propício à loucura dos actores, sobretudo das acrizes que fazem de vítimas, é conhecido. Mas na primeira aventura parecem existir sérias razões para tais desvaneios – é que o castelo onde decorrem as filmagens é o palco de várias histórias locais de terror e de perdição, um local onde poucos têm a coragem de se deslocar, sobretudo de noite.

Na segunda história o alerta para a existência de vampiros (ou outras entidades) provem da visita de um casal às caves do vinho do Porto. Aqui a senhora, com capacidades psíquicas, descobre um fantasma que a leva a uma sala onde vários terrores terão ocorrido. Conhecida do caçador de fantamas logo o chama, e juntos irão investigar a prosperidade do dono das caves.

Não esperem, em Dampyr, histórias com profundidade ou introspecção. São, sobretudo, aventuras que utilizam os clichés das criaturas sobrenaturais em que se centram, não faltando as referências cinematográficas, e que aproveitam cenários conhecidos dos autores. Ainda assim, não são histórias demasiado lineares, apresentando episódios centrados noutras personagens, ou episódiso que decorrem várias décadas ou séculos antes. Não sendo uma das minhas leituras favoritas desta colecção destaca-se pelo detalhe dos desenhos que, neste caso, fazem uma grande menção a Portugal.

Dampyr é o segundo volume da colecção Bonelli publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

A maldição de Hill House – Shirley Jackson

Autora de obras conhecidas como The Lottery ou Sempre vivemos no castelo, Shirley Jackson escreveu, também, um dos mais conhecidos e reconhecidos livros de terror gótico, uma das melhores histórias de fantasmas do século XX, A Maldição de Hill House. À semelhança de Sempre vivemos no castelo ou das histórias curtas de Dark Tales, não esperem, em A Maldição de Hill House, um terror explícito, mas sim, algo que questiona as capacidades psicológicas e emocionais das personagens, e que joga com a percepção do leitor.

A Maldição de Hill House começa com um cientista, John Montague, que assumir um perspectiva científica no estudo do paranormal e que, para tal, convida várias pessoas para a realização de uma experiência. Dada a natureza da experiência quem lhe aluga a casa coloca como condição o envio do jovem futuro herdeiro da casa. A história centra-se numa das duas jovens que aceita o convite, Eleanor, que cresceu a cuidar da mãe inválida e de cuja morte se atribui a culpa por ter adormecido.

Após uma peculiar introdução da casa – Eleanor é a primeira a chegar e depara-se com o casal peculiar de caseiros que se recusam a pernoitar na casa – John Montague introduz ao grupo a peculiar história da casa. Construída por um homem que visa a prosperidade da sua família numa casa grandiosa, Hill House é palco de uma sucessiva série de infortúnios que resulta na loucura e morte de alguns dos seus anteriores moradores.

Mas não é só a história da casa que é peculiar. Construída como um labirinto de difícil percepção e orientação, Hill House possui uma série de ângulos e inclinações ligeiramente diferentes da construçao usual que provocam a impossibilidade de manter fechada uma porta, e a consequente confusão de quem lá circula.

Jogando com a interacção entre as personagens e a desorientante geometria da casa, A Maldição de Hill House apresenta uma série de fenómenos estranhos, sobretudo pela perspectiva de Eleanor que, já na infância, tinha sido centro de uma série de acontecimentos de teor duvidoso. Através da mente emocionalmente instável de Eleanor os acontecimentos são apresentados de forma dúbia e questionável, jogando, também, com a percepção do leitor e nunca fazendo com que se tenha a certeza da assombração.

Shirley Jackson tece, em A Maldição de Hill House, um inteligente puzzle sem resolução óbvia que deixa o leitor desorientado, como um mero espectador que poderá criar a sua própria conclusão dos acontecimentos a que assistiu.

A Maldição de Hill House foi publicado pela Cavalo de Ferro.

The Wormworld Saga – Vol. 1 / 2 – The Journey Begins / The Shelter of Hope – Daniel Lieske

The Wormwold Saga começa com um rapaz, Jonas, que odeia matemática, e que se refugia, sempre que pode, num local secreto, a que acede pelo seu quarto na casa da avô. Aqui, neste local, inventa belíssimas aventuras onde enfrenta tudo e todos com a sua poderosa espada de madeira.

Órfão de mãe, que terá morrido num incêndio, encontra-se em vias de ir para um colégio interno por conta das más notas – e é, ao saber desta possibilidade, que resolve seguir uma estranha criatura que encontra no local secreto, um seguir que o leva a um mundo fantástico dominado por uma força negra. Neste mundo tem faculdades diferentes dos restantes, dado ter origem na nossa realidade – neste mundo poderá fazer a diferença se conseguir enfrentar a sua maior fobia, o fogo!

Mais voltado para um público juvenil, o que mais surpreende The Wormworld Saga é o visual, com belíssimas páginas centradas nas aventuras na floresta, onde se mostram estranhas mas fantásticas criaturas. Jonas encontra uma amiga na floresta que sabe como evitar a maioria dos monstros e que lhe dá a conhecer as limitações do mundo em que se encontra.

Alternando páginas de poucas falas (onde se destaca o ambiente) com episódios de maior acção (seja por fugir aos monstros, seja porque está implícito que os restantes humanos se podem tornar perigosos) estes dois volume de The Wormworld Saga destacam-se pelo visual cuidado e pela qualidade da edição. O resultado são páginas graficamente envolventes numa história onde se denota a necessidade de escapar dos eventos reais.

Este livro foi adaptado para jogo de tabuleiro, A Floresta Misteriosa. Este jogo está a ser lançado em Portugal este mês pela MEBO e será o jogo de tabuleiro escolhido para o próximo Sábado.

God Country – Cates, Shaw, Wordie, Hill

Se surgisse uma hipótese de recuperares todas as memórias de uma vida e todas as tuas capacidades físicas, depois de anos de esquecimento, decerto ficarias tão destemido quanto o herói deste livro. Num estranho encontro sobrenatural surge uma espada poderosa, uma espada que faz com que Quinlan, que tem Alzheimer, recupere as suas faculdades mentais, enquanto esmaga um demónio que assola a propriedade em que se encontra.

God Country centra-se, sobretudo, nos relacionamentos familiares, por vezes difíceis por conta das diferenças geracionais, mas agravadas pela falta de comunicação e pelo esconder de sentimentos. Neste caso, para além destes factores existe uma demência que torna um homem num velhote intratável que deixa de reconhecer o próprio filho e amedronta a neta.

Com o retomar das faculdades mentais, nem por isso a comunicação retorna, até porque existem muitas mágoas e inseguranças camufladas, mas, ao retormar a memória, o velhote apercebeu-se da nebulosidade que se tinha instalado na mente e, acima de tudo, percebe que se tinha esquecido da falecida esposa.

Não querendo voltar a esquecer-se da falecida esposa, e sabendo que se tornou um peso na vida do filho, a possibilidade de retomar, para sempre, a memória, é demasiado boa para abdicar dela sob ameaça de várias entidades poderosas. Ameaças e não só. Sucedem-se batalhas épicas e estrondosas pelo poder da espada consciente que protege o velhote.

Este volume de God Country reúne a totalidade da história que tem momentos interessantes, sobretudo quando explora os relacionamentos familiares e os sentimentos. Se um doente grave Alzheimer pudesse, nem que fosse por momentos, recordar-se da pessoa que era antes, como reagiria? O que seria capaz de fazer para se manter curado?

Novidade: O Segredo do Bosque Velho – Dino Buzzat

Eis um dos meus livros favoritos de todos os tempos! O Segredo do Bosque Velho tem nova edição portuguesa pela Cavalo de Ferro. Neste livro a floresta apresenta uma dinâmica fantástica, com os humanos a serem elementos impulsionadores da narrativa, mas com entidades como o vento ou os génios das árvores a desempenharem os papéis principais, espectadores poucos passivos que assistem a alguns acontecimentos de mãos atadas.

O coronel Sebastiano Procolo herda do seu tio parte do Bosque Velho, lugar mágico habitado por génios, espíritos e forças invisíveis com o poder de se transformarem em animais ou homens. Indiferente a esta natureza idílica, o coronel tem planos bastante mais práticos para rentabilizar a sua herança, desencadeando uma guerra que diluirá as fronteiras entre o Bem e o Mal, contaminando a realidade de elementos fantásticos. Adaptado ao cinema num filme de enorme sucesso, que recorda a prosa alegórica de Saint-Exupéry e do seu “O Principezinho”, “O Segredo do Bosque Velho” é o romance onde Buzzati melhor evoca a perda da inocência e a brutalidade do real, temas que fazem parte do universo do autor. «Magnífico, o último fabulista moderno.» The Guardian

 

 

 

 

Elsewhere – Vol. 1 – Faerber, Kesgin, Riley e Mauer

Com uma premissa engraçada, este primeiro volume apresenta uma série com alguns elementos interessantes mas que, comparativamente a outras séries em curso, como The Autumnlands, fica muito aquém.Entenda-se, este primeiro volume fornece uma leitura agradável e movimentada, mas a premissa aqui exposta já foi melhor explorada.

Porquê a comparação com The Autumnlands? Ambas as séries começam com o aparecimento de um ser humano numa outra realidade carregada de elementos fantásticos. Mas se, em The Autumnlands, o mundo apresentado se auspicia carregado de detalhes interessantes, a realidade paralela de Elsewhere parece bastante linear – uma realidade de elementos quase medievais onde os seres humanóides lutam contra um lorde de reinado ditatorial.

Amelia Earhart, célebre pioneira da aviação que desapareceu em 1927 a tentar circun-navegar a Terra, apareceu numa outra realidade fantástica dominada por um típico ditador que a todos prende e tortura. Esta premissa, em que uma heroína surge noutra realidade, com aura de predestinada à libertação da tirania, surge também noutros livros, como Reborn de Millar, mas de forma mais competente – Amelia aparece neste mundo a meio de uma fuga de dois prisioneiros e acaba por os acompanhar.

Quem ler esta comparação com The Autumnlands ou Reborn (duas das minhas séries favoritas dos últimos tempos), irá pensar que Elsewhere é uma série péssima. Pelo contrário. É uma série que consegue entregar diversão e envolver o leitor centrando-se numa figura histórica e apresentando-a como uma personagem interessante e aventureira. Graficamente não é fascinante nem arrebatadora, mas tem uma qualidade consistente. Já do ponto de vista narrativa, cai nalguns clichés mas é capaz de apresentar bons momentos de acção.

Se lerei o próximo volume? Com menor prioridade de outras séries que sigo!

Novidade: Biblioteca de Brasov – Afonso Cruz

Vai ser lançado, a 2 de Maio, novo livro de Afonso Cruz, o sexto volume da Enciclopédia da Estória Universal, com o título de Biblioteca de Brasov. Para quem não conhece, a Enciclopédia apresenta uma série de pequenas histórias por ordem alfabética, entradas que se relacionam e tecem lentamente uma narrativa maior. Eis algo mais sobre este volume:

Neste novo volume da Enciclopédia da Estória Universal, obra fundamental do (des)conhecimento, continuamos a coleccionar pérolas da obra de Malgorzata Zajac, assim como da teologia mística de Miroslav Bursa: «Deus existe onde não estamos, quando nos esquecemos de uma palavra, na gaveta que não abrimos, nos caroços que cuspimos, na escuridão de um quarto vazio, nos caixões dos filhos mortos. Porque um Deus infinito só cabe no infinito do não-ser.» E de Petar Stamboliski: «Celebro a imaginação porque a realidade é um lugar- comum.» E ainda descobrimos a inusitada semelhança entre o nosso cérebro e pinturas de Bosch e Miguel Angelo, espreitamos excertos dos diários de uma actriz desaparecida e ficamos a conhecer um conjunto de negócios estranhos à volta do mundo: DES-SAPATARIA, espaço em Trieste, onde as pessoas simplesmente se descalçam e libertam os pés da tirania dos sapatos. “O MELHOR DESCALÇADO ITALIANO”, lê-se na montra.

 

 

Novidade: Quem teme a morte – Nnedi Okorafor

Eis outro dos grandes lançamentos de ficção especulativa de 2018 em Portugal, pela Saída de Emergência! Trata-se de um dos melhores exemplos de afro futurismo, publicado originalmente em 2010 que venceu o prémio World Fantasy Award. Li o livro há alguns anos e do que me recordo é um livro peculiar, impregnado de elementos africanos que o tornam bastante diferente das fantasias épicas ou das obras de ficção científica europeias.

Desenvolvendo-se a partir de uma realidade cultural bastante diferente da que nos envolve, a história consegue tocar em temas polémicos como a tentativa de controlo das mulheres através da castração ou a luta entre populações através das violações que visam diluir o sangue dos vencidos. Uma história com ecos da realidade africana que consegue ultrapassar os seus ecos e tornar-se em algo mais.

Deixo-vos a sinopse:

Uma África pós-apocalíptica. Uma profecia misteriosa. Uma criança destinada a salvar o seu povo.

Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.
Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

À espera de: Lançamentos internacionais

Conhecida pelos livros A Súbita Aparição de Hope Arden (obra vencedora do World Fantasy Award para 2017 e uma das linhas leituras favoritas do ano passado) e As primeiras quinze vidas de Harry August (vencedor do prémio John Campbell Memorial Award), Claire North tornou-se um nome a seguir! Neste romance distópico o homicídio tem literalmente um preço a pagar! Um preço que faz com que os ricos possam escapar impunemente por este crime. O lançamento do livro na edição inglesa está previsto para Maio.

What if your life were defined by a number?

What if any crime could be committed without punishment, so long as you could afford to pay the fee assigned to that crime?

Theo works in the Criminal Audit Office. He assesses each crime that crosses his desk and makes sure the correct debt to society is paid in full.

But when Theo’s ex-lover Dani is killed, it’s different. This is one death he can’t let become merely an entry on a balance sheet.

Because when the richest in the world are getting away with murder, sometimes the numbers just don’t add up.

 

Há alguns anos (mais do que uma década) li todos os livros publicados em português ou em inglês de Stephen Lawhead. São, na sua maioria, romances históricos que se centram bastante na narrativa e nas personagens e que, por isso, conseguem tornar-se bastante envolventes. Ainda que tenha lido, entretanto, obras de ficção histórica de outros autores que julgo serem melhor conseguidas (a série Primeiro Homem de Roma de Colleen McCullough, por exemplo), não deixo de sentir alguma nostalgia e vontade de ler os novso lançamentos deste autor:

The isle of Eirlandia has been ravaged by the barbarian Scálda, who seek to conquer all. The High King has called for the warring clans and tribes of the Tuatha DeDanann to set aside their feuds and unite to fight to save their nation.

Conor is the first-born son of the Celtic king Ardan mac Orsi. He should have been battlechief, but a birthmark casts him as unclean and that honor has fallen to his younger brother Liam. Conor is resigned to his fate, but wishes he could do something to earn his tribe’s respect.

Sometimes wishes take unexpected turns—when Conor is wrongly accused of theft and cast out of his tribe, he embarks on a dangerous mission to not only prove his innocence but to expose the treachery that led him on this path. He also seeks the ethereal beauty he saw being abducted by the Scálda. Convinced that she is no mortal woman, but one of the faéry, Conor must find and rescue her.

Because he knows that if the Scálda gain the secret of faéry magic, they will conquer his homeland.

Depois de American Elsewhere (vencedor do Shirley Jackson Award e muito recomendado pelo João Barreiros) e de City of Stairs (o primeiro de uma trilogia fantástica que consegue ser inovadora num cenário em que o género quase que atinge o ponto de saturação) o autor lança este Foundryside que também promete ser interessante e que entra directamente para o topo da minha futura lista de aquisições:

In a city that runs on industrialized magic, a secret war will be fought to overwrite reality itself–the first in a dazzling new fantasy series from City of Stairs author Robert Jackson Bennett.

Sancia Grado is a thief, and a damn good one. And her latest target, a heavily guarded warehouse on Tevanne’s docks, is nothing her unique abilities can’t handle.

But unbeknownst to her, Sancia’s been sent to steal an artifact of unimaginable power, an object that could revolutionize the magical technology known as scriving. The Merchant Houses who control this magic–the art of using coded commands to imbue everyday objects with sentience–have already used it to transform Tevanne into a vast, remorseless capitalist machine. But if they can unlock the artifact’s secrets, they will rewrite the world itself to suit their aims.

Now someone in those Houses wants Sancia dead, and the artifact for themselves. And in the city of Tevanne, there’s nobody with the power to stop them.

To have a chance at surviving–and at stopping the deadly transformation that’s under way–Sancia will have to marshal unlikely allies, learn to harness the artifact’s power for herself, and undergo her own transformation, one that will turn her into something she could never have imagined.

Bastante conhecida no meio fantástico (ou não fosse ter ganho um John W. Campbell Award, um World Fantasy Award, um Prometheus Award, um Mythipoeic Award, um Nebula Award e um Hugo Award) Jo Walton escreveu, entre 2010 e 2013, uma série de textos no TOR.COM sobre os vários nomeados e vencedores do prémio Hugo. A ideia por detrás destes textos é a de que o conjunto de cada ano reflecte o estado da ficção científica desse ano. Este livro apresenta esses textos, revistos e comentados:

The Hugo Awards, named after pioneer science-fiction publisher Hugo Gernsback, and voted on by members of the World Science Fiction Society, have been given out since 1953. They are widely considered the most prestigious award in science fiction.

Between 2010 and 2013, Jo Walton wrote a series of posts for Tor.com, surveying the Hugo finalists and winners from the award’s inception up to the year 2000. Her contention was that each year’s full set of finalists generally tells a meaningful story about the state of science fiction at that time.

Walton’s cheerfully opinionated and vastly well-informed posts provoked valuable conversation among the field’s historians. Now these posts, lightly revised, have been gathered into this book, along with a small selection of the comments posted by SF luminaries such as Rich Horton, Gardner Dozois, and the late David G. Hartwell.

Engaged, passionate, and consistently entertaining, this is a book for the many who enjoyed Walton’s previous collection of writing from Tor.com, the Locus Award-winning What Makes This Book So Great.

Congo – Um mundo esquecido – Henrique Gandum

Por motivos geográficos (rápidos e quedas de água abruptas ou uma densa floresta) as áreas do Congo mais afastadas da Costa permaneceram por explorar pelos europeus até à segunda metade do século XIX. Estas áreas mais isoladas haveriam de começar a ser sondadas apenas em 1867 e muitas equipas haveriam de perecer na densidade do terreno.

Congo Um Mundo Esquecido de Henrique Gandum leva-nos ao Congo de 1880 acompanhando uma expedição que se inicia se forma abrupta – com um corpo humano. A causa da morte é desconhecida pelos restantes, pensando-se estar associada a um animal de grande dimensões.

Recordando Congo de Michael Crichton ou Júlio Verne com explorações em locais inóspitos carregados de bestas desconhecidas, Congo Um Mundo Esquecido apresenta as quezílias entre os homens europeus que surgem do confronto com o desconhecido. Numa densa floresta onde a fauna é pouco amiga de humanos, é fácil desconfiar de todos aqueles que aparecem, quase que vindos do nada.

Esta não é a primeira exploração de Henrique Gandum em torno dos dinossauros, tendo ganho o galardão nas Curtas&Docs do Geração Arte de Outubro. O autor trabalha sobretudo com animação e Congo Um Mundo Esquecido é a sua primeira banda desenhada, produzida a solo e publicada no sistema POD (print on demand). Como primeiro trabalho denota capacidade para tecer uma aventura, num estilo mais clássico de desenho, com personagens de expressões caricatas e um desenho que precisa de mais profundidade.