Lançamento: Monstros Fabulosos de Alberto Manguel

A editora Tinta-da-china publicou recentemente um novo livro de Alberto Manguel, desta vez, um livro sobre os monstros na literatura. Cada capítulo é dedicado a um monstro, uns mais óbvios do que outros, constituindo, novamente, um fascinante livro sobre livros.

Mas desta vez o autor estará em Portugal para o lançamento deste livro, num evento que decorrerá na próxima sexta-feira, dia 25 de Outubro, pelas 17h30, no Auditório do Museu da Farmácia. A apresentação ficará a cargo de Pedro Mexia de Pedro Araújo Pereira.

 

 

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Evento: O Fascínio das Histórias

No próximo dia 26, irá decorrer, na Gulbenkian, um evento que se centra na ficção especulativa. A programação inclui clássicos de ficção científica, e convidados como Alberto Manguel, Filipe Melo ou Rui Zink, e vai apresentando sessões sobre as várias formas em que estas histórias podem aparecer, desde filmes a livros, sem esquecer a banda desenhada, os videoclips e os videojogos.

Neste dia serão ocupados vários espaços, cada um com uma programação distinta. Aconselho-vos a consultar a página oficial do evento, mas abaixo deixo-vos um rápido resumo. Ainda que me alegra bastante ver desenvolvidas iniciativas como esta, onde há espaço para livros e filmes de ficção científica, o único elemento que me desagrada é o pouco envolvimento de autores do género, existindo vários, entre os convidados que se encontram naquele pseudo intelectualismo que pouco acrescenta a estes géneros da ficção especulativa

Grande auditório – filmes como Fahrenheit 451, Blade Runner,  Blade Runner 2049, o último episódio de Game of Thrones ou o documentário que levou à concretização do evento, O Fascínio das História. De destacar a presença de Rogério Ribeiro, o organizador do Fórum Fantástico, aquando da exibição de Game of Thrones;

Auditório 2 – várias palestras destacando-se Once Upon a Place de Alberto Manguel;

Auditório 3 – dedicada a palestras sobre as histórias do cinema;

Sala 1 – com três palestras diversas, uma sobre o Dicionário dos Lugares Imaginários, outra sobre o tempo e uma terceira sobre distopias / distopias;

Sala 2 – focada na literatura, com palestras, e intervenção de autores como Rui Zink ou Afonso Cruz;

Sala de ensaio do coro – dedicada a biografias;

Sala de ensaio principal – onde se fala de videojogos, séries de televisão e videoclips.

Evento: Noite dos medos

Organiza-se, anualmente, desde 2017, em Melgaço, uma Noite dos Medos! Este evento, que tem como foco o terror, é organizado pelo Município de Melgaço em colaboração com a Associação Empresarial Minho Fronteiriço e tem como objectivos proporcionar animaçao e criar condições para a divulgação de crenças e contos, relacionados com a temática do “oculto”.

O evento incia-se com Welcome Drink dos Medos na Casa da Cultura, espaço que estará tematicamente decorado. Segue-se um cortejo que convida a uma visita ao cemitério dos medos, onde decorrerá o Enterro dos Medos, o Esconjuro das Bruxas e a Queimada Galega. O evento fecha com um espectáculo de fogo e festa.

Para mais informações podem consultar a página oficial do evento.

Resumo de Leituras – Outubro de 2019 (2)

85 – Sentinel – Luís Louro – Luís Louro continua no mesmo tom de Watchers, mostrando uma personagem que se fartou da figura dos observadores que perturbam o quotidiano e parte para uma vingança louca e desmedida. O tom visual continua fabuloso, numa história de uma Lisboa futurista, paralela à nossa que é usada como crítica social num enredo mirabolante;

86 – Legendary Horror Stories – Vários autores – A primeira publicação de uma das lojas de banda desenhada de referência em Lisboa traz-nos histórias dos mais conhecidos autores nacionais. O resultado é agradável, com curtas com bons detalhes narrativos e desenhos fabulosos;

87 – Sweet Tooth – Book Three – Jeff Lemire – A história termina neste terceiro livro, trazendo-nos simultaneamente, o culminar de uma civilização e o nascimento de uma nova, mais equilibrada com a natureza;

88 – Rat Queens – Vol.2 – Kurtis J. Wiebe, Roc Upchurch, Stjepan Šejić – Se tinha achado o primeiro volume leve e agradável, uma leitura engraçada que não chega ao extraordinário mas que pode servir para limpar a mente, neste segundo volume, a história pareceu-me ter perdido o foco e entra por uma resolução narrativa pouco lógica. Sim, estamos a falar de um mundo fantástico, mas a sucessão de acontecimentos deveria reger-se por uma linha lógica.

As Sombras de Lázaro – Pedro Lucas Martins

O vencedor do prémio de António de Macedo (prémio organizado pela Editorial Divergência) do ano passado é um novo autor, Pedro Lucas Martins. O livro com que venceu o prémio, As sombras de Lázaro, é um livro de terror, de tom pausado, que recorda algumas obras mais clássicas pela forma como se desenvolve, sem pressas.

A história decorre na fronteira ténue entre a loucura e o sobrenatural, fornecendo detalhes suficientes de ambas as vertentes para nos deixar na dúvida ao longo de todo o romance, sobre a origem dos elementos que provocam a narrativa. Elementos estes que são desenvolvidos na medida certa – o suficiente para tornar a leitura inquietante, mas sem a exaustão que poderia deixar a narrativa insípida.

A narrativa decorre num espaço quase isolado. Lázaro encontra-se em casa, após dois anos de internamento psiquiátrico, para o Natal. Fisicamente exausto e debilitado, permanece na cama, receoso do retorno dos episódios que o levaram ao hospital, e atento aos novos quadros que se encontram naquele quarto que terão imagens pouco relaxantes.

Paralelamente, o filho, pequeno, pensa em estabelecer uma nova ligação com o pai, figura que, até aqui, tem sido distante, e a mulher oscila entre o alívio pelo retorno de Lázaro e a antecipação da perda de autonomia com o retorno da figura dominante. Por sua vez, a governante cumpre o seu papel, mantendo-se distante do patrão que conhece desde pequeno mas pelo qual nunca sentiu grande empatia.

A acção oscila entre o tempo presente, com Lázaro numa cama, e episódios passados que explicam as interacções entre as diferentes personagens. Lázaro teve um relacionamento difícil com os pais (sobretudo com a rigidez paterna) e cedo deixou a casa dos progenitores, regressando apenas após a morte de ambos, com a esposa.  Para além disso, Lázaro recordará um episódio quase enterrado de algo que o terá marcado psicologicamente.

Esta combinação de características torna As Sombras de Lázaro numa surpresa muito positiva. Surpresa porque se tratando da primeira obra do autor não esperava uma obra de narratva pouco linear, de acção tão balanceada e que, ao tocar num género que facilmente pode resvalar, tivesse um tom tão clássico.

Get Jiro – Todos querem apanhar o Jiro – Anthony Bourdain, Joel Rose e Langdon Foss

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Em Todos querem apanhar o Jiro somos levados a uma realidade alternativa, em Los Angeles, em que dois chefs de cozinha se degladiam pelos melhores produtos e os melhores restaurantes. Actuando como chefs da máfia, recusam clientes e exercem a sua supremacia alimentar, utilizando ingredientes raros (de espécies em vias de extinção que actualmente ainda não o estão).

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Jiro monta o seu novo restaurante em Los Angeles, alienado de toda esta competição. Mas não por muito tempo. Assim que se sabe da sua existência, num restaurante de sushi, os dois chefs não pouparão esforços para o tentar cativar como aliado, prometendo-lhe o melhor fornecimento de ingredientes. Cada vez mais assediado por ambas as partes, Jiro acaba por ceder e utilizar a sua posição para colocar os dois grupos rivais em guerra aberta, causando o caos na cidade.

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Get Jiro apresenta uma realidade alternativa com toque de absurdo que leva a competição entre chefs de cozinha a um novo patamar. Afrontar um chefe é perigoso e logo nas primeiras páginas assistimos à decapitação de um cliente que pediu um rolo califórnia num restaurante de sushi. Neste futuro próximo novas espécies entraram em extinção e os habitantes da cidade de Los Angeles vivem tão obcecados por comida que os chefs de cozinha têm grande poder.

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Esta combinação resulta numa narrativa com traços de absurdo, divertida e leve. Jiro é uma personagem dura, de princípios culinários e que tenta usar as suas capacidades para se manter fora das lutas entre as duas máfias da cidade. É, no mínimo, uma história original que usa o contexto de comida de forma bastante diferente de outras histórias que se centram na relação com a comida.

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Este volume foi publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público.

A Febre de Urbicanda – Schuiten e Peeters

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A Febre de Urbicanda é um dos trabalhos de Schuiten e Peeters no Universo de As Cidades Obscuras, série que integra outros volumes como A teoria do Grão de Areia. Neste caso a narrativa centra-se em Urbicanda, uma cidade de arquitectura imponente, desenhada na perfeição por Eugen Robick.

Urbicanda parece a cidade perfeita. Os prédios alinham-se numa proporção balanceada e imponente. Os cidadãos que vemos estão bem vestidos e confortáveis. As ruas são ordeiras, limpas e luxuosas. Mas para terminar o alinhamento perfeito, falta a construção de uma ponte – uma ponte que ligará os dois lados da cidade e que é, por esse motivo recusada.

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Do outro lado da ponte encontram-se os outros. Os trabalhadores que vivem na cidade onde a desordem faz parte. Os pobres que devem ser afastados das belas construções e cuja entrada deve ser controlada e fiscalizada. É neste contexto que a ponte é recusada, por ser um elemento de contacto que poderá facilitar a passagem dos indesejados.

É com esta recusa que nos apercebemos estar perante uma falsa utopia, um estado totalitário que, à semelhança da sua arquitectura imponente, impõe uma separação das classes e uma autoridade rígida. Algo que será quebrado  de forma inesperada, caótica e irregular.

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Eugen Robick recebe, no seu escritório, um cubo – uma estrutura surreal cujo material não consegue identificar. Não lhe dando grande importância, Robick deixa-a no seu escritório. Quando regressa da reunião em que lhe foi recusada a ponte (o elemento em falta na cidade que projectou) percebe que a estrutura se multiplicou, crescendo em tamanho e quantidade dos cubos.

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Este será o elemento que quebra o quotidiano. Crescendo de forma incontrolável e inquebrável, o cubo sobrepõem-se às estruturas perfeitas desenhadas pelo homem. É uma aberração que, num primeiro momento se torna incomodativo, mas num segundo se transforma numa ponte bizarra entre as duas margens permitindo, pela primeira vez, o contacto não regulado entre os habitantes de ambas as partes.

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O cubo, indiferente às alterações que provoca, é o elemento que move a narrativa ao introduzir uma falha no ambiente perfeito. É o elemento de imperfeição na cidade, a doença citadina que rompe a ditadura e a torna impossível, que possibilita que duas partes da mesma sociedade se toquem, nem que seja momentaneamente.

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A Febre de Urbicanda é um álbum que se destaca pelo seu aspecto visual. A arquitectura que apresenta, simultaneamente futurista com traços de outros tempos, é sonhadora, imponente e perfeita. Em termos narrativos é subtil. Existe um regime opressivo, mas tal é percebido de forma suave, mostrando autoridade sem momentos violentos ou excessivos.

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Este volume foi publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público na colecção Novela Gráfica. Não é um lançamento inédito no mercado português, mas o volume encontrava-se esgotado antes desta edição.

Uber – Vol.1 – Kieron Gullen e Caanan White

Conhecido por obras como Phonogram ou The Wicked + The Divine, Kieron Gullen tece, em Uber, uma história de tom bastante diferente que, em comum com as mais citadas contém apenas, um certo tom de misticismo. O cenário é a Segunda Guerra Mundial, mas numa realidade diferente em que a guerra que terá tomado, no final, um rumo bastante diferente.

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Após horríveis experiências humanas, as forças alemãs foram capazes de produzir super soldados através da utilização de uma estranha substância. Com uma força e uma resistência desmesuradas, estes soldados possuem ainda elevadas capacidades psíquicas. A sua existência é o suficiente para parecer virar a guerra. Felizmente, os Aliados conseguiram roubar estes segredos militares e estarão agora a tentar construir os seus próprios super soldados, pensando fazer frente ao avanço nazi na Europa.

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O tom é negro. As primeiras páginas levam-nos a visualizar bombardeamentos e tiroteios, com pedaços de corpos voando em todas as direcções. Os corpos humanos dissolvem-nos, aparecem caveiras e outros pedaços pouco perceptíveis do que já foi uma pessoa.

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Confesso que as primeiras páginas foram cansativas de tanta carnificina. Não por alguma sensibilidade a tanto sangue e restos humanos, mas porque não parecia haver muito mais. Felizmente, a história arranca após estes primeiros episódios, mostrando-nos os elementos que permitiram mudar o curso da guerra.

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Em termos narrativos ganha mais interesse após estes cenários iniciais, ainda que tenha chegado ao final do volume sem perceber se é uma história que se pretende levar a sério (apesar das deambulações místicas) ou que se pretende mais leve. Apesar dos episódios mais pesados, o volume termina com um episódio no limite que parece afastar a história de um tom mais sério.

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Neste seguimento será uma série que provavelmente me levará a adquirir o segundo volume por conseguir combinar uma boa componente de acção com uma explicação de premissa que gostaria de perceber melhor.

Resumo de Leituras – Outubro de 2019 (1)

 

81 – Como uma luva de veludo forjada em ferro – Daniel Clowes – Uma história psicadélica carregada de elementos absurdos onde não faltam cães mutantes, teorias da conspiração ou fascínios sexuais;

82 – Sweet tooth – Book 2 – Jeff Lemire – A humanidade colapse sob a força de uma epidemia. Simultaneamente, as novas crianças apresentam características de animais que as levam a ser caçadas e perseguidas. Um destes novos rapazes sobreviveu isolado com o pai na floresta, mas quando também o progenitor sucumbe, vê-se capturado e tratado como uma cobaia para experiências. Agora encontra-se liberto mas procura, com os seus companheiros, as suas origens;

83 – Get Jiro – Todos querem apanhar o Jiro – Anthony Bourdain, Joel Rose e Langdon Foss –  Um novo chefe de cozinha chega a Los Angeles – Jiro. Profissional de sushi e destemido, Jiro vê-se no meio de uma guerra entre dois chefes de cozinha que actuam como grupos mafiosos. Enquanto os clientes fazem fila por um lugar num restaurante, os chefes degladiam-se pelos melhores produtos e pelos melhores associados;

84 – Get Jiro – Sangue e Sushi – Anthony Bourdain, Joel Rose e Alé Garza – Prequela ao volume Todos querem apanhar o Jiro, este volume mostra as origens de Jiro – mais especificamente como ganhou as tatuagens em todo o corpo e como se tornou num chef.

Prometeu e a Caixa de Pandora – Luc Ferry

Em Prometeu e a Caixa de Pandora explora-se o mito grego da criação do ser humano e como os presentes que Prometeu deu à humanidade o levam a um castigo infinito de tortura diária. Como forma de tentar balancear a humanidade, Zeus cria uma caixa com todos os males do mundo e uma linda, mas curiosa humana, Pandora.

Para quem costumava ler os contos da mitologia grega ou romana, este livro apresenta-se como uma agradável adaptação da história, ligando as duas histórias mitológicas. Visualmente agradável, tem, como principal defeito, a pouca caracterização de personagens, fazendo-nos percepcionar a história de uma perspectiva ausente da narrativa.

Após a luta entre os novos deuses e os Titãs, Zeus distribui os vários domínios e usufrui do resultado da guerra. Mas a vida de Rei dos Deuses é aborrecida e Zeus acaba por pedir a Prometeu (um dos titãs que permaneceu em paz) para criar seres vivos mortais que habitem os vários domínios.

Prometeu assim faz, com a ajuda do irmão, um titã de mentalidade mais simples mas de grande capacidade manual. Animal a animal, o irmão cria todos os animais, enquadrando-os no seu clima e no seu papel de caçador ou herbívoro, distribuindo todas as armas possíveis, como garras ou dentes afiados, entre estes animais.

Em simultâneo, Prometeu cria uma única espécie, especial – o homem. Mas ao ver que não lhe restam elementos com os quais se possa defender, e querendo que os homens ultrapassem o papel de brinquedos, resolve oferecer-lhes o fogo bem como outras artes.

Zeus apercebe-se que uma das novas criaturas tem capacidades para além das que desejava nos habitantes da Terra. E vendo no homem uma ameaça decide castigar Prometeu e fazer com que diversos males atinjam os homens, desde a Guerra à Doença.

Este volume apresenta uma adaptação quase directa do mito, sem grande caracterização de personagens ou desenvolvimento de enredo, para além do narrador de acontecimentos. Contém alguns elementos introdutórios mas que não me parecem suficientes para captar o ambiente das mitologias gregas, ou as personalidades das figuras divinas.

É, no entanto, uma edição agradável, em capa dura, com várias páginas de conteúdo adicional, desde versões alternativas do mito grego, a informação sobre os deuses ou curiosidades sobre alguns objectos.

Este volume foi publicado em Portugal pela Gradiva.

Resumo de Leituras – Setembro de 2019 (4)

77 – Saga – Vol.8 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples – Neste oitavo volume a família desloca-se a mais um planeta para resolver uma gravidez. Pelo caminho encontram novas especíes que os confrontam (como o povo esterco) e colocam-se várias questões de género e sexualidade, enquadradas na narrativa;

78 – Touch – Claire North – Neste romance da autora existem entidades que conseguem passar a sua consciência através do toque e ocupar novos corpos, vivendo as suas vidas. Uma premissa engraçada que toma um curso mais movimentado porque estas entidades estarão a ser caçadas por uma sociedade para militar;

79 – Rat Queens – Vol.1 – Kurtis J. Wiebe e Roc. Upchurch’s – Divertido e movimentado, este volume não é excelente, mas apresenta um grupo de mercenárias capazes de se fazer valer nas situações mais imprevistas. Existem vários comentários cómicos e divertidos, bem como outras reviravoltas que dão um tom ligeiro à narrativa;

80 – Dias sombrios – Juan Escandell e Luís Ferrer Ferrer – O território espanhol serviu de palco para algumas batalhas durante a Guerra Mundial que causaram alguns distúrbios no território espanhol. Alternando entre duas épocas diferentes, conta uma única história que terá decorrido em Ibiza.

Rat Queens – Vol.1 – Kurtis J. Wiebe & Roc Upchurch’s

Divertido e movimentado, mas carregado de clichés, este primeiro volume de Rat Queens apresenta-nos uma cidade farta dos mercenários. Sim, a sua existência dá jeito, de vez em quando. Mas quando estão de folga são arruaceiros dando mau ambiente às ruas da cidade. É com vista a melhorar o comércio que se montam emboscadas aos grupos de mercenários  dando-lhes missões que os levarão a enfrentar perigos imprevistos.

Um destes grupos denomina-se Rat Queens e é composto por mulheres das mais diversas raças fantásticas, cada uma com uma capacidade diferente o que permite que o grupo, no seu todo, funcione bem. Há quem seja capaz de magia, grandes pontapés ou de se esgueirar sorrateiramente para concretizar os roubos mais impossíveis. Apercebendo-se que as missões eram uma armadilha, os sobreviventes voltam à cidade e unem esforços para tentar desmascarar a origem dos pedidos.

Apesar de não ter achado a história excepcional, é refrescante ter um livro de fantasia focado quase exclusivamente em personagens femininas – personagens que se mostram variadas, fortes e capazes, mas expressando também sentimentos e pensamentos.

Rat Queens é uma história movimentada, carregada de episódios de acção, onde ocorrem as mais absurdas batalhas. É possível que alguém seja esmagado sem aviso prévio e que o adversário caia ao ser eliminado pela menos provável das guerreiras. Há lugar para amores e desamores (sem tomarem o lugar central da narrativa), planos loucos e trocas divertidas de palavras para aligeirar o ambiente. A narrativa tem algumas conversas um pouco mais adultas, mas, no meu entendimento, é uma leitura própria para adolescentes.

O resultado é uma leitura agradável e divertida que me levará a adquirir o próximo volume. Os desenhos são competentes, dando especial destaque às expressões e às cenas de batalha (com fundos difusos ou inexistentes) e o ambiente é relaxado, com alguns elementos absurdos – sem excesso, só o suficiente para tornar a leitura mais fluída.

Como uma luva de Veludo forjada em Ferro – Daniel Clowes

Se David Lynch fizesse banda desenhada (para além do The Angriest Dog in the World) imagino que tivesse parecenças com este Como uma luva de veludo forjada em ferro. Os saltos narrativos, os focos em elementos absurdos e arrepiantes (mas simultaneamente alienados), a sexualidade presente mas pouco erótica, a realidade vista como uma má trip onde nem sequer falta uma banda sonora.

Como uma luva de veludo forjada em ferro começa com uma ida ao cinema em que a visualização de um filme fetichista (com o mesmo título da banda desenhada) leva a personagem a procurar a protagonista principal, a ex-esposa, Barbara Allen. Se tal início não fosse suficientemente estranho, até a busca sobre a ficha oficial do filme é surreal com elementos místicos colocados num local estranho e inverosímel.

A partir daqui a personagem é levada por uma sucessão de acontecimentos absurdos e grotescos, cruzando caminho com uma seita de propósitos obscuros. Não será o único. Na vila, onde procura a origem do filme, cruza-se com pessoas obsecadas por essa seita, procurando significados escondidos e pistas em tudo o que as rodeia. Estes não são os únicos elementos surreais. Encontramos cães sem orifícios, hippies que rodeiam um profeta, uma seita (mais uma) misândrica, deformações, desmembramentos, estranhos adereços médicos – tudo aceite quase de uma forma natural pelas personagens.

Como uma luva de veludo forjada em ferro estranha-se. Não é para ser lido esperando uma narrativa linear. Ou sequer como uma história terra a terra, lógica e facilmente preceptível. O título é uma referência ao filme Faster, Pussycat! Kill! Kill! conhecido pela sua violência, representação provocadora dos géneros e… um diálogo que visa envergonhar Raymond Chandler (ou assim o dizem as referências que apanho sobre o filme). Uma combinação estranha, no mínimo.

Mas há mais referências como “What’s the frequency, Kenneth”, uma frase expressa a Dan Rather numa agressão que, mais tarde,  se tornaria uma música. E existirão outras que não apanhei para pesquisar. Mas tão interessante quanto as influências denotadas pela história, é a influência da história noutros meios, tendo influenciado a criação de uma banda sonora.

Este volume foi publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público.

 

Resumo de Leituras – Setembro de 2019 (3)

73 – Sweet Tooth – Book one – Jeff Lemire – Desta vez o autor leva-nos para um cenário apocalíptico em que uma doença desconhecida acaba com a espécie humana. Paralelamente, todos os novos seres humanos nascem com características de animais, algumas mais óbvias do que outras. Na sua maioria apresentam atrasos mentais. Mas, sendo um livro de Lemire, a história foca, sobretudo, o lado humano das duas personagens principais, um rapaz com hastes e um homem que o descobre e promete levá-lo para uma reserva;

74 – Prometeu e a caixa de Pandora –  Luc Ferry – Adaptação de um conto mitológico grego para banda desenhada, focando a lenda de geração da espécie humana e a forma como só a esperança lhe resta;

75 – Lenine – Ozanam, Rodier e Rey – A história de Lenine foca-se sobretudo na personalidade histórica, dando-lhe uma componente humana e mostrando os seus maiores amigos e desamores. A história é, no entanto, contada num único volume, pelo que se focam alguns episódios mais representantes, olhando-se para o homem, mas não sendo o suficiente para nos apresentar a pessoa. Ainda assim, uma adaptação interessante;

76 – How to draw Comics the Marvel Way –  Stan Lee e John Buscema – É, sem dúvida, um livro bom para quem desenha, mostrando os truques para desenhar super-heróis à forma Marvel – como dar toda a tragicidade a uma postura ou mais movimento a um desenho. É, também, útil para quem lê, fazendo com que esses truques se tornem mais visíveis

Saga – Vol. 8 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Num tom relaxado e desinibido, Saga vai tocando em alguns aspectos polémicos, assimilando questões associadas a preconceito que cada vez mais são relevantes na nossa sociedade. Mas Saga consegue fazer isto de forma inteligente, integrando estes aspectos na história.

Em Saga o conceito de família é algo fluído. Sim, existe mãe e pai, bem como avôs (nalgumas partes da história), mas criar uma criança requer trabalho (como diz o ditado inglês “It takes a village to raise a child” ) e toda a ajuda é preciosa. Neste caso vem de amigos (ou inimigos) que se juntam à eterna viagem no espaço. Há sempre mais um lugar para ir. Neste volume a família desloca-se a alguém que possa resolvar a gravidez de Alana levando-os a um novo planeta com personagens peculiares, pois a criança estará morta dentro da barriga.

Saga aborda a sexualidade como algo rotineiro. Algo normal que acontece entre adultos, quer sejam um casal, ou não. Não são de estranhar os fétiches ou os casais pouco convencionais. Para além de vermos casais de diferentes espécies sapientes encontramos trans género e pessoas de sexualidade fluída. Tudo de forma bastante natural.

Nada que seja de estranhar numa série que coloca, no centro do enredo, o relacionamento proibido de duas pessoas de espécies diferentes. Esta componente poderá ter algum paralelismo com os relacionamentos inter-raciais e com os problemas sociais que enfrentam. Neste caso, a relação é ainda mais perigosa porque gerou descendência, fazendo com que ambas as facções da guerra se unem para tentar eliminar a família. Será que esta preocupação em eliminar a descendência tem origem na explicação biológica de espécie? Bem, cá estarei para ler o final.

Mas este volume não toca só na sexualidade. Também no aborto e nas razões possíveis para o fazer, trazendo ao enredo uma mãe loba (curioso que a figura esteja associada à maternidade como a loba que salvou Rómulo e Remo) que realiza estes procedimentos em instalações pouco profissionais – os lugares oficiais não realizam abortos para este tempo de gestação, obrigando a família a deslocar-se aos confins da espaço.

Ainda que pareça pouco relevante na narrativa global da série (terei de ler o seguinte para perceber se assim é) este volume volta a conter elementos imaginativos e fantásticos como o povo esterco, uma espécie de entidades pouco racionais (quase zombies) que ganham vida a partir das fezes e que atacam quem encontram, numa luta literalmente suja.

Este oitavo volume continua com a boa disposição demonstrada ao longo da série, apesar da tragicidade dos acontecimentos. Existem batalhas épicas com espécies surreais. Existem picos de tensão que resultam em beijos inesperados. Existem crianças fantasma que saltam e brincam, desafiando a sua própria mortalidade (não, não me enganei a escrever). E são todos estes elementos que continuam a fazer da série uma das melhores histórias de Space Opera de sempre e que levam os leitores a pegar no próximo volume.

A série Saga é publicada em Portugal pela G Floy.

Osso – Rui Zink

À semelhança de A Instalação do Medo (premiado com o Utopiales, o mais prestigiado prémio francês de ficção especulativa) Osso traz-nos uma história que decorre num único espaço e que centra no diálogo entre duas personagens. Enquanto o premiado decorre num só tempo (um mesmo episódio descrito do princípio ao fim) neste caso vão decorrendo pequenos saltos temporais – a conversa vai sendo tido ao longo de vários meses. Até porque um dos intervenientes não tem outro lugar para estar.

Em Osso um homem foi apanhado no aeroporto com explosivos. Nesse seguimento é detido e interrogado. O interrogatório rapidamente segue pelo absurdo, principalmente por culpa do interrogado que tem uma lógica um tanto ou quanto estranha. Sim, tentou passar com explosivos. Mas era uma forma de pagar a viagem. E até era uma bomba tão pequena. Tão insignificante. Tão avariada.

Quem lhe deu a bomba? Um primo. Claro. Que para essas coisas não se recorre a estranhos. Mas o interrogado até inutilizou a bomba. Não havia problema nenhum. Decerto, agora que já confessou, se pode ir embora!

Assim prossegue a conversa durante 130 páginas. Tem bons momentos, outros mais aborrecidos, mas com um final fantástico. Com o prosseguir da conversa, também o relacionamento entre os dois se altera, com o interrogador a deixar cair, por vezes, a sua faceta mais dura e a revelar genuína curiosidade pelo raciocínio do interrogado. Ainda que tenha achado A Instalação do Medo mais interessante este Osso é de agradável (e rápida) leitura, sem chegar ao patamar do excelente.

Comic Con – Alguns painéis de autógrafos

Este post será actualizado consoante os autores ou as editoras anunciem as suas sessões.

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A Saída de Emergência tem, este ano, dois autores na Comic Con Lisboa – Simon Scarrow e Naomi Novik. Os autores estarão em painéis e a dar autógrafos nos seguintes horários:

  • Simon Scarrow – 14 de Setembro às 16h15 no auditório Prime Theatre. Sessão de autógrafos das 17h45 às 18h45.
  • Naomi Novik – 15 de Setembro às 14h30 no auditório Spotlight.  Sessão de autógrafos das 16h às 17h00

Para quem não conhece os autores, Simon Scarrow é o autor de Saga da Águia e da Série Napoleão e Wellington. Ambas as séries são de ficção histórica e a primeira ganhou bastante notoriedade pela dinâmica entre as duas personagens principais.

Naomi Novik é a autora de Coração Negro, obra que venceu vários prémios no género, entre os quais o Nebula, o Locus, o BFA e o Mythopoeic e que estará a ser adaptado para cinema. A autora também é conhecida pela série Temeraire, publicada em Portugal pela Editorial Presença.

A informação dos lançamentos foi divulgada via mail pela própria editora.

A G Floy tem também um convidado internacional no evento, neste caso Ed Brubaker! Trata-se do autor de Criminal, The Fade Out, Velvet e Fatale (para citarmos apenas algumas das suas obras, neste caso das publicadas em português). Para além dos autores internacionais, a editora traz também autores nacionais, alguns dos quais publicou com a Comic Heart. Eis o programa das sessões de autógrafos:

  • Ed Brubaker – 13 de Setembro das 12h15 às 13h15, Stand da G Floy. 12 e 14 de Setembro na área geral;
  • Roberto Gomes – 13 de Setembro das 15h30 às 17h00. 14 de Setembro das 17h às 18h30. 15 de Setembro das 15h às 16h30
  • Fábio Veras e Luís Zhang – 14 de Setembro das 17h00 às 18h30.

A informação dos lançamentos foi divulgada pela editora G Floy na sua página de facebook.

Luís Louro estará no evento para a cerimónia dos Galardões Comic Con e para anunciar o seu novo álbum, Sentinel, no Domingo, dia 15 de Setembro. Estará, também, presente nas sessões de autógrafos abaixo listadas, bem como no Artist Alley no restante tempo:

  • 12 de Setembro das 15h30 às 16h30
  • 13 de Setembro das 16h30 às 17h30
  • 14 de Setembro das 13h00 às 14h00
  • 15 de Setembro das 17h15 às 18h15
Esta informação foi partilhada pelo própio autor, na sua página de facebook.
A autora Sandra Carvalho marcará presença no evento, com o lançamento do seu mais recente livro A Noite do Caçador:
  • 13 de Setembro das 10h45 às 11h45 apresentação no auditório Spotlight;
  • 13 de Setembro das 12h15 às 13h15 sessão de autógrafos;
  • 14 de Setembro das 17h45 às 18h45 sessão de autógrafos.

O autor, nomeado para um dos Galardões Comic Con, estará no evento para duas sessões de autógrafos:

  • 13 de Setembro, das 16h00 às 17h00, no stand da Kingpin Books;
  • 14 de Setembro, das 16h00 às 17h00, no stand da Kingpink Books.

Para além destas sessões de autógrafos oficiais, poderão encontrar mais alguns autores na Artist Alley:

  • Miguel Jorge – Apocryphus;
  • Ricardo Venâncio – Hanuram.

 

Novidade: A Noite do Caçador – Sandra Carvalho

Da mesma autora de A Saga das Pedras Mágicas, Sandra Carvalho, chega este mês ao mercado A Noite do Caçador:

Amaldiçoada pelos pares, a feiticeira Korinna implora ao renegado Theron que encontre uma cura para o seu tormento. O feiticeiro aceita ajudá-la, sem imaginar que o plano que engendrou resultará em danos maiores. Mikkel, o rapaz nascido da perversidade de Theron, irá crescer no seio de uma tribo humana, no Norte do Mundo, ignorando as suas origens e o propósito para o qual foi gerado. Ciente de que é diferente dos demais, terá de lutar para conquistar a confiança dos seus líderes e defender o povo dos implacáveis norrenos. Confrontado com o seu destino, será forçado a empreender a arrepiante travessia dos Pântanos dos Danados. Porém, na terra onde lhe fora prometida salvação, a sorte armou-lhe outra cilada. Conseguirá Mikkel salvar a família dos feiticeiros que o perseguem, contrariar a maldição que o assombra e libertar a sua amada Kitta da cobiça do rei Uruz, enquanto explora a magia que pulsa no seu sangue? Ou sucumbirá à herança paterna que o compele a alimentar-se de vida, e acabará por se tornar o mais terrível dos Caçadores?

Uma aventura fantástica de autodescoberta e constante superação, construída sobre os laços da família, da amizade e do amor, e onde a força, a coragem, a lealdade e a determinação serão testadas a cada fôlego.

 

Resumo de Leituras – Setembro de 2019 (2)

69 – Máquinas como eu – Ian McEwan – Um livro de ficção científica que decorre num Universo ligeiramente diferente em que Turing sobreviveu levando à ocorrência de  desenvolvimentos tecnológicos antes do tempo actual. Neste Universo um homem compra um dos primeiros andróides dotados de inteligência artificial e confronta o seu quotidiano com o pensamento lógico de uma entidade;

70 – Monster Dreams – J.S. Meremaa – Uma história curta belissimamente ilustrada que é publicada, neste volume, em três idiomas diferentes;

71 – Flex Mentallo Grant Morrison e Frank Quitely– História pouco linear sobre um Universo de super-heróis algo … flexível. Os episódios estão carregados de elementos surreais, utilizando e deturpando as características gerais dos super-heróis;

72 – Gorazde – Joe Sacco – O autor, jornalista, conta a sua experiência em Gorazde, reunindo relatos da guerra e do quotidiano sob fogo, mostrando como uma cidade em que viviam, em harmonina, pessoas de diferentes religiões e origens, se revira perante movimentos preconceituosos de supremacia. Claramente, ninguém ficou a ganhar com a guerra.

Novidade: Os Cavaleiros de Heliópolis – Jodorowsky e Jérémy

A Arte de Autor anuncia um novo volume para dia 12 de Setembro! Trata-se de um álbum duplo de Os Cavaleiros de Heliópolis que contém duas histórias: Nigredo, a Obra ao Negro e Albedo, a Obra ao Branco. A editora anuncia, também, que irá lançar novo volume duplo em 2020 com as histórias Rubedo, a Obra ao Vermelho e Citrinitas, a Obra ao Amarelo.

Deixo-vos com a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Este primeiro álbum reúne Nigredo e Albedo, os episódios 1 e 2 saga.

O destino de Luís XVII, que pereceu aos 10 anos nas masmorras da prisão do Templo, é, na mesma medida que o Homem da Máscara de Ferro, um dos maiores mitos da História de França. Um destino romanesco que o genial Jodorowski reescreve com brilho numa grandiosa fábula iniciática e esotérica. O traço virtuoso de Jérémy (Barracuda) dá a Os Cavaleiros de Heliópolis a força de um fresco épico, em que se misturam os segredos da alquimia e os arcanos da História.

I – NIGREDO, A OBRA AO NEGRO

Ele é o detentor de um saber. O herdeiro de um poder.

Fim do século xviii. Num mosteiro do Norte de Espanha, esconde-se o templo sagrado dos Cavaleiros de Heliópolis: uma assembleia de alquimistas imortais e afastados do mundo. No momento em que o discípulo Dezassete se prepara para completar a sua formação e integrar a ordem, o seu mestre Fulcanelli revela aos outros cavaleiros o terrível segredo das suas origens. Na realidade, Dezassete é o filho ocultado de Luís XVI e de Maria-Antonieta: o rei de França Luís XVII! Herdeiro desse destino, o jovem vai reclamar o trono que lhe é devido ou ficar na sombra, fiel aos preceitos milenares da Alquimia?

II – ALBEDO, A OBRA AO BRANCO

Não o deixaram tornar-se rei de França. A alquimia reserva-lhe um destino ainda maior.

Dezassete é um ser único. Filho ocultado de Luís XVI e de Maria-Antonieta, ele é o herdeiro legítimo do trono de França. É igualmente um poderoso alquimista, membro da ordem secreta dos Cavaleiros de Heliópolis. Mas a sua iniciação está apenas a começar… O seu próximo adversário há muito que era candidato a, também ele, se tornar cavaleiro. Excepcional, mas perigoso, é provavelmente o homem mais temido do mundo. Aquele que acaba de derrubar Luís XVIII e se prepara para se tornar igual a um deus: Napoleão Bonaparte.