Palestras no Sci-fi LX 2018

Este ano foram duas as palestras no Sci-fi LX, uma primeira sobre ficção científica portuguesa, e uma segunda, com João Barreiros, sobre Robots na Ficção Científica. Em ambas segui a regra de não referir o que não li, pelo que algumas exclusões terão sido unicamente por esta razão.

As naves na ficção científica portuguesa

Comecei por referir onde podemos encontrar as naves (dando destaque ao seu carácter inventivo e único) e passei depois para alguma ficção científica nacional digna de referência.

Aqui servi , sobretudo, de apoio ao João Barreiros, introduzindo o tema e falando de alguns exemplos que me parecem imprescindíveis.

Novidade: Donald Vol. 6

O sexto volume de Donald chegou às bancas hoje! Deixo-vos detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Pág. 5 – UMA QUESTÃO DE FAMÍLIA E BERINGELAS
Pág. 30 – O FOTÓGRAFO DE DESPORTO
Pág. 37 – O INOFENSIVO SPECTRUS
Pág. 72 – O PATO MAIS SORTUDO DO MUNDO
Pág. 102 – TRUQUES PRÉ-HISTÓRICOS
Pág. 103 – A META
Pág. 104 – DUCKTONITE VERMELHA
Pág. 128 – A JARRA
Pág. 130 – O CÚMULO DA POUPANÇA!

 

 

Resumo de Leituras – Julho de 2018 (3)

116 – Harrow County Vol.4 – Cullen Bunn, Tyler Crook – Neste quarto volume Emmy descobre uma possível família, mas o preço a pagar pela aceitação é demasiado elevado! Eis mais um volume carregado de monstros e de possibilidade, mostrando as verdadeiras lealdades de Emmy;

117 – Que Deus te abandone – André Diniz – Neste pequeno livro mostra-se a revolta da população contra um vizinho bandido, um vizinho que ninguém irá ajudar quando a casa colapsa;

118 – Han Solo – Rui Lacas Com o típico estilo do autor, é uma história pela qual rapidamente se sente empatia, dada a elevada capacidade de transparecer emoções e reacções pelas expressões faciais e corporais;

119 – Ms Marvel Vol.1 – A nova heroína não tem as características físicas habituais. Não é alta, loira, nem de ascendência ocidental, nem tem a liberdade de movimentos de uma normal jovem americana. Enquanto cruza as usuais preocupações adolescentes com o choque cultural, este volume apresenta uma heroína que se preocupa com as consequências das batalhas monstruosas entre heróis e vilões.

Novidade: Mágicos de Mickey

Depois do lançamento de Fantomius, uma mini série com uma página maior e de melhor qualidade do que é habitual nas séries Disney, a Goody lança nova mini série! Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora, deste primeiro volume que está disponível nas bancas desde dia 12 de Julho:

Uma das mais belas sagas de Banda Desenhada da Disney é agora reeditada em Portugal, começando pelos primeiros volumes de Origens. Com argumento de Stefano Ambrosio e arte de Lorenzo Pastrovicchio, Marco Gervasio, Marco Palazzi, Marco Mazzarello e Alessandro Perina, Mágicos de Mickey: Origens Volume 1, conta a demanda de Mickey em tornar-se no maior Mago do Reino, contando para tal com o apoio de Pateta, Donald e de Fafnir – uma cria de dragão “adotada” pelo Donald. Mas a tarefa não se configura fácil, pois terá de reconquistar a confiança do seu mestre Nereus e levar a sua equipa a dominar o Grande Torneio de Bruxaria, de forma a salvar a sua aldeia de Ratolândia. Quem tem outros planos é o Bafo de Onça e sobretudo o Mancha Negra, o Senhor da Mentira, vilão que tem por objetivo conquistar a coroa de feiticeiro supremo para dominar o mundo.

Conteúdo

O GRANDE TORNEIO
O PÂNTANO DOS DÓLMENES
O SEGREDO DA GRANDE COROA
LUA DIAMANTE
O POÇO DOS DRAGÕES

O Farol / O jogo lúgubre – Paco Roca

A presença de Paco Roca na colecção Novela Gráfica (publicada pela Levoir em parceria com o jornal Pùblico) já começa a ser habitual. Felizmente. Do autor têm sido publicadas várias obras, e desta vez são publicadas duas histórias num só volume – duas histórias algo diferentes do que é usual do autor, sobretudo a segunda, de carácter mais fantástico, ainda que possua traços reconhecíveis do autor.

A primeira história começa com os tempos conturbados da guerra civil espanhola centrando-se num rapaz em fuga do país para não ser fuzilado. A corrida dirige-o para o mar e quase se afoga mas é salvo por um faroleiro que sobrevive pescando o que o mar lhe traz. Esquecendo, lentamente, as guerras civis, como numa espécie de pausa, paraíso fora do plano terreno, o rapaz restabelece-se e aceita os sonhos do velhote numa cumplicidade de fascínio e esperança. O velhote sonha com o dia em que partirá para uma ilha, onde várias maravilhas o esperam.

A segunda história é uma história de horror. Algo pouco típico do autor, mas que ele própria indica como sendo das suas primeiras obras, baseando-se numa antiga banda desenhada que encontrou. Aqui tenta reproduzir o aspecto facsimilado dessa antiga banda desenhada e apresenta os pesadelos que assombram um jovem por ter vivido na casa de um artista demoníaco.

Ainda que o teor da história seja bastante diferente do que é usual para Paco Roca, reconhece-se a forma como aborda personagens e como desenvolve a história com pequenos detalhes que podem ser inferidos. A história quase parece ter duas camadas distintas. Uma que diz respeito ao trabalho do jovem como assistente do artista (que lhe provoca pesadelos e insónias) e outra que o relaciona com uma rapariga da aldeia com a qual simpatiza.

Na primeira história fala-se de esperanças vãs e sonhos vazios, perspectivas que os homens constroem para não enfrentarem as adversidades com que se deparam – o farol torna-se no local da espera eterna, onde o tempo se suspende. Por sua vez, no segundo conto, o tempo é pesado, corre lentamente e os pesadelos (reais e sonhados) possuem uma elevada carga psicológica. Aqui o local onde se encontra a personagem sobrecarrega-se de más experiências.

Ainda que não estejam entre as melhores do autor, são duas histórias bastante compostas, agradáveis e que conseguem transmitir grande empatia para com as personagens.

Este volume, contendo as duas histórias de Paco Roca, foi publicado pela Levoir na colecção Novela Gráfica em parceria com o jornal Público.

A Chave de Gaudí – Esteban Martin e Andreu Carranza

A Chave Gaudí foi publicado há uns bons anitos (mais de 10) pela Saída de Emergência, mas não o li na altura. Mais recentemente, em El Fantasmas de Gaudí vi, na introdução, uma referência a este livro e a um dos seus escritores, Esteban Martín, onde estaria a teoria de que Gaudí seguiria uma linha de construção mais antiga, que pretendia reproduzir na Terra o que existe no céu.

A Chave Gaudí cruza várias teorias sobre os trabalhos do arquitecto em Barcelona e as suas supostas relações com grupos secretos, reproduzindo perspectivas matemáticas e artísticas para desenvolver estas teorias. Paralelamente acompanhamos uma jovem que se apercebe que a morte do avô poderá não ter sido acidental – tal suspeita é fortalecida quando, nesse dia, é perseguida por brutamontes que atiram nela e no namorado.

Como desenvolver teorias sobre Gaudí sem acabar com um livro chato e académico? Ou com um duvidoso livro de Ficção especulativa? Cruzando as várias teorias com uma história movimentada, onde o perigo eminente justifica os constantes episódios de acção numa fórmula muito explorada por Dan Brown.

Neste romance não falta o casal de apaixonados para sentirmos empatia e torcermos, nem as mortes horrorosas para conceder o sentimento de perigo, nem os vilões que se revelam maus por natureza e não pelas circunstâncias – o mal consciente e propositado que pretende corromper e dominar.

Dentro das limitações da fórmula que pretende transformar a história num page turner, A Chave Gaudí consegue ser competente.  No entanto, a componente mais interessante é exactamente a exposição de teorias que pretendem revelar grupos milenares, secretos que transportam missões tão antigas quanto Cristo, missões que nem os Apóstolos nem outros grupos teriam identificado como necessárias nas palavras deixadas pelo Messias. Ainda, desenvolvem-se teorias matemáticas mostrando que as formas naturais que inspiraram Gaudí apresentam fortes estruturas tri dimensionais pouco usadas pelos restantes arquitectos.

O resultado é uma leitura movimentada e rápida que não me deixou grandes memórias pelas personagens e pelo seu percurso pessoal, mas que contém alguns pontos interessantes que também foram apresentados em El Fantasma de Gaudí (publicado recentemente na colecção Novela Gráfica, publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público).

Novidade: Uma Irmã

Do mesmo autor de Polina, chega-nos Uma Irmã, na colecção Novela Gráfica que se encontra em lançamento pela Levoir em parceria com o jornal Público. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Uma Irmã de Bastian Vivès é uma obra rica em sensualidade, que vai deixar o leitor surpreendido pela simplicidade com que o autor aborda o tema da sexualidade na adolescência. O volume 6 da Novela Gráfica vai estar à venda a partir de 11 de Julho.

Bastian Vivès, é um dos mais inovadores e mais produtivos autores da BD franco-belga, co-criador da série Last Man e autor de Polina, publicado pela Levoir e pelo Público em 2017 e adaptado ao cinema com realização de Valérie Müller e Angelin Preljoca. Estudou na Escola Gobelins e na ESAG Penninghen.  O seu primeiro trabalho de banda desenhada foi feito através do seu próprio estúdio em Paris. Sob o nome de Bastien Chanmax.

Vivès já recebeu os prémios Autor Revelação Angoulême 2009, com Le Goût du chlore,  o Prémio dos Livreiros de BD 2011 e o Grande Prémio da Crítica de BD Francesa 2012.

Antoine, de 13 anos, leva uma vida pacata ao lado dos pais e do irmão mais novo, Titi, numa casa à beira-mar onde a família se encontra de férias, saboreando o Verão. Mas nessas férias, eles terão a visita de uma amiga da mãe que acabou de sofrer um aborto espontâneo, e da sua filha adolescente de 16 anos, Hélène.

O que era para ser mais um Verão passado em família, rapidamente se transforma numas férias verdadeiramente inesquecíveis para Antoine, que acaba por descobrir em Hélène mais do que uma amiga: ele descobre uma infinidade de sentimentos nunca antes experimentados. Como o ter uma irmã mais velha, que lhe apresenta o mundo, o ensina a dançar, a beber e muito mais. Mas, ao mesmo tempo vão-se descobrindo um ao outro e o fascínio do primeiro amor.

 

 

Novidade: Deadpool mata o Universo Marvel

O mais recente lançamento no Universo Marvel da G Floy traz-nos um volume de Deadpool – o mercenário mais desbocado de que há memória (mesmo que ele, por vezes, a perca) capaz das maiores loucuras! Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora, deste volume publicado em formato deluxe que já se encontra nas bancas:

E se tudo o que vocês acham que é cómico acerca de Deadpool fosse na verdade apenas… perturbador? Inquietante e bizarro? E se ele decidisse matar tudo e todos que compõem o universo Marvel? Pior, e se ele conseguisse? VOCÊS achariam isso cómico? As aventuras do Mercenário Desbocado vão ganhar um tom ainda mais negro e surreal, quando ele começa a perseguir super-heróis e supervilões com um único propósito: matá-los a todos, numa saga de horror como nenhuma outra!

Escrita por Cullen Bunn (Harrow County, Venom) e desenhada por Dalibor Talajić (X-Men), Deadpool Mata o Universo Marvel foi um dos maiores sucessos da Marvel (com mais de meio-milhão de exemplares vendidos) e é o primeiro de uma série de volumes em que Deadpool procura eliminar o seu universo super-heróico de uma vez por todas.

Cullen Bunn, um dos mais originais escritores de comics actuais leva até ao limite o facto de Deadpool ser uma das pouquíssimas personagens de BD que se dá conta da sua existência como personagem de ficção. Neste volume, o Mercenário Desbocado vai lentamente intuir que algo extremamente bizarro se está a passar à sua volta, e iniciar a sua busca de rompimento da “quarta parede”, que separa as personagens dos leitores, busca essa que o vai lançar inexoravelmente em direcção à destruição de TODO o Universo Marvel!

Aviso: Não é para putos!

Detalhe de conteúdo:

Deadpool Kills the Marvel Universe #1-4

 

Free Lance – Diogo Carvalho e Nimesh Morarji

Neste pequeno volume (disponível através da Convergência) encontramos duas divertidas aventuras de um cavaleiro típico das histórias de donzelas em perigo que são salvas de grandes monstros. Em ambos os casos o cavaleiro demonstra ser um oportunista, alguém que age de acordo com a expectativa de uma remuneração.

Se, na primeira história, é contratado para salvar uma princesa num castelo em que cada andar corresponde a um grupo de monstros para enfrentar, e o resultado é inesperado, na segunda acaba por salvar uma donzela mais porque até dá jeito do que por honra ou dever.

Ambas as histórias possuem resoluções caricatas, uma paródia às histórias fantásticas de cavaleiros e princesas, que se afastam bastante do ideal de pureza e honra das histórias tradicionais. Tratam-se de duas pequenas histórias divertidas onde os desenhos conseguem representar a acção necessária.

Novidade: Fantomius Vol.2

Já se encontra nas bancas, desde dia 05 de Julho, o segundo volume da série Disney Fantomius. Esta série é publicada num formato diferente do que estamos habituados para a Disney, com uma página maior do que o habitual, em papel mais cuidado e melhor edição (não faltando, por exemplo, desenhos e entrevistas aos autores sobre o ladrão justiceiro). Para os interessados, podem consultar a minha opinião ao primeiro volume da série. Em relação a este segundo volume, deixo-vos a sinopse, bem como conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Conteúdo

Silêncio na Sala
A Maldição do Faraó
A Oitava Maravilha do Mundo
Fantomius na Neve
e ainda…
Uma nova entrevista a Marco Gervasio, o criador da série, e ainda um artigo especial onde pode conhecer em detalhe algumas das engenhocas mais espectaculares criadas pelo Copérnico Pardal que podem encontrar nas histórias de Fantomius.

 

Aqui Mesmo – Forest e Tardi

Aqui mesmo, neste lugar, onde sou tão infeliz, mas acomodado, onde cumpro um objectivo e esqueço o mundo lá fora – Aqui mesmo é o segundo volume da colecção Novela Gráfica e é da autoria conjunta de  Foresi e Tardi, sendo Tardi o autor de Foi assim a guerra nas trincheiras. A história centra-se numa personagem traumatizada que reduziu o seu mundo aos muros em que vive. Arthur Même sobrevive nos muros que dividem as propriedades dos primos, separadas geração após geração por partilhas e disputas, esperando conseguir conquistar as mesmas terras no tribunal.

No cimo dos muros Arthur controla as entradas e as saídas, cobrando a cada passagem uma portagem. De forma a chamarem-no para abrir o próximo portão, quem deseja passar toca um dos sinos, sendo que Arthur distingue facilmente que portão corresponde a que tinido. O seu dia a dia é monótomo, com poucas ou nenhumas conversas, excepto aquelas que terá diariamente com a mãe, por telefone.

A abertura de portão intercala-se com as raras visitas dos advogados e a entrega de bens por  um barco merceeiro. Assim é o quotidiano de Arthur que lhe reduz os horizontes. Esta monotomia irá ser quebrada por uma rapariga atrevida que vive numa das propriedades e pela vantagem estratégica que a região poderá conceder aos actuais líderes políticos do país, que tem perder as próximas eleições.

A quebra de monotomia irá expor os problemas de Arthur, problemas que no início pareciam apenas elementos numa caricatura mas que revelam os profundos traumas que o levam a apegar-se ao muro numa demanda sem fim.

Caricato e mirabolante, Aqui mesmo pode dividir-se em duas partes, uma primeira onde se apresenta a personagem e as suas peculiares movimentações em cima do muro, e uma segunda, em que se quebram todos os elementos que o rodeiam e se perturba o difícil equilíbrio. Aqui mesmo começa como um relato divertido, sobretudo pelas suas particularidades, mas a quebra da rotina faz o enredo aumentar a loucura a cada página.

O resultado é uma leitura estranhamente movimentada, carregada de episódios extravagantes, onde o cómico anda de mão dada com o trágico e o inusitado.

Aqui Mesmo pertence à colecção Novela Gráfica da Levoir em parceria com o jornal Público.

Resumo de Leituras – Julho de 2018 (2)

112 – Duas Luas – André Diniz  e Pablo Mayer – Uma história trágica de como os acontecimentos fazem vergar um homem, cedendo às circunstâncias do local onde vive para sobreviver e possibilitar a sobrevivência dos que gosta – como outros livros de André Diniz, possui uma excelente componente narrativa;

113 – Dylan Dog – Os Inquilinos Arcanos – O último livro da colecção Bonelli traz um conjunto diverso de aventuras de Dylan Dog, com prefácio de Filipe Melo, a pessoa que me pôs a pesquisar mais sobre a personagem. De realçar um sonho futurista que recorda um clássico da banda desenhada;

114 – No bosque do espelho – Alberto Manguel – Um conjunto de textos de Manguel onde fala sobre livros, mas também de aspectos políticos e sociais. Concordando ou não com todas as suas posições é uma leitura bastante interessante;

115 – Aqui mesmo – Forsest & Tardi –  uma leitura estranhamente movimentada, carregada de episódios extravagantes, onde o cómico anda de mão dada com o trágico e o inusitado – os elementos caricatos da personagem resultam de traumas que só mais tarde conhecemos, conferindo alguma loucura à história.

Os Fabulosos Feitos de Fantomius – Ladrão Cavalheiro 1/5

Depois de uma reorganização nas revistas Disney pela Goody, a editora lança este primeiro volume de uma pequena série que tem um formato e qualidade bastante diferente das restantes.  De página maior, papel lustrado, esta edição apresenta, entre as histórias do mirabolante ladrão cavalheiro, entrevistas e esboços. Fala-se da dinâmica das personagens e da inspiração para as histórias.

Algumas histórias de Fantomius já tinham aparecido noutros volumes das revistas Disney, onde se explica como Fantomius conheceu Dolly Paprika, cúmplice e companheira. Os dois formam uma dupla charmosa e imparável, arquitectando novos golpes para distribuirem os lucros pelos mais necessitados. As suas vítimas são, sobretudo, ricos prepotentes e ansiosos das suas riquezas.

Fantomius tem, claro, um arqui-inimigo, o Comissãrio Pinko que tenta descobrir a verdadeira identidade do ladrão e apanhá-lo. Fantomius consegue, entre várias façanhas, ser preso e mesmo assim, continuar a fazer golpes e ocultar quem é. Pinko é, assim, a personagem que confere o ridículo às histórias, o eterno investigador frustrado que ignora as pistas mais óbvias.

Neste primeiro volume não faltam referências a personagens famosas (como Hercule Poirot) nem invenções fantásticas. É que Fantomius é ajudado pelo Copérnico Pardal, um inventor fabuloso, mas bastante distraído, que fornece a Fantomius os mecanismos prefeitos para desempenhar os golpes.

A série Fantomius é publicada em Portugal pela Goody e terá cinco volumes.

Assim foi: Lisboacon 2018

Lisboacon é um evento anual que decorre em Lisboa que tem como objectivo promover e divulgar jogos de tabuleiro. Este evento é de entrada livre e dispõe de um extenso espaço onde qualquer pessoa pode conhecer gratuitamente uma série de jogos de tabuleiro. Adicionalmente, pode ainda comprar jogos a um preço mais acessível do que é usual em várias lojas. Este ano o Lisboacon decorreu no pavilhão desportivo da escola José Gomes Ferreira, com o apoio da Junta de Freguesia de Benfica.

Ao chegar ao pavilhão deparamo-nos com uma série de mesas onde aguardam os mais clássicos jogos de tabuleiro, construídos em madeira e num formato maior do que é usual. Depois de passarmos um piso dedicado a RPG’s, e o salão onde decorrem os torneios (na qual estava uma mesa representando o Sci-Fi Lx – evento que irá decorrer no fim de semana de 14 e 15 de Julho) chegámos à componente principal do evento onde existiam dezenas de mesas e dezenas de jogos à disposição.

Como o nosso intuito era experimentar e comprar jogos novos, dirigimo-nos primeiro à loja para escolher potenciais aquisições e, daí, decidirmos que jogos experimentar. Não demorámos muito. Eu tinha visto algumas críticas positivas ao Legends of Andor e o meu companheiro estava de olho no Five Tribes (para além do Scythe, mas esse era a aquisição certa para o dia).

Começámos com o Legends of Andor – e para tal solicitámos a ajuda de uma das pessoas da organização (que, de realçar, estavam sempre prontos para ajudar, entusiasmados e disponíveis).

Percebi, mesmo antes de começarmos a jogar, que o estilo não me interessava – apesar de gostar da componente cooperativa (já cá temos em casa Ilha Proibida, Pandemic, Hanabi, e Floresta Misteriosa) as aventuras são demasiado pré-definidas, as lutas são decididas pelo resultado dos dados e a progressão é feita com base num narrador.

Para quem gosta do género, é um jogo cujas regras vão sendo apresentadas com o desenrolar das etapas, tornando-o de rápida aprendizagem, visualmente apelativo, com uma temática de fantasia medieval / épica e de jogadas rápidas.

Já o jogo seguinte despertou grande interesse e até já foi jogado cá em casa entretanto. Five tribes é um jogo estratégico com alguma variação de jogo para jogo, dá para jogar ao final de um dia de trabalho (com dois jogadores demora um pouco mais de 1h) e possui uma mecânica de movimento semelhante ao Mancala (algo que nos foi dito um conhecido e que rapidamente comprovámos).

O jogo permite o desenvolvimento de diferentes estratégias que podem resultar em pontuações finais semelhantes – mas apenas aquando da contagem dos pontos no final é que temos a certeza da nossa vantagem. Trata-se de um jogo com dinâmica diferente quando jogado a dois ou a quatro jogadores, pois a dois jogadores cada um joga duas vezes no mesmo turno e ao licitar a ordem de jogada pode tentar coordenar as suas duas jogadas.

O jogo que experimentámos de seguida também se tornou uma aquisição. Century recordou-me Splendor, com a aquisição de pedras ao invés de moedas para comprar cartas com pontos mais elevados. Mas no caso de Century as pedras a que temos direito são definidas pelas cartas que vamos conseguindo ao longo do jogo (deck building / card trashing). Ainda não o jogámos a dois, mas a quatro é um jogo bastante interessante.

Aquando da aquisição percebemos que existem duas versões do jogo: uma mais clássica, que foi a que jogámos, com desenhos que aludem às caravanas de especiarias; e uma segunda, mais colorida de temática fantástica, com golems e pedras preciosas. Indecisa entre as duas versões, optei pela do Golem.

Dado gostar de jogos de estratégia escolhi, ainda, o Concordia para experimentar em casa – o jogo encontra-se no lugar 21 do top de jogos de estratégia e tem o Império Romano como tema.

Resultado: 4 novas aquisições num Sábado bem passado com amigos, destacando-se o bom ambiente do evento, a disponibilidade dos jogadores em interagir com os participantes e a quantidade de jogos para empréstimo!

Claro que um evento deste tamanho não passa sem pontos negativos. A entrada para o evento fazia-se na porta voltada para a estação de benfica, sendo que as coordenadas da escola nos dirigem para a porta oposta, que a pé se traduz numa longa rampa inclinada. As indicaçoes para a porta correcta surgiram demasiado em cima do evento e nem todos os participantes as viram. Faltou, também, um bar de apoio (existem algumas restaurantes e centros comerciais, mas para quem se deslocou a pé a distância era excessiva).

Este será, definitivamente, um evento a voltar nos próximos anos … se a carteira aguentar com o estrago!

 

One-Punch Man – Vol.3

De leitura leve e divertida, One-Punch Man centra-se num poderoso mas pouco típico herói. De cabeça rapada e capaz de dar cabo de qualquer monstro num único murro (resultante em lutas anti clímax que terminam mais rapidamente do que começaram) Saitama resolve inscrever-se, por indicação do seu pupilo, na associação dos heróis.

Ambos realizam os testes mas Saitama é englobado num dos escalões mais baixos, tendo de realizar pequenas acções como herói frequentemente para manter o seu estatuto. Na realidade, Saitama é bem mais forte do que oficialmente se classificou, mas a sua postura algo insolente e descontraída irrita outros heróis que se julgam bastante mais importantes.

Este volume torna-se bastante movimentado e divertido pelo contraste de Sataima para com os heróis típicos, de posturas distantes e calculistas, carregados de uma suposta importância e poder. Sataima afasta-se dos assuntos mundanos quando confrontado com monstros que derrota facilmente, sem todos os gestos e apresentações trágicas que costumam anteceder a entrada de um herói em cena.

A série One Punch Man é publicada em Portugal pela Devir.

Rascunhos na Voz Online – Conversa com José Hartvig de Freitas

O programa desta semana tem, como convidado, José Hartvig de Freitas, um dos editores da G Floy  que está envolvido em grande parte da banda desenhada que se publica em Portugal através da colaboração com várias editoras.

Nesta conversa fala sobre a entrada no mundo da publicação da banda desenhada, bem como dos modelos de publicação de duas editoras, G Floy e Levoir, que permite que se publique em edição de qualidade e mantendo um preço acessível.

Novidade: O Farol – O Jogo Lúgubre – Paco Roca

O quinto volume da colecção Novela Gráfica é de Paco Roca, um extraordinário autor que, felizmente, já começa a ser conhecido em Portugal. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Paco Roca, é um dos autores espanhóis da actualidade mais importantes e premiados, presente em Novelas Gráficas de anos anteriores com as obras O Inverno do Desenhador, e Os Trilhos do Acaso. Em 2016 a Levoir e o Público também editaram A Casa, uma obra galardoada com o Premio Nacional del Cómic 2015.

O Farol foi publicado em 2004, e é uma ode à imaginação, aos sonhos e à liberdade. Embora não seja a obra mais conhecida do autor, é uma das mais importantes para o compreender. O Farol é também uma homenagem de Paco Roca às aventuras da sua infância, um canto a favor da liberdade e da imaginação.

Francisco é um jovem soldado republicano que, ferido, foge das tropas falangistas. Na sua fuga chega a um lugar onde só existe o mar e a companhia de um faroleiro, que o salva de morrer afogado. Telmo, o faroleiro, irá iniciá-lo, pelo meio de muitas referências literárias aos heróis clássicos, como Ulisses, Gulliver ou Simbad, num mundo de aventuras que ele não sabia existirem.

A bicromia a preto e azul resulta perfeita para o ambiente desta obra optimista e de “ritmo lento”.

A segunda história deste volume, O Jogo Lúgubre (título de uma pintura de Dalí), escrita e desenhada inicialmente a preto e branco, em 2001, é uma história brilhante, em que o desenho de Paco Roca é como sempre genial. No inicio do livro, Roca conta que numa livraria encontrou uma edição fac-símile de uma crónica de um antigo secretário do universal pintor catalão Salvador Dalí (Salvador Deseo no livro), que aparentemente seria verídica. Gostou tanto da história que não resistiu a adaptá-la.

A história passa-se em 1936, tempo de agitação política e artística. O fascismo tem cada vez mais força na Europa. Em Espanha a guerra civil está prestes a começar. O madrileno Jonás Arquero viaja para Cadaqués (Girona), um pequeno porto pesqueiro, onde consegue trabalho como secretário de Deseo, o pintor surrealista catalão, que atravessa um período de grande actividade criativa, excêntrica e genial.

Ao passar no bar da localidade, conta que veio para trabalhar em casa do pintor, mas a reacção dos locais não é a melhor, não querem saber nem do artista, nem das pessoas que o rodeiam. Mas, ao chegar a casa, Galatea, a companheira do pintor, informa-o das suas funções como contabilista. A casa é um verdadeiro labirinto, ligando quartos entre si, estúdios onde o pintor pinta, e toda uma panóplia de objectos estranhos.

À medida que os dias passam Jonás começa a conhecer melhor o estranho e carismático Deseo, um homem obcecado com sangue.

Em 2012 esta obra, a mais querida de Paco Roca na altura da sua edição, foi publicada em bicromia, num preto e vermelho mais adequada ao tom de terror do relato.

No final do livro encontra-se um posfácio escrito por Paco Roca, onde ele conta muitas curiosidades sobre a história.

Harrow County – Vol.4 – Laços de Família – Cullen Bunn, Tyler Crook

Em volumes anteriores já nos tinhamos apercebido que existiam outras entidades com fortes poderes – poderes que rivalizavam com os de Emmy. Neste quarto volume estas entidades apresentam-se finalmente – tratam-se de seres intemporais, cada um com capacidades específicas e poderes diferentes, que baniram Hester do seu grupo.

Sendo Hester a bruxa que viria a dar origem a Harrow County e a Emmy, o grupo tem vigiado a jovem e apresenta-se agora como uma espécie de família que se reúne, de tempos a tempos, numa casa sobrenatural fora do tempo e do espaço. A integração de Emmy pressupõe um preço demasiado caro, um preço com o qual não concorda mas quase é obrigada a pagar – o extermínio das pessoas de Harrow County!

Se, por um lado, Emmy sente uma certa familiaridade pelo local em que se encontram e algum fascínio por estas entidades, a sua vontade em acabar com Harrow County acorda o espírito protector de Emmy que acaba por se revoltar.

Carregado de monstros e de entidades de intuitos duvidosos, este quarto volume cimenta a realidade de Harrow County como sendo um local impregnado de magia, onde os espantalhos ganham vida para atormentar os habitantes, as bruxas proliferam e os monstros se escondem nas sombras. Populam os episódios de acção, mas sem deixar de lado algum espaço para a introspecção. A combinação rara para uma série de horror faz desta uma das melhores do género.

A série é publicada em Portugal pela G Floy.

Resumo de Leituras – Julho de 2018

108 – Jardim dos Espectros – Fábio Veras A história é sombria, bem como o aspecto gráfico. Trata-se de uma história de terror onde a tentativa de redenção de um homem fâ-lo enfrentar almas presas a um local maldito;

109 – Viagens – TLS – Vol.3 – A Gfloy e a Comic Heart continuam a promover o trabalho de autores portugueses num volume de boa qualidade e preço acessível onde se reúnem pequenas histórias. O terceiro volume tem como tema Viagens e destaca o trabalho de Ricardo Cabral numa história a cores carregada de elementos fantásticos;

110 – Malditos amigos – André DinizUma grande história de André Diniz em que se explora a depressão e a influência das pessoas que rodeiam a pessoa para conseguir ultrapassar a doença:

111 – Bestiário fantástico – 18 – Jean Ray -Um conjunto de histórias diversas enquadradas no género do terror, que não resvala para o gore ou para a carnificina. Algumas histórias possuem uma estrutura clássica, outras afastam-se bastante e possuem elementos fantásticos – o conjunto é de leitura agradável e essencial para os fãs do género.

7 vidas – André Diniz e Antonio Eder

Neste livro André Diniz expôs a sua experiência com regressões a vidas passadas como forma de perceber alguns momentos de desconforto em que perdia a capacidade de dialogar durante uma conversa normal. Estas regressões ajudaram-no a recuperar algumas memórias de infância, como bonecos e brinquedos que fizeram parte dos seus primeiros anos. Mas não só.

Durante estas regressões experienciou outras existências passadas, existências em que não se sentiu concretizado nem feliz e existências que terminaram abruptamente como resultado do karma transmitido de uma outra vida. Houve, claro, experiências mais felizes e significativas, bem como algumas neutras.

Estas regressões tornam-se cativantes não só pelos episódios estranhos em épocas passadas, mas pelo impacto que acabam por ter na forma como encara os acontecimentos que sucedem na vida actual. 7 vidas acaba por ser um relato com o qual se empatiza, mostrando uma sequência de ligações de amor, amizade e ódio entre as várias existências.

7 vidas foi publicado pela Polvo.