Destaque: Harrow County Vol.2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

O primeiro volume de Harrow County classificou-se como uma das melhores bandas desenhadas para o ano de 2016, tendo sido uma das obras que escolhi para falar nos Sustos às sextas, não só por se adequar ao tema, mas por explorar elementos primitivos num ambiente rural de grande familiaridade o que torna a apresentação do horror mais conhecido e próximo.

Deixo-vos a sinopse do segundo volume bem como algumas páginas:

Depois de desvendar a estranha e terrível história de Harrow County, bem como a sua bizarra ligação às suas gentes, Emmy forjou uma nova e profunda relação com as terras que a rodeiam e com as suas criaturas – mas enquanto Emmy procura aprofundar a sua relação com os seus vizinhos da vila, uma presença ao mesmo tempo familiar e sinistra reúne uma força negra com a qual irá desafiá-la…

Uma história terrível e onírica ao estilo “southern gothic”, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

Pétalas – Gustavo Borges e Cris Peter

Pétalas, um dos mais recentes lançamentos da Kingpin Books, traz-nos uma história tocante de sobrevivência no Inverno, em que raposas e pássaros cooperam para conseguirem superar o clima.

O pássaro é acolhido pelas raposas e, em troca, revela os seus dotes de mágico, distraindo-os durante os serões invernosos. No entanto, o duro clima fez os seus estragos e estes serões não irão durar para sempre.

Esta pequena história inspira grande simpatia pelo aspecto caricato das personagens que conseguem transmitir sentimento sem necessidade de falas e envolver o leitor recorrendo apenas às expressões faciais e ao ambiente criado com as imagens ternurentas.

Destaque e evento: O Homem que Passeia – Jiro Taniguchi

Do mesmo autor de O Diário do meu pai e Terra de Sonhos (publicados nas duas colecções Novelas Gráficas pela Levoir em parceria com o jornal Público) é agora lançado O Homem que Passeia pela Devir, no dia 24 de Junho pelas 17h30 na Festa do Japão. Deixo-vos a sinopse bem como algumas páginas:

Um homem contempla os subúrbios da sua cidade. Caminhando devagar, escuta e cheira. Para e observa.

É impossível não nos sentirmos alheios e indiferentes ao mundo, em    contraste com este olhar puro. Passeando por estas páginas reaprendemos a olhar, talvez a viver, mais atentos às pequenas coisas.

Resumo de Leituras: Junho de 2017 (1)

69 – Velvet Vol.2 -Brubaker, Eptin e Breitweiser – O segundo volume continua no mesmo registo, apresentando uma espia de grandes capacidades que, por conta do seu papel temporário como secretária, é menosprezada por quem a persegue. Ou será que, finalmente, encontra alguém ao mesmo nível que a consegue capturar?

70 – The Long Way to a small, angry planet – Becky ChambersUma Space Opera leve e divertida que consegue apresentar algumas temas interessantes como a discriminação racial ou a identidade de género apresentando várias sociedades alienígenas possíveis com diferentes modelos;

71 – Retratos de jovens senhoras, cavalheiros e casais – Charles Dickens e Edward Caswall – Como o nome indica este pequeno volume apresenta estereótipos de comportamento em sociedade, principalmente de jovens em idade casadoira ou modelos típicos de casais. .

72 – História do Espelho -Sabine Melchior-Bonnet  Aproveitando o reflexo da imagem humana, este pequeno livro de história apresenta várias perspectivas interessantes, desde económica e social, até religiosa e filosófica.

Destaque: Criminosos do Sexo Vol. 2 Matt Fraction e Chip Zdarsky

O primeiro volume de Criminosos do Sexo apresentou uma premissa interessante, centrada numa capacidade peculiar das personagens principais – a de parar o tempo! Mas apenas quando têm um orgasmo.

Depois de um encontro amoroso em que ambos pensavam estar sozinhos nos seus poderes, a partilha desta possibilidade fez com que ganhassem grande afinidade e objectivos comuns, objectivos que poderão ser mais facilmente atingidos se arranjarem uma forma fácil de ganhar dinheiro.

A série está a ser publicada em Portugal pela Devir.

Deixo-vos a sinopse e uma pequena amostra das páginas interiores, bem como a ligação para o comentário ao primeiro volume:

Suzie, uma bibliotecária e Jon, um ator partilham a mesma habilidade…

À medida que a sua relação evolui, decidem aproveitar este truque para assaltar bancos… mas o que fazer a seguir quando termina a emoção?

 

Destaque: Cage – Brian Azzarello e Richard Corben

A banda desenhada que inspirou a série é um dos mais recentes lançamentos da G Floy, com argumento de Brian Azzzarello e arte de Richard Corben. Deixo-vos a sinopse e algumas páginas:

Quando Luke Cage aceita investigar o assassinato de uma jovem adolescente, descobre que está a decorrer uma guerra entre três gangues diferentes pelo controlo do bairro a que chama lar. E que melhor maneira de quebrar um impasse do que oferecer os seus serviços a quem lhe pagar mais?

 

Eventos: Lançamento Cidades

Para quem, como eu, não teve oportunidade de ir ao Festival de Banda Desenhada de Beja, Cidades vai ser lançado durante esta semana em Lisboa, no dia 08. Primeiro volume da Lisbon Studio Series, uma série de antologias que reúne histórias curtas, possui sete histórias de oito autores e prefácios de Filipe Homem Fonseca e Jorge Coelho. Para os interessados deixo-vos a página oficial do evento e algumas páginas do interior.

Feira do Livro de Lisboa – Sugestões livros do dia – 04/06/2017

Eis algumas sugestões de entre os vários livros do dia de hoje!

Referência ao género distópico, 1984 continua a ser um livro actual, cada vez mais aconselhável, publicado em Portugal pela Antígona, a mesma editora que publicou clássicos do género como Nós de Zamiatine ou Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.

Oscilando entre os tons sépia e os gradientes de cinzento, na ausência de palavras, as imagens contam uma história de emigração, acompanhando o sacrifício de um homem em deixar a família procurando condições melhores, na esperança de, um dia, os poder trazer. Emigrantes de Shaun Tan é um dos livros mais emotivos do autor e em Portugal foi publicado pela Kalandraka. Para os interessados eis um comentário mais longo ao livro.

Destinado a  um público mais juvenil, Os Livros que Devoraram o meu pai, contém várias referências a personagens ficcionais conhecidas utilizando-as para adicionar camadas de complexidade a uma história relativamente simples. O livro foi publicado pela Editorial Caminho. Para os interessados eis um comentário mais longo.

Utilizando a experiência com a banda desenhada e a frequência do curso de Psicologia Miguel Montenegro criou uma série de tiras cómicas que ironizam as práticas e as teorias da Psicologia. A primeira edição de Psicopatos foi publicada através da própria faculdade que frequentava. Entretanto foram publicados dois volumes pela Arcádia.

Eventos: Lançamento Jim Del Monaco – Ladrões do Tempo – Luís Louro e Tozé Simões

O nono álbum da colecção iniciada há 32 anos é apresentado no próximo Sábado pelas 18h30 na Feira do Livro de Lisboa. Deixo-vos a sinopse:

A inauguração de um museu de paleontologia, que esconde um poderoso segredo, está no centro de uma conspiração de perigosos extremistas amantes de práticas desviantes que desejam restabelecer a nova ordem mundial.

Quando, inusitadamente, rebenta uma velha guerra de ossos, é revelada a verdade que deu buraco, o mesmo através do qual se inicia uma perseguição errática no tempo, que leva Jim Del Monaco ao regresso ao passado e a um salto ao futuro, sempre no encalço dos meliantes com ameaçadoras criaturas a morderem-lhe os calcanhares.

Inicialmente inspiradas em Jim das Selvas e tendo por pano de fundo a era colonial de meados do século passado, as aventuras de Jim Del Monaco desenrolam-se em torno dos mitos e lendas do grande continente africano, bem como dos clássicos intemporais da literatura e do cinema de aventura, suspense, mistério e ficção científica. Os acontecimentos e personagens são tanto reais como ficcionados, mas estão sempre de alguma forma associados ao imaginário da época, embora por vezes pontuados por elementos descontextualizados e importados da modernidade.

Os enredos abordam os temas e situações de forma caricatural, numa linguagem humorística e apimentada, com desenlaces rápidos, inesperados, surreais e até mesmo absurdos, tendo unicamente por objetivo entreter e divertir de forma bem humorada.

 

Resumo de Leituras: Maio de 2017 (2)

65 – O Incrível Hulk – Part 1 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – O primeiro volume desta aventura coloca o herói num planeta carregado de estranhas espécies alienígenas que farão parte dos mais espectaculares cenários de batalha. A narrativa, apesar de possuir pontos cliché, consegue surpreender nalguns pontos com a progressão no segundo volume;

66 – Monstress – Vol.1 – Marjorie Liu e Sana Takeda – Fascinante, fabuloso, negro e imenso. Assim é o mundo de Monstress, de forte influência oriental onde os gatos possuem um papel preponderante;

67 – Herland – Charlotte Perkins Gilman – Um grupo de exploradores procura uma sociedade composta apenas por mulheres esperando encontrar a mais primitiva das combinações. O que encontra é a irmandade perfeita, evoluída mental e tecnologicamente com uma progressão estável – um choque para estes homens habituados a ver as mulheres como potes, belos, indefesos e utilizáveis;

68 – Apenas um peregrino – Garth Ennis e Carlos Ezquerra – Uma história violenta num mundo pós-apocalítptico carregado de salteadores e monstros, onde um homem, justiceiro, religioso mas obscuro, se coloca como bom samaritano, apesar da sua postura violenta e assustadora.

Resumo de Leituras – Maio de 2017

(já foram lidos há mais tempo, mas só agora tive tempo de actualizar esta rubrica)

61 – Edição Extra – Geral & Derradé – Este volume compila histórias mais antigas de Geral & Derradé, entre as quais algumas que foram publicadas em formato solto em jornais e outras publicações do género. Volume menos coeso que A Demanda do G, apresenta o mesmo espírito cómico, leve e divertido revelando-se, por isso, uma leitura muito agradável;

62 – Coisas de adornar paredes – José Aguiar – Uma história pausada sobre a procura de boas premissas quando a mais óbvia se encontra no quotidiano;

63 – Lovesenda – António de Macedo – Conhecido primeiro como cineasta que chegou a ter um filme seleccionado para o festival de Cannes, tem-se dedicado, nos últimos anos à escrita. Entre ficção científica, histórias mais esotéricas e textos que acompanham o desenvolvimento da fantasia, António de Macedo também produz Fantasia! De realçar que este será, sem dúvida, uma das grandes publicações em Portugal nos últimos anos! Apresentando a Ibéria numa época em que os cavaleiros cristãos co-existiam com a presença moura, Lovesenda contém uma história mítica, mística e extraordinária, contada através de uma escrita pausada e bem tecida;

64 – Hoje acontece-me uma coisa brutal – El Torres e Julián López – Partindo com a premissa usual de herói que surge quase do nada com poderes sobrenaturais que usa para o caminho da justiça, apresenta alguns detalhes narrativos poucos usuais e explora a cidade de Barcelona em páginas de excelente visual.

Destaque: Beirão – Rafael Sales

 

Pela Escorpião Azul, a editora que lançou Quest for Tula ou Histórias do Outro Mundo, chega-nos agora Beirão! Deixo-vos a sinopse, algumas páginas e… o trailler !

Há anos atrás o povo dizia que o mundo ia acabar em 2000. Não acabou, mas algo aconteceu…

Houve mudanças. A vila de Castendo, no interior de Portugal tornou-se mais agitada no que toca ao crime. É nessas alturas que surge um vigilante. Alguém decidido a travar os criminosos que pensam conseguir escapar à justiça. Na pequena vila de Castendo, a esse herói é dado o nome de… Beirão!

 

O Incrível Hulk – Planeta Hulk Parte 1 e 2 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti

Melancólico, perseguido pela tragédia inevitável, Hulk é dos heróis que mais se presta a grandes episódios de acção pela demonstração de força bruta onde a reflexão tem  pouco lugar e se cede aos mais básicos instintos de violência. Hulk é uma personagem revoltada que precisa de descarregar a raiva explosiva nos momentos que se apresentam propícios.

Porque as suas intervenções se demonstram demasiado destrutivas, os restantes heróis resolvem exilá-lo para um planeta distante onde pensam que poderá libertar toda esta energia demolidora. Desconhecendo o destino para o qual se desloca, Hulk vê-se num planeta onde reina uma ditadura militar, apertada e injusta onde facilmente se acaba como gladiador numa arena, para regozijo do Imperador.

Hulk não é a única personagem poderosa e, de confronto em confronto, sucedem-se as grandes, detalhadas e maravilhosas batalhas que estimulam visualmente o leitor, criando páginas belíssimas e esmagadoras – um planeta alienígena proporciona todas as mais dementes possibilidades e entre monstros gigantescos e horrendos encontramos guerreiros que cruzam as mais animalescas características.

Mas, para além desta espectacularidade visual, Planeta Hulk não é só qualidade de imagem, apresentando uma narrativa com pontos previsíveis no início, mas que consegue enveredar por percursos menos óbvios com o avançar da narrativa.

Ambos os volumes foram publicados em A Colecção Oficial de Graphic Novels, como os números 5 e 9.

The Handmaiden / A Criada

Eis um tremendo embuste.

A Criada é, acima de tudo, um tremendo engano, uma história carregada de percepções imediatas que envolve, não só as próprias personagens, como o público, e assim nos leva a todos por uma narrativa aparentemente simples com um pequeno toque final inesperado. Só que o final não é assim tão final e somos levados por novas perspectivas que nos mostram que existem muito mais por detrás da subversão explícita de uns e da inocência apagada de outros.

A história começa por nos ludibriar com magníficos cenários de contraste ocidental / oriental onde co-existem as duas arquitecturas, ambas meras representações simbólicas, aspirações frustradas de quem se quer mostrar o que não é. A par com o fascínio visual são-nos apresentadas as personagens banais e quase estereotipadas de uma história de caça fortunas: uma jovem que detém uma extensa fortuna permanece refém do tio, viúvo, que aguarda o momento propício para se casar e deter a riqueza. Não podendo, por enquanto, unir-se à jovem, educa-a duramente num mundo de medo e perversão, usando-a para leitura de histórias eróticas ou pornográficas a ricos senhores aos quais pretende vender os antigos manuscritos lidos – encenações onde quem pretende enganar se revela presa fácil de enganos.

Tomando conhecimento da existência desta donzela, rica e isolada, um jovem trapaceiro vê na situação uma presa fácil e monta o que espera ser um golpe fácil – seduzir a jovem a fugir e a casar-se com ele. Para tal recorre a parceiros de outros truques, levando uma ladra profissional, seduzida pela possibilidade de riqueza, a assumir o lugar de aia, com o intuito de aspirar a suspiros à sua proximidade.

Parece simples? Pois parece. Mas a meio percebemos que os principais ludibriados fomos nós. Seduzidos pela usual fatalidade do destino, pelo jogo de percepções fáceis e fascinados pela envolvência que provoca vermos os outros a serem enganados, somos nós que caímos no jogo e assumimos uma perspectiva demasiado linear.  Até porque se a história fosse apenas esta perspectiva teria sido bastante agradável.

Quando se apresentam novas camadas de compreensão à já percepcionada exploração pervertida de impulsos, com momentos intensos de logro e corrupção, o filme torna-se avassalador – o que é realmente importante apaga tudo o resto e mostra-nos como somos presas fáceis da percepção imediata.

Resumo de Leituras – Março de 2017 (2)

57 – O Submarino David – Os Túnicas Azuis – Willy Lambil e Raoul Cauvin – Se num volume anterior assistimos à utilização, na Guerra da Secessão, dos primeiros navios couraçados, neste volume acompanhamos a utilização do CSS David, já considerado um submarino;

58 – Agnar, o Bisavô – A Casta dos Metabarões – Jodorowsky e Gimenez – Este foi lido na biblioteca enquanto aguardava a sessão de lançamento de Lovesenda da autoria de António de Macedo. Este volume continua a apresentar a história dos antepassados do Metabarão demonstrando que se trata de uma linhagem forte que apenas poderia resultar na produção de um super guerreiro;

59 – My work is not yet done – Thomas Ligotti – O conhecido autor de terror apresenta um trio de histórias de terror corporativo onde se apresentam as intensas e corrosivas relações entre chefes de departamento. Nalguns episódios o ar é tão pesado que se apresenta como nevoeiro, impossibilitando o normal andar dos empregados. Claro que sendo Thomas Ligotti não se trata, apenas de terror de ambiente – esperem algumas partes mais gore  brutais com elementos sobrenaturais;

60 – Histórias de outro Mundo – Vários autores  – Antologia de histórias de banda desenhada de ficção científica, possui bons momentos e boas histórias, algumas com pitada de humor e ironia.

Resumo de Leituras – Março de 2017 (1)

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53 – O ouro do Quebeque – Túnicas Azuis – Vol. 10 – Ambos os lados da Guerra enviam um par de soldados disfarçados ao Canada com o intuito de capturarem o ouro acumulado por um garimpeiro. Não esperam é que o guia que arranjam seja pior que eles a orientarem-se nas florestas…;

54 – Louco: Fuga – Rogério Coelho – Visualmente esplendoroso, centra-se no Louco, uma personagem da Turma da Mónica que é conhecido pelos episódios mirabolantes. Aqui mostra algumas das suas aventuras entre mundos, fugindo ao cinzento, e aspirando à liberdade das ideias;

55 – Deadpool – A Guerra de Wade Wilson – Duane Swierczynski e Jason Pearson – Neste volume da colecção da Salvat reúnem-se duas histórias sobre a origem desta personagem contadas pelo próprio, e alteradas para sua própria conveniência consoante a situação. Na primeira faz parte de um plano demente como soldado a soldo, e com a segunda pretende angariar alguém que adapte a sua história para um bom filme;

56 – Through the woods – Emily Carroll – De ambiente negro, este livro reúne várias histórias de horror curtas que terminam, quase todas de forma péssima para as personagens, ou, no mínimo, traumática.

Monstress – Marjorie Liu e Sana Takeda

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Publicada pela Image, Monstress revelou um fabuloso mas negro mundo fantástico onde os seres humanos repartem o mundo com Arcanics, seres mágicos na sua maioria antropormóficos ainda que possam misturar características de outros seres ou elementos irreconhecíveis. Bem, repartir o mundo não será a palavra correcta. Os humanos encontram-se em guerra com os Arcanics e consomem-nos para obterem mais magia.

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A história começa com a captura de uns quantos Arcanics, entre os quais se encontra Maika, uma jovem Arcanic que tem poderes pouco usuais associados a uma marca corporal. Em missão de descoberta e vingança, Maika irá libertar-se e libertar os restantes prisioneiros, numa enorme chacina em que enfrenta o passado e revela um assustador monstro interior – um monstro faminto que a protege mas que toma conta da sua consciência e provoca horrores indescritíveis.

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De forte influência oriental, Monstress mistura várias mitologias e dá à figura felina um papel importante nesta realidade fantástica – um papel que vai ganhando importância com a progressão da narrativa, mostrando que são os detentores do conhecimento antigo, da história e de grandes segredos que poderão explicar o actual relacionamento entre os Arcanics e os seres humanos.

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Os Arcanics, vistos pelos humanos como animais úteis, monstros que são chacinados e usados em experiências macabras, são criaturas inteligentes e sensíveis com os quais é mais fácil mostrar empatia. Os humanos mostram-se, ora como marionetas obedientes, ora como seres manipuladores, sádicos em busca de maior poder.

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A história é sombria e explora, indirectamente várias temáticas. Por um lado, Monstress recorre a várias personagens femininas para quebrar os estereótipos e a comum atribuição de papéis.  Vilãs ou heroínas, as várias mulheres que aqui encontramos são personagens complexas, com passados que desconhecemos mas que vamos descobrindo, pessoas de objectivos vários que se confrontam em mais do que um plano.

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Para além da óbvia dissociação entre o género e a capacidade de realizar acções violentas, Monstress apresenta questões associadas à descriminação levando-nos a questionar não só o que define um ser humano mas a legitimidade de torturar, matar e usar indiscriminadamente seres sensíveis e, até inteligentes.

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Monstress é, em suma, uma banda desenhada de difícil definição. Contendo elementos que recordam a melancolia sombria de alguns animes com a impossibilidade de fugir de um destino mesmo que o mesmo se preveja catastrófico, é uma história de auto-descoberta encapuçada de demanda pela vingança.

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Histórias do outro mundo – vários autores

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Este Histórias do Outro Mundo publicado pela Escorpião Azul reúne várias histórias de ficção científica de premissas e visuais variados, algumas histórias irónicas, outras traumáticas ou pesadas, mas todas numa boa combinação de elementos narrativos e artísticos.

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Histórias de horror perpetuadas por familiares, bases espaciais atacadas em surtos de guerra ou enormes catástrofes apocalípticas – algumas investem em sucessivas reviravoltas narrativas, outras em fortes cenários e episódios de acção. Escolham o que preferem numa história de ficção científica e decerto encontrarão neste conjunto.

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Histórias do Outro Mundo foi publicado pela Escorpião Azul.

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