Destaque: História natural da estupidez – Paul Tabori

Já se encontra à venda mais eis um livro que me parece interessante pela premissa e pela respectiva sinopse!

Um dos grandes clássicos do ensaio do século XX, divertido e profundo. «A Estupidez é a mais mortífera arma ao alcance do ser humano; a epidemia mais devastadora; o luxo mais dispendioso.» A «História Natural da Estupidez» é uma excelente reflexão acerca dessa característica infindável e inefável da raça humana que é a estupidez. O livro está repleto exemplos históricos que marcaram a evolução da estupidez desde a Antiguidade até aos tempos de hoje. A burocracia, o servilismo, a dúvida e a rigidez das leis são alguns dos temas incluídos nos capítulos do livro. Uma deliciosa panorâmica com um fundo histórico-filosófico riquíssimo e ao mesmo tempo uma reflexão para a vida! Uma versão desta obra foi publicada em Portugal pela Portugália nos anos 60 sob o título «A Ciência Natural da Estupidez» e vendeu mais de 12 tiragens. Esse volume, contudo, tinha cerca de 2/3 do original tendo sido censurado. Esta é a primeira edição integral em língua portuguesa.

 

Resumo de Leituras – Março de 2017 (2)

57 – O Submarino David – Os Túnicas Azuis – Willy Lambil e Raoul Cauvin – Se num volume anterior assistimos à utilização, na Guerra da Secessão, dos primeiros navios couraçados, neste volume acompanhamos a utilização do CSS David, já considerado um submarino;

58 – Agnar, o Bisavô – A Casta dos Metabarões – Jodorowsky e Gimenez – Este foi lido na biblioteca enquanto aguardava a sessão de lançamento de Lovesenda da autoria de António de Macedo. Este volume continua a apresentar a história dos antepassados do Metabarão demonstrando que se trata de uma linhagem forte que apenas poderia resultar na produção de um super guerreiro;

59 – My work is not yet done – Thomas Ligotti – O conhecido autor de terror apresenta um trio de histórias de terror corporativo onde se apresentam as intensas e corrosivas relações entre chefes de departamento. Nalguns episódios o ar é tão pesado que se apresenta como nevoeiro, impossibilitando o normal andar dos empregados. Claro que sendo Thomas Ligotti não se trata, apenas de terror de ambiente – esperem algumas partes mais gore  brutais com elementos sobrenaturais;

60 – Histórias de outro Mundo – Vários autores  – Antologia de histórias de banda desenhada de ficção científica, possui bons momentos e boas histórias, algumas com pitada de humor e ironia.

Herland – Charlotte Perkins Gilman

A ideia de uma sociedade constituída exclusivamente por mulheres não é nova – tem vários séculos, para não dizer milénios e o mito grego poderá ter ganho força (ou inspiração) num grupo de nómadas iranianos onde se poderiam encontrar mulheres guerreiras.

De forma bastante diferente, mas revolucionária, Herland foi escrito há mais de um século e ninguém o diria se o lê-se sem saber a data de publicação. Não só pela prosa, que é escorregadia, mas sobretudo pelas ideias originais e avançada para a época, onde o contraste de uma sociedade exclusivamente feminina permite vislumbrar pessoas e não géneros, sem condescendências ou agressividades.

Herland começa por nos apresentar um grupo de três exploradores (homens, claro) que parte em busca de um rumor onde se expressa a existência de uma civilização composta apenas por mulheres. A expectativa é baixa. Sem homens decerto que não terão ordem nem ciência. Esperam uma sociedade caótica, desorganizada e fútil, onde as mulheres se sentam a fazer casacos de malha ou a cochichar.

O que encontram não podia ser mais discrepante. Pensando, inicialmente, que existirão homens (escondidos) que justifiquem a civilização que encontram, são capturados por várias senhoras que, educadamente, os mantém em quartos compostos. O dia a dia é passado a aprender a língua desta civilização, mostrando estes homens o quão superior pensam ser.

Apesar da origem comum, os três homens apresentam perspectivas bastante diferentes. O narrador é mais acessível e rapidamente percebe que a civilização que encontrou corrigiu todos os defeitos da sua – sem religião (ou pelo menos num conceito bastante diferente) e sem conflitos, é uma sociedade próspera com capacidade de evolução, em que se concede a liberdade de prosseguir as inclinações de cada indivíduo, deixando o papel da educação aos mais sábios e experientes com uma dissociação lógica entre o papel de progenitora e mãe.

É desta forma que aprende a ser parceiro da mulher que o ensina e a aceitá-la como ser inteligente, capaz e igual, algo que não ocorre com outro dos membros do grupo que conhece apenas a lógica do forçar o género feminino ao interpretar o não como sim obscuro, minimizando o querer individual e mostrando-se como incapaz de percepcionar uma mulher como um indivíduo por si.

Tão interessante quanto a sociedade descrita é a evolução do narrador quando confrontado com as diferenças, inicialmente relutante e céptico em relação à perfeição daquela cultura, mas que, com a constante exploração e confronto de ideias, percebe as diferenças, a igualdade entre os membros daquela irmandade, impossível no mundo de competição e corrupção em que cresce.

Interessante não só pela perspectiva de género mas pela perspectiva de construção social em que, sendo possível a igualdade, é também possível o desenvolvimento individual e a concretização das capacidades de cada um, Herland torna-se uma leitura excepcional por conseguir apresentar todas estas ideias de uma forma estável, coesa e lógica.

The long way to a small angry planet – Becky Chambers

Lançado em 2014, The long way to a small angry planet tem uma história curiosa. O livro foi publicado como edição de autor no seguimento de uma angariação de fundos pela própria autora e viria a ser um daqueles raros casos em que o sucesso levou a nova publicação por uma editora conceituada no meio editorial.

Seguir-se-iam nomeações para o prémio Arthur C. Clarke e para o BSFA e referências sucessivas ao livro como uma Space Opera bem humorada, mas nem por isso menos séria ou interessante, com momentos de tensão e de elevado entendimento da condição humana – por vezes, da condição alienígena – mas acima de tudo do entendimento de diferentes entidades inteligentes com questões culturais próprias.

A história apresenta-nos a tripulação de uma nave mercante que realiza diversas missões por um valor que é distribuído pelos membros. Encontramos a nave no momento em que se preparam para aceitar mais um membro, uma jovem que terá como missão ajudar a lidar com as burocracias e colmatar o entendimento entre diferentes espécies alienígenas.

Desde logo percebemos que esta jovem assume uma identidade falsa, não sob pretextos criminosos, mas como forma de esconder a ligação familiar a outros humanos de índole duvidosa. Claro que não é a única a esconder um segredo. A A.I. da nave desenvolveu uma personalidade muito própria e prepara-se para passar a um corpo humano (algo ilegal) e um dos membros da tripulação tem um caso altamente secreto com uma bela alienígena. Um a um, vamos percebendo a diversidade de personalidades que se encontram a bordo.

Depois de estabelecer o ambiente a bordo, de companheirismo bem humorado e respeitoso, com excepção para alguns membros incapazes de grande socialização, Becky Chambers aproveita a diversidade de espécies alienígenas para confrontar hábitos e costumes, diferentes formas de pensar e de agir, justificando-os à luz de cada cultura sem dissertações exaustivas, mas conferindo uma unicidade a cada elemento que o torna mais compreensível e, consequentemente, possível alvo da empatia do leitor.

Assim se exploram algumas questões de descriminação realçando os hábitos que foram sendo progressivamente assumidos pelos viajantes de vários mundos (como não olhar durante demasiado tempo ou tentar conhecer antecipadamente gestos ou expressões que possam ser ofensivas) ou questões de género.

Cada espécie alienígena possui formas bastante próprias de sociedade e serve como modelo para a exploração de diferentes sexualidades e comunidades, ultrapassando a noção estanque de uma sociedade homogénea e estereotipada – cada um dos elementos carrega a sua própria história para além da sua espécie.

The long way to a small angry planet é um livro divertido. Apesar de não levar o leitor a grandes gargalhadas estabelece um ambiente agradável entre os vários elementos (que são, quase todos, boas pessoas) colocando-os em situações difíceis de confronto moral e ético, nos quais se vão safando de forma oscilante. Não esperem acções heróicas ou respostas lineares. Tratam-se de personagens complexas que apresentam as suas próprias limitações e que irão responder de forma diferente conforme a ocasião.

Sem chegar ao patamar de extraordinário (por vezes alonga-se demasiado em episódios de pouca importância e possui algumas arestas a limar na apresentação de personagens) The long way to a small angry planet é uma excelente leitura que recomendaria, mesmo a quem não costuma ler o género da Space Opera.

Resumo de Leituras – Março de 2017 (1)

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53 – O ouro do Quebeque – Túnicas Azuis – Vol. 10 – Ambos os lados da Guerra enviam um par de soldados disfarçados ao Canada com o intuito de capturarem o ouro acumulado por um garimpeiro. Não esperam é que o guia que arranjam seja pior que eles a orientarem-se nas florestas…;

54 – Louco: Fuga – Rogério Coelho – Visualmente esplendoroso, centra-se no Louco, uma personagem da Turma da Mónica que é conhecido pelos episódios mirabolantes. Aqui mostra algumas das suas aventuras entre mundos, fugindo ao cinzento, e aspirando à liberdade das ideias;

55 – Deadpool – A Guerra de Wade Wilson – Duane Swierczynski e Jason Pearson – Neste volume da colecção da Salvat reúnem-se duas histórias sobre a origem desta personagem contadas pelo próprio, e alteradas para sua própria conveniência consoante a situação. Na primeira faz parte de um plano demente como soldado a soldo, e com a segunda pretende angariar alguém que adapte a sua história para um bom filme;

56 – Through the woods – Emily Carroll – De ambiente negro, este livro reúne várias histórias de horror curtas que terminam, quase todas de forma péssima para as personagens, ou, no mínimo, traumática.

Monstress – Marjorie Liu e Sana Takeda

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Publicada pela Image, Monstress revelou um fabuloso mas negro mundo fantástico onde os seres humanos repartem o mundo com Arcanics, seres mágicos na sua maioria antropormóficos ainda que possam misturar características de outros seres ou elementos irreconhecíveis. Bem, repartir o mundo não será a palavra correcta. Os humanos encontram-se em guerra com os Arcanics e consomem-nos para obterem mais magia.

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A história começa com a captura de uns quantos Arcanics, entre os quais se encontra Maika, uma jovem Arcanic que tem poderes pouco usuais associados a uma marca corporal. Em missão de descoberta e vingança, Maika irá libertar-se e libertar os restantes prisioneiros, numa enorme chacina em que enfrenta o passado e revela um assustador monstro interior – um monstro faminto que a protege mas que toma conta da sua consciência e provoca horrores indescritíveis.

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De forte influência oriental, Monstress mistura várias mitologias e dá à figura felina um papel importante nesta realidade fantástica – um papel que vai ganhando importância com a progressão da narrativa, mostrando que são os detentores do conhecimento antigo, da história e de grandes segredos que poderão explicar o actual relacionamento entre os Arcanics e os seres humanos.

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Os Arcanics, vistos pelos humanos como animais úteis, monstros que são chacinados e usados em experiências macabras, são criaturas inteligentes e sensíveis com os quais é mais fácil mostrar empatia. Os humanos mostram-se, ora como marionetas obedientes, ora como seres manipuladores, sádicos em busca de maior poder.

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A história é sombria e explora, indirectamente várias temáticas. Por um lado, Monstress recorre a várias personagens femininas para quebrar os estereótipos e a comum atribuição de papéis.  Vilãs ou heroínas, as várias mulheres que aqui encontramos são personagens complexas, com passados que desconhecemos mas que vamos descobrindo, pessoas de objectivos vários que se confrontam em mais do que um plano.

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Para além da óbvia dissociação entre o género e a capacidade de realizar acções violentas, Monstress apresenta questões associadas à descriminação levando-nos a questionar não só o que define um ser humano mas a legitimidade de torturar, matar e usar indiscriminadamente seres sensíveis e, até inteligentes.

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Monstress é, em suma, uma banda desenhada de difícil definição. Contendo elementos que recordam a melancolia sombria de alguns animes com a impossibilidade de fugir de um destino mesmo que o mesmo se preveja catastrófico, é uma história de auto-descoberta encapuçada de demanda pela vingança.

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Histórias do outro mundo – vários autores

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Este Histórias do Outro Mundo publicado pela Escorpião Azul reúne várias histórias de ficção científica de premissas e visuais variados, algumas histórias irónicas, outras traumáticas ou pesadas, mas todas numa boa combinação de elementos narrativos e artísticos.

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Histórias de horror perpetuadas por familiares, bases espaciais atacadas em surtos de guerra ou enormes catástrofes apocalípticas – algumas investem em sucessivas reviravoltas narrativas, outras em fortes cenários e episódios de acção. Escolham o que preferem numa história de ficção científica e decerto encontrarão neste conjunto.

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Histórias do Outro Mundo foi publicado pela Escorpião Azul.

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Um jogo de ti – Sandman Vol. 5 – Neil Gaiman, Swan McManus, Colleen Doran, Bryan Talbot, George Pratt, Stan Woch e Dick Giordano

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Depois de um volume esplendoroso quer na forma como explora a personagem do Eterno Sono, quer na forma como nos mostra vários deuses, de várias mitologias, em competição pelo Inferno, este volume traz-nos uma história bem mais sombria e arrepiante.

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Quando Barbie, uma rapariga do interior que agora vive na grande cidade, revela que é incapaz de sonhar, tal não parece de grande importância. Quando os elementos dos seus antigos sonhos e brincadeiras infantis se parecem materializar no mundo real, provocando surtos de surrealidade nos que a circundam, percebemos que algo de mundo errado está a ocorrer.

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Uma noite algo de muito errado ocorre. Barbie é puxada para o mundo dos sonhos de criança, numa noite de pesadelo comum a todos os moradores do prédio. Por coincidência (ou não), no mesmo prédio reside um homem vazio que alberga cucos no seu interior, bem como uma bruxa antiga que, ao ser incomodada, inicia uma série de perigosos rituais em vingança.

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Chamada à terra das suas brincadeiras infantis pelos brinquedos materializados em pequenas personagens, Barbie tem uma árdua e longa missão para vencer a governante dos domínios, o Cuco, a personagem que toma conta do ninho alheio, captando recursos e a dedicação dos que a rodeiam.

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Este volume mostra que a fronteira entre o sonho, a imaginação e a realidade é ténue. Neste caso a terra de sonho, formada pela imaginação, transforma-se num longo pesadelo, que engole personagens e tem efeitos bastante nefastos na realidade. O pesadelo não vem só da realidade paralela, mas da conversão das personagens boas em adoradoras do Cuco, fascinadas pelo seu carisma.

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Negro e carregado de consequências pela mútua invasão entre os mundos, o quinto volume volta a demonstrar que atingir novamente o equilíbrio tem um pesado preço, mais para os envolvidos parcialmente do que para os que se encontram no centro dos acontecimentos.

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A colecção Sandman foi publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

O Incrível Hulk – Planeta Hulk parte 1 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti

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Se querem força bruta e grandes cenários de batalha mirabolantes, chamem Hulk. Pouco racional e raivoso, Hulk investe contra tudo e contra todos, descarregando grandes quantidades de energia por quem se encontra à sua frente. O facto de ser quase incapaz de se encontrar leva a que os outros super heróis se reúnam e o enviem para um planeta alienígena sem saberem que o estão a enviar para um planeta carregado de batalhas.

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O planeta em que Hulk agora se encontra é dominado por um Imperador, um ditador déspota, maléfico e impiedoso que, à mínima contrariedade ou simplesmente capricho, condena os seus súbditos aos calabouços para ingressarem em batalhas sucessivas onde lutam uns contras os outros, para além de enfrentarem enormes monstros locais.

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Possuidor de uma força sobrenatural, mesmo para este planeta, o cenário não poderia ser melhor para a raiva de Hulk. Não se aliando a ninguém, enfrenta estes monstros de forma desprendida mas vitoriosa em cenas de suster a respiração pela espectacularidade visual.

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Este primeiro volume apresenta não só as sucessivas batalhas, mas a consequente libertação do povo, impulsionados pela destruição de Hulk que acaba por soltar alguns dos outros “gladiadores”. É assim que vamos conhecendo o restante planeta e as povoações, também elas movidas pela raiva, mas também pela vingança, iniciando-se uma série de batalhas que corresponderão à concretização de uma antiga profecia.

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Intercalando diferentes espécimes inteligentes com esplendorosas capacidades para a guerra e para o confronto corpo a corpo, Hulk – Planeta Hulk possui uma premissa bastante simples, quase linear que atinge o seu objectivo de forma bastante simples. A sucessão dos episódios de acção garante uma dinâmica elevada e uma boa variedade visual.

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Este volume é quinto de A Colecção Oficial de Graphic Novels Marvel publicada pela Salvat.

Edição Extra – Geral et Derradé

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Depois de ter adorado A Demanda do G, carregado de elementos mirabolantes que colocam qualquer leitor num estado de boa disposição, foi com grande vontade que peguei neste Edição Extra, que contem histórias das mesmas personagens que já tinham sido publicadas nos mais diversos formatos desde 98.

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Claro que, compilando diferentes história de diferentes origens não é de esperar a estrutura coesa e contínua de A Demanda de G, mas uma série de episódios com o mesmo tipo de humor e elementos divertidos, numa compilação que vale muito a pena.

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Nos primeiros episódios acompanhamos as desventuras de uma mosca intercaladas com os Psicopathos, patos que reúnem uma série de patologias psicológicas. Não faltam, claro, os episódios com a célebre The Badsummerboys Band e até o Pai Natal e Fernando Pessoa aparecem entre as pequenas aventuras.

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O tipo de humor vai variando, com as personagens e as situações, fazendo com que o conjunto seja uma descoberta constante de cenas inusitadas, mirabolantes ou simplesmente idiotas (idiotamente cómicas, claro).

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O conjunto de histórias foi publicado sobre o título Edição Extra pela Escorpião Azul.

Hoje aconteceu-me uma coisa brutal – El Torres e Julián López

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Hoje aconteceu-me uma coisa brutal foi publicado aquando da Comic Con Portugal de 2016, com a vinda dos autores El Torres e Julián López ao evento. Apesar de ter ficado curiosa só recentemente adquiri o livro e descobri uma história de super-herói com poderes um pouco mais introspectiva do que é habitual e um excelente visual.

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Para além das fortes dor de cabeça, Daniel começa, um dia, a ouvir uma voz feminina – uma voz que só ele é capaz de ouvir. A voz instiga-o a intervir no episódio de violência doméstica que decorre no apartamento ao lado e é assim que descobre uma força sobrenatural aliada a uma elevada capacidade de regeneração.

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A este sucedem-se vários episódios em que se decide a intervir, aproveitando os novos poderes para parar e enfrentar criminosos. Como seria de esperar, existem outros como ele, que, desde logo percebe, terem planos próprios ainda que não encarnem o papel de vilão maléfico.

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Apesar destes elementos com super-poderes diferentes juntarem, por vezes esforços para atingirem objectivos comuns, Daniel percebe, num mau momento, que raramente poderá contar com a imediata ajuda e apoio dos restantes. Qual exactamente o papel de cada um e as suas intenções desconhecemos.

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Com elementos comuns a tantas outras histórias semelhantes (o acolhimento alegre e desprendido dos amigos quando descobrem as capacidades de Daniel, a existência de outros, a utilização imediata dos poderes para o bem) e de não conseguir concretizar, na totalidade deste volume, o potencial possível, Hoje aconteceu-me uma coisa brutal tem, também, um desenvolvimento cliché, quase genérico, com a desilusão nos outros elementos com super-poderes e o afastamento necessário de quem se gosta para não os por em perigo.

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No final existem alguns episódios que fogem um pouco à linha narrativa habitual, não se revelando todos os segredos deste mundo e mostrando que o herói central pode escolher o seu próprio percurso afastando-se do que é imediatamente esperado dele.

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Apesar dos elementos conhecidos que são desenvolvidos ao longo da história, a leitura de Hoje aconteceu-me uma coisa brutal vale bastante pelo visual, de fortes contrastes onde se explora, como cenário, a cidade de Barcelona.

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Hoje aconteceu-me uma coisa brutal foi publicado pela Comic Con Portugal.

Drifter – Vol.2 – Ivan Brandon e Nic Klein

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O segundo volume de Drifter continua a linha do primeiro – visual brutal e história misteriosa onde vamos encontrando pistas do que originou as aparentes quebras na linearidade temporal percepcionada, tanto pelas personagens como pelo leitor.

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Passo a explicar. A história começa com um homem a ser salvo de estranhos alienígenas. A percepção que tem é de que a nave onde viajava acabou de se despenhar. Para os que o salvaram, a nave despenhou-se há muito, criando uma pequena confusão na mente deste homem que se refugia na violência como forma de apagar o forte sentimento de impotência.

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Paralelamente vamos assistindo a vários episódios, envolvendo outras personagens,  episódios que visualizamos com pouco contexto, como se, também nós, tivéssemos acabado de chegar e desconhecêssemos este mundo e esta sociedade. Percebemos que os alienígenas funcionam em comunidade entre eles, com uma perspectiva muito própria sobre o que é justiça e regras de convivência, constituindo personagens arrepiantes, pela incapacidade que sentimos em as compreender.

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Misterioso, deixando pequenas pistas ao longo da narrativa saltitante, Drifter é uma leitura desafiante que nos leva a construir um puzzle entre elementos estranhos e pouco lineares, onde os relacionamentos não são óbvios e os acontecimentos não ocorrem de forma sequencial.

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Os azuis a preto e branco – Os túnicas azuis vol.4 – Willy Lambil e Raoul Cauvin

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No quarto volume de Os Túnicas Azuis voltamos à Guerra da Secessão com a conhecida e cómica dupla. Este volume aproveita para explorar a personagem histórica Mathew B. Brady, um fotógrafo que, durante a guerra, e a mando de Lincoln, captava imagens de guerra.

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Depois de um primeiro encontro, pouco auspicioso (pelo menos para Chesterfield), a dupla é obrigada a acompanhar o fotógrafo que se arrisca a exercer a sua actividade nos piores locais da batalha.

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Não é com surpresa que Brady se lesiona, cabendo a Blutch tentar substitui-lo e registar os episódios bélicos. Aproveitando esta nova actividade para fugir da cavalaria (até que enfim!) torna-se um fotógrafo famoso.

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Este volume aproveita assim a dupla cómica para nos apresentar o trabalho de Brady ao longo da Guerra, através do qual aproximou a realidade das batalhas das populações ao publicar as fotos nos jornais.

A colecção Os Túnicas Azuis foi publicada pela Asa em parceria com o Público.

Assim foi: Lançamento Lovesenda de António de Macedo

Decorreu, no dia 18 de Fevereiro, o lançamento do muito esperado livro de fantasia de António de Macedo, Lovesenda, publicado pela Editorial Divergência. Em local privilegiado, na Biblioteca de São Lázaro em Lisboa, numa espectacular sala circular, o evento decorre com ausência do autor (que não compareceu por motivos de doença) mas com presença do filho.

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Logo no início podem assistir aos primeiros minutos do evento onde o editor, Pedro Cipriano, revela a surpresa que foi receber um manuscrito do tão famoso António de Macedo. Mais conhecido pela sua carreira cinematográfica, António de Macedo tem publicado, ao longo das últimas décadas, algumas obras de ficção, sobretudo ficção científica, de onde se destaca o livro de não ficção A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários.

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E porquê este destaque? É que já neste livro que compilava os vários textos de António de Macedo se percebia um forte trabalho de pesquisa, trabalho que, em Lovesenda, permite a criação de um trabalho monumental, intercalando lendas mouriscas com hábitos da época, sem descurar ritos pagãos e crenças cristãs que, na época, se misturavam facilmente.

Mas este forte trabalho de investigação serve apenas como base. Os fortes alicerces permitem a construção de uma história coesa, de prosa elegante, perfeita, que escorre facilmente de página em página. Para saberem mais sobre o livro deixo-vos os comentários feitos por Luís Filipe Silva, Rui Bastos e eu mesma ao livro. Ainda sobre o evento, eis a página oficial da editora.

O livro pode ser adquirido na página da editora, bem como na Leituria.

António de Macedo transporta-nos para uma época em que o encantamento coabitava com o mundano, um tempo de lendas e seres fantásticos, em que cada vida se tornava epopeia mil vezes relembrada (e reinventada). Eis a vida de Lovesenda e as tuas desaventuranças por terras portucalentes, quando ainda era possível tudo acontecer. Erudito, divertido e fascinante, eis António de Macedo no seu melhor.

– Luis Filipe Silva
http://blog.tecnofantasia.com

Uma história medieval em que o místico é contado de forma tão convincente que mais parece um relato histórico. Lovesenda é uma protagonista complexa rodeada de personagens interessantes. O confronto entre o Bem e o Mal é infiltrado por algo misterioso, ao mesmo tempo arcaico e moderno. Enfim, um livro fascinante tão identificável com o autor que chega a ser fotográfico.

– Rui Bastos
http://livrosimples.blogspot.pt/

Lovesenda é um daqueles casos raros em que a elegância da escrita, aliada a fortes descrições, cria um texto claro e deslizante. As narrativas entrelaçam-se, a imaginação é libertada e somos transportados para a remota história portuguesa, quando na Península conviviam mouros, cristãos e outras crenças. A existência simultânea de diversos misticismos cria um ambiente onde a realidade se difunde com o fantástico e os relatos lendários se tornam vívidos. Por tudo isto, Lovesenda é um marco na literatura fantástica portuguesa.

– Cristina Alves
https://osrascunhos.com

My work is not yet done – Thomas Ligotti

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Conhecido por ser uma personagem reclusa, quase escondida e desaparecida, Thomas Ligotti tem recebido ao longo dos vários anos de carreira, inúmeros prémios de onde se destacam 5 prémios Bram Stoker, 3 World Fantasy Award e 1 BFSA. My work is not yet done venceu dois, um Bram Stoker e um International Horror Guild Award.

Depositando pouca esperança na espécie humana, My Work is not yet done apresenta três histórias de terror corporativo. A primeira história, a mais extensa e que dá nome ao conjunto, começa por nos apresentar o horror das reuniões entre chefes onde cada tema é abertura para indirectas que enterram, sem possibilidade de resposta, os colegas.

Oscilando entre as palmadinhas nas costas e a identificação do elo mais fraco que podem atacar de seguida, estas reuniões entre chefes são os locais onde cada um define as suas estratégias destrutivas, ao mesmo tempo que fazem o mínimo possível para manterem o lugar e aproveitam para alimentar a fama de capacidades indispensáveis para a empresa.

A personagem principal, um dos chefes mais recentes, foi identificado como elo mais fraco. As reuniões são momentos tão terríveis que tece uma boa metáfora dos restantes identificando-os como porcos. Tal analogia só é ultrapassada pela associação do aspecto atarracado que têm nas cadeiras da reunião aos sete anões.

Claro que há uma altura em que a personagem principal, homem que tentou inovar ao introduzir um produto revolucionário (herege!), perde a razão e, ajudado por negras forças sobrenaturais, começa a ter uma macabra vingança sobre os sete anões.

Os dois contos seguintes, mais pequenos, são semelhantes, roçando o poder negro sobrenatural que estará por detrás do horror instigado no ambiente empresarial, referindo ambientes tão densos de tensão que funcionam como nevoeiro e impedem a normal circulação de pessoas.

Negro, sarcástico, inovador e quase cómico na forma como aproveita o ambiente aterrorizante de empresas que sugam as energias dos seus trabalhadores e que se impõem pelo medo da hierarquia, My work is not yet done revela a pouca esperança na humanidade

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (7)

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49 – Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi – Este volume reúne duas histórias bastante distintas, uma primeira, mais longa em que assistimos aos últimos dias de um cão, um animal doméstico muito bem tratado que aguenta o sofrimento da velhice por longos dias, a que se segue a adopção de uma gata prenha que vem preencher o espaço deixado. A segunda é uma história sobre a exploração e o ultrapassar de barreiras físicas e mentais;

50 – Black Face – Túnicas azuis Vol. 9Willy Lambil e Raoul Cauvin – A série continua a explorar a guerra da Secessão aproveitando, neste caso, para explorar o tema da escravatura, um pretexto para fazer uma guerra de ambição e de busca por lucros, que pouco tem a ver com o trabalho escravo;

51 – Histórias de Vigaristas e canalhasOrganizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, a antologia reúne várias histórias fantásticas protagonizadas por vilões em diversos cenários e premissas mirabolantes e imaginativas;

52 – Drifter – Vol.2 – Ivan Brandon e Nick Klein – Tal como no primeiro, a história não é linear e directa. Vamos observando o desenrolar de acontecimentos como meros espectadores, com pouco enquadramento ou compreensão e temos de ir construindo a história, com pistas espalhadas ao longo das várias narrativas.