Resumo de leituras – Novembro de 2018 (1)

192 – Roughneck – Jeff Lemire – Uma história que decorre numa terra fria e dura, onde os meios de sobrevivência são poucos! O hóquei é uma boa forma de escapar, mas para isso é necessário saber gerir uma carreira no hóquei. Neste caso, o ex-jogador volta ao ciclo de violência do qual tentou fugir, tal como a irmã que foge agora do marido abusador. Uma boa história com o estilo particular de Jeff Lemire;

193 – Essex County – Jeff Lemire – Essex County, escrito antes de Roughneck, apresenta a mesma dura realidade, mas aqui saltanto entre várias gerações de famílias  e mostrando a forma como se entrelaçam os destinos. Excelente;

194 – Livro Sagrado – Santo – Uma sucessão de histórias engraçados que tocam nas criaturas tradicionais portuguesas e em histórias religiosas. Apesar de ter gostado da leitura considero que existem detalhes que carecem de melhor edição;

195 – WE3 – Grant Morrison e Frank Quitey – Uma loucura de adrenalina violenta, em que três animais, transformados em armas, fogem do controlo humano e procuram uma casa.

Livro Sagrado – Santo

Visualmente catita, este Livro Sagrado apresenta várias histórias curtas que misturam história e contos tradicionais, com elementos de ficção especulativa, ora de ficção especulativa ora de fantástico.

Encontramos assim a dama pé de cabra numa história actualizada que se alonga por várias décadas e que influencia fortemente a história de Portugal, marcando a sua génese e provocando vários episódios decisivos.

Para além desta história encontramos várias outras que usam figuras mitológicas que misturam elementos portugueses e estrangeiros, não faltando os gambozinos e os lobisomens que correm fado todas as noites.

O sagrado mistura-se com a fantasia, numa série de histórias imaginativas e cómicas que oscilam entre o profano e o absurdo, resultando numa leitura agradável e divertida que peca nalguns elementos visuais: tipo de letra de difícil leitura, páginas demasiado pequenas para o detalhe apresentado e cores demasiado carregadas nalgumas histórias.

Ainda assim é um trabalho aconselhável que cumpre o papel de divertir o leitor e de deixar algumas fortes imagens de diversão, principalmente aquelas em que profana temas religiosas, com toques irónicos.

Eventos: Jantar dos Devoradores de Livros

Decorre na próxima quinta feira, dia 15 de Novembro, mais um jantar de Os Devoradores de Livros que terá como convidado Luís Louro, o autor de banda desenhada que recentemente publicou Watchers, um livro publicado em duas edições, cada uma com o seu final.  Os Devoradores de Livros costumam iniciar-se com uma conversa com o convidado na Livraria Tigre de Papel, prosseguindo-se então para jantar.

Podem consultar mais detalhes sobre o evento na página oficial.

 

 

 

Jogos ao Sábado – Arraial

De visual peculiar e relaxado, Arraial aproveita um mecanismo de encaixe de peças semelhante ao do clássico jogo de computador Tetris para nos levar a fazer combinações com as quais atraímos visitantes e pontuamos. Apesar das peças terem as formas conhecidas do Tetris, não podem ser rodadas livremente, havendo um limite de rotação e de peças a escolher, bem como um limite do espaço que podemos usar para atrair um tipo específico de visitantes.

A cereja no topo do bolo é podermos escolher as peças disponíveis ao próximo jogador, colocando, propositadamente, peças que não combinam com o seu tabuleiro. Ainda, existe uma fasquia que limita o  nosso espaço e que determina uma forma adicional de pontuar (completando linhas). Estas três variáveis (rotação / colocação, espaço disponível e escolha de peças para o próximo jogador) são as que temos de gerir para conseguir a maior pontuação enquanto garantimos que o adversário pontua pouco.

Porque considero que Arraial tem um visual peculiar? Por um lado porque tem um tema tipicamente português, pretendendo reflectir as festas de Verão com grelhados (sobretudo sardinhas) e música popular. Por outro lado, porque o desenho é de Nuno Saraiva, no estilo que lhe é tão característico, fornecendo às peças um cunho específico apesar do formato Tetris conhecido – e mesmo as peças de formato igual possuem desenhos diferentes resultando numa boa diversidade gráfica.

Os desenhos peculiares e as diferentes cores das peças resultam num visual divertido e colorido, havendo apenas a referir como ponto menos positivo o acabamento da face não visível das peças (a branco). Ainda que goste bastante do aspecto da caixa, considero que pode não se destacar entre outras caixas de cores mais carregadas.


Arraial joga-se bem a 2, 3 ou 4 jogadores, mas a 3 ou 4 jogadores adicionamos uma regra nova que inverte a ordem na segunda ronda. Esta inversão tem por objectivo diminuir a total dependência de um mesmo jogador anterior, bem como dissipar a inexperiência de alguns jogadores. Em relação à idade adequada para o Arraial (acima de oito anos) considero que facilmente pode ser adaptado para idades inferiores, retirando variáveis como a fasquia limitadora de espaço e a escolha das peças do jogador seguinte.

Independentemente destas adaptações, Arraial é um jogo de jogadas rápidas que possibilita a integração fácil de novos jogadores, e que permite alguma interacção, mas obriga à adaptação de estratégia consoante o que o jogador anterior nos disponibiliza. É um jogo divertido de gestão de espaço que ultrapassa outros de encaixe de peças Tetris como o Ubongo, por obrigar a fazer combinações e a pensar na proximidade de algumas peças.

Outros Jogos ao Sábado

Evento: O que vamos ler em 2019? As Receitas dos Tradutores

Decorre, no dia 22 de Novembro, um dia dedicado ao papel de tradutor “Não perca um estimulante debate à volta do papel do tradutor na intepretação da palavra escrita do escritor e em simultâneo fique a par das novidades literárias das principais editoras nacionais.”.

O evento tem os seguintes debates marcados:

Programa
Tema 1 – O ofício de tradutor: percursos pessoais e profissionais
Tema 2 – O tradutor e o autor: uma interpretação de risco?
Tema 3 – Tendências de futuro, que papel para o tradutor?
Tema 4 – “Receitas” para 2019, as recomendações dos tradutores
Debate aberto ao público

Para saberem mais sobre o evento, podem consultar a página oficial.

 

 

 

 

 

Novidade: O Comboio dos Órfãos – Ciclo 2

O segundo volume de O Comboio dos Órfãos sai finalmente em português! Trata-se de uma série francobelga lançada pela Arcádia que retrata a vida das crianças abandonadas nas grandes cidades americanas nos anos 20. Estas crianças eram levadas para o interior do território americano onde lhes arranjavam famílias de acolhimento. Mas se algumas famílias tratam estas crianças como membros das suas famílias, noutras são uma espécie de escravos, habitantes de segunda categoria sem condições nem possibilidades de educação.

No primeiro volume (que, tal como este, reúne duas histórias) conhecemos a história de dois rapazes cujo destino foi trocado, sendo que um deles, com esta troca, perde a irmã. Os irmãos, ainda que não sejam órfãos, são abandonados pelo pai que não tem condições para os educar. Apesar da situação trágica em que se encontram as crianças, os episódios são envoltos em pequenos detalhes cómicos e apresentam pequenos diálogos quase inocentes que refletem a visão infantil, menos prática, mas mais pura dos acontecimentos. A dura realidade percebe-a o leitor que sabe algo do destino que os espera.

Deixo-vos a sinopse do segundo volume, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Kansas — 1991.

Há festa na quinta do velho Jim que acaba de casar com a doce Bianca. À mesa, a única sombra é a cruel ausência de Joey, o seu irmão mais novo, o qual perdera de vista depois da sua adoção, há 70 anos.

Cowpoke Canyon — 1991.

Apesar da idade e da doença, Lisa decidiu ir à reunião anual dos Orphan Train Riders. Ela insiste para que Joey a acompanhe, mas o seu amigo de longa data tem fobia aos comboios.

Middle West — 1920.

Para escapar ao casamento que Effron lhe quer impor, a jovem Lisa foge na companhia do pequeno Joey, acabando ambos por chegar a Nova Iorque onde têm esperança de encontrar o seu irmão, Jim.  Os primeiros dias em Nova Iorque são difíceis.

Mas o futuro parece ser promissor quando os dois amigos dão de caras com Mr. Coleman, cujo jogo duplo ignoram…

Rascunhos na Voz Online – Miguel Jorge

O convidado desta semana foi Miguel Jorge!

Miguel Jorge, ilustrador que trabalha para várias revistas e jornais, como Correio da manhã ou o Expresso, é, também, autor de banda desenhada. Mais recentemente lançou o projecto Apocryphus, um projecto que envolve vários autores de banda desenhada e que conta já com três volumes, de temas distintos! Miguel Jorge esteve à conversa connosco falando dos desafios enquanto autor de banda desenhada e enquanto editor da Apocryphus.

Ligação para o programa na Mixcloud.

Listagem de programas Rascunhos.

Eventos: Fórum do Futuro – Margaret Atwood

Margaret Atwood estará em Portugal no seguimento do evento Fórum do Futuro para falar sobre a sua obra, numa palestra com o tema Mitos na minha obra, em que rejeita os rótulos que lhe aplicam, como sendo feminista ou de ficção científica. Como leitora de Margaret Atwood reservo-me o direito de considerar The Handmaid’s Tale como ficção científica, mais especificamente distopia, até porque nem toda a ficção científica tem de ter naves e alienígenas, e de colocar os livros ao lado de outros clássicos do género.

Para quem ande no Porto, o evento é gratuito, apesar de ser necessário reservar lugar. Se pretendem mais informações sobre o evento, podem consultar a página oficial.

Roughneck – Jeff Lemire

Jeff Lemire é conhecido por vários estilos de histórias, criando histórias futuristas de ficção científica ou histórias mais introspectivas e familiares. Quando li este Roughneck ainda não tinha lido o famoso Essex County, mas o que encontrei em ambos foi uma caracterização de um Canadá rural em que as duras condições de vida fazem com que pouco os habitantes das zonas isoladas procurem o hóquei como meio de fuga ou se  refugiem na bebida e na violência.

Derek já foi, em temos, um bom jogador de hóquei, que fugiu, durante alguns anos, ao meio onde cresceu, um meio caracterizado pela violência doméstica e pela morte da mãe na sequência de um acidente. Mas nem assim escapou totalmente. Uma lesão leva-o a retornar, procurando a bebida nos bares e a violência com quem se cruza, justificando-se com a mínima provocação.

O quotidiano problemático de Derek quebra-se com o retorno da irmã, também ela tendo fugido do pesado ambiente familiar na adolescência e fugindo agora de um companheiro violento e controlador. A irmã não carrega apenas uma dura vivência nas ruas, mas um pesado vício em drogas que Derek ajuda a controlar, levando-a para um local isolado no meio da floresta gelada.

O mundo de Derek e da irmã é violento. O clima que vivenciaram na infância contaminou a sua existência de forma diferente, mas levando-os a cair numa repetição de maus hábitos, usando o vício para alguma libertação mental, mas usando-o também para cair no mesmo padrão de violência e abuso. No caso de Derek usou, durante algum tempo o hóquei para descarregar esta energia extra. No caso da irmã, acaba por cair nas mãos de alguém que lhe deu atenção e, simultaneamente, a isola e agride.

A vida de ambos parece a continuação da violência dos pais – a repetição de vícios e a acomodação a estes episódios perpétuos, seja na forma de quem perpetua a violência, seja na forma de a receber. Até que algo novo surge, o significado de um futuro, o motivo para uma tentativa de quebrar o padrão.

O ambinete de Roughneck contrapõe a calma do ambiente envolvente (o inóspito da paisagem, o frio que tudo faz parar) com o peso desta família, entre a violência e a sucessão de desgraças ou episódios negativos. A falta de dinheiro ou de outros recursos causa uma amargura difícil de extinguir, uma amargura contaminante que cada geração tenta quebrar.

A narrativa vai contrapondo a actualidade decadante, tão inóspita quanto o ambiente, com as memórias de tempos passados, mais coloridos e vividos, às quais ambos, Derek e a irmã se agarram. Tratam-se, sobretudo de relacionamentos que ficaram mal resolvidos e que, por esse motivo, marcam o presente e justificam o retorno aos antigos vícios.

O resultado é uma história que dá grande dimensão às personagens, apresentando o seu passado e perspectivas, as suas contradições e vícios. Se, inicialmente, vemos Derek sem contexto, a não ser um episódio rápido de agressão, com a progressão da história passamos de uma personagem plana a uma personagem com complexidade e diferentes perspectivas.

Por tudo isto, Roughneck é uma excelente leitura, mesmo para quem não leu Essex County, apesar de todas as comparações que podem ser feitas entre ambas as obras.

Eventos: CompeptCon 2018

COMCEPT, Comunidade Céptica Portuguesa, é uma associação sem fins lucrativos que tem como objectivo a promoção da ciência, cepticismo científico e pensamento crítico na sociedade (definição retirada da página da comunidade). Esta comunidade pretende informar de forma isenta, com base em conhecimentos científicos actuais, afastando-se dos argumentos baseados na fé ou no misticismo.

Neste sentido a comunidade tem organizado um evento que pretende promover o seu objectivo, e este ano dedica-se à fronteira entre ciência e ficção científica.

Novidade: Angola Janga – Marcelo D’Salete

A Polvo Editora divulga o lançamento de novo livro de Marcelo D’Salete. O autor estará no evento Amadora BD, com sessões de autógrafos planeadas para o fim de semana:

Angola Janga, “pequena Angola” ou, como dizem os livros de história, Palmares. Por mais de cem anos foi como que um reino africano dentro da América do Sul. E, apesar do nome, não era tão pequeno como isso: Macaco, a capital, tinha uma população equivalente à das maiores cidades brasileiras da época. Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. O seu maior líder, Zumbi, transformou-se numa lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.

Angola Janga e Marcelo D’Salete arrebataram no Brasil, em 2018, os prestigiados troféus HQMix, nas categorias “Edição Especial Nacional”, “Desenhista Nacional” e “Roteirista Nacional” e ainda o prémio Grampo. O livro foi igualmente nomeado para o mais importante prémio literário brasileiro, o Jabuti, na categoria “Histórias em Quadrinhos” (a atribuir em Novembro de 2018). Com 432 páginas é, provavelmente, o maior romance em banda desenhada já publicado por um autor brasileiro.

 

 

Resumo de Leituras – Outubro de 2018 (4)

188 – O cão que guarda as estrelas – Takashi Murakami – Os cães, enquanto animais de estimação, são tratados de forma bastante diferente ao longo da sua permanência nas famílias – recebidos com alegria pelos mais novos nos primeiros dias, passam a ignorados ou negligenciados passados os dias em que constituem novidade. Aqui se conta o relacionamento peculiar entre um cão e o pai, um homem calmo e ponderado que vê desvanecer os restantes laços familiares;

189 – Lisboa Oculta – Guia TurísticoVários autores – Visualmente surpreendente, este livro reúne várias histórias em que se cruza o fantástico com os locais históricos para  construir uma cidade fantástica, carregada de pequenos mistérios;

190 – Os regressos – Pedro Moura e Marta Teives – Uma jovem retorna à aldeia onde viveu a infância com a avó, separada dos pais devido a problemas mentais. Restabelece alguns laços antigos, mas não são só as recordações de uma infância que retornam, também as figuras que via nas árvores e que não são explicáveis pela lógica dos adultos;

191 – Saga – Vol. 7 – O sétimo volume continua a acompanhar a família mais estranha de todo o sempre, com um período de calma num planeta onde Hazel faz alguns amigos. Mas a fuga da família ainda não terminou – novos assassinos a soldo são contratados para os eliminar!

Divulgação de resultados – Na Imensidão do Universo

Foram escolhidos os contos que irão integrar a antologia de Space Opera Na Imensidão do Universo,  organizada pela Editorial Divergência em parceria com o Rascunhos. A antologia irá integrar contos dos autores portugueses escolhidos, bem como autores internacionais. Eis os escolhidos:

  • AMP Rodriguez
  • João Luís Mesquita de Avelar Nobre
  • João Pedro Marques Morgado Ferreira de Oliveira
  • Jorge Borbinha
  • Pedro Lucas Martins
  • Sara de Athouguia Filipe

A antologia está prevista para 2019!

Eventos: Literal – 3º Encontro Literário de Alenquer

Vem aí mais um evento literário dedicado ao fantástico em Portugal! Trata-se do LiterAl, um evento que decorre anualmente em Alenquer e que este ano se centra na fantasia, apesar de ter algumas componentes de horror e de ficção científica. No programa encontramos palestras sobre o fantástico na juventude, em diversos meios de produção (prosa, poesia e teatro) e o seu futuro em Portugal.

Aproveito para divulgar que também estarei presente neste evento, com a Inês Botelho e o Luís Filipe Silva para falarmos do futuro do Fantástico em Portugal!

 

Recomendações de Halloween

Livros

Lisboa Oculta

O mais recente lançamento da Imaginauta confere uma aura sobrenatural a vários dos espaços de Lisboa, cruzando história com elementos ficcionais para criar um guia turístico que levará os viajantes a olhar por cima do ombro a cada passada.

O resto é paisagem

O ambiente rural é dado a deambulações fantasmagóricas e à exploração de elementos sobrenaturais. Nesta antologia fantástica vários autores aproveitam o cenário simultaneamente conhecido, mas misterioso, para apresentar histórias apropriadas a estes dias assombrados.

Os monstros que nos habitam

A antologia não é nova (foi lançada o ano passado) mas é um bom exemplo de um conjunto de contos assustadores em que vários autores exploram monstros que não são, necessariamente, sobrenaturais.

Banda desenhada

Wytches – Snyder, Jock, Hollingsworth e Robins

Não podia deixar de recomendar Wytches que continua a ser uma das minhas preferidas bandas desenhadas de horror.  Wytches também aproveita o cenário rural, assustador não só pela floresta deserta e sombria, mas pela população muito fechada de uma pequena vila. É neste ambiente, já de si inóspito, que existem bruxas milenares, seres mais antigos que a humanidade que se servem dos humanos para alimentarem a sua malvadez.

Harrow County – Cullen Bunn e Tyler Crook

A série começou com um primeiro volume brutal que pode ser lido isoladamente. Neste uma menina descobre ser a encarnação de uma bruxa, entre elementos sobrenaturais e criaturas criadas da lama. Esta série tem-se alongado por mais volumes interessantes mostrando que os monstros nem sempre são aqueles que o aparentam e usam o meio rural para explorar os elementos mais primitivos associados ao medo e ao sobrenatural.

Sintra – Tiago Cruz e Inês Garcia

Quem já andou por Sintra à noite sabe que as florestas são tenebrosas e carregadas de sombras! Não é pois difícil de imaginar que possa ser um cenário de uma história de horror, principalmente de teor fantasmagórico! Estes dois autores juntaram esforços para apresentar um conto competete, com alguns clichés (que funcionam) que consegue criar tensão e escalar o horror!

Jogos de tabuleiro

Mysterium

Só ainda o joguei uma vez, mas é um jogo que aproveita um pouco a lógica do Dixit para explorar um tema sobretural. Explicando, rapidamente, um fantasma pretende indicar aos investigadores (os jogadores) os detalhes pelo qual virou fantasma, mostrando o local onde foi assassinado, com que arma e quem a empunhou. Para tal não pode dispor de palavras, apenas das imagens que tem em mão!

Jogos de telemóvel

Last day on earth: survival

Ao contrário de muitos jogos com componente de construção para pequeno ecrã, achei este fácil de manipular e de gerir. O jogo passa-se durante um apocalipse zombie, durante o qual temos de criar o nosso próprio refúgio e construir as nossas próprias ferramentas, dispondo apenas do que a natureza e os restos de uma civilização têm para nos oferecer.

Lutando contra zombies e outros sobreviventes humanos (que podemos saquear), explorando áreas onde podemos recolher matérias primas e alguns items, é um jogo que nos envolve rapidamente.

Rascunhos na Voz Online – Pedro Cipriano

O programa desta semana é com Pedro Cipriano! Trata-se do editor da Editorial Divergência (http://divergencia.pt/) e o fundador da Convergência (https://convergencia.com.pt/index.php), duas vertentes que têm marcado a ficção especulativa portuguesa, permitindo a publicação de obras de autores portugueses e a distribuição de obras de vários autores independentes e pequenas editoras. Para além de tudo isto é escritor e falou connosco sobre todas estas vertentes.

Podem ouvir aqui!

Lisboa Oculta – Guia Turístico

A Imaginauta publicou finalmente um projecto que estava anunciado já há algum tempo – trata-se de um guia turístico da cidade de Lisboa que dá contornos fantásticos a locais históricos numa edição bilingue que pode ser lida em português e em inglês.

Esta antologia de histórias (que corre sérios riscos de ir parar à secção errada a FNAC como outras publicações fantásticas) conta com a participação de vários nomes conhecidos como João Barreiros ou João Ventura e destaca-se na componente visual por ter um design próprio para cada história, apropriado ao local onde decorre.

Temos assim um guia que nos leva a uma Bertrand nocturna, criaturas que deambulam entre nós em Santa Apolónia, restaurantes com pratos divinais ou fantasmas que assombram o Instituto Superior Técnico.

Cada história apresenta uma diversidade agradável de criaturas no contexto urbano, restos de uma Lisboa Fantástica que causam fenómenos inexplicáveis mas talvez presenciáveis por aqueles que tiverem a coragem de seguir as dicas do guia nos dias propícios.

Lisboa Oculta – Guia Turístico foi publicado pela Imaginauta.

Novidade: Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi

A Editorial Planeta aposta numa nova série de fantasia YA que tem feito furor no cenário internacional. Trata-se de um livro de Tomi Adeyemi, uma autora americana de ascendência nigeriana que coloca o universo fantástico em África, prometendo uma história diferente, com fortes elementos africanos:

Eles mataram a minha mãe.

Levaram a nossa magia.

Tentaram enterrar-nos.

E, agora, nós levantamo-nos.

Zélie Adebola lembra-se do tempo em que a magia fazia vibrar o solo de Orixá. Os Incineradores ateavam as chamas, os Senhores das Marés chamavam as ondas e a mãe Ceifeira de Zélie invocava um exército de almas.

Mas tudo mudou na noite em que a magia desapareceu. Sob as ordens de um rei implacável, os Maji foram perseguidos e assassinados, deixando Zélie órfã de mãe e o seu povo despro-vido de esperança.

Agora, Zélie tem apenas uma oportunidade de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugida, ela terá de ser mais forte e mais astuciosa do que o príncipe herdeiro, que jurou erradicar a magia para sempre.

O perigo espreita em Orixá, onde leopardaires das neves andam à caça e espíritos vingativos rondam as águas. A grande ameaça, contudo, talvez seja a própria Zélie, que ainda não aprendeu a dominar os novos poderes, nem a paixão que começou a sentir pelo seu maior adversário.

«Uma estreia formidável, dilacerante, revolucionária. Como a melhor literatura fantástica, conta o aqui e agora, por vezes brando, outras horrível, desviando o leitor para um reino mágico concebido com genialidade.» Daniel J. Older, autor do top do The New York Times

 

A história é sobre um mundo onde a magia já existiu e necessita ser ressuscitada, as personagens principais são mulheres de forte personalidade que vão mostrando ao leitor as diversas etnias, a religião com diversos deuses e um passado muito antigo. O contexto moderno aliado à fantasia tradicional e ao épico está muito bem conseguido. O ritmo do livro é rápido e absorvente. Tomi Adeyemi cria este novo universo através uma escrita poderosa, com emoções reais e bastante acção.

O romance transporta-nos até aos Maji Maji, um povo real que se rebelou contra o domínio colonial alemão no território da actual Tanzânia e foi o primeiro grande massacre europeu em África.

 

Jogos ao Sábado – uma série de rápidas impressões

Eis uma série de primeiras impressões de vários jogos que experimentámos recentemente – primeiras impressões porque ainda não tivemos oportunidade de os jogar várias vezes ou de aprofundar dinâmicas que envolvem.

Scythe

Em termos visuais este jogo é um mimo. Os bonecos são detalhados e fabulosos, induzindo uma espécie de visual retrofuturista que nos remetem para o início do século XX, colocando, nesta época, máquinas avançadas que permitem conquistar territórios ou transportar aldeões muito mais rapidamente.

Trata-se de um jogo de construção que possibilita a conquista de território, a movimentação de peões num tabuleiro e a evolução dos nossos tabuleiros. Cada jogador tem um tabuleiro único com uma combinação própria de acções, duas a duas. Em cada jogada podem ser feitas as duas acções associadas, se tiver materiais que assim o permitam. O jogo termina com a concretização de uma série de objectivos que nos obrigam a evoluir em diversos sentidos.

Para alguém que, como eu, gosta de construir fábricas e usufruir do investimento, Scythe pode deixar um leve sentimento de frustação no final – se um dos jogadores tiver como estratégia a rápida resolução, o nosso investimento pode não chegar a ter o retorno esperado (entenda-se que, neste caso, não me estou a referir ao centro do tabuleiro que se denomina fábrica, mas ao investir em libertar acções fazendo com que cada jogada renda pontos e popularidade).

Em jogos seguintes precisei ter em mente que não se trata de um jogo que se alongue o suficiente para usufruir totalmente da fábrica. Desta forma, tive de balancear o desenvolvimento da fábrica com a maior concretização dos objectivos, não esquecendo a optimização das jogadas duplas (em que se deve ter em consideração as características do tabuleiro de que dispomos).

Decididamente, gostei! É um jogo que pretendo tirar da prateleira várias vezes, havendo tempo para tal!

Fotossíntese

De elementos competentes e simples (excepto o sol que poderia ter sido melhor pensado, num sistema de fácil rotação de dois níveis de tabuleiro), Fotossíntese tem um mecanismo engraçado em que plantamos e fazemos crescer árvores, ganhando pontos com o seu abate.

As árvores que estão a crescer no tabuleiro projectam sombra, consoante a direcção do sol e impedem outras árvores, à sua sombra, de crescerem. Quanto maiores forem as nossas árvores, maior a sombra que projectam e, consequentemente, a nossa área de influência, mas diminui-se a capacidade de fazer crescer árvores – as nossas e as dos outros. É um jogo de controlo de área com um mecanismo engraçado de rotação no tabuleiro.

Brass – Birmingham

Algo que me fascinou foi o aspecto do jogo – elegante, alusivo à revolução industrial, com duas fases de jogo (de acordo com as fases da revolução) e com um tabuleiro com dois visuais. A cada turno o jogador pode realizar até duas acções, tendo como objectivo a acumulação de pontos que são originados pelo consumo de mercadoria, seja pelas cidades, seja por outras fábricas. Para tal, o jogador vai construir linhas de fornecimento e fábricas de produtos ou matérias primas.

Brass começa com acções e consequências simples mas, com o decorrer do jogo, e o alargar dos canais ou linhas de comboios, as estratégias vão-se tornando cada vez mais complexas para que um jogador consiga pontuar sem favorecer os restantes jogadores. O livro de regras não é de fácil percepção e existem peças a menos do que as necessárias para um jogo a quatro, mas, ainda assim, pelo visual e pela dinâmica que se cria, está entre as futuras aquisições.