Novidade – LoveStar – Andri Snaer Magnason

A provar que, de quando em quando, saem coisas recomendáveis de ficção especulativa em Portugal, temos a publicação, em Abril, de LoveStar pela Betrand! Não, ainda não o li, mas o livro tem uma elevada recomendação do João Barreiros, o que por si só é de levantar as antenas! Deixo-vos a sinopse!

Num futuro próximo, a empresa LoveStar controla todos os aspetos da vida humana, incluindo o amor e a morte. Os seres humanos vivem agora «sem fios», o que dá rédea solta ao consumo, à tecnologia e à ciência. O serviço da REMORSOS permite eliminar dúvidas sobre caminhos que não foram seguidos, os mortos são lançados em foguetões para o espaço, de maneira a poderem regressar à Terra em todo o esplendor e o programa da inLove junta os casais perfeitos.

Ingriði e Sigríður não foram calculados para ficarem juntos, mas estão convictos de que se trata de uma mera formalidade. Mas quando a inLove une Sigríður a outra pessoa, a utopia que criaram começa a desmoronar-se. Uma visão do futuro em que o marketing e a tecnologia governam o mundo, sem nunca conseguir contudo eliminar definitivamente o amor e a ânsia de viver.

 

O Cemitério dos Esquecidos – Potter’s Field – Mark Waid e Paul Azaceta

Eis mais uma grande aposta da G Floy no mercado português! O cemitério dos Esquecidos é uma série pouco usual, centrada num investigador de motivação desconhecida e nome nunca proferido. Este herói, sem nome por opção própria, dedica-se a conferir identidade às vítimas anónimas que são enterradas numa zona do cemitério destinada aos indigentes e aos de nome desconhecido (zona que é designada, em inglês, como Potter’s Field).

Seguindo as poucas pistas, encontra casos complexos com máfias e polícias corruptos, casos em que usa uma extensa rede de contactos para quem é uma figura misteriosa. Colocando em risco a própria vida, este investigador não descansa enquanto não encontrar a identidade dos que são anonimamente enterrados, talhando os nomes consoante os vai descobrindo.

De ambiente soturno, O cemitério dos Esquecidos mostra um herói obcecado com as vítimas da cidade, uma obsessão de origem desconhecida que é levemente explorada por alguns dos seus oponentes. Entre o cemitério e as zonas mais obscuras da cidade, Potter’s Field tem um visual carregado, de acordo com a história que acompanha. De realçar que, ao contrário de outras publicações da G Floy o papel do livro, apesar de grosso, não tem lustro, combinando bem com o estilo desta banda desenhada.

O resultado é uma boa história, negra em contexto e desenvolvimento, que mostra o pior lado dos homens – a acção alterna com períodos de investigação resultando num volume balanceado e cativante, onde cada caso é resolvido de forma única por um investigador que não se encontra preso a regras.

O cemitério dos Esquecidos foi publicado em Portugal pela G Floy.

Novidade: Dampyr – Infante

O segundo volume da colecção Bonelli (ver alinhamento completo da colecção) é uma aventura de vampiros passada em Portugal! Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Criado por Mauro Boselli e Maurizio Colombo, a história de Dampyr, fruto da união de um vampiro com uma mulher mortal, alguém que está entre dois mundos e cujo sangue pode destruir os vampiros. A série foi concebida inicialmente como uma mini-série para a revista Zona X publicada pela Sergio Bonelli Editore na Itália.

As aventuras contra o mal deste ser especial percorrem o mundo de lés a lés, passando por Praga, Berlim, Paris, Etiópia, Irlanda e também Portugal.

 Segundo Giovanini Echer, “O motivo por que a trama é ambientada nesses lugares é muito simples: eu fiquei impressionado durante uma belíssima viagem a Portugal. Além disso, como a minha namorada é dona de uma enoteca em Milão, ela foi a minha guia entre os exportadores de Vila Nova de Gaia, que nos acolheram com muita cortesia e nos permitiram visitar as suas caves e provar os seus produtos.”

Dampyr é uma lenda balcânica. Naquela região acreditam haver uns vampiros especiais que podem enfrentar a luz do sol sem se sentirem afectados por ela. São conhecidos como os Mestres da Noite e podem dar vida a outros vampiros ao morder um ser humano, tornando-o membro do grupo daquele Mestre da Noite que o mordeu.

 O Esposo da Vampira, de Mauro Boselli e Alessandro Bocci é uma das duas histórias que fazem parte deste volume. Harlan Draka e o seu amigo Kurjak  (um ex-soldado que desistiu das guerras injustas para lutar pela salvação da humanidade) vão até Trás-os-Montes, para investigar a lenda do Castelo de Monforte da Estrela, que dizem estar assombrado por uma vampira. No local encontram uma equipa de filmagens que se prepara para rodar um filme de terror inspirado num conto do sec. XIX, cuja acção decorre na Catalunha e que é filmado em Trás-os Montes por questões de custos.

Tributo de Sangue, história de Giovanni Eccher e Maurizio Dotti tem como cenário a zona ribeirinha do Porto, a região vinícola do Douro e as caves de Vila Nova de Gaia. A especificidade cultural de Miranda do Douro e as perseguições aos judeus perpetradas pela população cristã e pela Inquisição portuguesa no século XVI também fazem parte desta história que inclui um fantasma em traje mirandense e uma tentativa de assassinato na ponte D. Luís I.

Olimpo Tropical – André Diniz e Laudo Ferreira

Quem é o vilão? O traficante ou a polícia corrupta? Em Olimpo Tropical retrata-se a realidade da favela onde os estudos são largados cedo por falta de sucesso, a favor das ocupações de mais fácil dinheiro, quase sempre relacionadas com o tráfego de droga e a criminalidade. Quem manda é quem se mostra mais destemido, quase louco, na sua capacidade de se fazer temer pelos outros.

Em tom de caricatura, representando as várias personagens que podemos encontrar neste mundo, mas conseguindo envolver o leitor nas pequenas histórias pessoais e criar empatia, Olimpo Tropical tem como personagem principal um jovem, Biúca, com uma perna torta, que não o deixa aspirar a ser um grande criminoso. Ou melhor, ele até aspira, mas os restantes dificilmente o vêem nesse papel.

Sobra-lhe um lugar de vigia, sentado ao cimo das escadas pelas quais a polícia poderá invadir o morro quando faltar o dinheiro dos subornos. Cabe-lhe não se deixar adormecer sob pena de ser eliminado. Entre o terror da possível distração e a perspectiva agri-doce de disparar sob os polícias (que terão morto o irmão), Biúca demostra o seu fascínio por uma jovem que nem sempre parece retribuir – reacção típica da adolescência.

Visualmente expressivo, exagerado em expressões e traços físicos, Olimpo Tropical é um trabalho excelente que é capaz de cativar o leitor, fazendo-nos perceber a realidade inevitável das favelas que engole os seus moradores num ciclo interminável.

Olimpo Tropical foi publicado pela Polvo.

Evento – Sleepwalk de Filipe Melo no IndieLisboa

Uma das histórias da mais recente banda desenhada de Filipe Melo e Juan Cavia (Comer / Beber) foi adaptada para cinema pelo próprio Filipe Melo. Trata-se de uma curta metragem que será exibida em dois horários distintos no Indie Lisboa, 28 de Abril e 02 de Maio.

Comer / Beber é um pequeno volume que contém duas histórias, uma associada ao acto de comer, a outra associada ao acto de beber, ambas expondo narrativas maiores do que as poucas páginas que se nos apresentam, onde o acto de comer ou de beber é representativo de muito mais.

A história Comer foi a que deu origem a Sleepwalk e já podem ser comprados os bilhetes para exibições. Podem acompanharo evento para estas exibições na ligação para a respectiva página facebook.

 

 

Y: O Último Homem – Vol.6 – Entre Mulheres

Sei que já o disse anteriormente, mas não me canso de o repetir – a qualidade da edição portuguesa dá outra força à história desta série. É que a edição original da Vertigo é feita em papel fraco que quase parece de jornal, ficando com cores esbatidas. Neste caso, não é só a capa que é bastante superior, mas também o conteúdo com folhas mais grossas permitindo ao desenho brilhar e ser melhor percepcionado.

Neste volume a equipa começa uma nova demanda – o único homem sobrevivente, Yorick, desloca-se com a cientista e a sua guarda-costas num barco, em busca do animal de estimação, um macaco que poderá ser a chave para a sobrevivência da espécie humana. A presença de Yorick a bordo é rapidamente descoberta e assim é levado à capitã, uma mulher dura e destemida que tem muito a esconder da verdadeira ocupação do barco e respectiva tripulação.

Y: O último homem é uma série apocalíptica – com o colapsar, em simultâneo, de todos os homens do planeta (ou quase todos) a humanidade está em perigo de extinção. Com a morte dos homens a sociedade colapsou, principalmente nos países em que a existência das mulheres estava restrita à casa.

Não é, também, de estranhar, as várias seitas religiosas ou grupos fanáticos que surgiram – o aceitar do evento catastrófico é enlouquecedor, e muitas mulheres refugiam-se mentalmente em crenças fechadas sobrecarregadas pela culpa dos seus pecados, enquanto outras vêm o fim do patriarcado e tentam converter todas as restantes a um grupo de mulheres guerreiras, as amazonas.

A banda desenhada vai explorando todos estes possíveis efeitos na sociedade em extinção, enquanto confronta os hábitos antigos com os novos. Com o avançar da história promete-se explorar outras zonas geográficas para além dos Estados Unidos da América, perspectiva que começou a ser apresentada neste sexto volume.

A série Y: O último homem foi publicada até ao sexto volume pela Levoir em parceria com o jornal Público. A publicação dos restantes volumes está prevista mas não agendada.

Outros livros dos autores

Novidade: Os Direitos do Homem – Uma ideologia moderna

A Gradiva lançou, conjuntamente com O Universo (apresentado aqui há uns dias), uma banda desenhada sobre os Direitos do Homem, começando com a redacção da primeira declaração. Deixo-vos a sinopse e a página interior fornecida pela editora:

Há setenta anos, um comité propôs‑se redigir a primeira Declaração dos Direitos do Homem de alcance universal. Esse acontecimento daria lugar a um amplo diálogo, mas também a confrontações entre várias visões e sistemas políticos do mundo. Num tempo em que continuam a cometer‑se enormes atrocidades, este é um livro que lembra a importância de tornar o sonho de outrora — de criar um mundo no qual o Homem não voltasse a ser lobo do Homem — na realidade de hoje. De leitura essencial para todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rascunhos na Voz Online – Entrevista a Miguel Peres

O quinto programa de Rascunhos na rádio centra-se na banda desenhada de Miguel Peres, enquanto autor e editor. Miguel Peres é autor de dois livros, Cinzas da revolta e Cemitério dos sonhos! Querem saber mais? Aqui têm o programa, disponível na Mixcloud. 

O Poder – Naomi Alderman

 

Um dos livros mais comentados de 2017 no meio anglo-saxónico vai ser lançado pela Saída de Emergência em Portugal! Deixo-vos a sinopse deste grande lançamento:

Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?

E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar?
Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.
Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Novidade: A Lenda de Tex

A próxima colecção que a Levoir apresenta, em parceria com o jornal Público, é a colecção Bonelli! Trata-se de uma colecção em honra da editora italiana Sergio Bonelli Editore que apresenta algumas das suas mais emblemáticas personagens! A colecção começa com A Lenda de Tex:

A Lenda de Tex, o volume que abre esta colecção, contém quatro histórias a cores de 32 páginas cada. O Último da Lista, escrita por Gianfranco Manfredi e desenhada por Stefano Biglia. The Blue Hotel, conto do romancista norte-americano Stephen Crane, inspirado como o próprio nome indica no do Hotel em que Tex fica hospedado. Aqui, Tex chega a uma pequena cidade do Nebraska, para investigar, a pedido do comandante do forte Robinson, um caso do desvio de fornecimentos de trigo ao Exército.

Em O Mescalero sem Rosto, história escrita por Jacopo Rauch, Tex e Kit Carson defrontam o misterioso El Lisiado, o Diabo Coxo, numa aventura cheia de acção, ilustrada por Alessandro Bocci.

Chupa-Cabras!, tem texto de Moreno Burattini e grafismo de Michele Rubini, Tex e Jack Tigre ajudam o Professor Dawson, um naturalista, a encontrar os misteriosos chupa-cabras, umas estranhas e mortíferas feras que deixam as suas vítimas completamente exangues.

Finalmente em Desafio na Velha Missão,  Sergio Tisselli ilustra magnificamente a aguarela uma trama concebida por Pasquale Ruju, num dos raros exemplos de uma aventura de Tex ilustrada em cor directa, Tex e Kit Carson conseguem resgatar Patricia Graves à tribo de Apaches que a tinha raptado, para descobrirem que o vínculo que a unia a Octavio, o apache que a raptou, era bastante diferente e bem mais forte do que eles pensavam.

 

 

 

 

 

O Livro do Pó – Philip Pullman

 

A trilogia Mundos Paralelos de Philip Pullman é uma fantasia deliciosa, voltada para um público mais juvenil, mas que consegue não ser condescendente com os leitores. As personagens, apesar de jovens, são colocadas em situações difíceis e exploram a complexidade das acções, das emoções e das decisões. Sendo essencialmente uma série de fantasia possui alguns detalhes científicos interessantes, como a existência de mundos paralelos e uma oposição entre a Igreja e o método científico.

Uma particularidade interessante deste mundo é que todas as pessoas são acompanhadas por um génio, um ser com forma animal que se encontra sempre presente, desde o momento em que nasce. Se, enquanto a pessoa é criança o génio pode assumir a forma de vários animais, consoante o estado de espírito da pessoa, na idade adulta estabiliza. Ainda que estes génios sejam autónomos a separação de que fazem parte é dolorosa e constitui uma ofensa tocar no génio de outra pessoa.

Neste mundo a Igreja impera, uma igreja com longos tentáculos em todos os aspectos da vida pública e privada, uma Igreja que castra os académicos e se alastra pelas escolas, induzindo crianças a comportarem-se como espiões em casa e com os colegas. É aqui que conhecemos Malcolm, o filho de um taberneiro que de vez em quando ajuda os pais e que, curioso, aprende a captar conversas como ninguém.

Mas Malcolm não ajuda só os pais, também ajuda de vez em quando as freiras e é aqui que conhece Lyra, uma bebé que é trazida para o mosteiro, a fim de crescer protegida dos múltiplos interesses que a rodeiam – é que o pai será um nobre caído em desgraça política e a mãe uma mulher que não terá capacidade para cuidar da criança. A par com o interesse político, surge uma profecia em que a Lyra poderá ser importante.

O bom ambiente começa a mudar quando alguns homens associados à Igreja começam a rondar o mosteiro e a taberna, sendo que Malcolm se apercebe do diferente comportamento que os adultos mostram na presença daqueles homens. Simultaneamente, uma mulher dá uma palestra nas aulas convencendo as crianças a ingressarem numa ordem religiosa que terá como objectivo vigiar tudo o que é feito e dito, e um homem académico, envolvido numa organização secreta, aparece morto no rio.

Um dos aspectos positivos, tanto da trilogia Mundos Paralelos (His Dark Materials) como de O livro do pó, é o de colocar as crianças em aventuras verosímeis para aquele Universo onde se apresentam situações verdadeiramente perigosas – situações que também podem acontecer no nosso mundo. Assim, encontramos adultos que mentem às crianças com segundas intenções – como pedófilos violentos que conseguem ser extremamente simpáticos quando assim o pretendem, ou como políticos com segundos interesses que vêm nas crianças fontes de informação.

Apesar de ter gostado bastante de regressar ao mesmo mundo que a trilogia Mundos Paralelos achei que a acção deste livro se centrava demasiado na canoa e que apresentava alguns momentos desnecessários, entrando nalguma repetição de situações que se torna desnecessária e cansativa. Tirando este aspecto o mundo tem aspectos bastante interessantes e este livro apresenta algumas das personagens da trilogia sob uma outra luz, constituindo um complemente interessante!

O livro do pó foi publicado em Portugal pela Editorial Presença, e a trilogia Mundos Paralelos encontra-se em processo de nova adaptação (esperemos que desta vez corra melhor que a série merece).

Outros livros do autor

Resultado passatempo – Deadpool

E o exemplar de Deadpool, o mercenário mais louco de todo o sempre vai para !

 

E a entrada 21 do passatempo é de … Eduardo Silva! Parabéns!

Recordo que se encontram outros passatempos em curso!

Passatempo: Homem-aranha Vol.2 Série 2

A aventura do Homem-aranha com o Chacal e os seus vilões renascidos continua neste segundo volume da segunda série publicada em Portugal pela Goody! Em parceria com a editora temos um exemplar para sortear!

Como participar:

Para ganharem este volume têm de efectuar duas acções:

  1. Seguir a página do Rascunhos E;
  2. Enviar um mail para rascunhos.blog [AT] gmail [DOT] com, indicando nome, morada e link do perfil facebook, com o título “Passatempo – Aranha vive“.

O passatempo decorrerá até ao dia 05 de Maio.

Outros passatempos em curso:

Notas adicionais: Os dados enviados serão usados apenas para o passatempo. Aceitam-se participações em Portugal (continental e ilhas). Quem está fora de Portugal poderá participar desde que pague os portes. Uma única participação por pessoa / mail. Ou seja, não podem participar várias pessoas do mesmo endereço, nem uma única por vários endereços de e-mail. Podem participar várias pessoas com a mesma morada desde que usem diferentes endereços de e-mail. Participações adicionais serão ignoradas. O único exemplar disponível será sorteado, e o vencedor comunicado no Rascunhos. Irei, também, enviar um e-mail para o vencedor, com o intuito de confirmar os dados antes do envio. Se não me responder em tempo útil (duas semanas) passarei ao segundo contemplado. O exemplar foi fornecido pela editora, o envio será realizado por mim pelo que vai depender da disponibilidade em me dirigir aos correios (a expectativa é que seja rápido).

Homem-aranha – Vol.1 Série 2 – A conspiração dos clones

O primeiro volume da segunda série de Homem-aranha lançada em Portugal pela Goody volta ao dilema do super-herói relativamente a uma avançada tecnologia que permitiria manter vivas ou ressuscitar algumas pesssoas. A razão para o dilema sobre a utilização de tal tecnologia no marido da tia May – é que cada vez que se aproxima de alguém que já passou pelo procedimento o seu instinto aranha dispara.

Decidido a investigar um pouco mais a empresa que disponibiliza o tratamento milionário, o homem-aranha depara-se com um covil carregado de super-vilões, vilões com os quais terá lutado anteriormente. Mas ao contrário do que espera, estes vilões parecem mais sossegados – encontram-se sob o comando do Chacal.

Bastante movimentado, graficamente diverso, este livro apresenta uma sucessão de pequenas batalhas, aproveitando as várias personagens com as quais o super-aranha se depara. Mas o desfecho não é o usual deixando o herói confuso e desorientado – até porque não acredita na mudança que se apresenta.

Encontra-se um exemplar deste volume em passatempo – um exemplar fornecido pela editora, Goody!

Comandante Serralves – Expansão

Quase 4 anos depois de lançado Comandante Serralves – Despojos de Guerra, surge este Comandante Serralves – Expansão, apresentando mais histórias no mesmo Universo. Para quem não conhece trata-se de um futuro distante em que a humanidade se viu obrigada a unir contra uma invasão alienígena. Após a guerra mantém-se um Império, A Aliança, que pretende a uniformização de hábitos e culturas como forma de manter os seres humanos unidos – mas este objectivo é, também, aquilo que elimina a variedade psicológica e cultural, e, em última análise aquilo que pode acabar com a individualidade.

Tal como na antologia anterior as histórias são independentes, mas ao decorrerem no mesmo Universo são coerentes entre si e podem conter detalhes que são apresentas noutras histórias. Esta antologia abre com um conto de Rui Bastos, O entrelaçamento electroquântico de que são feitas as lendas, que nos conta como surgiu a lenda, o homem cuja consciência é transferida de corpo em corpo após a sua morte, custando a consciência de um rebelde que se voluntariou para receber, no seu corpo, a consciência de Serralves.

Lançamento do livro no Palácio Baldaya em Benfica

Em Visita de Médico de Fernando Queirós a história incide no sogro de Serralves, um juíz da Aliança que não vê a união da filha com bons olhos. O conto começa com o aparecimento da filha, grávida, em sua casa, onde irá permanecer por alguns dias. Simultaneamente, é uma época de elevada tensão, com os militares a ocuparem as instalações onde trabalha –  mas o juíz só tem olhos para a sua filha.

O terceiro e último conto do conjunto é Pesadelo a 40 anos luz de Ricardo Dias. Trata-se de um conto bastante diferente dos restantes que apresenta Serralves numa missão para além do Sistema Solar! Pois é! Os seres humanos saem do sistema, mais propriamente, a equipa de Serralves possui uma nave com tecnologia alienígena que resolve testar numa viagem de longa distância – mas não sabem que a tecnologia usada para a viagem atrai entidades parasitas que comem qualquer tipo de energia.

A qualidade dos três contos presentes nesta pequena antologia encontra-se muito acima do que é usual para uma compilação nacional. Se já achava que a anterior tinha sido muito bem conseguida contando com as dificuldades de manter coerentes várias histórias de autores diferentes num mundo Universo, neste volume as histórias têm vida própria, ultrapassando o problema de muitos autores em apresentar apenas episódios.

Poucas, mas boas. Tratam-se de histórias envolventes que conseguem desenvolver, com sucesso, as personagens que apresentam – a tecnologia pode ser bastante mais desenvolvida, a humanidade pode ter sobrevivido a um confronto com alienígenas, mas os seres aqui representados continuam a ser reconhecíveis como tal. Para além do conteúdo há a realçar a capa, trabalho de Edgar Ascensão, conhecido pelos seus formidáveis posters caseiros de filmes.

Comandante Serralves – Expansão foi publicado pela Imaginauta.

O Imortal Punho de Ferro – Vol.2 – As sete cidades capitais do céu

Esta é uma das mais recentes séries da Marvel publicadas em Portugal pela G Floy. Trata-se de uma série que se distingue das habituais Marvel tanto a nível gráficos como narrativos. Ed Brubaker é conhecido por várias séries fora do mundo Marvel, algumas noir, de tom forte e de leitura inesquecível pelo dinamismo das personagens (recordo, rapidamente, The Fade Out ou Criminal). Já Velvet, do mesmo autor, e mais voltado para a rápida acção ao apresentar uma agente secreta, se destaca pelo excelente desenvolvimento da personagem.

Em O Imortal Punho de Ferro não é só a narrativa que se distingue, mas também o visual pois vários artistas participaram, contribuindo com páginas de estilo distinto nalguns episódios mais marcantes. A história cruza narrativas de tempos distantes, linhas que explicam os acontecimentos em vários níveis e se completam de forma inteligente.

A história centra-se no herói, Daniel Rand, um 66º Imortal Punho de Ferro, um título que o carrega de várias formas – envenenou fortes relacionamentos antigos e afasta-o ainda mais de uma sociedade onde é visto como um forasteiro, alguém que não tem direito a ser o Imortal Punho de ferro.

Carregado de acção mas dando espaço ao desenvolvimento psicológico da personagem, este segundo volume apresenta outras personagens e dá voz às suas lutas sociais, mostrando como os mais fracos (ou teoricamente mais fracos) se podem juntar e vencer um inimigo poderoso. A par com uma revolução luta-se contra uma invasão e agentes da Hydra, opondo-se as lutas externas com as lutas internas.

Entre uma cidade fora do espaço e do tempo e o resto da realidade, vão-se revelando detalhes da vida de Daniel Rand e do pai – detalhes que aumentam o interesse e baixam a linearidade do nosso entendimento. Mas não se julgue estar perante um volume demasiado introspectivo – existem lutas, várias, entre guerreiros de capacidades muito próprias, e batalhas épicas de reviravoltas marcantes.

Este segundo volume de O Imortal Punho de ferro revela uma complexidade narrativa pouco usual nas histórias da Marvel. Entenda-se que a complexidade aqui presente reflecte acontecimentos e personagens pouco lineares (ou seja, mais personagens com interesses próprios e lutas interiores), e não a confusão de linhas temporais alternativas e sobrepostas como nalguns álbuns Marvel.

A série O Imortal Punho de Ferro é publicada pela G Floy.

Outros livros dos autores

Novidade: A Casa Golden – Salman Rushdie

Eis um autor de que me mantive afastada por ter ouvido falar tanto dos seus livros. Mas, foi pela premissa fantástica de Dois anos, oito meses e vinte e oito dias que me decide a começar e acabou por ser uma das melhores leituras de 2016. Depois desse li A Feiticeira de Florença que também me agradou bastante. Este A Casa Golden corri a comprar, na versão inglesa, assim que saiu, ainda que a premissa me pareça bastante diferentes dos que li:

Quando o poderoso magnata Nero Golden imigra para os Estados Unidos em circunstâncias misteriosas, ele e os seus três filhos adultos assumem novas identidades e instalando-se numa grandiosa mansão do centro de Manhattan. Chegados pouco após a tomada de posse de Barack Obama, ele e os filhos ocupam rapidamente o seu lugar no topo da sociedade nova-iorquina. A história da família Golden é contada sob a perspetiva de um seu vizinho e confidente, René, que descreve o desmoronar da casa Golden: a vida faustosa, um litígio entre irmãos, uma metamorfose inesperada, o aparecimento de uma mulher bela, traição e assassínio, e bem longe, na pátria abandonada, um bom trabalho de informações. Partindo da nova ordem mundial de verdades alternativas, Rushdie tece a história do ambiente americano ao longo dos últimos oito anos, tocando todos os pontos: a ascensão do movimento Birther, do Tea Party, do Gamergate e da política de identidade; o efeito de ricochete do politicamente correto; e, evidentemente, a eclosão de um vilão ambicioso, desapiedado, narcisista e profundamente conhecedor da comunicação social, que usa maquilhagem e pinta o cabelo.

 

I.R.$. – Vol.3 – Silicia Inc. / O Corruptor – Vrancken e Desberg

O terceiro volume duplo de I.R.$. parte do homicídio do presidente exilado (e corrupto) de um país de terceiro mundo para fazer o agente de I.R.$., Max,  seguir uma pista de transferências regulares para Silicia INC., uma entidade desconhecida mas que estará relacionada com vários homicídios encomendados.

Simultaneamente acompanhamos uma agente maligna que explora as possíveis vulnerabilidades de Max, perseguindo as pistas da mulher com quem ele fala regularmente ao telefone – uma presença enigmática na vida de Max, uma mulher que não conhece fisicamente e que, como tal, pode encarnar todas as possibilidades.

Ao seguir as pistas de Silicia INC. Max descobre ume enorme rede de corrupção e chantagem, uma rede de favores que permite ter políticos, juízes e polícias sob o controlo de uma entidade desconhecida. Max persegue as pistas ao mesmo tempo que ele começa a ser pressionada pela agente que o persegue.

Este volume torna a apresentar premissas peculiares para desenvolver a narrativa. Paralelamente fornece vários episódios de acção que conferem alguma urgência à investigação de Max e, desta forma, alguma dinâmica a uma história que poderia tornar-se demasiado pausada.

I.R.$. é uma série publicada pela Asa em parceria com o jornal Público.

Assim foi: Festival Contacto

O Contacto ocorreu este Sábado em Benfica, no Palácio Baldaya!  Trata-se de um espaço recuperado recentemente (e inaugurado no dia 01 de Setembro de 2017), com várias salas, wi-fi gratuito, uma pequena biblioteca, uma ludoteca e uma cafetaria. O palácio possui, ainda, um belíssimo jardim interior!

A disposição do espaço permitiu a execução de várias actividades em simultâneo, com uma sala de jogos de tabuleiro, uma sala de escape room (organizada pela liga Steampunk), uma feira do livro, uma sala Harry Potter, actividades Star Wars, uma sala de apresentação e uma sala para contadores de contos (e é possível que me tenha esquecido de alguma coisa.

Com várias actividades à disposição, optei para assistir primeiro àquelas que ocorriam apenas uma vez, o lançamento de A Espada Que Sangra de Nuno Ferreira e o lançamento de Comandante Serralves – Expansão. No primeiro caso trata-se de uma nova edição do livro do autor,  o primeiro de uma saga fantástica que verá os restantes volumes publicados pela Editorial Divergência, e que sofreu, para esta publicação, uma extensa edição (com alguns cortes). Já cá tenho o meu exemplar assinado e prontinho para ser uma das próximas leituras!

Por sua vez, Comandante Serralves – Expansão reúne 3 longas histórias passadas no Universo de Comandante Serralves, Space Opera portuguesa onde um Império humano se expande pelo Sistema Solar. Este Império possui características ditadoriais e, como tal, organizou-se um grupo de dissidentes que estão contra o Regime. Comandante Serralves é um dos elementos principais, um humano de ascendência portuguesa que renasce no corpo de voluntários sempre que o corpo anterior é destruído nalguma missão.

Este volume começa com O entrelaçamento electroquântico de que são feitas as lendas de Rui Bastos, um conto que já tinha lido noutro formato e que aconselho bastante. É um conto bem tecido com toques cómicos onde não falta o cientista louco que aspira ao impossível. Mas o volume tem outros contos que ainda não li!

Depois dos lançamentos foi a vez de jogarmos um joquinho de tabuleiro, neste caso, Labirinto, um jogo engraçado que trabalha a memória com alguma estratégia, enquanto esperávamos para entrar para a Escape Room, organizada pela Liga Steampunk. No nosso caso levámos crianças que se divertiram imenso. Tratou-se de um actividade engraçada, realçando-se a creatividade necessária para o aproveitamento do espaço.

Entre a desgraça da feira do livro (desgraça, pelo mal que fez à carteira), pausa para conversas e jogos de tabuleiro, foi uma tarde muito bem passada, num espaço divertido que proporcionou bons momentos para todas as idades! Como ponto negativo tenho apenas a quebra que a feira de artesanato proporcionava ao evento (quebra provocada por decisões alheias à organização do Contacto). De destacar que se trata de um evento gratuito (salvo por algumas actividades de preço irrisório que ajudaria a compensar as despesas de material associadas) organizado por gosto da Imaginauta em trazer a ficção especulativa nas suas várias expressões!

Eventos: Sustos às sextas

Em anos anteriores o evento Sustos às sextas decorreu ao longo de alguns meses por cada ano. Em 2018, por motivos de indisponibilidade dos organizadores, o evento terá uma única sessão na próxima sexta-feira. Trata-se de uma sexta-feira muito especial, uma sexta-feira 13, propícia, por esse motivo a um evento deste tipo.

Para quem não conheço o evento aconselho a visualização dos vídeos das sessões anteriores (há gravações que guardam a totalidade da edição e edições resumo com os pontos principais de cada uma), ou que oiça a entrevista a António Monteiro sobre a sessão deste ano.  Trata-se de um evento de bom gosto que apresenta música clássica ou bailado, intercalando livros com ilustrações ou o contar de contos tradicionais ou exposições de máscara ibéricas.

Deixo-vos o programa completo bem como a ligação para a página oficial do evento:

21:00 – Recepção dos convidados
21:30 – Apresentação da sessão
21:40 -. Bailado, com produção de Mercedes Cabanach e coreografia de Catarina Moreira
22:00 – Entrevista com o escritor Nuno Matos Valente, autor do “Bestiário Tradicional Português”
22:30 – Pausa para café
22:45 – Evocação do bi-centenário da publicação de “Frankenstein”
23:00 – Actividade a definir
23:30 – Divulgação do resultado do jogo* e encerramento