O Último Homem – Vol. 7- Bonecas de Papel – Vaughan, Guerra, Sudzuka e Marzán Jr.

Se tinha achado que, nalguns volumes intermédios, a história se tinha tornado mais morna e desinteressante, este volume traz novo fôlego à série (conjuntamente com o oitavo que li entretanto), explorando alguns acontecimentos passados das personagens, bem como fazendo a ligação com alguns episódios já lidos que ganham novo sentido. A série continua com o bom visual que lhe é característico, elemento que é realçado pela edição portuguesa em relação à original (da qual tenho alguns volumes, e que foram impressos em papel de má qualidade).

Neste sétimo volume Yorick chega, finalmente, à Austrália, continente em que pensa que se encontra a noiva que procura desde o evento apocalíptico. As pistas que possui permitem-lhe perceber que o caminho de ambos os levou para locais opostos, mas nem assim perde a esperança de a voltar a encontrar.

Entretanto, a existência de Yorick é um rumor que se alastra lentamente e que uma jornalista ambiciosa se compromete a descobrir, seguindo indicações que a levam a Yorick – o último homem do planeta. A jornalista tomará todas as decisoes erradas para tentar conseguir um furo jornalístico!

Paralelamente, Beth, a irmã de Yorick vai ter com Beth, a mulher com quem Yorick se terá deitado num dos volumes anteriores, e ambas serão obrigadas a enfrentar uma seita religiosa que procura um Papa para fazer renascer a Igreja Católica.

Carregado de acção, a série continua a surpreender na forma como apresenta um mundo sem homens, um mundo onde as mulheres não hesitam em pegar em armas e realizar todos os feitos violentos e impulsivos que normalmente são atribuídos ao lado masculino da humanidade.

A série está a ser lançada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Novidade: Nova Colecção Batman 80 anos – Detalhes colecção e primeiro volume

No seguimento dos 80 anos do super herói Batman, a Levoir publica, em parceria com o jornal Público, uma nova colecção! Abaixo encontram mais detalhes sobre o conteúdo da colecção, como informação do primeiro volume que será lançado já no dia 21 de Fevereiro:

1.- Jogo Final – Scott Snyder e Greg Capullo (21 de fevereiro)
2.- Peso Pesado – Scott Snyder e Greg Capullo (28 de fevereiro)
3.- Bloom -Scott Snyder e Greg Capullo (7 de março)
4.- Gothtópia – John Layman e Jason Fabok (14 de março)
5.- Noel: Um Conto de Natal – Lee Bermejo (21 de março)
6.- Ícaro – Francis Manapul e Brian Buccellato (28 de março)
7.- Black & White: Os melhores contos noir – Richard Corben, Matt Wagner, Katshuiro Otomo (4 de abril)
8.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 1– Frank Miller (11 de abril)
9.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 2 – Frank Miller (18 de abril)
10.- Antologia Batman: 80 Anos de Aventuras – Tom King, Paul Dini, Len Wayne, Neal Adams (25 de abril)

 

Scott Snyder e Greg Capullo são dois dos nomes mais falados da DC Comics desde o início dos Novos 52. Snyder iniciou a sua carreira como escritor de terror, mas daí até se tornar um dos maiores escritores dos comics americanos deste século, foi um instante. Na sua etapa com o Batman, Snyder conta com a arte de Greg Capullo, desenhador, cuja carreira está sobretudo associada à sua colaboração com Todd McFarlane na série Spawn, durante perto de vinte anos. Capullo revelou-se um dos melhores desenhadores do Batman deste século, adaptando o seu estilo às necessidades da personagem e influenciando a própria narração de SnyderEm Jogo Final, o Joker está de volta, mas desta vez o maior inimigo do Batman não está a rir. No encontro anterior, o Cavaleiro das Trevas não esteve à altura dos planos do Príncipe Palhaço do Crime, e agora o vilão não está para brincadeiras. Os jogos acabaram. Todas as cartas estão na mesa. E no confronto mais intenso já visto entre eles, nada mais será sagrado para o Joker… a família do Homem-Morcego, os seus amigos e aliados, a sua casa. Ninguém está a salvo. Batman e Joker enfrentam-se, cada um deles representando uma força primordial da natureza: a Justiça contra o Caos. O Bem contra o Mal. O sombrio contra a gargalhada. Mas ambos são eternos.Este é um comic aterrador que marcou uma época dourada para o personagem. Joker é possivelmente o melhor vilão que existiu em toda a história, não só dos comics, mas também da literatura universal.

 

 

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (2)

13 – Y: O Último Homem – Vol. 7 – Bonecas de Papel – Yorick chega finalmente à Austrália e descobre pistas da sua namorada – mas esta há muito que deixou o continente e foi para Paris. Paralelamente, uma jornalista tenta divulgar a existência de Yorick e não olha a fins para o fazer;

14 – Injection – Vol.3 – Ellis, Shalvey e Bellaire – Um local histórico torna-se o cenário de um horrendo crime revelando-se, também, um local de grandes forças sobrenaturais. Se, no volume anterior, se tinha investido na lógica para perceber a IA, neste volume seguem-se caminhos menos óbvios mas mais macabros;

15 – Jessica Jones – Vol.1 – Sem Limites – Bendis, Gaydos e Hollingsworth – A heroína sai da prisão e é envolvida por uma organização que pretende acabar com os super heróis – precisando, para tal, de Jessica para conhecer os seus segredos;

16 – Y: O Último Homem – Vol. 8 – Dragões de Kimono – Neste oitavo volume a busca pelo macaco capuchinho de Yorick leva-os ao Japão, onde encontram uma máfia conduzida por uma cantora pop americana!

Novidade: Tony Chu – Vol. 10 – Galo de Cabidela

 

A série mais nojentamene divertida chega ao décimo volume no mercado português, denominado Galo de Cabidela! Sobre este volume deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora (G Floy):

Tony Chu, o agente federal cibopata capaz de obter impressões psíquicas daquilo que come, vai enfrentar o seu maior desafio. O confronto final com o monstro que matou a irmã dele. Que desfigurou os seus colegas. E que agora ameaça a sua filha. Para sobreviver a esta batalha, Tony vai precisar da ajuda do maior agente secreto que alguma vez viveu… Poyo! O problema? Poyo está desaparecido, e presume-se que esteja morto…

O novo arco de história de Tony CHU, a série best-seller do New York Times, aproxima-nos rapidamente do final da série (serão 12 volumes), com a sua combinação improvável (e um pouco parva, seremos os primeiros a admiti-lo) de detectives, bandidos, canibais, clarividentes, cozinheiros e homens biónicos.

 

Os crimes dos viúvos negros – Isaac Asimov

O famoso autor de ficção científica escreveu, também, algumas histórias no género policial. Neste volume reúnem-se aquelas que decorrem com os Viúvos Negros, um clube de homens que não permite, nos seus serões, mulheres. Cada membro vai organizando um serão diferente, podendo convidar alguém que possa suscitar interesse – mas ao longo dos serões aqui relatados os convidados apresentam crimes para os quais não tinham solução, mas que o empregado de mesa do clube resolve com astúcia e humildade após o questionamento dos membros do clube.

A maioria dos crimes são menores – tentar perceber o que foi roubado (sendo que alguma coisa foi, mas não se sabe o quê), pequenas charadas que o empregado de mesa resolve através da dedução. Após a discussão acesa entre os vários membros do clube para explorarem todas as alternativas, aquela que não foi discutida é, provavelmente, a mais certa.

Sem chegar ao patamar do extraordinária, esta colecção de pequenos contos consegue manter o interesse do leitor, sendo um género de investigação criminal sem elementos mais pesados como corpos ou explosões de sangue, onde os enigmas são astutos e interessantes.

Esta volume foi publicado em Portugal pela Ulisseia.

Injection Vol. 2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire

Após uma rápida introdução das várias linhas narrativas e das várias personagens do primeiro volume, este segundo apresenta-se mais coeso, seguindo quase sempre uma única linha em torno do detective Vivek Headland, mas, ainda assim, conseguindo avançar com alguns elementos das restantes personagens.

Neste volume o detective é confrontado com um caso mais estranho do que lhe é usual – o de um homem que se diz visitado pelo fantasma da amante, pelo menos até há poucos dias, e que acha que esta ausência do fantasma estará relacionado com o roubo de uma foto. O homem está pouco preocupado ou pesaroso com a morte do filho, pensando apenas na ausência da amante. Se este facto é estranho por si só, durante a reunião com o homem, o detective descobre que o presunto que está na sua sandes não é de porco, mas de humano.

Este curto encontro irá ser o ponto de partida para todo o volume que alterna entre episódios de acção e momentos de raciocínio que explicam um pouco mais sobre o que se passa na realidade retratada – uma inteligência artificial foi libertada. E se se trata de uma inteligência artificial porque pensaria ou valorizaria um ser humano? Capaz de distorcer a realidade e de interagir com humanos, a inteligência artificial confere elementos sobrenaturais e fantásticos à narrativa – e extrema tecnologia a parecer magia aos olhos humanos, ou algo mais?

Injection mistura misticismo com tecnologia produzindo uma inteligência artificial que é, à percepção humana, alienígena. Esta inteligência aprende e desenvolve-se sem uma moral que possamos reconhecer, manipulando os seres humanos e a realidade que os rodeia. Este cruzamento de elementos sobrenaturais e místicos com a tecnologia resulta em cenários fantasticamente horrendos (explorados mais no primeiro volume) que conferem uma aura estranha e fascinante à história.

Em termos narrativos este volume centra-se mais na investigação mas fornece, ocasionalmente, cenas passadas de algumas personagens, mostrando as suas motivações e desejos – percebemos a origem do relacionamento de algumas e justifica-se a forma como se relacionam. Mais pausado que o primeiro volume, este segundo é mais coeso mas, simultaneamente, mais inquietante.

Esta é, sem dúvida, uma série para continuar a ler, apesar do espaçamento com que os volumes são lançados.

Rascunhos na Voz Online – Bruno Caetano

A principal ocupação de Bruno Caetano é em Stop Motion (animação) mas é conhecido no mundo da banda desenhada pela Comic Heart, através da qual participa na edição, publicação e divulgação de banda desenhada!  O programa está disponível em formato podcast na Mixcloud!

 

Novidade: Seafire – Natalie C. Parker

A Topseller lança nova obra fantástica este mês! Desta vez trata-se do primeiro volume de uma trilogia pirata direccionada para jovens adultos (YA) que tem tido algum sucesso no mercado anglosaxónico:

Nunca subestimes uma mulher.
Especialmente se for uma pirata.

No mar alto, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Depois de as famílias de Caledonia e Pisces serem brutalmente assassinadas, as duas raparigas fazem um pacto de sangue. Juntas, perseguirão Aric Althair, senhor da guerra e responsável por estas mortes, até conseguirem a vingança.

Quando o teu navio fraqueja, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Corajosas e determinadas, Caledonia e Pisces constroem e equipam o seu próprio navio, o Mors Navis, tripulado apenas por raparigas. Caledonia comanda estas irmãs dedicadas à mesma causa. Juntas percorrem os mares com um só objetivo: acabar de vez com a violência e maldade de Althair e da sua frota de mercenários.

No meio de fogo cerrado, em quem confias? Nas tuas irmãs.

Mas, durante um confronto, quando um dos homens de Althair salva a vida de Pisces, é revelado um segredo inesperado. O rapaz garante que o irmão de Caledonia está vivo e afirma conhecer o seu paradeiro. Será um truque? Será verdade? Estará Caledonia disposta a descobrir?

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (1)

 

9 – Ms. Marvel – Vol. 2 – G. Wollow Vwilson e Adrian Alphona – Neste segundo volume de Ms. Marvel a heroína continua a distinguir-se pela sua diferente ascendência e pelas batalhas que escolhe, reparando no desaparecimento de elementos da sociedade que ninguém se preocupa em investigar. Com elementos divertidos e leves, é uma banda desenhada interessante, com alguma acção;

10 – Circe – Madeline Miller – A autora pega em Circe e romantiza a vida desta divindade, tornando-a numa personagem com dimensão, em que os elementos que a caracterizam são justificados, dando noção de coerência entre os vários mitos em que aparece;

11 – Injection Vol.2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire – O segundo volume centra-se na investigação de duas mortes para apresentar uma outra perspectiva sobre a peculiar Inteligência Artificial que tem uma forma própria de aprender e de manipular os seres humanos. A história possui detalhes grotescos (como seria de esperar de Warren Ellis), de horror fantástico e de ficção científica, numa mistura inquietante;

12 – Os crimes dos viúvos negros – Isaac Asimov – O famoso autor de ficção científica escreveu, também, algumas histórias no género de crime. Neste volume reúnem-se aquelas que decorrem com os Viúvos Negros, um clube de homens que não permite, nos seus serões, mulheres. Cada membro vai organizando um serão diferente, podendo convidar alguém que possa suscitar interesse – mas ao longo dos serões aqui relatados os convidados apresentam crimes para os quais não tinham solução, mas que o empregado de mesa do clube resolve com astúcia e humildade após o questionamento dos membros do clube.

Novidade: Y – O Último Homem – Vol.7

A Levoir continua, em parceria com o jornal Público, a publicação da série Y – O último homem, com o lançamento dos volumes sete e oito, nos dias 07 e 14 de Fevereiro! Deixo-vos já os detalhes do sétimo volume:

Em “Bonecas de Papel”, título do 7º volume da colecção, o jovem Brown chega finalmente à Austrália, país onde a sua namorada Beth, está perdida desde a praga que matou todos os homens há mais de três anos. Mas esta partiu para Paris à procura dele.

Yorick, a Agente 355 e a bioquímica Allison Mann continuam à procura de Ampersand – o outro mamífero do sexo masculino sobrevivente e peça-chave para uma possível cura para a praga. O macaco foi sequestrado por uma misteriosa ninja e o seu rasto vai até o Japão.

A repórter de um jornal sensacionalista investiga sobre a sobrevivência de algum homem à praga. Até agora, tudo se resume a uma grande colecção de boatos, até que ela consegue descobrir Yorick obrigando-o a despir-se e fazendo-lhe fotos que publica. Temendo que a divulgação dessa notícia atraia a atenção e gere muitos conflitos e problemas, a agente 355 caça a repórter, procurando destruir a fotografia custe o que custar.

Mais uma vez Brian K. Vaughan põe o leitor a questionar-se. Qual é a extensão do poder da imprensa? Quais os reais interesses por trás da publicação de uma notícia? A verdade deve sempre vir a público ou há situações em que é melhor manter o sigilo? A necessidade justifica a censura?

A história não propõe nenhuma resposta, apenas inspira as perguntas. E a resolução para o problema das fotos de Yorick é tão simples quanto surpreendente.

O nível constante de qualidade dos textos e desenhos fazem de Y – O Último Homem uma das melhores séries publicadas tendo ganho 3 Prémios Eisner.

 

Novidade: Southern Bastards – Vol.4 – Jason Aaron, Jason Latour e Chris Brunner

A G Floy lança o quarto volume de Southern Bastards, fechando a história com a visita da filha de Tubb ao condado de Crawford!

O final do grande arco de história inicial de SOUTHERN BASTARDS, com o regresso ao Condado de Crawford de Roberta Tubb, a filha de Earl Tubb, e o seu primeiro grande confronto com o Coach Boss!

A aclamada série “frita à moda do Sul” regressa para mais uma grande noite de desporto! O Coach Boss só consegue mandar no Condado de Craw com mão de ferro por uma razão apenas: ganha jogos de futebol. Mas depois da maior e mais terrível das derrotas da sua carreira, Euless Boss tem de se tornar num criminoso ainda mais empedernido se quer poder sobreviver ao ataque dos seus inimigos.

Inimigos como Roberta Tubb, que chegou à cidade de Kalashnikov em punho à procura de respostas à séria sobre a morte do seu pai.

Tudo se encaminha para um primeiro desfecho, uma primeira resolução dos conflitos que assolam esta pequena cidade americana, um momento final em que todos os lados desta batalha se vão finalmente definir. E no meio de toda a confusão é que se vai ver quem é que os tem mesmo no sítio!

 

Monstress vol.3 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Desde o primeiro volume desta série que nos habituámos a uma elevada qualidade gráfica – qualidade esta que se tem mantido e que nos remete para um mundo fantástico onde deuses antigos moldaram a existência de uma série de raças inteligentes, uma delas denominada por Arcânicos, seres humanóides com características mais ou menos evidentes de outros animais, que são perseguidos pelos humanos pelos seus poderes mágicos.

Maika é uma arcánica, mas uma arcánica pouco usual. Unida a um deus antigo, é lentamente consumida quando usa os poderes do deus, um monstro esfomeado que então ocupa o seu corpo e devora todos os que apanhar para repor energia. Para além do monstro que a devora, Maika descende de uma linhagem peculiar de quem pouco se sabe inicialmente, mas sobre a qual se vão descobrindo detalhes inquietantes ao longo da história.

Após a exploração de uma ilha carregada de más surpresas e poderes obscuros, Maika e os amigos têm agora de fugir de quem os pretende prender e usar – mas conseguem exílio numa cidade que reserva, também, alguns segredos poderosos. Enquanto Maika é chamada a ajudar na manutenção do escudo da cidade, uma das suas pequenas amigas descobre refugiados que são como ela e decide, também ela, ajudar – mas é demasiado inocente e acaba por cair em enredos que não compreende totalmente.

Se os volumes anteriores apresentam a fuga das personagens principais por terra e mar, evitando confrontos, neste volume tal torna-se inevitável, resultando em lutas violentas e esmagadoras. Os deuses mantém parte dos seus grandes poderes e soltam-nos sem dó nem piedade por aqueles que podem atingir.

É, também neste volume, que descobrimos que algumas das personagens têm uma agenda muito própria, como agentes de diferentes facções com interesses distintos. Estas personagens reportam a poderes diferentes mas terão de escolher entre a amizade e a sua verdadeira identidade – se algumas o fazem abertamente, com jogos duplos e conversas subtis convidando à desconfiança, outras revelam-se de forma surpreendente.

Até este volume a história tem vindo a ganhar tensão – a maioria dos diálogos são indirectos e subtis, mostrando existirem vontades obscuras e pensamentos não revelados. Ainda que algumas das interacções assim se mantenham (deixando nas entrelinhas ameaças, consequências ou interesses) alguma desta tensão é descarregada em grandes episódios de luta divina.

Monstress continua a ser uma série visualmente arrebatadora, distinguindo-se pelos elementos asiáticos que conferem, às personagens, algumas características de Anime. Os deuses são verdadeiramente alienígenas e incompreensíveis, os poderes são simultaneamente fantásticos e horrorosos e a inocência convive com o horror da guerra e da morte por racismo.

Se, no primeiro volume, a história permitia tecer paralelismos com perseguição de humanos pela sua cor ou origem (ao apresentar séries sapientes e sensíveis que são desconsideradas como se fossem animais), neste volume toca-se levemente no tema dos refugiados.

A série tem sido publicada em Portugal pela Saída de Emergência e este terceiro volume encontra-se agendado para dia 08 de Fevereiro.

Circe – Madeline Miller

Deusa da magia, ninfa, bruxa, encantadora ou mágica, Circe é uma figura da mitologia grega dúbia e diferente dos outros deuses ou divindades. Filha de Hélio e Perseis (uma ninfa) é conhecida pelo seu conhecimento de poções e ervas, sendo destas que deriva o seu poder de influenciar e transformar os seus inimigos. Neste livro a autora centra-se em Circe, contando a sua vida imortal desde os primeiros anos como divindade menor e esquecível, até ao exílio e transformação final.

De voz humana, aparência incomum (e até feia para os restantes deuses) Circe cresce esquecida entre uma série de divindades poderosas, numa corte carregada de jogos de poderes e influências, na qual não desempenha qualquer papel. A sua presença é tolerada, mas não tem amigos nem protectores, vivendo nas sombras como uma personagem simples.

A sua existência na corte será influenciada por Prometeu, a divindade que trouxe o fogo aos humanos, e que é trazido à corte de Hélio antes da concretização da sentença que o irá prender a uma rocha por toda a eternidade (enquanto uma águia, todos os dias, lhe come o fígado que se regenera). Circe interessa-se por esta personagem e assim ganha a curiosidade pelos humanos que a há-de marcar.

Entre a transformação de um humano em divindade, assistir ao parto de Minotauro, conhecer Dédalo (e Ícaro), e receber Ulisses na ilha em que se encontra exilada (por usar os seus poderes mágicos que os restantes deuses que não compreendem) Circe é uma personagem peculiar que se adapta à solidão e que possui todas as características de uma bruxa típica, vivendo alguns dos mais marcantes episódios mitológicos – e assim é usada pela autora que acaba por retratar a divindade, bem como as motivações de algumas das personagens mais marcantes da mitologia grega.

Distinguido com o prémio de Fantasia do Goodreads, Circe é um livro que me despertou opiniões dúbias – se por um lado possui bons momentos de caracterização, mostrando o lado perverso das dividantes (que reflectem os humanos) e das figuras mortais lendárias, por outro alonga-se demasiado nalgumas passagens mais pausadas (ainda que reconheça que algumas sejam necessárias para descrever momentos marcantes e decisivos de Circe).

Menosprezada pelas restantes divindades pela sua falta de poderes e pela voz humana, Circe consegue a proeza de atingir o seu auge enquanto isolada numa ilha, onde usa tudo o que a rodeia para tecer fortes bruxarias que fazem frente aos poderes tradicionais dos deuses. Circe conhece bastante bem o funcionamento de uma divindade típica e usa isso para defender o seu filho ou os restantes humanos pelos quais se interessa, constituindo uma divindade altruísta de psicologia complexa.

Para quem gosta de histórias mitológicas Circe constitui uma abordagem interessante, desconstruindo os deuses – a sua imortalidade e poderes são os elementos que os diferenciam dos seres humanos, mas, também, o que os torna estáticos, previsíveis e receosos pela mudança ou por aquilo que não compreendem. Circe mostra uma divindade diferente, uma divindade menor que, desconsiderando a imortalidade, é comparável a um humano, não revelando os vícios usuais dos mais poderosos.

Circe é, portanto uma boa leitura – as personagens são complexas e desenvolvem-se de acordo com os eventos que marcam a sua existência, os eventos mitológicos apresentados possuem abordagens diferentes do usual e a autora consegue envolver o leitor e fazer sentir empatia pelas personagens que constrói. Para mim, terá como defeito o arranque mais leito, debruçando-se demasiado na existência de Circe na corte de Hélio.

Novidade: A Guerra dos Mundos – H. G. Wells

Este clássico de ficção científica tem nova edição em Portugal pela Sextante Editora:

O novo volume da Biblioteca dos Tesouros é um clássico da ficção
científica que inspirou outros livros, filmes e animações sobre a vida
noutros planetas. Com nova tradução de João Bernardo Boléo, A
Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, chega a 7 de fevereiro às
livrarias.

Este romance, sobre uma invasão da Terra por extraterrestres, foi
originalmente publicado em folhetim em 1897, em Inglaterra e nos
EUA, e só no ano seguinte teve a sua primeira versão em livro. Em
1906 foi feita a extraordinária edição belga com as ilustrações do
pintor pré-modernista brasileiro Henrique Alvim Corrêa, que
aparecem agora nesta edição portuguesa. Foram escolhidas pelo
próprio H. G. Wells e tornaram-se famosas, tendo servido de base à
adaptação ao cinema de Steven Spielberg.
A Guerra dos Mundos tornou-se um marco da literatura de ficção
científica, uma das primeiras histórias que narra o choque do Homem
com habitantes de outro planeta. Foi adaptado várias vezes para
cinema e dramatizado para a rádio em 1938 por Orson Welles.

 

Jogos ao Sábado – Reef

Descrito por alguns como sucessor do Azul (por ser um jogo de mecânicas simples e jogadas rápidas) Reef permite que, novos jogadores e experientes, desenvolvam estratégias mais ou menos complexas consoante a sua experiência.

Do ponto de vista visual, Reef é agradável e tem corais como tema, sendo que cada jogador possui um tabuleiro no qual tem de empilhar as peças de corais para construir um determinado padrão. As peças são melhores do que parecem nas fotos, de plástico pesado e suaves ao toque, constituindo muitas vezes uma surpresa para quem vê o jogo ao vivo pela primeira vez.

Para colocar peças no coral e pontuar os padrões o jogador usa as cartas que tem na mão. A cada jogada podemos comprar uma carta ou usar uma carta, e cada carta tem duas secções, uma superior que indica as peças que podemos acrescentar ao nosso coral, e uma inferior que indica o padrão que pode ser pontuado (sendo que cada padrão é pontuado tantas vezes quantas as que existir no tabuleiro do jogador).

Dado que tenho como objectivo comentar o jogo, não vou detalhar as restantes regras (podem consultar o livro de regras), mas, como podem perceber é um jogo de jogada rápidas em que, dependendo da experiência do jogador, pode ser jogado pensando apenas na próxima carta a pontuar, ou tendo em vista repetições de padrões para se conseguirem pontuações mais elevadas, mas mais demoradas de concretizar.

De explicação rápida, Reef é um jogo em que conseguimos integrar facilmente novos jogadores, ainda que estes se baralhem com a simbologia das cartas nas primeiras jogadas – a separação das duas componentes (peças a colocar e combinações a pontuar) não é suficiente e causa sempre confusão durante todo o primeiro jogo. Ainda, a representação gráfica de um dos padrões (quantas peças de uma cor em torno de outra) também é de difícil apreensão.

Apesar deste detalhe visual nas cartas (que é ultrapassado após alguns jogos) Reef é um jogo extremamente agradável mas que não se tornou tão marcante ou viciante quanto Azul.

Outras entradas sobre jogos de tabuleiro

Ms. Marvel – Vol.2 – Geração Perdida – G. Wollow Vwilson e Adrian Alphona

Neste segundo volume, Ms. Marvel continua a apresentar-se como uma heroína peculiar, tanto pelas particularidades culturais, como por ter em consideração os restantes mortais – o novo papel de heroína leva-a a ausentar de casa a horas estranhas e a família obriga-a a falar com o xeque da mesquita local para alinhar ideias, enquanto segue as pistas para uma série de jovens desaparecidos – jovens sem família ou sem fortes raízes que desaparecem silenciosamente.

O resultado da conversa do xeque é inesperado, sugerindo-lhe que arranje alguém mais experimente que a possa guiar no trabalho que faz para a comunidade. Este companheiro de missões há-de surgir de forma inesperada, através de Wolverine que se interessa pelos poderes de Ms. Marvel – um cão enorme capaz de se teletransportar e que a irá salvar várias vezes ao longo deste volume.

Não há heróis sem vilões e, neste caso, o vilão é Thomas Edison, ou melhor, um clone do famoso inventor (cujo DNA foi contaminado pelo de uma caturra) que arranjou uma nova forma de obter energia para as suas engenhocas, usando jovens como se fossem baterias. Ao contrário do que se pensa, alguns destes jovens até estão a ser usados por sua própria vontade – mas o que os leva a assumir o papel de mera bateria?

Este segundo volume de Ms. Marvel é uma leitura ligeira que alterna momentos de acção pouco pesados com episódios de pequeno teor cómico que usam a personalidade de Ms. Marvel e dos seus amigos, bem como elementos culturais, para aligeirar a história. De realçar que estes elementos culturais fornecem pequenos toques de uma lógica diferente que proibe, por exemplo, ter cães em casa, ajudando-nos a compreender as diferenças de perspectiva para algo que, na cultura ocidental, é tão banal.

A série Ms. Marvel é publicada em Portugal pela G Floy.

Opinião ao primeiro volume

Novidade: Caravaggio 2 – O Indulto

Pela Arte de Autor chega-nos, na próxima semana, o segundo volume de Caravaggio. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Susceptível, impetuoso, hedionista e brigão, impor-se-á como um dos grandes pintores da história de Arte, esculpindo trevas e luz com o seu pincel para criar obras inesquecíveis, de um realismo perturbador.

Quatro séculos depois, um outro génio italiano do desenho, Milo Manara, presta-lhe homenagem numa banda desenhada em dois volumes que fará história.

Novidade: Baptismo de Fogo – Andrzej Sapkowski

O quinto volume da Saga The Witcher já tem data marcada! A série encontra-se a ser lançada em Portugal pela Saída de Emergência e este volume será lançado no dia 15 de Fevereiro. Deixo-vos a sinopse:

Venha conhecer os livros que inspiraram o popular jogo The Witcher

A Irmandade dos Magos foi aniquilada e Geralt ficou seriamente ferido. O bruxo deveria ser o guardião dos inocentes e o protetor dos necessitados perante os monstros poderosos e implacáveis que fazem dos humanos a sua presa. Mas agora que tempos sombrios pairam sobre o mundo, Geralt não poderá defender os homens enquanto não recuperar dos seus ferimentos.

As guerras devastam todos os territórios e o futuro da magia está ameaçado. Mas as feiticeiras que sobreviveram estão determinadas a protegê-lo. É um momento conturbado, e Ciri, a herdeira do trono de Cintra, continua desaparecida. Surgem rumores de que ela estará na corte de Nilfgaard para casar com o imperador. Ferido ou não, Geralt tem uma missão a cumprir…

East of West – Vol.5 – Hickman e Dragotta

East of West é uma série de excelente aspecto gráfico que intercala elementos de fantasia com ficção científica (e pitadas de horror) debruçando-se no Apocalipse que começa com Morte em busca do filho. Os volumes anteriores apresentam-nos as várias facções que governam o mundo, mas centra-se, sobretudo, em personagens chave – já este quinto volume desenvolve a movimentação política destas facções e parece colocar as personagens em locais chave.

Apesar de existirem episódios pesados de grande violência e sadismo (como é habitual nos volumes anteriores) estes são em menor quantidade e menos intensos – este volume é mais pausado e mais centrado em desenvolver personagens. Parece existir, neste volume, uma necessidade de posicionar personagens e de fazer evoluir algumas facções para um propósito definido pelo autor. Talvez por isso, é um volume menos envolvente e, apesar de toda a tensa movimentação política, fiquei com a sensação de que pouco aconteceu.

Ainda assim, destaco novamente o excelente aspecto gráfico que usa elementos futuristas tanto na tecnologia das armas e dos transportes, como elementos fantásticos de horror usando criaturas horrendas com capacidades mágicas e sobrenaturais. Enquanto algumas facções possuem grande poder militar,  outras crescem nas sombras por meios menos visíveis.

Gosto da série (e vou decerto ler os seguintes) mas a forma como se iniciou o quarto volume (introduzindo as várias facções políticas) e a forma como este quinto concentra uma série de momentos importantes para o desfecho faz-me pensar que esta foi alongada ou reestruturada a meio da série, causando quebras no ritmo narrativo – alguma da informação introdutória do quarto volume poderia ter sido dispersa, bem como alguns destes movimentos políticos que encontramos no quinto. Mesmo considerando o abrandar do ritmo e as diferenças de estrutura de cada um dos volumes, a série continua a agradar do ponto de vista gráfico e narrativo.

Sobre outros volumes da série

Resumo de Leituras – Janeiro de 2018 (2)

5 – Outcast – Vol.4 – Kirkman & Azaceta – O enredo continua a avançar lentamente, revelando mais algumas pistas sobre o que estará a possuir uma série de pessoas. A história continua lenta, com alguns pontos de interesse, mas revela demasiado pouco a cada passo;

6 – Uncanny X- Force Vol.2 – Noutra realidade alternativa o Arcanjo já dominou o mundo – e é a esta que os heróis têm de se deslocar. Lá encontram amados há muito perdidos, companheiros que possuem o cerne da pessoa querida mas, também, apresentam muitas diferenças. Entre as batalhas bombásticas encontramos alguns conflitos pessoais. Neste volume destaca-se o excelente aspecto visual!

7 – Descender – Vol.6 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen A série termina neste sexto volume mas deixa espaço para se explorar uma nova linha narrativa (que dará origem â série Ascender). Se já gostava da série desde o primeiro volume, este último veio consolidar a opinião, mostrando que a série consegue ser interessante do ponto de vista narrativo, desenvolver personagens e dar espaço para algumas questões filosóficas interessantes;

8 – East of West – Vol.6 – Hickman, Dragotta, Martin -Visualmente esta série é das melhores que estou a ler agora! Enquanto os cavaleiros do apolipse cavalgam na terra para fazer chegar o fim do mundo, um deles procura o filho perdido para uma facção oposta que o manipula. Cada facção procura superar o poder das restantes, mostrando-se impediosa, violenta e subversiva. Os elementos visuais e os fortes episódios quase fazem o leitor esquecer-se que pouco acontece neste volume.