Batman 80 anos – Vol.2 – Peso Pesado

O Batman morreu! A batalha que fechou o volume anterior parece fechar o duo herói-vilão, mas a necessidade de um herói persiste na cidade de Gotham – outros vilões surgem, não dando tréguas à cidade. Cria-se, assim, um novo Batman, controlado pelas autoridades que terá um papel semelhante mas que só poderá agir dentro dos limites da lei!

O verdadeiro Batman pode ter morrido, mas não Bruce Wayne que recupera a vida que poderia ter tido sem as desgraças que o marcaram. Sem o peso emocional e psicológico da morte dos pais, Bruce dedica-se a ajudar os outros, mas de forma mais próxima e envolvente, conseguindo estabelecer relacionamentos com os que o rodeiam.

Se o volume anterior parece obcecado pela imortalidade e pela regeneração física, este volume é mercado pela identidade e pela regeneração psicológica, questionando as bases do super-herói Batman. Quais os factores determinantes para o surgir de Batman? Ainda que o intenso treino físico e de raciocínio tenham permitido desenvolver as capacidades do herói, foram os eventos traumáticos durante a infância que o transformam numa figura incapaz de estabelecer relações pessoais e lhe dão o foco que precisa para vigiar Gotham.

Esta exploração da identidade de Batman é efectuada de duas formas distintas. Se, por um lado, o homem por detrás da máscara perdeu todas as memórias fundamentais para se assumir como Batman, sendo apenas Bruce Wayne; por outro, um outro homem tenta vestir o fato do super-herói e precisa de ser algo mais do que uma ferramenta do governo, explorando a figura anterior para perceber como conseguir ser um verdadeiro Batman.

Apresentando um vilão peculiar, este segundo volume da série dos 80 anos Batman consegue ser menos pesado do que o primeiro, constituindo um volume de transicção, mais pausado e introspectivo, apesar dos grandes momentos de acção. Batman é uma figura complexa que aqui se fragmenta, levando a um momento de redefinição e de suspensão da personagem.

A série comemorativa dos 80 anos do Batman é publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público.

 

Resumo de Leituras – Março de 2019 (2)

21 – The Collected Toppi – Vol.1 – Este volume reúne uma série de histórias curtas do autor que utilizam elementos mitológicos para apresentar belíssimas imagens que se destacam, como é usual neste autor, pelo uso de diversos padrões para construir texturas e ambientes. Visualmente fascinante.

22 – Southern Bastards – Vol.4 – Tê-los no sítio – Jason Aaron e Jason Latour – A história prossegue mostrando como, naquela pequena cidade, as coisas estão a dar para o torto. A violência escala enquanto se faz tudo por tudo para conseguir manter a equipa local de futebol num bom lugar – algo quase impossível agora que falta uma peça fundamental.  Paralelamente, a filha de Tubb chega à cidade, pronta para vingar o pai;

23 – Indeh – Ethan Hawke e Greg Ruth –  Indeh conta a história dos Apache pela perspectiva dos índios, mostrando como, ao invés de bárbaros frios e carniceiros, foram sucessivamente traídos pelo homem branco;

24 – Batman 80 Anos – Vol.2 – Peso Pesado – Scott Snyder e Greg Capullo – Neste volume exploram-se os elementos que levaram ao desenvolvimento de Batman enquanto herói, mostrando o homem que Bruce poderia ter sido, e comooutro homem se pode transformar em Batman. É um volume de exploração psicológica da personagem

East of West – Vol.6 – Hickman e Dragotta

Depois de um quinto volume que posiciona algumas personagens para um desenlace futuro, este sexto resolve fechar algumas tensões e algumas histórias, eliminando personagens e facções numa antecipação da destruição massiva que está por vir.  Com vários episódios de brutais batalhas, mas também com vários momentos mais pausados, este volume retoma o fôlego da série e prepara o final.

Entre as várias personagens que seguimos há quem se queira assumir como profeta num papel de liderança suprema sob diversas entidades poderosas. Tal aspirante a profeta não compreende que apesar das provas (que acha de carácter absoluto) estas entidades são autónomas e desafiadoras para que tal possa acontecer com sucesso de forma pacífica e complacente. Não é, assim, de estranhar, que este momento de elevada tensão seja resolvido violentamente, com a morte de meros mortais e de entidades mais poderosas.

Paralelamente, O Cavaleiro do Apocalipse, Morte, continua à procura do filho, contratando, para isso, o dono de um café que possui agentes por todo o mundo. O negócio não corre como esperado devido a quezílias mais antigas e O Cavaleiro continua a busca com um olho a mais, enquanto vários mercenários procuram o rapaz com outras intenções.

Visualmente, esta série continua a ser excelente, cruzando elementos grosseiros de fantástico de horror com elementos futuristas de ficção científica. A tecnologia desenvolvida convive com monstros inimagináveis numa história carregada de episódios violentos, traições políticas e amores perdidos e o resultado é arrebatador.

Jogos ao Sábado: Cardslab – Países

Cardslab Países é muito mais do que um jogo de cartas – é um jogo educativo sobre geografia que, mais do que questionar os nossos conhecimentos, permite adquirir novos, sobre qualquer país ou continente. Cada país está reflectido numa carta que contém informação como o continente em que se encontra, a bandeira, o ano de independência, a população, a área (em km2), a esperança média de vida (anos), o PIB ou o Índice de desenvolvimento urbano.

Estas cartas e as características dos países vão sendo usadas de formas diferentes nas diversas fases de jogo, fazendo com que se realcem diferentes parte das cartas. Nas missões tentamos juntar conjuntos de países de acordo com os critérios indicados (ganhando acções de bónus), nos combates comparamos características dos países e nas questões temos de responder a capital, indicar a bandeira na carta de bandeiras, ou indicar a localização geográfica no tabuleiro de continentes.

Para além das diferentes fases que permitem explorar diferentes vertentes geográficas (não necessitando, para a maioria, de conhecimento prévio), o jogo permite adaptar a dificuldade e possui diferentes modos como jogo por equipas ou partilha de missões (para saberem como jogar, aconselho visualizarem o esquema da editora na parte de trás da caixa, bem como do livro de regras).

Em termos de mecânicas é diverso e movimentado, sem momentos parados, ainda que falte um mecanismo de recuperação – um jogador que tenha perdido muitos países dificilmente cumpre missões, logo não adquire as cartas de bónus que conferem vantagens interessantes para todas as fases de jogo.

Visualmente agradável, Cardslab Países é um jogo portátil que pode ser adaptado para vários níveis de aprendizagem e que permite adquirir conhecimentos de geografia a vários níveis. Os componentes são de boa qualidade, sendo o elemento mais fraco o cartão da própria caixa.  O resultado é um jogo interessante para envolver os mais novos, mas que também se torna desafiante para os adultos.

The Collected Toppi – The Enchanted World – Volume 1

Desde o lançamento de Sharaz De na colecção Novela Gráfica que Toppi se tornou um dos artistas mais procurados cá em casa! Depois esse volume comprei obras de Toppi em francês e, até, em italiano – mas não consegui resistir a este volume em inglês que reúne várias histórias curtas do autor.

O tom narrativo é o que já conhecemos de Sharaz De, apresentando pequenos mitos ou lendas transformadas, com pequenos twists maldosos onde as figuras mágicas raramente são complacentes ou bondosas, utilizando as suas habilidades com originalidade.

São várias as mitologias que dão origem aos vários contos, mostrando, ora, o cruzar de tempos mais modernos com as figuras tradicionais fantásticas, ora o contacto entre diferentes civilizações. Independentemente da mitologia que origina a história, as figuras fantásticas possuem uma lógica própria e raramente bondosa para com os seres humanos.

Mas o que fascina neste volume é mesmo o aspecto gráfico. Toppi tece paisagens e pessoas torneando diferentes padrões que conferem uma textura e dimensão peculiar às imagens. O resultado mesmeriza o leitor, fazendo com que cada página seja saboreada e não apenas lida.

Novidade: Seca – Jarrod Shusterman e Neal Shusterman

A Saída de Emergência anuncia novo livro de ficção científica – com uma história que esperemos que se mantenha como ficção científica!

Quando a seca atinge proporções catastróficas, há decisões que não podem esperar.

A seca já dura há muito tempo na Califórnia. E a vida da população tornou-se uma interminável lista de proibições: proibido regar a relva, proibido encher a piscina, proibido lavar o carro ou tomar duches longos.
Até que as torneiras secam de vez.
E é assim que, de repente, o tranquilo bairro onde Alyssa Morrow vive se transforma numa zona de guerra, onde vizinhos e famílias, outrora solidários, se digladiam em busca de água. Quando os pais da jovem não regressam e a sua vida é ameaçada, Alyssa tem de tomar decisões impossíveis se quiser sobreviver. Um thriller fantástico que pode acontecer ainda no nosso tempo… e na nossa rua.

 

 

 

Novidade: Batman 80 anos – Gothtópia

O quarto volume da série Batman, comemorativa dos 80 anos da personagem, é lançado nas bancas hoje. A colecção é publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público:

Gotham é a cidade ideal, a mais segura e feliz do mundo, em que os heróis são celebrados por todo o lado, ali todos são o que querem ser e os sonhos tornam-se realidade. Um lugar quase utópico, onde tudo é perfeito e o índice de criminalidade é praticamente nulo. Batman e os seus luminosos companheiros justiceiros quase que erradicaram toda a ameaça criminal da cidade.

Nesta Gotham luminosa e utópica, os heróis e os vilões que conhecemos surgem em versões ligeiramente diferentes, o que possibilitou ao desenhador Jason Fabok exercitar a sua criatividade, na criação da versão luminosa da bat-família e da sua galeria de vilões, com destaque para a Hera Venenosa e o Espantalho, que estão no centro das histórias e cuja densidade psicológica é bem explorada pelo escritor.

Tudo parece fantástico, mas algo falha. Algo não encaixa, e isso não passa despercebido ao maior detective do mundo, para quem encontrar pistas sobre isso é só questão de tempo.

Batman é um vigilante universalmente adorado, vestido com o seu brilhante fato de Cavaleiro da Luz, e a sua companheira – e amante – não é outra senão Selina Kyle, a Catwoman, que aqui veste um uniforme novo que é um compromisso entre o  traje  de Robin e o da própria Catwoman, e dá pelo nome de Asa Felina. Quem terá criado esta versão alternativa do mundo do Cavaleiro das Trevas? E com que propósito?

 

 

Indeh – Uma história das Guerras Apaches – Ethan Hawke e Greg Ruth

O termo Apache pretende denominar um grupo de tribos nativas da América que viviam na zona sudoeste, sobretudo em altas montanhas, vales escondidos e profundos desfiladeiros que hoje correspondem ao Arizona, México, Texas e Colorado. Conhecidos pelo seu espírito guerreiro, os Apache enfrentaram os espanhóis, depois os mexicanos e, por último, o exército americano que os forçou a retirar para as reservas de índios.

Capazes de surpreender estrategicamente os seus adversários os Apache não eram, como indicam os tradicionais Western, apenas selvagens, sedentos do sangue do homem ocidental. Há que compreender que estas tribos se viram invadidas e chacinadas, impedidas de dispor da sua liberdade, por causa da ganância do homem ocidental pelas terras que ocupavam, principalmente quando nelas se descobrem minas de ouro.

Existem algumas tentativas de paz. De parte a parte, há quem pretenda resolver o assunto sem chacinas e de forma calma, mas os Apache acabam sucessivamente enganados por altas patentes do exército que os vêem como selvagens que devem ser domados e não como um adversário que deve ser respeitado, ou como seres humanos que possuem a sua própria cultura e moral.

O resultado já se conhece. Os Apache fazem emboscadas e chacinam os que podem como forma de resposta às próprias perdas pouco honradas que vão sofrendo. Mas por cada homem branco que matam, vários surgem no seu lugar enquanto que por cada Apache que morre, nenhum outro surge. As mortes são cada vez mais horrendas e instala-se o completo desrespeito pelos mortos.

É impossível, ao longo deste relato, não torcer pelos Apache, mesmo conhecendo, de antemão, o resultado histórico. O homem branco revela-se traiçoeiro e mentiroso, utilizando falsas desculpas morais para chacinar e impôr uma guerra enquanto que os Apache tentam cumprir à palavra dada esperando alguma honra nos acordos.

Se a narrativa é poderosa, colocando a perspectiva do lado dos Apache e dando uma visão bastante diferente da tradicional, a imagem não é menos forte. Os desenhos, a preto e branco, captam movimento e expressão, dando profundidade quando tal é necessário, ou retirando-a para dar maior foco à acção que decorre. O resultado é fabuloso e mesmerizante.

Indeh foi publicado em Portugal pela G Floy.

 

Novidade: Ascensão – MAF

O terceiro lançamento da Escorpião Azul para este mês é um novo livro de MAF, Ascensão:

E se te dessem a oportunidade de te tornares um deus, aceitavas o desafio? Mesmo sabendo que o mais certo era morreres? Este livro é a segunda parte da aventura iniciada em “Terra 2.7” por quatro heróis improváveis e que dá respostas às questões então levantadas.

 

Farmhand – Vol.1 – Rob Guillory

O nome de Rob Guilloy é conhecido como sendo o desenhador de Tony Chu, uma das séries mais nojentamente divertidas de sempre que é, também, um dos grandes êxitos da Image e da G Floy em Portugal. Foi com esta referência que peguei em Farmhand,  reconhecendo o estilo visual do desenhador, mas curiosa quanto o que poderia fazer a solo. O resultado, surpreendeu positivamente.

Em Farmhand um mau agricultor, Jedidiah Jenkins, descobriu um caminho para o sucesso através de um plano que lhe terá sido entregue por uma entidade divina – um plano através do qual seria possível tornar as células indiferenciadas e crescer partes de corpos humanos que poderiam ser usados em transplantes.

O que é peculiar é que estes pedaços de corpos humanos crescem em árvores e arbustos, dando, a todo o ambiente de cultivo uma imagem de filme de horror. Mas ligeiramente cómico. E trágico. E carregado de boas personagens – personagens mal humoradas que quebram estereotipos (como quase todas as boas personagens) e que transformam toda a premissa numa história interessante e envolvente.

A história começa quando o filho de Jedidiah retorna à casa do pai, decidido a remendar o relacionamento que se quebrou há alguns anos. Leva consigo a esposa e os filhos, uma dupla curiosa e pouco tradicional, com a rapariga durona e um rapaz mais preocupado com leituras e afins.

Nesta mistela de ficção científica e fantástico a história destaca-se por apresentar personagens reais e únicas, personagens que conseguem mostrar diferentes reacções de forma convincente, sem necessidade de mostrar grande enquadramento ou passado. Existem, claro, frases e referências a outros tempos que nos levam a perceber melhor o que ocorre, mas sem grande excesso de informação.

Para poder apreciar a narrativa é necessário esquecer os detalhes de biologia celular e deixarmo-nos envolver pelos detalhes absurdos e engraçados da premissa – algo que vale a pena até porque, ao contrário de outras séries que pegam em detalhes científicos, Farmhand não pressiona demasiado o leitor nesse sentido.

O resultado consegue ser divertido e absurdo, reconhecendo-se o tom de imaginação cómica (com narizes a crescer em árvores que nem maçãs) que caracteriza Tony Chu. As personagens são diversas e credíveis, contrastando com a premissa nos limites do absurdo que, pelo menos neste volume, se sustenta.

Novidade e Evento de lançamento: Dylan Dog – O Velho que Lê – Celoni, Sclavi e Stano

A G Floy anuncia nova colecção de banda desenhada com Dylan Dog! Dylan Dog é um detective sobrenatural cujas aventuras são publicadas em Itálida em publicações periódicas que se encontram em qualquer quiosque. Esta banda desenhada já deu origem a algumas adaptações cinematográficas, tendo sido recentemente publicados dois volumes pela Levoir nas colecções que lança em parceria com o jornal Público.

Depois do lançamento, que decorreu com presença do autor Fabio Celoni no Coimbra BD, sucede-se um segundo evento, agora em Lisboa, na Kingpin Books (Avenida Almirante Reis, 82-A), que irá ocorrer na próxima terça-feira, dia 12 de Março

Eis mais informação sobre este volume:

Criado por Tiziano Sclavi, DYLAN DOG é o célebre investigador do paranormal, o detective dos pesadelos, uma das mais conhecidas personagens de BD de sempre, cujas aventuras ao mesmo tempo aterradoras, inquietantes e melancólicas, têm encantado leitores – e leitoras – em todo o mundo.

Detective privado especializado no sobrenatural e no paranormal, ex-agente da Scotland Yard e alcoólico recuperado, Dylan Dog é uma das mais fascinantes personagens da banda desenhada europeia e, juntamente com Tex, um dos maiores símbolos da qualidade das produções da editora italiana Bonelli. É também, de certa maneira, um anti-herói, cuja personalidade melancólica e reflexiva, cuja ocasional insegurança aliada à sua inteligência penetrante, souberam granjear a admiração e fidelidade de milhões de leitores – e leitoras, ou não fosse Dylan uma das personagens mais populares junto do público feminino – levando inclusive o grande Umberto Eco a declarar “Sou capaz de ler a Bíblia, Homero e Dylan Dog durante dias e dias sem me aborrecer” (Umberto Eco que apareceria na série sob a forma do prof. Humbert Coe).

Dylan Dog surge pela primeira vez em 1986, na história L’Alba dei Morti Viventi (O Amanhecer dos Mortos Vivos), uma história de zombies onde o terror se misturava com o humor, e cedo se tornou uma personagem de culto, capaz de conquistar tanto as leitoras, com a sua aura romântica, como os intelectuais como Umberto Eco, até aos apreciadores dos filmes de terror, que não ficavam indiferentes ao lado por vezes gore da série. E a época de ouro do cinema de terror italiano, representado por nomes como Dário Argento, Mário e Lamberto Bava e Michele Soavi, é uma das grandes referências de Tiziano Sclavi, o criador da série. Confirmando as ligações de Dylan Dog e do seu criador com o cinema, o herói emprestou o nome ao Dylan Dog Horror Fest, um festival de cinema de terror, que teve quatro edições, entre 1987 e 1993, onde os desenhadores de Dylan Dog partilhavam o protagonismo com grandes nomes do cinema de terror, como Dario Argento, que recentemente escreveu uma aventura do Investigador do Pesadelo.

Foi precisamente nos anos 90 que Dylan Dog passou de série de culto para verdadeiro fenómeno de massas, aspecto a que não será estranha a grande qualidade dos seus principais desenhadores, como Angelo Stano, Fabio Celoni, Bruno Brindisi e Corrado Roi. O sucesso de Dylan Dog foi tal, que chegou mesmo a ultrapassar Tex como título mais vendido da casa Bonelli, com vendas superiores a meio milhão de exemplares da revista mensal, aos quais se acrescentavam outro meio milhão com as edições especiais e reedições, ao mesmo tempo que a personagem era adaptada a outros meios de comunicação, desde o cinema e jogos de computador, ao teatro radiofónico.

Em Portugal, e depois de um período em que chegava apenas em edições brasileiras distribuídas em bancas do nosso país, Dylan Dog estreou-se em 2017 na colecção Novela Gráfica da Levoir, com Mater Morbi, uma história de enorme impacto e sucesso em Itália, para no ano seguinte protagonizar o terceiro e décimo volumes da colecção que a Levoir dedicou aos fumetti da Bonelli. Finalmente, em 2019 Dylan Dog chega ao catálogo da G.Floy, abrindo a nova Colecção Aleph, dedicada a explorar outras latitudes do universo da BD. Uma estreia que se fará em dois tempos: primeiro, no Coimbra BD, com a apresentação dos dois volumes iniciais da colecção, O Velho que Lê, de Fabio Celoni, este com a presença do autor, e Até que a Morte Vos Separe, história desenhada por Bruno Brindisi. E em segundo lugar, em finais de Abril, com a apresentação na 6ª Mostra do Clube Tex Portugal, que contará com a presença de Bruno Brindisi, desenhador do segundo volume. Serão álbuns num formato próximo do original, com cerca de 17×22 cms, capa dura, e 120 páginas a preto e branco, que recolherão uma história principal, e quando o espaço o permita, histórias mais curtas que complementarão os volumes.

Novidade: Ensaio sobre a incoerência estilística – Rita Alfaiate

O segundo volume da Escorpião Azul para este mês é este Ensaio de Rita Alfaiate:

Os artistas de Banda Desenhada são confrontados diariamente com a tarefa de transmitir uma mensagem e comunicar ao leitor  toda a acção, diálogo, tensão e emoções da história, apelando, entre outros elementos deste meio artístico, ao grafismo. Este, apesar de ser intrínseco a cada artista, está sujeito a incoerências gráficas que se manifestam, quer naturalmente, quando um artista evolui na sua arte, quer intencionalmente, se um dado momento da história assim o necessitar. Neste ensaio, originalmente escrito no âmbito de uma dissertação de mestrado, iremos analisar a problemática da incoerência estilística, através de alguns artistas que a manifestaram ao longo da sua obra; e iremos acompanhar o Making Of do álbum “No Caderno da Tangerina” que, por apresentar incoerências de ambos os tipos, deu origem a este trabalho.

 

 

 

 

Jogos ao Sábado – Star Realms

Start Realms é um jogo de cartas rápido e fácil de aprender que possui uma combinação de mecânicas de construção de baralho (deck building), gestão de mão (hand management) e compra de cartas de um conjunto disponível (card drafting). De uma forma simplista, o jogo tem como objectivo a destruição do Império adversário sem que o nosso seja destruído.

Para cumprir tal objectivo, o jogador vai adquirindo cartas mais fortes entre as que estão disponíveis na mesa, construindo bases para combinar poderes com os das naves, e infligindo dano ao adversário. As cartas possuem, sucintamente, três tipos de poderes base: pontos de dano, moeda e recuperação de pontos.

Para além destas características, algumas cartas possuem capacidades adicionais, como a de retirar cartas do nosso baralho (aumentando a probabilidade de nos sairem melhores cartas) de comprar outras cartas a custo 0 ou de se transformarem em outras cartas. Muitas das cartas têm o símbolo da facção a que pertencem e a combinação de cartas da mesma facção permite o uso de poderes adicionais.

Os pontos de vida iniciais não são muito elevados e são, normalmente, difíceis de recuperar, pelo que o jogo costuma ser rápido. A simbologia das cartas é de fácil apreensão resultando em jogadas fluídas e num jogo rápido. Em termos visuais, o jogo possui um tema de ficção científica, com naves e bases espaciais que usa eficazmente nas cartas, ainda que em termos de aproveitamento do tema resulte, sem ser imersivo.

Star Realms possui um baralho base, mas várias outras variantes que podem ser adquiridas à parte. Ainda que a compra de um baralho só permita o jogo a dois existem adições que o podem transformar num jogo para quatro jogadores. Para quem quiser experimentar o jogo antes de o comprar, existe uma APP gratuita que permite jogar nos modos simples e médio (para mais modos de jogos é necessário pagar a aplicação).

Star Realms foi publicado em Portugal pela Devir.

Outras entradas sobre jogos de tabuleiro

Resumo de Leituras – Março de 2019 (1)

17 – Arkwright – Alan M. Steele Eis uma Space Opera original em soluções tecnológicas para levar a humanidade a colonizar outros planetas! Interessante na forma como arranca, centrando-se num escritor de ficção científica, e na forma como resolve alguns dos possíveis problemas das longas viagens espaciais, falha na forma como mostra o surgir de cada geração;

18 – East of West Vol.6 – Hickman, Dragotta e Martin – A série prossegue resolvendo alguns conflitos cuja tensão já se acumulava há algum tempo. É um volume carregado de violência, mas com alguma violência satisfatória, no sentido em que acaba com algumas personagens de índole duvidosa. Graficamente excelente e com detalhes narrativos arrepiantes e deliciosos;

19 – Batman 80 anos Vol.1 – Jogo FinalScott Snyder e Greg Capullo – De visual sólido, obscuro e sombrio, este volume de Batman é uma boa história de ficção científica que apresenta o Joker como uma figura mítica, central e geradora de conflito e, consequentemente, de narrativa. Existiria Batman sem Joker? Os opostos geram-se e desenvolvem-se, levando à busca de maior perfeição do outro, numa tentativa interminável de superação. De realçar a obsessão, neste volume, com a velhice e a regeneração;

20 – Farmhand – Vol.1 – Rob Guillory – Depois de Tony Chu, Rob Guillory arranca com este projecto a solo onde é autor e desenhador. A série possui uma premissa engraçada que recorda o humor de Tony Chu, centrando-se numa quinta onde partes de seres humanos crescem em árvores, permitindo que se façam transplantes rapidamente – transplantes com excelentes resultados! Tão excelentes que decerto trarão algum aspecto negativo!

Novidade: Batman 80 Anos – Vol.3 – Bloom

A colecção comemorativa dos 80 anos do Batman, publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público, prossegue! Eis informações sobre o terceiro volume que fecha a saga de Scott Snyder e Greg Capullo:

Bloom é um dos primeiros inimigos no caminho de Gordon e ele não está a conseguir lidar com o problema, o verdadeiro Batman vai ter de regressar.  Gordon recorre a Bruce Wayne para analisar a droga criada pelo vilão, um composto capaz de dar habilidades especiais a quem a utiliza. No entanto, o Batman original talvez não seja a pessoa mais certa para este tipo de trabalho e recusa ajudar na investigação.

Bruce Wayne não pode nem quer recordar o seu passado como Batman, ele que quase foi morto num ataque do Joker, vive agora como um qualquer habitante de Gotham City e está apaixonado por uma mulher extraordinária com quem trabalha num dos centros para jovens, onde ajuda as crianças da cidade que ele adora. Mas os ecos e as memórias escondidas de um passado que esqueceu, negro e cheio de violência continuam a puxar por ele…, mas se responder ao apelo de Batman, o que acontecerá à vida feliz que, entretanto, construiu? Quanto tempo vai durar esta vida de sossego?

 

Novidade: A Queda de Gondolin – J. R. R. Tolkien

Está previsto, para hoje, o lançamento de mais um livro de J. R. R. Tolkien no mercado português:

Um dos Contos Perdidos do lendário de J.R.R.Tolkien narra a jornada de Tuor rumo à bela cidade de Gondolin, refúgio élfico do povo do rei Turgon. Movido pela inveja, Morgoth ataca a deslumbrante cidade com o exército de seres maléficos. Tolkien começou a escrever esta história em 1916, quando estava no exército. É a primeira história da lendária Terra Média e a precursora do Senhor dos Anéis.

Os segredos de Loulé – João Miguel Lameiras, João Ramalho-Santos e André Caetano

Num futuro distante a humanidade regressa ao planeta Terra para pesquisar sobre o seu passado. Ao regressar ao planeta, mais propriamente a Portugal encontra uma arquivista que se mantém vivo após séculos, graças a elevada tecnologia, e que conta a história de Loulé e, consequentemente do planeta ao longo de milénios.

A história começa, como não poderia deixar de ser, com o surgir de vida no planeta, introduzindo a época dos dinossauros e os fósseis respectivos, prosseguindo com o surgir do homem e as várias civilizações que influenciaram a zona de Loulé – desde os romanos aos árabes. Neste componente a história pára para apresentar uma lenda mourisca da região (contada por uma personagem que é uma referência a Geraldes  Lino).

Seguem-se, claro, os reis portugueses e uma rápida progressão até à actualidade, sem esquecer a referência aos artistas de Loulé e aos eventos culturais da região, com destaque para o trabalho de Lídia Jorge e de Mousi (autora de Altamente).

Os segredos de Loulé arranja uma premissa pouco usual para contar a história de uma região utilizando investigadores do futuro para dispor o surgir de uma cidade e para apresentar alguns elementos curiosos. É uma história que apresenta história sem estar sobrecarregada com os factos e que concede pausas entre a exposição, focando os elementos principais e podendo servir de introdução para pesquisas mais profundas.

Evento: Coimbra BD

Começa já no dia 07 de Março um dos grandes eventos nacionais de banda desenhada que decorre em Coimbra! O programa deste ano destaca-se pelas exposições centradas em várias autoras portuguesas, ou pela exposição de Daniel Henriques, artista português pouco falado que tem trabalho para as principais editoras internacionais de banda desenhada. Mas não só.

O programa possui vários elementos interessantes. Destaco logo a primeira Masterclass do dia 07 de Março com João Monteiro sobre cinema de horror, bem como a projecção de duas curtas-metragens associadas à banda desenhada: Sleepwalk (adaptação da banda desenhada de Filipe Melo e Juan Cavia) e de Porque este é o meu ofício de Paulo Monteiro. Para mais detalhes sobre o evento (para além do programa abaixo publicado) podem consultar a página oficial:

 

Novidade: Quinto Império – João Vasconcelos

A Escorpião Azul anuncia três novidades para o mês de Março, começando com Quinto Império – A Sombra do Triunfo de João Vasconcelos:

Estamos no ano 2059 e o mundo é um lugar diferente do que conhecemos. No extremo ocidental do continente europeu encontramos o Estado Lusitano, um país renascido há duas décadas, no caminho de se afirmar como centro de uma nova ordem mundial. Na sua bandeira vemos um escudo sobre uma espada. Uma era distópica e violenta, à mercê dos fantasmas do passado. Esta é uma história sobre a sombra do triunfo.

João Vasconcelos gostava de ter sonhos menos exigentes. A sua vida é passada a contar histórias fora de ordem, o que complica a sua vida social, mas em contrapartida permite que o seu sentido de humor seja apreciado nos mais improváveis círculos. Para além dos passatempos saudáveis habituais da sua geração, João Vasconcelos aprecia de sobremaneira o cheiro da tinta da china sobre o papel, os calos que as cordas de guitarra lhe deixam nos dedos, a cor do pôr do sol nos copos dos amigos, o sabor da saudade que lhe estala na língua e ser desnecessariamente poético quando escreve biografias de madrugada. João Vasconcelos quer coisas tão banais como ser feliz e ter tempo para fazer o que gosta – o que é bem mais difícil do que se podia esperar.  Ajudem-no a ter o seu próprio planeta, por favor.

 

Novidade: Indeh – Ethan Hawke e Greg Ruth

Indeh aparece no mercado português pela G Floy num registo algo diferente das usuais séries da Image, ao lado de outras novelas gráficas que esta editora tem publicado, como Afirma Pereira. Publicado em formato maior, Indeh é um volume imponente de visual cuidado e de excelente aspecto gráfico que promete uma perspectiva diferente sobre os índios Apache que foram exterminados pela ganância do homem ocidental. Eis mais detalhes sobre esta edição:

O actor Ethan Hawke concebeu inicialmente este argumento para um filme que queria fazer, que revelasse a verdade nua e crua das guerras que opuseram os colonizadores e soldados americanos aos índios Apache. Nunca conseguiu concretizar esse projecto, e decidiu então transformá-lo num romance gráfico, aliando-se ao artista Greg Ruth e à sua magnífica arte a preto e branco, criando uma narrativa potente e terrível sobre um episódio complexo e cruel da conquista do Oeste.

O ano é 1872, na nação Apache, uma região dividida por décadas de guerra. Goyahkla, um jovem guerreiro, perdeu a sua família e todos os que alguma vez amou. Mas, depois de uma visão, vai pedir ao chefe Apache Cochise que o deixe comandar um ataque contra a vila Mexicana de Azripe. Será esta manifestação feroz de coragem que irá transformar o jovem Goyahkla no famoso herói índio Gerónimo. Os índios Apache iriam combater os seus inimigos, as forças do Exército Americano, ao longo de décadas, perdendo aqueles que amavam, tentando salvar as terras dos seus antepassados e a sua cultura, até estarem reduzidos a chamarem-se a si próprios “Indeh”, ou “aqueles que estão mortos”.

INDEH captura a narrativa riquíssima de nações em guerra – contada pelos olhos de Naiches, filho do chefe Apache Cochise, e de Gerónimo, dois homens que procuraram encontrar a paz e o perdão neste conflito, e revela-nos também o tremendo custo espiritual e emocional das Guerras Apache. Fruto de investigações exaustivas, INDEH permite-nos aperceber de maneira notável as diferenças culturais, o horror da guerra, a busca pela paz, e, em última instância, a vingança, nesta grande saga. Os Apaches deixaram uma marca indelével na nossa percepção do Oeste Americano, e INDEH mostra-nos porquê.