Resumo de leituras – Julho de 2017 (5)

97 – Lugar Maldito – André Oliveira e João Sequeira – Uma história de terror centrada numa casa amaldiçoada, local de refúgio de um jovem casal que se pretende unir. Fugidos das autoridades, sob pressão emocional e num local pouco hospitaleiro, não é de estranhar que os relacionamentos comecem a ficar contaminados, assombrados pelas sombras que circundam a casa;

98 – The Walking dead Vol.3 e 4 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn – Os dois volume seguem o grupo de sobreviventes que encontra, numa prisão um possível refúgio para se instalarem. Na prisão encontram quatro seres humanos não transformados, reclusos com um passado duvidoso que instiga a imaginação e a dúvida dos restantes. Uma mistura explosiva com o desespero palpável que irá ter o desfecho esperado;

100 – Jardim de Inverno – Renaud Dillies e Grazia la Padula – Fofo e envolvente, demonstra a solidão da cidade e o progressivo afastamento dos entes queridos no seguimento do cinzento urbano. Felizmente existem eventos que fazem contrariar esta espiral descendente.

Lugar Maldito – André Oliveira e João Sequeira

Um livro de banda desenhada que tenha como narrador André Oliveira tem logo vantagem para ser um livro de sucesso. Não é excepção este Lugar Maldito, uma história de terror actual centrada numa casa amaldiçoada no meio do bosque, rodeada por sombras assustadores.

Local de refúgio de um jovem casal que fugiu para se unir, a pressão emocional da fuga exacerba-se com a existência num local pouco hospitaleiro. Perseguidos pelas autoridades e observados por sombras que se movem, não é de estranhar que o relacionamento entre os dois se contamine e se degrade progressivamente.

A juntar à pressão da fuga, a própria casa tem uma história negra que lentamente se faz sentir não só nos que rodeiam o casal, como em Samuel que sente ciúmes do irmão e incompreensão da namorada e que se deixa consumir pela raiva galopante.

Lugar Maldito foi publicado pela Polvo.

Fatale – Vol. 5 – Ed Brubaker e Sean Phillips

Negro e lovecraftiano, Fatale é uma daquelas séries extraordinárias em que só nos apercebemos da dimensão no segundo ou terceiro volume. O primeiro intrigou-me mas não o suficiente, no seu tom pausado que fazia antever a existência de alguns mistérios, sem me mostrar o quão profundo eram.

Os volumes seguintes mostraram a existência de eventos cíclicos, inevitáveis, que ocorriam em torno de uma mulher fatal, uma mulher de palavra inquestionável por todos os homens que permanece inalterável ao longo dos anos e é perseguida por uma poderosa seita.

O poder desta mulher corrompe o que a rodeia, e se no início apenas se denota o fascínio masculino, depressa se torna obsessão violenta para com a própria ou percepcionados rivais. De catástrofe em catástrofe vamos acompanhando os eventos, e percebendo que a quebra do ciclo se aproxima.

De uma dupla quase perfeita, Ed Brubaker e Sean Phillips, esta série fecha com um final simples mas movimentado, materializando a tensão violenta que se acumulava desde o início mostrando que a presa também pode ser a predadora. A série Fatale foi publicada em Portugal pela G Floy.

Restantes volumes

Resumo de leituras – Julho de 2017 (4)

 

93 – Fatale Vol.5 – Ed Brubaker e Sean Phillips – O quinto volume fecha esta extraordinária série com detalhes lovecraftianos, carregada de violência em torno de uma femme fatale a cuja voz poucos homens conseguem resistir. Simultaneamente presa e predadora, mas de consciência clara, esta mulher irá resistir ao papel de sacrificada num culto com um final movimentado;

94 – The new voices of fantasy – Vários autores – Compilação de histórias dos novos autores de fantasia que se têm destacado com prémios para os contos publicados em revistas. Bem escritas e diversas, a maioria das histórias apresenta novas tendências no género, de fronteira menos sólida e premissas menos comuns;

95 – O Homem que passeia – Jiro Taniguchi – Do genial Jiro Taniguchi é publicada esta nova versão do livro, onde acompanhamos os vários passeios de um homem que não percorre caminhos lineares, deixando-se levar por onde a curiosidade chama, por vezes à deriva, noutras com propósitos claros;

96 – Shenzhen – Guy Delisle – Menos interessante que outros livros de Guy Delisle, apresenta um cenário mais monótono onde pouco acontece, e o autor quase não tem interacção com as pessoas que o circundam (por dificuldades linguísticas). De destacar, como sempre, o humor do autor e a capacidade para representar o caricato.

Lightspeed Magazine June 2017

A Lightspeed Magazine continua a ser, para mim, uma das melhores revistas de ficção especulativa do mercado, ou não estivesse a cargo de John Joseph Adams, uma das raras pessoas de quem costumo gostar de todas as antologias. Trazendo duas secções de contos, uma de ficção científica, outra de fantasia, possui ainda uma novela, excertos de alguns livros, críticas e entrevistas.

Este número começa com Yakshantariksh, um conto publicado originalmente em The Bestiary que nos apresenta seres enormes, invisíveis, apenas perceptíveis mentalmente, que projectam imagens de outros Universos e uma enorme solidão.

Marcel Proust, Incorporated de Scott Dalrymple é uma história genial de como o próprio futuro das pessoas é feito refém, ao se poder retirar a educação (que é antes uma licença) se não se pagar o respectivo empréstimo ao banco. Neste conto cria-se uma substância capaz de acelerar e melhorar exponencialmente a memória, mas se se deixar de tomar esta substância todo o conhecimento adquirido durante a toma da droga, desaparece. Se por um lado o conhecimento adquirido pode deixar de ser válido, por outro, pode desaparecer totalmente.

O conto de Elizabeth Bear, The Heart’s Filthy Lesson mostra a capacidade de adaptação dos seres humanos, que, mesmo noutro planeta, se mantém orgulhosos e com necessidade de mostrar que são capazes dos maiores feitos pondo a própria vida em risco.Já Love Engine Optimization é uma história arrepiante de como uma sociopata usa as suas extensas capacidades informáticas, para obter todas as informações necessárias para que as suas vítimas se apaixonem irreversivelmente.

Enquanto que em World of the Three de Shweta Narayan existem seres mecânicos com extensas capacidades que podem ser, até, reis, em The Magical Properties of Unicorn Ivory de Carlos Hernandez uma experiência num laboratório de físico leva a que elementos de uma realidade paralela sejam transportados para o nosso, como Unicórnios que alguns humanos se divertem a caçar por acreditarem nas propriedades mágicas dos seus chifres.

Depois de dois contos que achei pouco relevantes ou interessantes, Iseul’s Lexicon de Yonn Ha Lee é uma novela extraordinária que nos apresenta uma realidade mágica onde alguns feitiços perduram, mais fracos, com a morte da raça inteligente que os criou. Ou será que morreram mesmo? Enquanto rouba a casa de um mágico enfrenta uma criatura que supostamente não existe, e a longa batalha de submissão volta a reacender-se.

De diferentes premissas, cruzando algum horror nalgumas histórias, como já é habitual na Lightspeed, esta edição de Junho vale bem o valor investido, não só pela diversidade, como pela qualidade do conteúdo.

A Leoa – Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg

A Leoa é a história de uma mulher que ultrapassou as convenções do seu próprio tempo, Karen Blixen. A autora do romance auto  biográfico Out of Africa (em português, África Minha, adaptado para cinema com sucesso) nasceu decididamente no século errado. Ou no género errado para a época.

O seu espírito curioso e aventureiro não tinha lugar como mulher na sociedade religiosa e conservadora do início do século XX em que apenas os rapazes iam à escola, e as raparigas ficavam em casa a aprender a bíblia e talvez um outro idioma, neste caso o inglês. Irreverente, consegue escapar-se de casa para uma escola de belas-artes, mas também aqui o lugar das mulheres é distante do dos homens, com menos possibilidades e oportunidades.

O casamento parece a opção perfeita. Com o barão sueco Blixen-Finecke muda-se para África, para uma quinta onde pretendem produzir café, enquanto partilham aventuras em esplendorosos safaris. O casamento revela-se, no entanto, uma má escolha. O barão transmite-lhe sífilis, no seguimento de vários encontros com raparigas locais. Assim Karen Blixen separa-se do marido mas mantém-se à frente da herdade.

Apesar de ser uma gestora capaz, o solo da herdade não é propício à produção de café, e a ida para África que a tinha libertado para aventuras em novos territórios, longe da mentalidade retrógrada da família, é também o evento que a deixa, mais tarde, sem nada, dependente dos familiares quando tem de regressar à Europa – triste consequência do papel de mulher, sem real formação que possa utilizar.

Com ela ficam os ecos de África e dos povos africanos, uma forma diferente de ver o mundo que a marca e que irá transparecer nos livros que se decide a escrever, como forma de explorar a criatividade que acumula. É graças a estes livros que se transforma numa mulher de sucesso, que usa para deixar um legado de conservação da Natureza.

Explorando a influência de personagens ficcionais na vida de Karen Blixen como forma de justificar a sua irreverência, A Leoa é a história apaixonante de uma pessoa que parece perdida na sua própria vida até ao momento em que o que viveu se consegue concretizar num projecto de sucesso. Em Portugal A Leoa foi publicado pela G Floy.

Resumo de leituras – Julho de 2017 (3)

89 – Saga Vol.6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples – O sexto volume da série reposiciona algumas das personagens principais, em episódios mais calmos do que os do volume anterior, permitindo lançar as bases para novos desenvolvimentos;

90 – Tony Chu – Vol.6 – John Layman e Rob Guillory Também sexto volume mas de Tony Chu, centra-se mais na irmã da personagem principal e está carregado de trechos hilariantes e imaginativos, numa explosão de criatividade cómica que torna este volume um dos melhores mais da série;

91 – Diálogo das compensadas – João Aguiar – Não esperem um romance histórico a desviar-se para o fantástico, antes um livro passado num futuro pouco distante em que a carreira do novo director da produção numa empresa de computadores depende de concretizar negócio com um convento de freiras;

92 – Outlaw of Gor – Vol.2 – John Norman – O segundo livro continua no mesmo Universo, mostrando uma nova aventura numa cidade de estrutura bastante diferente das apresentadas no primeiro – aqui são as mulheres que governam! O nosso herói desvia-se da demanda principal (a procura do motivo pelo qual a sua cidade foi destruída) para se envolver numa revolução.

Jardim de Inverno – Renaud Dillies e Grazia la Padula

O dia a dia cinzento de um rapaz na cidade é quebrado pelo gotejar constante na cozinha, provocado por água vinda do vizinho de cima, um velhote solitário. Neste seguimento, a interacção com o idoso recorda os pais do rapaz com os quais não fala há bastante tempo.

Sentindo também o isolamento da cidade e a falta de convívio, a primeira reacção é afastar-se do velhote e das emoções que este lhe desperta – até porque o retomar do contacto com os pais não lhe parece fácil, e os dias cinzentos abatem-se, deixando-o menos capaz de reconhecer o amor da namorada.

Felizmente esta apatia é quebrada por dois episódios decisivos, afastando a monotonia e concedendo várias razões para que os dias se tornem mais coloridos e animados e a vida se encaminhe.

De detalhes deliciosos, um visual expressivo, caricato e envolvente, Jardim de Inverno cativa o leitor mesmo na ausência de grande textos, com os cenários deprimentes da cidade, os ombros descaídos da personagem principal e a transição de ambiente no seguimento de episódios chave. Jardim de Inverno foi publicado em Portugal pela Kingpin books.

Shenzhen – Guy Delisle

Pyongyang surpreendeu ao nos apresentar o quotidiano de um estrangeiro nesta cidade sob regime ditactorial em que se denota o esforço para aparentar prestígio aos estrangeiros, seja por publicidade a grandes construções, seja por garantir a existência de eventos culturais que, na prática, mais não são do que publicidade ao regime. Por sua vez, em Jerusalem realça-se o clima de tensão que leva a que o território esteja dividido pelas diversas fracções.

Neste caso, Shenzhen não possui nenhuma particularidade interessante do ponto de vista político, constituindo antes uma terra onde pouco se fala inglês e pouco ou nada consegue o autor socializar. Existem diferenças culturais e pouca interacção com o autor, ambos realçados pelo sentido de humor que refere pequenos detalhes para ajudar a criar ambiente.

Mais relevante por alguns planos do que propriamente pela viagem descrita, Shenzhen consegue ser uma leitura engraçada, sem chegar ao excelente. Shenzhen em Portugal foi publicado por Biblioteca da Alice.

Saga Vol.6 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

No sexto volume de Saga voltamos a encontrar a família mais improvável de sempre – Marko e Alana eram dois soldados de fracções opostas, duas civilizações que guerreiam há séculos, opondo magia e ciência, que se apaixonaram e deram origem a Hazel, um símbolo de união que põe ambos os lados a persegui-los por toda a galáxia.

De peripécia em peripécia, de planeta em planeta, fugindo de militares robots e mercenários sanguinários, a família sobrevive, mas separada. Alana e Marko estão juntos, mas numa tentativa de salvar a criança, a avô está com Hazel numa prisão para prisioneiros de guerra, escondendo as asas das costas de Hazel que a denunciariam como o resultado de uma união impossível.

Aproveitando o clímax violento atingido no anterior volume, este é mais pausado e move as personagens para novas posições onde será possível uma nova dinâmica. Os dois jornalistas que foram forçados a largar a investigação da existência de Hazel percebem que podem retomar, Hazel irá deixar a avô e o príncipe robot será envolvido numa nova tentativa de reunir toda a família.

A premissa de Saga pode não ser totalmente original (família separada pela guerra, um amor que ultrapassa a barreira de povos inimigos de longa data, a geração de uma nova pessoa que representa a união impossível) mas a forma como a explora, caracterizando de formas bastante distintas cada civilização e, sobretudo, os episódios hilariantes e imaginativos transformam a série numa excelente banda desenhada de ficção científica.

Série vencedora de vários prémios Eisner, Goodreads, Hugo e Harvey, entre outros, Saga está a ser publicada em Portugal pela G Floy.

 

 

O mercado anglo-saxónico de ficção especulativa vai-se renovando, seguindo novas tendências, estilos e culturas, gerando cruzamentos impensáveis entre géneros em contos que reflectem as preocupações do seu próprio tempo. Ao longo dos anos vão surgindo novos autores que começam a ser conhecidos pelos contos destacados por prémios ou em antologias de melhores do ano. Este volume pretende reunir algumas histórias destes novos autores e destacá-los como promissores para os próximos tempos.

A antologia começa com um conto de Alyssa Wong, a quarta história publicada da autora, com a qual venceu o Nebula e o World Fantasy Award (a mesma história que foi, também, nomeada para um Shirley Jackson, um Bram Stoker e um Locus Award). Claro que prémios e nomeações não são garantia de boas histórias, mas este conto, Hungry Daughters of Starving Mothers contém detalhes de horror e fantástico num cenário actual onde a corrupção alastra, resultado do consumo imediato e da fome interminável.

Selkie stories are for losers é a história seguinte da autoria de Sofia Samatar, uma autora que não é propriamente uma voz emergente, antes uma autora já reconhecida no género com histórias como A Stranger in Olondria que venceu vários prémios. Cruzando lendas diversas sobre mulheres que se mantém entre os humanos até ao momento em que alguém encontra a sua antiga pele (ou descobre que são algo mais do que parecem), esta história quase banal consegue surpreender pela estrutura e desenvolvimento.

Depois de tornados apaixonados por raparigas (em Tornado’s Siren de Brooke Bolander que apenas possui como elemento distintivo o tornado capaz de sentimento) encontramos Left the century to sit unmoved de Sarah Pinsker que nos traz um fenómeno local, um lago que faz desaparecer totalmente algumas pessoas sem critério específico – mesmo depois de drenado o lago apenas se encontram os objectos e roupas da pessoa.

Max Gladstone também não é propriamente um autor desconhecido, escrevendo sobretudo fantasia urbana. Em A Kiss With Teeth não foge ao género mas apresenta uma das melhores histórias do conjunto, com um tom levemente cómico sobre as preocupações de um pai que vê o seu filho ter más notas. Como pai tenta perceber o que se passa, mas a sua própria natureza torna difícil ajudar sem dicas da professora, a presa perfeita. Ah. É que o pai é um vampiro reformado que tenta passar por humano, simulando os nosso gestos e forma de andar.

Em The Cartographer Wasps and the Anarchist Bees de E. Lily Yu explora-se uma premissa que não é totalmente nova. Recordo que em The Bees de Laline Paull já se apresentava a vida numa colmeia apresentando aspectos sociais da hierarquia e como esta poderia ser subvertida por um único elemento. Confrontando as abelhas com as vespas possuidoras de uma tecnologia mais avançada este conto de E. Lily Yu consegue ser um relato apaixonante sem necessitar de se centrar num único elemento, e comparar vários sistemas de sociedade.
A. C. Wise traz-nos outro dos melhores contos do conjunto, um guia cómico de como a bruxa pode arranjar uma casa. Começando com as formas aborrecidas como aquisição e ocupação, passa por nos apresentar como se pode domar uma casa ou fazer crescer uma, expressando para cada método os cuidados a ter (os humanos podem não gostar muito de ter uma bruxa dentro de casa e podem tentar queimá-la, por exemplo, ou a casa pode pregar partidas a quem a tenta influenciar).
Depois de Hauting o Apollo A7LB (um conto que já conhecia da excelente colectânea do autor Hannu Rajaniemi), segue-se uma história irónica de Chris Tarry, Here be dragons, onde dois homens simulam a existência de dragões para extorquírem dinheiro das vilas mostrando depois entranhas de vários animais como prova de uma chacina. Um dia esta trapaça pode voltar-se contra os supostos salvadores – de mais formas do que o leitor imagina.
Mais juvenil, mas enternecedora pela forma inocente e desiludida como nos apresenta o amor de um pato por uma rocha, The Duck de Ben Loory é um dos contos que vale a pena ler, nem que seja para ver a forma como transforma este premissa simples e aparentemente idiota numa boa história.
Publicado no The New Yorker, The Philosophers de Adam Ehrlich Sachs traz uma história demente de problemas genéticos hereditários que supostamente não trariam problemas psicológicos. Geração após geração, os homens desta família perdem na idade adulta todos os movimentos e passam a comunicar com os restantes recorrendo ao piscar de olhos com o intuito de transmitir as próximas palavras do seu livro. Arrepiante, claustrofóbico e assustador pela degradação, é um bom conto que vai elevando a premissa ao extremo absurdo .
Esta colectânea termina com uma novela mais longa, The Pauper Prince and the Eucalyptus Jinn, de Usman T. Malik, que se centra na problemática da emigração e da integração cultural sob uma fábula contada pelo avô (talvez demente) que recorda interacções com princesas e génios e que foi mudando de país em país até atingir determinados objectivos. Demonstrando como existe sempre muito para revelar da vida dos nossos antepassados, segredos dolorosos que ficaram enterrados, feitos que se silenciaram pelas circunstâncias, esta é uma novela excelente.
Ainda que não tenha apreciado todos os contos de igual forma, até porque os estilos e géneros são muito diversos, esta colectânea possui uma qualidade narrativa bastante elevada. Nem todas as histórias apresentam elementos que se destaquem pela originalidade, mas todos se encontram bem escritos e estruturados. São, na sua maioria, contos que possuem o necessário para envolver, mas sem excesso de detalhes que quebrem o ritmo ou desbalanceiem a história. Para os interessados em se actualizar para o que tem sido publicado recentemente, eis uma boa aposta.
(esta colectânea foi fornecida pela editora via NetGalley)

The new voices of fantasy – Vários autores

Criminosos do sexo – Vol.2 – Fraction e Zdarsky

Há poucos livros que consigam falar de sexo sem se assemelharem a adolescentes nervosos. E muito menos de uma forma que demonstra poucos preconceitos e limitações morais que, entre adultos capazes de consentimento só a eles lhes diz respeito. Criminosos do sexo consegue, nestes dois volumes, apresentar um super poder associado a orgasmos e explorar de forma bastante natural várias vertentes, passando por fetiches, trabalhadores do sexo e ginecologistas de forma bastante madura.

Depois de assaltarem bancos recorrendo à capacidade de pararem o tempo quando têm um orgasmo, Jon e Suzie percebem que a polícia do sexo se pretende vingar deles quando a tentativa de pegar o empréstimo da biblioteca falha e se inicia a demolição do edifício.

Para além de verem o objectivo dos seus esforços a cair por terra, Jon e Suzie debatem-se com o esmorecer do desejo sexual – por um lado Suzie iniciou a toma da pílula, por outro, Jon voltou aos medicamentos receitados pelo psicólogo. Neste seguimento Suzie vai ao ginecologista e é atendida por um médico novo que, dadas as características especiais do colo do útero, solicita que os estagiários a examinem. Já Jon, ao expor as suas maleitas a um desconhecido no centro comercial encontra um psicólogo que auspicia ser mais competente.

Ultrapassadas algumas barreiras decidem iniciar um plano para atacar a polícia do sexo recorrendo a outros que, tais como eles, possuem poderes associados aos orgasmos. Neste caso trata-se de uma ex-trabalhadora do sexo que agora é uma académica no tema e que, tal como eles, explora o assunto mas sem saber que não é a única com tal capacidade.

Mantendo uma linha narrativa, ainda que de forma pouco coesa, Criminosos do sexo consegue debater o tema sem juízos de valor e algum humor que usa de forma informativa e adulta, tornando-se este aspecto mais interessante do que o enredo em si.

A série Criminosos do sexo é publicada em Portugal pela Devir.

Outros volumes

Diálogo das Compensadas – João Aguiar

Um jovem, numa empresa informática altamente competitiva com nome de farmacêutica, encontra-se com a abadessa da Ordem das Compensadas para um encontro de negócios. Director recém promovido às custas de um trabalhador mais idoso, Cláudio desconhece como se dirigir à abadessa e quase arruína a troca comercial.

Com a sua nova posição em risco, Cláudio procura o homem que foi substituir para perceber um pouco melhor sobre a dinâmica do convento e a razão pela qual o produto produzido pelo convento é tão fulcral para os negócios.

Ao tentar amenizar o relacionamento com a Abadessa Cláudio investiga um pouco melhor as origens da ordem, afastando-se progressivamente da namorada, lindíssima mas de cabeça oca, e do mundo que conhece onde se vive no imediatismo e no falso.

Cláudio é um jovem do seu tempo, inculto e orientado para prioridades de vida vagas e efémeras, de beleza e dinheiro, mas com bom coração pelo que acaba por ganhar afeição à Abadessa, ainda que o seu primeiro interesse no mosteiro tenha sido a jovem Clara, a responsável pela criação das placas revolucionárias.

Em linguagem  bastante composta com indicações dispersas que indicam tratar-se de uma época futura, Diálogo das Compensadas possui várias tiradas sarcásticas que ironizam a sociedade e as prioridades da vida actual:

E em o tempo da União, sabemos nós, por dizeres de autores sem conto e por televisivos exemplos de publicidades várias e mui numerosos programas que os mostrava em grã crueza, os quais programas se faziam dos dois lados do Mar Atlântico, que aqueles actos, não amorosos e antes carnais, eram tidos como cousa chã e boa e podiam mesmamente ser cometidos em público sendo única condição que o fossem ante uma televisiva câmara para que todos pudessem ter seu gáudio

Interessante e envolvente, Diálogo das compensadas surpreende não só pela temática com a crítica social, mas pela forma como expõe a história num tom pausado e linguagem bastante composta que contrasta com os coloquialismos das falas de Cláudio.

The Autumnlands – Vol.2 – Kurt Busiek e Benjamin Dewey

Este segundo volume faz perder todo o glamour da aura fantástica do mundo apresentado no primeiro para ganhar a maior profundidade da ficção científica, com o cruzamento de seres de diferentes origens e diferentes universos, reviravolta que já se podia auspiciar de alguns detalhes anteriores, mas que aqui se concretiza de uma forma estrondosa, mas mantendo grandes mistérios que decerto serão explorados nos volumes seguintes.

Animais falantes e inteligentes em cidades suspensas pela magia – assim é o mundo que nos apresentaram no primeiro volume, em que a estabilidade hierárquica está ameaçada pela diminuição da magia ficando as cidades mais vulneráveis aos bárbaros que subsistem noutros terrenos pelo trabalho manual.

Por esse motivo os grandes mágicos reúnem-se e gastam os últimos recursos em trazer ao seu mundo um herói mítico que, esperam, possa repor a magia. O que aparece é um humano que, não sendo capaz de manipular a magia é perito em estratégia bélica e os leva a uma vitória duvidosa ao recorrer a armadilhas pouco éticas.

Depois da batalha, herói humano e jovem feiticeiro são arrastados pelo rio para as terras do inimigo, procurando, entre a floresta, uma forma de retomar ao seu território. No início do retorno o humano encontra um ser de aspecto humano, de tecnologia avançada, que o toma por alguém a cargo de um rival de profissão, dando-lhe comida e roupa, enquanto discursa sobre a rivalidade sem perceber que o humano não faz parte do seu mundo.

Mantendo o ritmo pausado e as dissertações mais longas entre fascículos, The Autumnlands surpreendeu pela forma como se transmutou de narrativa fantástica em narrativa de ficção científica, demonstrando que o mundo apresentado é, tal como as pistas anteriores indicavam, bastante mais complexo do que uma realidade baseada em magia.

Neste mundo vigiado por seres bastante poderosos, descritos pelos nativos como deuses, existem plataformas de divertimento com uma vasta literatura, que são abertas, não com um “abre-te sésamo”, mas com referências literárias do nosso mundo.

Com um visual rico, variado e detalhado, The Autumnlands promete transforma-se numa das melhores séries da Image que já tive oportunidade de ler – estou curiosa para perceber onde nos vão levar todas estas pistas literárias que se entre cruzam em mistérios cada vez mais profundos!

Outros volumes

Apenas um peregrino – Garth Ennis e Carlos Ezquerra

O autor de The Preacher, The Boys ou Pride & Joy publicou, também produziu, há longos anos, este Just a Pilgrim, publicado em Portugal como Apenas um Peregrino pela Devir, seguindo um pouco a linha de violência física e demência que podemos observar nas suas obras.

Num cenário apocalíptico em que o sol se expandiu ao ponto de transformar a Terra num deserto contínuo, são poucos os humanos que sobreviveram mas são ainda menos os que se mantém mentalmente sãos. A história é apresentada por uma criança em migração com a família que é atacada por salteadores violentos a meio do percurso. Felizmente são salvos pelo Peregrino, um homem temente a Deus que os resgata e os guia pelo longo território, carregado de monstros diversos.

Religioso demasiado fervoroso, o Peregrino inquieta a mãe, mas fascina o rapaz que o vê como um herói. A inquietação sentida pelos adultos face a esta personagem aprofundam-se quando percebem que, antes de tomar este título, Peregrino era conhecido por motivos bastante obscuros.

De visual chamativo, Apenas um peregrino está carregado de episódios de extrema violência, sem conceitos de bem e mal absoluto e mostrando que o fanatismo religioso nem sempre guia na melhor direcção.

Destaque: Anjos de Carlos Silva

Independentemente de conhecer, ao vivo e a cores, o Carlos Silva, e de reconhecer o seu excelente trabalho na divulgação e dinamização da ficção especulativa, Anjos seria sempre um lançamento que me entusiasmaria por conta de outros trabalhos de ficção que tive oportunidade de ler e dos quais gostei. Por outro lado, Anjos foi o vencedor do prémio Divergência!

Deixo-vos a sinopse:

Numa Lisboa futurista, reconstruida após um terramoto ainda maior do que o de 1755, a informação é mais preciosa do que nunca. A mais delicada e desejada não pode correr o risco de circular pela omnipresente Internet — tem de voar sobre ela, nas mãos inefáveis daqueles que se auto-intitulam de Anjos. Mas nem eles estão seguros, agora que os seus inimigos sabem da terrível arma da qual são guardiões. Um engenho apenas possível no passado, capaz de inverter a balança do poder da nova cidade. O círculo está a apertar, cada vez mais letal. Ninguém sairá ileso.

Resumo de leituras – Julho de 2017 (2)

85 – The Autumnlands – Vol.2 – Kurt Busiek e Benjamin Dewey – O segundo volume apresenta a perspectiva tecnológica deste mundo demonstrando que é tão ou mais complexo que o que se previa com as pequenas pistas deixadas no primeiro. Este mundo carregado de magia estará a ser vigiado por seres bastante poderosos com um vasto conhecimento tecnológico que deixaram plataformas de divertimento no planeta;

86 – Criminosos do sexo – Vol. 2 – Matt Fraction e Chip Zdarsky – O segundo volume apresenta mais pessoas capazes de parar o tempo com um orgasmo e o seu relacionamento com o sexo. Um dos pontos fortes é exactamente a forma como apresenta várias vertentes sexuais, desde trabalhadores do sexo a ginecologistas ou fétiches, de uma forma isenta de preconceito ou conotação negativa;

87 – Nimona – Noelle Stevenson – Num ambiente medieval um vilão que gosta de ciência recebe uma nova ajudante, Nimona capaz de se transformar em qualquer animal. De difícil controlo, Nimona vem desbalancear o equilíbrio entre as forças do bem e do mal, pondo em curso uma série de eventos reveladores;

88 – Pétalas – Gustavo Borges e Cris Peter – De uma fofura extrema consegue, sem palavras, apresentar uma história comovente que envolve o leitor de forma fascinante.

História Natural da Estupidez – Paul Tabori

A sinopse deste livro começa por nos apresentar uma lista de sinónimos, verbos, nomes e adjectivos relacionados com a estupidez – “Haverá sintoma mais decisivo que o facto de este livro dedicar seis colunas aos sinónimos, verbos, nome e adjectivos relacionados com a estupidez, quando os referentes à sensatez mal chegam a ocupar uma coluna?”.

Sujeito que era tão estúpido que apagava a vela a fim de não ser incomodado pelas pulgas que o mordiam. (…) Burton focou uma das características mais importantes da estupidez ; a apagar da vela – o evitar a luz – o confundir causa e efeito.

O início auspicia e o resto cumpre. Entre notas culturais, históricas, sociais, científicas e religiosas, as páginas estão carregadas de detalhes e factos inusitados, episódios e pensamentos tão idiotas que até ferem a alma. Por esse motivo aconselho a leitura em modo lento, para que se possa saborear cada detalhe.

A estupidez é essencialmente medo – Diz o Dr. Feldmann -, medo de nos expormos às críticas, quer de outrem, quer de nós próprios.

E para isso constrói-se uma visão não confirmada do que nos rodeia, visão através da qual se determinam certezas e preconceitos, e se manipulam populações:

O que habitualmente se designa por preconceito “racial” não passa, de facto, de mera resposta colectiva a ameaças de perdas ou a perdas reais; resposta que não é inata, mas, sim, alimentada pela tradição e por impressões recentes de prejuízos sofridos há pouco.

Mas se as diferenças culturais dão origem à estupidez, também o surgir da economia está carregado de detalhes sumarentos e deliciosos, como o estabelecimento do sistema monetário na ilha de Iape, sem metais, que acabou por fazer moeda a partir de uma pedra. Dado o seu peso, a transferência de propriedade nem sempre era acompanhada por uma transferência de localização, sendo que muitas vezes permaneciam na propriedade original, disponíveis para que os novos donos as visitassem regularmente.

O homem medieval considerou a primeira transacção bancária um acto de feitiçaria; os mistérios do capital perturbavam-no como se se tratasse de fenómenos de perigosa alquimia.

Eis uma afirmação que compreendo completamente. Não sou homem, nem medieval e algumas transacções bancárias também me parece um acto de feitiçaria. Negra. Da economia e das transacções bancárias rapidamente se passa à corrida do ouro e aos alquimistas, burlões que faziam das vãs esperanças dos lordes o seu ganha pão, prometendo a criação do ouro a partir de outras substâncias.

Nunca soberano algum curou de saber qual o motivo por que o alquimista, em vez de fabricar ouro em seu exclusivo proveito, punha tão grande segredo ao serviço de uma cabeça coroada.

O ouro, essa substância valiosa, era, até, utilizada em medicamentos julgando-se ter um efeito quase milagroso:

Misturavam limalha de ouro na alimentação das galinhas e, assim, faziam com que a ave suportasse toda a despesa dos danos físicos: logo que as «virtudes» do ouro tivessem sido absorvidas, matava-se a galinha e servia-se o cadáver ao doente. Esta carne era considerada remédio tão eficaz como qualquer outra preparação de ouro. (…) Por esse motivo enclausurava-se a galinha numa gaiola, a fim de evitar que a ave, na sua prodigalidade, desperdiçasse o metal precioso sobre as flores dos campos.

Não é só pelo ouro que surge a estupidez. A soberba de querer demonstrar uma linhagem perfeita levou muitos nobres a encomendar árvores genealógicas onde se revelariam ligações a personagens da bíblia, ou a figuras mitológicas como a Sereia Melusina (figura de uma lenda muito semelhante à Dama Pé de Cabra).  É esta mesma vontade de demonstrar superioridade que leva à criação de títulos nobres, alguns bastante idiotas:

Ao chefe de serviço de padaria cabia ainda o título de conde da limonada, o que, temos de convir, não soava lá muito bem. Outro fidalgo haitiano alardeava o nome de duque da Marmelada. A leitura dos títulos da nova aristocracia revela outras preferências curiosas: Duque das faces vermelhas, Duque do Posto Avançado, Conde da Corrente Torrencial, Conde Terrier Vermelho, Barão da Seringa, Barão do Buraco Sujo, Conde Número dois.

Ou de regras de etiquetas tão complexas que prejudicam a própria sobrevivência:

Filipe III morreu queimado na lareira porque os cortesãos não conseguiram encontrar, com a rapidez exigida, o funcionário encarregado de deslocar a poltrona do rei.

No seguimento das regras idiotas, claro que não se pode ultrapassar o tema da estupidez sem tocar na burocracia:

Não se pode negar que os funcionários públicos sejam seres humanos e ninguém, até hoje, conseguiu provar o contrário. (..) Mas, em qualquer época e em qualquer clima, uma vez de posse de uma secretária e de um ficheiro, acontece-lhes algo de misterioso e perturbador: o espírito é substituído pela letra, os precedentes expulsam a iniciativa e os regulamentos triunfam da clemência e da compreensão. (…) Os organismos oficiais são o campo de cultura da estupidez, da mesma forma que os pântanos no caso, igualmente pernicioso, dos mosquitos. A doença é inevitável: até o funcionário público mais inteligente sucumbe à infecção.

A burocracia, que tem a capacidade de complicar o que é simples, consegue até produzir fórmulas para o pagamento de funerais:

Basta só isto para não nos espantarmos com o facto de, em França, a natalidade aumentar e o número de óbitos diminuir. As pessoas até sentem receio de morrer.

Entre pombos que não podem pousar em telhados ou mulheres que não têm de suportar maridos que fumem cachimbo no leito matrimonial, a legislação é asnática, carregada de exemplos idiotas e impossíveis de cumprir.

Já a medicina praticada na Época Medieval é algo para se fugir, sendo que se apresentam inúmeros detalhes que, à luz de hoje, parecem o cruzamento de episódios de Monty Phython com cenas de horror:

Compreende-se, desta forma, o motivo por que os pacientes tratados com o «ungento da guerra» melhoravam em virtude de nenhum médico lhes tocar nas feridas», deixando que a Natureza levasse a cabo os seus processos curativos sem interferência do homem.

História Natural da Estupidez consegue, assim, apresentar vários exemplos de estupidez, ao longo de todo o espectro da sociedade, actual e história, percebendo-se, até, porque continuará a ser um sintoma da espécie humana:

A estupidez dói, de facto; simplesmente, é raro que incomode o estúpido.

Tony Chu – Vol.6 – Bolos Janados – John Layman e Rob Guillory

Se achavam que, com o alongar da série, a temática dos super-poderes associados a comida se esgotava, desenganem-se. Este sexto volume é tão intenso em detalhes cómicos, inusitados e mirabolantes que arrisco a referi-lo como um dos melhores da série, até agora.

Retirando o foco de Tony Chu e do seu colega, este volume segue a irmã, Toni, que apresenta características bastante diferentes do irmão – relaxada, divertida com uma pitada de irresponsável, mas possuindo, também, capacidades psíquicas associadas ao que come.

Se por um lado se investigam quadros com paladar que, dão, a quem os lambe o sabor da comida desenhada, por outro tenta-se perceber a origem da chuva de ovelhas que causou uma catástrofe. Entre investigações, Toni da NASA, passa os dias a cruzar-se com Caesar, sem que este se recorde de onde reconhece Toni. Mas se Caesar não se recorda, já Toni apresenta os múltiplos episódios mirabolantes os seus caminhos se cruzaram, nem sempre em circunstâncias legais .

Entre passagens de moda com roupa feita de carne, e vagas explosivas, assistimos, ainda, à entrada de Poyo no Inferno onde defronta demónios a torto e a direito. Galo de capacidades assustadores, Poyo é o grande herói deste livro.

De tom um pouco mais pesado do que é usual, este sexto volume apresenta detalhes deliciosos centrando-se em personagens mais rebeldes e menos seguidoras da lei, enquanto continua a apostar no visual colorido e caricato que ajudam a manter uma aura cómica, apesar dos detalhes nojentos associados à comida. A série Tony Chu continua, sem dúvida, em grande!

Resumo de leituras – Julho de 2017 (1)

81 – War for the Oaks – Emma Bull – Um dos primeiros livros de fantasia urbana que traz, para o cenário de uma cidade, as guerras e as influências das fadas (e das criaturas que pertencem a esse mundo) não é, em comparação com outros mais recentes, excelente. Percebemos o clima de tensão romântica que se vai acumulando, numa fórmula que é, hoje em dia, comum mas consegue ter elementos interessantes na forma como explora as componentes sobrenaturais;

82 – Wintersmith – Terry Pratchett – Livro de vertente mais juvenil, Wintersmith pertence ao mundo fantástico de Discworld e retoma a temática das bruxas, centrando-se numa jovem que, como todos os jovens, comete acções irreflectidas. No caso, sendo uma bruxa, estas acções têm consequências muito mais pesadas. Com as habituais tiradas divertidas de pequenos toques irónicos, é uma leitura engraçada;

83 – Cidades – Vários – Esta colectânea de histórias de banda desenhada reúne o trabalho de vários artistas do The Lisbon Studio, apresentando, de uma forma geral, um bom trabalho gráfico aliado a uma boa narrativa. Com uma boa diversidade de estilos esperemos que seja apenas o primeiro volume de muitos desta cooperação;

84 – A Morte é uma Serial Killer – Valentina Silva Ferreira – Não sabia o que esperar e ainda bem. O que encontrei foi uma boa narrativa com uma excelente capacidade para apresentar diálogos (o que é raro nos escritores portugueses) numa história em mosaico que apresenta o surgir de monstros humanos.