Destaque: Velvet Vol.3 – Brubaker, Epting e Breitweiser

“E se Miss Moneypenny fosse uma espia mil vezes mais perigosa que James Bond?” é uma das frases que mais tem sido utilizada para descrever Velvet, uma aparentemente inofensiva secretária que se deixa tomar por parva pelos vários agentes secretos que por ela passam. A morte de um amigo fá-la voltar ao activo, iniciando uma investigação por conta própria e é assim que se vê como alvo a abater, perseguida ao longo de vários países.

Depois de dois volumes excelentes a história chega ao final com este terceiro, publicado em Portugal pela G Floy e que estará disponível a partir de quinta-feira (29 de Junho). Abaixo deixo-vos a sinose e algumas páginas:

Todas as pistas e todos os destinos que constituem o mistério que rodeia Velvet acabam por a levar de volta aos Estados Unidos e a Washington, para o final explosivo da saga de Velvet Templeton. Por dois dos criadores de comics mais aclamados de hoje, Ed  Brubaker e Steve Epting, a dupla responsável também pela série Fatale.

A primeira grande aventura de Velvet Templeton, a secretária que era uma espia e operacional de missões secretas, chega ao fim com este terceiro volume da série. E a conclusão levará Velvet até ao topo das hierarquias do pdoer do mundo Ocidental e ao perigoso jogo das agências secretas. Quem foi que tentou incriminá-la e destruir a sua carreia e imagem, deixando um rasto de destruição no seu caminho? Descubra tudo no último volume de Velvet!

Eventos: Devoradores de Livros – Junho de 2017

A próxima tertúlia de ficção científica dos Devoradores de livros traz-nos o projecto Olisippo Obscura, que se dedica a jogos de interpretação imersiva (LARP – Live Action RolePlaying). Segundo informação na página oficial do evento, este projecto tem como finalidade a promoção do Live Action e tem contribuído para iniciar um movimento de interesse em relação a esta actividade.

 

Tarsman of Gor – John Norman

Primeiro volume de uma saga fantástica, Tarnsman of Gor apresenta um planeta de características medievais onde uma classe religiosa detém o poder e a tecnologia e os restantes vivem numa sociedade hierarquizada. Tarl, um homem que segue a carreira de professor sem grande inclinação para tal, encontra, um dia, no meio da floresta, uma carta que lhe é dirigida. Nos próximos momentos é levado, inconsciente, para o planeta de Gor, onde conhece, pela primeira vez, o pai.

No planeta de Gor é treinado como um guerreiro na cidade de Ko-ro-ba.  À semelhança das cidades estado gregas, estas cidades permanecem autónomas e rivais entre si, pelo que não é de estranhar que a primeira missão de Tarl tenha por objectivo minar outra cidade, roubando o objecto de maior poder. Nesta missão solitária acaba, também, por raptar a filha do líder, a quem se afeiçoa enquanto tenta escapar incólume pelos terrenos hostis.

Tarnsman of Gor é um livro de fantasia num cenário quase medieval, carregado de criaturas ferozes. Centrado numa única personagem, apresenta-nos um mundo onde as cidades batalham entre si e, consequentemente, existem escravos. Fora das cidades encontramos bestas enormes e aranhas tão inteligentes que comunicam, de forma perceptível, com os humanos.

Na mesma linha que histórias como John Carter, Tarnsman of Gor é um livro de aventuras cuja leitura escorre facilmente num mundo semelhante ao nosso, mas mais simples em termos de fauna e, até agora, na diversidade de culturas que possui.

Wintersmith – Terry Pratchett

Wintersmith é o 35º livro de Terry Pratchett que decorre no mundo ficcional de Discworld, um mundo em forma de disco suportado por quatro elefantes que, por sua vez, se erguem sobre uma tartaruga que deambula pelo Universo.

De tom irónico, com passagens hilariantes quer pelas situações que provoca quer pela paródia que faz de situações reais, Discworld é uma excelente série de fantasia à qual sabe bem voltar de quando em quando.

Este é um livro de tom mais juvenil e de narrativa simples que nos apresenta uma jovem bruxa de origens rurais. Curiosa e movimentada, Tiffany Aching é uma personagem apresentada em The Wee Free Men (publicado em português pela Saída de Emergência como Os Homenzinhos Livres). Desta vez a curiosidade levou-a a provocar uma catástrofe, quando dançou com o Wintersmith, assumindo na mente desta criatura a face da Deusa do Verão.

Curioso, apaixonado, o Wintersmith, desastrado e pouco seguro de si como qualquer pessoa que sente tal sentimento pela primeira vez, dedica-se a criar réplicas da imagem de Tiffany nos flocos de neve e nas janelas geladas. Se a demonstração de admiração se ficasse por aqui estaria tudo bem, mas o Wintersmith resolve mostrar o seu poder esculpindo enormes icebergs e instalando o maior Inverno de todos os tempos.

TIffany terá, assim, de arranjar forma de afastar o Wintersmith, enquanto lida com a morte de uma grande bruxa e ajuda a jovem substituta desta a aprender a vertente mais rural desta profissão.

Engraçado e leve, este volume não é dos melhores da série mas é, ainda assim, uma agradável e aconselhável leitura que se centra nas bruxas peculiares mas inteligentes e sagazes deste mundo.

Destaque: Harrow County Vol.2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

O primeiro volume de Harrow County classificou-se como uma das melhores bandas desenhadas para o ano de 2016, tendo sido uma das obras que escolhi para falar nos Sustos às sextas, não só por se adequar ao tema, mas por explorar elementos primitivos num ambiente rural de grande familiaridade o que torna a apresentação do horror mais conhecido e próximo.

Deixo-vos a sinopse do segundo volume bem como algumas páginas:

Depois de desvendar a estranha e terrível história de Harrow County, bem como a sua bizarra ligação às suas gentes, Emmy forjou uma nova e profunda relação com as terras que a rodeiam e com as suas criaturas – mas enquanto Emmy procura aprofundar a sua relação com os seus vizinhos da vila, uma presença ao mesmo tempo familiar e sinistra reúne uma força negra com a qual irá desafiá-la…

Uma história terrível e onírica ao estilo “southern gothic”, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

Pétalas – Gustavo Borges e Cris Peter

Pétalas, um dos mais recentes lançamentos da Kingpin Books, traz-nos uma história tocante de sobrevivência no Inverno, em que raposas e pássaros cooperam para conseguirem superar o clima.

O pássaro é acolhido pelas raposas e, em troca, revela os seus dotes de mágico, distraindo-os durante os serões invernosos. No entanto, o duro clima fez os seus estragos e estes serões não irão durar para sempre.

Esta pequena história inspira grande simpatia pelo aspecto caricato das personagens que conseguem transmitir sentimento sem necessidade de falas e envolver o leitor recorrendo apenas às expressões faciais e ao ambiente criado com as imagens ternurentas.

Monstros que nos habitam – Vários autores

Os Monstros que nos habitam é a primeira antologia sobrenatural da Editorial Divergência. O lançamento ocorreu na maravilhosa Biblioteca de São Lázaro com apresentação pelo editor Pedro Cipriano e participação de alguns dos autores que contribuíram para o conjunto.

A antologia começa com um bom conto de elementos tradicionais de Nuno Ferreira, A Maldição de Odette Laurie, uma história de corrupção e redenção em que a população de uma aldeia ostraciza alguns dos seus habitantes por influência dos mais poderosos, mas com consequências catastróficas que irão perdurar por décadas.

Vento parado de Ângelo Teodoro traz-nos uma história de pesar pelo falecimento de alguém que se transforma numa história de fantasmas com reminiscências de acontecimentos passados.

Já em A Essência do Mal de Alexandra Torres, uma mulher fugindo de violência doméstica vê-se envolta numa maldição que irá sugar todas as suas energias, numa história envolvente e com pontos originais que se completa de forma bastante satisfatória para o leitor.

Genésis de Patrícia Morais centra-se numa jovem que pretende ser recebida como igual numa sociedade científica composta apenas por homens. As suas ambições serão postas de lado quando se confronta com os projectos megalómanos do seu antigo professor, uma personalidade pela qual tem imenso respeito e que a reconhece como uma cientista capaz. História feminista, apresenta elementos de histórias clássicas como Frankenstein ou A Ilha de Dr. Moreau.

Enquanto O Conto da Sereia de Soraia Matos nos traz uma realidade carregada de criaturas sobrenaturais onde se cruzam histórias familiares com antigas batalhas de influência, espionagem e poder, Páginas Assassinas de Carina Rosa apresenta uma história em que, um a um, vários jovens universitários vão aparecendo mortos. Mais arrepiante do que as mortes é a coincidência dos métodos com os contos que uma jovem vai escrevendo, quase em simultâneo.

Apresentando histórias bastante diferentes, representativas do que pode ser o género da Fantasia Sobrenatural, Os Monstros que nos habitam é uma das melhores antologias produzidas pela Editorial Divergência, tanto pela qualidade dos contos como pelo aspecto gráfico.

Prémios ESFS

 

Encontra-se a decorrer a Eurocon de 2017 em Dortmund, na qual foram anunciados os vencedores dos prémios ESF. E o destacado com a menção European Grand Master foi… Zoran Zivkovic! Quem segue este blogue conhece o apreço que tenho pelos livros deste autor, publicados em Portugal pela Cavalo de Ferro que, no ano passado, convidou o autor a estar presente na Feira do Livro de Lisboa.

War for the oaks – Emma Bull

Utilizando a tradição das histórias tradicionais fantásticas inglesas, War for the Oaks decorre num cenário urbano, adaptando as fadas e semelhantes seres fantásticos à realidade de uma cidade para nos trazer um conto actual que envolve humanos numa guerra entre duas facções.

Eddie é uma cantora e guitarrista excepcional que se vê perseguida por um cão nas ruas de Minneapolis na noite em que decide deixar o namorado e a banda. A perseguição acaba por se revelar uma tentativa de contacto por parte de uma das facções que a pretende envolver na batalha como token humano para trazer vulnerabilidade aos inimigos.

A partir desse momento o cão, que é afinal uma criatura mágica que adopta também a forma humana, irá acompanhar a rapariga em todos os momentos para a proteger. Claro que Eddie não aceita facilmente este papel numa batalha que não compreende e muito menos a companhia de um estranho que não causou uma boa primeira impressão.

Envolvida em algo que não compreende totalmente, Eddie dedica-se, também, a fundar uma nova banda, uma banda composta por excelentes músicos que a irão ajudar no papel que terá que desempenhar. Entre seres mágicos e reais, Eddie enfrenta os vários perigos, criando uma ligação profunda com a criatura que a protege e serve todos os dias.

Para quem conhece o género da Fantasia Urbana esta história pode não trazer muito de novo mas esta terá sido uma das primeiras a trazer para um cenário mais actual os seres dos contos tradicionais e a colocá-los numa história fantástica com uma grande componente de romance, pelo que a comparação directa com histórias mais recentes é, decerto, injusta.

Vencedor do prémio Locus e finalista para o Mythopoeic Fantasy Award, War for the Oaks é uma história de leitura leve que pode ser considerada demasiado simplista em termos narrativos, mas que possui momentos cómicos e alguns detalhes interessantes.

Destaque e evento: O Homem que Passeia – Jiro Taniguchi

Do mesmo autor de O Diário do meu pai e Terra de Sonhos (publicados nas duas colecções Novelas Gráficas pela Levoir em parceria com o jornal Público) é agora lançado O Homem que Passeia pela Devir, no dia 24 de Junho pelas 17h30 na Festa do Japão. Deixo-vos a sinopse bem como algumas páginas:

Um homem contempla os subúrbios da sua cidade. Caminhando devagar, escuta e cheira. Para e observa.

É impossível não nos sentirmos alheios e indiferentes ao mundo, em    contraste com este olhar puro. Passeando por estas páginas reaprendemos a olhar, talvez a viver, mais atentos às pequenas coisas.

Resumo de Leituras: Junho de 2017 (1)

69 – Velvet Vol.2 -Brubaker, Eptin e Breitweiser – O segundo volume continua no mesmo registo, apresentando uma espia de grandes capacidades que, por conta do seu papel temporário como secretária, é menosprezada por quem a persegue. Ou será que, finalmente, encontra alguém ao mesmo nível que a consegue capturar?

70 – The Long Way to a small, angry planet – Becky ChambersUma Space Opera leve e divertida que consegue apresentar algumas temas interessantes como a discriminação racial ou a identidade de género apresentando várias sociedades alienígenas possíveis com diferentes modelos;

71 – Retratos de jovens senhoras, cavalheiros e casais – Charles Dickens e Edward Caswall – Como o nome indica este pequeno volume apresenta estereótipos de comportamento em sociedade, principalmente de jovens em idade casadoira ou modelos típicos de casais. .

72 – História do Espelho -Sabine Melchior-Bonnet  Aproveitando o reflexo da imagem humana, este pequeno livro de história apresenta várias perspectivas interessantes, desde económica e social, até religiosa e filosófica.

Manual de Etiqueta – Vilhena

O mais recente lançamento de um livro de Vilhena pela E-Primatur é uma excelente combinação de pérolas irónicas que ridicularizam a sociedade humana, os preconceitos, as regras da boa educação ou a grande importância que se dá à opinião dos outros.

No princípio do mundo vivia-se, como todos sabem, na Idade da Pedra Lascada. Depois apareceram os compêndios de Etiqueta e o homem entrou na época da Pedra Polida.

O prefácio abre com esta frase mostrando hábitos ridículos num enquadramento leve que consegue surpreender com terminações de elevada etiqueta nas mais inusitadas situações.

Mas, o que mais me impressionou, pelo seu refinamento e profundidade litúrgica, foi um compêndio de etiqueta, em espanhol medieval, onde, com a maestria digna dum cozinheiro do Hotel Aviz, se ensine a grelhar um ateu a fogo brando.

A primeira parte, Da Boa Educação em Geral, começa com o nascimento, esse evento ao qual os bebés devem comparecer apenas 9 meses depois do casamento da mamã, e não antes, não vá darem azo a comentários da vizinhança e suposto amigos, os mesmos que no casamento hão-de ter relembrado os mais sórdidos episódios relativos à noiva enquanto decorre o usual atraso para entrar no altar.

Dá-se um toque na infância, no namoro, no casamento, no suicídio ou no perfume, antes de passar à Etiqueta e civilidade nas cadeias, penitenciárias, campos de concentração e outras estâncias de repouso.

Quando resolvermos sair, serremos as grades com uma lima n.º 2 sem fazer muito barulho para não incomodar o carcereiro.

Fala-se de roubalheira num tom muito actual “É mais difícil roubar um relógio que fazer um desfalque num banco. Mais difícil e mais perigoso (ainda seja mais honesto)” , pois estas notas conseguem ser intemporais. Decorrem décadas sem que nada realmente mude na mentalidade e forma de estar.

Já a segunda parte é mais específica às profissões, mostrando-nos conjuntos de regras para as mais diversas profissões, desde políticas a guardas-nocturnos, condutores da carris ou escritores:

Foram os camponeses postos neste mundo para trabalhar, sofrer e dar filhos à Pátria. É preciso que cumpram estes três mandamentos com as boas maneiras que a sua condição social pede. Fazendo parte do «povo soberano» eles devem ser humildes, serviçais, solícitos e de pouca mantença. Nos anos de grande abundância agrícola, ser-lhes-á permitido comer pão, mas sempre com o suor do seu rosto, como mandam as Escrituras.

Com várias (in)directas à ordem social instituída, ao devido respeitinho a quem se encontra numa posição dita superior e à manutenção de uma imagem de suposta seriedade, Manual de Etiqueta é mais um bom exemplo da capacidade crítica da Vilhena, num formato mais conciso e directo que outros livros do autor também publicados pela E-Primatur (História Universal da Pulhice Humana ou Avelina, Criada para todo o çerviço).

Destaque: Criminosos do Sexo Vol. 2 Matt Fraction e Chip Zdarsky

O primeiro volume de Criminosos do Sexo apresentou uma premissa interessante, centrada numa capacidade peculiar das personagens principais – a de parar o tempo! Mas apenas quando têm um orgasmo.

Depois de um encontro amoroso em que ambos pensavam estar sozinhos nos seus poderes, a partilha desta possibilidade fez com que ganhassem grande afinidade e objectivos comuns, objectivos que poderão ser mais facilmente atingidos se arranjarem uma forma fácil de ganhar dinheiro.

A série está a ser publicada em Portugal pela Devir.

Deixo-vos a sinopse e uma pequena amostra das páginas interiores, bem como a ligação para o comentário ao primeiro volume:

Suzie, uma bibliotecária e Jon, um ator partilham a mesma habilidade…

À medida que a sua relação evolui, decidem aproveitar este truque para assaltar bancos… mas o que fazer a seguir quando termina a emoção?

 

Destaque: Cage – Brian Azzarello e Richard Corben

A banda desenhada que inspirou a série é um dos mais recentes lançamentos da G Floy, com argumento de Brian Azzzarello e arte de Richard Corben. Deixo-vos a sinopse e algumas páginas:

Quando Luke Cage aceita investigar o assassinato de uma jovem adolescente, descobre que está a decorrer uma guerra entre três gangues diferentes pelo controlo do bairro a que chama lar. E que melhor maneira de quebrar um impasse do que oferecer os seus serviços a quem lhe pagar mais?

 

Eventos: Lançamento Cidades

Para quem, como eu, não teve oportunidade de ir ao Festival de Banda Desenhada de Beja, Cidades vai ser lançado durante esta semana em Lisboa, no dia 08. Primeiro volume da Lisbon Studio Series, uma série de antologias que reúne histórias curtas, possui sete histórias de oito autores e prefácios de Filipe Homem Fonseca e Jorge Coelho. Para os interessados deixo-vos a página oficial do evento e algumas páginas do interior.

A Farmer in the Sky – Robert A. Heinlein

O mesmo autor de Stranger in a strange land e The Moon is a Harsh Mistress também precisava de pagar as contas, e este livro é um exemplo disso. Pago para escrever ficção científica mais dinâmica e juvenil, Farmer in the sky apresenta algumas incoerências científicas que visam apresentar uma determinada estratégia de colonização que há-de servir de base para as dificuldades que buscam um paralelismo com colonizações terrestres de novos territórios.

Quando a mãe morre, a relação entre Bill, um jovem rapaz e o pai, aprofunda-se. Talvez por isso não esperava que este voltasse a casar, decidindo mudar-se para Ganimedes para ajudar a formar a nova colónia humana. Depois de um pequeno período de resistência, Bill consegue convencer o pai a ir também, deixando os estudos e tendo como única perspectiva a criação de terreno agrícola e de uma pequena quinta.

Nesta lua de Júpiter encontra-se um escudo que permite manter a atmosfera viável a uma nova colónia. O espaço das naves é escasso. Cada colonizador tem uma carga bastante reduzida que pode levar consigo e é à custa de emagrecer que Bill consegue levar o uniforme de escoteiro.

Depois de uma viagem em que são transportados como gado, o que encontram no destino não é o que lhes foi prometido. Por forma a se manterem não podem dedicar-se todos à criação da quinta, e o pai é obrigado a aceitar um emprego metalúrgico deixando Bill sozinho na tarefa de estabelecer os primeiros campos de cultivo.

Cover of “Farmer in the Sky” by Robert A. Heinlein.
Del Rey Books, first edition, ninth printing, December 1982. ISBN 0-345-30202-8

Como seria de esperar a história é demasiado centrada numa única personagem, jovem, conferindo-lhe excessivo envolvimento em acontecimentos importantes onde desempenha um importante papel. Ainda assim consegue dosear a apresentação das suas capacidades, colocando-o como herói secundário nalgumas intervenções.

Farmer in the sky não é um livro excelente mas é uma história com boa dinâmica que intercala momentos explicativos com momentos de acção, não se coibindo de apresentar os momentos pausados e quase aborrecidos da viagem interplanetária.

Feira do Livro de Lisboa – Sugestões livros do dia – 04/06/2017

Eis algumas sugestões de entre os vários livros do dia de hoje!

Referência ao género distópico, 1984 continua a ser um livro actual, cada vez mais aconselhável, publicado em Portugal pela Antígona, a mesma editora que publicou clássicos do género como Nós de Zamiatine ou Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.

Oscilando entre os tons sépia e os gradientes de cinzento, na ausência de palavras, as imagens contam uma história de emigração, acompanhando o sacrifício de um homem em deixar a família procurando condições melhores, na esperança de, um dia, os poder trazer. Emigrantes de Shaun Tan é um dos livros mais emotivos do autor e em Portugal foi publicado pela Kalandraka. Para os interessados eis um comentário mais longo ao livro.

Destinado a  um público mais juvenil, Os Livros que Devoraram o meu pai, contém várias referências a personagens ficcionais conhecidas utilizando-as para adicionar camadas de complexidade a uma história relativamente simples. O livro foi publicado pela Editorial Caminho. Para os interessados eis um comentário mais longo.

Utilizando a experiência com a banda desenhada e a frequência do curso de Psicologia Miguel Montenegro criou uma série de tiras cómicas que ironizam as práticas e as teorias da Psicologia. A primeira edição de Psicopatos foi publicada através da própria faculdade que frequentava. Entretanto foram publicados dois volumes pela Arcádia.