KM / H – Mark Millar e Duncan Fegredo

O mundo é alarmado por um ser humano capaz de ultrapassar a velocidade de automóveis e aviões, mas a sua passagem causa severos danos. Este homem sem identidade é capturado e hospitalizado, estudado sem grandes consequências para a ciência. Finalmente, é esquecido. Até 30 anos depois surgir um grupo de jovens com o mesmo poder.

Roscoe tem grandes planos para sair da vida medíocre dos bairros pobres – para tal estalece objectivos pessoais que pretende estender à namorada e aos amigos. Mas uma das suas últimas entregas de droga corre mal e acaba na prisão. Mesmo assim não perde a esperança – até perceber que um grande amigo o denunciou, aumentando a sua sentença, com o único objectivo de se entender com a sua namorada.

Com esta reviravolta inesperada perde as estribeiras e prova, pela primeira vez, uma das drogas disponíeis na prisão. Mas o lote que lhe apresentam está contaminado e colapsa. Esta reacção é a primeira fase de uma transformação – este comprimidos conferem a capacidade de andar rapidamente, fazendo com que o tempo quase que pare em torno de quem os toma.

Roscoe escapa, assim, da prisão, levando consigo um frasco destes comprimidos. De retorno, vinga-se e estabelece, com a namorada, um pequeno gangue que rouba apenas dos ricos e distribui algum pelos pobres, ganhando popularidade entre a população, mas tornando-se um dos principais alvos da polícia.

Bastante movimentado (ou não andassem todos a grandes velocidades) KM/h consegue apresentar uma história estanque de final aprazível, onde se destacam as péssimas oportunidades de alguns que encontram, no crime, a única solução para sobreviverem. Como é habitual nalguns livros de Mark Millar a história termina de forma composta, com prejuízo para algumas personagens mas sem quebrar a ideia de uma felicidade final, para as quais arranja uma solução. O resultado é uma leitura agradável, carregada de acção que não se perde em questionamentos.

KM/H foi publicado em Portugal pela G Floy.

Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (5)

144 – O Farol Intergaláctico – João Pedro Oliveira – eis mais um grande exemplo de boa ficção científica publicada pela Imaginauta num formato acessível (em preço) e de fácil transporte. O conto de 12 páginas centra-se na distância temporal criada pelas viagens espaciais, mostrando dois amigos que não se vêem há uma viagem – um no auge da sua juventude, outro velhote e melancólico;

145 – Joe The Barbarian – Grant Morrison e Sean Murphy – Após a morte do pai, a mãe luta para manter o tecto sobre a cabeça dela e do filho. Já o rapaz, que é diabético, soturno, é marginalizado pelos restantes rapazes. Resta-lhe sonhar pelos seus desenhos, até ao dia em que se materializa noutro mundo fantástico onde a sua presença é fulcral;

146 – Seis drones – António Ladeira – Falhei o lançamento na Barata por distração mas ainda assim comprei um exemplar. As referências a várias obras de ficção científica revelam que o autor sabe o que está a escrever e efectivamente os seis contos que apresenta parecem ter inspiração nos clássicos – Orwell, Bradbury, Dick. O resultado é bom, com pontinhas de ironia relativamente à tecnologia e à possibilidade de servirem de forma de controlo das populações;

147 – Portais – Octavio Cariello e Pietro Antognioni – Esta banda desenhada de ficção científica foi lançada há alguns meses, mas só agora a li. Visualmente bastante boa, possui uma história futurista com portais entre épocas diferentes que visam transportar elementos decisivos para a luta por um trono distante.

Artemis – Andy Weir

Não li o famoso Marciano de Andy Weir. Nem vi o filme. Apesar da curiosidade inicial, a excessiva fama levou-me a afastar da história durante uns tempos para não ir com excessiva expectativa. Apesar de ser do mesmo autor, este Artemis ainda não tem um grande histórico de fama, pelo que me resolvi a experimentá-lo.

Fluído e divertido, centra-se na personagem ideal – Jazz, alguém de bons princípios que seguiu um percurso à margem da lei, desviada pelas circunstâncias da vida e as más companhias. Ainda assim não se safa mal e gere o contrabando da cidade lunar, Artemis, tendo como objectivo acumular uma soma que a deixará confortável.

O livro começa com uma cena movimentada em que Jazz tenta regressar à cidade com toda a rapidez, depois de ter um problema técnico com o seu fato. Conseguiu-se salvar mas chumba o exame que lhe permitiria servir de guia para turistas, uma ocupação que lhe concediria uma maior remuneração.

Frustrada, continua com a ocupação legal de transporte de mercadorias que lhe permitem camuflar o contrabando – e é nessa altura que lhe propõem um outro tipo de trabalho, algo mais arriscado mas também com uma margem de lucro muito superior. Algo que a irá colocar no caminho de mafiosos que, felizmente, não têm agentes suficientes em Artemis. Ainda.

Demasiado centrado numa única personagem, muito inteligente e de imenso potencial, Artemis é uma leitura movimentada e divertida que nos leva à primeira cidade fora da Terra, com todos os constrangimentos que esta existência terá na sua construção e nos seus habitantes. O espaço escasseia, o ar é controlado, os possíveis incêncios são a prioridade máxima da cidade e a comida é sobretudo uma tentativa de reconstrução terrestre ou uma gosma de mau sabor.

É neste contexto que Artemis explora, com competência, as características do espaço (falta de atmosfera, pouca gravidade ou recursos locais) para nos levar por uma história de acção onde existem vilões relativos e bonacheirões prejudiciais. Existe uma tentativa constante de nos fazer simpatizar com a personagem principal (Jazz, a rapariga inteligente que se deixou levar por maus caminhos) que comigo nem sempre resultou – mas nem precisou de resultar para se tornar uma leitura absorvente.

Artemis foi publicado pela Topseller.

Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (4)

140 – O corpo dela e outras partes – Carmen Maria Machado – Uma série de contos de ficção especulativa, com elementos de ficção científica, fantasia e horror, que apresentam personagens com diferentes sexualidades e nas quais a sexualidade é parte da história, como algo natural. Estes contos podem servir de ponto de partida para discussões mais profundas sobre dinâmica de género ou de relação, ou podem ser simplesmente apreciados conforme se apresentam;

141 – Cicatriz – Sofia Neto – Enquadrado no género da ficção científica, apresenta um futuro em que a o sociedade é dividida. Alguns escolheram permanecer dentro das cidades, com acesso a todas as componentes tecnológicas, enquanto outros ficam nos campos. Duas realidades fechadas, alimentando rumores sobre a outra metade que é demonizada sobre os aspectos mais propícios. Uma leitura interessante e inesperada ainda que saiba a pouco a incursão neste mundo;

142 – Tatuagem – Hernán Migoya e Bartolomé Seguí – Adaptação de um romance policial, apresenta alguns clichés do género, fazendo piada sobre estes mesmos aspectos comuns a tantas outras obras de ficção policial. A personagem principal é um homem que não perde a oportunidade de se aproximar de mais uma donzela, aliás, algo que partilha com o homem de quem procura a identidade;

143 – O jogo – Carmo Cardoso e José Machado – Trata-se de um dos mais recentes contos de ficção científica publicados na colecção Barbante que nos apresenta a situação limite de uma vida dependente do resultado de um jogo.

Novidade: Fantomius vol.4

Encontra-se, nas bancas, desde dia 09 de Agosto, novo volume da série Fantomius da Goody. Esta série possui um formato um pouco maior do que tem sido habitual nas publicações Disney, com uma melhor qualidade do papel e com alguns extras (entrevistas, esquemas dos desenhos, etc). Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

As aventuras de Fantomius estão de regresso com mais quatro histórias incríveis do famoso Ladrão Cavalheiro.
Em Os Anéis de Cagliostro vamos acompanhar Lorde Quackett e Dolly Paprika numa viagem até Viena, capital da Áustria, numa aventura que envolve o mistério de um tesouro que pertenceu ao Conde de Cagliostro, o famoso alquimista aventureiro do século XVIII que se dizia conseguir transformar qualquer metal em ouro! Em O Tesouro de Francis Drake, Fantomius terá de encontrar o espólio daquele famoso corsário inglês, numa história que também vai envolver Richard Quackett, também conhecido como “Duque Louco”, um antepassado do próprio Ladrão Cavalheiro. Este volume inclui ainda Fantomius no Egito, história que transporta o leitor para o deserto do Saara, em África, e que revela mais detalhes sobre a relação de Lorde Quackett com a sua família, nomeadamente com o seu irmão mais velho, Henry Quackett. Por fim, em O Ladrão e o Milionário, o leitor vai assistir ao desejado confronto entre Fantomius e o Tio Patinhas.

Conteúdo:

Os Anéis de Cagliostro
O Tesouro de Francis Drake
Fantomius no Egito
O Ladrão e o Milionário

 

 

Joe The Barbarian – Grant Morrison e Sean Murphy

De premissa simples, esta é daquelas bandas desenhadas que vale mais pelo visual do que pela narrativa, centrando-se num jovem que, de repente, se vê num mundo fantástico onde terá um papel fundamental no afastamento e derrota de vilões. Órfão de pai, o rapaz é diabético e escapa comummente do convívio com os da sua idade para desenhar.

Um dia, não escapa somente para desenhar, mas começa a ter fortes alucinações provocadas por uma oscilação glicémica que o levam a experimentar uma aventura no reino fantástico. Enquanto a mente deambula o corpo passa por uma situação grave de possibilidade mortal.

A premissa de um jovem que se vê num reino fantástico, em que as leis do mundo real não se aplicam, é uma das mais comuns nas histórias do género. Ainda assim existem vários autores que conseguem pegar neste princípio comum e entregar uma boa aventura, seja por construirem personagens interessantes ou reviravoltas inesperadas. Não encontrei elementos distintivos em Joe The Barbarian que permitissem dizer que é uma boa leitura do ponto de vista narrativo. No máximo é legível.

O grande destaque desta banda desenhada será, sobretudo, a nível visual – elementos fantásticos, paisagens com toques medievais de cores fortes e dislumbrantes, de grande luminosidade. O autor aproveita a diversidade de cenários e de ambientes psicológicos para variar as composições, resultando em páginas fascinantes.

Tatuagem – Hernán Migoya, Bartolomé Seguí e Manuel Vázquez Montalbán

Tatuagem trata-se da adaptação do romance de Manuel Vázquez Montalbán, um livro policial que reconhece os seus próprios clichés no género e que os usa, citando e referindo os mais conhecidos investigadores policiais, como contraste para com a própria personagem.

A personagem principal é um homem que não perde a oportunidade de se aproximar de mais uma donzela, algo que partilha com o homem cuja identidade procura descobrir – um homem cujo corpo deu à costa com o rosto desfigurado, tendo apenas uma tatuagem como referência identificativa.

Viajando até à Holanda, o detective segue as passadas do homem, seguindo as características físicas gerais e aquela tatuagem – uma tatuagem que mostra um lado mais requintado do que um possível proxeneta e traficante, e que o levará a atravessar a Europa e a regressar à cidade de Barcelona.

Do ponto de vista visual, Tatuagem possui várias páginas com grande detalhe no desenho, ainda que este se apresente de forma a destacar o que tem de mais importante para a história que decorre. Os pensamentos das personagens intercalam as suas falas, algo que é pouco usual ocorrer em tamanha frequência e que dá, aqui, uma dimensão interessante, mostrando a diferença entre o falado e o pensado.

Tatuagem é uma leitura agradável que distrai o leitor, ainda que não a coloque no patamar do excelente. Tatuagem foi publicado na colecção Novela Gráfica publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público.

Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (3)

136 – Battle Pope – vol.1 – Herege, relaxado e violento. Esta série não é para qualquer pessoa e excede o limite do bom gosto para mim. Como enorme fã da série The Preacher, é dizer muito. O excesso não advém da heresia, nem da violência (que pode ser encontrada em séries que gosto como The Boys), mas de achar que a combinação é forçada para chocar e não para contar uma história;

137 – Deadpool mata o Universo Marvel – Que Deadpool sofre de graves problemas psicológicos não é novidade. O que se altera aqui é a tentativa de o curar, deixando-o num manicónio chefiado por um vilão psicótico. A tentativa de manipular psicologicamente Deadpool resulta numa enorme desgraça para vários mundos;

138 – Loki – Robert Rodi e Esad Ribic – Visualmente muito bom, trata-se de uma história mais introspectiva, em que Loki tenta reverter o papel tradicional de vilão, existindo como elemento que pretende realçar as boas qualidades de Thor. A grande questão, que o próprio se coloca, é se será capaz de enganar o destino que afronta todos os Loki de todos os mundos paralelos;

139 – Destemidas -Penélope Bagieu – Não sendo, do ponto de vista gráfico, uma grande banda desenhada, é uma leitura interessante por apresentar os pontos mais importantes da vida de uma série de mulheres que arranjaram soluções originais para os problemas que se lhes deparavam, sobretudo pela sua condição de género na sociedade em que viviam.

Novidade: KM/H – Mark Millar e Duncan Fegredo

Já anda pelas bancas a mais recente aposta da G Floy na obra de Mark Millar! Neste caso trata-se de um livro bastante movimentado, em que seres humanos conseguem ultrapassar a velocidade de tudo o que é conhecido! E se quem consegue esta velocidade não tiver boas intenções? Deixo-vos a sinopse e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Roscoe é um jovem pobre de Detroit, cuja única ambição é conseguir uma vida melhor para si e para os seus amigos. Mas essa vida está prestes a mudar para sempre, depois de um negócio de droga que acaba em desastre e numa pena de prisão… onde ele irá descobrir uma pílula que confere poderes para além da imaginação, e uma oportunidade única de mudar o mundo à sua volta!

Seis drones – Novas histórias do ano 2045 – António Ladeira

Infelizmente não compareci ao lançamento na livraria Barata, nem falei com ninguém que tivesse comparecido, mas parece-me que o autor sabe bem que pode ser enquadrado no género de ficção científica e não o esconde. Refere-se ao género na sinopse, e nas referências literárias que apresenta, com Orwell, Bradbury ou Philip K. Dick.

Também não li o outro volume do mesmo autor, Os Monociclistas e outras histórias do ano 2045 (mas já o acrescentei à lista de encomendas), mas o livro pode ser lido isoladamente sem interferir na interpretação do leitor. O que encontramos são seis contos que parodiam a tecnologia e a obsessão por segurança, dois elementos que, em conjunto, possibilitam a criação de sociedades altamente seguras (ou inseguras), controladas e claustrofóbicas.

No primeiro conto, que empresta o título ao livro, Seis Drones, encontramos um homem que se vê sem drones a meio de um percurso pedonal. Nada que nos pareça muito grave excepto quando a personagem tenta perspectivar como chegar a casa sem os drones – é que sem eles facilmente é alvo de publicidade ou de controlo estatal, podendo, até levar com um míssil. A sua salvação advém de uma jovem que aceita em acompanhá-lo, coisa rara naqueles dias.

Em O Objecto os livros, como os conhecemos, desapareceram. Temos conhecimento desta realidade através de um idoso editor. Qualquer história clássica foi adaptada, não só pela difícil linguagem antiga, mas pelas referências que se tornaram irreconhecíveis. Moby Dick, por exemplo, reconhece estar errado na sua caça pela baleia, e termina os seus dias defendendo os cetáceos. As adaptações estão a cargo de uma série de trabalhadores do estado e ai de quem tente saber a versão original da história – é extremamente proibido.

Não são só os livros que se transformaram. Também o automóvel, sendo que já não é suposto saber conduzir um carro, mas sim informar a rede do destino e deixar-mo-nos conduzir. Se o nosso percurso for autorizado. Há que dar espaço aos que trabalham, sendo que quem deseja apenas passear será considerado menos prioritário. Que dizer então de quem está reformado? Usar o automóvel para passear? Em rota livre? Que ideia tão absurda.

Em A Agência o protocolo para viajar torna-se tão complexo que surgem cidades inteiras para possibilitar que o indivíduo viaje. As ameaças terroristas servem como justificação para ir aumentando o protocolo até que se termina com a criação de uma força muito especial.

Quando tudo em nosso redor responde à tecnologia, desde a abertura da porta de casa, à roupa, torna-se possível uma verdadeira guerra tecnológica – guerra esta que leva a que alguns seres humanos escapem das cidades e permaneçam em cavernas, caçando.

No último conto, A Falésia, um casal afasta-se das suas ocupações profissionais para se dedicar a perceber o mistério por detrás da janela nublada – uma janela que aparenta algum defeito que não conseguem depreender inicialmente, mas que mais tarde percebem dever-se a uma nebulosidade localizada.

Sem se afastar muito da época em que vivemos e usando possíveis desenvolvimentos tecnológicos (ou utilizações para tecnologia já existente) António Ladeira constrói uma série de pequenas distopias que castram as liberdades individuais para o bem de toda a comunidade, tendo como mote fazer com que os indivíduos não se apercebam do que estão a perder. Ou arranjando forma para que escolham, eles próprios, essa castração.

O  resultado é uma série de bons contos com pontinhas de ironia relativamente à tecnologia e à forma como a dependência total pode dar mal resultado. Mesmo que a maioria dos indivíduos que se encontrem nesta sociedade não se apercebam.

Não falta algum nonsense nem a criação de realidades imaginadas (levando-se à questão dickiana de, até que ponto é real o que nos rodeia), nem a alusão ao Fahrenheit 451 (ainda que menos quente) ou a Orwell (pelo controlo extremo das populações fazendo-as crer na preocupação pelo seu bem-estar).O resultado é de leitura leve e agradável, carecendo de sentido crítico e irónico do leitor para a sua compreensão.

Seis Drones – novas histórias do ano 2045 foi publicado pela editora Onyva.

Novidade: Mágicos de Mickey vol. 3

 

Encontra-se, nas bancas, desde dia 02 de Agosto, o terceiro volume da série Disney publicada pela Goody. Deixo-vos informação sobre o volume:

Esta é a época em que o Feiticeiro Supremo domina toda a Magia com a sua recém-construída coroa. Esse Feiticeiro, que conquistou os Diamagics no Grande Torneio, é Mickey, escudado pela sua equipa de magos Donald e Pateta. Mas uma figura negra prepara-se para manchar os planos pacíficos que a equipa dos Mágicos Mickey tinha para o Reino, criando um novo desafio que colocará em pé de guerra as várias fações.
Conseguirá Mickey, o grande Feiticeiro Supremo, manter a coroa que tanto lhe custou a conquistar? As respostas no interior desta obra que conta com o argumento de Stefano Ambrosio e a arte de Marco Palazzi, Alessandro Perina, Roberto Vian e Lorenzo Pastrovicchio.

Histórias
O TORNEIO DOS FEITICEIROS DO LADO NEGRO
A GRANDE TRAIÇÃO
O DIA SEM SOL
A FÚRIA DOS DRAGÕES
O LABIRINTO DAS CASCATAS

Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (2)

132 – O Anel dos Lowenskolds – Selma Lagerlof – Nesta história de fantasmas um anel é roubado da tumba de um nobre. Revoltado, o fantasma do nobre há-de infernizar a vida de várias pessoas até ter o que é seu por direito.

133 – O gato do rabino – Joann Sfar – Este volume duplo apresenta duas fascinantes histórias com personagens culturalmente distantes do mundo ocidental, com costumes e hábitos bastante diferentes. Se a primeira história é mais trágica, a segunda mantém o bom humor da convivência entre culturas e religiões que é feita com alguma camaradagem. Adorei o estilo ainda que as letras sejam de difícil leitura;

134 – Uma irmã – Bastien Vivès – O despertar da adolescência vem, para este rapaz, numa férias de Verão passadas com uma jovem mais velha e desinibida. Entre o roubo do álcool e as primeiras experiências sexuais, o rapaz mantém uma dinâmica estranha com a jovem, um misto de respeito por uma irmã mais velha, e a atracção física própria da idade;

135 – Tony Chu – Vol.9 -John Layman e Rob Guillory – Este nono volume centra-se mais em Poyo, explorando as suas missões por este e por outros mundos, onde encontramos situações ainda mais mirabolantes. Apesar da centralização na comida a série consegue surpreender com elementos cada vez mais imaginativos.

Prémio Ataegina 2019

Encontra-se publicado o regulamento do concurso nacional de contos de ficção científica.  Este concurso resulta da parceria entre vários organizadores de eventos e projectos em Portugal, mais especificamente, Editorial Divergência, Imaginauta e Sci-fi LX. O prémio anterior foi atribuído no último Sci-fi LX.

Deadpool – Misturada sem juízo / Guerra, Paz e Batatada – Vol. 1 e 2 Minissérie Deadpool

Os dois primeiros volumes da minissérie Deadpool cumprem a minha expectativa para esta série:  episódios mirabolantes, violentos e corrosivos, centrados numa personagem psicologicamente pouco equilibrada.

No primeiro volume, de título Misturada sem juízo, Deadpool tem um novo cliente – um jovem que procura a sua protecção para poder escapar aos múltiplos criminosos que querem a sua cabeça. As provas encontram-se num portátil que cabe, também a Deadpool, guardar. Entre longas idas à lixeira (não perguntem porquê, a sério… ) e encontros com vilões, todo este volume está carregado de reviravoltas inesperadas.

Já em Guerra, Paz e Batatada, os mercenários que trabalham para Deadpool (Heróis de Aluguer) sentem-se financeiramente enganados e pretendem acabar com os contratos que os vinculam à empresa. nem que para isso tenham de arrombar um banco. Já Deadpool anda mais preocupado com outras questões, envolvendo os Vingadores.

Os dois primeiros volumes da minissérie Deadpool apresentam duas histórias estanques e divertidas, onde se reconhece o espírito trapalhão de Deadpool, não faltando as falhas de memória, os desaparecimentos rápidos e as piadas usuais no meio dos episódios de batalha.

A minissérie Deadpool é publicada em Portugal pela Goody.

Novidade: X-men Vol.8

Encontra-se, nas bancas, desde 31 de Julho, o oitavo volume da série X-Men. De destacar que este volume possui uma história com a participação do português Filipe Andrade. Eis mais informação:

O programa Arma X foi ativado, mas desta vez o seu objetivo é criar armas de destruição massiva antimutantes. O velho Logan, o Dentes de Sabre e uma equipa de assassinos furtivos tentam por todos os meios evitar o pior.

Mas esta edição de X-Men tem mais eventos importantes para o futuro de toda a raça mutante: segue-se todo o “Império Secreto” (onde Steve Rogers e a sua H.I.D.R.A. tentam manter os mutantes confinados a Nova Titan), e Magneto decidiu finalmente soltar o seu lado mais sombrio.

Para acabar em beleza temos duas histórias do talentoso artista português Filipe Andrade, com o Velho Logan.

Conteúdo:

X-MEN: GOLD (2017) #8 – POR MARC GUGGENHEIM E KEN LASHLEY
X-MEN: BLUE (2017) #8 – POR CULLEN BUNN, CORY SMITH E JOEY VAZQUEZ
WEAPON X (2017) #1 –
POR GREG PAK E GREG LAND
ANTONISHING X-MEN (2017) #2 – POR CHARLES SOULE E MIKE DEODATO JR.
OLD MAN LOGAN (2017) #19-20 –
POR JEFF LEMIRE E FILIPE ANDRADE

 

Jogos aos Sábados: Novidades

Aproveitando o aproximar do Verão lançam-se novos jogos de tabuleiro! Para além do Sagrada pela MEBO (cujo lançamento já tinha destacado), a Devir e a Morapiaf também aproveitaram. Eis alguma informação sobre os jogos, sendo que ainda não tive oportunidade para os jogar:

Lançado em 2017, Ganges (Rajas of the Ganges, no original)  é um jogo de estratégia com mecanismos de worker placement e dice rolling e tem como cenário a Índia. Visualmente atrante, Ganges encontra-se no lugar 300 no BGG e destina-se a jogadores com mais de 12 anos.

Também bem colocado no BGG (lugar 394), Alhambra é outro dos lançamentos da Devir. Vencedor do prémio Spiel des Jahres de 2003, é já um clássico de estratégia que possui vários mecanismos: card drafting, hand management, set collection e tile placement. De aspecto mais clássico, tem como palco a cidade de Granada que em 1278 estava em construção, integrando arquitectura europeia e árabe. O objectivo do jogo será construir a cidade, havendo necessidade de pagar o seu preço que pode estar numa das quatro moedas diferentes – sim, pelo que percebi, durante o jogo é necessário gerir quatro tipos de moedas e os seus câmbios.

 

Pela Morapiaf chega Cortex challenge, um jogo de memória e reconhecimento de padrões que se destina entre 2 a 6 jogadores, a partir dos 8 anos. O jogo desafia várias capacidades: memória, cognição e percepção sensorial, havendo até cartas com texturas.

Novidade: Fantomius vol.3 / 5

O terceiro volume já anda pelas bancas há algumas semanas! Ainda só li o primeiro volume e tenho a referir que gostei bastante do maior formato, com papel de melhor qualidade e alguns extras que afastam esta mini série do formato mais banal da Disney. Eis detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

As aventuras de Fantomius estão de regresso com mais quatro histórias incríveis do famoso Ladrão Cavalheiro.
Em Silêncio na Sala vamos acompanhar o roubo da mais preciosa das esmeraldas, num cenário de requinte e glamour clássico de Pollywood. Em A Maldição do Faraó estão em jogo os achados do túmulo de Tutanquackmon, com a presença de uma múmia assustadora que tudo fará para proteger esse tesouro valioso. Este volume inclui ainda A Oitava Maravilha do Mundo, aventura que bebe inspiração no clássico King Kong que em 1933 atraiu multidões às salas de cinema. Por fim, em Fantomius na Neve, os leitores irão viajar até a uma famosa estância de esqui, próxima de Patópolis, frequentada por nobres e ricaços. Será neste local que vai decorrer o aniversário da Baronesa de Pimbalis, evento durante o qual o marido lhe vai oferecer um preciosíssimo conjunto de diamantes. Tudo isto e muito mais num volume repleto de grandes aventuras e muita diversão.

Histórias
A Máscara de Fu Man Atchu
O Tesouro de Barkserville
O Tesouro do Doge
O Nobre Atrás da Máscara

E ainda uma nova entrevista a Marco Gervasio, o criador da série que, em discurso direto, revela informações interessantes sobre as principais inspirações, ambientes e personagens que o slleitores podem encontrar nas histórias da Fantomius.

Battle Pope -Kirkman, Moore e Staples

Herege, idiota e divertido – nesta banda desenhada a influência de Deus na Terra parece ter desaparecido e os demónios sentem-se livres para andar pelo Mundo, impondo as suas vontades nos humanos. Não contam com a existência de um Papa guerreiro, treinado em artes marciais e muito pouco puro no que diz respeito a práticas.

O livro começa com o enfrentar de demónios para salvar uma donzela e depressa evolui para uma missão concedida por Deus para salvar um arcanjo. Acompanhado por um Jesus ridículo e fraco (quase cómico) o Papa (agora com maiores músculos) dirige-se ao Inferno para enfrentar tudo e todos, tendo como objectivo atingir o Paraíso!

E não se pense que o Paraíso é um local aborrecido, pois nem só os puros chegam ao céu. Outrora o anjo que guarda as portas do Paraíso aceitava favores sexuais em troca da entrada, pelo que podem-se encontrar várias pessoas interessantes no céu.

Em Battle Pope corrompem-se todas as personagens principais da Igreja Católica, desde os anjos ao Papa, passando por freiras e por Jesus Cristo, como forma de construir uma paródia movimentada e pouco profunda. Battle Pope é uma leitura inconsequente mas divertida que poderá não agradar a todos os leitores, principalmente aos que sejam religiosos.

Novidade: Guardiões da Galáxia – Vol. 3

Encontra-se nas banca, desde ontem, o terceiro volume da série Guardiões da Galáxia! Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

OS GUARDIÕES PRECISAM DE AJUDA. Os Guardiões da Galáxia têm uma das mais complexas missões da sua história… procurar e proteger as­ pedras do infinito que têm estado em local incerto. Para complicar o cenário, parte da alma de­ Gamora está aprisionada na pedra da alma e o jardineiro mostra-se como responsável pelo estado mais débil de Groot. Como se tudo isto não fosse suficientemente duro para uma equipa à beira de ­rutura, Loki aparece em cena para se aproveitar dos esforços do nosso gangue. Precisará a equipa de um novo guardião que os ajude a cumprir a missão?

Conteúdo:

ALL NEW GUARDIANS OF THE GALAXY (2017) #3, #5, #7, #9 E #11-12 — POR GERRY DUNGAN, FRAZER IRVING, CHRIS SAMNEE,
GREG SMALLWOOD, MIKE HAWTHORNE, ROLAND BOSCHI, ROD REIS

Resumo de leituras – Agosto de 2018 (1)

128/129 – Deadpool – misturada sem juízo / Guerra, paz e batatada – Os títulos resumem bastante bem o que encontramos nestes dois números de Deadpool, uma mistura de acção despardalada com tentativas de acção contra Deadpool, uma personagem inesperada e sem inibições;

130 – Calipso – Cosey – Através de um filme de culto, um homem recorda a paixoneta adolescente que teve pela jovem protagonista, ainda antes de esta ser conhecida no cinema. Alimentado por esta recordação procura-a, descobrindo-a num lar, presa a uma cadeira de rodas e com a fortuna administrada por uma personagem que julga duvidosa. Não correspondem ao meu estilo preferido de desenho, trata-se de um volume mirabolante, carregado pelo sentimento de nostalgia pela adolescência e pela juventude que já não regressa;

131 – A chave Gaudí – Esteban Martín e Andreu Carranza – Neste romance ao estilo do código Da Vinci, o autor apresenta várias teorias em torno das obras de Gaudí, fazendo-o parte de um culto religioso de boas intenções. Assassinos a soldo ou a prazer, tiros, torturas e amor – o romance cruza estes elementos para dar maior velocidade ao enredo, como forma de contralançar as componentes mais pausadas que correspondem às teorias em torno dos edifícios. O resultado tem componentes interessantes, mas a estratégia narrativa adoptada não é para mim.