À espera de … (lançamentos internacionais)

É nesta altura do ano que se começo a antecipar alguns lançamentos, imaginando estes novos livros na minha biblioteca.

Vencedora de dois prémios BSFA no mesmo ano para categorias diferentes, Aliette de Bodard tem lançado várias histórias de ficção científica e fantasia com elementos culturais diferentes do usual. De origem vietnamita e francesa, a autora fala diversas vezes sobre os elementos que encontra noutras fantasias em que se assume que os hábitos ocidentais são gerais ao restante planeta Terra (como o comer pão ao pequeno almoço) e em formas de evitar tal generalização ou de tornar os hábitos descritos lógicos ao habitat em que ocorrem. Depois do sucesso que tem feito com a trilogia iniciada com The House of Shattered Wings, a autora lança agora uma  ficção científica que parece ter detalhes orientais:

Welcome to the Scattered Pearls Belt, a collection of ring habitats and orbitals ruled by exiled human scholars and powerful families, and held together by living mindships who carry people and freight between the stars. In this fluid society, human and mindship avatars mingle in corridors and in function rooms, and physical and virtual realities overlap, the appareance of environments easily modified and adapted to interlocutors or current mood.

A transport ship discharged from military service after a traumatic injury, The Shadow’s Child now ekes out a precarious living as a brewer of mind-altering drugs for the comfort of space-travellers. Meanwhile, abrasive and eccentric scholar Long Chau wants to find a corpse for a scientific study. When Long Chau walks into her office, The Shadow’s Child expects an unpleasant but easy assignment. When the corpse turns out to have been murdered, Long Chau feels compelled to investigate, dragging The Shadow’s Child with her.

As they dig deep into the victim’s past, The Shadow’s Child realises that the investigation points to Long Chau’s own murky past… and, ultimately, to the dark and unbearable void that lies between the stars…

Catherynne M. Valente já venceu diversos prémios no área do fantástico, tendo sido publicada em Portugal uma das suas obras premiadas (A menina que circum-navegou o reino encantado num barco que ela mesma fez – infelizmente com falhas de tradução e de revisão que tornam o livro pouco legível nalgumas partes). Inicialmente conhecida pela série The Orphan’s Tales, a autora tem-se distinguido com várias outras obras e uma extensa publicação de contos. Aqui dá todo um novo sentido ao termo Space Opera:


A century ago, the Sentience Wars tore the galaxy apart and nearly ended the entire concept of intelligent space-faring life. In the aftermath, a curious tradition was invented-something to cheer up everyone who was left and bring the shattered worlds together in the spirit of peace, unity, and understanding.

Once every cycle, the civilizations gather for Galactivision – part gladiatorial contest, part beauty pageant, part concert extravaganza, and part continuation of the wars of the past. Instead of competing in orbital combat, the powerful species that survived face off in a competition of song, dance, or whatever can be physically performed in an intergalactic talent show. The stakes are high for this new game, and everyone is forced to compete.

This year, though, humankind has discovered the enormous universe. And while they expected to discover a grand drama of diplomacy, gunships, wormholes, and stoic councils of aliens, they have instead found glitter, lipstick and electric guitars. Mankind will not get to fight for its destiny – they must sing.

A one-hit-wonder band of human musicians, dancers and roadies from London – Decibel Jones and the Absolute Zeroes – have been chosen to represent Earth on the greatest stage in the galaxy. And the fate of their species lies in their ability to rock.

Paolo Bacigalupi é o autor de uma das minhas obras de ficção científica favoritas, The Windup Girl. Conhecido por publicar obras em que se expressa a preocupação ecológica, apresentou neste volume um futuro pós-apocalíptico em que a subida das águas provoca uma crise energética e de alimentação, com a extinção da grande maioria das espécies vegetais comestíveis. No seu novo livro estabelece uma parceria com Tobias S. Buckell para escrever um livro de fantasia:

From award-winning and New York Times bestselling authors Paolo Bacigalupi and Tobias Buckell comes a fantasy novel told in four parts about a land crippled by the use of magic, and a tyrant who is trying to rebuild an empire – unless the people find a way to resist.

Khaim, The Blue City, is the last remaining city in a crumbled empire that overly relied upon magic until it became toxic. It is run by a tyrant known as The Jolly Mayor and his devious right hand, the last archmage in the world. Together they try to collect all the magic for themselves so they can control the citizens of the city. But when their decadence reaches new heights and begins to destroy the environment, the people stage an uprising to stop them.

In four interrelated parts, The Tangled Lands is an evocative and epic story of resistance and heroic sacrifice in the twisted remains surrounding the last great city of Khaim. Paolo Bacigalupi and Tobias Buckell have created a fantasy for our times about a decadent and rotting empire facing environmental collapse from within – and yet hope emerges from unlikely places with women warriors and alchemical solutions.

Um momento na história acompanhado por um alienígena que deveria manter-se como mero observador da tragédia. Mas o saber do desenrolar não será capaz. Trata-se do primeiro livro de um novo autor publicado na Angry Robots, uma das principais editoras anglo-saxónicas do género.

In medieval Italy, Niccolucio, a young Florentine Carthusian monk, leads a devout life until the Black Death kills all of his brothers, leaving him alone and filled with doubt. Habidah, an anthropologist from an alien world racked by plague, is overwhelmed by the suffering. Unable to maintain her neutrality, she saves Niccolucio from the brink of death. Habidah discovers that neither her home’s plague nor her assignment on Niccolucio’s ravaged planet are as she’s been led to believe. Suddenly the pair are drawn into a worlds-spanning conspiracy to topple an empire larger than the human imagination can contain.


Depois de A Súbita Aparição de Hope Arden, a autora já publicou um romance que me parece bastante diferente (mas apetecível) The End of the day onde explora a figura da morte. 84K será o título que tem planeado para 2018, centrado num auditor criminal, responsável por garantir que os culpados por um crime pagam a dívida na totalidade à sociedade.

Theo Miller knows the value of human life – to the very last penny.
Working in the Criminal Audit Office, he assesses each crime that crosses his desk and makes sure the correct debt to society is paid in full.
But when his ex-lover is killed, it’s different. This is one death he can’t let become merely an entry on a balance sheet.
Because when the richest in the world are getting away with murder, sometimes the numbers just don’t add up.


Cory Doctorow tem escrito vários livros distópicos envolvendo a tecnologia actual e a excessiva vigilância do estado. Um dos seus livros mais conhecidos é Little Brother (publicado por cá com o mesmo título pela Editorial Presença) onde se faz uma analogia a 1984, mas nos tempos modernos e contendo como jovens as principais personagens. Por sua vez, Charles Stross é conhecido por livros de ficção científica pura e dura, com uma grande pitada de humor (como The Atrocity Archives). Este humor não é característico apenas dos livros, verificando-se, também, nas apresentações que tive oportunidade de assistir do autor. Juntos, criam este livro que, pelo título e pela premissa, parece, no mínimo engraçado:

Welcome to the fractured future, at the dusk of the twenty-first century.

Earth has a population of roughly a billion hominids. For the most part, they are happy with their lot, living in a preserve at the bottom of a gravity well. Those who are unhappy have emigrated, joining one or another of the swarming densethinker clades that fog the inner solar system with a dust of molecular machinery so thick that it obscures the sun.

The splintery metaconsciousness of the solar-system has largely sworn off its pre-post-human cousins dirtside, but its minds sometimes wander… and when that happens, it casually spams Earth’s networks with plans for cataclysmically disruptive technologies that emulsify whole industries, cultures, and spiritual systems. A sane species would ignore these get-evolved-quick schemes, but there’s always someone who’ll take a bite from the forbidden apple.

So until the overminds bore of stirring Earth’s anthill, there’s Tech Jury Service: random humans, selected arbitrarily, charged with assessing dozens of new inventions and ruling on whether to let them loose. Young Huw, a technophobic, misanthropic Welshman, has been selected for the latest jury, a task he does his best to perform despite an itchy technovirus, the apathy of the proletariat, and a couple of truly awful moments on bathroom floors.


Novidade: Doutor Estranho Realidade Paralela – Vol. 57 Colecção Graphic Novels da Marvel

Foi lançado, esta semana, o volume 57 da colecção que se centra em Doutor Estranho. Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas:

Instruído pelo Ancião nas artes da mais poderosa magia, que o tornarão no maior dos feiticeiros, o Dr. Stephen Strange dedicou a vida a ajudar os outros e a desvendar os mistérios do universo. Mas agora, o aluno terá de se tornar no mestre, quando o momento da morte do Ancião se aproxima. O espantoso poder de Sise-Neg acerca-se… Será o Dr. Estranho capaz de encontrar a força interior para superar este temível adversário?”

No início dos anos 70, Steve Englehart tinha-se tornado num dos mais populares escritores da Marvel, e num dos mais dignos representantes de uma nova geração de autores (entre muitos outros, como Jim Starlin ou Steve Gerber). Por essa altura, Roy Thomas, o editor-chefe da Casa das Ideias, estava à procura de um novo argumentista para o Dr. Estranho. Perguntou ao ilustrador Frank Brunner quem gostaria que escrevesse a série e ele sugeriu-lhe Steve Englehart. Os dois tinham-se conhecido meses antes numa festa e deram-se bem de imediato.

Brunner, um ávido fã de Carlos Castanada, H. P. Lovecraft e de todos os géneros de oculto, encontrou uma alma-gémea em Englehart. Entre os dois, a equipa de argumentista e desenhador transformou Dr. Strange num título com enorme sucesso de vendas, com um estilo místico e grandioso anteriormente visto apenas na fase de Steve Ditko. Para obterem inspiração, os dois passavam as noites acordados, a vaguear por Manhattan, em vários estados de espírito alterado. Nova Iorque tornou-se uma musa do grupo, e exploravam a cidade em toda a sua glória distorcida. Por exemplo, a lagarta falante do primeiro número de Dr. Strange (e o seu cachimbo da praxe), e a festa de chá dos heróis loucos no número seguinte, foram inspirados numa sessão tardia a que assistiram de Alice no País das Maravilhas, o filme animado da Disney.

A história deste volume começa a meio da saga que estava a ser escrita por Gardner Fox, e que já representava uma mudança no tom das aventuras do Dr. Estranho. O nosso herói combate aqui as hordas inomináveis dos agentes e servidores de Shuma-Gorath, uma primeira indicação da influência de Lovecraft na saga. Mas os leitores poderão ver que Englehart e Brunner levarão o nosso Doutour muito mais longe na via desse horror cósmico, e ao mesmo tempo, em direção a um mundo mais estranho e mesmo psicadélico. Apesar de ter durado poucos números, o trabalho da dupla neste título ainda é considerado um do melhores momentos da carreira da série Dr. Strange, e este volume é uma oportunidade de ver o trabalho de um dos melhores desenhadores que já trabalhou na Marvel.


  • Marvel Premiere #9-14
  • Doctor Strange #1-5


Jogos aos Sábados – Azul – Michael Kiesling

Jogos aos Sábados é a nova rubrica que espero poder lançar em Sábados alternados. A rubrica poderá ser sobre tipos de jogos, jogos específicos ou eventos relacionados com jogos. Alguns são destinados a adultos pela sua complexidade ou tema, outros conseguem ser adaptados para ter vários graus de complexidade e, portanto, acessíveis a uma grande variedade de idades. Há jogos para todos os gostos e que exercitam o cérebro de várias formas diferentes – jogos de memória, jogos de estratégia ou jogos que necessitam de pensamento original e associação de ideas. A cada um corresponde uma dinâmica diferente a que o jogador tem de habituar e em torno dessa dinâmica, estruturar uma estatégia.

Azul não é um jogo português mas o visual está associado aos  azulejos do Palácio Real de Évora, mandado construir por D. Manuel I depois de ter visto painéis de azulejo mouros no Palácio de Alhandra (ou assim explicam no jogo dado que ao pesquisar encontrei o uso de azulejos por ordem de D. Manuel I mas não neste palácio, apesar das óbvias influências mouricas – alguém que lá vá, há-de tentar ver os azulejos).

O objectivo deste jogo é simples – construir um painel de azulejos com os vários padrões disponíveis. A forma como se pontua e como se coloca cada azulejo é o que confere a complexidade e a necessidade de uma estratégia – pois é, aqui está um jogo que parece mais fácil estratégicamente do que é.

Não me vou debruçar sobre as regras – estas encontram-se disponíveis gratuitamente e são de fácil compreensão ( podem consultar no Boardgamegeek). Nesta componente apenas indico que adoptámos uma variante à decisão de qual o primeiro jogador na primeira ronda – segundo as regras deveria ser aquele que tenha visitado Portugal há menos tempo, mas dado estarmos em Portugal temos utilizado as opções “Quem foi o último a vistar Évora” ou “O  último a ter saído de Portugal”.

O jogo é diferente jogado a dois ou a quatro jogadores (ainda não experimentámos a três). Quando jogado a dois é possível prever as jogadas do adversário e obrigá-lo a “comer” pontos negativos. A quatro jogadores as variáveis já são tantas que a imprevisibilidade obriga a criar estratégias de curto prazo.

O jogo a dois flui em cerca de 20 minutos, mas a quatro não se alonga muito mais. Se a dois requer uma adaptação de estratégia ao adversário, a quatro quase que é um jogo solitário, com cada jogador absorto apenas no seu tabuleiro e nas peças disponíveis aquando da sua jogada. O jogo está indicado para maiores de 8 mas parece-me que, por ser um jogo abstracto, poderá não ser o mais divertido para os mais novos.

Esteticamente agradável e com peças de boa qualidade, é, neste momento, um dos mais jogados cá em casa, a dois, por cruzar os seguintes elementos: pouco tempo de preparação, tempo de jogo reduzido e, mesmo assim, possibilitar a utilização de uma estratégia definida no decorrer do jogo.


Novidade: Homem-Aranha Vol.2 Série II – Vive e deixa morrer

Chegou hoje às bancas o segundo volume da segunda série Homem-Aranha! Como já é habitual deixo-vos a sinopse, bem como um resumo de conteúdos e algumas fabulosas páginas:

A GRANDE MISSÃO DO CHACAL: O NOVO DEUS TODO PODEROSO. Na tentativa de encontrar Jerry Saltares, colaborador das Indústrias Parker que desapareceu após lhe ter sido administrado um tratamento médico inovador da New U Technologies, Peter descobre que, na verdade, aquela empresa é gerida secretamente pelo Chacal. A New U não passa de uma organização de fachada para esconder tecnologia de ponta associada à clonagem humana. O “poder” do Chacal trouxe de volta vários amigos do Homem-Aranha, mas também alguns dos seus inimigos mais perigosos… Resta saber qual será o verdadeiro objetivo do vilão (e quem se esconde atrás daquela máscara do deus Anúbis). Enquanto isso, Kaine, o primeiro clone do próprio Peter Parker, fez uma descoberta ainda mais aterradora – seja lá o que for que o Chacal tenha estado a fazer, isso já aconteceu noutras Terras por todo o Multiverso… e em todos esses mundos as pessoas que receberam o tratamento da New U transformaram-se em criaturas infecciosas designadas por Carniças, ou seja, zombies. Kaine e a Gwen Stacy da Terra-65 delinearam um plano para deter o Chacal, mas nem tudo corre como previsto. Este cenário sombrio complica-se ainda mais quando o Doutor Octopus decide agir por conta própria.


  • Amazing Spider-man (2015) #21-22 – Dan Slott, Christos Gage, Giuseppe Camuncoli, Cam Smith, Roberto Poggi e Jason Jeith;
  • The Clone conspiracy (2016) #3-4 – Dan Slott, Jum Cheung, John Dell, Cory Smith e Justion Ponsor;
  • Prowler (2016) #2-3 – Sean Ryan, Jamal Campbell e Javier Saltares


Alguns lançamentos nacionais para o ano de 2018 – parte 2

Mas não são só as pequenas editoras com a Saída de Emergência e a Editorial Presença que publicam fantasia e ficção científica no arranque de 2018 (como anunciado na parte 1).

A Relógio d’água já anunciou, para Janeiro, novo livro de Philip K. Dick, desta vez de Sonhos Eléctricos, uma antologia de contos do autor que terão inspirado uma série de ficção científica com o mesmo nome que está a ser lançada agora. Tendo lido alguns livros do autor recentemente, realço os jogos que constrói com a memória e a percepção da realidade, demonstrando que aquilo que perpecionamos é uma construção da mente. Mas não só. Vários dos contos do autor também se centram na tecnologia e na inteligência artificial, na capacidade de programação das máquinas que desempenham acções de acordo com o previsto sem capacidade de adaptação ou variação às circunstâncias.

Mais conhecido por Versículos Satânicos (que não li) surpreendi-me com um livro do autor, Dois Anos, Oito Meses e Vinte e oito noites (que é como quem diz, 1001 Noites). O que encontrei foi uma prosa fantástica que segue diversas personagens, fazendo colidir as várias linhas narrativas num romance envolvente que lança um piscar de olhos à ficção científica e aos heróis de banda desenhada.

O livro mais recente do autor é A Casa Golden, e parece ter uma premissa menos exótica, centrando-se nos Estados Unidos da América e aproveitando os eventos mais marcantes da sua história. O lançamento em Portugal está previsto pela Dom Quixote para Abril.


Shirley Jackson tornou-se uma das minhas autoras favoritas com Sempre vivemos no Castelo (publicado pela Cavalo de Ferro), mas foi The Lottery que mostrou o quão impacável a autora poderia ser. Já agora, The Lottery é uma das histórias distópicos mais brutais que tive oportunidade de ler (e não foram poucas).

A Cavalo de Ferro tem programado, para Fevereiro, o lançamento do seu livro mais conhecido, A maldição de Hill House, considerado como uma das melhores histórias de fantasmas de sempre.

Se Shirley Jackson é uma das minhas autoras favoritas, Dino Buzzati é um dos favoritos, tendo lido praticamente tudo o que foi publicado em português deste autor. Depois de O Segredo do Bosque Velho, que se encontra na minha lista de favoritos de todos os tempos, li O Deserto dos Tártaros (um dos seus livros mais conhecidos) e rapidamete tive de pegar em tudo o resto. A editora Cavalo de Ferro planeia lançar, durante o primeiro semestre de 2018, 60 contos, uma colectânea com os melhores contos do autor.

Pássaros na boca de Samantha Schweblin será re-editado pela 20|20. Trata-se de uma colectânea de contos da autora com toques de horror e de fantástico, relembrando, por vezes, contos tradicionais. O tom e a forma vai variando ao longo dos contos constituindo uma colectânea com histórias excelentes e outras que, aquando da leitura, não me interessaram tanto.

Ainda pela Cavalo de Ferro está previsto o lançamento de Prémios de Julio Córtazar. Trata-se do primeiro romance do autor que se centra nos vencedores de uma lotaria estatal (habitantes de Buenos Aires). O prémio é um cruzeiro de destino desconhecido. Logo após o início da viagem são informados de que uma doença se espalhou a bordo, pelo que devem permanece confinados numa zona do navio.


Solaris, de Stanislaw Lem, é um clássico de ficção científica com uma grande componente filosófica que se centra na memória, na experiência e na comunicação entre seres humanos e espécies não humanas. O livro será lançado em Fevereiro pela Antígona com introdução de Alberto Manguel.

Para os fãs de Tolkien será publicado Beren e Lúthien. Trata-se de uma edição da Planeta com ilustrações de Alan Lee. O conto será publicado 100 anos depois de ter sido escrito e terá tido especial significado para o autor, dado que na sua campa está gravado o nome de Beren e na da sua esposa, Lúthien.


Um dos clássicos da ficção científica, A Guerra das Salamandras terá uma nova edição em português pela Antígona, previsto para 11 de Junho. Neste clássico uma outra espécie sapiente habita a Terra, uma espécie de salamandras que acabam por ser escravizadas pelos humanos. A época de subjugação das salamandras não durará para sempre – unem-se sem diferenças ideológicas contra os seres humanos para a sua própria independência.

O projecto Hogarth Shapespeare convidou uma série de autores a re-interpretar ou a entrelaçar as histórias de Shakespeare noutras ficções. Margaret Atwood, mais conhecida pelo seu romance A História de uma Serva (recentemente adaptado para série televisiva) escolheu Tempestade para escrever este Semente de Bruxa (Hag-seed no original).

Evento: Mestre das Inks – Jorge Coelho e Daniel Henriques

No Sábado, dia 20 de Janeiro vai decorrer uma sessão de autógrafos e conversa (e venda de originais e livros autografados) com Jorge Coelho e Daniel Henriques. Ambos trabalham no mercado americano, Jorge Coelho para a Marvel, BOOM! Studios e Image Comics, e Daniel Henriques para a DC.

Para mais detalhes sobre o evento podem consultar a página oficial do evento.



Contos populares russos – Viale Moutinho


De linguagem simples, clara e directa, este Contos Populares Russos corresponde a mais uma edição do mesmo conjunto de contos onde se apresentam uma série de histórias populares, algumas com as esperadas lições de moral.

Nestas histórias podemos encontrar Baba Yaga, peixes falantes que concedem desejos, mães que cedem aos desejos de novos amantes e mandam matar as suas crianças ou reis que desejam escapar à palavra prometida impondo tarefas supostamente impossíveis.

Não esperem encontrar, sempre, uma moral reconhecível. O idiota preguiçoso que nada quer fazer pode vir a deparar-se com algum objecto mágico que lhe irá conceder desejos e assim, ultrapassar os trabalhadores honestos numa lógica moral que é mais zombaria do que lição.

Bastante diferentes, encontramos, também, histórias que se assemelham a contos de 1001 noites onde homens pobres vêm a sua honestidade recompensada ou assassinos e ladrões vêm a chegada de uma justiça irónica ao estilo do “olho por olho”.

Este pequeno conjunto de histórias que ocupam, em média, 2-3 páginas, é de leitura acessível e aconselhável, constituindo uma variação interessante aos contos populares mais conhecidos nos países ocidentais.

Novidade: Torpedo 1936 – Sánchez Abulí e Jordir Bernet

Esta é a grande novidade da Levoir para o arranque de 2018 – o lançamento da série Torpedo 1936! A série será lançada em 5 volumes e capa dura e irá incluir, também, Torpedo 1972 a cores por Eduardo Risso. A série será lançada a partir de 1 de Fevereiro!

A série retrata Nova Iorque na altura da Grande Depressão, uma época violenta onde o crime organizado se expande e centra-se num assassino a soldo e no seu companheiro.

Luna Park – Kevin Baker e Danijel Zezelj

Luna Park começa com o quotidiano de um homem enquanto cobrador de dívidas para um pequeno mafioso, Nicky D, numa zona degradada da cidade. De coração mole para um ex-soldado, passa os dias enganando a rotina ao recorrer ao álcool ou às drogas. À noite regressa a amante – uma mulher sobre a qual pouco sabe para além de que está presa pela filha a um homem poderoso.

É inevitável que a situação atinja a rotura. A relação com a amante tem poucas hipóteses de evoluir, principalmente quando descobre que, para além de cartomante, está ligada ao novo mafioso que rodeia lentamente os restantes territórios, inclusive o de Nicky D. Uma guerra é eminente. Uma guerra que lhe recorda outras e para a qual tece, como anteriormente, um plano de fuga com uma amante.

A loucura e as drogas impregnam o cérebro deste ex-soldado misturando recordações com a ficção épica de um livro e com os relatos dos seus antepassados. O resultado é uma amalgama de história de heroísmo catastrófico onde a execução de grandes planos não conta com a possibilidade de uma traição. O soldado procura obter, não só a rapariga, como o dinheiro e a glória – objectivos que ofuscam as consequências mais prováveis.

Tal como os desenhos, pouco definidos e, por vezes, nublados (sombra de rostos e de intenções que consegue expressar, mesmo com a escassez de detalhe, o ambiente) também a mente deste homem está confusa, misturando as suas próprias vivências com as de outros, numa forma de remorso e de expiação que o leva à loucura aqui representada com todo o seu peso.

Luna Park foi publicado na colecção Novela Gráfica da Levoir em parceria com o jornal Pùblico.

Supervisões – Philip E. Tetkicj e Dan Gardner

No seguimento de uma palestrada dada na Culturgest por um dos autores, Philip E. Tetlock, a Gradiva publicou o seu livro onde fala da capacidade de formar grupos de trabalho que conseguem prever, com grande % de certeza alguns acontecimentos importantes.

Ao longo destas páginas explica-se como se formou um grupo de trabalho de não especialistas que conseguiu ultrapassar a capacidade de previsão de alguns profissionais. O que tinham estes não especialistas? Não eram pessoas muito mais inteligentes do que as restantes (ainda que estivessem um pouco acima da média) mas eram, sobretudo, pessoas que se informavam e procuravam as várias variáveis e perspectivas de uma mesma questão.

A geração de grupos informais sem autoridade fixa fez com que, nalguns grupos, se criasse uma dinâmica interessante de debate de perspectivas que melhorava a previsão. Para além da discussão, várias pessoas do grupo procuravam informação sobre vertentes diferentes, fornecendo uma base maior de suporte para as hipóteses em consideração.

O autor debruça-se também, na forma como algumas pessoas são chamadas, recorrentemente, a demonstrar as suas previsões sem que sejam, na realidade, bons a fazê-las. Aqui fala-se da postura com que algumas pessoas debitam certezas infundadas, como sendo verdades inquestionáveis e que será esta forma que convence quem o ouve a procurá-lo.

Também aqui será necessário adoptar um método científico – seguir vários métodos e perceber qual funciona melhor, utilizando estatísticas e medições, identificando o que correu mal com cada previsão e o que poderia ter corrido melhor.

Supervisões não pretende formar o leitor, ainda que contenha as principais ferramentas e indicações que são usadas para formar os grupos de trabalho, bem como um resumo de método, podendo servir como ponto de partida para quem queira ser um previsor.

Supervisões foi publicado em Portugal pela Gradiva.

The Complete Phonogram – Gillen, McKelvie, Wilson e Cowles

Eis o predecessor do The Wicked + The Divine! Reunindo a mesma equipa explora os poderes que advém da música criando magos e deuses urbanos capazes de manipular o pequeno conjunto de adoradores que consegue reunir. Não só manipulam como os seus próprios poderes divinos advém deste grupo de seguidores.

Depois de uma curta aventura de um dos principais magos da música que acaba com as sombras de uma deusa mal reencarnada, é-nos apresentado um conjunto de diferentes perspectivas sobre uma mesma noite. Cruzam-se influências e poderes diferentes, mostrando-se como alguns se mantém presos nas suas capacidades enquanto seguem, como sombras as dos outros.

A maioria dos episódios são acompanhados por letras de música que se contextualizam na história e lhe conferem um pouco da sua própria força – temos alguma música pop, alguma música alternativa ou indie. Não faltam as referências obscuras a canções que dão novos sentidos à história e que aconselho a ouvir em paralelo com a leitura.

Ainda que possua todos estes elementos, não foi uma leitura que me tivesse agradado especialmente. O ambiente é soturno e as personagens são um conjunto de manipuladores egoístas que têm algum motivo para todas as acções que efectuam. As excessivas referências exteriores tornam, por vezes, a leitura lenta ou, caso não se tentem perceber, desinteressante.

Existem algumas experiências narrativas interessantes, como a percepção de um mesmo episódio por diferentes perspectivas, ou, no final, a apresentação de pequenas histórias, paralelas, centradas em personagens menores. A história tem alguns momentos que me captaram, sobretudo na forma como usa a música e as várias vertentes que a envolvem (como a dança) para gerar poder e manipulação mas, no conjunto, está longe de ser uma grande leitura.

Outras obras dos mesmos autores


The Escapists – Brian K. Vaughan, Steve Rolston, Jason Shawn Alexander, Philip Bond e Eduardo Barreto


The Escapists constitui uma sequência ao livro The Amazing Adventures of Kavalier & Klay de Michael Chabon (publicado em Portugal como As espantosas aventuras de Kavalier & Clay), o autor conhecido, também, pela história alternativa The Yiddish Policemen’s Union (publicado em Portugal como O Sindicato dos polícias iídiches), ou Gentlemen of the road.

Em As espantosas aventuras de Kavalier & Klay uma dupla de primos judeus cria um herói de banda desenhada que se torna famoso nos anos 40. Em The Escapists um rapaz descobre finalmente o que o falecido pai mantinha escondido na cave – uma extensa colecção em torno do super-hérói criado pela dupla. Na cave não encontra apenas os livros, mas também artigos, posters e o fato utilizado numa filmagem.

Fascinado pelo interesse escondido do pai, o rapaz cresce, lê e relê todos os livros disponíveis, tornando-se um fã incondicional de um herói há muito esquecido. A reviravolta ocorre quando a mãe falece deixando-lhe o avultado prémio de um seguro. O que fazer com o seguro? Comprar os direitos do super-herói e tentar montar uma pequena gráfica para produzir novas aventuras!

A história vai intercalando três estilos, ao mesmo tempo que apresenta três diferentes histórias – a do rapaz que tenta tornar-se um escritor de banda desenhada, a nova aventura do herói que vai sendo produzida, e trechos importantes da banda desenhada original. São três histórias que ecoam umas nas outras, enquanto a ficção se imiscui na realidade, e a realidade se traduz numa nova ficção. O próprio autor, Brian K. Vaughan entra neste jogo numa pequena introdução onde mistura ficção e realidade, numa excelente homenagem ao livro de Michael Chabon.

Ainda que não conheça o livro de Michael Chabon foi-me possível apreciar esta banda desenhada e a construção de Brian K. Vaughan que se traduz numa história envolvente onde não falta a paixão romântica do criador que investe tudo na sua obra, nem o peso da amizade, nem a tragicidade. Nem um vilão! O dono de uma grande empresa de produção de banda desenhada que, ao ver o trabalho dos jovens pretende os direitos de volta e usa a grande máquina empresarial para forçar a venda.

Entre o romantismo de querer concretizar um sonho como continuação da obsessão paterna, e o choque com a realidade, o grupo adapta-se e cresce, deixando para trás a inocência dos heróis que vencem contra tudo e todos. The Escapists é uma banda desenhada apaixonante que intercala as várias camadas da história, dando, a cada uma, um estilo próprio.

Outros trabalhos de Vaughan

A espada do rei Afonso – Alice Vieira

Confesso que Alice Vieira não era das minhas autoras favoritas mas eis um livro que sempre me intrigou e sobre o qual ouvi falar maravilhas. Comparado à série juvenil Viagens no Tempo de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (que muito apreciava), A espada do rei Afonso apresenta três irmãos que, sem saberem bem como, vão parar à cidade de Lisboa recém conquistada pelo, ainda não rei, Afonso.

Os seus modos, vestimentas e forma de falar rapidamente os denunciam como sendo estrangeiros, mas, depois de se certificar que não se tratam de espiões, o bobo da corte leva-os a assistir ao discurso do Rei. Tratando-se de crianças são acolhidos por um dos nobres mais importantes e tornam-se amigos da rapariga de que ele toma conta.

A história é inverosímil. Para além da viagem de teor fantástico, a aparente familiaridade com que se dirigem a todos e têm acesso a personalidades importantes como o futuro Rei D. Afonso Henriques torna a história pouco credível – algo que como adulta percebo – mas ainda assim com alguma piada pelo espírito pouco submisso dos três irmãos que apresentam características bastante diferentes e se dirigem a todos com aquele tom castiço de quem pouco teme.

O ponto alto estará na forma como estas personalidades pouco domáveis se envolvem com os restantes, que é aproveitada para entrelaçar factos importantes da História de Portugal, tornando-se assim numa forma fácil de fazer com que os leitores percepcionem alguns dos acontecimentos que levaram à fundação de Portugal – o aval do Papa que tarda em chegar para reconhecer D. Afonso Henriques como rei, os mouros que se vêm combatidos sem dó nem piedade usando-se como desculpa a diferente religião, ou as batalhas mais decisivas e os elementos que contribuíram para o seu desfecho.

Com vocabulário fácil e narrativa de leitura escorregadia, A Espada do Rei Afonso é uma narrativa divertida que sabe desenvolver uma boa dinâmica entre as personagens principais e utilizá-la para explorar factos históricos.

A Espada do Rei Afonso foi publicado pela Caminho.

Plutona – Jeff Lemire, Lenox, Bellaire

Eis um livro de super-heróis que se centra muito pouco nos super-heróis, mas antes num grupo de 5 jovens que descobre o corpo de uma heroína na floresta, Plutona. O grupo pouco coeso composto por duas raparigas, o irmão de uma delas, um arruaceiro e um geek  promete guardar segredo como forma de proteger a cidade dos vilões que, ao descobrirem a morte de Plutona, poderiam programar grandes ataques.

A partir daqui explora-se a dinâmica do grupo. Uma das raparigas está apaixonada pelo arruaceiro e por isso deixa que este maltrate a amiga com excesso de peso, num misto de indiferença e traição da amizade. Por sua vez, o arruaceiro apresenta a rebeldia típica daqueles que estão à guarda de um pai bêbado e desinteressado, sendo a sua frieza a lidar com os outros uma forma de se proteger. Simultaneamente, o geek está obcecado pelo corpo da heroína e acredita que poderá adquirir os seus poderes se usar o sangue de Plutona, convencendo o mais jovem dos cinco a guardar segredo e a acompanhá-lo ao bosque.

Nada é tão simples quanto poderia ser e o corpo de Plutona é apenas uma justificação adicional para a interacção dos cinco jovens – um segredo partilhado que facilita a cumplicidade mas que irá, também, quebrar longos laços de amizade. Cada jovem tem as suas próprias razões para agir em segredo e utiliza o encontrar do corpo como catalisador dos seus próprios planos.

Com uma premissa que não é totalmente original e explorando a complexidade da adolescência, Plutona consegue apresentar personagens com dimensão própria com as quais é possível sentir empatia. A história vai explorando, ligeiramente, o contexto familiar de cada jovem e assim permitir dar-lhes peso e importância para além do estereotipo fácil. Não é uma leitura fabulosa, mas é envolvente e consegue entregar uma ou duas surpresas narrativas que fazem a história valer a pena.

Novidade: Marvel Especial N.º 4 – Deadpool – Os erros pagam-se caros

A partir de amanhã estará nas bancas o quarto número da série Marvel Especial lançada pela Goody. Este número tem como herói Deadpool, um dos super-heróis mais inconstantes e estranhos do mundo Marvel. Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas:

As novas aventuras do Mercenário Desbocado vão deixar qualquer um com a cabeça a andar à roda. Todos sabemos que o Deadpool não tem grande memória, mas os erros pagam-se caro, sobretudo quando o nosso protagonista está a passar por uma grave crise maníaco-depressiva. A coisa não vai correr bem e, para completar o ramalhete, podem também contar com as melhores histórias de embalar dos Mercenários de Aluguer. Mas este volume esconde ainda muitas outras surpresas. É verdade que o nosso depravado malcheiroso é um dos heróis mais populares do planeta e arredores, mas será que alguém sabia da existência de um Deadpool mexicano? Adora beber tequila e tem uma banda de mariachis? Não é bem assim, os autores tiveram um pouco mais de imaginação, mas este novo vigilante – Masacre é o seu nome – promete virar tudo do avesso! Não menos espetacular é o Deadpool do ano 2099. Preparem-se para conhecer a versão sci-fi do nosso amiguinho… uma versão que inclui maminhas! Uma Deadpool? Quem será ela?





O Último reino – Bernard Cornwell

Há algum tempo que não lia nada de Bernard Cornwell. Bem, pelas minhas contas, há 12 anos, pelo comentário que fiz no, agora menos movimentado, fórum Bad Books Don’t Exist. Na época li quase tudo o que tinha sido publicado do autor (menos a série Sharpe que não me pareceu tão interessante) e este, por ainda não estar lançada toda a série. Eis que retorno, no seguimento de me terem oferecido a trilogia pelo Natal.

O que encontrei foi mais ou menos o que me recordava. Bernard Cornwell consegue remeter-nos para a época, sem mostrar embelezamentos românticos (esqueçam a frequência de banhos e os bons odores, os cavaleiros daquela época eram essencialmente, feios, porcos e maus), com carnificinas frequentes e dando especial ênfase à componente estratégica, tanto bélica como política.

A personagem principal é um senhor, Uhtred, que, em criança, vê o pai ser morto num escudo contra os vikings. Guerreiros destemidos e provenientes de uma terra mais pobre, os vikings rapidamente conquistam território atrás de território, avançando com rapidez e impondo-se pelo medo. Uhtred é dos poucos que tenta fazer frente a um Chefe Viking que, vendo apenas uma criança com uma arma precária, percebe que o poderá tornar um guerreiro e adopta-o.

Pagãos, adoradores dos vários deuses que compõem a sua mitologia, num género de religião que impõe vários elementos de superstição, os Vikings sentem como fraqueza a religião cristã que atribui a culpa pelos bons momentos (seja o envolvimento com mulheres, sejam os banquetes repletos de iguarias e bebidas) e zombam principalmente dos seus padres, homens feitos que não pegam em armas e falam em milagres que ninguém vê.

Adoptado por um dos principais chefes Vikings mas pertencente à nobreza de Inglaterra, Uhtred encontra-se numa situação privilegiada, o que não escapa a alguns dos jovens que com ele crescem e se decidem a torná-lo inimigo. Felizmente Uhtred é amigo do filho do chefe, um rapaz de saúde fraca, que o acompanha em todos os momentos. Ao longo desta infância marcada pelos Vikings Uhtred forma-se um formidável guerreiro que vai estar dividido entre os dois lados desta violenta guerra.

Centrado numa única personagem que já sabe o desenlace desta parte da sua história e que, por vezes, dá palpites para o que se seguirá, expressando saudade e nostalgia, O Último Reino centra-se na perspectiva Viking, sem esquecer os acontecimentos saxões e a estratégia que montavam para repudiar a invasão. Pelo caminho alguns homens mudam constantemente de lado, tentando sobreviver e enriquecer, ao mesmo tempo que condenam familiares à morte para garantirem a herança pela sua descendência.

Movimentado e sem perspectivas românticas (excepto aquelas conferidas pela personagem em tom de nostalgia) O Último Reino é um relato em primeira pessoa que se preocupa em caracterizar ambos os lados e em analisar as estratégias tomadas por ambos os exércitos nas várias batalhas que apresenta.

A série foi adaptada para série televisiva com o mesmo título (O último reino) pela BBC. O último reino foi publicado em Portugal pela Saída de Emergência.

Outros livros do autor

Alguns lançamentos nacionais para o ano de 2018 – parte 1

Algumas editoras começaram já a indicar o que podemos esperar em 2018 – e tenho a dizer que não há carteira que resista!

Editorial Divergência

Nuno Ferreira publica agora a sua trilogia fantástica pela Editorial Divergência o que será uma boa oportunidade para quem, como eu, se recusa a ler obras publicadas em vanities. Esta nova edição está prevista para Abril de 2018 e promete ser um grande lançamento no fantástica português.

A editora indica também a publicação de livros de contos por António de Macedo e de João Barreiros, em que cada uma das colectâneas terá contos inéditos! A colectânea de António de Macedo está prevista para Maio de 2018 e a de João Barreiros para Setembro de 2018.

As novidades não se ficam por aqui, com Avatar de Frederico Duarte para Outubro de 2018 e com várias antologias: Steampunk para Julho (com participação de autores de várias nacionalidades), O resto é paisagem (fantasia rural) para Novembro, Na Imensidão do Universo (Space Opera) para Dezembro.

Parece um extenso programa? A Editorial Divergência tem, ainda, em curso um concurso de contos de ficção especulativa (em parceria com a Imaginauta e o Sci-fi LX) bem como a primeira edição do Prémio António de Macedo.


Está a decorrer o período de submissões para Amanhãs que cantam, uma antologia distópica organizada em parceria com a Associação Épica. Para além deste projecto em curso a Imaginauta já anunciou o lançamento de Crazy Equóides de João Barreiros e de Comandante Serralves: Expansão.

Saída de Emergência

A editora já anunciou o plano para o primeiro Semestre do ano e deste plano destaco o que mais interessou (ou que já li e aconselho):

Estou a seguir a série em inglês apenas porque já tinha começado a ler antes de ter sido publicada por cá – trata-se de um grande lançamento. Monstress é, na minha opinião uma das melhores séries actuais da Image, com um traço exótico e uma história apoiada por uma boa mitologia. Neste segundo volume, Maika, a personagem principal descobre algo mais sobre a mãe, revelações que são tanto perigosas como fascinantes. A série foi nomeada para vários prémios Eisner e venceu um prémio Hugo.

Opinião ao segundo volume de Monstress.

Quem teme a morte, ou Who Fears Death (no original) apresenta um mundo inóspito carregado de violência, um mundo pós-apocalíptico onde restam alguns pedaços de tecnologia funcional marcado pelo ódio entre dois povos. A história decorre em África contendo alguns elementos culturais relativos à região e centrando-se numa jovem personagem que se revela muito poderosa.

A história possui algumas reviravoltas fortes, mas um dos motivos para ter sido tão aclamada foi não se centrar no típico herói, homem caucasiano, utilizando o diferente contexto cultural para trazer uma história poderosa e carregada de elementos originais.

Quem teme a morte venceu um prémio World Fantasy Award, bem como um Carl Brando Kindred Award e encontra-se em adaptação para série televisiva pela HBO com George R. R. Martin como produtor executivo.

Opinião a Who Fears Death.

Este ainda não li mas, infelizmente, já tinha encomendado a versão inglesa. O Poder (ou The Power). Foi difícil seguir qualquer jornal ou blogue de opinião anglo-saxónica e não perceber a importância deste lançamento. Vencedor do prémio Baileys Women’s Prixe for Fiction, e em adaptação para série televisiva, trata-se de uma história distópica onde as mulheres ganham a capacidade de descarregar choques eléctricos pelos dedos, tornando o género feminino no género dominante.

Fahrenheit 451 é uma das distopias mais conhecidas e marcantes da ficção científica que decorre num futuro onde os bombeiros, ao contrário de apagarem fogos, queimam livros, como forma de censura. Tão grave quanto a queima de livros é o geral desinteresse nos livros, um dos focos principais do livro. Mais tarde o próprio autor iria falar da premissa como estando relacionada com o desinteresse pelos livros que a comunicação instiga. Vencedor de inúmeros prémios, e adaptado para diversos formatos (programa de rádio, filme, teatro, jogo de computador) é uma das obras mais relevantes de Ray Bradbury.

Guerra Americana é o primeiro livro de Omar El Akkad, um autor egípcio que, antes de escrever este seu primeiro livro, se formou como informático e trabalhou como jornalista na guerra do Afeganistão, Guantanamo (acompanhando os processos judiciais), Primavera Árabe no Egipto, ou nos Estados Unidos no seguimento de Black Live Matter.

Esta componente do currículo torna-se importante para perceber o relacionamento com este primeiro livro que retrata um futuro onde, no seguimento de fortes alterações climáticas, eclode uma Guerra (2074) que dá origem a profundas separações no país. A história é apresentada após esta guerra e consequentes separações, intercalando a narrativa centrada numa personagem com documentos que terão sido encontrados posteriormente.

A história tem sido muito bem aclamada pelos críticos e parece-me bastante interessante, tanto pelo tema, como pelo trabalho anterior do autor.

A opinião sobre Um Estranho numa terra estranha não é unânime entre os fãs de ficção científica. Há quem o refira como um clássico importante no género, há quem lhe tenha um profundo asco. Se a obra de Robert E. Heinlein consegue ser controversa, diria que este está no topo da dualidade, apresentando um ser humano que foi criado em Marte, entre marcianos.

Educado numa sociedade com valores bastante diferentes, onde a partilha de água é um gesto importante, este homem revolucionará o estar religioso e social dos seus seguidores, numa espécie de Messias futuro de onde se podem estabelecer paralelismos interessantes.

No mesmo mês em que é lançada a adaptação cinematográfica do primeiro volume, é lançado o terceiro volume em português. Trata-se de uma trilogia de ficção científica ecológica por Jeff Vandermeer, conceituado no género tanto pela actividade como escritor, como editor. Ainda não li este volume, mas diz-se que, após um segundo volume mais pausado este volta à acção, com uma grande revelação final.

Editorial Presença

A editora ainda não anunciou grandes novidades, mas está a lançar um dos livros de fantasia que mais interesse me despertou recentemente – trata-se de mais um livro que decorre na fabulosa trilogia de Mundos paralelos, uma trilogia destinada a um público mais juvenil mas que consegue não ser condescendente e conter alguns elementos de ficção científica entrelaçados.

Alguns anos após a leitura da trilogia ainda continuo a pensar nela como sendo das melhores no seu género e uma leitura altamente recomendável. De realçar que, com este lançamento a editora re-lançou a trilogia original, que já escasseava nas bancas.

Malcolm Polstead tem onze anos. Os pais gerem A Truta, uma estalagem muito frequentada nas margens do rio Tamisa, perto de Oxford. Malcolm é muito atento a tudo o que o rodeia, mas sem chamar a atenção dos outros. Talvez por isso, fosse inevitável vir a tornar-se num espião. É na estalagem que ele, juntamente com o seu génio Asta, descobre uma intrigante mensagem secreta sobre uma substância perigosa chamada Pó. Quando o espião, a quem a mensagem era dirigida, lhe pede que preste redobrada atenção ao que por ali se passa, o rapaz começa a ver suspeitos em todo o lado: o explorador Lorde Asriel; os agentes do Magisterium; Coram, o cigano; a bela mulher cujo génio é um macaco malicioso… Todos querem descobrir o paradeiro de Lyra, uma menina, ainda bebé, que parece atrair toda a gente como se fosse um íman. Malcolm está disposto a enfrentar todos os perigos para a encontrar…

Opinião ao segundo volume – A torre dos anjos

Opinião ao terceiro volume – O telescópio de âmbar

Fun Home – Alison Bechdel

Em Fun Home exploram-se as relações familiares, a família e a afirmação de identidade. Trata-se de uma obra autobiográfica em que a autora explora o relacionamento com o pai, sendo que os restantes membros da família adoptam existências sombrias, percepcionados raramente ou quase como móveis.

O pai geria uma agência funerária, actividade que acaba por se estabelecer como secundária por falta de lucro, em detrimento do trabalho como professor de inglês. Em casa, de construção neogótica, o pai assume a intensa actividade decorativa procurando reproduzir uma casa perfeita. Aliás, a aparência de perfeição parece a sua obsessão e não se fica pela casa, tentando fazer com que Alison seja o mais feminina possível, apesar dos seus gostos mais voltados para o básico e prático.

É só quando Alison cresce e se assume como lésbica que saberá, pela mãe, dos casos que o pai teria tido com outros homens, casos que por pouco não fizeram resvalar toda a família num processo judicial pesado, sobre o qual, enquanto criança pouco se apercebeu. Lentamente as recordações voltam fazendo percepcionar, de forma diferente, alguns momentos passados com o pai.

Mas pouco tempo depois o pai morre (ou suicida-se – é uma hipótese suspensa na cabeça de todos) e Alison não chega a estabelecer, com o pai, o laço efectivo que sempre desejou. Ficam os livros em comum, os momentos de compreensão (e incompreensão) e algumas interpretações possíveis da história que nunca há-de saber totalmente.

Em Fun Home entra-se no quotidiano de uma família peculiar pelas recordações de criança da autora que, só com algumas revelações, percebeu o quão peculiar era a família (e a sua infância onde ocorreram viagens à Europa, onde os pais teriam vivido). Mais mais do que o quotidiano de uma família, durante o desenrolar das memórias a autora tenta eternamente estabelecer um contacto mais próximo com um pai, um suposto entendimento e reconciliar com o seu peculiar feitio, como forma de ultrapassar a sua morte.

Fun home foi publicado em Portugal pela Contraponto.

Fun Home - www.wook.pt

Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Eis um conjunto de histórias que gostei mas, tratando-se de Neil Gaiman, do qual esperava mais. Neil Gaiman é famoso por conseguir dar personalidade própria às suas personagens e fazer-nos sentir empatia por elas. E ainda que tal aconteça nalgumas destas pequenas histórias, senti-as demasiado simples e lineares, vazias de detalhes que poderiam conferir um maior envolvimento do leitor.

Neste conjunto Neil Gaiman expõe os mitos principais que envolvem Odin, Thor ou Loki, desde o início da humanidade, passando pelo desenvolvimento do seu paraíso e terminando com as profecias do fim do mundo que fazem parte da mitologia nórdica.

Pelo caminho encontramos os enredos que caracterizam Loki como trapaceiro e manhoso, um Deus sempre envolvido em confusões em que, mesmo quando tem boas intenções, acaba por causar mais mal do que bem; ou Thor como um guerreiro forte que resolve quase tudo recorrendo ao seu martelo de cabo tão curto que só pode ser usado por uma das mãos, enquanto as mulheres são secundárias (mantendo as versões originais), utilizadas como moeda de troca para resolver alguma contenda ou utilizadas como forma de picardia entre os Deuses.

Para além dos Deuses existem outras espécies poderosas em magia e capacidades que se encontram noutros reinos. São quase todas vistas negativamente ou com normas (ou falta delas) que as fazem parecer primitivas e violentas. Mas enfim, na sua maioria os Deuses nórdicos não são muito melhores (ou quaisquer outros Deuses de outras mitologias). São frequentes as vinganças ou os planos para enganar elementos das outras espécies, consideradas moralmente inferiores.

Em suma, Mitologia Nórdica é um curto conjunto de histórias mitológicas, onde Neil Gaiman parte dos mitos originais que tanto o fascinaram, para apresentar os Deuses nórdicos como personagens em episódios de valor moral questionável onde a demonstração de esperteza, com interpretações dúbias de pactos, são bastante comuns.

Mitologia Nórdica foi publicado pela Editorial Presença.

Metabarons Genesis: Castaka – Alejandro Jodorowsky e Das Pastoras

Nem todos os antepassados do Metabarão foram grandes guerreiros Castaka. Neste volume conta-se como os Castaka foram cruzados com uma tribo de piratas que aniquilou a totalidade da semente masculina dos Castaka, deixando, apenas um bebé, Dayal, resultado da mistura de ambos os povos.

A mãe de Dayal, a rainha Castaka terá sido raptada e violada por um chefe pirata. Por vingança os Castaka atacam e são assim contaminados com um poderoso produto que os torna estéreis. Dayal é o fruto desse cruzamento.

Os Castaka, sem outras possibilidades para se poderem perpetuar usam o jovem para fertilizar as jovens até à idade adulta, altura em que o Rei revelou a sua repulsa pelo jovem mestiço e o exilou. Treinado como um grande guerreiro e encurralado, irá juntar-se à filha do homem que o educou para formar a sua família.

A repulsa do Rei por Dayal continua a crescer e chega o dia em que decide aniquilá-lo e à família. Sabendo de antemão, estes escondem-se num esconderijo estanque do território de caça. Simultaneamente, o Rei Castaka hostiliza uma civilização de tecnologia bastante avançada que decide destruir o planeta. Como resultado salva-se apenas o componente estanque onde se encontra Dayal e a restante família. A partir daqui segue-se a história de como esta pequena família enriquece e acede a tecnologia bastante avançada, lançando assim as sementes para o Metabarão que já conhecemos.

Esta história possui os elementos clássicos da restante saga Metabarão, com lutas honradas e desonradas, carregadas de sangue e pedaços de corpos, onde não falta a nudez e a sexualidade em bruto, mais como forma de perpetuar uma herança do que como forma de prazer. Os guerreiros que a família enfrenta são impiedosos e convencidos das suas capacidades, não esperando que as jovens sejam capazes de grandes feitos.

Outros volumes dos autores