Novidade: Nova Colecção Batman 80 anos – Detalhes colecção e primeiro volume

No seguimento dos 80 anos do super herói Batman, a Levoir publica, em parceria com o jornal Público, uma nova colecção! Abaixo encontram mais detalhes sobre o conteúdo da colecção, como informação do primeiro volume que será lançado já no dia 21 de Fevereiro:

1.- Jogo Final – Scott Snyder e Greg Capullo (21 de fevereiro)
2.- Peso Pesado – Scott Snyder e Greg Capullo (28 de fevereiro)
3.- Bloom -Scott Snyder e Greg Capullo (7 de março)
4.- Gothtópia – John Layman e Jason Fabok (14 de março)
5.- Noel: Um Conto de Natal – Lee Bermejo (21 de março)
6.- Ícaro – Francis Manapul e Brian Buccellato (28 de março)
7.- Black & White: Os melhores contos noir – Richard Corben, Matt Wagner, Katshuiro Otomo (4 de abril)
8.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 1– Frank Miller (11 de abril)
9.- O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar parte 2 – Frank Miller (18 de abril)
10.- Antologia Batman: 80 Anos de Aventuras – Tom King, Paul Dini, Len Wayne, Neal Adams (25 de abril)

 

Scott Snyder e Greg Capullo são dois dos nomes mais falados da DC Comics desde o início dos Novos 52. Snyder iniciou a sua carreira como escritor de terror, mas daí até se tornar um dos maiores escritores dos comics americanos deste século, foi um instante. Na sua etapa com o Batman, Snyder conta com a arte de Greg Capullo, desenhador, cuja carreira está sobretudo associada à sua colaboração com Todd McFarlane na série Spawn, durante perto de vinte anos. Capullo revelou-se um dos melhores desenhadores do Batman deste século, adaptando o seu estilo às necessidades da personagem e influenciando a própria narração de SnyderEm Jogo Final, o Joker está de volta, mas desta vez o maior inimigo do Batman não está a rir. No encontro anterior, o Cavaleiro das Trevas não esteve à altura dos planos do Príncipe Palhaço do Crime, e agora o vilão não está para brincadeiras. Os jogos acabaram. Todas as cartas estão na mesa. E no confronto mais intenso já visto entre eles, nada mais será sagrado para o Joker… a família do Homem-Morcego, os seus amigos e aliados, a sua casa. Ninguém está a salvo. Batman e Joker enfrentam-se, cada um deles representando uma força primordial da natureza: a Justiça contra o Caos. O Bem contra o Mal. O sombrio contra a gargalhada. Mas ambos são eternos.Este é um comic aterrador que marcou uma época dourada para o personagem. Joker é possivelmente o melhor vilão que existiu em toda a história, não só dos comics, mas também da literatura universal.

 

 

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (2)

13 – Y: O Último Homem – Vol. 7 – Bonecas de Papel – Yorick chega finalmente à Austrália e descobre pistas da sua namorada – mas esta há muito que deixou o continente e foi para Paris. Paralelamente, uma jornalista tenta divulgar a existência de Yorick e não olha a fins para o fazer;

14 – Injection – Vol.3 – Ellis, Shalvey e Bellaire – Um local histórico torna-se o cenário de um horrendo crime revelando-se, também, um local de grandes forças sobrenaturais. Se, no volume anterior, se tinha investido na lógica para perceber a IA, neste volume seguem-se caminhos menos óbvios mas mais macabros;

15 – Jessica Jones – Vol.1 – Sem Limites – Bendis, Gaydos e Hollingsworth – A heroína sai da prisão e é envolvida por uma organização que pretende acabar com os super heróis – precisando, para tal, de Jessica para conhecer os seus segredos;

16 – Y: O Último Homem – Vol. 8 – Dragões de Kimono – Neste oitavo volume a busca pelo macaco capuchinho de Yorick leva-os ao Japão, onde encontram uma máfia conduzida por uma cantora pop americana!

Injection Vol. 2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire

Após uma rápida introdução das várias linhas narrativas e das várias personagens do primeiro volume, este segundo apresenta-se mais coeso, seguindo quase sempre uma única linha em torno do detective Vivek Headland, mas, ainda assim, conseguindo avançar com alguns elementos das restantes personagens.

Neste volume o detective é confrontado com um caso mais estranho do que lhe é usual – o de um homem que se diz visitado pelo fantasma da amante, pelo menos até há poucos dias, e que acha que esta ausência do fantasma estará relacionado com o roubo de uma foto. O homem está pouco preocupado ou pesaroso com a morte do filho, pensando apenas na ausência da amante. Se este facto é estranho por si só, durante a reunião com o homem, o detective descobre que o presunto que está na sua sandes não é de porco, mas de humano.

Este curto encontro irá ser o ponto de partida para todo o volume que alterna entre episódios de acção e momentos de raciocínio que explicam um pouco mais sobre o que se passa na realidade retratada – uma inteligência artificial foi libertada. E se se trata de uma inteligência artificial porque pensaria ou valorizaria um ser humano? Capaz de distorcer a realidade e de interagir com humanos, a inteligência artificial confere elementos sobrenaturais e fantásticos à narrativa – e extrema tecnologia a parecer magia aos olhos humanos, ou algo mais?

Injection mistura misticismo com tecnologia produzindo uma inteligência artificial que é, à percepção humana, alienígena. Esta inteligência aprende e desenvolve-se sem uma moral que possamos reconhecer, manipulando os seres humanos e a realidade que os rodeia. Este cruzamento de elementos sobrenaturais e místicos com a tecnologia resulta em cenários fantasticamente horrendos (explorados mais no primeiro volume) que conferem uma aura estranha e fascinante à história.

Em termos narrativos este volume centra-se mais na investigação mas fornece, ocasionalmente, cenas passadas de algumas personagens, mostrando as suas motivações e desejos – percebemos a origem do relacionamento de algumas e justifica-se a forma como se relacionam. Mais pausado que o primeiro volume, este segundo é mais coeso mas, simultaneamente, mais inquietante.

Esta é, sem dúvida, uma série para continuar a ler, apesar do espaçamento com que os volumes são lançados.

Resumo de Leituras: Fevereiro de 2018 (1)

 

9 – Ms. Marvel – Vol. 2 – G. Wollow Vwilson e Adrian Alphona – Neste segundo volume de Ms. Marvel a heroína continua a distinguir-se pela sua diferente ascendência e pelas batalhas que escolhe, reparando no desaparecimento de elementos da sociedade que ninguém se preocupa em investigar. Com elementos divertidos e leves, é uma banda desenhada interessante, com alguma acção;

10 – Circe – Madeline Miller – A autora pega em Circe e romantiza a vida desta divindade, tornando-a numa personagem com dimensão, em que os elementos que a caracterizam são justificados, dando noção de coerência entre os vários mitos em que aparece;

11 – Injection Vol.2 – Warren Ellis, Sharlvey e Bellaire – O segundo volume centra-se na investigação de duas mortes para apresentar uma outra perspectiva sobre a peculiar Inteligência Artificial que tem uma forma própria de aprender e de manipular os seres humanos. A história possui detalhes grotescos (como seria de esperar de Warren Ellis), de horror fantástico e de ficção científica, numa mistura inquietante;

12 – Os crimes dos viúvos negros – Isaac Asimov – O famoso autor de ficção científica escreveu, também, algumas histórias no género de crime. Neste volume reúnem-se aquelas que decorrem com os Viúvos Negros, um clube de homens que não permite, nos seus serões, mulheres. Cada membro vai organizando um serão diferente, podendo convidar alguém que possa suscitar interesse – mas ao longo dos serões aqui relatados os convidados apresentam crimes para os quais não tinham solução, mas que o empregado de mesa do clube resolve com astúcia e humildade após o questionamento dos membros do clube.

Novidade: Y – O Último Homem – Vol.7

A Levoir continua, em parceria com o jornal Público, a publicação da série Y – O último homem, com o lançamento dos volumes sete e oito, nos dias 07 e 14 de Fevereiro! Deixo-vos já os detalhes do sétimo volume:

Em “Bonecas de Papel”, título do 7º volume da colecção, o jovem Brown chega finalmente à Austrália, país onde a sua namorada Beth, está perdida desde a praga que matou todos os homens há mais de três anos. Mas esta partiu para Paris à procura dele.

Yorick, a Agente 355 e a bioquímica Allison Mann continuam à procura de Ampersand – o outro mamífero do sexo masculino sobrevivente e peça-chave para uma possível cura para a praga. O macaco foi sequestrado por uma misteriosa ninja e o seu rasto vai até o Japão.

A repórter de um jornal sensacionalista investiga sobre a sobrevivência de algum homem à praga. Até agora, tudo se resume a uma grande colecção de boatos, até que ela consegue descobrir Yorick obrigando-o a despir-se e fazendo-lhe fotos que publica. Temendo que a divulgação dessa notícia atraia a atenção e gere muitos conflitos e problemas, a agente 355 caça a repórter, procurando destruir a fotografia custe o que custar.

Mais uma vez Brian K. Vaughan põe o leitor a questionar-se. Qual é a extensão do poder da imprensa? Quais os reais interesses por trás da publicação de uma notícia? A verdade deve sempre vir a público ou há situações em que é melhor manter o sigilo? A necessidade justifica a censura?

A história não propõe nenhuma resposta, apenas inspira as perguntas. E a resolução para o problema das fotos de Yorick é tão simples quanto surpreendente.

O nível constante de qualidade dos textos e desenhos fazem de Y – O Último Homem uma das melhores séries publicadas tendo ganho 3 Prémios Eisner.

 

Monstress vol.3 – Marjorie Liu e Sana Takeda

Desde o primeiro volume desta série que nos habituámos a uma elevada qualidade gráfica – qualidade esta que se tem mantido e que nos remete para um mundo fantástico onde deuses antigos moldaram a existência de uma série de raças inteligentes, uma delas denominada por Arcânicos, seres humanóides com características mais ou menos evidentes de outros animais, que são perseguidos pelos humanos pelos seus poderes mágicos.

Maika é uma arcánica, mas uma arcánica pouco usual. Unida a um deus antigo, é lentamente consumida quando usa os poderes do deus, um monstro esfomeado que então ocupa o seu corpo e devora todos os que apanhar para repor energia. Para além do monstro que a devora, Maika descende de uma linhagem peculiar de quem pouco se sabe inicialmente, mas sobre a qual se vão descobrindo detalhes inquietantes ao longo da história.

Após a exploração de uma ilha carregada de más surpresas e poderes obscuros, Maika e os amigos têm agora de fugir de quem os pretende prender e usar – mas conseguem exílio numa cidade que reserva, também, alguns segredos poderosos. Enquanto Maika é chamada a ajudar na manutenção do escudo da cidade, uma das suas pequenas amigas descobre refugiados que são como ela e decide, também ela, ajudar – mas é demasiado inocente e acaba por cair em enredos que não compreende totalmente.

Se os volumes anteriores apresentam a fuga das personagens principais por terra e mar, evitando confrontos, neste volume tal torna-se inevitável, resultando em lutas violentas e esmagadoras. Os deuses mantém parte dos seus grandes poderes e soltam-nos sem dó nem piedade por aqueles que podem atingir.

É, também neste volume, que descobrimos que algumas das personagens têm uma agenda muito própria, como agentes de diferentes facções com interesses distintos. Estas personagens reportam a poderes diferentes mas terão de escolher entre a amizade e a sua verdadeira identidade – se algumas o fazem abertamente, com jogos duplos e conversas subtis convidando à desconfiança, outras revelam-se de forma surpreendente.

Até este volume a história tem vindo a ganhar tensão – a maioria dos diálogos são indirectos e subtis, mostrando existirem vontades obscuras e pensamentos não revelados. Ainda que algumas das interacções assim se mantenham (deixando nas entrelinhas ameaças, consequências ou interesses) alguma desta tensão é descarregada em grandes episódios de luta divina.

Monstress continua a ser uma série visualmente arrebatadora, distinguindo-se pelos elementos asiáticos que conferem, às personagens, algumas características de Anime. Os deuses são verdadeiramente alienígenas e incompreensíveis, os poderes são simultaneamente fantásticos e horrorosos e a inocência convive com o horror da guerra e da morte por racismo.

Se, no primeiro volume, a história permitia tecer paralelismos com perseguição de humanos pela sua cor ou origem (ao apresentar séries sapientes e sensíveis que são desconsideradas como se fossem animais), neste volume toca-se levemente no tema dos refugiados.

A série tem sido publicada em Portugal pela Saída de Emergência e este terceiro volume encontra-se agendado para dia 08 de Fevereiro.

Novidade: A Guerra dos Mundos – H. G. Wells

Este clássico de ficção científica tem nova edição em Portugal pela Sextante Editora:

O novo volume da Biblioteca dos Tesouros é um clássico da ficção
científica que inspirou outros livros, filmes e animações sobre a vida
noutros planetas. Com nova tradução de João Bernardo Boléo, A
Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, chega a 7 de fevereiro às
livrarias.

Este romance, sobre uma invasão da Terra por extraterrestres, foi
originalmente publicado em folhetim em 1897, em Inglaterra e nos
EUA, e só no ano seguinte teve a sua primeira versão em livro. Em
1906 foi feita a extraordinária edição belga com as ilustrações do
pintor pré-modernista brasileiro Henrique Alvim Corrêa, que
aparecem agora nesta edição portuguesa. Foram escolhidas pelo
próprio H. G. Wells e tornaram-se famosas, tendo servido de base à
adaptação ao cinema de Steven Spielberg.
A Guerra dos Mundos tornou-se um marco da literatura de ficção
científica, uma das primeiras histórias que narra o choque do Homem
com habitantes de outro planeta. Foi adaptado várias vezes para
cinema e dramatizado para a rádio em 1938 por Orson Welles.

 

East of West – Vol.5 – Hickman e Dragotta

East of West é uma série de excelente aspecto gráfico que intercala elementos de fantasia com ficção científica (e pitadas de horror) debruçando-se no Apocalipse que começa com Morte em busca do filho. Os volumes anteriores apresentam-nos as várias facções que governam o mundo, mas centra-se, sobretudo, em personagens chave – já este quinto volume desenvolve a movimentação política destas facções e parece colocar as personagens em locais chave.

Apesar de existirem episódios pesados de grande violência e sadismo (como é habitual nos volumes anteriores) estes são em menor quantidade e menos intensos – este volume é mais pausado e mais centrado em desenvolver personagens. Parece existir, neste volume, uma necessidade de posicionar personagens e de fazer evoluir algumas facções para um propósito definido pelo autor. Talvez por isso, é um volume menos envolvente e, apesar de toda a tensa movimentação política, fiquei com a sensação de que pouco aconteceu.

Ainda assim, destaco novamente o excelente aspecto gráfico que usa elementos futuristas tanto na tecnologia das armas e dos transportes, como elementos fantásticos de horror usando criaturas horrendas com capacidades mágicas e sobrenaturais. Enquanto algumas facções possuem grande poder militar,  outras crescem nas sombras por meios menos visíveis.

Gosto da série (e vou decerto ler os seguintes) mas a forma como se iniciou o quarto volume (introduzindo as várias facções políticas) e a forma como este quinto concentra uma série de momentos importantes para o desfecho faz-me pensar que esta foi alongada ou reestruturada a meio da série, causando quebras no ritmo narrativo – alguma da informação introdutória do quarto volume poderia ter sido dispersa, bem como alguns destes movimentos políticos que encontramos no quinto. Mesmo considerando o abrandar do ritmo e as diferenças de estrutura de cada um dos volumes, a série continua a agradar do ponto de vista gráfico e narrativo.

Sobre outros volumes da série

Resumo de Leituras – Janeiro de 2018 (2)

5 – Outcast – Vol.4 – Kirkman & Azaceta – O enredo continua a avançar lentamente, revelando mais algumas pistas sobre o que estará a possuir uma série de pessoas. A história continua lenta, com alguns pontos de interesse, mas revela demasiado pouco a cada passo;

6 – Uncanny X- Force Vol.2 – Noutra realidade alternativa o Arcanjo já dominou o mundo – e é a esta que os heróis têm de se deslocar. Lá encontram amados há muito perdidos, companheiros que possuem o cerne da pessoa querida mas, também, apresentam muitas diferenças. Entre as batalhas bombásticas encontramos alguns conflitos pessoais. Neste volume destaca-se o excelente aspecto visual!

7 – Descender – Vol.6 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen A série termina neste sexto volume mas deixa espaço para se explorar uma nova linha narrativa (que dará origem â série Ascender). Se já gostava da série desde o primeiro volume, este último veio consolidar a opinião, mostrando que a série consegue ser interessante do ponto de vista narrativo, desenvolver personagens e dar espaço para algumas questões filosóficas interessantes;

8 – East of West – Vol.6 – Hickman, Dragotta, Martin -Visualmente esta série é das melhores que estou a ler agora! Enquanto os cavaleiros do apolipse cavalgam na terra para fazer chegar o fim do mundo, um deles procura o filho perdido para uma facção oposta que o manipula. Cada facção procura superar o poder das restantes, mostrando-se impediosa, violenta e subversiva. Os elementos visuais e os fortes episódios quase fazem o leitor esquecer-se que pouco acontece neste volume.

Descender – Vol.6 – Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Se desde o primeiro volume que acho Descender uma das melhores séries de banda desenhada de ficção científica dos últimos tempos, a leitura do último volume da série veio reforçar essa opinião! A série centra-se num robot de aspecto juvenil, cruzando elementos de pinóquio (versão moderna como o A. I.) com o conceito de revolta das máquinas numa realidade futurista em que a humanidade se estendeu por vários planetas.

Ao longo desta série temos acompanhado o conflituoso relacionamento homem Vs máquina após a revolta das máquinas, mas é neste volume que percebemos que esta interacção não é a primeira vez que se revela catastrófica. As primeiras páginas são dedicadas a mostrar uma civilização anterior, há largos milénios que conheceu os Descenders, uma civilização de robots altamente avançados, conscientes e inteligentes!

Nesta outra civilização, um humanóide tenta reproduzir, no seu próprio planeta, os mesmos robots, com o objectivo de libertar a humanidade do trabalho, construindo escravos metálicos que realizem as tarefas mais pesadas. Mas os robots são seres conscientes da sua própria existência, não se considerando inferiores aos humanos nem pretendendo permanecer nesse papel limitado.

Após a apresentação dos Descenders, voltamos à linha temporal que conhecemos, em que TIM-21 é uma peça chave para o confronto entre a civilização humana e os robots revoltados. Enquanto o rapaz de quem era amigo (agora adulto) o procura, TIM-21 é levado para o centro dos confrontos por uma militar. Simultaneamente, assistimos ao reposicionamento de poderosas armas de guerra que poderão fazer pender a guerra para um dos lados.

Descender não é, apenas, uma série de bons momentos de acção, com lutas épicas e fortes cenários idílicos de ficção científica. Descender é, também, uma boa narrativa que desenvolve personagens e não se inibe de colocar e responder a algumas questões sobre ética e inteligência. E mesmo que o leitor não partilhe o ponto de vista, é impossível não deixar de sentir empatia para com as personagens – principalmente com as máquinas.

O que caracteriza um ser humano? O que leva um humano a ter consideração por outro ser? Seja artificial ou biológico? Durante vários séculos o homem ocidental escravizou outros seres humanos acreditando (ou desculpando-se) com diferenças intelectuais e físicas que o levavam a concluir ser superior.

Não estou, claro, a comparar homens a máquinas, mas aqui as máquinas não o são simplesmente. Copiadas de uma vertente sapiente e consciente, as máquinas, construídas pelos humanos nesta realidade, possuem pensamento independente com feitio próprio, capacidades de análise e de percepção, bem como uma sensibilidade emocional que as coloca a par com os humanos.

Em Descender um robot é um escravo. Sim, foi construído pelo homem, mas é capaz de pensar na liberdade, sentindo-se inferiorizado e desconsiderado. Mas não só. Sente-se preso e incapaz de exercer o seu livre arbítrio. E como qualquer ser capaz de tal pensamento, irá querer a sua liberdade.

A capacidade de sensibilidade por parte de uma máquina é de tal forma exacerbada na narrativa de Descender que, na prática, os brutamontes são os humanos. São os humanos que se mostram insensíveis perante outros seres pensantes (sejam artificiais ou biológicos) e pensam apenas na supremacia militar e no lucro mostrando uma ambição sem limites; enquanto as máquinas parecem movidas por pensamentos lógicos e sentimentos.

A relação homem Vs máquina é, ainda, explorada na vertente das próteses – quantas substituições mecânicas pode sofrer um ser humano e continuar humano? O que o torna comparável a humano e o que o torna comparável a máquina? Ainda que, fora do contexto, esta questão possa parecer fácil de explicar, com a narrativa percebemos que alguns humanos pretendem usar as extensões mecânicas para deixarem a sua categoria original.

Sensível, envolvente e emocionante. Descender consegue um final satisfatório neste sexto volume mas deixa a porta aberta para a construção de outras histórias neste Universo, constituindo uma grande série de banda desenhada.

Em Portugal a série está a ser lançada pela G Floy.

Humanus – Vários autores

Humanus é uma antologia de banda desenhada publicada pela Escorpião Azul que possui tanta diversidade nas suas histórias quantos os livros publicados pela editora, resultando de um convite a todos os seus autores (e mais alguns) para construirem novas e curtas histórias.

O volume abre com uma belíssima história de Rui Lacas que apresenta o confronto de criaturas antigas com a humanidade, passando para uma história de fantasia e ficção científica de Miguel Santos (conhecido por Ermal). A partir daqui vamos lendo todo o género de histórias em todo o género de estilos – futuristas como João Monteiro, distópicas como João Vasconcelos, cómicas como Álvaro ou Derradé, poéticas como a da dupla de Inês Garcia e Tiago Cruz.

Com 270 páginas e mais de 30 histórias, Humanus apresenta histórias de todos os géneros, podendo ser um óptima forma de introduzir os autores que tem em catálogo ou de os rever, para quem já os conhece. O resultado é um excelente conjunto de pequenas curtas de banda desenhada de autores que publicam no mercado português!

Novidade: Vox – Christina Dalcher

Um dos próximos  lançamentos da TOPSELLER é uma distopia que poderá estar na onda do sucesso do Handmaid’s Tale da Margaret Atwood, mostrando uma realidade em que é retirado o poder da palavra à mulher:

Estados Unidos da América. Um país orgulhoso de ser a pátria da liberdade e que faz disso bandeira. É por isso que tantas mulheres, como a Dra. Jean McClellan, nunca acreditaram que essas liberdades lhes pudessem ser retiradas. Nem as palavras dos políticos nem os avisos dos críticos as preparavam para isso. Pensavam: «Não. Isso aqui não pode acontecer.»

Mas aconteceu. Os americanos foram às urnas e escolheram um demagogo. Um homem que, à frente do governo, decretou que as mulheres não podem dizer mais do que 100 palavras por dia. Até as crianças. Até a filha de Jean, Sonia. Cada palavra a mais é recompensada com um choque elétrico, cortesia de uma pulseira obrigatória.

E ISTO É APENAS O INÍCIO.

 

Resumo de Leituras – Janeiro de 2018

01 – Luzes de Niterói – Marcello Quintanilha – Num país de contrastes, dois jovens aventuram-se a pescar para conseguirem um rendimento extra. Mas os seus planos rapidamente se desmancham e os colocam em perigo quando encontram um perigo bandido que os toma por polícias;

02 – Mister NO – Ovnis na Amazónia – Sclavi, Civitelli, Nolitta e Diso – Mirabolante, apresenta um episódio aventureiro em que dois exploradores se cruzam e se unem perante uma ameaça comum – os índios;

03 – Gran Hotel Abismo – Prior e Rubin – Mais interessante visualmente do que do ponto de vista narrativo, Gran Hotel Abismo apresenta um futuro pouco distante em que quem manda na sociedade são as grandes empresas. Em nome do lucro diminuem ordenados ao mínimo que acham suportável e não é de estranhar que se iniciem grandes manifestações que serão recebidas com fortes cargas policiais;

04 – Sorcerer to the crown – Zen Cho – Apesar de ter elementos interessantes na forma como usa a magia (e como justifica a sua fonte) é um livro dúbio na caracterização de personagens, mostrando uma personagem masculina de origem não ocidental como personagem principal e forte, mas mostrando uma personagem feminina completamente cliché nos seus objectivos de vida.

Injection – Vol.1 – Ellis, Shalvey e Bellaire

Entre os mitos fantásticos tornados realidade e a inteligência artificial, este é o primeiro volume de uma série de Warren Ellis que revela apenas alguns dos seus elementos base para este Universo ligeiramente futurista e sobrecarregado em fenómenos sobre naturais (serão mesmo?) originados por uma consciência cuja origem apenas suspeitamos.

Nos interstícios da realidade encontramos bolsas em que os mais assustadores mitos se materializam – e para as quais são chamados agentes especiais para as domarem, ainda que nem sempre com o efeito desejado. Estas bolsas de realidade apresentam elementos fantásticos tradicionais de cultura irlandesa / celta, tornando alguns seres humanos cativos – escapar é só para alguns, os mais sagazes que são capazes de reunir e interpretar algumas pistas difíceis.

Contada de forma pouco linear, intercalando linhas temporais diferentes e várias perspectivas, Injection consegue cruzar elementos fantásticos com horror e ficção científica, resultando num assustador pesadelo onde se apresentam questões interessantes – porque seria uma inteligência criada minimamente semelhante à inteligência humana? Porque teria alguma ideia semelhante da realidade ou do que é justo e correcto? Será que teria algum interesse pela humanidade e pela estabilidade da realidade? Ou seria aparentemente louca e homicida?

Claro que, ao colocar estas questões o enredo abdica de algum do seu mistério e apresenta algumas pistas para entendermos a premissa – ainda assim, muito falta desvendar. Porquê esta obsessão óbvia pelo folclore celta e quais os motivos para que as várias personagens ajam de determinada forma? Decerto serão estes elementos que o autor irá explorar nos próximos volumes, numa série que promete distinguir-se do que tem sido feito em mundos fantásticos na banda desenhada.

A evolução da ficção especulativa em Portugal – uma perspectiva pessoal

Quem anda há mais décadas no meio fala de uma época longínquoa em que se traziam, com bastante regularidade, os autores mais importantes do género a Portugal. Fala, também, de uma quantidade absurda de livros publicados que englobava clássicos e novidades. Como exemplo desta época dourada, ficaram as extensas colecções de livros de bolso, Argonauta, Caminho ou Europa-América.

Pois bem, nessa época, eu não conhecia nada disso, pelo que não tenho uma perspectiva tão catastrófica quanto aos tempos actuais. O pico do género que conheço tinha alguma publicação regular (com as colecções Europa-América há 20 anos ou a da Presença). Mas foi há uns 15 anos que tive finalmente acesso regular à internet e me apercebi que existiam outros leitores dos géneros da ficção especulativa, ficção científica, fantasia e horror. Existiam, até, autores portugueses! E, espante-se, existiam novas editoras a publicar livros clássicos, a produzir antologias, e autores portugueses com boas obras que nada ficavam a dever às estrangeiras.

Falava-se de ficção científica e fantasia. Mas sobretudo em fórums (Filhos de Athena e Scifi freaks com os respectivos canais IRC) onde conheci algumas das pessoas que ainda hoje são referências no género. A Saída de Emergência estava a dar os primeiros passos, com livros como À Boleia pela Galáxia, Elric ou a Invenção de Leonardo de Paul McAuley. A Safaa Dib ainda não pertencia à editora mas organizava, com o Rogério Ribeiro, o Fórum Fantástico. Tanto a Gailivro, como a Editorial Presença publicavam, regularmente nos géneros da ficção especulativa, onde se destacavam vários autores portugueses (João Barreiros, Luís Filipe Silva, Filipe Faria, Ricardo Pinto, Sandra Carvalho, Inês Botelho). Existia, ainda, uma pequena editora que lançou poucos livros, em edições de pequena tiragem, mas de grande qualidade – A Livros de Areia.

Então, quais têm sido as grandes mudanças no género em Portugal  na publicação? Bem, a maioria destas grandes editoras quase que deixaram de publicar no género. Quer autores portugueses, quer autores estrangeiros. E quando o fazem raramente indicam o género a que os livros pertencem. Ficam-se pela etiqueta de ficção, e algumas descrições mais filosóficas sobre o conteúdo. A Saída de Emergência tem publicado bons livros, mas são escolhas mais conservadoras e menos arriscadas. Já as restantes, fugiram totalmente da ficção científica explícita, publicam alguma fantasia solta e quase nada de horror. Mais recentemente, a Topseller tem-se distinguido com boas leituras de autores menos conhecidos em Portugal e nem sempre ligados à indústria cinematográfica.

A publicação de autores portugueses tem sido feita, sobretudo, por pequenas editoras. Destacam-se as edições de autor, a Imaginauta e a Editorial Divergência. Existe, sobretudo nestas duas editoras, um esforço em publicar romances e contos em antologias, mas não existe nenhuma publicação regular em formato revista para além da Bang!. As fanzines praticamente desapareceram. Já a crítica literária de ficção especulativa é quase inexistente nos meios oficiais – a crítica centra-se sobretudo em livros políticos, obras sem grande componente narrativa, mais filosófica e introspectiva. Restam os blogues. Restam os comentários em grupos de facebook. O que não é mau, mas não é comparável em termos de exposição.

 

Então e os eventos?

Nesta componente acho que estamos a evoluir a passos largos. O Fórum Fantástico persiste, conseguindo melhorar a cada ano, e têm surgido outros eventos interessantes no género. O Sci-fi LX tem decorrido no IST. A Saída de Emergência tem organizado o seu próprio evento fantástico (com uma grande adesão de leitores), o Festival Bang!. Surgiu a Comic Con no Porto que passou este ano para Lisboa (com todos os seus defeitos e vantagens, mas é mais um meio para os que gostam do género). O Contacto organizou-se pela primeira vez o ano passado e promete regressar agora em 2019! Estes novos eventos não se centram apenas nos livros, mas também em todas as outras vertentes, com o intuito de juntar fãs e proporcionar bons momentos.

Prémios literários

Ainda que a publicação seja, sobretudo, em pequenas edições, existem alguns prémios para incentivar novos autores. Mesmo que não exista propriamente uma indústria onde possam crescer (pelo menos não comparável à que existe nos mercados anglosaxónico ou francófono). O Prémio Bang! organizado em parceria com a FNAC possibilita a publicação de contos na revista Bang!, o prémio António de Macedo possibilita a publicação de um livro pela Editorial Divergência (para além de conceder um prémio monetário) e o Prémio Ataegina premeia um conto, mas não confere, ainda, possibilidade de publicaçao. Também durante o Fórum Fantástico são atribuídos prémios para diversas categorias – os Prémios Adamastor. Lá fora, Rui Zink venceu o prémio Utopiales com uma distopia.

E a projecção dos autores portugueses para o estrangeiro?

Era baixa e continua a ser baixa. Entre 2001 e 2006 o Luís Rodrigues participou (e mais tarde assumiu) a publicação de Fantastic Metropolis e em 2007 João Barreiros teve um conto publicado numa antologia estrangeira em 2007 (The SFWA European Hall of Fame). Mais recentemente, Dormir com Lisboa de Fausta Cardoso Pereira venceu um prémio galego e foi publicado em Espanha, Mário de Seabra Coelho teve dois contos publicados em revistas anglosaxónicas e foi um conto deste autor que a Imaginauta escolheu para levar a uma convenção internacional para dar a conhecer algo do que se produz em Portugal.

Os próximos anos

Enquanto algumas iniciativas recuperam livros quase esquecidos de autores portugueses de ficção científica (como o Projecto Adamastor), planeia-se uma continuação dos eventos para os próximos anos (se bem que se denota que alguns irão, decerto, sofrer reestruturações). A Imaginauta e Editorial Divergência já prometeram que o próximo ano trará duas mãos cheias de novos livros de autores portugueses.

O que falta?

1. Uma crítica consistente que consiga chegar a novos leitores. Novos leitores trarão, sem dúvida, um maior investimento no género e a possibilidade de fazer crescer a qualidade e a quantidade de publicações. O Candeias tem feito um óptimo trabalho na agregação de comentários a livros de ficção especulativa, mas falta algo que faça chegar os livros a um público maior.

2. Publicações regulares sobre o género que informem e envolvam novos leitores. A Bang! é uma excelente revista, mas não pode continuar a ser a única. Por outro lado, a diversidade de editoras que publicam autores portugueses também é baixa e não favorece o surgir de novos autores (apesar dos esforços das pequenas editoras nacionais).

Notas finais – esta perspectiva baseia-se, sobretudo, nas pessoas que fazem parte do fandom, as que têm como interesse uma das vertentes da ficção especulativa. Ficam de fora as publicações por Vanity Press.

Evento: Lançamento Fundação de Isaac Asimov

Cientista e escritor de Hard Science Fiction (termo dado a ficção científica que tem especial ênfase nas leis científicas para se desenvolver), Isaac Asimov ficou conhecido com uma série que é considerada uma obra prima no género – Fundação. É exactamente o primeiro livro (de nome igual à série) que a Saída de Emergência lança agora no mercado português. O lançamento vai decorrer esta semana, no dia 17 de Janeiro, pelas 18h30 na FNAC Chiado.

Gran Hotel Abismo – Marcos Prior e David Rubín

Gran Hotel Abismo é, sobretudo, uma história de denúncia. Decorrendo num futuro próximo, apresenta uma crise económica projectada pelas grandes empresas para aumentarem os seus lucros e diminuirem os ordenados e liberdades da população em geral.

O resultado é fácil de prever – várias manifestações que rapidamente se tornam violentas por imposição de uma polícia que atira sobre os manifestantes ou sobre quem passa na rua naquele momento. A repressão atinge níveis impensáveis em supostas ditaduras e as liberdades são contornadas para se atingirem os objectivos das companhias.

Prevendo uma redução do ordenado mínimo, rapta-se um dos principais investigadores sobre o tema, mantem-se o homem fechado num quarto durante um mês, com o objectivo único de ver se o montante previsto é o suficiente para a sua sobrevivência.

Gran Hotel Abismo consegue a proeza de ter grandes momentos, mas de não ter uma linha narrativa coesa e satisfatória. A arte de Rubín é estrondosa e o enquadramento permite transmitir algumas das mensagens pretendidas, mas ao não criar personagens nem ao seguir um pensamento lógico, resulta num quase livro de recortes com algumas passagens interessantes (principalmente a nível gráfico) mas que não satisfaz totalmente.

O Legado de Júpiter – Vol.2 – Mark Millar e Frank Quitely

O Legado de Júpiter foi uma das novas apostas da G Floy para 2018, tendo publicado os dois primeiros volumes desta série nesse ano. Neste segundo volume prossegue-se com a luta entre super heróis. Se, inicialmente, estes seres humanos com poderes se apresentam como uma unidade coesa, que age coordenadamente para bem da humanidade, com o tempo aguçam-se rivalidades e frustrações, mas também falsas percepções de uma superioridade intelectual e moral.

Já os filhos destes super heróis agem como estrelas pop, caprichosos e com vícios, seja porque não correspondem às elevadas expectativas dos pais, seja como resultado de toda a atenção que recebem. Percebe-se assim que, apesar dos super poderes, os heróis continuam a ser humanos, com todos os defeitos típicos da humanidade, mas mais destruidores por serem exacerbados pelos poderes – os poderes não só não conferem maiores capacidades intelectuais, como fazem com que as quezílias tenham maiores consequências, sobretudo para os comuns mortais.

Julgando-se perfeitos e capazes de comandar a humanidade, tomam o poder, instalando uma ditadura – uma ditadura pautada pela crença, destes super heróis, em serem moral e intelectualmente superiores. Mas a instalação desta ditadura é fracturante entre os super – sucedem-se pequenas batalhas e homicídios que fazem com que alguns se escondam, assumindo identidades banais entre os restantes humanos.

Obrigados a esconder as suas capacidades, frustrados por esta existência limitadora, estes super acumulam frustração que se tornará em vontade de quebrar o sistema implementado e em capacidade de enfrentar quem detém o poder – algo que chegará a seu tempo e proporcionará episódios de míticas batalhas.

Neste segundo volume a sede de poder e a noção de superioridade levam à desvalorização da vida dos restantes e à proliferação de manias e psicopatias. O resultado é o livro assassínio – inicialmente por um bem maior, mas com a progressão da história, apenas por vontade pessoal.

Contrariando vários elementos nas histórias de humanóides com super poderes, a série demonstra como estes humanos continuam a ter todos os problemas psicológicos e relacionais dos restantes, com consequências agudizadas pela sua exposição social e pela suposta superioridade intelectual. É, desta forma, uma leitura bastante interessante que apresenta várias perspectivas em diferentes linhas narrativas.

A série O Legado de Júpiter é publicada em Portugal pela G Floy.

As melhores leituras de 2018 – Banda desenhada

À semelhança do que fiz com as restantes leituras de 2018, eis uma listagem dos melhores livros de banda desenhada que tive oportunidade de ler este ano! Entre os 220 livros que li em 2018 entre 2/3 e 3/4 é de banda desenhada, pelo que muitos livros excelentes terão de ficar de fora! Irei começar com as melhores leituras nacionais!

Obras portuguesas

Melhor banda desenhada de ficção científica

 

 

 

 

 

 

 

A escolha de um destes estava tão difícil que optei por seleccionar ambos. Ambos são bastante irónicos na forma como abordam as transformações em curso na nossa sociedade. No caso de Futuroscópio de Miguel Montenegro encontramos vários contos que abordam aspectos diferentes, exagerados, levados ao extremo, numa caricatura aos movimentos sociais. O futuro não é risonho, apesar de haver uma aparente felicidade dos cidadãos (da ignorância vem a felicidade) – é um beco sem saída sem evolução, uma regressão da humanidade que deixa, como legado, a tecnologia avançada, mas que não poderia ser criada pelos humanos que com ela coexistem.

Já em Watchers de Luís Louro seguimos, numa realidade futura, um grupo de jovens denominados watchers que usam a tecnologia para criar canais que expõem o mundo que os rodeia. Sem filtros, sem análises nem contextos, as filmagens são divulgadas para todos os que as quiserem ver. Começando com episódios fofinhos e caricatos, a busca de mais seguidores e de mais reacções nas redes sociais depressa leva a que sejam filmadas situações mais inusitadas, ridículas, perigosas e violentas. Até onde se vai pela busca de seguidores?

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Futuroscópio – Miguel Montenegro;

Watchers – Luís Louro. 

Melhor banda desenhada de fantasia – Zahna – Joana Afonso

Zahna possui o estilo característico de Joana Afonso, um estilo que se destaca na transmissão de emoções e sentimentos e que conferem traços de caricatura às suas personagens. A protagonista é uma mulher guerreira, rabugenta mas leal às suas responsabilidades, que se vê literalmente com uma maldição sob a cabeça! Leitura divertida, Zahna deturpa ligeiramente os clichés da fantasia para apresentar uma história engraçada.

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Melhor banda desenhada cómica – Conversas com os putos e os pais deles – Álvaro

À semelhança do volume anterior, Álvaro reúne neste Conversas com os putos e com os pais deles, uma série de conversas com os seus alunos e os respectivos pais. Se as conversas com os jovens se encontram entre o absurdo e o quase impossível de tao idiotas, as conversas com os seus pais ainda são piores.

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Melhor narrativa de ficção – Olimpo Tropical – André Diniz e Laudo Ferreira

Quem é o vilão? O traficante ou a polícia corrupta? Em Olimpo Tropical retrata-se a realidade da favela onde os estudos são largados cedo por falta de sucesso, a favor das ocupações de mais fácil dinheiro, quase sempre relacionadas com o tráfego de droga e a criminalidade. Quem manda é quem se mostra mais destemido, quase louco, na sua capacidade de se fazer temer pelos outros. Visualmente expressivo, exagerado em expressões e traços físicos, Olimpo Tropical é um trabalho excelente que é capaz de cativar o leitor, fazendo-nos perceber a realidade inevitável das favelas que engole os seus moradores num ciclo interminável – quem tenta arranjar um emprego fora da favela é descriminado ou ganha tão pouco que se torna impossível sustentar uma família.

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Obras de autores estrangeiros

Melhor banda desenhada de super-herói – Ms. Marvel – G. Willow Wilson e Adrian Alphona

Ms. Marvel não é uma heroína comum – muçulmana, distingue-se fisicamente do aspecto tradicional das heroínas enquanto altas e louras; e culturalmente pelas suas origens pouco ocidentais. O resultado é uma heroína que se preocupa com os comuns cidadãos e que apresenta conflitos pessoais diferentes do que é habitual. Este volume apresenta como surgiu Ms.Marvel, dando grande foco à componente pessoal, ainda que não faltem os característicos episódios de acção.

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Menção honrosa – Michael Chabon’s The Escapists

No seguimento de uma tradição ficcional de livros sobre livros que não existem, a história centra-se num rapaz fascinado pelos livros de banda desenhada do falecido pai. Estes livros de banda desenhada centravam-se num herói há muito esquecido que o jovem tenta recuperar. Para tal compra os direitos do super-herói e tenta montar uma pequena gráfica para produzir novas aventuras!

A história vai intercalando episódios da vida deste rapaz, com episódios da velha banda desenhada e episódios da nova. São três histórias que ecoam umas nas outras, enquanto a ficção se imiscui na realidade, e a realidade se traduz numa nova ficção, sendo que o próprio autor entra neste jogo e constrói uma excelente homenagem ao livro de Michael Chabon.

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Menção honrosa – Batman – O príncipe das trevas – Marini

O príncipe encantado das trevas alterna o foco entre dois casais peculiares – o de Batman com a Catwoman, e o de Joker com Harley Quinn, mostrando dois relacionamentos disfuncionais, cada um da sua forma. Lançado em dois volumes de formato maior do que é habitual, esta história destaca-se pelo belíssimo aspecto gráfico, em que Marini é narrador e desenhador. A linha narrativa tem vários pontos previsíveis com vários clichés, mas a leitura consegue captar o leitor e dar-nos a sensação final de termos assistido a um filme.

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Melhor adaptação – Afirma Pereira – Pierre-Henry Gomont

Afirma Pereira é o despertar da consciência política de um homem que, até então tinha vivido demasiado voltado para si mesmo e preso no passado. Neste acordar, quase forçado por novas empatias, não se consegue remediar totalmente pela anterior apatia, mas tenta, enfrentando as consequências. Depois de anos preso às memórias de um passado distante, Pereira começa a reconhecer as pequenas notas políticas no que o rodeia, tanto no jornal, como nas ruas em que dantes passava como inocente. Reconhece, também, que o enfrentar desta situação tem um custo elevado.

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Menção honrosa – O jogador de xadrez – David Sala

O tema da história é simples e roda em torno de um jogador de xadrez. Mas se esperamos que a história se centre no maior jogador de xadrez, um imbatível mas inculto jovem que vence qualquer jogo, somos rapidamente desenganados. No barco em que viaja encontram-se vários homens curiosos pela presença do campeão, não sendo, assim, de estranhar, que organizem um jogo de xadrez em que todos, em conjunto, enfrentam o campeão.

Após as primeiras jogadas, destaca-se, entre o grupo de amadores, um homem cujo intelecto parece competir com o do campeão, referindo jogadas que deixam o campeão surpreso. Este homem misterioso não só esconde um enorme talento no xadrez, como um passado pesado que liga a prática xadrez a eventos psicologicamente marcantes. Utilizando elementos artísticos de pintores famosos do fim do século XIX ou início do XX (que a sinopse da editora identifica como Klimt ou Schiele) a história é tudo menos linear ou, até, aborrecida. A tensão que se cria ao longo do jogo de xadrez transporta o jogo para outra dimensão e o foco deixa de estar nas jogadas, confrontando-se a curta história do campeão, com a traumática história de um anónimo que se lhe iguala.

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Melhor banda desenhada história – O Comboio dos órfãos – Vol.2 – Philippe Charlot e Xavier Fourquemin

Esta série centra-se nas crianças que foram deslocadas das grandes cidades para serem adoptadas ao longo dos Estados Unidos, nos anos 20. Mas nem todos os que recebem estas crianças têm boas intenções, e algumas crianças são usadas como trabalhadores, ou são levadas a casar prematuramente. Para além do bom aspecto visual, a série destaca-se por conseguir apresentar uma situação trágica mas, ao mesmo tempo, dar-lhe pequenos detalhes cómicos entre os diálogos infantis. Esta mistura resulta numa excelente leitura – uma das favoritas de 2019.

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Menção honrosa – Marcha para a morte – Shigeru Mizuki

Marcha para a Morte é um livro sobre a Guerra. Mas acima de tudo, um livro que nos mostra o quão absurda é a guerra, desperdiçando a vida dos soldados por estratégias mal definidas, levando adolescentes imberbes a enfrentar outros imberbes adolescentes, uma constante falta de consideração pela vida – e para quê? Aproveitando a sua própria experiência na guerra, Mizuki traça um retrato crítico, de elevada tensão, onde os momentos trágicos são acompanhados por tiradas de humor negro que dão nova perspectiva aos acontecimentos.

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Melhor banda desenhada de ficção científica – Descender – Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Existem várias séries de ficção científica e fantasia em curso, publicadas principalmente pela Image mas Descender continua a ser, para mim, uma das melhores. Por um lado, a temática corresponde ao meu género favorito (a ficção científica) mostrando um Rise of the machines num futuro distante. Por outro, a história consegue a proeza de mostrar várias linhas narrativas que se vão cruzando e dando diferentes pontos de vista aos acontecimentos. Por último, o estilo gráfico de Dustin Nguyen adequa-se totalmente à história e torna as páginas fascinantes.

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Menção honrosa – Imperatriz – Vol.1 – Mark Millar e Stuart Immonen

Visualmente fabuloso, este Imperatriz parecia, nas primeiras páginas, trazer uma história quase cliché, com a mulher de um homem poderoso mas violento, a fugir pela galáxia com os filhos. Toda a história nos leva a pensar numa determinada situação passada que não se verifica acabando por nos surpeender. Do ponto de vista gráfico, os autores aproveitam a possível diversidade de planetas para contrastar cidades sobrepopuladas e futuristas com desertos gelados e desolados. O resultado é movimentado e visualmente fabuloso!

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Menção honrosa – Ciudad – Giménez e Barreiro

Com algumas semelhanças a Parque Chas, Ciudad centra-se numa cidade sem tempo, uma espécie de buraco negro onde vão parar habittantes de todos os tempos e lugares – imensa e diversa, uma cidade sem fim nem saída. A cidade não é contínua, nem no espaço, nem no tempo, e a dupla de exploradores experimenta o passado e o futuro, ambos traumatizantes, não percebendo as diferenças na duração da noite e do dia entre as diferentes partes da cidade. Cruzando outras ficções com esta narrativa (não só pela apresentação de monstros, como pelo surgir da figura Eternauta, e por referências indirectas a outras obras) Ciudad funde vários elementos para se transformar numa longa e rica viagem.

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Melhor narrativa ficcional – Essex county – Jeff Lemire

Este volume reúne três histórias diferentes que se interligam e que decorrem em Essex County  – o ambiente é frio e inóspito, e os relacionamentos humanos mostram-se difíceis. A razão de tal dificuldade deriva de uma série de segredos familiares e desgraças passadas que o autor vai desenvolver em várias linhas narrativas. As personagens ultrapassam a ficção e passam a ser pessoas com passado e densidades – pessoas que se encontram e desencontram tal como o leitor.

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Menção honrosa – O cão que guarda as estrelas – Takashi Murakami

Neste pequeno livro aproveita-se a figura do animal de estimação, neste caso um cão, como forma de explorar a complexidade dos relacionamentos (e a sua evolução). O cão oferece uma visão simples, mas através dele vamos interpretando os sinais de algo diferente, como o afastamento do casal, em que, ao invés de apoio mútuo, encontramos sacrifício e apoio de uma das partes, mas, da outra, egoísmo e quebra completa. O animal de estimação acaba por se tornar o único ponto de consolo e de amizade, o único relacionamento que se mantém, e que serve de consolo para o homem que se vê fora da própria casa e da própria vida.

Com uma pequena aura de tragicidade (já conhecemos o final da dupla desde o início) e passando o sentimento de destino que se irá cumprir, a história coloca-nos a tentar perceber o percurso das duas personagens. O animal fornece uma perspectiva interessante, com elementos que ele não compreende, mas que o leitor percebe.

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As melhores leituras de outros anos

Resumos / melhores de 2018