Palestras no Sci-fi LX 2018

Este ano foram duas as palestras no Sci-fi LX, uma primeira sobre ficção científica portuguesa, e uma segunda, com João Barreiros, sobre Robots na Ficção Científica. Em ambas segui a regra de não referir o que não li, pelo que algumas exclusões terão sido unicamente por esta razão.

As naves na ficção científica portuguesa

Comecei por referir onde podemos encontrar as naves (dando destaque ao seu carácter inventivo e único) e passei depois para alguma ficção científica nacional digna de referência.

Aqui servi , sobretudo, de apoio ao João Barreiros, introduzindo o tema e falando de alguns exemplos que me parecem imprescindíveis.

Eventos: Sci-fi LX 2018 – componente literária

Desde a workshops, a palestras, o programa do Sci-fi LX dedicado à literatura de ficção científica é extenso! Deixo-vos algumas sugestões (e, claro, não podia deixar de dar destaque àquelas em que participo):

Dia 14 – 16h – Onde estão as naves espaciais da literatura portuguesa?

A produção de ficção especulativa, mais propriamente de ficção científica escasseia e raramente se vê nas lojas carregadas de possíveis best-sellers de fácil consumo. Ainda assim, pequenas editoras como a Imaginauta ou a Editorial Divergência têm conseguido lançar boas histórias! Esta palestra pretende dar a conhecer o pouco, mas bom, que se faz por cá.

Dia 14 – 17h – Robots na ficção científica – catastróficos, ridículos e apocalípticos! – com João Barreiros

Os robots fazem parte da ficção há largos séculos. Oscilando entre a forma humana
e meros mecanismos, os robots na ficção podem ser assustadores, ameaçando a
espécie humana, ou cómicos, como entidades que não compreendem a ironia ou o
pouco lógico relacionamento entre humanos. Nesta pequena palestra apresentam-se
alguns bons exemplos na ficção científica.

António Macedo – O “Arquitector” de Universos – António de Sousa Dias

António de Sousa Dias apresenta uma homenagem a um dos mais prolíficos cineastas e escritores do Fantástico português. Conheçam a obra e o percurso de António de Macedo (1931-2017).

Homenagem a Ursula Le Guin – Coordenação: Luís Filipe Silva

Nesta homenagem à recentemente falecida Ursula Le Guin, Luís Filipe Silva coordena a partilha de excertos da obra da autora, que mais terão marcado os participantes. Se quiser ser um dos que partilharão estes textos, inscreva-se em: https://goo.gl/forms/l7qddvSap6aypkon2.
Sessão de Preparação: Sábado 14 de Julho, às 21 horas.
Sessão aberta ao público: Sábado 14 de Julho, às 22 horas

O Fenómeno da desmultiplicação – como escrever uma saga – Filipe Faria

Filipe Faria, conhecido autor de As Crónicas de Allaryia, uma saga de sete volumes publicada ao longo de nove anos (e talvez escrita ao longo de mais tempo) e Felizes Viveram uma Vez, partilha truques, atropelos e vitórias na elaboração de uma história longa em vários volumes para aspirantes a escritor.

Workshop – Como escrever um conto apocalíptico – Pedro Cipriano

Pedro Cipriano, autor premiado e fundador da Editorial Divergência, traz-nos um workshop sobre a escrita de contos apocalípticos.

Lançamento – Steampunk Internacional

A Editorial Divergência lança, no Sci-Fi Lx 2018, a Antologia Steampunk Internacional, um projecto conjunto desta editora nacional, da New Con Press do Reino Unido e da Osuuskumma da Finlândia. Nove autores de quatro países, publicados em três línguas: http://divergencia.pt/loja/steampunk-internacional/

O Apocalipse na Fantasia e na Ficção científica – Diogo de Almeida 

Os Mensageiros das Estrelas voltam a colaborar com o Sci-Fi Lx, desta vez com uma palestra de Diogo de Almeida sobre o Apocalipse na Fantasia e na Ficção Científica. Para saberem mais sobre a edição deste ano dos Mensageiros das Estrelas visitem: http://messengersfromthestars.letras.ulisboa.pt/

Experiências de BD e literatura – Leonor Ferrão, Miguel Jorge e Diana Pinguicha

Três artistas e três visões das artes! Nesta palestra será abordado a BD e a Literatura, enquanto artes modeladoras da vida

Como sobreviver ao fim do mundo – O Apocalipse na Literatura – Nuno Ferreira

O Nuno Ferreira falará da noção de Apocalipse na literatura, com dicas para sobrevivermos

Eventos: Sci-fi LX 2018

Cartaz da autoria de Edgar Ascenção

A menos de uma semana do evento (gratuito) vou começar a divulgar algumas componentes já anunciadas para o próximo fim de semana no Instituto Superior Técnico!

Isaque Sanches vem falar da relação entre a construção de narrativas e os videojogos

António de Sousa Dias apresenta uma homenagem a um dos mais prolíficos cineastas e escritores do Fantástico português. Conheçam a obra e o percurso de António de Macedo (1931-2017).

Entre os workshops disponibilizados este ano (em que se podem inscrever aqui) encontra-se um de Impressão 3D (dado por Artur Coelho) de Crochet, Amigurimi, pintura de miniaturas, desenho manga, criação de marcadores, como escrever um conto apocalíptico (por Pedro Cipriano) e de escrita criativa em Como Matar Personagens (de Bruno Martins Soares e Pedro Cipriano).

Novidade: Novos contos Barbante

A Imaginauta anuncia dois novos títulos na colecção Barbante e uma estreia em inglês. Teremos, então, disponíveis no Sci-fi Lx  os contos: O Jogo da Carmo Cardoso e José Machado e O Farol Intergaláctico de João Pedro Oliveira. Verum é o conto escolhido para ser traduzido e divulgado na Eurocon 2018, onde estarão Rogério Ribeiro, Pedro Cipriano e Carlos Silva a representar Portugal. Verum é da autoria de Mário de Seabra Coelho, autor português já publicado em inglês na Strange Horizons.

Resumo – 2º trimestre de 2018

Se o primeiro trimestre já tinha começado bem, este segundo permitiu a consolidação das novas vertentes do Rascunhos, apesar dos contratempos pessoais (mudança de casa e novos projectos profissionais). As visualizações ultrapassaram as 26 000 mantendo a tendência do primeiro trimestre, e continuei com a nova vertente do Rascunhos na rádio (na Voz Online, onde falei sobre livros, sozinha e acompanhada, bem como de eventos como o Sci-fi LX – os programas encontram-se disponíveis também na Mixcloud). A componente de jogos de tabuleiro prosseguiu mais lentamente, mas estabeleci a minha primeira parceria de jogos (A Floresta Misteriosa).

EVENTOS

O evento que marcou este segundo trimestre foi definitivamente o Festival Contacto. Apesar de ter decorrido apenas numa tarde em Benfica (num local priveligiado, o Palácio Baldaya) forneceu grande momentos de diversão para todas as idades, com a Escape Room da Liga Steampunk, jogos de tabuleiro diversos, lançamentos de livros, lutas de sabres – entre outros. De destacar o espaço ao ar livre e a existência de um bar de apoio que permitiu a permanência no evento durante toda a tarde.

Este trimestre foi, também, a minha estreia no Lisboacon (sobre este evento falarei mais detalhadamente nos próximos dias). Trata-se de um evento focado exclusivamente em jogos, sobretudo em jogos de tabuleiro (tendo, também, RPG’s) onde se pode experimentar uma enorme diversidade de jogos e adquirir outros tantos a preço mais acessível do que é comum nas lojas. Outro evento que marcou o trimestre foi o breve retorno do Sustos às sextas (ao qual não pude comparecer).

Alguns dos jogos disponíveis no Lisboacon

Mas os últimos trimestres também prometem! Aproximam-se o Sci-fi LX e a Comic Con Portugal, e começaram a ser anunciadas algumas novidades para o último trimestre do ano – Fórum Fantástico e Festival Bang!

LIVROS E BANDA DESENHADA – Portugueses 

Com o mesmo número de leituras do trimestre passado (cerca de 60) destaco, de autoers portugueses, Comandante Serralves – Expansão, The Worst of Álvaro e Han Solo. O primeiro é uma continuação da primeira antologia Serralves, contendo contos Space Opera de vários autores num mesmo Universo. Esta antologia destaca-se pelos elementos portugueses na sua narrativa, desde o humor às expressões e alguns detalhes culturais das personagens.

 

 

 

 

 

 

 

 

The Worst of Álvaro apresenta as piores tiras de Álvaro, num  conjunto divertido que começa com uma paródia certeira às seitas religiosas que realizam espectáculos de diversão (e engodo) nas suas cerimónias. Han Solo de Rui Lacas destaca-se pela expressividade das personagens, criando uma história envolvente com poucas palavras.

LIVROS

 

 

 

 

 

 

 

Este ano tem sido marcado por bons lançamentos de ficção especulativa (não em grande quantidade, mas o que tem havido é de qualidade) e este trimestre li, sobretudo, as novidades publicadas no mercado português. A Cavalo de Ferro surpreendeu com o lançamento de um clássico de horror de Shirley Jackson, A Maldição de Hill House. Não sendo a melhor leitura desta autora, apresenta uma história claustrofóbica que nunca se afimar sobre a origem dos supostos detalhes sobrenaturais, deixando a possibilidade de várias interpretações para o autor.

Num tom bastante diferente, Os Humanos é um relato divertido de um alienígena que tem de se integrar como humano para limpar as pistas de uma importante descoberta científica. Proveniente de uma sociedade bastante diferente, onde os indivíduos são imortais e poderosos, a perspectiva do alienígena é, simultaneamente, perspicaz e cómica.

 

 

 

 

 

 

 

 

Tendo no título a palavra Love, Love Star corre o risco de ser incluído na secção de romance fofinho e cor de rosa (como já o vi). Não poderia ser uma classificação mais enganadora. Love Star apresenta uma sociedade onde a tecnologia se aliou à publicidade com a perspectiva de responder a todas as necessidades de consumo da população, apresentando produtos inovadores como a disposição de corpos humanos em foguetes para serem incinerados automaticamente quando entrem novamente na atmosfera. Trata-se de uma história interessante carregada de reviravoltas irónicas, carregadas de crítica social.

O Poder é outro dos grandes lançamentos deste ano. Bastante aclamado no estrangeiro, apresenta uma reviravolta no equilíbrio de poder nas sociedades humanas – e se as mulheres tivessem a capacidade de electrocutar? O poder surge sobretudo em situações de violência física e psicológica contra mulheres, resultante numa reviravolta interessante. Deste surgir por necessidade ao exercício de poder, a história apresenta novos equilíbrios e desequilíbrios.

 

 

 

 

 

 

 

 

Amatka é, também, um lançamento inesperado para o mercado português, contendo uma sociedade distópica onde os objectos têm de ser constantemente marcados para manterem a sua forma e funções. Quem teme a morte de Nnedi Okorafor não é uma leitura deste ano (li-o em inglês em 2015) mas é um grande lançamento em Portugal. Trata-se de um dos grandes exemplos de afrofuturismo que não teme tratar de temas como o controlo das mulheres através da castração ou como a luta entre populações através das violações que visam diluir o sangue dos vencidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Em inglês, destacou-se The Tangled Lands, um livro de fantasia pouco optimista em que o exercício de magia tem um preço muito elevado e onde o destino das personagens nunca é o programado, com contratempos e reviravoltas difíceis. Já The Martian in the Wood é um dos contos da TOR.com e centra-se num mundo pós Guerra dos Mundos de H. G. Wells, mostrando a vida dos que sobreviveram e como tentam lidar com o desaparecimento dos familiares – mas… nem todos os alienígenas conseguiram abandonar a Terra!

BANDA DESENHADA

A colecção Novela Gráfica ainda agora começou e já proporcionou duas das melhores leituras dos últimos meses, Os Guardiões do Louvre de Taniguchi e Aqui mesmo de Tardi. O primeiro centra-se no Louvre, enquanto museu e espaço que sofreu alterações, falando de alguns autores que influenciaram artistas japonses. Trata-se de um trabalho a cores que dá grande representação a algumas obras clássicas captando o seu próprio estilo. Não sendo dos trabalhos favoritos do autor em termos narrativos, fascina pelo grafismo.

Aqui mesmo (que ainda não tive oportunidade de comentar detalhadamente) é um trabalho excelente que pode ter interpretações políticas (ainda que o autor, na sua introdução descarte grande parte delas), centrando-se numa personagem demasiado agarrada ao passado, traumatizada com as guerras entre famílias e por isso, decidida a manter a sua posição desconfortável, nem que para isso deixe de ter vida própria.

Não tendo lido o romance original no qual se baseia, Afirma Pereira é um fascinante retrato da sociedade portuguesa antes do 25 de Abril mostrando como se exercia influência, poder e medo sobre a população e, neste caso, sobre a classe jornalística portuguesa.

Outra das colecções lançadas pela Levoir foi a colecção Bonelli em que se lançaram álbuns representativos das colecções italianas da editora Bonelli. Em geral são álbuns que dão especial destaque à narrativa, bastante movimentados e centrados em heróis peculiares. Dragonero foi dos meus favoritos contendo referências às mais clássicas séries de Fantasia. Já este volume de Dylan Dog, Os Inquilinos Arcanos, destaca-se pela introdução de Filipe Melo e contém uma diversidade interessante das histórias deste herói com um grafismo competente onde não se podem esquecer os efeitos sobrenaturais e fantásticos.

Próximos tempos? Espera-me o Sci-fi LX, com duas palestras, uma sobre ficção especulativa nacional e outra sobre robots (com João Barreiros), muitos livros e muitos jogos de tabuleiro!

Amatka – Karin Tidbeck

A realidade de Amatka não é constante. Os objectos não são sólidos e imutáveis. Ou pelo menos não como na nossa realidade. Em Amatka a permanência da forma de um objecto depende de uma constante marcação para que estes recordem o que são. Tem de se etiquetar um lápis como um lápis para que não se transforme numa matéria amorfa! E atenção – nada de errar na pronunciação, não vá o lápis transformar-se noutra coisa qualquer.

Em Amatka não são só os objectos que estão sob marcação constante. As pessoas, de forma bastante diferente, estão sob vigilância constante. Mas sem recorrer a câmaras – a vigilância mútua sob um apertado conjunto de regras. Trata-se de uma comunidade em que todos os bens são divididos por todos e as funções de cada um são definidas de acordo com as necessidades da comunidade e as suas qualificações.

Vanja trabalha para uma secção da comunidade que a leva a viajar a outra colónia a fim de perceber se necessitam de novos produtos de higiene pessoal. No destino apercebe-se que existem muitas coisas das quais não se fala, inclusivé o misterioso desaparecimento de vários elementos da comunidade, o que faz com que na casa onde é acolhida possa ter um quarto só para si, algo pouco usual no sítio de onde vem.

Lentamente, as investigações sobre higiene de Vanja levam-na a perceber que a realidade daquela comunidade é mais instável do que o habitual, necessitando de procedimentos adicionais para que as coisas permaneçam o que são. Paralelamente, algumas pessoas vão revelando algum descontentamento, sentimento que é muito perigoso revelar numa comunidade – rapidamente se pode ser denunciado e sujeito a uma operação em que se perde a fala.

Amatka é uma distopia que joga com a materialidade da realidade e da sociedade, mostrando como a responsabilidade pelo grupo se sobrepõe às dos indivíduos, nem que para isso seja necessário castrar a pessoa dos pensamentos e da fala. Aquilo que se percepciona como diferente deve ser calado e ignorado, uma farsa psicológica de alegria que abrange a realidade.

Amatka foi publicado em Portugal pela TOPSELLER.

Love Star – Andri Snaer Magnason

Love Star apresenta-nos uma dinamia utopia / distopia com elevadas propabilidades de se desenvolver, nem que seja parcialmente. Depois de uma série de espécies animais deixarem de conseguir migrar e deslocar-se para onde deveriam (desde aves a abelhas) alguns cientistas desenvolveram o homem sem fios – o homem capaz de comunicar com tudo o que o rodeia através da tecnologia sem fios. Nem comandos. Nem códigos. Em contrapartida paga uma mensalidade para manter todos os equipamentos actualizados, que apenas funcionam com a versão mais recente do firmware.

Animais com cérebros do tamanho de uma noz, de uma semente, ou de um pedacinho de algodão alcançavam estes feitos; porém, para realizar a mesma viagem, e apesar de terem cabeças pesadas, os humanos precisavam de dezoito satélitos, um aparelho recetor, radar, mapas, bússolas, um transmissor, vinte anos de treino e uma atmosfera cheia de ondas, que quase deixara de ser transparente. (…)

A nova  tecnologia trouxe consigo vantagens e desvantagens. Se, por um lado, os seres humanos passam a ser capazes de controlar o que os rodeia de forma muito mais fácil, passam a ser escravos de um sistema, que os impele no sentido de consumirem sempre:

Quem não atualizaca o seu sistema, podia ter problemas com os seus negócios ou comunicações. Os dispositivos domésticos sem fios e chaves automáticas de carros reconheciam somente o sistema mais recente. O mesmo se aplicava aos modelos de automóveis mais recentes, que não abrandavam automaticamente quando algúem com o sistema antigo atravessava a rua.

Sem telemóveis, a comunicação é mental e, portanto, não é de todo usual ver pessoas a falarem sem ninguém ao lado pois estarão a comunicar com alguém. Se estava vertente parece interessante, o facto de poderem vender-se a empresas de publicidade é verdadeiramente aterrador – simulando ataques de pânico para conseguirem a atenção do público alvo, a quem debitam uma frase publicitária, as pessoas que se vendem como meio publicitário descarregam frases involuntariamente.

Por fim, alguém descia a rua Klappartigur em bicicleta e gritava:

-FOORRRD! FORD!

Estas campanhas alcançavam sempre o seu público-alvo, pois não havia como lhes escapar. Calculava-se tudo até ao mais ínfimo pormenor e adaptava-se o anúncio ao grupo-alvo que era categorizado em todas as suas excentricidades. O sistema de proclamações era eficaz, simples e conveniente, e os cidadãos comuns podiam contratar um proclamador por uma pequena  taxa de precisassem de um lembrete.

– Tem uma reunião com o ministro às três horas e não se esqueça do aniversário do seu casamento.

As estranhezas deste mundo não se ficam por aqui. Quem criou este sistema (Love Star) criou também a Love Death, um sistema em que os mortos são atirados em pequenos foguetões e se tornam pequenas estrelas cadentes ao entrar na atmosfera – agora os mortos podem literalmente ir para o céu. Se o sistema era, de início, bastante caro, com a sua expansão fica mais barato do que um enterro normal e os terrenos podem agora ser usados para outro fim que não um cemitério.

Sentaram-se todos em colinas e rochedos ou deitaram-se de costas no tapete macio de musgo. Sigriour fungou e Idrioi, atrás dela, abraçou-a. Às 23h18, a bisavó de Sigriour iniciou a sua descida à Terra. Nesse preciso momento, em coordenadas predefinidas no céu, a gravidade exerceu a sua acção e ela caiu, segundo a lei de Newton, com uma certa aceleração até que uma faixa comprida e brilhante de fogo branco surgiu na escuridão silenciosa entre as estrelas.

Não é só a morte que é reinventada pela Love Star – mas também o amor. Num sistema denominado inLove são analisadas as ondas cerebrais de cada ser humano e identificada a sua alma gémea, um processo com grande sucesso que se mostra infalível, mas que a médio prazo se mostra como desmotivador da economia – as pessoas que já encontraram a sua alma gémea não realizam constantes aquisições.

E, havendo clones, porque não reinventar a educação? Se uma criança cresce mal educada e maldosa, porque não devolvê-la à precedência e pedir um clone que possa ser educado de diferente forma? E já agora, cria-se essa criança à sombra de uma segunda devolução se não se portar perfeitamente. Foi o que aconteceu com Idrioi, uma das personagens principais deste livro.

Neste mundo desenhado à medida dos sonhos mais ambiciosos, cada ser humano é empurrado no caminho da perfeição e da sua menor decisão, sem descurar, claro, o consumo, por forma a se enquadrar na sociedade. E o que acontece a quem não tem uma confiança extrema na tecnologia e deseja tomar as suas próprias decisões? Rapidamente tudo se torna difícil, quase impossível.

Love Star é um livro estranho onde se nos apresenta uma distopia fascinante que difere da opressão e perfeição usuais. Não existe militarismo, nem extrema arrumação, existe antes a criação de necessidade através do encaixe social e a manipulação de todos os contactos de uma pessoa para a convencer a seguir um determinado curso (os melhores amigos podem ser informadores ou vendedores de produtos, convencendo a ver determinado filme ou a comer determinado prato). Existe, sobretudo, uma vontade de querer melhorar a vida dos seres humanos, mas sem a compreensão de que cada um tem necessidades diferentes.

Love Star foi publicado em Portugal pela Bertrand Editora.

Novidade: Artemis de Andy Weir

Do mesmo autor do conhecido O Marciano (adaptado para cinema, com o mesmo título) chega-nos, inesperadamente, ao mercado português Artemis, pela TOPSELLER, no próximo dia 02 de Julho. Deixo-vos a sinopse:

Para viver na Lua, Jazz Bashara faria qualquer coisa. Bom, mais ou menos. A vida em Artemis, a primeira e, até ver, única cidade da Lua, é difícil. Só turistas ricos ou milionários excêntricos que vivem a sua reforma dourada fora do planeta Terra é que conseguem usufruir em pleno do Mar da Tranquilidade. Um pouco de contrabando aqui e ali não é grave, certo?

É por isso que quando surge a oportunidade de, com um grande golpe, decidir o seu futuro, Jazz não hesita. Tem apenas de conseguir o impossível, e de o fazer fora da colónia, onde não só a gravidade é seis vezes inferior à da Terra como o Sol queima e o ar não existe.

Mas isso será apenas o começo de uma série de eventos que vai pôr em causa a existência da própria colónia. Jazz era apenas uma contrabandista a tentar ganhar a vida. Será que está preparada para pôr tudo em risco para salvar o único lugar onde alguma vez se sentiu em casa?

Do mesmo autor de O Marciano, adaptado para cinema com Matt Damon como protagonista e nomeado para 7 Óscares da Academia, esta é mais uma aventura cheia de emoção, ciência e um mundo tão vívido e intenso que quase dispensa qualquer adaptação.

 

Novidade: Steampunk Internacional

Ir a eventos internacionais tem grandes vantagens. Uma é passar a conhecer mais intimamente o que se faz em países europeus, como a vizinha Espanha. Outra é criar contactos para futuras parcerias e fazer germinar projectos a médio prazo – como este livro Steampunk Internacional.

Pedro Cipriano foi um dos portugueses que esteve na Eurocon 2016 e foi a partir dos contactos criados nesse evento que se pensou na possibilidade de criar uma antologia Steampunk que tivesse autores de três países e que fosse publicada em todos os três! Assim surge esta antologia, uma obra trilingue, que reúne autores portugueses, ingleses e filandeses! Nos autores ingleses destaca-se George Mann, um autor bastante conhecido da ficção especulativa.Eis, pois, o alinhamento da antologia, bem como a sinopse. O livro já se encontra em pré-venda pela editora, é só seguirem a ligação! 

Um rinoceronte que poderá ou não ter alma, uma jovem com muita vontade de aprender contra uma família que não deseja a sua emancipação, um artista capaz de tudo pela obra sublime, um chapéu com vontade própria, um homem alado em busca da filha, um cérebro em fuga… Desde a fria Finlândia, passando por Paris e Londres, terminando na solarenga Lisboa. Desde a Renascença, passando pelo início do século XX, com um final num futuro em que a própria humanidade já nem existe. Assim é a nova antologia da Editorial Divergência: nove autores de três países, numa obra trilingue – em português, mas também em inglês e finlandês – com alguns dos melhores contos de Steampunk. Do Reino Unido chegam-nos os trabalhos de George Mann, Jonathan Green e Derry O’Dowd; da Finlândia, escolhemos Magdalena Hai, Anne Leinonen e J.S. Meresmaa; e de Portugal publicamos os inéditos de Diana Pinguicha, Anton Stark e Pedro Cipriano.

 

Rascunhos na Voz Online – Programa 09

Depois de uma conversa com João Barreiros que se centrou no seu interesse na ficção científica enquanto leitor e escritor no género, tivemos outra conversa centrada mais na sua actividade enquanto editor e participante / organizador de algumas iniciativas de ficção científica que ocorreram há largos anos mas que, na altura, atingiram uma proporção interessante.

Deixo-vos, então, a ligação para ambas as conversas:

Terra 2.7 – MAF

Em Terra 2.7 os seres humanos tentam colonizar e dominar um novo planeta. Felizmente, os seres inteligentes deste novo planeta encontram-se protegidos por divindades que recordam as do antigo Egipto, e os seres humanos são obrigados a manter-se no seu próprio espaço, produzindo materiais para estas divindades.

Sabe-se que estes seres poderosos possuem um soro da imortalidade, um soro que será composto por grande parte dos materiais produzidos pelos humanos, mas falta-lhes um ingrediente secreto. Numa arriscadíssima missão os humanos enviam agentes, esperando saber um pouco mais sobre os divinos.

A premissa é interessante – os humanos tentam colonizar um novo planeta mas são travados nas suas ambições. Ainda assim, não me cativou. Apesar de ter algumas páginas graficamente interessantes, encontrei componentes demasiado estáticas e diálogos demasiado estereotipados que não soaram naturais.

Terra 2.7 foi publicado pela Escorpião Azul.

Novidade: Quinta estação – N.K. Jemisin

Surpreendentemente, a Relógio d’água lança Quinta Estação, um dos livros de ficção especulativa com mais sucesso na literatura anglosaxónica que ganhou o prémio Hugo. Os restantes volumes da série venceram, também, prémios, com o segundo volume a ganhar outro Hugo e o terceiro um Nebula. A série ganha algum interesse político e social por ter ascendência africana e ter personagens de características raciais diferentes. Deixo-vos a sinopse:

“Quinta Estação” venceu o Hugo Award 2016 para Melhor Romance e será brevemente adaptado a série de televisão da TNT.

É o primeiro livro da série Terra Fraturada. O segundo volume, “The Obelisk Gate”, venceu também o Hugo Award, em 2017. O terceiro livro, The Stone Sky, foi publicado em agosto de 2017 e venceu o Nebula Award 2018 para melhor romance.

É assim que o mundo acaba pela última vez.Começa com a grande fratura no coração do único continente do mundo, vomitando cinzas que encobrem o sol.Começa com morte, com um filho assassinado e uma filha desaparecida.Começa com traição e feridas há muito adormecidas que recomeçam a supurar.Isto é o Sossego, um território de catástrofe, onde o poder da terra é empunhado como arma. E onde não há misericórdia.

 

Rascunhos na Voz Online

Neste oitavo volume entrevistámos João Barreiros que nos falou da ficção científica enquanto leitor e enquanto escritor. João Barreiros é dos poucos autores de ficção científica em Portugal e recentemente publicou Terrarium (uma nova edição, revista, com Luís Filipe Silva) e Crazy Equóides. Depois de lançada a entrevista na rádio, encontra-se agora disponível na Mixcloud.

O Poder – Naomi Alderman

Um dia, num mundo em tudo semelhante ao nosso, desperta nas mulheres um forte poder que muda as regras da sociedade em todos os pontos do planeta – o poder de gerar descargas eléctricas. Se, no início, este poder pertence exclusivamente às mais novas, com o passar do tempo, as mais novas ensinam as mais velhas a acordar as suas meadas para fazerem o mesmo.

O poder surge, inicialmente, em mulheres que estão em perigo ou em situações constrangedoras: um pai adoptivo que gosta de disciplinar através de abusos sexuais, um desconhecido que pretende um sorriso de uma rapariga, uma menina que vê a casa invadida e a mãe espancada até à morte. Os episódios brutais despertam a inesperada descarga eléctrica e rapidamente o poder se espalha, começando a ser usuais as pequenas batalhas eléctricas entre raparigas.

No seguimento de um destes episódios brutais uma rapariga refugia-se num mosteiro, procurando abrigo mas acaba por descobrir aqui uma vocação, tornando-se uma espécie de Messias dos novos tempos. A nova Eva acolhe mais raparigas perdidas, expulsas de casa ou abandonadas pelas suas capacidades, construindo uma espécie de exército que crescerá e poderá controlar o novo mundo.

A história não é contada apenas na perspectiva de raparigas, centrando-se, também, num rapaz que descobre ter jeito para repórter. Tendo conseguido filmar um dos primeiros episódios que envolveram descargas eléctricas, percorre o mundo de país em país, relatando os picos de tensão social, principalmente em países onde as mulheres são comummente humilhadas e aprisionadas.

Num mundo em tudo semelhante ao nosso, em que os homens usam frequentemente a sua autoridade e maior poder físico para se imporem e manipularem (ou desvalorizarem) a componente feminina, o surgir deste poder inverte o jogo de poderes. Não se julgue, claro, que quem foi subjugado, agora no poder, fará melhor trabalho. Rapidamente as circunstâncias começam a inverter-se e ocorrem inúmeros casos de abusos dos homens, na mesma medida em que aconteciam com as mulheres.

O Poder consegue, com uma premissa bastante simples (e se as mulheres pudessem emitir fortes descargas eléctricas), reverter a ordem social e fazer uma reflexão bastante interessante sobre vários aspectos do equilíbrio entre géneros. No final, vários séculos após a inversão de poderes, questionam-se alguns factos actuais, tidos como mitos, como, por exemplo, a castração feminina. Decerto que tal monstruosidade nunca terá ocorrido. Entre os vários capítulos que relatam a evolução do poder eléctrico encontramos pequenas provas e artefactos que pretendem provar a existência do poder ao longo dos séculos.

Não esperem que O Poder seja uma leitura amorosa e delicada. O poder surge em circunstâncias pesadas que são demasiado comuns (e actualmente reais) e consegue apresentar episódios emocionalmente fortes que levam o leitor a ter uma visão interessante do equilíbrio de poder entre os géneros, e a questionar-se sobre o exercício de várias formas de poder, físico e psicológico.

Com os direitos vendidos para adaptação a série televisiva, O Poder foi nomeado como um dos melhores livros de 2017 pelo The New York Times e foi lançado no mercado português pela Saída de Emergência.

Notícias fantásticas – Junho de 2018

Este tipo de artigos tinha sido suspenso quando criei rubricas no Scoop para agregar links de notícias nacionais e internacionais, mas com a alteração das normas Scoop eis um destaque a alguma das coisas mais interessantes que se passam sobre ficção especulativa!

Para começar a Imaginauta noticiou a sua presença na próxima Eurocon! Desta forma, os portugueses voltam a ter uma espaço para apresentarem o que cá se faz num painel destinado à ficção especulativa portuguesa. O painel vai possuir três elementos, Rogério Ribeiro (organizador do Fórum Fantástico), Carlos Silva (Imaginauta) e Pedro Cipriano (Editorial Divergência).

É já amanhã (02 de Junho) que existirá uma conversa, moderada por Rogério Ribeiro, às 16h no espaço BLX (Bibliotecas Municipais de Lisboa). Esta conversa decorrerá com os autores de Dragomante, Filipe Faria e Manuel Morgado, partindo desta obra e estendendo-se a outros temas da criação fantástica. A

Entretanto foi anunciado o próximo volume da coleção Génesis, mais um premiado com o prémio Caminho de Ficção Científica! Com a queima da maioria dos livros da colecção de ficção científica que ainda estavam em armazém, os exemplares desta colecção desapareceram das livrarias. Com a inclusão do livro na coleção Génesis passa a estar disponível gratuitamente em formato digital.

Novidade: Viagens – The Lisbon Studio Vol.3

 

O mais esperado evento de banda desenhada do ano ocorre já no próximo fim de semana em Beja! Entre os inúmeros lançamentos encontra-se Viagens, a terceira antologia da colecção que apresenta pequenas histórias de autores portugueses. O livro será apresentado com a presença de vários autores e existirá uma exposição no evento (em conjunto com os restantes livros da colecção e os seus autores) alusiva. Para além da sessão de lançamento no Festival de Beja estão previstas duas sessões de autógrafos durante a feira do livro e na Kingpin Books.

Trata-se de uma publicação conjunta da G FLoy e da Comic Heart e deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Uma narrativa é sempre uma viagem, do passado ou presente para o futuro, do mundo limitado para um mundo sem limites, do criador e narrador para o leitor, do dizível para o indizível, do visível para o invisível, ou vice-versa… Sete histórias, que são outras tantas viagens sequenciais para destinos incertos ou certeiros.

 

“De certo modo, a tradução do mundo que a banda desenhada faz é uma redução à sua essência, como se prescindisse do que se revela desnecessário e se ativesse ao que importa a cada forma e cada situação. Mas a banda desenhada não lida apenas com a versão estrutural das formas, ela escolhe também, para a narrativa das situações, instantes essenciais. (…) O desenho é mais do que a representação de formas e gestos, é aproximação ao invisível, indizível, impossível. Como em qualquer arte, ele tem ansiedade pelo sem limite.

É urgente haver mais. ”

– do prefácio de Valter Hugo Mãe

O terceiro volume da colecção de antologias de histórias curtas pelos membros do The Lisbon Studio será lançado no XIV Festival de BD de Beja (25 a 27 de Maio), um volume com sete histórias e oito autores que se organiza à volta do tema do título. Depois do sucesso de CIDADES, (TLS Series vol. 1), já esgotado, e de SILÊNCIO (TLS Series vol. 2), esta colecção de alguma da melhor banda desenhada que se faz no nosso país pelos membros de um colectivo que já se tornou lendário continua a sua programação semestral, e a ser um dos pontos altos do calendário nacional de BD. Relembramos que CIDADES foi distinguido com duas nomeações para os Prémios Nacionais de Banda Desenhada Amadora BD, na categoria de Melhor Desenho (para as histórias de Filipe Andrade e Marta Teives), e venceu o Galardão do Comic-Con para a Melhor História Curta (com a história de Filipe Andrade), para além de ter visto mais duas histórias nomeadas no para o mesmo prémio do Comic-Con (de Pedro Vieira de Moura e Marta Teives, e de Ricardo Cabral).

O The Lisbon Studio é um colectivo de ilustradores, designers e autores de BD, que conta com mais de uma década de existência, e que partilham um espaço com vista para o Tejo, em Santa Apolónia, naquela que é de, de facto, a casa da BD em Portugal. Autores que trabalham para a Marvel, autores que representam alguns dos maiores best-sellers da BD portuguesa, autores que representam estilos e modos de criação muito variados, incluindo autores que trabalham em design, ilustração, web-design, e mais. No The Lisbon Studio – apesar da constituição dos membros do TLS se ter alterado ao longo dos anos – não só se sente a herança dos seus fundadores, como a marca deixada por todos os que por aqui passaram.

 

Redneck – Vol.1 – Donny Cates, Lisandro Estherren, Dee Cunnife

Redneck é uma série de vampiros no interior americano – uma premissa que tem sido bastante explorada no cinema e na televisão, mas que, aqui, não assume detalhes românticos ou sonhadores, apenas práticos. Neste caso concreto trata-se de uma família de vampiros que tenta uma existência pacífica alimentando-se de sangue de vacas para conseguirem sobreviver sem entrar em conflito com os humanos.

De longas existências, estes vampiros desejam manter-se em paz, mas a verdade é que, tanto eles, como os humanos, recordam tempos em que tal não era possível. A tensão, sobretudo psicológica acumula-se, o receio dá lugar à materialização do medo. O resultado é uma guerra sangrenta de vingança, uma guerra com origem num mal entendido.

Nem todos os vampiros possuem os mesmos dons e, no caso desta família, apenas dois possuem o poder de ler os pensamentos e memórias de outros seres. Neste caso trata-se de um vampiro idoso que aspira aos costumes antigos, e um vampiro muito jovem que ainda não tem maturidade para que o deixam percepcionar determinados acontecimentos. Ambos possuem a chave para se perceber os acontecimentos que dão origem à guerra, mas, por motivos opostos, não se procura a capacidade de nenhum a não ser quando já é demasiado tarde.

Redneck é uma história sombria que explora personagens cuja longa vida não os deixa esquecer os traumas do passado – tão habituados estão a que os acontecimentos se desenrolem de determinada forma que é só uma questão de tempo para que voltem a acontecer. E ainda que tal seja verdade na maioria das vezes, esta expectativa fortalecida pela experiência leva-os, neste caso, a assumir determinados factos antes de os validarem.

Este volume começa de forma lenta, tentando acumular tensão nas primeiras páginas para levar o leitor ao esperado episódio de acção. E ainda que o tenha feito, parecem faltar peças no puzzle e os acontecimentos sucedem-se sem conseguir envolver, consistentemente o leitor. Ainda que existam momentos em que consegue captar, esta capacidade não se mantém, oscilando durante os episódios mais calmos que deveriam servir para tal.

Entenda-se, não é uma má banda desenhada. Tem personagens interessantes que poderiam ter sido melhor desenvolvidas e uma premissa que, não sendo totalmente original, poderia ter resultado melhor se alguns episódios tivessem sido limados. Trata-se de uma leitura engraçada, mas que ainda não sei se me vai levar a ler os restantes da série.

Novidade: Príncipe das trevas – Mark Lawrence

No seguimento das fantasias mais negras, de autores como George R. R. Martin (que não tem medo receio de exterminar as suas personagens) ou Joe Abercrombie (que se centra em personagens que podem ser descritas como “feios, porcos e maus”), temos Mark Lawrence, agora publicado em português pela TOPSELLER:

A Rainha Vermelha está velha. Ainda assim, controla todo o poder no seu vasto império. Jalan Kendeth, o seu neto, não tem tais preocupações. A bebida, as mulheres e uma vida longe de todas as responsabilidades mantêm-no ocupado.

Por isso fica tão surpreso quando é chamado a ouvir estas histórias da boca de escravos e prisioneiros. Porque quereria a Rainha Vermelha envolvê-lo? Quando Snorri, um guerreiro nórdico, conta uma história de cadáveres devolvidos à vida e do Rei Morto, Jalan só pensa nas várias formas de o utilizar para ganhar dinheiro. São fantasias, o que conta. Mitos. Histórias de encantar.

E é por isso que Jalan fica tão frustrado quando a magia o liga a Snorri. Agora vai ter de ir ao norte desfazer o feitiço. O que será que os espera?