Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (7)

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49 – Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi – Este volume reúne duas histórias bastante distintas, uma primeira, mais longa em que assistimos aos últimos dias de um cão, um animal doméstico muito bem tratado que aguenta o sofrimento da velhice por longos dias, a que se segue a adopção de uma gata prenha que vem preencher o espaço deixado. A segunda é uma história sobre a exploração e o ultrapassar de barreiras físicas e mentais;

50 – Black Face – Túnicas azuis Vol. 9Willy Lambil e Raoul Cauvin – A série continua a explorar a guerra da Secessão aproveitando, neste caso, para explorar o tema da escravatura, um pretexto para fazer uma guerra de ambição e de busca por lucros, que pouco tem a ver com o trabalho escravo;

51 – Histórias de Vigaristas e canalhasOrganizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, a antologia reúne várias histórias fantásticas protagonizadas por vilões em diversos cenários e premissas mirabolantes e imaginativas;

52 – Drifter – Vol.2 – Ivan Brandon e Nick Klein – Tal como no primeiro, a história não é linear e directa. Vamos observando o desenrolar de acontecimentos como meros espectadores, com pouco enquadramento ou compreensão e temos de ir construindo a história, com pistas espalhadas ao longo das várias narrativas.

Destaque: Novas edições

Não são só os novos livros que devem ser destacados, mas também aqueles que se recuperam no mercado para não caírem em esquecimento. Eis alguns que serão lançados novamente nos próximos tempos:

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Um dos grandes livros de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, terá nova edição na colecção RTP, em capa dura e preço acessível. Este clássico da literatura fantástica apresenta várias cidades ficcionais descritas por Marco Polo ao Imperador Kublai Khan. Nomeado para o prémio Nebula, o livro já serviu de inspiração para uma Opera. Eis a sinopse:

A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. […] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. […] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.» Italo Calvino «Ao projetar a sua própria voz nos relatos de cidades que pontuam o diálogo entre Marco Polo e Kublai Kan, Calvino reencontra essa capacidade dos antigos construtores de fábulas, e sabe transmitir o prazer que aquele que conta tem de suscitar no ouvinte, que é o próprio leitor.» Nuno Júdice Prefaciado por Nuno Júdice.

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Adaptado para cinema, O Prestígio é a história fantástica da rivalidade tempestuosa entre dois mágicos:

Uma história de segredos obsessivos e curiosidades insaciáveis. Londres, 1878. Dois jovens mágicos cruzam caminhos enquanto actuam em luxuosas salas de espectáculo vitorianas. E cedo nasce um feudo cruel que irá assombrar as suas vidas, levadas ao extremo pelo mistério de uma espantosa ilusão que ambos fazem em palco. A rivalidade instiga-os a atingir o pico das respectivas carreiras, mas com consequências terríveis. Na busca de um truque que conduza à ruína do rival, escolhem o caminho da ciência mais negra. O sangue será derramado, mas não será suficiente. No fim, o legado dos mágicos irá passar para as futuras gerações e serão os descendentes a ter de desvendar a teia de loucura que envolve estranhos actos de magia…

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Publicado há algum tempo no mercado português, retorna pela G Floy:

Há dois lados para cada história, e agora chegou a altura de ouvir o lado de Loki: o filho preterido de Odin vai contar a história toda do seu ponto de vista, a sua sede insaciável de poder, os seus sentimentos ambíguos para com Sif, a sua antipatia para com Balder, e o seu imenso ressentimento contra o seu irmão mais velho, Thor. Com a excepcional arte de Esad Ribic, um dos maiores artistas da Marvel, e argumento do romancista Robert Rodi, esta história auto-contida vai mostrar-nos Asgard como nunca a tínhamos visto! Loki tornou-se finalmente soberano de Asgard, e Odin foi colocado a ferros, tal como todos aqueles que batalharam em seu nome. No entanto, Loki vê-se cercado de antigos aliados e interesses vários, todos em busca de recompensa pela ajuda prestada na sua ascensão. E Hela, deusa do Reino dos Mortos, empurra-o para completar o seu triunfo com a execução de Thor. Loki terá de ponderar se a sua existência fará algum sentido sem o seu meio-irmão…

Sobre Loki deixo-vos, também, algumas páginas disponibilizadas pela editora:

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Deadpool – A Guerra de Wade Wilson – Duane Swierczynski e Jason Pearson

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Entre a loucura e a trapaça pouco ou nada se pode acreditar no que Deadpool diz. Este volume reúne duas histórias em que Deadpool tem oportunidade para revelar como surgiu a sua identidade, como se destruiu a sua aparência, como se tornou mercenário. Herói consciente da sua presença numa banda desenhada, consciência que o torna ainda mais louco para os que o rodeiam, Deadpool é um misto de angústia e loucura inteligente.

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Deadpool é, na prática, um palhaço perigoso. Capturado no seguimento de uma missão que originou uma carnificina colossal, é chamado a testemunhar no senado americano. De máscara em máscara conta uma versão da sua história que poucos conseguem corroborar, nem que seja parcialmente. O homem que foi, Wade Wilson, poderá não ter existido, ou pelo menos não da forma como descreve.

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Desfigurado, Deadpool esconde-se por detrás da máscara e por detrás de uma grande dose de sarcasmo sob a forma de piadas constantes que oscilam entre a auto-comiseração e a perda da razão ou de percepção. Entre o que conta e o que sucedeu existe uma grande diferença, e no final ficamos sem perceber se a versão final é minimamente credível. Provavelmente não é.

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Para além da história que dá título, o volume apresenta uma outra história sobre a origem de Deadpool (X-Men Origins: Deadpool). Também aqui Deadpool conta a sua história, procurando, entre os argumentistas de Hollywood quem possa fazer uma boa adaptação.

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Tratando-se de Deadpool, a abordagem é violenta. De argumentista em argumentista, quase todos tentam, sem o ouvir, apresentar uma versão alternativa da sua própria vida, dando-lhe outra profissão ou outra origem. As entrevistas sucedem-se, deixando um rasto de sangue e destruição, até ao momento em que encontra, finalmente, alguém que começa por ouvir a versão de Deadpool.

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Rindo-se de si próprio, perante os que o rodeiam e perante o próprio leitor, consciente de que existe um leitor, Deadpool é uma personagem do qual nada se pode esperar. Pouco linear, escondido sob várias camadas de versões mais ou menos romanceadas dele próprio, ou demasiado brutais, percebemos que o verdadeiro Deadpool, que existe em raros momentos de sanidade, se encontra entre todas estas versões que utiliza a seu belo prazer, consoante a audiência e o objectivo.

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Este volume constitui o 36º de A Colecção Oficial de Graphic Novels Marvel da Salvat.

Histórias de vigaristas e canalhas – Vários autores

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À semelhança de Histórias de Aventureiros e Patifes, Histórias de Vigaristas e Canalhas reúne contos de conhecidos autores de ficção científica e fantasia onde os protagonistas são ladrões, aldrabões ou trapaceiros. O ângulo de acção de todos é sempre, ou quase sempre, o de arranjar uma forma de lucrarem com a situação em que se encontram, arranjando esquemas mirabolantes e arriscados para enganarem os que os rodeiam.

A selecção foi feita pelos famosos Gardner Dozois e George R. R. Martin e inclui autores tão conhecidos como Joe Abercrombie (com vários livros publicados em Portugal pela 1001 Mundos), Steven Saylor (mais voltado para a ficção histórica com a famosa série Roma Sub-Rosa), Michael Swanwick (do qual foi publicado O Verdadeiro Dr. Fausto pela Saída de Emergência) ou Cherie Priest (ainda não publicada em Portugal mas muito conhecida pelo Steampunk).

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A antologia começa com Está difícil para todos, um conto de Joe Abercrombie que reflecte bem o espírito da restante ficção do autor onde as personagens, apesar de não totalmente más, se mostram implacáveis, escolhendo o único caminho que conhecem, o da criminalidade. Neste caso um estranho pacote é roubado sucessivamente por várias pessoas que escondem outros interesses (para além dos monetários). Um conto movimentado onde vamos conhecendo criminosos de vários tipos e capacidades.

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Em Heavy Metal, de Cherie Priest, forças muito antigas ocupam descampados e um peso pesado investiga o peculiar desaparecimento de dois jovens. A sobrevivente acredita que estes estarão mortos, mas a cena que descreve é, no mínimo, surreal. Envolvendo forças sobrenaturais e confrontos mágicos, é um conto com um desenvolvimento inesperado.

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O conto seguinte é de Carrie Vaughn, conhecida autora de fantasia sobrenatural, uma best-seller no género. O conto decorre num bar escondido onde duas senhoras esperam para fazer negócio. O que as traz não sabemos, mas logo percebemos que, no bar, o clima é de calma apenas aparente. Entre as várias personagens pouco humanas e de grandes poderes, o jogo ilegal decorre prometendo uma explosão a qualquer momento.

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Vencedor do World Fantasy Award e do John W. Campbell Memorial Award, Bradley Denton é um nome que não me recordo de ter lido anteriormente. O conto que aqui se encontra é uma reviravolta divertida onde ladrão que engana ladrão tem cem anos de perdão. Bem, não tem, mas pelo menos o aproveitar de um esquema em curso para roubar ladrões descuidados e inexperientes é quase como ver o Karma em acção – e é divertido.

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Diamantes de Tequila, de Walter Jon Williams, centra-se num actor com um passado sombrio. As filmagens do mais recente projecto em que se encontra envolvido decorrem no México. De figura pouco atraente, ganha sobretudo papéis de vilão. A par com a sua figura, tem, para maior publicidade, um falso romance com a grande actriz do elenco. As filmagens em cenário paradisíaco começam a correr mal quando encontra a falsa namorada morta no seu quarto, o resultado de um esquema químico que pode por em causa o negócio das drogas e das indústrias farmacêuticas.

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Do autor da trilogia fantástica iniciada com A Missão de Sabriel, Um carregamento de Marfins grupos diferentes de ladrões sobrepõem-se na sua missão nocturna, mas acabam por juntar forças para defrontar uma figura divina, imensa e raivosa.

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O conto de Matthew Hughes, A Estalagem das Sete Dádivas, é um dos melhores do conjunto, acompanhando um ladrão solitário e trapaceiro que, ao ouvir os gritos de socorro de um homem, capturado por seres fortes, canibais e horrendos, decide aguardar para que se afastem e poder recolher os objectos que o homem terá deixado. O que não conta é que entre estes objectos está um pequeno Deus encerrado numa pequena figura e que, ao tocar-lhe ficará possuído e obrigado a ir salvar o homem. Sempre em busca do melhor ângulo, acaba por arranjar um pequeno acordo com a divindade que se tornará bastante proveitoso.

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Steven Saylor é bastante conhecido pela série sub-rosa, uma série de ficção histórica que decorre na Roma Antiga, centrada num investigador maduro, Gordiano, de bom coração e casado (se tal se podia dizer para a época) com a escrava. Em Invisíveis em Tiro Gordiano é apenas um rapaz que acompanha o seu tutor, Antípatro. Na viagem que os dois realizam Antípatro tem objectivos obscuros que não contou a Gordiano, pretendendo adquirir uns antigos livros de sabedoria que conterão fórmulas para tudo e mais alguma coisa. Inclusivé, para a invisibilidade.

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Tawny Petticoats é o conto de Michael Swanwick onde dois trapaceiros de profissão procuram uma rapariga para pôr em curso os seus esquemas. Ao invés de uma jovem inocente ou ingénua encontram uma colega de profissão que alinha no golpe. Os visados não são boas pessoas. Um deles comanda os zombies da cidade, e outra as prostitutas. Os zombies não são os comuns mortos-vivos, mas seres humanos que, tendo contraindo dívida, ingerem uma poção que os fará desligar o cérebro e obedecer cegamente, para assim poderem pagar o que devem.

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O conto seguinte é de Lisa Tuttle, uma das autoras do genial Windhaven, O Curioso Caso das Esposas Mortas. Neste conto uma detective recebe um estranho caso em que uma menina, criança, acredita ter visto a falecida irmã, caminhando e respirando, no cemitério onde terá sido enterrado. Não crendo que a jovem está viva, mas percebendo que a história tem algo de estranho, a detective aceita o caso. O que encontra é um caso mirabolante de farsas e enganos.

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O último conto da antologia, O significado do Amor, apresenta o salvamento de uma jovem vendida pelo pai para trabalhar. Quem a salva não a conhece verdadeiramente mas foi compelido por a ter visto sob determinada luz – amor à primeira vista. Um trapaceiro profissional ajuda assim o amigo a salvar a jovem, recorrendo a esquemas mirabolantes em que envolve um antigo e perigoso militar.

O conjunto de histórias aqui reunido é sobretudo divertido, com desenvolvimentos inesperados e rocambolescos, aventuras onde os ladrões até se dão bem no meio de azares e tropelias. Os tons e os estilos são variados mas todos possuem a componente interessante de não terem como protagonistas os heróis típicos de honra e espada, mas antes pessoas de moral dúbia que recorrem a esquemas para darem volta às mais complicadas situações e ainda saírem a ganhar.

Histórias de vigaristas e canalhas foi publicado pela Saída de Emergência.

Destaque: Projecto – H.G.Wells – Ficção curta completa – Vol. 1

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Depois de publicarem clássicos da fantasia como Jurgen de James Branch Cabell, literatura subversiva de Vilhena, ou o fabuloso Casos de direito galáctico e outros textos esquecidos de Mário-Henrique Leiria, a E-Primatur continua a destacar-se com os projectos de 2017, neste caso com o primeiro volume da Ficção Curta Completa de H. G. Wells. Deixo-vos a sinopse:

Algumas das maiores obras-primas do conto em língua inglesa numa obra que reúne pela primeira vez um conjunto de textos essenciais do século XX.

Primeiro de dois volumes que compilam toda a ficção curta (contos e novelas) de um dos escritores mais influentes do século XX (o segundo volume será publicado em 2018).

H. G. Wells é essencialmente associado aos primórdios da ficção científica moderna, mas as suas obras são universais e lidas pelos mais diversos públicos. No caso dos seus contos e novelas, o leitor português terá pela primeira vez acesso a algumas obras inéditas, mas que marcaram a literatura universal. Ficará também a perceber que a maior parte da obra de Wells não se centra no universo da ficção científica e sim em temas universais: as ambições, medos, traumas e sonhos do ser humano.
Textos clássicos como «O Homem que Fazia Milagres», «A Máquina do Tempo» ou «O Bacilo Roubado» revelam de que forma o final do século XIX e começo do século XX acreditava no futuro da ciência como forma de melhorar a Humanidade.
Para além dos textos que envolvema ciência, Wells revela-se um excepcional retratista da sociedade da sua época, agudo observador de tipos e hábitos, das esperanças de um império britânico no começo da sua fase descendente em contraponto a um mundo moderno governado pela ciência.
Dos contos e novelas incluídos no primeiro volume, mais de 20 foram alvo de adaptações cinematográficas e televisivas (e quase todos foram adaptados a teatro radiofónico pela BBC).

H-Alt – 3 – Diversos autores

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Cada vez maior, cada vez reunindo o talento de autores mais diversos e mais diferentes, a terceira revista da H-Alt possui histórias que se enquadram na ficção científica, na fantasia e no horror.

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O volume abre com uma história de bruxarias e destinos onde as intenções divergem bastante do esperado e prossegue para a exploração do desespero com a venda de um fármaco milagroso. Novamente as intenções divergem e o resultado é, no mínimo, irónico.

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Depois dos alienígenas que caminham quase invisíveis entre nós segue-se uma irónica história de Arthur Cordeiro que apresenta, para além do bom visual, uma boa narrativa. De seguida, voltamos a encontrar alienígenas – o espaço pode ser um local medonho mas quem fica assustado com o que encontra são os visitantes, numa história curta, amorosa e engraçada.

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Depois das espectaculares imagens do autor da capa, voltamos a encontrar alienígenas que tecem um plano para, com o mínimo esforço, conseguirem o que pretendem da humanidade, e viagens intergalácticas onde se usam teorias sobre a matéria negra para se escapar a um fim quase inevitável.

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Cruzando diversos géneros, estilos narrativos e abordagens visuais, H-Alt volta a trazer boas histórias curtas onde se destaca a componente gráfica mostrando que a maioria das parcerias atinge um resultado com um nível acima da média.

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Eventos: Devoradores de Livros – Fevereiro

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A tertúlia Devoradores de Livros tem data marcada para o dia 23 de Fevereiro e irá decorrer no lugar habitual, a Leituria em Lisboa. Esta sessão tem como convidado Tomás Múria, o guionista que adaptou o Ministério do Tempo para português.

Para mais detalhes podem consultar a página do evento.

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (4)

37 – Os Cavaleiros do Céu – Vol.1 – Os Túnicas Azuis – Willy Lambil e Raoul Cauvin – O primeiro volume revelou uma história leve que, apesar de decorrer durante a Guerra da Secessão, usa a dinâmica entre duas personagens bem diferentes mas inseparáveis para aligeirar o tema e dar constantes toques cómicos. Uma leitura leve e divertida;

38 – Malus – Christopher Webster – Entre ensaios farmacêuticos que têm impactos inesperados assistimos a uma mescla de surrealidade e de viagens subconscientes, a confrontos intensos e fantásticos;

39 – Waltz with Basir – Ari Folman e David Polonsky – Banda desenhada poderosa que discorre paralelamente sobre a memória peculiar de um soldado e a sua peculiar experiência da Guerra. Forte pela temática onde os civis são arrastados para o cerne do horror da guerra, interessante pela perspectiva pouco usual, diferente pela forma como resolve explorar um tema sensível, Waltz with Basir é uma leitura marcante;

40 – Remington – Listopad – Aconselhado durante uma das sessões de Recordar os Esquecidos, reúne vários textos curtos do escritor que cruzam referências a personalidades com referências históricas, tudo numa forma quase banal e corriqueira, que passam, aos olhos de quem lê, quase como episódios normais – mas na verdade, poucos o são.

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (3)

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33 – A Feira dos Imortais – Enki Bilal – Aproveitando a mitologia egípcia, apresenta alienígeneas à sua semelhança, com características paralelas, que interagem com os seres humanos numa sociedade futurística e distópica, uma sociedade que necessita urgentemente de uma revolução;

34 – O sono do monstro – Enki Bilal – Tal como A feira dos imortais, esta história foi surpreendente para quem só conhecia os álbums mais recentes, tanto do ponto de vista gráfico, como do ponto de vista de enredo, apresentando várias personagens mais complexas que se envolvem numa trama política a escala mundial;

35 / 36 – Destino adiado – Tomos I e II – Gibrat – Um jovem deserta e tem a sorte dos seus papéis serem encontrados juntos de um cadáver irreconhecível. Dado como morto pelo exército esconde-se na sua vila e ocupa uma casa central que lhe permite acompanhar o dia-a-dia dos que conhece sem se revelar. Apaixonante, romântico, mas mostrando a inevitabilidade do destino, este tomo duplo revelou uma história muito tocante e envolvente.

Memórias D’Além Espaço – Enki Bilal

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Neste Memórias D’Além Espaço reúnem-se várias histórias de Enki Bilal que decorrem sobretudo no exterior da terra e envolvem outras espécies inteligentes, espécies com códigos diferentes dos nossos que cuja interacção deriva numa estranha e catastrófica confusão diplomática.

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Mas aqui não se ironizam apenas os contactos com outras culturas, mas também a interacção com robots e inteligências artificiais ou homens que se cruzaram com robots de forma simultaneamente louca e romântica. Os seres humanos continuam a tentar usar os outros seres que encontram e que fabricam, relativando as suas necessidades e pensamentos, e julgando que podem facilmente manipular com uma atitude condescendente e prepotente.

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Aqui encontramos espécies alienígenas que destacam as suas próprias cabeças, mantendo-se conscientes e vivos, espécies que se dedicam à paz e à harmonia apesar das capacidades que fariam deles excelentes soldados, plantas que criam ilusões fenomenais e amores impossíveis entre robots e humanóides.

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Divertido e irónico, possui algumas histórias engraçadas, destacando-se pelo aspecto gráfico de algumas componentes, carregadas de aspectos futuristas mas, ainda assim, tão humanos.

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Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (2)

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29 – The House of Shattered Wings – Aliette de Bodard – Numa Paris futura corrompida e semi-destruída pela magia, os anjos caem do céu sem se recordarem da sua existência anterior. Sem memórias são como crianças, facilmente atacados por seres humanos que procuram extrair da sua carne a magia que possuem. Felizmente existem alguns anjos mais antigos, detentores de casas de administração feudal que procuram e acolhem os novos anjos. Mas a magia não existe só nos anjos, também em criaturas muito antigas de outros pontos do globo, criaturas que não compreendem totalmente este sistema. Numa das casas uma maldição aguarda para ser acordada, uma maldição que irá corromper e destruir lentamente a comunidade;

30 – East of West – Vol.1 – Hickman, Dragotta e Martin – Primeiro volume de uma conhecida série de banda desenhada, introduz uma realidade em que os quatro cavaleiros do apocalipse deambulam em demanda. Fome, guerra e peste procuram morte que, por sua vez, procura algo a sua amada, sem saber se ela ainda está viva. Entre chacinas e tramas humanas de manipulação, os quatro cavaleiros vão cumprindo o seu papel na mensagem profética que circula pelo mundo e que irá ditar o destino de todos;

31 – A Doença, o sofrimento e a morte entram num bar – Ricardo Araújo Pereira – Pequeno livro de curtas dissertações, fala sobre várias obras de comédia, questionando sobre o motivo de serem cómicas e tecendo paralelismos entre obras e referências culturas, por vezes cruzando ditados e expressões comuns para espelhar e conceder ao senso comum a noção de comédia;

32 – Corto Maltese – Longínquas Ilhas do Vento – Hugo Pratt – o primeiro livro que leio de Corto Maltese possui uma boa introdução cultural que permite explicar os acontecimentos históricos aos quais as aventuras estão relacionadas. Corto Maltese é uma personagem que vai tendo papéis que nem sempre compreende nas suas próprias aventuras onde explora e age por impulso, envolvendo e deixando-se envolver pelas mulheres que encontra.

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (1)

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25 – Azul – Michael Pastoureau – Cruzando a evolução da cor e a sua utilização ao longo de várias sociedades e culturas, peca pela demasiada centralização no ocidente. Inicialmente sem associação simbólica, a cor começa a ser usada com o desenvolvimento de novas técnicas de coloração e associação a estereotipos sociais;

26 – Memórias d’Além Espaço – Enki Bilal – Série de histórias curtas de ficção científica com finais irónicos de máximo prejuízo em que o autor apresenta algumas boas páginas. Sem ser um conjunto excelente é bem disposto e irónico, uma combinação agradável;

27 – A Ermida – Rui Lacas – Pequena história de poucas falas que inspira uma enorme simpatia pela forma carinhosa como se expressa. As páginas apresentam apenas uma cor o que, neste caso, funciona muito bem para dar o aspecto e o ambiente pretendido. Apesar de curta é uma excelente e agradável história;

28 – Orchidea – Cosey – Quando comecei a leitura não pensei que fosse gostar da história. As personagens pareceram distantes, com os seus diálogos de show-off mas depois percebemos que estes diálogos e postura fazem parte de piadas partilhadas entre familiares e que na verdade são a sua forma de contribuir para o ambiente familiar. Contra todos os clichés esperados, Orchidea consegue supreender surpreender pela positiva

Honorata, a Trisavô – A Casta dos Metabarões – Jodorowsky e Gimenez

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Os grandes guerreiros não surgem do nada. Não surgem apenas de pontuais situações violentas. Surgem da intensa aprendizagem em enfrentar a dor e suprimir os sentimentos e, então sim, surgem de sucessivas situações pouco comuns, combinações raras e pouco prováveis que acabam por originar resultados excepcionais.

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Neste caso a casta conta com o entrelaçar com uma temida Shabda-oud, uma linhagem de guerreiras e feiticeiras temidas com fama de conseguirem hipnotizar os comuns mortais. Sem receio da morte, Honorata é oferecida a Othon que se apercebe do espírito implacável da Shabda-oud e que a elege como sua companheira, apesar de desprovido de genitais.

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Nada que uma feiticeira deste calibre não consiga contornar e da união de ambos resulta uma gravidez, alvo do ciúme das escravas de Othon, antigas amantes do guerreiro que se viram afastadas com a entrada de Honorata em cena. Loucas de ciúme tecem um plano para terminar com a gravidez e com a própria Shabda-oud. Um plano que não será totalmente bem sucedido mas que fará da criança um espécime anormal que Othon se nega a educar. Resta-lhe a mãe implacável e fria que o irá preparar para a prova de sobrevivência em que terá de enfrentar Othon.

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A junção das duas linhagens produz uma criança capaz de negar a dor extrema, um futuro guerreiro capaz de sacrificar o que lhe é mais querido, que aprende a afastar-se dos sentimentos e que desconhece a expressão de amor, seja materno ou paterno. Apesar da extensa tecnologia do Império a guerra persiste e, entre vícios e corrupção, surge uma casta de guerreiros honrados mas duros que não se deixam subjugar por ninguém.

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A Casta dos Metabarões foi publicado pela Meribérica / Liber.

O Sono do Monstro – Enki Bilal

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Se, em A Feira dos Imortais (primeira história reunida neste volume duplo) tinha sentido uma grande diferença para as histórias mais recentes, inóspitas em elementos com paisagens desérticas, poucas personagens e muita melancolia numa sociedade pós-colapso, O Sono do Monstro volta a revelar uma mente mais imaginativa onde são possíveis as histórias mais movimentadas e um maior desenvolvimento de premissa.

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O futuro aqui apresentado está carregado de elementos conhecidos, mas ligeiramente transformados, como uma espécie de nostalgia pelo nosso próprio tempo criando uma relação sem quebra com o nosso mundo. A guerra existe e foi nela que Nike se tornou órfão. Dotado de uma memória prodigiosa, recorda os bebés que o rodeavam e os primeiros momentos de vida e dedica-se a procurar os irmãos perdidos.

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Nesta sociedade desequilibrada em que é palpável a perda do valor do indivíduo é possível clonar um ser humano e substitui-lo. Não por um elemento biológico, mas por uma espécie de robot de aparência humana. Foi o que aconteceu à namorada de Nike – será que também o duplicaram?

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Enquanto a investigação decorre na Estação Espacial ocorre a desgraça. Uma série de moscas ataca de forma sangrenta os dois ocupantes, causando o caos – está em marcha um plano político grotesco, violento e sem escrúpulos onde as pessoas chave são postas em causa ou eliminadas.

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Tal como os desenhos são mais definidos, também a história apresenta contornos mais fixos do que as obras mais recentes, mais detalhada e fascinante, mais imaginativa em mundos carregados de mais possibilidades e percursos. Vê-se, no entanto, a mesma linha narrativa, a mesma tragicidade nos relacionamentos tempestuosos e sexualmente intensos, a mesma inevitabilidade decadente e destrutiva em que as personagens mais introspectivas agem de forma coerente, como âncoras em torno das quais se tece toda a narrativa.

O volume duplo A Feira dos Imortais / O Sono do Monstro foi publicado pela Edições Asa com o Público.

Destaque: Projecto Ficção – Obras Completas – Mário Henrique-Leiria

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A editora E-Primatur lança novo projecto. Depois de ter publicado o fabuloso Crónicas de Direito Galáctico e outras histórias de Mário Henrique-Leiria é iniciada a campanha para apoiar o lançamento do primeiro volume de obras completas do autor. Deixo-vos a sinopse:

Primeiro de 3 volumes que reunirão a obra completa do génio do surrealismo português. Este volume recolhe a ficção completa de Mário-Henrique Leiria, incluindo diversos textos inéditos e outros nunca antes compilados em livro.

Coligem-se os volumes míticos: «Contos do Gin-Tonic» e «Novos Contos do Gin» juntamente com outros contos dispersos e inéditos, uma novela, teatro, guiões e uma banda desenhada. A edição foi preparada pela Professora Tania Martuscelli (Universidade do Colorado/Boulder), a maior especialista na obra de Mário-Henrique Leiria, que recolheu todos os textos constantes do espólio do autor e em vários outros materiais dispersos.

Oferece-se pela primeira vez aos leitores portugueses de forma sistemática e coerente uma obra até agora dispersa e em boa parte indisponível.

Em Abril de 2018 será publicado o segundo volume: Poesia; e em Abril de 2019, o terceiro: Cartas e dispersos.

A Feira dos Imortais – Enki Bilal

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Já muito me tinham falado de uma época anterior de Enki Bilal onde os desenhos eram mais definidos e fantásticos, onde as histórias eram mais imaginativas e a totalidade mais fascinante. Conhecendo apenas os albums mais recentes (e gostando do estilo inóspito, pós-apocalíptico, desesperado e nostálgico) o que encontrei nesta dupla de histórias foi um tom ainda mais estranho e alienígena, uma falta de esperança de ironia forte onde o deserto está dentro dos homens e não no espaço que ocupam.

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Em A Feira dos Imortais os alienígenas são semelhantes a deuses egípcios, em naves que se locomovem a energia petrolífera, um método ultrapassado e que é desdenhado por alguns destes seres de cabeça animal. A postura destes deuses assemelha-se à dos deuses gregos, usando os seres humanos a seu belo prazer para os seus próprio fins.

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Hórus insurge-se contra os restantes deuses e para levar a cabo um plano de troca de poder no governo humano, um caminho que poderá levar ao fim de uma ditadura, resolve devolver à terra um humano exilado numa cápsula com o seu robot, também condenado. Estando em baixas temperaturas o regresso à terra não decorre sem incidentes – ainda demasiado gelado para acordar, o embater de uma perna provoca a sua quebra como se de gelo se tratasse deixando o homem a esvair-se lentamente em sangue.

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O trauma de acordar não se fica por aqui. Para além da presença estranha de um alienígena todo poderoso que resolve apropriar-se da sua mente, descobre que a amada morreu há muito a dar à luz o filho de ambos e que pouco reconhece do mundo que deixou. Possuído pela entidade semi-divina atinge o estatuto de herói concretizando parte do plano da entidade para se insurgir contra o líder humano actual.

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Imaginativo, carregado de detalhes mirabolantes e alusões religiosas, contendo paralelismo com mitologias várias e retratando uma sociedade distópica onde a sociedade se divide entre os ricos e os outros e as mulheres são mantidas em locais fechados onde cumprem o seu papel reprodutor, A Feira dos Imortais apresenta um Bilal carregado de ideias e de detalhes onde não falha a ironia do destino.

Este volume duplo foi publicado numa parceria da Asa com o jornal Público.

Resumo de Leituras – Janeiro de 2017 (5)

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17 – Starve – vol.2 – Brian Wood, Daniel Zezelj, Dave Stewardo segundo volume fecha a história de forma belíssima, mostrando alguém que consegue, finalmente, enfrentar-se a si próprio, romper com as convenções sociais e reverter os conceitos que determinam um suposto estatuto social baseado em falsidades;

18 – Descender – Vol. 3- Jeff Lemire e Dustin Nguyen – Depois de dois volumes movimentados, este terceiro explora as histórias de cada uma das personagens, mostrando as privações e traumas que tiveram de passar para se tornarem naquilo que vemos. Ainda que seja uma componente interessante da história, estas várias histórias poderiam ter sido dispersas pelos dois volumes anteriores, sendo que aqui, ocupam quase a totalidade do volume, quebrando o ritmo da série;

19 – I Hate Fairyland – Vol.2 – Skottie Young – Ao tornar-se rainha Gertrude inicia um reinado  de horror, com jogos de morte, muitas cabeças cortas e várias guerras com todos os reinos vizinhos. O reinado termina após uma fiscalização e Gertrude encontra-se novamente livre para tentar sair do reino e voltar a casa. Com uma lista de possíveis saídas, este volume é episódico, mostrando Gertrude em cada uma das hipóteses a decidir-se, quase sempre, pela opção violenta, apesar do contexto aparentemente fofinho e querido;

20 – Muros – os muros que nos dividem – José Jorge Letria – A história da humanidade contada em construções de divisão, materialização do medo e influenciadoras do pensamento. Os muros não são meras divisórias, expressam políticas e sentimentos, expressam receios e hostilização, materializam-se a partir dos desejos de alguns, e acabam por se reflectir na mente dos restantes. Um interessante apanhado dos principais muros e muralhas que o homem foi construindo ao longo dos séculos, com espaço para reflexão.

Y: The Last Man – Vol.4 – Brian Vaughan, Pia Guerra, Goran Parlov e José Marzán Jr.

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Depois de três volumes em que não percebi o que tinha esta série de tão especial para aparecer nas listas de melhores bandas desenhadas para tantas pessoas, lá apanho um volume que me fez vislumbrar algo mais. Se os três primeiros volumes se dedicam, essencialmente, a explorar a dinâmica do trio composto pelo único homem vivo, uma cientista e uma agente militar, ou o trauma do desaparecimento repentino de todos os homens, neste volume expõe-se um pouco as razões para determinados comportamentos e pensamentos, para algumas acções que, nos anteriores pareceram irreflectidas e, até idiotas.

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Quando a cientista e a agente se decidem a ir, sem o último homem, Yorick, buscar antibióticos para o outro mamífero masculino vivo, o macaco de estimação de Yorick, deixam-no numa cabana nas florestas, a casa de uma agente reformada. Se a perspectiva é a de uns dias calmos e, até aborrecidos, logo logo as expectativas são frustradas quando Yorick se vê preso e torturado pela agente.

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Mas o intuito da tortura tem muito pouco a ver com segredos militares ou estratégicos e é, antes, uma forma de Yorick enfrentar as suas próprias frustrações, compreender o ímpeto auto-destrutivo que o tem caracterizado ao longo destes volumes e que tem menos a ver com irresponsabilidade e criancice do que parece. São assim explorados traumas sexuais e psicológicos que nos ajudam a compreender algumas das acções, e que o ajudarão a libertar-se do passado e a enfrentar as situações de forma mais racional.

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Depois deste episódio de descoberta interior, é a vez da cientista entrar em colapso psicológico, colapso que a leva a questionar as suas próprias capacidades e a tomar decisões irreflectidas que poderão ter consequências para a continuação da missão. Os pequenos períodos de confusão mental e as acções tempestuosas terminarão em violência e sangue, com o trio a responder melhor do que seria de esperar.

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A série parte de uma premissa relativamente simples – a morte de todos os mamíferos de género masculino à face do planeta. A partir daqui gera-se o caos, criam-se novas seitas e instala-se um clima típico de mundo apocalíptico. Mas tendo sobrevivo um rapaz e o seu animal de estimação, talvez haja esperança para a humanidade. Depois de vários episódios movimentados com questões bastante superficiais, finalmente temos, neste volume, um perspectiva mais próxima das personagens e dos seus conflitos pessoais, abordagem que poderá trazer uma melhor profundidade à história.