
Nem sempre procuramos aquilo que realmente precisamos – este livro começa com a viagem solitária do autor pela Austrália, viagem em que se afasta de todas as outras expedições por não ter vontade de conviver. Mas é exactamente nesta vontade de se afastar que, num ponto de recolha de mantimentos, troca meia dúzia de palavras com uma rapariga com a qual não se importa de se manter acompanhado.

Lentamente, de quilómetro a quilómetro, os dois vão-se conhecendo e habituando à companhia um do outro, construindo uma interessante e, muitas vezes, silenciosa harmonia, enquanto aproveitam a paisagem australiana, longe da civilização e de outros seres humanos.

Um dos elementos mais interessantes nesta história é exactamente a busca de solidão que se transforma em necessidade de uma companhia específica mostrando que a forma como procuramos ultrapassar os nossos maus momentos nem sempre é aquela que precisamos.

Em O Rio Salgado explora-se, também, a imensidão da paisagem australiana, diversa em altitudes e cenários, bem como em particularidades da fauna autóctone. O resultado é um livro com o qual se simpatiza, principalmente pela forma como o espírito da personagem evolui.

O Rio Salgado foi publicado pela Polvo.
