Será que o planeta Terra permanece no Universo como o único que alberga vida? E se realmente viermos a encontrar extraterrestres, será que nos consideram como seres vivos inteligentes, ou como animais sem direitos? Este Port Earth explora a possibilidade de um primeiro contacto que não traz paz nem guerra, antes uma transacção comercial – mas, como seria de esperar, as diferenças tecnológicas farão com que a convivência seja difícil.
A história começa por nos apresentar dois soldados que fazem parte de um grupo especial para supervisionar as interacções que possam advir da construção de um porto terrestre para atestar naves extraterrestres. Estes dois soldados são dados como exemplo, e serão seguidos por dois drones de uma estação de notícias, num normal dia de trabalho. Mas, na realidade, aquele será tudo, menos um dia normal.



Os dois soldados serão chamados ao local de um crime, percebendo existir DNA extraterrestre no ser humano morto. Seguindo as pistas pelas canalizações, enfrentam um extraterrestre peculiar que se revela mais inteligente do que parece inicialmente, parecendo estar envolvido numa acção terrorista contra a delegação de extraterrestres que vem naquele dia à Terra. Entre perdas e o reacender de traumas, os dois soldados tentarão evitar o pior, levantando-se questões na natureza das suas missões: existem para proteger ambas as partes (extraterrestres e seres humanos) ou para responder aos interesses económicos e proteger apenas os alienígenas?
Missão após missão, vamos percebendo que a situação é mais complicada para os seres humanos do que parecia inicialmente. A troca era simples: um porto em solo terrestre para atracarem naves alienígenas e os seres humanos receberiam a tecnologia capaz de transformar água em energia. Não era suposto os extraterrestres deambularem em solo terrestre. Mas também parece não existir nada que os contenha no Porto e os acidentes sucedem-se.



Este Port of Earth apresenta um tom cauteloso em relação às interacções com extraterrestres. Para além de acompanharmos as missões dos soldados, a acção vai intercalando com entrevistas, ora a um dos humanos associados à interacção comercial, quer a um dos extraterrestres da organização com que os humanos fizeram acordo. A conversa, apesar de polida, toma contornos curiosos, principalmente quando vai sendo claro que os terrestres não conhecem bem os detalhes da organização com quem fazem negócio – das suas práticas noutros planetas, e das consequências para outras espécies.
Apesar do tom, a história futurista, vai encontrando razões para se manter movimentada, ao mesmo tempo que apresenta alienígenas – é normal que não pensem como seres humanos, pelo que as razões por detrás de acções (que até são danosas para os terrestres) se mantém por esclarecer e entender. Este é um dos aspectos mais interessantes da narrativa. Mas não só. Em paralelo vamos percebendo que, ainda que a nova energia seja barata e limpa, e ainda que todos os seres humanos enfrentem as consequências do negócio, a verdade é que os lucros desta energia ficam retidos apenas em algumas empresas, levando a despedimentos múltiplos e quebras económicas em vários países.



Ainda que não seja uma leitura extraordinária (falta-lhe se calhar criar mais envolvência com as personagens e em termos visuais, tem bons momentos mas não chega ao excelente) é uma boa e aconselhável leitura, sobretudo por explorar, de forma bastante competente, uma vertente com a interacção extraterrestre que é bastante rara.

