Nomeado para o Locus Award e o World Fantasy Award, Pandemonium aparece como obra do género horror ou fantástico, e é o primeiro livro de Daryl Gregory. A curiosidade por algo diferente chamou-me e assim adquiri o livro.
Em Pandemonium retrata-se um mundo semelhante ao nosso, mas em que os casos de possessão por demónios são comuns. Estes demónios saltam de corpo em corpo, simulando episódios de loucura nos seus hospedeiros. Assim, o Pintor induz sempre os possuídos a pintar, O Pequeno Anjo dirige-se aos hospitais para matar doentes terminais com um beijo e Smokestack Jonhy desvia comboios, provocando por vezes enormes desastres.
Hellion é mais um desses demónios, que apenas toma como vítimas rapazes, nos quais induz comportamentos violentos. Del terá sido um desses rapazes, e agora, enquanto homem, descobre após um acidente de carro, que o demónio poderá nunca ter saído. Desempregado, após o acidente e depois de alguns meses num hospital psiquiátrico, Del regressa a casa para uma curta estadia que será o início de uma busca em desvendar como eliminar a outra presença que ocupa o seu corpo.
Entre os relatos da busca de Del existem capítulos que descrevem peculiares episódios de possessão por demónios e nos dão uma ideia do caos provocado. Para além da acção dos demónios existem cultos apocalípticos com teorias marcianas, e assassinos que se dizem possuídos para justificarem os seus crimes.
Uma história diferente ao que estava habituada, Pandemonium explora uma premissa original, encontrando-se escrito de forma simples e directa. Gostei não só da forma como me foram apresentados os acontecimentos, mas também da forma como o autor os desenrolou, incorporando coerentemente pequenos twists. Esta é, decididamente, uma das melhores histórias que li nos últimos tempos.

Li esse livro em 2004 quando morava em Madrid. Me apaixonei pela leitura, envolvente e surpreendente. Cada capítulo te deixa com vontade de quero mais. Muito bom mesmo, recomendo.
O livro NÃO É terror. Está mais para aventura de suspense, e é originalíssimo. Traduzi em 2010 e gostei da experiência.