Nomeado para o Locus Award e o World Fantasy Award, Pandemonium aparece como obra do género horror ou fantástico, e é o primeiro livro de Daryl Gregory. A curiosidade por algo diferente chamou-me e assim adquiri o livro.

Em Pandemonium retrata-se um mundo semelhante ao nosso, mas em que os casos de possessão por demónios são comuns. Estes demónios saltam de corpo em corpo, simulando episódios de loucura nos seus hospedeiros. Assim, o Pintor induz sempre os possuídos a pintar, O Pequeno Anjo dirige-se aos hospitais para matar doentes terminais com um beijo e Smokestack Jonhy desvia comboios, provocando por vezes enormes desastres.

Hellion é mais um desses demónios, que apenas toma como vítimas rapazes, nos quais induz comportamentos violentos. Del terá sido um desses rapazes, e agora, enquanto homem, descobre após um acidente de carro, que o demónio poderá nunca ter saído. Desempregado, após o acidente e depois de alguns meses num hospital psiquiátrico, Del regressa a casa para uma curta estadia que será o início de uma busca em desvendar como eliminar a outra presença que ocupa o seu corpo.

Entre os relatos da busca de Del existem capítulos que descrevem peculiares episódios de possessão por demónios e nos dão uma ideia do caos provocado. Para além da acção dos demónios existem cultos apocalípticos com teorias marcianas, e assassinos que se dizem possuídos para justificarem os seus crimes.

Uma história diferente ao que estava habituada, Pandemonium explora uma premissa original, encontrando-se escrito de forma simples e directa. Gostei não só da forma como me foram apresentados os acontecimentos, mas também da forma como o autor os desenrolou, incorporando coerentemente pequenos twists. Esta é, decididamente, uma das melhores histórias que li nos últimos tempos.