Assim foi: Sci-fi LX 2017

Este ano o Sci-fi LX iniciou-se com a sessão Enredos Inacreditáveis dada pelo João Barreiros e por mim onde apresentámos enredos de livros reais e ficcionais. Deixo-vos a apresentação para poderem ter a lista de livros referidos:

De seguida, claro que tive de assistir à apresentação do livro do Carlos Silva, Anjos, o vencedor do prémio Divergência. Para além do livro o autor tem já dois contos publicados na revista Bang! (um deles na que foi lançada há poucos dias para as fnac’s de todos os países) e em várias outras antologias de Ficção Especulativa. O autor espera dedicar-se um pouco mais ao género fantástico nas suas próprias obras e pretende continuar a escrever em português.

Infelizmente (por sobreposição com outros eventos) não pude assistir a tudo o que gostaria (a sessão Alimentopia de Luís Filipe Silva parecia interessante, bem como Ciência e Sci-fi de Rui Agostinho) mas deu para ter uma ideia dos vários espaços de jogos e actividades (para todas as idades). O meu dia fechou com um divertido torneio de Pandemic (no qual levámos uma memorável tareia).

O Sci-fi LX continua a proporcionar um fim de semana geek diverso em vertentes dentro do género (jogos de tabuleiro, jogos de computador, livros, banda desenhada) com muita diversão para diferentes públicos.

Outras opiniões

Lugar Maldito – André Oliveira e João Sequeira

Um livro de banda desenhada que tenha como narrador André Oliveira tem logo vantagem para ser um livro de sucesso. Não é excepção este Lugar Maldito, uma história de terror actual centrada numa casa amaldiçoada no meio do bosque, rodeada por sombras assustadores.

Local de refúgio de um jovem casal que fugiu para se unir, a pressão emocional da fuga exacerba-se com a existência num local pouco hospitaleiro. Perseguidos pelas autoridades e observados por sombras que se movem, não é de estranhar que o relacionamento entre os dois se contamine e se degrade progressivamente.

A juntar à pressão da fuga, a própria casa tem uma história negra que lentamente se faz sentir não só nos que rodeiam o casal, como em Samuel que sente ciúmes do irmão e incompreensão da namorada e que se deixa consumir pela raiva galopante.

Lugar Maldito foi publicado pela Polvo.

Fatale – Vol. 5 – Ed Brubaker e Sean Phillips

Negro e lovecraftiano, Fatale é uma daquelas séries extraordinárias em que só nos apercebemos da dimensão no segundo ou terceiro volume. O primeiro intrigou-me mas não o suficiente, no seu tom pausado que fazia antever a existência de alguns mistérios, sem me mostrar o quão profundo eram.

Os volumes seguintes mostraram a existência de eventos cíclicos, inevitáveis, que ocorriam em torno de uma mulher fatal, uma mulher de palavra inquestionável por todos os homens que permanece inalterável ao longo dos anos e é perseguida por uma poderosa seita.

O poder desta mulher corrompe o que a rodeia, e se no início apenas se denota o fascínio masculino, depressa se torna obsessão violenta para com a própria ou percepcionados rivais. De catástrofe em catástrofe vamos acompanhando os eventos, e percebendo que a quebra do ciclo se aproxima.

De uma dupla quase perfeita, Ed Brubaker e Sean Phillips, esta série fecha com um final simples mas movimentado, materializando a tensão violenta que se acumulava desde o início mostrando que a presa também pode ser a predadora. A série Fatale foi publicada em Portugal pela G Floy.

Restantes volumes

Resumo de leituras – Julho de 2017 (4)

 

93 – Fatale Vol.5 – Ed Brubaker e Sean Phillips – O quinto volume fecha esta extraordinária série com detalhes lovecraftianos, carregada de violência em torno de uma femme fatale a cuja voz poucos homens conseguem resistir. Simultaneamente presa e predadora, mas de consciência clara, esta mulher irá resistir ao papel de sacrificada num culto com um final movimentado;

94 – The new voices of fantasy – Vários autores – Compilação de histórias dos novos autores de fantasia que se têm destacado com prémios para os contos publicados em revistas. Bem escritas e diversas, a maioria das histórias apresenta novas tendências no género, de fronteira menos sólida e premissas menos comuns;

95 – O Homem que passeia – Jiro Taniguchi – Do genial Jiro Taniguchi é publicada esta nova versão do livro, onde acompanhamos os vários passeios de um homem que não percorre caminhos lineares, deixando-se levar por onde a curiosidade chama, por vezes à deriva, noutras com propósitos claros;

96 – Shenzhen – Guy Delisle – Menos interessante que outros livros de Guy Delisle, apresenta um cenário mais monótono onde pouco acontece, e o autor quase não tem interacção com as pessoas que o circundam (por dificuldades linguísticas). De destacar, como sempre, o humor do autor e a capacidade para representar o caricato.

The new voices of fantasy – Vários autores

O mercado anglo-saxónico de ficção especulativa vai-se renovando, seguindo novas tendências, estilos e culturas, gerando cruzamentos impensáveis entre géneros em contos que reflectem as preocupações do seu próprio tempo. Ao longo dos anos vão surgindo novos autores que começam a ser conhecidos pelos contos destacados por prémios ou em antologias de melhores do ano. Este volume pretende reunir algumas histórias destes novos autores e destacá-los como promissores para os próximos tempos.

A antologia começa com um conto de Alyssa Wong, a quarta história publicada da autora, com a qual venceu o Nebula e o World Fantasy Award (a mesma história que foi, também, nomeada para um Shirley Jackson, um Bram Stoker e um Locus Award). Claro que prémios e nomeações não são garantia de boas histórias, mas este conto, Hungry Daughters of Starving Mothers contém detalhes de horror e fantástico num cenário actual onde a corrupção alastra, resultado do consumo imediato e da fome interminável.

Selkie stories are for losers é a história seguinte da autoria de Sofia Samatar, uma autora que não é propriamente uma voz emergente, antes uma autora já reconhecida no género com histórias como A Stranger in Olondria que venceu vários prémios. Cruzando lendas diversas sobre mulheres que se mantém entre os humanos até ao momento em que alguém encontra a sua antiga pele (ou descobre que são algo mais do que parecem), esta história quase banal consegue surpreender pela estrutura e desenvolvimento.

Depois de tornados apaixonados por raparigas (em Tornado’s Siren de Brooke Bolander que apenas possui como elemento distintivo o tornado capaz de sentimento) encontramos Left the century to sit unmoved de Sarah Pinsker que nos traz um fenómeno local, um lago que faz desaparecer totalmente algumas pessoas sem critério específico – mesmo depois de drenado o lago apenas se encontram os objectos e roupas da pessoa.

Max Gladstone também não é propriamente um autor desconhecido, escrevendo sobretudo fantasia urbana. Em A Kiss With Teeth não foge ao género mas apresenta uma das melhores histórias do conjunto, com um tom levemente cómico sobre as preocupações de um pai que vê o seu filho ter más notas. Como pai tenta perceber o que se passa, mas a sua própria natureza torna difícil ajudar sem dicas da professora, a presa perfeita. Ah. É que o pai é um vampiro reformado que tenta passar por humano, simulando os nosso gestos e forma de andar.

Em The Cartographer Wasps and the Anarchist Bees de E. Lily Yu explora-se uma premissa que não é totalmente nova. Recordo que em The Bees de Laline Paull já se apresentava a vida numa colmeia apresentando aspectos sociais da hierarquia e como esta poderia ser subvertida por um único elemento. Confrontando as abelhas com as vespas possuidoras de uma tecnologia mais avançada este conto de E. Lily Yu consegue ser um relato apaixonante sem necessitar de se centrar num único elemento, e comparar vários sistemas de sociedade.
A. C. Wise traz-nos outro dos melhores contos do conjunto, um guia cómico de como a bruxa pode arranjar uma casa. Começando com as formas aborrecidas como aquisição e ocupação, passa por nos apresentar como se pode domar uma casa ou fazer crescer uma, expressando para cada método os cuidados a ter (os humanos podem não gostar muito de ter uma bruxa dentro de casa e podem tentar queimá-la, por exemplo, ou a casa pode pregar partidas a quem a tenta influenciar).
Depois de Hauting o Apollo A7LB (um conto que já conhecia da excelente colectânea do autor Hannu Rajaniemi), segue-se uma história irónica de Chris Tarry, Here be dragons, onde dois homens simulam a existência de dragões para extorquírem dinheiro das vilas mostrando depois entranhas de vários animais como prova de uma chacina. Um dia esta trapaça pode voltar-se contra os supostos salvadores – de mais formas do que o leitor imagina.
Mais juvenil, mas enternecedora pela forma inocente e desiludida como nos apresenta o amor de um pato por uma rocha, The Duck de Ben Loory é um dos contos que vale a pena ler, nem que seja para ver a forma como transforma este premissa simples e aparentemente idiota numa boa história.
Publicado no The New Yorker, The Philosophers de Adam Ehrlich Sachs traz uma história demente de problemas genéticos hereditários que supostamente não trariam problemas psicológicos. Geração após geração, os homens desta família perdem na idade adulta todos os movimentos e passam a comunicar com os restantes recorrendo ao piscar de olhos com o intuito de transmitir as próximas palavras do seu livro. Arrepiante, claustrofóbico e assustador pela degradação, é um bom conto que vai elevando a premissa ao extremo absurdo .
Esta colectânea termina com uma novela mais longa, The Pauper Prince and the Eucalyptus Jinn, de Usman T. Malik, que se centra na problemática da emigração e da integração cultural sob uma fábula contada pelo avô (talvez demente) que recorda interacções com princesas e génios e que foi mudando de país em país até atingir determinados objectivos. Demonstrando como existe sempre muito para revelar da vida dos nossos antepassados, segredos dolorosos que ficaram enterrados, feitos que se silenciaram pelas circunstâncias, esta é uma novela excelente.
Ainda que não tenha apreciado todos os contos de igual forma, até porque os estilos e géneros são muito diversos, esta colectânea possui uma qualidade narrativa bastante elevada. Nem todas as histórias apresentam elementos que se destaquem pela originalidade, mas todos se encontram bem escritos e estruturados. São, na sua maioria, contos que possuem o necessário para envolver, mas sem excesso de detalhes que quebrem o ritmo ou desbalanceiem a história. Para os interessados em se actualizar para o que tem sido publicado recentemente, eis uma boa aposta.
(esta colectânea foi fornecida pela editora via NetGalley)

Resumo de leituras – Junho de 2017 (3)

77 – História Natural da Estupidez – Paul Tabori – Um divertido compêndio de estupidez humana que vai focando diversos aspectos sociais ou económicos, referindo alquimistas, leis, mitologias ou questões pseudo-científicas (com especial destaque para os medicamentos usados na idade média, em que era mais provável morrer da cura do que da doença);

78 – Manual de Etiqueta – José Vilhena – O terceiro livro de Vilhena pela E-Primateur é uma deliciosa compilação de normas subversivas de etiqueta acompanhadas por tiradas irónicas que conseguem estar tão actuais como na época em que foram escritas;

79 – Farmer in the sky – Robert A. Heinlein – Livro de ficção científica direccionado para um público mais juvenil que se centra na colonização de Ganimedes. Com algumas imprecisões científicas, é uma história simples mas suficientemente envolvente para conseguir cumprir o papel de entretenimento;

80 – Tarnsman of Gor – John Norman – Na mesma onda que histórias como John Carter, traz uma aventura num mundo de detalhes quase medievais em tecnologia (ainda que se perceba que existe tecnologia muito avançada mas que é detida apenas pela obscura facção religiosa), onde as cidades são autónomas e rivalizam entre si.

Destaque: Harrow County Vol.2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

O primeiro volume de Harrow County classificou-se como uma das melhores bandas desenhadas para o ano de 2016, tendo sido uma das obras que escolhi para falar nos Sustos às sextas, não só por se adequar ao tema, mas por explorar elementos primitivos num ambiente rural de grande familiaridade o que torna a apresentação do horror mais conhecido e próximo.

Deixo-vos a sinopse do segundo volume bem como algumas páginas:

Depois de desvendar a estranha e terrível história de Harrow County, bem como a sua bizarra ligação às suas gentes, Emmy forjou uma nova e profunda relação com as terras que a rodeiam e com as suas criaturas – mas enquanto Emmy procura aprofundar a sua relação com os seus vizinhos da vila, uma presença ao mesmo tempo familiar e sinistra reúne uma força negra com a qual irá desafiá-la…

Uma história terrível e onírica ao estilo “southern gothic”, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

Monstros que nos habitam – Vários autores

Os Monstros que nos habitam é a primeira antologia sobrenatural da Editorial Divergência. O lançamento ocorreu na maravilhosa Biblioteca de São Lázaro com apresentação pelo editor Pedro Cipriano e participação de alguns dos autores que contribuíram para o conjunto.

A antologia começa com um bom conto de elementos tradicionais de Nuno Ferreira, A Maldição de Odette Laurie, uma história de corrupção e redenção em que a população de uma aldeia ostraciza alguns dos seus habitantes por influência dos mais poderosos, mas com consequências catastróficas que irão perdurar por décadas.

Vento parado de Ângelo Teodoro traz-nos uma história de pesar pelo falecimento de alguém que se transforma numa história de fantasmas com reminiscências de acontecimentos passados.

Já em A Essência do Mal de Alexandra Torres, uma mulher fugindo de violência doméstica vê-se envolta numa maldição que irá sugar todas as suas energias, numa história envolvente e com pontos originais que se completa de forma bastante satisfatória para o leitor.

Genésis de Patrícia Morais centra-se numa jovem que pretende ser recebida como igual numa sociedade científica composta apenas por homens. As suas ambições serão postas de lado quando se confronta com os projectos megalómanos do seu antigo professor, uma personalidade pela qual tem imenso respeito e que a reconhece como uma cientista capaz. História feminista, apresenta elementos de histórias clássicas como Frankenstein ou A Ilha de Dr. Moreau.

Enquanto O Conto da Sereia de Soraia Matos nos traz uma realidade carregada de criaturas sobrenaturais onde se cruzam histórias familiares com antigas batalhas de influência, espionagem e poder, Páginas Assassinas de Carina Rosa apresenta uma história em que, um a um, vários jovens universitários vão aparecendo mortos. Mais arrepiante do que as mortes é a coincidência dos métodos com os contos que uma jovem vai escrevendo, quase em simultâneo.

Apresentando histórias bastante diferentes, representativas do que pode ser o género da Fantasia Sobrenatural, Os Monstros que nos habitam é uma das melhores antologias produzidas pela Editorial Divergência, tanto pela qualidade dos contos como pelo aspecto gráfico.

Resumo de Leituras: Maio de 2017 (2)

65 – O Incrível Hulk – Part 1 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – O primeiro volume desta aventura coloca o herói num planeta carregado de estranhas espécies alienígenas que farão parte dos mais espectaculares cenários de batalha. A narrativa, apesar de possuir pontos cliché, consegue surpreender nalguns pontos com a progressão no segundo volume;

66 – Monstress – Vol.1 – Marjorie Liu e Sana Takeda – Fascinante, fabuloso, negro e imenso. Assim é o mundo de Monstress, de forte influência oriental onde os gatos possuem um papel preponderante;

67 – Herland – Charlotte Perkins Gilman – Um grupo de exploradores procura uma sociedade composta apenas por mulheres esperando encontrar a mais primitiva das combinações. O que encontra é a irmandade perfeita, evoluída mental e tecnologicamente com uma progressão estável – um choque para estes homens habituados a ver as mulheres como potes, belos, indefesos e utilizáveis;

68 – Apenas um peregrino – Garth Ennis e Carlos Ezquerra – Uma história violenta num mundo pós-apocalítptico carregado de salteadores e monstros, onde um homem, justiceiro, religioso mas obscuro, se coloca como bom samaritano, apesar da sua postura violenta e assustadora.

Evento: Lançamento – Os Monstros que nos habitam

A mais recente antologia da Editorial Divergência vai ser lançada durante o próximo fim de semana, em dois eventos, um a decorrer em Lisboa na maravilhosa Biblioteca de São Lázaro e outro a decorrer no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha (Santarém). Sobre o evento podem consultar a página oficial e sobre a antologia deixo-vos a sinopse:

NO AR PAIRA ALGO MALIGNO…

Os mortos erguem-se das campas, os espíritos rondam a calçada, os demónios caçam almas para torturar e os cientistas tentam encontrar a fórmula para ressuscitar os mortos.

* * *
OS MONSTROS QUE NOS HABITAM é a mais recente antologia da Editorial Divergência, focada no paranormal. Nela estão incluídos seis contos de seis autores portugueses: Alexandra Torres, Ângelo Teodoro, Carina Rosa, Nuno Ferreira, Soraia Matos e Patrícia Morais.

Resumo de Leituras – Março de 2017 (2)

57 – O Submarino David – Os Túnicas Azuis – Willy Lambil e Raoul Cauvin – Se num volume anterior assistimos à utilização, na Guerra da Secessão, dos primeiros navios couraçados, neste volume acompanhamos a utilização do CSS David, já considerado um submarino;

58 – Agnar, o Bisavô – A Casta dos Metabarões – Jodorowsky e Gimenez – Este foi lido na biblioteca enquanto aguardava a sessão de lançamento de Lovesenda da autoria de António de Macedo. Este volume continua a apresentar a história dos antepassados do Metabarão demonstrando que se trata de uma linhagem forte que apenas poderia resultar na produção de um super guerreiro;

59 – My work is not yet done – Thomas Ligotti – O conhecido autor de terror apresenta um trio de histórias de terror corporativo onde se apresentam as intensas e corrosivas relações entre chefes de departamento. Nalguns episódios o ar é tão pesado que se apresenta como nevoeiro, impossibilitando o normal andar dos empregados. Claro que sendo Thomas Ligotti não se trata, apenas de terror de ambiente – esperem algumas partes mais gore  brutais com elementos sobrenaturais;

60 – Histórias de outro Mundo – Vários autores  – Antologia de histórias de banda desenhada de ficção científica, possui bons momentos e boas histórias, algumas com pitada de humor e ironia.

Histórias do outro mundo – vários autores

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Este Histórias do Outro Mundo publicado pela Escorpião Azul reúne várias histórias de ficção científica de premissas e visuais variados, algumas histórias irónicas, outras traumáticas ou pesadas, mas todas numa boa combinação de elementos narrativos e artísticos.

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Histórias de horror perpetuadas por familiares, bases espaciais atacadas em surtos de guerra ou enormes catástrofes apocalípticas – algumas investem em sucessivas reviravoltas narrativas, outras em fortes cenários e episódios de acção. Escolham o que preferem numa história de ficção científica e decerto encontrarão neste conjunto.

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Histórias do Outro Mundo foi publicado pela Escorpião Azul.

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Um jogo de ti – Sandman Vol. 5 – Neil Gaiman, Swan McManus, Colleen Doran, Bryan Talbot, George Pratt, Stan Woch e Dick Giordano

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Depois de um volume esplendoroso quer na forma como explora a personagem do Eterno Sono, quer na forma como nos mostra vários deuses, de várias mitologias, em competição pelo Inferno, este volume traz-nos uma história bem mais sombria e arrepiante.

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Quando Barbie, uma rapariga do interior que agora vive na grande cidade, revela que é incapaz de sonhar, tal não parece de grande importância. Quando os elementos dos seus antigos sonhos e brincadeiras infantis se parecem materializar no mundo real, provocando surtos de surrealidade nos que a circundam, percebemos que algo de mundo errado está a ocorrer.

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Uma noite algo de muito errado ocorre. Barbie é puxada para o mundo dos sonhos de criança, numa noite de pesadelo comum a todos os moradores do prédio. Por coincidência (ou não), no mesmo prédio reside um homem vazio que alberga cucos no seu interior, bem como uma bruxa antiga que, ao ser incomodada, inicia uma série de perigosos rituais em vingança.

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Chamada à terra das suas brincadeiras infantis pelos brinquedos materializados em pequenas personagens, Barbie tem uma árdua e longa missão para vencer a governante dos domínios, o Cuco, a personagem que toma conta do ninho alheio, captando recursos e a dedicação dos que a rodeiam.

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Este volume mostra que a fronteira entre o sonho, a imaginação e a realidade é ténue. Neste caso a terra de sonho, formada pela imaginação, transforma-se num longo pesadelo, que engole personagens e tem efeitos bastante nefastos na realidade. O pesadelo não vem só da realidade paralela, mas da conversão das personagens boas em adoradoras do Cuco, fascinadas pelo seu carisma.

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Negro e carregado de consequências pela mútua invasão entre os mundos, o quinto volume volta a demonstrar que atingir novamente o equilíbrio tem um pesado preço, mais para os envolvidos parcialmente do que para os que se encontram no centro dos acontecimentos.

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A colecção Sandman foi publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

My work is not yet done – Thomas Ligotti

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Conhecido por ser uma personagem reclusa, quase escondida e desaparecida, Thomas Ligotti tem recebido ao longo dos vários anos de carreira, inúmeros prémios de onde se destacam 5 prémios Bram Stoker, 3 World Fantasy Award e 1 BFSA. My work is not yet done venceu dois, um Bram Stoker e um International Horror Guild Award.

Depositando pouca esperança na espécie humana, My Work is not yet done apresenta três histórias de terror corporativo. A primeira história, a mais extensa e que dá nome ao conjunto, começa por nos apresentar o horror das reuniões entre chefes onde cada tema é abertura para indirectas que enterram, sem possibilidade de resposta, os colegas.

Oscilando entre as palmadinhas nas costas e a identificação do elo mais fraco que podem atacar de seguida, estas reuniões entre chefes são os locais onde cada um define as suas estratégias destrutivas, ao mesmo tempo que fazem o mínimo possível para manterem o lugar e aproveitam para alimentar a fama de capacidades indispensáveis para a empresa.

A personagem principal, um dos chefes mais recentes, foi identificado como elo mais fraco. As reuniões são momentos tão terríveis que tece uma boa metáfora dos restantes identificando-os como porcos. Tal analogia só é ultrapassada pela associação do aspecto atarracado que têm nas cadeiras da reunião aos sete anões.

Claro que há uma altura em que a personagem principal, homem que tentou inovar ao introduzir um produto revolucionário (herege!), perde a razão e, ajudado por negras forças sobrenaturais, começa a ter uma macabra vingança sobre os sete anões.

Os dois contos seguintes, mais pequenos, são semelhantes, roçando o poder negro sobrenatural que estará por detrás do horror instigado no ambiente empresarial, referindo ambientes tão densos de tensão que funcionam como nevoeiro e impedem a normal circulação de pessoas.

Negro, sarcástico, inovador e quase cómico na forma como aproveita o ambiente aterrorizante de empresas que sugam as energias dos seus trabalhadores e que se impõem pelo medo da hierarquia, My work is not yet done revela a pouca esperança na humanidade

Through the Woods – Emily Carroll

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Negro e sangrento – Through the woods apresenta uma série de histórias carregadas de monstros, alguns dos quais bem humanos, onde nem as crianças nem as jovens donzelas estão a salvo.

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Jovens donzelas que casam com senhores poderosos e descobrem os restos mortais de jovens esposas no castelo, restos que as irão assombrar para sempre, monstros semelhantes a humanos que iludem crianças a acompanhá-los, pessoas que servem de máscara a pequenos seres, capuchinhas que escapam ao lobo… mas por quantas noites?

Oh, but you must travel through these woods again & again and you must be lucky to avoid the wolf every time. But the wolf… the wolf only needs enought luck to find you once.

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Por mais simples que seja a narrativa, quase linear por vezes e expectável, todos os contos presentes em Through the woods estão impregnados de uma negridão quase total, onde, mesmo fisicamente intactos, ninguém escapa incólume.

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Algumas histórias são adaptações de contos conhecidos enquanto outras aproveitam medos comuns perpetuando a noção de que o Mundo é um lugar de perigos constantes que não se suspendem.

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Visualmente apresenta páginas de fortes contraste, onde o negro das histórias é sobreposto por balões de cores berrantes, elementos que nem sempre me agradaram e que conseguem, por vezes, quebrar o ambiente.

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Com alguns elementos interessantes do ponto de vista narrativo (alguma subversão, muita falta de esperança e resignação perante o destino que se apresenta) Through the woods contém um conjunto de histórias negro que mereciam maior desenvolvimento.

Destaque: Novas edições

Não são só os novos livros que devem ser destacados, mas também aqueles que se recuperam no mercado para não caírem em esquecimento. Eis alguns que serão lançados novamente nos próximos tempos:

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Um dos grandes livros de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, terá nova edição na colecção RTP, em capa dura e preço acessível. Este clássico da literatura fantástica apresenta várias cidades ficcionais descritas por Marco Polo ao Imperador Kublai Khan. Nomeado para o prémio Nebula, o livro já serviu de inspiração para uma Opera. Eis a sinopse:

A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. […] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. […] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.» Italo Calvino «Ao projetar a sua própria voz nos relatos de cidades que pontuam o diálogo entre Marco Polo e Kublai Kan, Calvino reencontra essa capacidade dos antigos construtores de fábulas, e sabe transmitir o prazer que aquele que conta tem de suscitar no ouvinte, que é o próprio leitor.» Nuno Júdice Prefaciado por Nuno Júdice.

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Adaptado para cinema, O Prestígio é a história fantástica da rivalidade tempestuosa entre dois mágicos:

Uma história de segredos obsessivos e curiosidades insaciáveis. Londres, 1878. Dois jovens mágicos cruzam caminhos enquanto actuam em luxuosas salas de espectáculo vitorianas. E cedo nasce um feudo cruel que irá assombrar as suas vidas, levadas ao extremo pelo mistério de uma espantosa ilusão que ambos fazem em palco. A rivalidade instiga-os a atingir o pico das respectivas carreiras, mas com consequências terríveis. Na busca de um truque que conduza à ruína do rival, escolhem o caminho da ciência mais negra. O sangue será derramado, mas não será suficiente. No fim, o legado dos mágicos irá passar para as futuras gerações e serão os descendentes a ter de desvendar a teia de loucura que envolve estranhos actos de magia…

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Publicado há algum tempo no mercado português, retorna pela G Floy:

Há dois lados para cada história, e agora chegou a altura de ouvir o lado de Loki: o filho preterido de Odin vai contar a história toda do seu ponto de vista, a sua sede insaciável de poder, os seus sentimentos ambíguos para com Sif, a sua antipatia para com Balder, e o seu imenso ressentimento contra o seu irmão mais velho, Thor. Com a excepcional arte de Esad Ribic, um dos maiores artistas da Marvel, e argumento do romancista Robert Rodi, esta história auto-contida vai mostrar-nos Asgard como nunca a tínhamos visto! Loki tornou-se finalmente soberano de Asgard, e Odin foi colocado a ferros, tal como todos aqueles que batalharam em seu nome. No entanto, Loki vê-se cercado de antigos aliados e interesses vários, todos em busca de recompensa pela ajuda prestada na sua ascensão. E Hela, deusa do Reino dos Mortos, empurra-o para completar o seu triunfo com a execução de Thor. Loki terá de ponderar se a sua existência fará algum sentido sem o seu meio-irmão…

Sobre Loki deixo-vos, também, algumas páginas disponibilizadas pela editora:

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H-Alt – 3 – Diversos autores

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Cada vez maior, cada vez reunindo o talento de autores mais diversos e mais diferentes, a terceira revista da H-Alt possui histórias que se enquadram na ficção científica, na fantasia e no horror.

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O volume abre com uma história de bruxarias e destinos onde as intenções divergem bastante do esperado e prossegue para a exploração do desespero com a venda de um fármaco milagroso. Novamente as intenções divergem e o resultado é, no mínimo, irónico.

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Depois dos alienígenas que caminham quase invisíveis entre nós segue-se uma irónica história de Arthur Cordeiro que apresenta, para além do bom visual, uma boa narrativa. De seguida, voltamos a encontrar alienígenas – o espaço pode ser um local medonho mas quem fica assustado com o que encontra são os visitantes, numa história curta, amorosa e engraçada.

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Depois das espectaculares imagens do autor da capa, voltamos a encontrar alienígenas que tecem um plano para, com o mínimo esforço, conseguirem o que pretendem da humanidade, e viagens intergalácticas onde se usam teorias sobre a matéria negra para se escapar a um fim quase inevitável.

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Cruzando diversos géneros, estilos narrativos e abordagens visuais, H-Alt volta a trazer boas histórias curtas onde se destaca a componente gráfica mostrando que a maioria das parcerias atinge um resultado com um nível acima da média.

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