Resumo de Leituras – Setembro de 2018 (2)

164 – Morte – Neil Gaiman – Voltamos ao Universo de Sandman, mas desta vez centrados na irmã do senhor dos sonhos, Morte. Morte vive entre os mortais uma vez por ano. A sua vinda não passa despercebida entre uma série de personalidades fantásticas que a tentarão usar para os seus próprios fins;

165 – Dicionário cómico – José Vilhena – Neste pequeno dicionário Vilhena usa algumas palavras para expressar ironia e sarcasmo para com a sociedade, revelando duras verdades em curtos trejeitos;

166 – 100 Balas – Primeiro disparo, última rodada – O primeiro volume desta famosa série aparece pela Levoir em comemoração dos 25 anos da Vertigo, mostrando histórias completas. Neste volume percebemos que quem paga pelos crimes não é quem os comete. Quem sofre são os inocentes que afinal vão ter uma forma de corrigir as injustiças;

167 – Ether Vol.1 – Matt Kindt e David Rubín – A premissa de viajar entre mundos através de mecanismos fantásticos não é nova. Mas não é a novidade da premissa que aqui se torna interessante, mas a forma como é explorada, seguindo um homem dedicado à ciência que pretende explicar cientificamente os portais e as diferentes regras dos mundos em que viaja. Apesar de ter algumas falhas narrativas é uma leitura bastante interessante que me levará a comprar o segundo volume.

Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (4)

140 – O corpo dela e outras partes – Carmen Maria Machado – Uma série de contos de ficção especulativa, com elementos de ficção científica, fantasia e horror, que apresentam personagens com diferentes sexualidades e nas quais a sexualidade é parte da história, como algo natural. Estes contos podem servir de ponto de partida para discussões mais profundas sobre dinâmica de género ou de relação, ou podem ser simplesmente apreciados conforme se apresentam;

141 – Cicatriz – Sofia Neto – Enquadrado no género da ficção científica, apresenta um futuro em que a o sociedade é dividida. Alguns escolheram permanecer dentro das cidades, com acesso a todas as componentes tecnológicas, enquanto outros ficam nos campos. Duas realidades fechadas, alimentando rumores sobre a outra metade que é demonizada sobre os aspectos mais propícios. Uma leitura interessante e inesperada ainda que saiba a pouco a incursão neste mundo;

142 – Tatuagem – Hernán Migoya e Bartolomé Seguí – Adaptação de um romance policial, apresenta alguns clichés do género, fazendo piada sobre estes mesmos aspectos comuns a tantas outras obras de ficção policial. A personagem principal é um homem que não perde a oportunidade de se aproximar de mais uma donzela, aliás, algo que partilha com o homem de quem procura a identidade;

143 – O jogo – Carmo Cardoso e José Machado – Trata-se de um dos mais recentes contos de ficção científica publicados na colecção Barbante que nos apresenta a situação limite de uma vida dependente do resultado de um jogo.

Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (2)

132 – O Anel dos Lowenskolds – Selma Lagerlof – Nesta história de fantasmas um anel é roubado da tumba de um nobre. Revoltado, o fantasma do nobre há-de infernizar a vida de várias pessoas até ter o que é seu por direito.

133 – O gato do rabino – Joann Sfar – Este volume duplo apresenta duas fascinantes histórias com personagens culturalmente distantes do mundo ocidental, com costumes e hábitos bastante diferentes. Se a primeira história é mais trágica, a segunda mantém o bom humor da convivência entre culturas e religiões que é feita com alguma camaradagem. Adorei o estilo ainda que as letras sejam de difícil leitura;

134 – Uma irmã – Bastien Vivès – O despertar da adolescência vem, para este rapaz, numa férias de Verão passadas com uma jovem mais velha e desinibida. Entre o roubo do álcool e as primeiras experiências sexuais, o rapaz mantém uma dinâmica estranha com a jovem, um misto de respeito por uma irmã mais velha, e a atracção física própria da idade;

135 – Tony Chu – Vol.9 -John Layman e Rob Guillory – Este nono volume centra-se mais em Poyo, explorando as suas missões por este e por outros mundos, onde encontramos situações ainda mais mirabolantes. Apesar da centralização na comida a série consegue surpreender com elementos cada vez mais imaginativos.

Prémio Ataegina 2019

Encontra-se publicado o regulamento do concurso nacional de contos de ficção científica.  Este concurso resulta da parceria entre vários organizadores de eventos e projectos em Portugal, mais especificamente, Editorial Divergência, Imaginauta e Sci-fi LX. O prémio anterior foi atribuído no último Sci-fi LX.

O corpo dela e outras partes – Carmen Maria Machado

Nomeada para vários prémios, entre os quais um Nebula (e na semana passada, um World Fantasy Award), Carmen Maria Machado possui contos publicados em várias revistas de ficção especulativa e uma colectânea. E eis algo que nunca pensei ver publicado em Portugal – a colectânea, de nome O corpo dela e outras partes.

Trata-se de um conjunto de histórias com elementos de ficção especulativa (desde horror a ficção científica e fantástico), mas o que surpreende é a forma como entrelaça a sexualidade das suas personagens. Encontramos heterossexuais, homossexuais ou bissexuais em semelhante proporção, em contextos quase banais, sendo que o que distingue do banal se deve aos elementos fantásticos.

Se, na primeira história acompanhamos a dinâmica de poder num casal quase tradicional transformada em tema de horror, em várias das outras histórias as mulheres expressam a sua sexualidade com um desprendimento libertador, sem tabus ou preocupações de julgamento social, algo que me pareceu tão natural que só após a leitura me apercebi desta componente.

Tratam-se de histórias muito focadas no ponto de vista da personagem narradora, que, em quase todas é feminina, destacando-se a forma fluída como o faz. A sucessão de episódios assemelha-se ao fluxo de pensamentos (numa pessoa lúcida), com pequenos saltos narrativos e intercepção de outros episódios, mas nada que seja em excesso e que dificulte a leitura. Noutros contos a apresentação de cada parágrafo é antecida por uma palavra chave, elemento que marca a percepção do sentimento de cada parte.

Encontramos elementos de ficção especulativa para todos os gostos: desde apocalipses em que a espécie humana é dizimada por uma doença mortal de rápida e silenciosa propagação, a elementos fantásticos num conto de terror, a histórias de crime com componentes sobrenaturais que, em simultâneo, exploram relacionamentos, amores e desamores.

O Corpo dela e outras partes foi publicado em Portugal pela Alfaguara.

Harrow County – Vol.4 – Laços de Família – Cullen Bunn, Tyler Crook

Em volumes anteriores já nos tinhamos apercebido que existiam outras entidades com fortes poderes – poderes que rivalizavam com os de Emmy. Neste quarto volume estas entidades apresentam-se finalmente – tratam-se de seres intemporais, cada um com capacidades específicas e poderes diferentes, que baniram Hester do seu grupo.

Sendo Hester a bruxa que viria a dar origem a Harrow County e a Emmy, o grupo tem vigiado a jovem e apresenta-se agora como uma espécie de família que se reúne, de tempos a tempos, numa casa sobrenatural fora do tempo e do espaço. A integração de Emmy pressupõe um preço demasiado caro, um preço com o qual não concorda mas quase é obrigada a pagar – o extermínio das pessoas de Harrow County!

Se, por um lado, Emmy sente uma certa familiaridade pelo local em que se encontram e algum fascínio por estas entidades, a sua vontade em acabar com Harrow County acorda o espírito protector de Emmy que acaba por se revoltar.

Carregado de monstros e de entidades de intuitos duvidosos, este quarto volume cimenta a realidade de Harrow County como sendo um local impregnado de magia, onde os espantalhos ganham vida para atormentar os habitantes, as bruxas proliferam e os monstros se escondem nas sombras. Populam os episódios de acção, mas sem deixar de lado algum espaço para a introspecção. A combinação rara para uma série de horror faz desta uma das melhores do género.

A série é publicada em Portugal pela G Floy.

Resumo de Leituras – Julho de 2018

108 – Jardim dos Espectros – Fábio Veras A história é sombria, bem como o aspecto gráfico. Trata-se de uma história de terror onde a tentativa de redenção de um homem fâ-lo enfrentar almas presas a um local maldito;

109 – Viagens – TLS – Vol.3 – A Gfloy e a Comic Heart continuam a promover o trabalho de autores portugueses num volume de boa qualidade e preço acessível onde se reúnem pequenas histórias. O terceiro volume tem como tema Viagens e destaca o trabalho de Ricardo Cabral numa história a cores carregada de elementos fantásticos;

110 – Malditos amigos – André DinizUma grande história de André Diniz em que se explora a depressão e a influência das pessoas que rodeiam a pessoa para conseguir ultrapassar a doença:

111 – Bestiário fantástico – 18 – Jean Ray -Um conjunto de histórias diversas enquadradas no género do terror, que não resvala para o gore ou para a carnificina. Algumas histórias possuem uma estrutura clássica, outras afastam-se bastante e possuem elementos fantásticos – o conjunto é de leitura agradável e essencial para os fãs do género.

Redneck – Vol.1 – Donny Cates, Lisandro Estherren, Dee Cunnife

Redneck é uma série de vampiros no interior americano – uma premissa que tem sido bastante explorada no cinema e na televisão, mas que, aqui, não assume detalhes românticos ou sonhadores, apenas práticos. Neste caso concreto trata-se de uma família de vampiros que tenta uma existência pacífica alimentando-se de sangue de vacas para conseguirem sobreviver sem entrar em conflito com os humanos.

De longas existências, estes vampiros desejam manter-se em paz, mas a verdade é que, tanto eles, como os humanos, recordam tempos em que tal não era possível. A tensão, sobretudo psicológica acumula-se, o receio dá lugar à materialização do medo. O resultado é uma guerra sangrenta de vingança, uma guerra com origem num mal entendido.

Nem todos os vampiros possuem os mesmos dons e, no caso desta família, apenas dois possuem o poder de ler os pensamentos e memórias de outros seres. Neste caso trata-se de um vampiro idoso que aspira aos costumes antigos, e um vampiro muito jovem que ainda não tem maturidade para que o deixam percepcionar determinados acontecimentos. Ambos possuem a chave para se perceber os acontecimentos que dão origem à guerra, mas, por motivos opostos, não se procura a capacidade de nenhum a não ser quando já é demasiado tarde.

Redneck é uma história sombria que explora personagens cuja longa vida não os deixa esquecer os traumas do passado – tão habituados estão a que os acontecimentos se desenrolem de determinada forma que é só uma questão de tempo para que voltem a acontecer. E ainda que tal seja verdade na maioria das vezes, esta expectativa fortalecida pela experiência leva-os, neste caso, a assumir determinados factos antes de os validarem.

Este volume começa de forma lenta, tentando acumular tensão nas primeiras páginas para levar o leitor ao esperado episódio de acção. E ainda que o tenha feito, parecem faltar peças no puzzle e os acontecimentos sucedem-se sem conseguir envolver, consistentemente o leitor. Ainda que existam momentos em que consegue captar, esta capacidade não se mantém, oscilando durante os episódios mais calmos que deveriam servir para tal.

Entenda-se, não é uma má banda desenhada. Tem personagens interessantes que poderiam ter sido melhor desenvolvidas e uma premissa que, não sendo totalmente original, poderia ter resultado melhor se alguns episódios tivessem sido limados. Trata-se de uma leitura engraçada, mas que ainda não sei se me vai levar a ler os restantes da série.

Dampyr – Infante – Aventuras em Portugal – Boselli / Bocci / Eccher / Dotti

Dampyr surpreendeu-me, sobretudo, pelo aspecto gráfico. Constituindo uma espécie de pulp da banda desenhada, com histórias movimentadas e de premissa simples, esperava desenhos mais simples e menos detalhados. Em Dampyr encontramos vampiros e outras criaturas sobrenaturais mas os verdadeiros monstros parecem ser os humanos que os ajudam, ludibriando outros humanos e entregando-os.

As duas aventuras reunidas neste volume rodam em torno de um caçador de vampiros, que é fruto da união de um vampiro com uma mulher humana e que, por isso, possui os seus próprios poderes peculiares. Ambas as aventuras decorrem no Norte de Portugal, a primeira num castelo quase abandonado, cenário de filmagem de um filme de terror, e a segunda no Porto, em torno da produção do vinho do Porto.

Que o ambiente de filmes de terror é propício à loucura dos actores, sobretudo das acrizes que fazem de vítimas, é conhecido. Mas na primeira aventura parecem existir sérias razões para tais desvaneios – é que o castelo onde decorrem as filmagens é o palco de várias histórias locais de terror e de perdição, um local onde poucos têm a coragem de se deslocar, sobretudo de noite.

Na segunda história o alerta para a existência de vampiros (ou outras entidades) provem da visita de um casal às caves do vinho do Porto. Aqui a senhora, com capacidades psíquicas, descobre um fantasma que a leva a uma sala onde vários terrores terão ocorrido. Conhecida do caçador de fantamas logo o chama, e juntos irão investigar a prosperidade do dono das caves.

Não esperem, em Dampyr, histórias com profundidade ou introspecção. São, sobretudo, aventuras que utilizam os clichés das criaturas sobrenaturais em que se centram, não faltando as referências cinematográficas, e que aproveitam cenários conhecidos dos autores. Ainda assim, não são histórias demasiado lineares, apresentando episódios centrados noutras personagens, ou episódiso que decorrem várias décadas ou séculos antes. Não sendo uma das minhas leituras favoritas desta colecção destaca-se pelo detalhe dos desenhos que, neste caso, fazem uma grande menção a Portugal.

Dampyr é o segundo volume da colecção Bonelli publicada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.

A maldição de Hill House – Shirley Jackson

Autora de obras conhecidas como The Lottery ou Sempre vivemos no castelo, Shirley Jackson escreveu, também, um dos mais conhecidos e reconhecidos livros de terror gótico, uma das melhores histórias de fantasmas do século XX, A Maldição de Hill House. À semelhança de Sempre vivemos no castelo ou das histórias curtas de Dark Tales, não esperem, em A Maldição de Hill House, um terror explícito, mas sim, algo que questiona as capacidades psicológicas e emocionais das personagens, e que joga com a percepção do leitor.

A Maldição de Hill House começa com um cientista, John Montague, que assumir um perspectiva científica no estudo do paranormal e que, para tal, convida várias pessoas para a realização de uma experiência. Dada a natureza da experiência quem lhe aluga a casa coloca como condição o envio do jovem futuro herdeiro da casa. A história centra-se numa das duas jovens que aceita o convite, Eleanor, que cresceu a cuidar da mãe inválida e de cuja morte se atribui a culpa por ter adormecido.

Após uma peculiar introdução da casa – Eleanor é a primeira a chegar e depara-se com o casal peculiar de caseiros que se recusam a pernoitar na casa – John Montague introduz ao grupo a peculiar história da casa. Construída por um homem que visa a prosperidade da sua família numa casa grandiosa, Hill House é palco de uma sucessiva série de infortúnios que resulta na loucura e morte de alguns dos seus anteriores moradores.

Mas não é só a história da casa que é peculiar. Construída como um labirinto de difícil percepção e orientação, Hill House possui uma série de ângulos e inclinações ligeiramente diferentes da construçao usual que provocam a impossibilidade de manter fechada uma porta, e a consequente confusão de quem lá circula.

Jogando com a interacção entre as personagens e a desorientante geometria da casa, A Maldição de Hill House apresenta uma série de fenómenos estranhos, sobretudo pela perspectiva de Eleanor que, já na infância, tinha sido centro de uma série de acontecimentos de teor duvidoso. Através da mente emocionalmente instável de Eleanor os acontecimentos são apresentados de forma dúbia e questionável, jogando, também, com a percepção do leitor e nunca fazendo com que se tenha a certeza da assombração.

Shirley Jackson tece, em A Maldição de Hill House, um inteligente puzzle sem resolução óbvia que deixa o leitor desorientado, como um mero espectador que poderá criar a sua própria conclusão dos acontecimentos a que assistiu.

A Maldição de Hill House foi publicado pela Cavalo de Ferro.

The Ghoul Goes West – Dale Bailey

Hollywood destrói pessoas.  De mais do que uma forma. Destrói as pessoas que conseguem o estrelato e que para tal abdicam de um parte de si. Destrói as pessoas que seguem sonhos de sucesso no meio cinematográfico. Destrói os que perseguem uma obsessão.

O relacionamento de dois irmãos centra-se, sobretudo, nos filmes. Mas são também estes que acabam por os afastar – o irmão mais velho muda-se para Hollywood com o objectivo de escrever guiões, enquanto o mais novo segue uma via mais académica estudando filmes. Ambos preferem filmes que tocam no fantástico de horror.

Quando o mais novo recebe uma chamada que indica a morte do mais velho, percebe que a vida do irmão foi destruída lentamente pelo perseguir de um sonho, alimentado pelo surgir de uma série de filmes impossíveis – filmes que teoricamente se tinham ficado por meros planos, ou filmes que ficaram a meio devido a alguma desgraça.

Esta história não é das melhores que já foram publicadas no TOR.com mas é uma história envolvente que reflecte o fascínio pelos antigos filmes de horror, uma alusão a referências como Bela Lugosi e a tantos outros que se perderam no meio dos filmes.

The Ghoul goes west foi publicado pela Tor.com e encontra-se disponível gratuitamente.

You know how the story goes – Thomas Olde Heuvelt

Conheci este autor holandês com  The Day the World Turned Upside Down, antes de saber que tinha ganho o prémio Hugo, constituindo o primeiro conto traduzido a vencer na categoaria. Este autor publicou, também, um dos livros de ficção especulativa mais falados de 2013, Hex (e bastante recomendado por João Barreiros) e venceu vários prémios holandeses de literatura.

Em You Know How The Story Goes o autor pega num cliché de horror e desenvolve- competentemente, mantendo o interesse do leitor até ao final. Trata-se de uma história típica de estradas assombradas por um carro, onde quem apanha boleia vive uma autêntica história de terror.

Ao usar uma ideia comum o autor aproveita o medo das estradas sombrias durante a noite, a sensação inquietante provocada por desgraçadas anteriores, bem como reminiscências dos antigos contos onde, nas estradas, andavam fantasmas que levavam à desgraça os viajantes, num padrão reconhecível e inevitável.

Este aproveitamento é feito de forma assumida no próprio título, onde a personagem narradora começa por nos dizer que nunca acreditou em tais histórias – tal como o possível leitor que se depara com tal narrativa.

You know how the story goes é uma história disponível gratuitamente em TOR.com.

Novidade: Apontamentos de terror – Pepedelrey

Eis o lançamento da Escorpião Azul para este mês – Apontamentos de terror de Pepedelrey. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas fornecidas pela editora:

Quando se vagueia sozinho numa cidade fria e distante, onde nos parece e nos soa a diferente e violento, a alma cria em nós uma ilusão de algo que está para além do racional.

As quatro histórias que constituem este livro tentam criar medos e pavores ancestrais, mas tudo não passa de simples incapacidade de admitir a nossa violência interior, o medo de nos expormos e sermos julgados.

Pepedelrey nasceu algures no ano de 1967, apareceu por entre muros e janelas, gritando bem alto em celebração do seu nascimento. Nos agitados anos 80 do século XX, entra para uma igreja do conhecimento: Escola de Artes de António Arroio. Por entre estudos na área da imagem e da Comunicação, das Artes Gráficas, descobre o pior de todos os pesadelos: contar histórias. A loucura apoderasse dele e já no século XXI, funda uma editora, um estúdio e uma loja/galeria.

Depois de Futuro Proibido volume um, este é o seu segundo livro publicado pela editora Escorpião Azul.

 

Novidade: Gótico Americano – Maria Antónia Lima

Eis um lançamento de não ficção que parece interessante, pela Húmus (em formato digital gratuitamente)! Entre os artigos podemos encontrar referências a Lovecraft, Vampiros, Edgar Allan Poe ou House of Leaves de Mark Z. Danielewski (já agora, um livro excelente).

 

Recusando ser reduzidos à função de meros espectadores quotidianos de actos de violência, terrorismo, destruição, corrupção e perversidade humana no seu mais alto grau, muitos sentem que vivemos em tem-pos Góticos. Várias das recentes séries de TV americanas, como The Following, Criminal Minds, Dexter, Wal-king Dead ou Wayward Pines, ilustram bem a actual apetência do público por certas temáticas, atmosferas e personagens góticas, onde se pode encontrar uma crítica muitas vezes mordaz e sarcástica à sociedade contemporânea, que assim vê desvelados os falsos valores e aparências onde persistentemente se tem refugiado. Em todos estes ensaios c¬omprovar-se-á que o Gótico se transformou num modo de compreender e articu-lar o mundo à nossa volta, deixando de ser um simples conceito, para se tornar numa visão da existência e numa filosofia que traduz um profundo desencanto relativamente à sociedade em que vivemos. Mais especificamente centrados no Gótico Americano e naqueles que são alguns dos seus autores mais representativos, estes textos exigem que se compreenda a relevância deste modo literário e estético no universo da Literatura Norte-Americana.

 

Harrow County Vol.3 – Bunn, Crook, McNeil

Harrow County está de volta com um volume mais aberto a novos desenvolvimentos – Emmy não é a única pessoa com poderes sobrenaturais! Outros, envoltos em sombras de velhas histórias obscuras detém um poder desconhecido mas temido pela população.

O volume começa com um homem a tentar corromper o Rapaz sem pele e a tentar voltá-lo contra Emmy, mostrando-lhe que um dia já tinha sido um rapaz com nome e família, um rapaz que costumava brincar pelos bosques mas que um dia foge de medo.

Paralelamente, uma família apercebe-se que vive numa casa assombrada e que os fantasmas atingem sobretudo as crianças, chamando-as para o interior da casa e tentando impor a sua vontande sobre todos os habitantes. Emmy é chamada a resolver o problema mas, quando lá chega, não encontra o tradicional fantasma.

De história em história, parece que a soberania de Emmy vai ser posta em causa por várias entidades que conhecem segredos que a rapariga ainda desconhece. Cada um dos episódios parece fornecer bases para uma fractura diferente e aguardo, com impaciência o próximo volume!

A série Harrow County está a ser publicada em Portugal pela G Floy.

Novidade: A maldição de Hill House

De Shirley Jackson já tinha sido publicado, também pela Cavalo de Ferro, Sempre vivemos no castelo, uma história negra e arrepiante que transmite, ao leitor, as fobias da própria personagem. A Maldição de Hill House é um dos romances mais conhecidos da autora que apenas surge agora no mercado português. Trata-se de um dos mais conhecidos clássicos de horror. Deixo-vos a sinopse:

John Montague, especialista e estudioso do oculto, chega a Hill House em busca de algo concreto que possa provar a existência do sobrenatural. Acompanham-no, Theodora, a sua assistente, Luke, o futuro herdeiro da propriedade e Eleanor, uma mulher solitária e frágil, já com experiência de encontros com poltergeists.

Contudo, aquilo que, inicialmente, era apenas uma experiência em torno de fenómenos inexplicáveis torna-se, em pouco tempo, uma corrida pela sobrevivência, à medida que Hill House ganha poder e escolhe, de entre eles, aquele que quer para si…

A Maldição de Hill House é um dos mais perfeitos exemplos do terror e do suspense em literatura. Fonte de inspiração para nomes como Stephen King ou Guillermo del Toro, confessos admiradores de Shirley Jackson, a história foi adaptada por duas vezes ao cinema em filmes de grande sucesso.

 

Novidade: Harrow County Vol.3

Chega às bancas portuguesas o terceiro volume de Harrow County, uma das melhores (a melhor, para mim) séries de banda desenhada de terror em curso! Depois de um primeiro volume brutal e de um segundo surpreendente, veremos o que nos espera no terceiro:

O Rapaz sem Pele tenta compreender os mistérios do seu passado, Emmy investiga uma casa assombrada, e umas serpentes maléficas infectaram as mentes dos habitantes do Holler. E só Bernice poderá opor-se a este novo mal – mas será que pedir ajuda à sombria e temível Lovey Belfont a vai colocar num perigo ainda maior?

The Dark Tower Vol.2 – The long road home – Robin Furth, Peter David, Jae Lee, Richard Isanove

Eis o que me irritou profundamente no filme – ainda que não seja particularmente fã da obra de Stephen King, não tenha lido os livros e apenas tivesse lido o primeiro livro da banda desenhada à data da visualização cinematográfica,  achei que a adaptação transformava um mundo com excelentes capacidades na história rotineira de um rapaz que, na ausência dos pais, encontra alguém que o ajuda a explorar os poderes adormecidos. Cliché. E se é verdade que o problema dos clichés é que funcionam, neste caso havia tantas falhas narrativas que a capacidade de crença do narrador foi rapidamente esgotada.

No volume anterior acompanhámos uma série de forças negras que tentam ganhar poder no mundo onde se encontra a Torre Negra, uma construção que constituirá o centro de suporte para a existência de vários mundos. Sem ela, tudo colapsa. Roland pertence à família que tem como objectivo proteger a Torre Negra e quando as várias forças colapsam é obrigado a crescer e a tornar-se um adulto capaz.

Paralelamente desenrola-se um romance entre Roland e Susan Delgado, uma jovem que é vendida como concunbina pela própria família. Mas antes de desempenhar este papel apaixona-se por Roland e acaba por morrer numa fuga mal sucedida. Este volume começa após essa morte, com Roland inanimado na maioria das páginas, depois de um acidente com um objecto poderoso. Na realidade a mente de Roland está dentro do objecto, onde encontra um dos seus piores inimigos e onde lhe é exposto o motivo pelo qual tenta destruir o Universo.

Enquanto Roland e os companheiros de viagem (que o transportam) se dirigem até território seguro, muitas coisas acontecem. Enquanto são caçados por um batalhão de homens, um rapaz idiota que segue este batalhão (com o intuito de vingar a morte de Susan Delgado) é modificado no que reconhecemos ser o resto de um parque de diversões (referência interessante num mundo de características medievais que teoricamente não tem electricidade nem tecnologia) – esta modificação será fulcral para os episódios que se seguem.

Roland e os seus amigos não terão apenas de fugir do batalhão de homens – pelo caminho enfrentam muitos outros perigos que não os deixam incólumes. Para além das pontes frágeis encontram-se com lobos e monstros.

A história apresenta na banda desenhada constitui uma prequela à história dos livros, ainda que possua episódios que (pelo que li) podemos encontrar nos livros. A história está carregada de elementos fantásticos, mas inclui, também, o conceito de mundos paralelos que serão suportados pela Torre Negra, ou resquícios de uma tecnologia avançada de uma época anterior.

Cruzando elementos de uma sociedade entre o medieval e o faroeste, com magia e tecnologia, um dos pontos fortes desta série é a qualidade da edição e o fantástico aspecto das páginas que transmitem um ambiente negro onde as forças benignas parecem esmagadas pelas circunstâncias. Há muito para compreender neste mundo que parece ter uma história rica em detalhes.

Opinião a volumes anteirores

Resumo de leituras – Janeiro de 2018

01 – The complete Phonogram – Gillen, McKelvie, Wilson e Cowles – Este volume tem várias semelhanças com The Wicked + The Divine, contendo deuses e figuras com poderes que nascem num cenário urbano. Se no outro se trata do renascer cíclico dos deuses, aqui a fonte é a música, que influencia, adormece e alimenta os detentores dos poderes. Tal como a outra série, esta não faz muito o meu género, não gostando muito da aura decadente dos defeitos humanos inevitáveis que levam recorrentemente ao mesmo erro;

02 – O último reino – Bernard Cornwell – Há algum tempo que não lia nada do autor (ou outras obras de ficção histórica). Trata-se de uma série centrada num lorde inglês que, em criança, presencia a invasão dos Vikings. Mostrando-se lutador e destemido, é adoptado por estes e aprende uma série de técnicas de guerra que o irão ajudar posteriormente;

03 – Metabarons Genesis: Castaka – Alejandro Jodorowsky e Das Pastoras – No seu estilo implacável, eis mais um volume onde se explora a ascendência do Metabarão e a sua ligação com a tecnologia. Guerreiro honrado para quem as acções carregam um peso, o Metabarão tem um ascendente pirata que terá determinado a saído do planeta da sua linhagem;

04 – Mitologia Nórdica – Neil Gaiman – Curto conjunto de histórias mitológicas, onde Neil Gaiman parte dos mitos originais que tanto o fascinaram, para apresentar os Deuses nórdicos como personagens em episódios de valor moral questionável onde a demonstração de esperteza, com interpretações dúbias de pactos, são bastante comuns.

05 – Plutona – Jeff Lemire, Lenox, Bellaire – Com uma premissa que não é totalmente original e explorando a complexidade da adolescência, Plutona consegue apresentar personagens com dimensão própria com as quais é possível sentir empatia. A história vai explorando, ligeiramente, o contexto familiar de cada jovem e assim permitir dar-lhes peso e importância para além do estereotipo fácil;

06 – Fun Home – Alison Bechdel – Em Fun Home entra-se no quotidiano de uma família peculiar pelas recordações de criança da autora que, só com algumas revelações, percebeu o quão peculiar era a família (e a sua infância onde ocorreram viagens à Europa, onde os pais teriam vivido). Mais mais do que o quotidiano de uma família, durante o desenrolar das memórias a autora tenta eternamente estabelecer um contacto mais próximo com um pai, um suposto entendimento e reconciliar com o seu peculiar feitio, como forma de ultrapassar a sua morte.