Fanzine Legendary Horror Stories

A Legendary Books é uma livraria de banda desenhada que tem por missão criar hábitos de cultura entre os mais novos e divulgar o trabalho de autores portugueses. A Livraria publicou recentemente, no MotelX um zine dedicado ao horror que conta com conhecidos autores do meio como André Oliveira e Pedro Cruz, Aragundes Bicho e Anouk Aukine, Nuno Duarte e Rita Alfaiate, Tiago Cruz e Inês Garcia.

A sessão de lançamento contou com a participação de grande maioria dos autores e moderação de Bruno Caetano, que foi realizando perguntas e falando sobre cada uma das histórias. Abaixo cruzo alguma informação que foi fornecida durante o lançamento, com o meu comentário a cada uma das histórias.

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A dupla de André Oliveira e Pedro Cruz já é conhecida de outros trabalhos. André Oliveira ter-se-à inspirado em John Carpenter e a necessidade de desenhar a preto e branco levou Pedro Cruz a adoptar um estilo visual bastante diferente do que conhecemos. O resultado é um conto forte, irónico e de final arrasador.

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O conto seguinte, Fails from the creep provém de Aragundes Bicho e Anouk Aukine, uma dupla que desconhecia. Transformando o Tales from the Crypt, o conto apresenta uma colecção de monstros que se afastam bastante do auge de terror de cada uma das espécies, numa narrativa que tem uns toques políticos.

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Por sua vez, Nuno Duarte e Rita Alfaiate constróem uma história com influências de terror japonês. Trata-se de uma história mais introspectiva, que levou a autora a um estilo gráfico mais carregado de sombras e jogo de luzes que segue uma perspectiva pouco usual, mostrando a partir de um ponto de visão muito baixo – tal como a personagem principal.

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Tiago Cruz afasta-se do estilo narrativo de Sintra, com uma narrativa poética à semelhança do nos apresentou na antologia Humanus. Esta abordagem permitiu que Inês Garcia explorasse diferente cenários para acompanhar cada uma das frases do verso. O volume termina com um poema de Tiago Cruz que acompanha a capa de Jorge Coelho.

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Após a apresentação do volume, alguns dos autores apresentaram os projectos que esperam publicar em breve. Nuno Duarte está a escrever uma história com Fábio Veras, Milagreiro será publicado em inglês pela Kingpin books, será publicado um segundo Gentleman que será desenhado por Fábio Veras, Volta 2 também já estará programado e Mindex estará planeado para o Amadora BD.

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Evento: Noite dos medos

Organiza-se, anualmente, desde 2017, em Melgaço, uma Noite dos Medos! Este evento, que tem como foco o terror, é organizado pelo Município de Melgaço em colaboração com a Associação Empresarial Minho Fronteiriço e tem como objectivos proporcionar animaçao e criar condições para a divulgação de crenças e contos, relacionados com a temática do “oculto”.

O evento incia-se com Welcome Drink dos Medos na Casa da Cultura, espaço que estará tematicamente decorado. Segue-se um cortejo que convida a uma visita ao cemitério dos medos, onde decorrerá o Enterro dos Medos, o Esconjuro das Bruxas e a Queimada Galega. O evento fecha com um espectáculo de fogo e festa.

Para mais informações podem consultar a página oficial do evento.

As Sombras de Lázaro – Pedro Lucas Martins

O vencedor do prémio de António de Macedo (prémio organizado pela Editorial Divergência) do ano passado é um novo autor, Pedro Lucas Martins. O livro com que venceu o prémio, As sombras de Lázaro, é um livro de terror, de tom pausado, que recorda algumas obras mais clássicas pela forma como se desenvolve, sem pressas.

A história decorre na fronteira ténue entre a loucura e o sobrenatural, fornecendo detalhes suficientes de ambas as vertentes para nos deixar na dúvida ao longo de todo o romance, sobre a origem dos elementos que provocam a narrativa. Elementos estes que são desenvolvidos na medida certa – o suficiente para tornar a leitura inquietante, mas sem a exaustão que poderia deixar a narrativa insípida.

A narrativa decorre num espaço quase isolado. Lázaro encontra-se em casa, após dois anos de internamento psiquiátrico, para o Natal. Fisicamente exausto e debilitado, permanece na cama, receoso do retorno dos episódios que o levaram ao hospital, e atento aos novos quadros que se encontram naquele quarto que terão imagens pouco relaxantes.

Paralelamente, o filho, pequeno, pensa em estabelecer uma nova ligação com o pai, figura que, até aqui, tem sido distante, e a mulher oscila entre o alívio pelo retorno de Lázaro e a antecipação da perda de autonomia com o retorno da figura dominante. Por sua vez, a governante cumpre o seu papel, mantendo-se distante do patrão que conhece desde pequeno mas pelo qual nunca sentiu grande empatia.

A acção oscila entre o tempo presente, com Lázaro numa cama, e episódios passados que explicam as interacções entre as diferentes personagens. Lázaro teve um relacionamento difícil com os pais (sobretudo com a rigidez paterna) e cedo deixou a casa dos progenitores, regressando apenas após a morte de ambos, com a esposa.  Para além disso, Lázaro recordará um episódio quase enterrado de algo que o terá marcado psicologicamente.

Esta combinação de características torna As Sombras de Lázaro numa surpresa muito positiva. Surpresa porque se tratando da primeira obra do autor não esperava uma obra de narratva pouco linear, de acção tão balanceada e que, ao tocar num género que facilmente pode resvalar, tivesse um tom tão clássico.

The Politics of Horror – Worldcon – Algumas considerações

Quando pensamos em horror (ou pelo menos quando penso) a primeira coisa que me vem à cabeça não é a política. E se me falarem em política provavelmente vou pensar em deputados transformados em zombies. Ou em algo semelhante. Mas a verdade é que o horror é usado em política para nos manipular. E é verdade que, na narrativa de horror podem existir influências políticas.

A palestra na Worldcon contou com pessoas como Brett Cox (escritor, professor e membro fundador do prémio Shirley Jackson – agora vice presidente do prémio), Rosanne Rabinowitz (escritora) e Charles Stross (também escritor, conhecido pelas suas extensas séries de ficção) e iniciou-se com uma frase do Editor da revista Rue Morgue.

“Having been editor here for over two years, I’m keenly aware that not all of our readers share my passion for applying genre concepts to a greater understanding of the world around us.  I’ve fielded complaints about the magazine becoming too political, and I never dismiss reader feedback without considering what’s being said with an open mind and an open heart.  What I ask in return is to consider the following: that horror deals in fear, and fear deals in power.  Those who have power will inexorably wield it against those who don’t by means of physical, psychological and constitutional violence or intimidation, and the study of these power differentials in society is social politicsHorror is, by nature, political.”–Andrea Subissati, “Note from Underground,” _Rue Morgue_, July/August 2019, page 6

Trata-se de uma abordagem interessante, principalmente quando nos deparamos com os tempos actuais. Razão pela qual comecei por usar uma das premissas mais comuns da narrativa de horror, o medo do outro. Ainda que, normalmente, o outro seja o alienígena, o monstro, ou o assassino – uma entidade alienada que, não sendo como nós, nos quer fazer mal. Para a narrativa de horror o ser, normalmente esta é uma expectativa que se cumpre. A não ser quando o autor pretende desenvolver uma linha narrativa anti-cliché.

Mas em política, este medo pelo outro é usado da mesma forma. O outro (seja o estrangeiro ou o pobre) é alienado e  transformado no monstro que quer roubar as nossas casas, os nossos empregos, a nossa comodidade. O medo transforma-se numa arma que tem como objectivo dividir para conquistar. Uma forma de manter o foco num potencial e falso inimigo, como forma de distrair em relação aos ordenados que se mantêm baixos enquanto as grandes empresas concretizam somas obscenas usando trabalho barato.

Mas não só. O medo é usado politicamente. Se, por um lado, nos dizem o que não temer – as alterações climáticas ou a contaminação dos alimentos – por outro dizem-nos o que temer usando esse mesmo medo do outro. O medo é usado para manipular, de uma forma arrepiante que poucos autores de horror conseguem reproduzir.

Tão interessante quanto o medo do outro, será o medo do nosso vizinho. Curiosamente, a caminho desta palestra estava a ler um dos livros de ficção científica de Robert Jackson Bennett, Vigilance e deparo-me com o seguinte parágrafo:

The heart of the matter was that from the beginning, America had always been a nation of fear. Fear of the monarchy. Fear of the elites. Fear of losing your property, to the government or invasion. A fear that, though you had worked damn hard, some dumb thug or smug city prick would either find a way to steal it or use the law to steal it.

O medo do outro, que não conhecemos é levado a outro nível. Numa época em que a tecnologia nos aproxima de alguns, mas nos afasta dos vizinhos e se convive cada vez menos com as pessoas do nosso bairro ou do nosso prédio, o “outro” está muito perto de nós. Neste caso específico, o medo é usado para incitar à aquisição de armas para defesa, com uma narrativa que promete que qualquer um pode estar preparado. E vigilante.

Contata-se, assim, que o medo é lucrativo. É o medo que nos leva ao preconceito e ao isolamento. É o medo, por nós e pelos que gostamos, que nos torna manipuláveis. E é a possibilidade de segurança (falsa) que tem, tantas vezes, culminado na guerra e na destruição.

Novidade: Inspecção – Josh Malerman

Do mesmo autor de Bird Box (publicado em Portugal como Às Cegas) chega-nos Inspeção pela TOPSELLER. Deixo-vos a sinopse disponibilizada pela editora:

J é aluno de uma escola muito peculiar.
J está a ser treinado para se tornar um génio.
J não sabe, mas a sua vida é uma mentira.

Nas profundezas de uma floresta isolada, há uma escola restrita onde 26 rapazes são educados para se tornarem prodígios das artes, ciências e atletismo. Versões melhoradas do ser humano inspecionadas todos os dias, de modo a evitar qualquer tipo de mácula vinda do exterior.

Aos 12 anos, J e os seus irmãos desconhecem o mundo que existe para lá da redoma mantida pelos professores, guardas e disciplina do fundador da escola ? que os rapazes conhecem como P.A.I. E enquanto a maioria dos alunos segue à risca as regras da única família que conhece, J começa a detetar pequenas falhas, que aguçam a sua curiosidade. Mas depois das advertências do P.A.I., que o proíbe terminantemente de explorar o que lhe é interdito, J sabe que o castigo para a desobediência é pesado: expulsão definitiva da família? ou pior.

Atormentado pela dúvida e pelo comportamento errático do fundador, J não consegue deixar de se questionar: por que razão os alunos não podem transpor os limites da escola? O que é que há lá fora que eles não podem ver? E, acima de tudo? o que pretende o P.A.I. fazer com os 26 rapazes?

Novidade e evento de lançamento: Contos do Rei Amarelo

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Publicado originalmente em 1895, O Rei Amarelo, de Robert W. Chambers é um clássico no género sobrenatural, que cruza elementos fantásticos e macabros. O livro é composto por vários contos que se centram no Rei Amarelo de diferentes formas, ora tendo como premissa a busca pelo sinal amarelo, ora relacionando-se com uma peça denominada O Rei Amarelo.

Estes contos viriam a influenciar algumas das obras mais conhecidas no género do horror como Lovecraft, Charless Stross ou Alan Moore. Mais recentemente encontramos referências em séries como True Detective.

O livro vai ser apresentado no MotelX, no dia 12 de Setembro, numa sessão que vai muito além do que é usual nos lançamentos de livros, começando com uma Instalação Interactiva denominada Quarto Amarelo onde os participantes poderão viver na pele de alguém que caiu nas mãos do Rei Amarelo. Segue-se uma audiopeça de terror com passagens dos Contos do Rei Amarelo e entao o lançamento do livro que tem a seguinte sinopse:

As histórias de terror do início do século XX que inspiraram autores tão díspares como H. P. Lovecraft, George R. R. Martin, Neil Gaiman e Grant Morrison.

Atreve-te a descobrir o destino daqueles que tiveram o azar de cair nas mãos do Rei de Amarelo.

Novidade e evento de lançamento – Legendary Horror Stories

A Legendary Books lança, durante a próxima semana, no MotelX uma fanzine com histórias dos mais conhecidos autores portugueses. O lançamento decorrerá na quarta-feira, dia 11, pelas 19h, na sala 2 do Cinema São Jorge, com direito a sessão de autógrafos. Os exemplares estarão à venda durante o MotelX na banca da Legendary Books, bem como na livraria Legendary Books.

Sobre o volume deixo-vos algum detalhe de conteúdo, bem como a sinopse e algumas páginas:

A Legendary Books orgulha-se de apresentar:
Legendary Horror Stories – volume um

4 histórias, 4 estilos, 8 autores
1 elemento comum a todas as histórias
Do slasher americano ao terror psicológico e introspectivo
Do poema fúnebre à sátira política.

Com curtas das duplas André Oliveira e Pedro Cruz, Aragundes Bicho e Anouk Aukine, Nuno Duarte e Rita Alfaiate, Tiago Cruz e Inês Garcia e capa de Jorge Coelho
Uma edição assustadora, ímpar e inesquecível

Fantasmas da Mente – Paul Tremblay

Livros de terror que envolvem exorcismos não costumam ser a minha leitura habitual. Ainda assim, este foi muito bem recomendado, e tem recebido excelentes críticas internacionais, pelo que me senti curiosa. O que encontrei é uma história sobre uma adolescente possuída, contada, quase sempre, pela perspectiva da irmã mais nova.

A família Barrett está em processo de degradação económica. O pai, desempregado e desocupado desespera, enquanto a mãe constitui o único sustento da família. Os problemas que começam a surgir são, à primeira vista, os típicos de um agregado em tais condições. A frustração dá lugar a brigas entre o casal e as filhas tentam lidar com a situação isolando-se ou criando os seus próprios mundos.

Merry, a filha mais nova, começa a aperceber-se que a irmã está estranha quando, numa normal sessão em que inventam contos, a história que é proferida é de horror – mas real, citando um acontecimento histórico em que várias pessoas terão ficado presas num mar de melaço e falecido tragicamente. Seguem-se as ameaças e os períodos de transe em que Marjorie, a mais velha, refere ouvir vozes antigas que lhe darão conhecimentos estranhos.

Desesperado, o pai procura, na religião, uma salvação. Por sua vez, a mãe prefere recorrer à ciência mas, não havendo melhoras visíveis com os medicamentos, cede ao acompanhamento por padres com vista a um exorcismo. Em cima de todo este processo, a família é levada a assinar um contrato televisivo para fazer parte de um reality show, prevendo-se que todos procedimentos sejam filmados e visualizados a nível nacional.

Com o programa televisivo expõe-se o problema familiar. Chegam os manifestantes e começa o ostracismo da família na comunidade. A escola torna-se cada vez mais difícil. Mas, ao menos, o dinheiro flui e podem finalmente comer outra coisa para além de massa. Entre operadores de câmara e manifestantes, a vida das jovens torna-se ainda mais isolada e estranha. Merry sente que a irmã mais velha se torna o foco da vida familiar e tenta fazer amigos entre os operadores do programa televisivo. Marjorie tem crises cada vez mais fortes, mais violentas e aterradores e ainda que diga a Merry que tudo não passa de fingimento, as suas justificações são pouco convincentes.

A história centra-se, sobretudo, na visão infantil dos acontecimentos, dada por Merry. Esta visão é alternada por pequenos episódios de uma Merry adulta e por entradas num blog em que se relata um parecer sobre o reality show. Mesmo com todos estes elementos ficamos sem perceber se é suposto acreditarmos numa possessão ou apenas numa crise psicológica – são-nos fornecidas pistas em ambos os sentidos e todos os elementos são dúbios.

O que percebemos, com certeza, é que o ambiente familiar se degrada a passos largos. A religião não fornece o apoio necessário ao pai que age de forma irregular. A mãe refugia-se na bebida, arrependida por ter cedido o espaço privado às câmaras e por ter cedido à prática do exorcismo. Paira uma sensação de impotência que quebra todos os envolvidos, mas, sobretudo, os progenitores – incapazes de tornar a filha saudável e de tomar as decisões correctas (se é que as existem).

Sem apresentar uma versão definitiva dos acontecimentos, Fantasmas da Mente é um page turner, uma história que nos impulsiona a querer saber o que acontece e que consegue surpreender, apesar das pistas que antecipam os episódios determinantes. Trata-se de uma premissa bastante simples, até vulgar, que cativa pela forma como é desenvolvida. No final, podemos fazer várias interpretações – mas qualquer uma delas é inquietante.

Fantasmas da mente foi publicado em Portugal pela TOPSELLER e venceu o prémio Bram Stoker de 2015. Curiosamente, na sessão de The Politics of Horror (Worldcon 2019) o livro foi referido por ser um bom exemplo de crítica social que subverte O Exorcista.

O invisível, a sua sombra e o seu reflexo – António Bizarro

Neste pequeno livro de autoria nacional o autor desenvolve várias histórias de crime centrando-se no assassino e nas suas obsessões. Algumas histórias possuem detalhes ligeiramente fantásticos mas a maioria apresenta narrativas sem qualquer elemento pouco natural.

O volume abre com uma obsessão fotográfica – uma obsessão que tem contornos mais trágicos do que inicialmente se percepciona, passando para o caso de um anjo da morte. Entre assassinos com dupla personalidade e duplas de assassinos encontramos incesto, mortes por impulso e homicidas em série com grandes planos.

Entre estes casos mais detalhados encontramos letras de músicas, poemas e contos mais curtos, como A Colónia ou O Quarto Escuro que se podem considerar de ficção científica ou Jacqueline Hyde que deambula entre a escrita de um conto e o próprio conto. Já em Leonard Pine fala-se da auto publicação como forma de atingir o estatuto de autor.

Os contos são, na sua maioria, bem construídos em termos narrativos. O autor sabe levar o enredo e tecer expectativa, desenvolver o relacionamento entre o assassino e a sua vítima e entregar, por vezes, finais pouco esperados. Digo na sua maioria porque alguns contos, mais curtos, são pequenas deambulações literárias que nos levam brevemente para outros mundos ou enredos mas que não se concretizam em histórias com príncipio, meio e fim. Julgo que o livro seria bastante mais coerente sem estes trechos.

Para quem gosta do género crime / suspense este é um livro aconselhável, com boas histórias que, decerto irão de encontro ao que pretendem. O invisível, a sua sombra e o seu reflexo foi publicado pela Coolbooks.

 

Resumo de Leituras – Julho de 2019 (3)

53 – O invisível, a sombra e o seu reflexo – Antónjo Bizarro – Neste pequeno livro de autoria nacional o autor desenvolve várias histórias de crime centrando-se no assassino e nas suas obsessões. Algumas histórias possuem detalhes ligeiramente fantásticos mas a maioria apresenta narrativas sem qualquer elemento pouco natural;

54 – Príncipe Valente – 1937 – Hal Foster – Eis uma série que, curiosamente, envelheceu bem. Talvez por ser voltada para um público mais jovem possui um bom ritmo e uma narrativa simples, que lhe permitem ser lida na actualidade sem quebras. Reconhece-se, claro, o estilo e a cor típicos da altura;

55 – Frango com Ameixas – Marjane Satrapi – Uma narrativa curiosa em que a autora explora um antepassado que, quebrado o seu instrumento musical de eleição, decide morrer. Mas poderá haver mais do que esta quebra de vontade e a autora mistura factos com outros elementos para tecer uma outra história;

56 – A metamorfose e outras fermosas morfoses – Rui Zink – Uma série de pequenos contos que exploram as fronteiras entre o ficcional e o não ficcional, entre o quotidiano e a demência.

Novidade: Até que a morte nos separe – Mauro Marcheselli, Tiziano Sclavi e Bruno Brindisi

O segundo volume de Dylan Dog tem andado desaparecido das bancas, mas deverá retornar à distribuição, com a presença, nas próximas semanas, na FNAC e na Wook. Este segundo volume traz-nos uma história pouco típica do herói:

Criado por Tiziano Sclavi, DYLAN DOG é o célebre investigador do paranormal, o detective dos pesadelos, uma das mais conhecidas personagens de BD de sempre, cujas aventuras ao mesmo tempo aterradoras, inquietantes e melancólicas, têm encantado leitores – e leitoras – em todo o mundo.

Antes de ser o detective do pesadelo, Dylan Dog era apenas um agente da Scotland Yard que vai descobrir o amor com Lillie Connoly, uma jovem activista irlandesa. Uma história de amor trágica, considerada como uma das melhores histórias de sempre de Dylan Dog, que marcará de forma indelével o nosso herói.

Oriundo de uma família de artistas, Bruno Brindisi entra na Sergio Bonelli Editore em 1990, com apenas vinte cinco anos, desenhando alguns episódios de Nick Raider, até entrar na equipa de Dylan Dog, série onde se vai estrear com a aventura Il Male, escrita por Tiziano Sclavi. Bruno Brindisi é hoje um dos mais representativos desenhadores de Dylan Dog, tendo realizado alguns dos mais importantes episódios da série. Se há adjectivo que caracteriza o seu Dylan Dog, seria naturalmente a beleza, complementada com alguma dose de ironia, tudo servido por uma linha clara, capaz de transmitir as paixões, os amores e desamores do herói.

Mauro Marcheselli é uma das mais influentes personalidades nos fumetti italianos. Nascido em 1953, torna-se redactor da Sergio Bonelli Editore em 1986, e começa a escrever para Dylan Dog a partir de 1992, assinando algumas das melhores histórias do detective do pesadelo, entre as quais poderíamos mencionar Johnny Freak (já publicada em Portugal pela Levoir) e este Até que a Morte vos Separe. Foi editor da série até 2009, passando a ocupar o posto de Director Editorial de toda a SBE entre 2010 e 2015. Dylan Dog absorveu na totalidade trinta anos da vida de Marcheselli, podendo ser hoje considerado, depois de Tiziano Sclavi, como o mais importante autor da série.

Ao contrário dos super-heróis, que têm uma origem bem definida, a origem de Dylan Dog tem sido contada aos poucos, em edições especiais, como é o caso do #121, que coincide precisamente com o décimo aniversário da série. Foi aí que saiu esta aventura, que explora o passado de Dylan enquanto agente da Scotland Yard, antes de se estabelecer como investigador privado. Uma história baseada em factos concretos e bem reais, relacionados com a luta armada pela independência da Irlanda do Norte, luta pela que causou dor e sofrimento dos dois lados da barricada, e que Dylan acompanha enquanto polícia de giro da Scotland Yard, Um jovem polícia, que vê um colega morrer ao seu lado, despedaçado por uma bomba do IRA e que, ainda assim, acaba por se envolver com uma activista do IRA, a bela Lillie Connolly, o primeiro grande amor de Dylan, que marcou também os leitores.

Novidades: O Velho que Lê – Fabio Celoni, Tiziano Sclavi e Angelo Stano

O Velho que Lê marcou o regresso de Dylan Dog ao mercado português (depois das publicações pela Levoir em parceria com o jornal Público).  Este volume será o primeiro de uma nova colecção da G Floy e que já conta com outra história desta personagem da banda desenhada italiana:

Criado por Tiziano Sclavi, DYLAN DOG é o célebre investigador do paranormal, o detective dos pesadelos, uma das mais conhecidas personagens de BD de sempre, cujas aventuras ao mesmo tempo aterradoras, inquietantes e melancólicas, têm encantado leitores – e leitoras – em todo o mundo.

Dylan Dog investiga o desaparecimento de Ozra, um velho obcecado por livros, e irá mergulhar num mundo fantástico, povoado de personagens literárias, pesadelos e horrores bem reais. Para além desta história maior escrita e desenhada por Fabio Celoni, este volume inclui ainda A Pequena Biblioteca de Babel, um divertimento ao estilo “de Borges” sobre o misterioso destino de uma aldeia na Cornualha, que em pouco mais de uma dezena de páginas mostra um exemplo espantoso do universo surreal de Dylan Dog.

Fabio Celoni é um dos grandes criadores de fumetti, a banda desenhada italiana, e um dos maiores mestres do preto e branco, um exemplo da qualidade superior que a produção da Sergio Bonelli, a célebre casa editorial de Tex e Dylan Dog, entre tantas outras séries, consegue atingir mês após mês, nas suas revistas de c. 100 pgs a p/b. Diplomado pela famosa Scuola del Fumetto di Milano, vai tornar-se aos 19 anos no mais jovem desenhador a ser publicado na revista Topolino (Mickey), da Disney Itália. Desde então construiu uma notável carreira como artista de BD. É um dos poucos autores que simultaneamente escreve e desenha as suas histórias na Bonelli, e com este O Velho que Lê, venceu o prestigiado Galeone d’Oro di Cravenroad7 em 2009, o prémio que distingue a melhor história de Dylan Dog publicada em cada ano.

O estilo de Celoni é único, perfeitamente identificável, vibrante e potente. O Velho que Lê é disso perfeito exemplo, no seu tom onírico ou na mistura de diferentes realidades, fruto de uma sensibilidade criativa como poucas, numa história que é também uma grande homenagem a histórias clássicas da BD clássica, como por exemplo Mort Cinder, de Oesterheld e Breccia.

Como suplemento, os fãs poderão encontrar uma maravilhosa – se bem que perturbadora e genuinamente assustadora – história escrita por Tiziano Sclavi – criador da série – A Pequena Biblioteca de Babel, com arte de Angelo Stano. O autor aqui homenageado é, claro, Jorge Luís Borges, e este pequeno conto macabro e cheio de humor negro é um bom exemplo dos muitos aspectos que as histórias de Dylan Dog podem revestir.

Se Dylan Dog é um herói fascinante, Tiziano Sclavi, o seu criador, não o é menos. Personagem torturada, afectada por depressões e bloqueios criativos que o levaram mesmo a tentar o suicídio, Sclavi é uma figura envolta numa aura de mistério. Mistério para o qual muito contribuiu o facto de quase não aparecer em público, raramente dar entrevistas, e muito menos se deixar fotografar. Numa dessas raras entrevistas, ficou célebre a resposta que deu quando lhe perguntaram se se identificava com Dylan Dog: “Nem com Dylan, nem com Groucho” disse, “eu sou os monstros”.

 

Andromeda – Zé Burnay

Andromeda foi um dos projectos que esteve o ano passado em Indiegogo para financiamento colectivo – um projecto de Zé Burnay  que foi financiado e se concreticou conforme o esperado, fornecendo a quem participou um belíssimo volume de banda desenhada, em capa dura e excelente qualidade de impressão. Para além da qualidade do volume, destaca-se, também, a qualidade do trabalho de Zé Burnay, que já tinha constatado no pequeno livro A House on the Horizon.

De poucas palavras, a história cruza elementos míticos e mitológicos, com uma aura permanente de horror fantástico. Por entre paisagens fantásticas carregadas de elementos estranhos, que me recordam mundos pós-apocalípticos, seguimos um homem que vai enfrentando várias bestas e várias divindades.

A história começa com o confronto com um minotauro prosseguindo com a exploração de uma casa para a qual é atraído. Uma casa aparentemente acolhedora mas que esconde vários segredos e da qual a personagem terá de fugir para ganhar nova perspectiva e passar à próxima fase de exploração.

No final podem encontrar arte que decorre no mundo imaginado de Zé Burnay de vários autores de banda desenhada conhecidos como Mike Magnola, Frans Boukas, Matt Smith, Aaron Conley, Simon Roy, John Kenn Mortensen, Artyom Trakhanov e Christian Degn.

Este livro, e outros do autor, podem ser adquiridos na página oficial.

Novidade: Sintra – Tiago Cruz e Inês Garcia (segunda edição)

Eis nova edição de Sintra! Neste caso não se trata simplesmente de uma segunda edição do mesmo livro, mas uma edição com novos extras e nova capa. Para quem não leu o primeiro recomendo vivamente, tratando-se de uma história de horror que decorre em Sintra, construída utilizando vários elementos do local!

Deixo-vos com a ligação para o comentário completo ao livro, bem como entrevista aos autores e a informação disponiblizada pela editora para este volume:

 

Em Sintra nem tudo é o que parece. Quando um jovem casal de namorados decide acampar na serra de Sintra envolve-se num estranho acidente, acabando por descobrir que não estão sozinhos. Quem habita a misteriosa serra?

Novidade: H-Alt N.º8

A H-Alt anuncia o lançamento do oitavo volume com uma selecção de 17 histórias de vários autores e vários géneros. Para mais informações sobre este projecto podem consultar a página oficial.

A imagem da capa é da autoria do consagrado concept-artist e autor de BD espanhol Marcos Mateu-Mestre, estando o seu trabalho em destaque nesta edição. Aparece também uma breve entrevista exclusiva com ele. Na secção Descobrir falamos um pouco sobre a editora Imaginauta.

 

 

 

 

Resumo de Leituras – Junho de 2019

37 – Black Hammer – Vol.2 – O segundo volume continua a história do grupo de super heróis encurralado e semi enlouquecido, mostrando o resultado das tensões acumuladas que se soltam com a chegada de uma jovem, a filha de um dos falecidos super que serve como elemento catalisador para a narrativa;

38 – O Homem Vazio Volume sombrio de terror, O Homem Vazio é uma narrativa competente de horror que nos trás uma espécie de fenómeno sobrenatural memético, em que as pessoas vão sendo contaminadas por uma vontade de se entregarem a fins pouco lógicos;

39 – Winepunk – Vários autores – Apenas agora o inclui na listagem, apesar de o ter lido há alguns meses. A ideia é original, a concretização é fantástica. O volume destaca-se sobretudo pela forma como utiliza factos históricos para criar uma realidade alternativa de grande teor português. Um dos grandes lançamentos do ano.

40 – Laura and the Shadow King – Bruno Martins Soares – É o primeiro livro que leio do Bruno Martins Soares em inglês. A história é movimentada e emotiva, retratando um apocalipse da humanidade no seguimento de uma doença que aproxima os humanos de zombies. Ou pelo menos de seres irracionais, violentos e pouco inteligentes. Mas ao contrário de livros que decorrem em apocalipses zombies, a narrativa tem, neste caso, espaço para explorar relacionamentos e interacções humanas e dá grande foco à empatia.

Novidade: Outcast Vol.5 – Kirkman e Azaceta

Já se encontra nas bancas o quinto volume da série Outcast, lançada em Portugal pela editora G Floy:

A nova série de terror do criador de THE WALKING DEAD.

Os acontecimentos vão suceder-se a um ritmo tremendo, e muitas surpresas aguardam Kyle Barnes, que começa a descobrir a fonte verdadeira do seu poder sobre o adversário… e que vai ter de enfrentar algo para o qual já não estava preparado: a esperança! Com novos aliados, e muitos inimigos, começa guerra contra as forças demoníacas que infestam Rome, na Virgínia Ocidental. O penúltimo volume (agora em formato duplo) de uma das mais inquietantes e viscerais séries de terror da banda desenhada actual.

Robert Kirkman é um dos mais influentes criadores de comics actual, e um dos cinco partners da Image – o único que não é um dos fundadores. Kirkman é mundialmente famoso pela série The Walking Dead. Paul Azaceta, o desenhador de Outcast, é um artista cujo estilo simples, directo e arrojado, já ilustrou séries como Demolidor, Punisher Noir, Homem-Aranha e outras. O trabalho de Azaceta pode também ser visto no excelente romance policial noir Potter’s Field: O Cemitério dos Esquecidos (com argumento de Mark Waid), também editado pela G. Floy. E todos os contrastes fortes do desenho de Azaceta são tremendamente realçados pelas cores magníficas de Elizabeth Breitweiser, talvez uma das melhores coloristas da actualidade, que consegue gerar um ambiente ao mesmo tempo inquietante e sinistro, mas sem cair em tons sempre escuros.

A série aproxima-se da sua recta final. Para este final, a G. Floy optou por lançar volumes duplos, que recolhem dois trades originais num só livro, desta feita juntando os volumes 5 (A New Path) e 6 (Invasion). A série terminará no número 48, neste momento nos EUA já saiu o #42, ou seja, a série original está a um trade do final. O volume 6 da edição portuguesa (correspondente aos volumes 7 e 8 da edição americana original) está programado para inícios de 2020. A série acabará nos EUA no Natal.

O Homem Vazio – Cullen Bunn, Vanessa R. Del Rey e Michael Garland

O Homem Vazio é um dos livros mais recentes de Cullen Bunn publicados pela G Floy no mercado português (sendo o mais recente Deadpool mata os clássicos) que segue uma linha narrativa próxima de Harrow County, uma série de horror em lançamento pela mesma editora. Mas se Harrow County consegue ser uma série de horror forte mas ligeiramente suavisada por apresentar uma protagonista jovem, em O Homem Vazio a narrativa é a concretização de um longo e duro pesadelo.

Na realidade apresentada em O Homem Vazio, várias pessoas cedem a novas vozes que se fazem ouvir e as levam a fazer as coisas mais inacreditáveis e horrorosas como se fossem lógicas. Algumas vêem monstros. Outras julgam ouvir Deus. As visões e as suas consequências alastram-se sem aviso nem padrão perceptível levando a que surjam vários cultos religiosos e, claro, uma força policial especial para lidar com estes casos.

Mas nem tudo é apenas psicológico. Pela perspectiva dos dois polícias que seguimos percebemos que o fenómeno tem cariz sobrenatural ou paranormal. Não são só as vítimas que dizem ver monstros, também assistimos a batalhas surreais com pesadelos materalizados.

A aura de horror é densa em O Homem Vazio. O autor consegue transmitir uma grande expectativa quanto ao próximo episódio, podendo existir uma manifestação em qualquer momento e afectando qualquer pessoa. Mas ainda que os desenhos façam jus ao género, o que é torna esta história um forte exemplar de horror são as possibilidades expressas – a ilusão que contamina as pessoas e as levam a actos inanarráveis, a vontade que estas expressam em concretizar estas ideias ou a dissolução de fortes laços afectivos em segundos.

História de volume único, O Homem Vazio é das histórias de horror de banda desenhada mais negras que li nos últimos tempos. O desenho é soturno, de poucas cores (excepto o vermelho contrastando com os fundos escuros) e a narrativa intercala diferentes perspectivas que dão, ao leitor, uma visão mais abrangente, mas, também, mais assustadora.

Outros livros do autor

The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction

Se bem repararam, o Rascunhos tem estado mais silencioso nestas últimas semanas. Tal redução de publicações deve-se ao surgir de um novo projecto que estou a coordenar conjuntamente com o Carlos Silva – o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction.

Ainda que apenas tenha sido lançado no passado Sábado, dia 11, é um projecto que fervilha desde que a sua necessidade se tornou evidente na Eurocon de Barcelona, há alguns anitos. É que, após apresentarmos vários livros, autores e iniciativas portuguesas, não tinhamos nenhum portal que pudesse dar continuidade ao interesse que se gerava pelo que é feito em Portugal.

É neste seguimento que surge, então, o portal – um esforço conjunto de mais de 20 pessoas que inclui associações e vários bloggers para divulgar tudo o que ocorre a nível nacional em várias vertentes – literatura, jogos de tabuleiro, banda desenhada, videojogos, rgp, cinema, música, teatro. E em língua inglesa para podermos dar maior visibilidade internacional!

O arranque de dia 11 trouxe artigos sobre videojogos, jogos de tabuleiro, livros (claro) e banda desenhada – mas já estão programados artigos sobre cinema, teatro, eventos e muito mais. Estamos abertos a contribuições, sugestões, ideias e muito mais – basta contactarem-nos pelo formulário que se encontra na página.

Assim foi: Contacto 2019

O Contacto, organizado pela Imaginauta, começou em 2018 no Palácio Baldaya em Benfica. Dedicado à ficção científica e fantástico, é um evento que se destaca por ter, para além de palestras e um espaço dedicado à literatura, muitas outras actividades apropriadas para todas as idades – lutas de sabres de luz, aulas de magia influenciadas pelo mundo do Harry Potter, exposições, jogos de tabuleiro, steampunk e muito mais.

Lançamentos

A minha perspectiva do evento é mais literária, destacando os eventos de lançamento que foram decorrendo. O primeiro a que assisti foi o lançamento do novo livro em português de Bruno Martins Soares, As Crónicas de Byllard Iddo – um lançamento em que o autor falou do livro e do interesse nos mundos que cria.

Já no Sábado, ainda presenciar um pouco do lançamento do livro de Nuno Duarte, O outro lado de Z, onde o autor Nuno Duarte falou do mundo fantástico de este livro e de outros. Seguiu-se o lançamento da antologia Winepunk onde participei (no lançamento, não na antologia). A antologia destaca-se por ser uma realidade alternativa que tem por base a história de Portugal, mais propriamente o Reino do Norte que, no meio das convulsões, surgiu no Norte de Portugal mas que apenas durou 3 semanas. E se tivesse durado 3 anos? Após ter iniciado o lançamento, o Rogério Ribeiro falou um pouco da forma como geraram a base antes de enviarem o desafio aos autores, Pedro Cipriano falou da produção que se seguiu por parte da editora, e os dois autores presentes (João Barreiros e João Ventura) falaram do seu processo criativo neste mundo fictício.

O último lançamento a que pude assistir foi o lançamento de Amadis de Gaula por Nuno Júdice, em que o autor falou da incerteza da autoria do livro, da forma como influenciou e é referido em obras posteriores, mostrando um exemplar com vários séculos de existência.

Banda desenhada

Para além do lançamento de O outro lado de Z, o Contacto reservou espaço na agenda para que pudessemos conhecer um pouco melhor outros autores de banda desenhada, como Joana Afonso, Henrique Gandum, Fábio Veras e Luís Zhang (autores de Filhos do Rato).

Ainda, no Lagar (zona central do edifício) estiveram alguns artistas a projectar enquanto desenhavam: FIL e Miguel Santos (da Associação Tentáculo) bem como Diogo Mané.

Ponto de encontro

Este tipo de eventos fantásticos e de ficção científica costumam ser ponto de encontro entre autores e editores, levando à criação de vários projectos. Neste caso o evento ajudou nestes encontros, disponibilizando uma sala para estes pudessem decorrer de forma mais oficial. Destacam-se dois encontros, um para a geração de um portal português de ficção científica e fantástico e outro para o encontro de autores de ficção científica e fantástico onde vários autores trocaram experiências.

Outros detalhes

Durante o evento decorreu uma taberna medieval e uma feira do livro que apresentava bancas das mais conhecidas editoras de ficção científica e fantástico – desde a Saída de Emergência com a colecção Bang!, à Europa-América com a colecção de livros de bolso de ficção científica, passando pela Imaginauta e pela Editorial Divergência entre outras.

Para além das exposições encontrávamos salas temáticas: Steampunk, Harry Potter e Star Wars, mais voltadas para o público jovem; bem como uma pequena oferta de jogos de tabuleiro.