Conto Fantástico é o nome de uma das mais recentes publicações dos géneros ficção científica e fantástico, publicada pela Editora Antagonista (a mesma que é responsável pela colecção Мир) dedicada ao cenário nacional. Os dois primeiros volumes foram publicados num só, contendo 5 contos, 2 entrevistas e 2 crónicas.
Memórias da Ficção Científica é o título das duas crónicas, da autoria de Álvaro de Sousa Holstein, o mesmo título do blog do autor que se tem dedicado a publicar alguns tesouros do género – eventos e livros que foram publicados há décadas, e dos quais hoje raramente se ouve falar, a não ser por outras pessoas que viveram na mesma época. Na primeira crónica descreve-se o aparecimento de Nebulosa, uma fanzine de Ficção Científica e Fantasia, em torno das dificuldades, na época, de unir esforços e meios para concretizar este plano. Ainda que interessante, gostava de ver este assunto mais desenvolvido: que autores publicaram, quantas edições existiram ou a quantos números chegou.
O segundo artigo centrou-se numa pessoa cujo nome não me era desconhecido, mas quase: Romeu de Melo. Autor de ficção científica entre outras coisas, terá escrito dois romances e vários contos, sendo uma presença quase nula nas livrarias actuais, salvo algumas referências a obras de filosofia.
A entrevista a João Barreiros é um bom exemplo do espírito do escritor, que opta sempre por defender a qualidade e não a quantidade, realçando a mediocridade de muito do que é publicado hoje para as massas. Defende livrarias especializadas, boas críticas e colecções dos géneros que não se dedicassem simplesmente a publicar qualquer coisa: um sonho de qualquer amante do género. Se acho que estamos melhor do que há uns seis, sete anos atrás, nem por isso acredito que um dia se concretize este desejo.
As últimas páginas da publicação revelam um pouco mais de Afonso Cruz, um autor recente que se tornou mais conhecido com A Enciclopédia da Estória Universal, um dos melhores livros de um autor português que tive oportunidade de conhecer. Apesar de curta, nesta entrevista dá para perceber que Afonso Cruz é mais um artista do que um escritor, preocupando-se mais em escrever do que no género onde se enquadra o que escreve. Ainda bem.

Olá.
Obrigado pela referência ao Jornal. Para quando uma crítica às peças de ficção?
Roberto
Olá 🙂 Em princípio daqui a uma, duas semanas, que é quando tenho espaço para encaixar 🙂 Ainda estou a pensar se dedico um post a cada, ou se vai tudo no mesmo.