1602 – Witch hunter Angela – Bennett, Gillen e Hans

O mundo deste volume começou com 1602, um livro de Neil Gaiman que apresenta uma realidade alternativa onde os super-heróis apareceram durante os Descobrimentos, em auge pleno da Inquisição. Julgados como aberrações, demonstrações do poder do diabo ou resultado de bruxarias, os heróis surgem em meio pouco propício e facilmente acabam na fogueira.

Depois de 1602 de Neil Gaiman seguiram-se outras aventuras no mesmo Universo por outros autores, Fantastic Four ou Spider Man, aventuras mais standard num enquadramento diferente. Em Witch hunter Angela o ambiente difere de todos os volumes anteriores, com um ambiente mais negro e denso que contrasta a religiosidade com a magia, conferindo à caçadora de bruxas um aspecto angelical apesar da sua missão.

Entre peças de teatro e apresentações da corte que revelam monstros entre humanos, Angela avança, implacável e impiedosa, percebendo que alguns dos novos monstros não nasceram assim, mas escolheram o seu próprio destino e são, por isso, menos propensos à sua piedade ou simpatia.

Mas até a caçadora tem pontos fracos e será através destes que será testada e corrompida, manipulada apesar da força que demonstra. O poder da magia encontra-se em todo o lado, alimentado pelas preces de quem pouco tem e algo precisa.

Com coloração densa, escura e brilhante, a maioria das páginas contém uma composição arrojada que nem sempre está de acordo com a história que se apresenta, de narrativa mais classicamente fantástica apesar dos toques de super-herói, em que personagens conhecidas como Fury ou os Guardiões da Galáxia.

Ainda que, visualmente, não me tenha agradado (salvo algumas páginas) a história é interessante por cruzar personagens históricas com o Universo Marvel, e por retirar a perspectiva simplista de bom / mau usada nalguns outros volumes. Angela chacina os que já não são humanos sem dó, a serviço de algo em que acredita.

Outros volumes do Universo 1602

Comix N.º200

Este é último volume desta colecção. Em troca a Goody lança três novas, dedicadas cada uma a uma personagem diferentes da Disney, Tio Patinhas, Mickey e Donald. Este último volume inicia-se com uma história de viagens no tempo em que o vilão, submetido a hipnose, percebe que o Mickey frustrou os seus planos de controlar o mundo.

A partir daqui, por forma a salvar a Minie, o Mickey tem de viajar ao passado, percebendo que a sua viagem já estava pré-determinada e seria necessária para compor o passado. Uma história engraçada que nos faz rever o estilo antigo de Mickey.

Depois de A Queda do Morcego onde se mostra uma aventura menos bem sucedida de Morcego Verde, Donald enfrenta em lobisomem em A Ameaça de Loup Garou e o Tio Patinhas vê o seu bom nome em perigo por conta de um plano da Maga Patalógica.

Populada, sobretudo, por histórias leves e engraçadas, este volume reúne várias personagens Disney num conjunto diverso que toca levemente nas temáticas da ficção científica e da fantasia.

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (3)

137 – Iraq + 100 – Vários autores – Sem grande tradição no género, foram convidados vários autores para perspectivarem o futuro do país. O resultado é diverso, com altos e baixos. Ainda que a qualidade não seja grande ao longo de todos os contos, a verdade é que vamos descobrindo excelentes e inesquecíveis contribuições;

138 – Valerian Vol.4 – O Embaixador das Sombras / Em terras fictícias – O quarto volume apresenta duas histórias que me parecem de qualidade distinta. A primeira expressa toda a variedade e originalidade que já espero da série enquanto na segunda se simulam várias viagens no tempo numa sucessão de rápidas missões em que Valerian é clonado e enviado;

139 – One Punch Man. Vol. 1 – One e Yusuke Murata – Não estou habituada a ler este género, mas achei este volume fabuloso. O nosso herói é meio deprimido, principalmente pela facilidade com que acaba com os monstros, num só murro. Com uma excelente qualidade gráfica, por vezes em desenhos detalhados, por vezes em imagens mais estrondosas, apresenta um herói pouco típico em episódios ligeiramente cómicos pelo tom;

140 – Os Ignorantes – Étienne Davodeau – Dois homens trocam paixões. Um expressa a paixão pelas vinhas e pela produção de vinho ensinando ao autor da banda desenhada todos os detalhes que rodeiam o seu quotidiano. Por sua vez, o autor mostra obras de banda desenhada diversas, entre o francobelga e o comic americano, obtendo respostas pouco esperadas para algumas das obras.

Halt-5 – Vários autores

Este é o quinto volume de H-Alt, uma revista que cria parcerias entre narradores e desenhadores para, juntos conseguirem criar histórias de melhor qualidade, tanto a nível visual como narrativo.

Ainda que não seja dos meus volumes favoritos, H-Alt continua a mostrar-se como uma boa compilação de histórias, com algumas re-edições e traduções, numa combinação agradável e interessante, onde se exploram, sobretudo, premissas de ficção especulativa, seja ficção científica, fantasia ou terror.

 

Resumo de leituras – Setembro de 2017 (1)

 

129 – Polina – Bastien Vivés – A vida de uma bailarina de sucesso não é linear. Começando como bailarina clássica e passando à dança contemporânea, Polina foi sendo reconhecida pelo seu talento em alturas chave. Uma altura de grande tensão causou a mudança para a Europa e, consequentemente, marcou a carreira de forma decisiva;

130 – Dylan Dog – Mater Morbi – Recchioni e Carnevale – Banda desenhada excelente que aproveita a personagem para a apresentar sob maleita e, consequentemente, dependente. O tema da doença é abordado de forma pouco usual numa história complexa e interessante;

131 – Fireside Magazine – Issue 44 – Revista de ficção especulativa pouco conhecida que tem alguma ficção interessante. Nota-se a necessidade de mais forte edição, por forma a conferir voz mais forte a boas ideias;

132 – Comix 200 – Último número da Comix apresenta histórias engraçadas onde não faltam as viagens no tempo e os feitiços malignos contra o Tio Patinhas.

Resumo de leituras – Agosto de 2017 (5)

 

121 – Homem-Aranha Vol.1 – Slott e Pérez – Primeiro volume que mostra como surgiu o Homem-aranha, história já conhecida por muitos, mostra também como surgiu um dos seus inimigos, um vilão que, tal como Homem-Aranha se interessa por ciência;

122 – Valerian Vol.2 O Império dos Mil Planetas / O País sem estrela – Mézières – Depois de um primeiro volume centrado em combater um vilão usando viagens no tempo, este segundo dedica-se a viagens intergalácticas, apresentando civilizações diversas e imaginativas, carregadas de elementos originais que enriquecem grandemente a história global;

123 – Anjos – Carlos Silva – Um dos poucos livros de ficção científica portugueses que não é de um dos autores usuais. Carlos Silva tem publicado no género mas, até agora, sempre pequenos contos e, com Anjos arranca para os romances com uma história movimentada, num Portugal alternativo carregado de tecnologia e lutas subversivas pelo poder total do país;

124 – As nuvens de Hamburgo – Pedro Cipriano – Uma jovem tem a capacidade de viajar instantaneamente no tempo. Mas é um dom que não controla que descobre na cidade de Hamburgo quando começa a ter visões de um outro tempo em que os nazis tinham o controlo da cidade. Sem perceber o que origina as visões percebe que em quase todas se encontra o mesmo soldado.

The new voices of fantasy – Vários autores

O mercado anglo-saxónico de ficção especulativa vai-se renovando, seguindo novas tendências, estilos e culturas, gerando cruzamentos impensáveis entre géneros em contos que reflectem as preocupações do seu próprio tempo. Ao longo dos anos vão surgindo novos autores que começam a ser conhecidos pelos contos destacados por prémios ou em antologias de melhores do ano. Este volume pretende reunir algumas histórias destes novos autores e destacá-los como promissores para os próximos tempos.

A antologia começa com um conto de Alyssa Wong, a quarta história publicada da autora, com a qual venceu o Nebula e o World Fantasy Award (a mesma história que foi, também, nomeada para um Shirley Jackson, um Bram Stoker e um Locus Award). Claro que prémios e nomeações não são garantia de boas histórias, mas este conto, Hungry Daughters of Starving Mothers contém detalhes de horror e fantástico num cenário actual onde a corrupção alastra, resultado do consumo imediato e da fome interminável.

Selkie stories are for losers é a história seguinte da autoria de Sofia Samatar, uma autora que não é propriamente uma voz emergente, antes uma autora já reconhecida no género com histórias como A Stranger in Olondria que venceu vários prémios. Cruzando lendas diversas sobre mulheres que se mantém entre os humanos até ao momento em que alguém encontra a sua antiga pele (ou descobre que são algo mais do que parecem), esta história quase banal consegue surpreender pela estrutura e desenvolvimento.

Depois de tornados apaixonados por raparigas (em Tornado’s Siren de Brooke Bolander que apenas possui como elemento distintivo o tornado capaz de sentimento) encontramos Left the century to sit unmoved de Sarah Pinsker que nos traz um fenómeno local, um lago que faz desaparecer totalmente algumas pessoas sem critério específico – mesmo depois de drenado o lago apenas se encontram os objectos e roupas da pessoa.

Max Gladstone também não é propriamente um autor desconhecido, escrevendo sobretudo fantasia urbana. Em A Kiss With Teeth não foge ao género mas apresenta uma das melhores histórias do conjunto, com um tom levemente cómico sobre as preocupações de um pai que vê o seu filho ter más notas. Como pai tenta perceber o que se passa, mas a sua própria natureza torna difícil ajudar sem dicas da professora, a presa perfeita. Ah. É que o pai é um vampiro reformado que tenta passar por humano, simulando os nosso gestos e forma de andar.

Em The Cartographer Wasps and the Anarchist Bees de E. Lily Yu explora-se uma premissa que não é totalmente nova. Recordo que em The Bees de Laline Paull já se apresentava a vida numa colmeia apresentando aspectos sociais da hierarquia e como esta poderia ser subvertida por um único elemento. Confrontando as abelhas com as vespas possuidoras de uma tecnologia mais avançada este conto de E. Lily Yu consegue ser um relato apaixonante sem necessitar de se centrar num único elemento, e comparar vários sistemas de sociedade.
A. C. Wise traz-nos outro dos melhores contos do conjunto, um guia cómico de como a bruxa pode arranjar uma casa. Começando com as formas aborrecidas como aquisição e ocupação, passa por nos apresentar como se pode domar uma casa ou fazer crescer uma, expressando para cada método os cuidados a ter (os humanos podem não gostar muito de ter uma bruxa dentro de casa e podem tentar queimá-la, por exemplo, ou a casa pode pregar partidas a quem a tenta influenciar).
Depois de Hauting o Apollo A7LB (um conto que já conhecia da excelente colectânea do autor Hannu Rajaniemi), segue-se uma história irónica de Chris Tarry, Here be dragons, onde dois homens simulam a existência de dragões para extorquírem dinheiro das vilas mostrando depois entranhas de vários animais como prova de uma chacina. Um dia esta trapaça pode voltar-se contra os supostos salvadores – de mais formas do que o leitor imagina.
Mais juvenil, mas enternecedora pela forma inocente e desiludida como nos apresenta o amor de um pato por uma rocha, The Duck de Ben Loory é um dos contos que vale a pena ler, nem que seja para ver a forma como transforma este premissa simples e aparentemente idiota numa boa história.
Publicado no The New Yorker, The Philosophers de Adam Ehrlich Sachs traz uma história demente de problemas genéticos hereditários que supostamente não trariam problemas psicológicos. Geração após geração, os homens desta família perdem na idade adulta todos os movimentos e passam a comunicar com os restantes recorrendo ao piscar de olhos com o intuito de transmitir as próximas palavras do seu livro. Arrepiante, claustrofóbico e assustador pela degradação, é um bom conto que vai elevando a premissa ao extremo absurdo .
Esta colectânea termina com uma novela mais longa, The Pauper Prince and the Eucalyptus Jinn, de Usman T. Malik, que se centra na problemática da emigração e da integração cultural sob uma fábula contada pelo avô (talvez demente) que recorda interacções com princesas e génios e que foi mudando de país em país até atingir determinados objectivos. Demonstrando como existe sempre muito para revelar da vida dos nossos antepassados, segredos dolorosos que ficaram enterrados, feitos que se silenciaram pelas circunstâncias, esta é uma novela excelente.
Ainda que não tenha apreciado todos os contos de igual forma, até porque os estilos e géneros são muito diversos, esta colectânea possui uma qualidade narrativa bastante elevada. Nem todas as histórias apresentam elementos que se destaquem pela originalidade, mas todos se encontram bem escritos e estruturados. São, na sua maioria, contos que possuem o necessário para envolver, mas sem excesso de detalhes que quebrem o ritmo ou desbalanceiem a história. Para os interessados em se actualizar para o que tem sido publicado recentemente, eis uma boa aposta.
(esta colectânea foi fornecida pela editora via NetGalley)

Resumo de Leituras: Maio de 2017 (2)

65 – O Incrível Hulk – Part 1 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – O primeiro volume desta aventura coloca o herói num planeta carregado de estranhas espécies alienígenas que farão parte dos mais espectaculares cenários de batalha. A narrativa, apesar de possuir pontos cliché, consegue surpreender nalguns pontos com a progressão no segundo volume;

66 – Monstress – Vol.1 – Marjorie Liu e Sana Takeda – Fascinante, fabuloso, negro e imenso. Assim é o mundo de Monstress, de forte influência oriental onde os gatos possuem um papel preponderante;

67 – Herland – Charlotte Perkins Gilman – Um grupo de exploradores procura uma sociedade composta apenas por mulheres esperando encontrar a mais primitiva das combinações. O que encontra é a irmandade perfeita, evoluída mental e tecnologicamente com uma progressão estável – um choque para estes homens habituados a ver as mulheres como potes, belos, indefesos e utilizáveis;

68 – Apenas um peregrino – Garth Ennis e Carlos Ezquerra – Uma história violenta num mundo pós-apocalítptico carregado de salteadores e monstros, onde um homem, justiceiro, religioso mas obscuro, se coloca como bom samaritano, apesar da sua postura violenta e assustadora.

Resumo de Leituras – Maio de 2017

(já foram lidos há mais tempo, mas só agora tive tempo de actualizar esta rubrica)

61 – Edição Extra – Geral & Derradé – Este volume compila histórias mais antigas de Geral & Derradé, entre as quais algumas que foram publicadas em formato solto em jornais e outras publicações do género. Volume menos coeso que A Demanda do G, apresenta o mesmo espírito cómico, leve e divertido revelando-se, por isso, uma leitura muito agradável;

62 – Coisas de adornar paredes – José Aguiar – Uma história pausada sobre a procura de boas premissas quando a mais óbvia se encontra no quotidiano;

63 – Lovesenda – António de Macedo – Conhecido primeiro como cineasta que chegou a ter um filme seleccionado para o festival de Cannes, tem-se dedicado, nos últimos anos à escrita. Entre ficção científica, histórias mais esotéricas e textos que acompanham o desenvolvimento da fantasia, António de Macedo também produz Fantasia! De realçar que este será, sem dúvida, uma das grandes publicações em Portugal nos últimos anos! Apresentando a Ibéria numa época em que os cavaleiros cristãos co-existiam com a presença moura, Lovesenda contém uma história mítica, mística e extraordinária, contada através de uma escrita pausada e bem tecida;

64 – Hoje acontece-me uma coisa brutal – El Torres e Julián López – Partindo com a premissa usual de herói que surge quase do nada com poderes sobrenaturais que usa para o caminho da justiça, apresenta alguns detalhes narrativos poucos usuais e explora a cidade de Barcelona em páginas de excelente visual.

Resumo de Leituras – Março de 2017 (1)

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53 – O ouro do Quebeque – Túnicas Azuis – Vol. 10 – Ambos os lados da Guerra enviam um par de soldados disfarçados ao Canada com o intuito de capturarem o ouro acumulado por um garimpeiro. Não esperam é que o guia que arranjam seja pior que eles a orientarem-se nas florestas…;

54 – Louco: Fuga – Rogério Coelho – Visualmente esplendoroso, centra-se no Louco, uma personagem da Turma da Mónica que é conhecido pelos episódios mirabolantes. Aqui mostra algumas das suas aventuras entre mundos, fugindo ao cinzento, e aspirando à liberdade das ideias;

55 – Deadpool – A Guerra de Wade Wilson – Duane Swierczynski e Jason Pearson – Neste volume da colecção da Salvat reúnem-se duas histórias sobre a origem desta personagem contadas pelo próprio, e alteradas para sua própria conveniência consoante a situação. Na primeira faz parte de um plano demente como soldado a soldo, e com a segunda pretende angariar alguém que adapte a sua história para um bom filme;

56 – Through the woods – Emily Carroll – De ambiente negro, este livro reúne várias histórias de horror curtas que terminam, quase todas de forma péssima para as personagens, ou, no mínimo, traumática.

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (7)

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49 – Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi – Este volume reúne duas histórias bastante distintas, uma primeira, mais longa em que assistimos aos últimos dias de um cão, um animal doméstico muito bem tratado que aguenta o sofrimento da velhice por longos dias, a que se segue a adopção de uma gata prenha que vem preencher o espaço deixado. A segunda é uma história sobre a exploração e o ultrapassar de barreiras físicas e mentais;

50 – Black Face – Túnicas azuis Vol. 9Willy Lambil e Raoul Cauvin – A série continua a explorar a guerra da Secessão aproveitando, neste caso, para explorar o tema da escravatura, um pretexto para fazer uma guerra de ambição e de busca por lucros, que pouco tem a ver com o trabalho escravo;

51 – Histórias de Vigaristas e canalhasOrganizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, a antologia reúne várias histórias fantásticas protagonizadas por vilões em diversos cenários e premissas mirabolantes e imaginativas;

52 – Drifter – Vol.2 – Ivan Brandon e Nick Klein – Tal como no primeiro, a história não é linear e directa. Vamos observando o desenrolar de acontecimentos como meros espectadores, com pouco enquadramento ou compreensão e temos de ir construindo a história, com pistas espalhadas ao longo das várias narrativas.

Destaque: Novas edições

Não são só os novos livros que devem ser destacados, mas também aqueles que se recuperam no mercado para não caírem em esquecimento. Eis alguns que serão lançados novamente nos próximos tempos:

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Um dos grandes livros de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, terá nova edição na colecção RTP, em capa dura e preço acessível. Este clássico da literatura fantástica apresenta várias cidades ficcionais descritas por Marco Polo ao Imperador Kublai Khan. Nomeado para o prémio Nebula, o livro já serviu de inspiração para uma Opera. Eis a sinopse:

A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. […] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. […] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.» Italo Calvino «Ao projetar a sua própria voz nos relatos de cidades que pontuam o diálogo entre Marco Polo e Kublai Kan, Calvino reencontra essa capacidade dos antigos construtores de fábulas, e sabe transmitir o prazer que aquele que conta tem de suscitar no ouvinte, que é o próprio leitor.» Nuno Júdice Prefaciado por Nuno Júdice.

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Adaptado para cinema, O Prestígio é a história fantástica da rivalidade tempestuosa entre dois mágicos:

Uma história de segredos obsessivos e curiosidades insaciáveis. Londres, 1878. Dois jovens mágicos cruzam caminhos enquanto actuam em luxuosas salas de espectáculo vitorianas. E cedo nasce um feudo cruel que irá assombrar as suas vidas, levadas ao extremo pelo mistério de uma espantosa ilusão que ambos fazem em palco. A rivalidade instiga-os a atingir o pico das respectivas carreiras, mas com consequências terríveis. Na busca de um truque que conduza à ruína do rival, escolhem o caminho da ciência mais negra. O sangue será derramado, mas não será suficiente. No fim, o legado dos mágicos irá passar para as futuras gerações e serão os descendentes a ter de desvendar a teia de loucura que envolve estranhos actos de magia…

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Publicado há algum tempo no mercado português, retorna pela G Floy:

Há dois lados para cada história, e agora chegou a altura de ouvir o lado de Loki: o filho preterido de Odin vai contar a história toda do seu ponto de vista, a sua sede insaciável de poder, os seus sentimentos ambíguos para com Sif, a sua antipatia para com Balder, e o seu imenso ressentimento contra o seu irmão mais velho, Thor. Com a excepcional arte de Esad Ribic, um dos maiores artistas da Marvel, e argumento do romancista Robert Rodi, esta história auto-contida vai mostrar-nos Asgard como nunca a tínhamos visto! Loki tornou-se finalmente soberano de Asgard, e Odin foi colocado a ferros, tal como todos aqueles que batalharam em seu nome. No entanto, Loki vê-se cercado de antigos aliados e interesses vários, todos em busca de recompensa pela ajuda prestada na sua ascensão. E Hela, deusa do Reino dos Mortos, empurra-o para completar o seu triunfo com a execução de Thor. Loki terá de ponderar se a sua existência fará algum sentido sem o seu meio-irmão…

Sobre Loki deixo-vos, também, algumas páginas disponibilizadas pela editora:

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H-Alt – 3 – Diversos autores

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Cada vez maior, cada vez reunindo o talento de autores mais diversos e mais diferentes, a terceira revista da H-Alt possui histórias que se enquadram na ficção científica, na fantasia e no horror.

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O volume abre com uma história de bruxarias e destinos onde as intenções divergem bastante do esperado e prossegue para a exploração do desespero com a venda de um fármaco milagroso. Novamente as intenções divergem e o resultado é, no mínimo, irónico.

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Depois dos alienígenas que caminham quase invisíveis entre nós segue-se uma irónica história de Arthur Cordeiro que apresenta, para além do bom visual, uma boa narrativa. De seguida, voltamos a encontrar alienígenas – o espaço pode ser um local medonho mas quem fica assustado com o que encontra são os visitantes, numa história curta, amorosa e engraçada.

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Depois das espectaculares imagens do autor da capa, voltamos a encontrar alienígenas que tecem um plano para, com o mínimo esforço, conseguirem o que pretendem da humanidade, e viagens intergalácticas onde se usam teorias sobre a matéria negra para se escapar a um fim quase inevitável.

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Cruzando diversos géneros, estilos narrativos e abordagens visuais, H-Alt volta a trazer boas histórias curtas onde se destaca a componente gráfica mostrando que a maioria das parcerias atinge um resultado com um nível acima da média.

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Eventos: Devoradores de Livros – Fevereiro

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A tertúlia Devoradores de Livros tem data marcada para o dia 23 de Fevereiro e irá decorrer no lugar habitual, a Leituria em Lisboa. Esta sessão tem como convidado Tomás Múria, o guionista que adaptou o Ministério do Tempo para português.

Para mais detalhes podem consultar a página do evento.

Resumo de Leituras – Fevereiro de 2017 (1)

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25 – Azul – Michael Pastoureau – Cruzando a evolução da cor e a sua utilização ao longo de várias sociedades e culturas, peca pela demasiada centralização no ocidente. Inicialmente sem associação simbólica, a cor começa a ser usada com o desenvolvimento de novas técnicas de coloração e associação a estereotipos sociais;

26 – Memórias d’Além Espaço – Enki Bilal – Série de histórias curtas de ficção científica com finais irónicos de máximo prejuízo em que o autor apresenta algumas boas páginas. Sem ser um conjunto excelente é bem disposto e irónico, uma combinação agradável;

27 – A Ermida – Rui Lacas – Pequena história de poucas falas que inspira uma enorme simpatia pela forma carinhosa como se expressa. As páginas apresentam apenas uma cor o que, neste caso, funciona muito bem para dar o aspecto e o ambiente pretendido. Apesar de curta é uma excelente e agradável história;

28 – Orchidea – Cosey – Quando comecei a leitura não pensei que fosse gostar da história. As personagens pareceram distantes, com os seus diálogos de show-off mas depois percebemos que estes diálogos e postura fazem parte de piadas partilhadas entre familiares e que na verdade são a sua forma de contribuir para o ambiente familiar. Contra todos os clichés esperados, Orchidea consegue supreender surpreender pela positiva

Resumo de Leituras – Janeiro de 2017 (5)

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17 – Starve – vol.2 – Brian Wood, Daniel Zezelj, Dave Stewardo segundo volume fecha a história de forma belíssima, mostrando alguém que consegue, finalmente, enfrentar-se a si próprio, romper com as convenções sociais e reverter os conceitos que determinam um suposto estatuto social baseado em falsidades;

18 – Descender – Vol. 3- Jeff Lemire e Dustin Nguyen – Depois de dois volumes movimentados, este terceiro explora as histórias de cada uma das personagens, mostrando as privações e traumas que tiveram de passar para se tornarem naquilo que vemos. Ainda que seja uma componente interessante da história, estas várias histórias poderiam ter sido dispersas pelos dois volumes anteriores, sendo que aqui, ocupam quase a totalidade do volume, quebrando o ritmo da série;

19 – I Hate Fairyland – Vol.2 – Skottie Young – Ao tornar-se rainha Gertrude inicia um reinado  de horror, com jogos de morte, muitas cabeças cortas e várias guerras com todos os reinos vizinhos. O reinado termina após uma fiscalização e Gertrude encontra-se novamente livre para tentar sair do reino e voltar a casa. Com uma lista de possíveis saídas, este volume é episódico, mostrando Gertrude em cada uma das hipóteses a decidir-se, quase sempre, pela opção violenta, apesar do contexto aparentemente fofinho e querido;

20 – Muros – os muros que nos dividem – José Jorge Letria – A história da humanidade contada em construções de divisão, materialização do medo e influenciadoras do pensamento. Os muros não são meras divisórias, expressam políticas e sentimentos, expressam receios e hostilização, materializam-se a partir dos desejos de alguns, e acabam por se reflectir na mente dos restantes. Um interessante apanhado dos principais muros e muralhas que o homem foi construindo ao longo dos séculos, com espaço para reflexão.

Destaque: 4,3,2,1 – Paul Auster

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De uma forma muito simplificada, a mecânica quântica permite, do ponto de vista teórico que se formule a possibilidade de existirem várias realidades paralelas, que diferem entre si por pequenos eventos que podem ter originado grandes diferenças no desenvolvimento de cada um dos mundos. Esta premissa tem servido de base para diversos livros de ficção científica e fantástico, apresentando ora mundos em que as regras científicas divergem, ora mundos em que eventos importantes da história não ocorreram causando alterações visíveis nas sociedades.

Paul Auster parece ter adoptado com o seu livro mais recente, 4,3,2,1, uma ideia mais centrada numa única personagem que vive quatro possibilidades. O livro é lançado este mês também em Portugal, pelas Edições Asa:

O que nos motiva verdadeiramente? O que nos leva a optar por um caminho em detrimento de outro? De que futuros abdicamos pelo simples facto de termos apenas uma vida para viver? No dia 3 de março de 1947, na maternidade do hospital Beth Israel em Newark, New Jersey, nasce Archibald Isaac Ferguson, filho único de Rose e Stanley Ferguson. Uma só criança a quem são dados quatro caminhos ficcionais diferentes, quatro direções possíveis. Uma pessoa que se desdobra em quatro, para assim viver quatro vidas paralelas e absolutamente diferentes, mercê das circunstâncias, do acaso, e das escolhas. Os contrastes entre os quatro Fergusons são evidentes. As distintas relações com a família e as amizades, o amor romântico e as paixões intelectuais percorrem a tumultuosa paisagem da América, entretecendo-se com momentos cruciais da História do século xx. Em comum, o fascínio por uma mulher: a magnífica Amy Schneiderman. Todavia, cada uma das relações entre os quatro Fergusons e Amy é única. E nós, leitores, somos as testemunhas de cada momento de prazer, cada momento de dor, cada lento avançar rumo ao inevitável culminar das suas – de todas – as vidas. “4,3,2,1” é o primeiro romance que Paul Auster escreve em sete anos, e sem dúvida uma das suas obras mais complexas. Uma criação de um autor no auge do seu talento, um testemunho de paixão pelo realismo, pela História e a própria vida. Um tour de force absolutamente inesquecível.

Eventos: Sustos às sextas 2017

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Finalmente está divulgado o programa da terceira temporada de Sustos às sextas que começa num dia muito propício, a próxima sexta feira 13 em Janeiro. Entre música, cinema, entrevista, espectáculos este ano cada sessão é marcada por um espaço de sugestões literárias que começa com João Barreiros. De destacar, também, o painel de Ficção científica e horror para dia 19 de Maio. Marquem na agenda!

 

 

Retrospectiva 2016 – Banda Desenhada

Este foi o ano em que li mais banda desenhada, com 146 volumes lidos, aproveitando para ler em francês, para além do usual inglês e português. Este maior foco deve-se sobretudo à expansão das publicações no mercado nacional, em que destaco os lançamentos da G Floy e da Levoir, bem como à disponibilização, através do NetGalley, de vários volumes da Image que me despertaram para algumas novas séries.

Banda desenhada Portuguesa

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A melhor leitura – Vampiros – Filipe Melo e Juan Cavia – Depois de Dog Mendonça e Pizzaboy, Filipe Melo e Juan Cavia abraçaram um desafio de temática mais séria, retratando uma das mais duras realidades portuguesas, a Guerra Colonial, principalmente na Guiné. Em terreno de difícil controlo como são as florestas, a guerra é, sobretudo, psicológica, por conta das emboscadas permanentes que incutem o terror pela expectativa sempre presente de algo repentino e definitivo. Captando o ambiente incerto, o nervosismo que se transformar em paranoia, o desenvolvimento de uma aparente insensibilidade às desgraçadas, Vampiros não apresenta heróis, mas homens que ficarão para sempre marcados pela Guerra.

Menções honrosas – Para quem não conheceu o conteúdo da revista, como eu, Revisão revelou-se uma boa surpresa, diversa em conteúdos e estilos, mas com muitas histórias inteligentes de excelente visual. Contendo, também, algum conteúdo com carácter experimental, é uma leitura aconselhável a quem gosta de banda desenhada e desconhece o que foi produzido neste período. A Demanda do G (Geral & Derradé) foi uma revelação bem humorada, carregada de espírito cómico onde se destaca a estrutura peculiar, uma demanda mirabolante e divertida, acompanhada por tiras em voz-off que tecem comentários a propósito da acção principal. Por sua vez, Milagreiro com narrativa de André Oliveira centra-se numa entidade secreta composta por agentes sem vida própria que têm por missão criar pequenos milagres para perpetuar a fé. Ao longo da história o desenho de vários artistas vai sendo intercalado, dando um carácter muito próprio ao conjunto. Ainda, Apocryphus revela uma excelente qualidade gráfica cruzando o trabalho de vários autores sob o tema fantástico numa edição de aspecto cuidado;

Banda desenhada de horror

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A melhor leitura Harrow county de Cullen Bunn e Tyler Crook (volum 1)- Desde que comecei a ver esta série em todos os topos de ficção de horror que senti curiosidade para lhe pegar. O primeiro volume foi publicado recentemente por cá e esteve à altura das expectativas. Utilizando o poder da magia antiga, das bruxas rurais que se envolvem com criaturas sobrenaturais, Harrow county mostra como nem sempre os monstros são os que aparentam;

Menções honrosas – Começando pelo fantástico Wytches (de  Snyder, Jock, Hollingsworth e Robins) com criaturas sobrenaturais e milenares como bruxas, num cenário rural de bosques sombrios e passando pela serie lovecraftiana Locke & Key de Joe Hill Gabriel Rodriguez, onde uma série de chaves moldadas com demónios não corporizados possuem faculdades imagináveis mas só podem ser utilizadas por um preço demasiado elevado, o destaque vai também para a série Fatale de Ed Brubaker e Sean Philips, outra série de influência lovecraftiana que segue uma femme fatale com a capacidade de se fazer obedecer por todos os homens, capacidade que distribui a desgraçada por onde passa, com violência desmedida e irracional.

Banda desenhada fantástica

autumn

A melhor leitura – The Autumnlands de Kurt Busiek e Benjamin Dewey – Com imagens de bom detalhe que originam páginas de aspecto arrasador, a história decorre numa realidade onde várias espécies de animais coexistem numa única cidade, apresentando uma civilização de contornos medievais centrada nas artes mágicas. A magia está, no entanto, a desaparecer, ameaçando a vida das populações urbanas, que assim ficariam desprotegidas à rapina pelas restantes espécies. Num acto de desespero convocam, por artes mágicas, um antigo e mítico herói. O que surge é um homem, quase nú, incapaz de realizar magia, mas capaz de utilizar meios científicos para desenvolver formas de luta.

Menções honrosasI Hate Fairyland de Skottie Young é um dos livros mais hilariantes que li este ano. Quem nunca leu uma história que tem como principal personagem uma criança que “cai ” num reino mágico onde tem uma importante missão a cumprir? Neste caso Gertrude vai parar ao reino das fadas, fofinho, amoroso e carregado de músicas animadas e doces. O que parece ser o sonho de qualquer criança transforma-se, 27 anos sem conseguir resolver charadas, num pesadelo e Gertrude transforma-se numa psicopata implacável que mata e come qualquer um que aparecer no seu caminho. Tudo num ambiente fofinho, queriducho e amoroso. Sharaz-De de Toppi fascinou-me pelo visual, diferente do usual, com cada página a constituir uma obra de arte, carregado de texturas diferentes para melhor diferenciar o preto e branco das páginas. De destacar, também, o ambiente e a lógica pouco ocidentais que contribuem para transformar estas histórias numa boa leitura.

Banda desenhada de ficção científica

trees

A melhor leitura – Trees de Warren Ellis e Jason Howard – Os alienígenas chegaram à Terra, mas não iniciaram nenhuma tentativa de interação. As enormes estruturas cilíndricas esmagaram tudo o que se encontrava no caminho da aterragem provocando diversas catástrofes, algumas em cidades com grande densidade populacional. O terror dos primeiros momentos dá lugar ao nervosismo da incerteza, e as populações que permanecem perto das estruturas apresentam sintomas de elevado stress psicológico. Graficamente brutal, alternando cores conforme o intercalar de locais, Trees consegue combinar uma boa premissa para qualquer história de ficção científica com a excelente qualidade do desenho;

Menções honrosasFragmentos da enciclopédia délfica de Miguelanxo Prado foi o meu primeiro contacto com o trabalho do autor e despertou-me interesse pelas semelhanças para com A Guerra da Elevação da David Brin, com a espécie humana a desenvolver a inteligência de outras espécies da terra, mas continuando a tratá-las como escravos, seres de segunda categoria. Miguelanxo Prado utiliza este contexto para estabelecer um paralelismo com a espécie humana, em episódios de constante crítica social.  Descender de Jeff Lemire e Dustin Nguyen recorda-me um cruzamento de A.I. com Battlestar Galactica retratando um robot, Jim, com aparência de criança que é recebido numa família como um verdadeiro filho. Aquando da revolta dos robots, Jim encontrava-se desligado e não participou. Anos mais tarde, quando acorda, sente falta da sua família e tenta procurá-los, apesar de perseguido por diversas entidades. Parque Chas de Eduardo Barreiro e Eduardo Risso decorre num bairro residencial que tem assistido, ao longo dos anos, a diversos fenómenos inexplicáveis. O autor projectado como personagem na própria história, assiste a alguns e começa a investigar por conta própria o que se poderá estar a passar aqui. Quando se apaixona por uma femme fatale sabemos que se envolverá mais do que pretendia numa aventura mirabolante por várias realidades onde se cruza com várias personagens ficcionais.

Banda desenhada Histórica

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A melhor leitura – Foi assim a guerra das trincheiras de Tarti – Esqueçam a visão romântica de jovens heróis, guerreiros, cheios de vontade de combater e de perder a vida pela nação. A vida nas trincheiras é suja e pestilenta, os soldados inimigos são apenas um dos perigos e os jovens levados para uma guerra em que não se revêm acabam por se dessensibilizar para os horrores a que assistem a cada hora de permanência na linha da frente. A par com este retrato pungente, Tarti compõem tiradas críticas bem colocadas, sobre a situação dos soldados, sobre as populações que acabam por perecer com a guerra e sobre os colonizados que aqui acabam sem saber muito bem como nem porquê.

Menções honrosasDemocracia de Alecos Papadatos, Abraham Kawa e Annie Di Donna decorre na Antiga Grécia e visa mostrar como se desenvolveu o modelo que conhecemos como Democracia. Baseado em factos históricos e preenchido com suposições é uma abordagem interessante que se preocupa em criar e desenvolver personagens para fazer desenrolar os acontecimentos. Por sua vez, O Comboio dos órfãos de Philippe Charlot, Xavier Fourquemin e Scarlett Smulkowski é a história verídica das crianças que viviam nas ruas das cidades. Órfãos, ou não, a quantidade de crianças atingiu tal ordem que se criaram instituições para distribuir por famílias de todos os Estados Unidos da América, sem qualquer registo, e separando irmãos. Décadas depois, alguns procuram saber algo mais sobre as suas origens, investigação difícil nestas circunstâncias.

Outras bandas desenhadas

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A melhor leitura – Ardalén de Miguelanxo Prado – Apesar de ter gostado imenso de tudo o que li de Miguelanxo Prado (Presas fáceis é uma mordaz crítica à forma como foram geridas as crises bancárias com pagamentos milionários para os responsáveis e desaparecimento das poupanças de milhares de pessoas poupadas da classe média, Crónicas Incongruentes um conjunto de episódios satíricos da sociedade onde são exageradas situações comuns criando-se um desassossego cómico mas desconcertante no leitor), Ardalén foi o álbum de que gostei mais. Apresentando uma história contínua, explora a memória e os relacionamentos, as saudades e as experiências de vida pelos encontros de uma jovem com um velhote que se desloca a uma vila no interior em busca de alguma memória do avô.