O site SF Signal costuma apresentar questionários interessantes onde os entrevistados devem referir as melhores obras apocalípticas ou as melhores obras de ficção científica ou fantasia. Desta vez, o objectivo seriam proporem contos para uma antologia perfeita (parte 1, parte 2). Algumas destas propostas levaram-me a ler alguns dos contos, principalmente os que se encontram disponíveis gratuitamente. Conforme for lendo mais alguns, irei apresentando pequenos resumos com os respectivos links.

There Will Come Soft Rains – Ray Bradbury

Publicada na colectânea The Martian Chronicles em 1951, é um pequeno conto apocalíptico que terá causado impacto no público pela memória, ainda fresca, das bombas atómicas que terão destruído as duas cidades japonesas, Nagasaki e Hiroshima. Nesta pequena história a personagem principal é uma casa, completamente automatizada, onde o despertador é accionado, o pequeno almoço é apresentado e qualquer ser vivo que se aproxime é questionado sobre uma palavra chave. Após chamadas sucessivas nenhum ser humano se apresenta, e a casa continua com as suas tarefas diárias, de limpeza.

Ao longo da história vão sendo fornecidas pistas sobre o que terá acontecido aos seres humanos que habitavam a casa, demonstrando que o autor sabe bem o que pretende transmitir desde a primeira linha. Como a maioria dos contos de Ray Bradbury, transmite imagens fortes e significativas, constituindo uma história inteligente e bem construída.

Capa de The Martian Chronicles por Michael Whelan

The Nine Billion Names of God – Arthur C. Clarke

Incluído em antologias como Star Science Fiction Stories No.1, ou The Other Side of the Sky, este conto terá sido o vencedor do prémio Hugo para o ano de 1954. A história inicia-se com um monge budista a requisitar os serviços de uma empresa de computadores, com o objectivo de contratar dois engenheiros e um computador capaz de efectuar permutações de caracteres, com o objectivo de construir uma listagem com todos os nomes possíveis de Deus. Esta seria uma tarefa que, manualmente demoraria 500 anos, mas que, com o recurso à informática, ficaria reduzida a semanas.

Com uma história mais leve do que a de Bradbury, é um conto engraçado com uma pitada de ironia, que falhou em me impressionar, talvez por o conteúdo se poder resumir à premissa.

Capa de Star Science Fiction Stories No.1