O Castelo dos Destinos Cruzados apresenta-nos dois conjuntos distintos de histórias, um intitulado A Taberna dos Destinos Cruzados, e o outro dá nome ao volume. Para além do título, ambos têm em comum a origem em baralhos de Tarot: O Castelo dos Destinos Cruzados no baralho do século XV com iluminuras de Bonifácio Bembo para os duques de Milão, A Taberna dos Destinos Cruzados num baralho de Marselha do século XVIII.

Em ambos os conjuntos são-nos apresentadas as histórias de várias personagens que se reúnem num único sítio, um castelo ou uma taberna que, descobrindo-se mudos, dispõem as cartas sobre a mesa, para contar as suas próprias histórias. As interpretações poderão ser diversas, consoante quem olha para a sequência. Assim se conhecem damas caídas em desgraça, cavalheiros enganados ou alquimistas.

Ainda que algumas das histórias sejam interessantes, nenhuma ganha as dimensões de uma narrativa envolvente, parecendo limitadas pela sequência de cartas e apresentando personagens estereotipadas que parecem de papel. No final, fiquei com a sensação de que teria sido mais interessante se o autor tivesse resolvido explorar mais profundamente as histórias que se interligavam, dar-lhes algum volume.

Em suma, são exercícios de escrita com detalhes interessantes mas que não me marcaram, histórias engraçadas que, sem grande conteúdo serão facilmente esquecidos.