kindred

Kindred centra-se numa única personagem, Dana, uma jovem escritora que ainda não conseguiu vender as suas escritas e que, para se sustentar, salta de emprego em emprego – até conhecer Kevin, outro escritor que já conseguiu vender o primeiro livro, o que lhes permite alguma liberdade monetária. Quando decidem mudar juntos deparam-se com um pequeno problema: nenhum pretende abdicar dos seus livros, pelo que decidem mudar-se ambos para uma nova casa.

E é aqui que a vida deles sofre uma reviravolta. Dana está a dispor os livros nas novas estantes quando se desmaterializa em frente a Kevin. A realidade em que se encontra é em tudo diferente da original. À sua frente está um logo, onde um rapaz está prestes a afogar-se. Corre a salvá-lo, com sucesso. Mas as tentativas de reanimar o rapaz não são bem vistos pela mãe ou pelo homem que a acompanha, que a tentam agredir. É neste momento que retorna a casa. O que para Dana terão sido longos minutos, para Kevin não terá passado de um desaparecimento de segundos. Kevin escuta incrédulo o relato de Dana, e só mais tarde quando esta volta a desaparecer, começa a aceitar o sucedido.

Pouco a pouco, Dana apercebe-se que as viagens involuntárias são provocadas pela necessidade de ajuda do rapaz branco que vive numa fazenda na época da escravatura. Bem intencionada ou não, Dana não é bem recebida por conta da sua postura de mulher inteligente e culta que não combina com a cor da pele. Vista como uma ameaça, é espancada várias vezes, retornando à realidade original sempre que se encontra ela própria em risco de vida.

Pondo de parte considerações académicas, Kindred choca pelo contraste entre realidades. Dana é uma mulher contemporânea, culta e inteligente, que, no contexto em que se vê atirada, não passa de um objecto. A cor da pele justica quaisquer maus-tratos, maldades que nem a animais ficam impunes hoje em dia. O saber ler e escrever tornam-na ainda mais perigosa naquele mundo, uma afronta às convenções e regras sociais da época.