A terceira história desta antologia (The Best of Kate Elliott) é um estranho e exótico conto em torno de duas princesas gémas que assistem ao reinado do seu pai, o Rei. Este, habituado ao seu papel autoritário, começa a tomar várias decisões que se podem tornar desvastadoras para o reino: reage com uma ofensa a outro Rei que pretendia arranjar um motivo para a invasão e desfaz o noivado de um casal com o objectivo de casar com a jovem.
Apesar de jovens, as princesas não são totalmente inocentes e indefesas. Devagar percebemos que o reino pertence sempre a rainhas e que o actual rei mais não será do que um regente temporário que se acomodou ao poder e adia sucessivamente a passagem da coroa às filhas, já em idade para governar. Sem deixar o espaço real as duas delicadas princesas vão trocando missivas codificadas com o objectivo de corrigir as trapalhadas do rei que fariam todos cair em desgraça.
Conto original e diferente do habitual, concede às figuras femininas um papel de poder sem as retirar do espaço tradicional de reclusão no lar. Tornou-se, assim, simultaneamente uma história de realização e de frustração por levar as mulheres à capacidade de decisão de uma forma indirecta, por intermédio de artimanhas e feitiços.
Comentário aos contos anteriores:
1. Ridding the Shore of The River of Death
(cópia fornecida pela editora)

