Publicado pela Cavalo de Ferro foi o primeiro livro a ser traduzido em Portugal de Ivo Andric, único prémio Nobel jugoslavo. Desde então a editora já publicou outros e até mesmo uma nova edição deste O Pátio Maldito.
A história é aparentemente simples centrando-se num frei que, tendo-se deslocado a Istambul, é preso por engano numa sequência de coincidências infelizes. Naquela prisão tenebrosa onde se prefere ter um inocente do que deixar culpados à solta, o director é uma figura que, tendo explorado o mundo do crime na juventude, se tornou um polícia de sucesso e impõe agora um respeito sombrio.
Sem direito a defesa e sem saber quando seria o interrogatório, o frei deambula pela prisão durante longos meses sem grande esperança. Aliás, é essa incerteza que assombra todos os homens, mesmo os culpados. Entre um interrogatório que força a confissão de algo e a demora desse momento os homens permanecem desocupados e sem perspectivas.
A única distração serão as conversas que se vão tornando conhecidas, repetitivas e previsíveis, como as do homem que relata mil e um casamentos com mil e uma esposas, cada um mais mirabolante do que o anterior mas todos terminando da mesma forma.
A história decorre quase toda no mesmo espaço, a prisão que tem como local de expansão o pátio de vista inóspita onde os presos vão definhando mental e fisicamente e cedendo pelo desgaste à espera de uma decisão que pode nunca chegar. Centrada numa única personagem e de tom pausado, consegue cativar pela leve dramatização dos acontecimentos, de crítica que nunca é expressa directamente, mas é intuída pelo leitor.



