De poucas palavras e escassos detalhes no desenho, Santa Camarão retrata um pouco da vida do pugilista português que, nos anos 20, manteve o título europeu. Proveniente de Ovar, ridicularizado pela sua altura, contrastante com a dos restantes habitantes da cidade onde cresceu e, mais tarde, em Lisboa, Santa Camarão nem sempre procura a companhia das restantes pessoas e habitua-se a estar sozinho.

Neste pequeno livro, publicado pela Associação Chili com Carne, recorda-se o pugilista que ganhou, a título póstumo, a Medalha dos Bons Serviços Desportivos (2003) e que, em 1931, teria vencido 31 combates seguidos mas que, não teve uma existência violenta. O livro centra-se nos anos anteriores à carreira desportiva, sobretudo na infância em Ovar e na adolescência em Lisboa, mostrando como desenvolve a personalidade que lhe foi característica.

Trata-se de um retrato algo melancólico que mostra as dificuldades da época em sustentar uma família – até porque não existia propriamente uma escolaridade obrigatória e qualquer jovem era rapidamente encaminhado para um trabalho. Neste caso, Santa Camarão vai demonstrando a força proporcional ao seu tamanho e que lhe permitirá aceder à carreira inesperada de pugilista.