Os casos sucedem-se nos subterrâneos de Lisboa – doidos, malucos ou desesperados – ou será tudo o mesmo? a doideira um estado da mente sã ou um padrão de quem olha para quem parece não se enquadrar na realidade esquematizada? Vemos, mas não olhamos para o que se nos depara – um censor mais ou menos inconsciente… Ali continua alguém, no chão, que por magia se torna invisível a quem passa. Cidade de truques e de troças, cheia de cartolas vazias onde proliferam as cartas sem manga. Artimanhas incompletas que somente esperam a presa, numa caçada desigual à tartaruga sem carapaça.
Mas voltemos à realidade… àquela que existe mesmo que não olhemos, aquela que fica para lá da nossa armadura egoista – muitas vezes a pena é apenas o crescer de um sentimento de culpa que não queremos transportar. Quando olhamos de verdade vêem-se pormenores que nos fazem pensar na vida que existiu por detrás daquelas rugas ou daquela tatuagem amarrotada que ainda adorna um braço. Vida que existe ou … que existiu? Nostalgia? Esperança? Será isso que ainda dá brilho àqueles olhos? Ou simplesmente o estar vivo? Jovens que querem ser velhos, velhos que querem ser jovens – acabam ambos por não aproveitar as vantagens em ser o que se é.
E é por coisas destas que do título do blog faz parte a palavra rascunhos.

Por vezes é estranho olhar com atenção o que nos rodeia, quem nos rodeia… acho que nos angustia se olharmos com total atenção, então muitas vezes preferimos seguir as nossas vidas fingindo que certas coisas nos passam completamente ao lado…
Gostei do post!
desligamos o que não queremos ver
brigado 🙂