Partindo de um trocadilho entre aviões e planos de existência Ursula K. Le Guin, chega ao pressuposto de que será possível deambular entre planos de existência, se estivermos num aeroporto, à espera de um avião. Para tal podem ser necessárias certas condições como sentir tédio, ansiedade ou stress.
It was Sita Dulip who discovered, whilst stuck in an airport, unable to get anywhere, how to change planes – literally. By a mere kind of a twist and a slipping bend, easier to do than describe, she could go anywhere – be anywhere – because she was already between planes …
Seguimos então um viajante que se passeia entre diversos mundos paralelos, alguns que, inicialmente, em pouco parecem diferir do nosso, mas em que as mínimas divergências se traduzem por características muito próprias dos habitantes sapientes – nalguns mundos as populações seguem ciclos migratórios como os animais, noutro os sonhos são partilhados por todos aqueles que se encontrem em redor, existindo ainda por locais habitados por pessoas geneticamente modificadas.
Cada mundo é uma história, simples, mas bonita contada com mestria. No entanto, não se pense que a esta beleza está associada a felicidade – algumas, para além de invulgares, são tristes, contendo situações caricatas, macabras ou impensáveis que se misturam para dar origem aos diferentes planos. Talvez outro autor optasse por explorar cada um dos mundos num livro – assim, o resultado compilado encontra-se repleto de novidades, sem chegar a cansar com o passar das páginas.
Apesar de apresentar algumas das que poderão ser consideradas das melhores histórias lidas, o conjunto não se tornou um dos preferidos da autora.
