Após ter lido o livro no qual se baseou, Clint Eastwood resolveu realizar um filme que retratasse não só o lado americano, como o lado japonês… mas parece que a complexidade e a quantidade de informação o levaram a optar por dois filmes.

A Segunda Guerra Mundial permanece como pano de fundo, mas no centro estão os soldados, o relacionamento entre eles, o sofrimento, as vivências e modo como encaram cada uma das etapas que se lhes deparam até ao cenário sanguinário.

Os ânimos estão elevados – ainda inexperientes, sem contacto prévio com a carnificina, os jovens soldados pouco tempo têm para se aperceber da realidade quando desembarcam na minúscula ilha japonesa.

Do outro lado do planeta, está o povo americano – esgotado, farto e cansado da separação e morte dos entes queridos – o tempo de privação prolonga-se demasiado e os custos tornam-se insuportáveis.

Uma foto é tirada aquando da substituição de uma bandeira – a imagem torna-se célebre, publicada em todos os jornais americanos, e os jovens tornam-se heróis – não combateram de modo extraordinário, não levaram a cabo nenhuma missão importante… ergueram um símbolo nacional, que na nação espalhou a ideia de vitória. Regressam ao seu país, ilesos, deixando antecipadamente a chacina, para dar a cara por uma campanha de angariação de fundos.

Um filme mais sobre os homens que lutaram do que sobre a Guerra, que capta a hipocrisia de que foram alvo e as hipocrisias que sofreram, é-nos transmitida também a perspectiva dos familiares. Morrem alguns jovens, uns voltam feridos, muitos voltam fisicamente ilesos, mas quase todos estão psicologicamente afectados.

Interessante, forte, não fartam as cenas sangrentas ou violentas, mas é sobretudo relevante pela perspectiva que nos dá a conhecer. No entanto, espero pelo segundo que me parece que trará um lado mais desconhecido – o japonês.