Eventos: Sessões de culto com presença do realizador

A sessão mensal de Abril é marcada por duas novidades. Primeiro, para além da sessão do Nimas, irá haver uma segunda no Monumental do mesmo realizador. E porquê? Porque o realizador Michele Soavi virá às sessões para apresentação e responder a questões! E os filmes são Dellamorte Dellamore no Nimas e Arriverderci Amore Ciao.

The Handmaiden / A Criada

Eis um tremendo embuste.

A Criada é, acima de tudo, um tremendo engano, uma história carregada de percepções imediatas que envolve, não só as próprias personagens, como o público, e assim nos leva a todos por uma narrativa aparentemente simples com um pequeno toque final inesperado. Só que o final não é assim tão final e somos levados por novas perspectivas que nos mostram que existem muito mais por detrás da subversão explícita de uns e da inocência apagada de outros.

A história começa por nos ludibriar com magníficos cenários de contraste ocidental / oriental onde co-existem as duas arquitecturas, ambas meras representações simbólicas, aspirações frustradas de quem se quer mostrar o que não é. A par com o fascínio visual são-nos apresentadas as personagens banais e quase estereotipadas de uma história de caça fortunas: uma jovem que detém uma extensa fortuna permanece refém do tio, viúvo, que aguarda o momento propício para se casar e deter a riqueza. Não podendo, por enquanto, unir-se à jovem, educa-a duramente num mundo de medo e perversão, usando-a para leitura de histórias eróticas ou pornográficas a ricos senhores aos quais pretende vender os antigos manuscritos lidos – encenações onde quem pretende enganar se revela presa fácil de enganos.

Tomando conhecimento da existência desta donzela, rica e isolada, um jovem trapaceiro vê na situação uma presa fácil e monta o que espera ser um golpe fácil – seduzir a jovem a fugir e a casar-se com ele. Para tal recorre a parceiros de outros truques, levando uma ladra profissional, seduzida pela possibilidade de riqueza, a assumir o lugar de aia, com o intuito de aspirar a suspiros à sua proximidade.

Parece simples? Pois parece. Mas a meio percebemos que os principais ludibriados fomos nós. Seduzidos pela usual fatalidade do destino, pelo jogo de percepções fáceis e fascinados pela envolvência que provoca vermos os outros a serem enganados, somos nós que caímos no jogo e assumimos uma perspectiva demasiado linear.  Até porque se a história fosse apenas esta perspectiva teria sido bastante agradável.

Quando se apresentam novas camadas de compreensão à já percepcionada exploração pervertida de impulsos, com momentos intensos de logro e corrupção, o filme torna-se avassalador – o que é realmente importante apaga tudo o resto e mostra-nos como somos presas fáceis da percepção imediata.

Eventos: MotelX – 10 anos de Terror

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No próximo dia 21, pelas 17h30, terá lugar, na Cinemateca de Lisboa, a apresentação do livro MotelX, 10 anos de Terror. A apresentação é seguida pela projecção do filme Society de Brian Yuzna, gratuita para os que tenham adquirido o livro (podem ver indicação na página oficial). A apresentação caberá a João Antunes, Pedro Souto & João Monteiro.

Para mais detalhes sobre o evento podem consultar a página.

Eventos: Sessões de Culto – As Escolhas de Filipe Melo – The Fearless Vampire Killers

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A quarta sessão de culto com as escolhas de Filipe Melo já tem data marcada para dia 18 de Janeiro, pelas 21h30, no Nimas. Deixo-vos a informação disponibilizada sobre o evento, bem como a ligação para a página oficial:

Um sábio professor e o seu limitado aprendiz são aprisionados por vampiros num castelo misterioso da Transilvânia quando tentam salvar uma dama em apuros.

Realizado por Roman Polanski em 1967, este clássico das comédias de terror é uma paródia vampiresca, e apesar de não ter sido um grande sucesso de bilheteira quando estreou, “The Fearless Vampire Killers” tornou-se ao longo dos anos um objecto de culto, além de transformar a actriz Sharon Tate numa estrela.

 

Arrival – O Primeiro Encontro

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Já tinha expresso, por aí, a minha admiração pela ficção de Ted Chiang. Focando-se num único conceito, consegue construir várias histórias excepcionais, coesas, interessantes, envolventes, quase perfeitas, mas sempre elegantes. A palavra correcta para descrever existe em inglês, neat (nítido, de bom gosto, claro, agradável, elegante, puro, limpo).

Olhando para a colectânea de histórias de Ted Chiang, Story of your life and others, o conto que dá título ao conjunto e que origina este filme não é sequer um dos mais brilhantes do conjunto, apesar de apresentar um conceito lógico esmagador, uma história limpa de ruído que contém apenas o essencial mas que peca, a meu ver, na forma como se relaciona com o leitor, que resulta num ambiente algo pesado e deprimente.

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Sem deixar a componente emotiva, o maior espaço reservado no filme para criar uma ligação com as personagens acaba por criar o suporte necessário que justifica os sentimentos transmitidos pela história. O resultado é uma maior empatia com o público e é exactamente neste ponto que o filme ultrapassa o conto.

Conhecendo já o rumo que a história iria tomar, bem como a lógica por detrás dos encontros alienígenas e a grande tecnologia que os suporta, fiquei mais liberta para apreciar tudo o resto. Desde a forte componente humana à forma circular como os episódios constroem uma história maior, logicamente dolorosa e esmagadora, passando pelo expectável e estúpido comportamento humano, que se esconde no medo pelo desconhecido, o filme consegue a proeza de, mantendo-se fiel à lógica da história original, fazer com que esta ganhe uma nova dimensão.

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A premissa é simples. Doze naves alienígenas aparecem, quase que do nada, em doze pontos no planeta, dispersos. Cada um dos doze países no qual se encontra uma nave inicia tentativas de contacto, mas com pouco sucesso. É assim que resolvem contratar uma especialista em linguística que fará os primeiros verdadeiros avanços para a compreensão do intuito dos alienígenas.

Ao se desenvolver a compreensão de uma linguagem desenvolve-se, também, uma nova forma de pensar, e, este caso não é excepção. Ao tentar compreender a linguagem peculiar dos alienígenas a  especialista desenvolve, também, um novo entendimento sobre o mundo, sobre o contínuo espaço-tempo, enfim, sobre toda a sua vida, entendimento esse que terá um papel essencial na história da espécie humana.

Sem dúvida entre os grandes filmes de ficção científica produzidos recentemente, Arrival consegue a proeza de ser um filme sobre alienígenas que explora de forma sublime a natureza humana.

Eventos: Alejandro Jodorowsky em Portugal

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Que o mais recente filme de Alejandro Jodorowsky, Poesia sin fin, ia estrear em Portugal durante a Mostra de Cinema da América Latina já se sabia. O que é novidade é que o realizador vai estar na sessão para a apresentação do filme em Lisboa, no dia 08 de Dezembro. Para mais detalhes sobre a Mostra de Cinema da América Latina podem consultar a página oficial do evento, onde têm o programa completo.

Assim foi: Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo

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O documentário sobre a obra cinematográfica de António de Macedo estreou ontem e nada me preparou para 100 minutos de momentos tão bem passados pois, aparte as tristezas da tacanhez portuguesa, está carregado de episódios de contagiante boa disposição.

Que em Portugal prolifera a mentalidade dos compadrios, dos núcleos de mútua bajulação e da necessidade de ser hermético e incompreendido para se ser considerado relevante, já não é novidade. Qualquer linha de exploração que não corresponda ao que um circuito auto-nomeado designa de artístico ou de intelectual é escarnecida. Se ainda por cima esta linha de exploração trouxer distinção em meios internacionais relevantes, então torna-se um alvo a abater, nem que seja em momento mais propício.

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Sendo o momento de distinção internacional a escolha de A Promessa para a selecção oficial de Cannes, o que transpareceu é que a relevância de alguém fora do núcleo ideológico foi recebida como o “mijar fora do penico” – a ousadia de se fazer notado sem a autorização dos medíocres que se acham na autoridade de decidir o que é relevante, mas que na verdade, têm medo do que o espelho possa revelar.

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Mas começo pelo fim – pelo que me parece ser o verdadeiro motivo para terem apagado as referências a António de Macedo – ao invés de referir o percurso exposto no documentário, que começa com o seu aparecimento no pequeno cenário português ao escrever A evolução estética do cinema, tornando-se um dos pioneiros no Cinema Novo.

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De filme em filme, vai explorando novas técnicas e novas ideias, sofrendo, quase sempre, dificuldades com a censura pela audácia de algumas cenas pouco adequadas para a mentalidade fechada portuguesa da época. Se antes do 25 de Abril a censura era a oficial, nem depois deixou de ser alvo de repressão, mais concretamente pela Igreja Católica perante o filme As horas de Maria.

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Sem medo de apresentar cenas de acção (como em Sete Balas para Selma que apresenta um agente secreto da Buraca) ou narrativas de ficção científica (como Os Emissários de Khalom) António de Macedo utilizou os poucos recursos de que dispunha para fazer o que queria, correspondendo, por vezes, ao agrado do público, o que o levou a ocasionais sucessos de bilheteira (coisa impensável no meio artístico português).

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Mas se, por um lado, estes ocasionais sucessos de bilheteira puseram os críticos de cabelos em pé (principalmente depois da relevância atribuída a A Promessa), quando as audiências baixaram abriu-se o momento propício para o votar ao esquecimento, fazendo-o pagar pelo atrevimento de um sucesso anterior não autorizado.

Hoje, as referências são quase inexistentes, escondidas. Veja-se. O documentário estreou, proporcionou 100 minutos de extraordinária diversão, foi aplaudido de pé até à exaustão e as referências pós-estreia em jornais resumem-se a uma, num jornal digital. Felizmente, ainda existem blogues relevantes que proporcionam mais alguma informação:

Deixo-vos o teaser:

Assim foi: Fórum Fantástico 2016 – 25 de Setembro

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O Domingo começou com uma sessão sobre jogos que nos trouxe momentos bem divertidos, com espectaculares vídeos tanto pelo visual, como pelo conceito do jogo. De destacar o contexto distópico (e psicótico) de We Happy Few (bastam os 5 primeiros minutos).

Depois da sessão de Sugestões de Leitura seguiu-se a apresentação de Galxmente onde Luís Filipe Silva nos levou numa pequena viagem pelo tempo, para a data do lançamento da edição original do livro, falando também um pouco sobre as suas restantes obras.

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No final apresentou uma lista de pré-seleccionados para a Antologia Erótica de Literatura Fantástica, sendo que sobre esta lista existirá uma depuração por questões de espaço.

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O próximo ponto do programa trouxe-nos banda desenhada, numa mesa que reuniu Geraldes Lino, Sérgio Santos, Patrik Caetano, João Raz, Miguel Jorge e Filipe Melo que foram falando sobre os projectos recentes e futuros.

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O dia terminou com a sessão Take it Easy, com Bruno Caetano e Jerónimo Rocha, no seguimento da qual foram exibidas as curtas O Encoberto – Director’s Cut e Arcana.

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Eventos: Sci-FI LX

Robots, viagens no espaço, impressões 3D ! Um evento para qualquer geek digno desse nome – É já este fim-de-semana que decorre o maior evento em Portugal dedicado exclusivamente à ficção científica, seja sob a forma cinematográfica, sejam palestras e workshops sobre os mais diversos (e futurísticos) temas.

Contando com um espaço comercial (onde encontramos a Bookshop Bivar, a Kingpin Books, e a Imaginauta, entre outros) e exposições (sobretudo de banda desenhada) vamos ter, também oportunidade de assistir a um duelo steampunk ou a impressões 3D.

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Para visualizarem todas as actividades inerentes ao Sci-fi LX podem consultar a página oficial, enquanto que aqui irei falar daquelas que me despertam mais interesse. Entre elas estão, claro, as exposições de banda desenhada, com especial destaque para Carlos Pedro, Miguel Montenegro, Ricardo Venâncio ou H-alt. De realçar que estes autores estarão num painel a decorrer pelas 19h00 de Sábado e que decorrerá uma sessão de autógrafos de A Vida Oculta de Fernando Pessoa com André Morgado.

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Entre a apresentação do Projecto Mensageiros das Estrelas (que tem trazido alguns autores de ficção científica a Portugal como Geoff Ryman) , encontramos palestras sobre Viagens no tempo (a necessidade de viver além do presente), a ficção científica em videojogos, FC em Universo Transnacional (com destaque para a presença de Luís Filipe Silva e Teresa Botelho) e zombies.

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Para actividades mais interactivas temos Impressões em 3D (TIC em 3D) durante os dois dias, crochet (nada como um Yoda de crochet), pintura, duelos, jogos de tabuleiro, cosplay ou torneios de robots.

Claro que não falei de muita coisa, apenas das que mais me interessavam. Há vários eventos temporalmente sobrepostos pelo que se não vos interessar algo em particular podem aproveitar a restante programação nos outros espaços do evento.

Assim foi: Sustos às sextas – 19 de Fevereiro

Sustos às sextas _ 19 Fev 2016

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A sessão abriu com a usual (mas não menos essencial) introdução de António Monteiro, que depois de referir a adaptação dançada, Dracula: Pages from a Virgin’s Diary como das poucas no género do horror, nos apresentou o primeiro espaço da noite, um pequeno bailado sombrio e alusivo ao horror, onde quatro jovens bailarinos utilizaram o espaço para a performance.

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Após o espectáculo seguiu-se uma apresentação de Pedro Nunes sobre cinema de horror. Percorrendo vários países e géneros do século XX, Pedro Nunes referiu alguns dos mais icónicos e representativos filmes, deixando escapar, por vezes, a paixão que tem pelo tema, ao apresentar mais detalhes sobre a histórias de algumas das películas. Abaixo, deixo-vos algumas das minhas notas.

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Passando pelo expressionismo alemão com referência a clássicos como The Golum, O Gabinente do Dr. Caligari ou Nosferatu, chega-se à Idade de Ouro de Hollywood onde não podem falhar, claro, Fantasma da Ópera, Dracula, Frankenstein e Múmia, e aos anos 40 com A Mosca, Zombie, O Médico e o Monstro. Escapando a este boom encontramos Dark of Night, Godzilla, A Maldição de Frankenstein e Horror de Dracula.

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Adaptação do livro de Gustav Meyrink, de mesmo título

Depois de se referirem os clássicos do início do século, Pedro Nunes prossegue para os géneros e sub-géneros de vários países, destacando os principais realizadores e filmes. Em Espanha começa por Amando de Ossorio, com filmes de fantasmas peculiares onde quem deambula são os templários do século XIII, cegos, e que chegam às suas vítimas por sons. De realçar a tentativa de inibição sexual, apresentando como vítimas casais que procuram locais menos movimentados para fazer amor.

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Mas este não foi o único realizador espanhol referido: Mercero com Verão Azul e La Cabina (onde a cabina era uma ratoeira humana), Molina mais conhecido por películas de lobisomens, Franco que realizou filmes a metro mas poucos de real qualidade explorando, nalguns, a sexualidade através dos vampiros, Jorge Grau com destaque o filme No profanar el sueño de los muertos, em que os filmes de zombies exploram temáticas ecológicas, ou Serrador, com destaque para Quien puede matar a un niño em que critica Espanha enquanto destino para turismo balnear.

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Não se pode falar de filmes de terror em Itália sem referir os Gialli, termo conotado com a literatura leve do género que era comercializada no formato de pequenos volumes amarelos (gialli). Argento terá sido um dos realizadores incluídos neste género do cinema de horror, que terá nomeado os seus primeiros filmes aludindo a animais e assim dando uma ligação entre os filmes.

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Já Lucio Fulci terá desenvolvido filmes de zombie dentro do estilo mais splatter apresentando mortos-vivos que se deslocam dentro de água. Destacando brevemente Mario Bava e Martino no género Gialli, referiu-se também Deodato como realizando filmes sobretudo de canibais, com filmes dentro do filme. Para além destes realizadores e géneros, terão surgido, também, em Itália, os filmes de género sádico-nazista.

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Destacando-se The Changeling, de Peter Medak, no Canada, prosseguiu-se com Bob Clarck realçando Murder by Decree onde se exploram duas figuras, uma ficcional e uma história, Sherlock Holmes e Jack The Riper. Claro que não se podia falar do género no Canada e não se referir Cronenberg. Para além destes, referiu-se Denis Héroux, com assassinos em série, teorias da conspiração de gatos que tentariam dominar o mundo (The Uncanny, um filme que me interessou pela referência a um conto de Poe).

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No Japão são comuns as histórias que misturam histórias de fantasmas com repressão ou penalização sexual, bem como dramas históricos e psicológicos. Entre os vários realizadores, Pedro Nunes falou de Hiroshi Teshigabara (com Otoshiana), Kaneto Shindô (com The Naked Island que explora as temáticas derivadas da Guerra e com Kuronejo), Kenji Misumi (com The tale of Zatoichi de terror mais explícito e sangrento), Nobuhijo Ôbayashi (conhecido por House, uma casa que se transforma e tenta devorar pessoas) e Nobuo Nakagawa (com Jigoku).

Apesar de ter gostado da apresentação no seu todo, os melhores momentos aconteceram quando se deixava a catalogação para se entrarem nos detalhes mais imaginativos dos filmes, destacando-se ora o enredo, ora determinada cena de imaginação peculiar.

Após o curto intervalo apresentaram-se duas curtas de terror portuguesas: Dédalo e Arcana. A primeira um óbvio tributo a Alien (abaixo o trailler), uma curta que mistura elementos de ficção científica e horror, enquanto a segunda, Arcana, possui alguns elementos mais tradicionais, com referência aos bruxedos e à Dama Pé de Cabra.

No final, pudemos ver uma pequena exposição com alguns dos horripilantes adereços que foram usados para a realização do filme.

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Depois de sessão tão diversificada em formato e conteúdo, resta esperar impacientemente pela próxima, que decorrerá no dia 18 de Março.

Resumo de Leituras – Novembro (3)

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133 – O Papiro de César – R. Goscinny e A. Uderzo – Os nossos heróis gauleses voltaram em grande com uma aventura movimentada que aproveita várias personagens conhecidas para aumentar as interacções cómicas. Uma aventura que permite duas leituras, uma simples e outra simbólica de homenagem, que consegue ter novos elementos cómicos.

134 – The Mirror – Marlys Millhiser – Referenciado como uma boa história de viagens no tempo, é uma fantasia bastante fechada que se centra na troca de corpo entre a avó e a neta, dando realce sobretudo aos choques culturais e sociais de cada uma. Por vezes demasiado extenso na descrição de alguns episódios, consegue mesmo assim ter bons momentos. Esta demasiada extensão obrigo-me a parar a leitura por vezes. Engraçado sem chegar à categoria do bom.

135 – Bang!19 – Vários autores – Esta edição da revista traz bons artigos sobre diversos temas e de variados autores, explorando ficção científica e fantasia em cinema, música ou RPG’s para além da usual literatura. De conteúdo diverso, nota-se um maior investimento em conteúdo associado aos livros da própria editora. De leitura obrigatória.

136 – Universos Literários – Vários autores – Apresentando história alternativa e mundos fantásticos, possui algumas histórias que se aguentam sozinhas. A qualidade não é constante, mas mesmo assim encontrei contos acima da expectativa. O que falta nestas antologias? Uma pequena introdução referindo qual o objectivo ou razão para se reunirem estas histórias. A rever mais detalhadamente numa entrada futura.

His Dark Materials – Philip Pullman – Adaptação

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Esta saga fantástica foi publicada em Portugal pela Editorial Presença com o título Mundos Paralelos, correspondendo aos três volumes Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar, constituindo, sem fazer favor nenhum, uma das melhores séries fantásticas que tive oportunide de ler. Apesar de se destinar a um público juvenil, pode ser lida por adultos sem as dificuldades usuais.

Esta série tinha sofrido já uma adaptação parcial para cinema, tendo a produção dos filmes seguintes sido suspensa. Tocando em assuntos como o poderio da Igreja Católica, consegue ser uma forte série fantástica com interpretações diferentes para crianças e adultos.

Felizmente, apesar de terem suspendido a produção dos restantes filmes, a BBC estará a adaptar a saga fantástica para série televisiva.

Eventos: Área de contenção – Encontros Internacionais de Cinema Fantástico e de Horror do Cartaxo

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A decorrer no próximo fim-de-semana, nos dias 6,7 e 8 de Novembro de 2015, a segunda edição do evento apresenta filmes inéditos em Portugal nas secções de longas e curtas-metragens, com homenagem a Christopher Lee.

Para mais informação sobre programa e horários, podem consultar a página oficial.

 

Série de links interessantes – Halloween

Se o Halloween era, há uns anos, um evento quase invisível para os portugueses, agora é motivo de festas e máscaras para putos e graúdos. Nada como aproveitar esta data para celebrar o horror – desde propostas de lista de leituras, a listas de filmes passando por hóteis e eventos, são várias as sugestões fascinantes.

The invisible man

Nicolas Delort

A primeira sugestão é deslocarem-se ao iO9 onde encontram uma fabulosa colecção de monstros conhecidos do terror, reimaginados. O autor está a vendê-los em diversos formatos incluindo em madeira ou em impressão. Para além do Homem Invisível que conseguem ver acima, encontram a noiva de Frankenstein, o lobisomem ou o drácula.

Em Hamptonroads podem ver uma listagem de comerciais assustadores, como o delicioso vídeo anterior, onde podem ver assassinos conhecidos ou dráculas.

something wicked

Na literatura, são várias as listas que pretendem distinguir os melhores ou mais recentes obras de horror:

the ring

Se as listas de livros são várias e extensas, então que dizer das de cinema que são imensas? Eis apenas as que despertaram a minha atenção:

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Para mais uns extras não relacionados com listas e listinhas:

O que falta mesmo? Uma lista de obras portuguesas.

Filmes: A Visita

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Apesar de ter gostado de alguns dos trabalhos de M. Night Shyamalan fui ver A Visita reticente, talvez por causa da premissa simples (os netos vão visitar os avôs que nunca conheceram) ou talvez porque os os últimos se tornaram expectáveis a meio, perdendo grande parte da piada.

Foi, também, em parte o que me aconteceu com A Visita – o twist não é difícil de perceber e as pistas são demasiado óbvias, reiterando as minhas suspeitas iniciais e fazendo perder o ênfase do grande momento revelador que se desenrola exactamente como previsto.

Resultado: neste momento tenho sentimentos dúbios em relação ao filme. À percepção adiantada do twist acresceu o facto de não perceber qual o tom que o filme queria tomar – se o do suspense / horror, se o de comédia. A alternância entre as duas facetas de forma pouco convincente tornou a história pouco coesa.

E quem leu até aqui pensa… onde está a dualidade? É que mesmo com estes pontos negativos, o filme tem excelentes momentos de tensão que vão sendo resolvidos de forma genial. O neto mais novo protagoniza várias cenas hilariantes sendo a personagem que mais confere ao filme aspectos positivos.

Resultado: recomenda-se, mas não levem as expectativas muito altas.