Eventos: It’s Alive! Maratona de Escrita Fora de Horas – MOTELX 2017

Vai decorrer, durante o MotelX, no dia 09 de Setembro uma maratona de escrita, trazida pelo Motelx em cooperação com a Imaginauta, inspirados no chamado “Ano sem Verão”, a noite que terá originado Frankenstein de Mary Shelley ou Vampyre de Polidori. À semelhança desta noite o evento desafia os participantes a escrever um conto de terror em apenas uma noite.

Para além do desafio os participantes terão oportunidade de conhecer convidados especiais e estabelecer novos contactos como assistir a palestras de especialistas em terror onde se irá falar da relação entre a sociedade e os monstros criados pela ficção. O programa do evento encontra-se abaixo. Para mais detalhes podem consultar a página no facebook. 


20h00-21h00: Palestras sobre temas ligados ao terror pelo Prof. José Duarte e Diogo Almeida

21h00-22h00: Sessão de Speed Meeting com vários convidados, entre eles Kim Newman, Rui Cardoso Martins, Filipe Homem Fonseca, Jerónimo Rocha e Nuria Leon Bernardo

22h00-00h00: Maratona de escrita

00h00-00h15: Intervalo com Slam Poetry por Filipa Borges, Miguel Antunes e Ricardo Blayer

00h15-02h00: Maratona de escrita

 

Eventos: Ciclo Killer B’s – 5ª Sessão “Attack of the Giant Leeches”

No seguimento do ciclo de cinema Killer B’s, vai haver uma sessão de cinema do Attack of the Giant Leeches de Bernard L. Kowalski no Clara Clara. Este ciclo apresenta clássicos de terror e de ficção científica no universo da série B norte-americana.

Sobre o filme desta semana, eis mais algum detalhe:

Clássico exemplo da sci-fi série B “creature feature” que respondia aos medos da guerra-fria, produzido por Gene Corman e lançado pela American International Pictures numa double bill com “A Bucket of Blood” (de Roger Corman, irmão de Gene). Uma das vítimas das sanguessugas que dão título ao filme é Yvette Vickers, coelhinha da Playboy no ano de produção. “Híbrido ridículo de monstros e white trash”, disse o crítico Leonald Maltin num dia em que deixou o sentido de humor esquecido em casa.

Para os interessados na sessão podem consultar a página oficial do evento no facebook.

Walking Monsters + Dawn of The Dead ao Ar Livre – Warm-Up 2017

Enquanto o MotelX propriamente dito não chega, continuam as sessões de aquecimento, desta vez como sessão gratuita de Dawn of the Dead de Romero no Largo de São Carlos. Para mais informações sobre o evento, podem consultar a página oficial.

Eventos: O Estranho Mundo do Terror Latino – Warm-Up MOTELX 2017

Decorre a partir de amanhã a Warm up para o MotelX de 2017. Tratam-se de sessões de cinema de terror latino na cinemateca entre o dia 01 e 04 de Setembro. As sessões têm o preço de 3,20 e incluem os filmes À meia noite levarei sua alma de M. Félix Ribeiro, El Vampiro de Fernando Méndez, Quien puede matar a un niño? de Narcico Ibañez Serrador. Para mais informações sobre as sessões podem consultar a página oficial do evento. Continuar a ler

Okja

O tom inicial é notoriamente jocoso, uma espécie de paródia às grandes companhias que apresentam organismos geneticamente modificados (OGM’s) como sendo seguros, ainda que não tenham feito grandes testes que lhes permitam esta afirmação. A solução perante o medo da população para aquilo que não entende? Apresentar novos seres como sendo naturais, seleccionados entre o melhor que a mãe natureza tem para nos dar. Uma mentira a bem do negócio, envolto em segredos guardados por seguranças militarizados.

A seguir o filme segue uma fórmula conhecida para nos fazer sentir empatia para com o ser geneticamente modificado e a jovem que dele cuida, uma sucessão de episódios que nos apresentam a parceria saudável e bem disposta entre um super-porco e uma rapariga sul-coreana. A sucessão é cliché, mas como qualquer fórmula resulta bem e confere, ao super-porco características humanizadas, fazendo-o parecer uma criatura inteligente, corajosa e sensível.

Este quotidiano enternecedor termina no dia em que a empresa, que distribuiu os super-porcos ao longo do globo, termina a experiência e recolhe os animais para os apresentar num concurso para lançamento de novos produtos no mercado. Alguns representantes deslocam-se à pequena quinta onde está o super-porco Okja, incluindo um biólogo estrela de televisão, extremamente conhecido que dá o espectáculo que se espera dele. De carácter caprichoso, este apresentador que pretende ser adorado por todos, coloca com facilidade um ar simpático e divertido, mostrando-se como o maior amigo dos animais.

Distraída pelo avô, a jovem sul-coreana só se apercebe que Okja foi levado quando já é tarde de mais. Desloca-se então à cidade para salvar o animal, sendo ajudada por um grupo pró-animal, ALF (Animal Liberation Front), um grupo que tudo faz para não recorrer à violência para atingir os seus meios, seja pelas armas que usa (que não matam), seja pela atitude persuasiva.

Paródia a vários estereótipos, seja o das empresas, gananciosas, que tecem múltiplos planos de desinformação e marketing ecologista (falsa propaganda para limpeza de imagem), seja o das entidades de libertação dos animais (que caem por vezes no exagero dos seus princípios, com incoerência entre a postura dos vários membros, e uma falsa postura de não violência) mostra que, no final, a forma mais eficaz de se conversar com quem possui negócio é através do dinheiro. Esqueçam choradinhos sentimentalistas ou simpatias – por detrás da cortina, são as notas que falam mais alto.

Sem chegar ao patamar da excelência Okja apresenta uma perspectiva cínica onde consumidores são alegremente enganados (dá jeito à carteira) fazendo com que estas empresas, corrosivas, ganhem terreno e controlo político.

Eventos: Sessões de culto com presença do realizador

A sessão mensal de Abril é marcada por duas novidades. Primeiro, para além da sessão do Nimas, irá haver uma segunda no Monumental do mesmo realizador. E porquê? Porque o realizador Michele Soavi virá às sessões para apresentação e responder a questões! E os filmes são Dellamorte Dellamore no Nimas e Arriverderci Amore Ciao.

The Handmaiden / A Criada

Eis um tremendo embuste.

A Criada é, acima de tudo, um tremendo engano, uma história carregada de percepções imediatas que envolve, não só as próprias personagens, como o público, e assim nos leva a todos por uma narrativa aparentemente simples com um pequeno toque final inesperado. Só que o final não é assim tão final e somos levados por novas perspectivas que nos mostram que existem muito mais por detrás da subversão explícita de uns e da inocência apagada de outros.

A história começa por nos ludibriar com magníficos cenários de contraste ocidental / oriental onde co-existem as duas arquitecturas, ambas meras representações simbólicas, aspirações frustradas de quem se quer mostrar o que não é. A par com o fascínio visual são-nos apresentadas as personagens banais e quase estereotipadas de uma história de caça fortunas: uma jovem que detém uma extensa fortuna permanece refém do tio, viúvo, que aguarda o momento propício para se casar e deter a riqueza. Não podendo, por enquanto, unir-se à jovem, educa-a duramente num mundo de medo e perversão, usando-a para leitura de histórias eróticas ou pornográficas a ricos senhores aos quais pretende vender os antigos manuscritos lidos – encenações onde quem pretende enganar se revela presa fácil de enganos.

Tomando conhecimento da existência desta donzela, rica e isolada, um jovem trapaceiro vê na situação uma presa fácil e monta o que espera ser um golpe fácil – seduzir a jovem a fugir e a casar-se com ele. Para tal recorre a parceiros de outros truques, levando uma ladra profissional, seduzida pela possibilidade de riqueza, a assumir o lugar de aia, com o intuito de aspirar a suspiros à sua proximidade.

Parece simples? Pois parece. Mas a meio percebemos que os principais ludibriados fomos nós. Seduzidos pela usual fatalidade do destino, pelo jogo de percepções fáceis e fascinados pela envolvência que provoca vermos os outros a serem enganados, somos nós que caímos no jogo e assumimos uma perspectiva demasiado linear.  Até porque se a história fosse apenas esta perspectiva teria sido bastante agradável.

Quando se apresentam novas camadas de compreensão à já percepcionada exploração pervertida de impulsos, com momentos intensos de logro e corrupção, o filme torna-se avassalador – o que é realmente importante apaga tudo o resto e mostra-nos como somos presas fáceis da percepção imediata.

Eventos: MotelX – 10 anos de Terror

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No próximo dia 21, pelas 17h30, terá lugar, na Cinemateca de Lisboa, a apresentação do livro MotelX, 10 anos de Terror. A apresentação é seguida pela projecção do filme Society de Brian Yuzna, gratuita para os que tenham adquirido o livro (podem ver indicação na página oficial). A apresentação caberá a João Antunes, Pedro Souto & João Monteiro.

Para mais detalhes sobre o evento podem consultar a página.

Eventos: Sessões de Culto – As Escolhas de Filipe Melo – The Fearless Vampire Killers

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A quarta sessão de culto com as escolhas de Filipe Melo já tem data marcada para dia 18 de Janeiro, pelas 21h30, no Nimas. Deixo-vos a informação disponibilizada sobre o evento, bem como a ligação para a página oficial:

Um sábio professor e o seu limitado aprendiz são aprisionados por vampiros num castelo misterioso da Transilvânia quando tentam salvar uma dama em apuros.

Realizado por Roman Polanski em 1967, este clássico das comédias de terror é uma paródia vampiresca, e apesar de não ter sido um grande sucesso de bilheteira quando estreou, “The Fearless Vampire Killers” tornou-se ao longo dos anos um objecto de culto, além de transformar a actriz Sharon Tate numa estrela.

 

Arrival – O Primeiro Encontro

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Já tinha expresso, por aí, a minha admiração pela ficção de Ted Chiang. Focando-se num único conceito, consegue construir várias histórias excepcionais, coesas, interessantes, envolventes, quase perfeitas, mas sempre elegantes. A palavra correcta para descrever existe em inglês, neat (nítido, de bom gosto, claro, agradável, elegante, puro, limpo).

Olhando para a colectânea de histórias de Ted Chiang, Story of your life and others, o conto que dá título ao conjunto e que origina este filme não é sequer um dos mais brilhantes do conjunto, apesar de apresentar um conceito lógico esmagador, uma história limpa de ruído que contém apenas o essencial mas que peca, a meu ver, na forma como se relaciona com o leitor, que resulta num ambiente algo pesado e deprimente.

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Sem deixar a componente emotiva, o maior espaço reservado no filme para criar uma ligação com as personagens acaba por criar o suporte necessário que justifica os sentimentos transmitidos pela história. O resultado é uma maior empatia com o público e é exactamente neste ponto que o filme ultrapassa o conto.

Conhecendo já o rumo que a história iria tomar, bem como a lógica por detrás dos encontros alienígenas e a grande tecnologia que os suporta, fiquei mais liberta para apreciar tudo o resto. Desde a forte componente humana à forma circular como os episódios constroem uma história maior, logicamente dolorosa e esmagadora, passando pelo expectável e estúpido comportamento humano, que se esconde no medo pelo desconhecido, o filme consegue a proeza de, mantendo-se fiel à lógica da história original, fazer com que esta ganhe uma nova dimensão.

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A premissa é simples. Doze naves alienígenas aparecem, quase que do nada, em doze pontos no planeta, dispersos. Cada um dos doze países no qual se encontra uma nave inicia tentativas de contacto, mas com pouco sucesso. É assim que resolvem contratar uma especialista em linguística que fará os primeiros verdadeiros avanços para a compreensão do intuito dos alienígenas.

Ao se desenvolver a compreensão de uma linguagem desenvolve-se, também, uma nova forma de pensar, e, este caso não é excepção. Ao tentar compreender a linguagem peculiar dos alienígenas a  especialista desenvolve, também, um novo entendimento sobre o mundo, sobre o contínuo espaço-tempo, enfim, sobre toda a sua vida, entendimento esse que terá um papel essencial na história da espécie humana.

Sem dúvida entre os grandes filmes de ficção científica produzidos recentemente, Arrival consegue a proeza de ser um filme sobre alienígenas que explora de forma sublime a natureza humana.

Eventos: Alejandro Jodorowsky em Portugal

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Que o mais recente filme de Alejandro Jodorowsky, Poesia sin fin, ia estrear em Portugal durante a Mostra de Cinema da América Latina já se sabia. O que é novidade é que o realizador vai estar na sessão para a apresentação do filme em Lisboa, no dia 08 de Dezembro. Para mais detalhes sobre a Mostra de Cinema da América Latina podem consultar a página oficial do evento, onde têm o programa completo.

Assim foi: Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo

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O documentário sobre a obra cinematográfica de António de Macedo estreou ontem e nada me preparou para 100 minutos de momentos tão bem passados pois, aparte as tristezas da tacanhez portuguesa, está carregado de episódios de contagiante boa disposição.

Que em Portugal prolifera a mentalidade dos compadrios, dos núcleos de mútua bajulação e da necessidade de ser hermético e incompreendido para se ser considerado relevante, já não é novidade. Qualquer linha de exploração que não corresponda ao que um circuito auto-nomeado designa de artístico ou de intelectual é escarnecida. Se ainda por cima esta linha de exploração trouxer distinção em meios internacionais relevantes, então torna-se um alvo a abater, nem que seja em momento mais propício.

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Sendo o momento de distinção internacional a escolha de A Promessa para a selecção oficial de Cannes, o que transpareceu é que a relevância de alguém fora do núcleo ideológico foi recebida como o “mijar fora do penico” – a ousadia de se fazer notado sem a autorização dos medíocres que se acham na autoridade de decidir o que é relevante, mas que na verdade, têm medo do que o espelho possa revelar.

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Mas começo pelo fim – pelo que me parece ser o verdadeiro motivo para terem apagado as referências a António de Macedo – ao invés de referir o percurso exposto no documentário, que começa com o seu aparecimento no pequeno cenário português ao escrever A evolução estética do cinema, tornando-se um dos pioneiros no Cinema Novo.

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De filme em filme, vai explorando novas técnicas e novas ideias, sofrendo, quase sempre, dificuldades com a censura pela audácia de algumas cenas pouco adequadas para a mentalidade fechada portuguesa da época. Se antes do 25 de Abril a censura era a oficial, nem depois deixou de ser alvo de repressão, mais concretamente pela Igreja Católica perante o filme As horas de Maria.

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Sem medo de apresentar cenas de acção (como em Sete Balas para Selma que apresenta um agente secreto da Buraca) ou narrativas de ficção científica (como Os Emissários de Khalom) António de Macedo utilizou os poucos recursos de que dispunha para fazer o que queria, correspondendo, por vezes, ao agrado do público, o que o levou a ocasionais sucessos de bilheteira (coisa impensável no meio artístico português).

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Mas se, por um lado, estes ocasionais sucessos de bilheteira puseram os críticos de cabelos em pé (principalmente depois da relevância atribuída a A Promessa), quando as audiências baixaram abriu-se o momento propício para o votar ao esquecimento, fazendo-o pagar pelo atrevimento de um sucesso anterior não autorizado.

Hoje, as referências são quase inexistentes, escondidas. Veja-se. O documentário estreou, proporcionou 100 minutos de extraordinária diversão, foi aplaudido de pé até à exaustão e as referências pós-estreia em jornais resumem-se a uma, num jornal digital. Felizmente, ainda existem blogues relevantes que proporcionam mais alguma informação:

Deixo-vos o teaser:

Assim foi: Fórum Fantástico 2016 – 25 de Setembro

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O Domingo começou com uma sessão sobre jogos que nos trouxe momentos bem divertidos, com espectaculares vídeos tanto pelo visual, como pelo conceito do jogo. De destacar o contexto distópico (e psicótico) de We Happy Few (bastam os 5 primeiros minutos).

Depois da sessão de Sugestões de Leitura seguiu-se a apresentação de Galxmente onde Luís Filipe Silva nos levou numa pequena viagem pelo tempo, para a data do lançamento da edição original do livro, falando também um pouco sobre as suas restantes obras.

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No final apresentou uma lista de pré-seleccionados para a Antologia Erótica de Literatura Fantástica, sendo que sobre esta lista existirá uma depuração por questões de espaço.

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O próximo ponto do programa trouxe-nos banda desenhada, numa mesa que reuniu Geraldes Lino, Sérgio Santos, Patrik Caetano, João Raz, Miguel Jorge e Filipe Melo que foram falando sobre os projectos recentes e futuros.

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O dia terminou com a sessão Take it Easy, com Bruno Caetano e Jerónimo Rocha, no seguimento da qual foram exibidas as curtas O Encoberto – Director’s Cut e Arcana.

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