Premiado para um Hugo e nomeado para o Aurora, Darwinia é uma obra que encaixa simultaneamente nos géneros de ficção científica e história alternativa. Publicado em 1998, conhece agora tradução para português pela Saída de Emergência, sendo mais um volume na colecção Bang.

Segundo a sinopse, o continente Europeu desaparece misteriosamente e é substituído por um  semelhante, povoado por estranhos monstros e flora irreconhecível, no início do século XX. Mas em Darwinia o factor mais estranho não é a substituição de um continente inteiro e seus habitantes.

Face à novidade do outro lado do Atlântico, uma expedição parte para a Nova Europa com o intuito de explorar o terreno, reunindo especialistas nos mais diversos ramos da ciência. Guilford Law é um jovem fotógrafo que se junta a esta expedição deixando a família na nova cidade de Londres, uma povoação que dificilmente ganha terreno à Natureza selvagem. Como seria de esperar a exploração do novo continente é difícil e a expedição depara-se com vários imprevistos, desde a falta de recursos, a encontros com estranhos seres que se revelam poderosos predadores.

A história não segue apenas Guilford Law – acompanhamos também o dia a dia da esposa na selvagem cidade, que frequentemente ouve notícias inquietantes da expedição; assim como de Vale, um jovem que abre caminho na sociedade através da leitura da mão das senhoras, e se encontra possuído por um demónio ou um deus (ele próprio não se consegue decidir entre as duas descrições), que lhe confere estranhos poderes.

Este é um mundo surreal – os milhares de pessoas que habitavam o continente europeu desapareceram sem deixar rasto, seres morfologicamente distinto povoam a terra, e algumas pessoas descobrem-se possuidoras de estranhos poderes. Face aos acontecimentos, os mais religiosos vêm milagres e atribuem o desaparecimento da Europa à mão divina; emquanto outros procuram na ciência uma justificação racional – mas a realidade encontra-se distante de tudo o que um homem do início do século XX possa imaginar.

E é exactamente no excesso de imaginação que a história peca – algumas das premissas são demasiado surreais e seguem um caminho demsiado abstracto. Ainda assim, gostei. Apresentando-nos várias visões diferentes dos acontecimentos, Darwinia é cativante e original, com um desenrolar inesperado que não recorda nada do que li até agora no género – se no início parece que tudo se baseia numa “quebra” do fio condutor da história, cedo outros elementos nos indicam que algo mais existe por detrás do novo continente.