Este é o livro mais recente da Editora Livros De Areia, uma pequena editora que nos trouxe já excelentes livros como A sereia de Curitiba de Rhys Hughes ou o vísceral O pássaro pintado de Jerzy Kozinsky, ou ainda um dos livros daquele que é, para mim, o melhor escritor de FC português, João Barreiros, Disney no céu entre os Dumbos.

De Covadlo tinha já lido Criaturas da Noite, a história de um homem que um dia é parasitado por uma pulga conselheira que lhe indica o caminho para o sucesso, mas que em troca exige que este adquira estranhos hábitos.

Buracos Negros apresenta-nos não uma história, mas 13, todas negras, algumas previsíveis, outras de final inesperado – todas bem contadas. A primeira apresenta-nos um país onde todos os cargos públicos terminam com uma decapitação e o serviço prestado é diferenciado pelo material da bandeja onde se encontrará a cabeça – prata, ouro ou caixas de fruta.  Segue-se a confissão, perto do Natal, de um velho assassino que terá morto um casal por inveja do bem estar ostentado por estes.

Ninguém desaparece completamente é uma das histórias que mais apreciei, uma sátira inteligente que me lembra o estilo de Italo Calvino em algumas histórias, onde um rapaz corta o dedo do pé com esperança de fugir ao serviço militar. Após a tropa arranja emprego numa prestigiada empresa, mas agora sem parte da perna. Pouco tempo depois terá de amputar um pouco mais o seu membro inferior e será colocado num diferente posto nessa mesma empresa…

Outro dos contos que destacaria é As Correntes do Mal, um conto irónico em que um homem prestes a cometer suicídio, é salvo pelo próprio diabo. A partir desse momento dedica-se a compor o equilíbrio das forças do mal, cometendo diariamente uma má acção. Em contrapartida encontra fortuna e ruína afasta-se da sua vida.

Livro pequeno de edição cuidada, Buracos Negros é um inteligente conjunto de contos que aconselho a todos os adultos que gostem de histórias pouco convencionais e com uma pequena reviravolta.