Altered Carbon e Black Man / Thirteen são dois dos livros mais conhecidos de Richard Morgan, autor de ficção científica que esteve há poucos anos em Portugal no Fórum Fantástico. O primeiro encontra-se entre a lista de oito volumes escolhidos pela Gollancz para uma colecção de clássicos contemporâneos, um excelente livro de ficção científica, carregado de acção, onde o autor cria um futuro tecnologicamente avançado onde as pessoas podem ser imortais. Black Man explora também um futuro de novidades tecnológicas, criando variantes genéticas de seres humanos, espécimes desenhados para desempenhar determinadas funções, tanto sexuais como bélicas.
Em Market Forces, a publicar dentro de poucos dias pela Saída de Emergência como Forças de Mercado, Richard Morgan não se deleita tanto com as possibilidades tecnológicas, com a imortalidade dos seres humanos ou com espécimes geneticamente modificados, explorando antes a evolução do mercado numa base Darwinista: literalmente a sobrevivência dos mais fortes.
No mundo de Market Forces, a sociedade sofreu algumas reviravoltas e os subúrbios ocupam a maior parte da cidade, zonas degradadas, sem segurança, onde sobrevive a lei dos dos gangs e a polícia tem mais um papel repressor que protector. É nesta sociedade que empresas de agressividade elevada sobrevivem, controlando o mercado através de todo o tipo de actividades, incluindo a venda de armas a países subdesenvolvidos.
Num meio de tão elevada competição a agressividade é libertada, e as promoções são decididas com base em duelos entre os candidatos ao mesmo lugar, mais vulgarmente, em corridas de carros, onde os adversários se tentam matar uns aos outros. É neste género de empresas que Chris Faulkner consegue um lugar, conjuntamente com um avultado ordenado.
Enquadrado levemente dentro do género ficção científica, Market forces explora o efeito do desenvolvimento de monopólios controlados por empresas sem escrúpulos, onde os sócios destas empresas chegaram legalmente aos seus postos ao assassinarem, em arena, os concorrentes para os mesmos cargos.
Gostei de Market Forces, mas não se encontra entre os meus favoritos – ainda que o autor mantenha o ritmo frenético combinado com a violência fria que costuma caracterizar os seus livros, relembra um Fast & Furius futurista, intercalado por questões económicas, onde os automóveis, a sexualidade e a violência têm um papel preponderante. Não que alguma destas partes me tenha chocado, mas achei que lhe falta história no meio de todo este rodopio.
