Golfinho de Júpiter de Mary Roseblum é uma das duas histórias publicadas no primeiro volume da colecção MIR pela Antagonista. Nomeada para um prémio Hugo em 1997, a história decorre no futuro, numa sociedade em que os seres humanos utilizam implantes directamente ligados ao cérebro e o valor de uma empresa pode oscilar entre valores drasticamente opostos, com base nas audiências de um anúncio publicitário.
Karj é um jornalista mediático, um investigador de empresas e esquemas monetários que leva à televisão a verdade sobre os casos que pesquisa, num programa televisivo que move multidões. Jovan é mais uma entre tantas empresas que Karj pesquisa, cujas instalações teriam sido uma estância de luxo, financiada por uma operação de branqueamento de dinheiro.
Nas instalações conhece a inteligência artificial que constitui a sonda que será enviada a Júpiter, Jonah, uma máquina em forma de golfinho, com a mentalidade de uma criança, cujas reacções e expressões recordam a Karj o seu falecido filho, Elliot. Debatendo-se entre a estranheza e a curiosidade, Karj estabelece uma relação estranha com Jonah, deixando-se guiar pelas simulações de Júpiter entre as quais Jonah navega.
Esta é uma história forte que se centra sobretudo nos sentimentos de Karj face à existência de uma máquina cuja personalidade poderá ter sido construída a partir do próprio filho, falecido. Inevitavelmente entre Karj e Jonah forma-se uma relação estranha, da qual a directora da empresa Jovan se pretende aproveitar. É uma história engraçada ainda que não excepcional, que possui algumas questões interessantes, como o poder dos meios de comunicação, a escolha entre a exploração do desconhecido ou o investimento no que é conhecido ou a capacidade de construir inteligências artificiais com comportamentos semelhantes às mentes humanas.
Como primeiro volume de uma nova colecção de ficção científica, não pude deixar de reparar nalguns pontos negativos da edição. Talvez por ser um livro pequeno, de forma a ter espaço para um tamanho de letra legível, a margem é demasiado reduzida, parecendo que a qualquer momento o texto se vai escapar para fora da página. Desta forma, a paginação da página encontra-se em cima, ao lado do título da história, para não ocupar muito espaço. Finalmente, ao texto falta algum cuidado na edição, possuindo demasiadas gralhas provenientes da tradução. São aspectos que espero ver resolvidos nos próximos volumes da colecção.
