Homem-aranha vol.10 – Dupla maravilha

Se o Deadpool é dos heróis com mais consciência do seu papel numa banda desenhada, aqui ambos, Deadpool e Homem-aranha se mostram como personagens conscientes, relatando a sua própria história, falando sobre a produção dos seus filmes em Hollywood, interagindo com um criador de banda desenhada ou sabendo de antemão o desenrolar dos acontecimentos.

Depois dos próprios heróis apresentarem a produção de um filme centrado em Deadpool que os levará a uma batalha contra um vilão improvável (numa série de páginas leves de comentários cómicos onde não falta o piscar de olho à forma como se fazem as adaptações cinematográficas, segue-se a história onde o Deadpool conheceu o Homem-aranha.

Bem, na realidade trata-se de uma história de 2016 que pretende reflectir uma revista perdida no tempo, que teria sido lançada em 1968, e que constitui uma óbvia crítica ao governo da altura, o que a terá levado à obscuridade e trazido graves problemas à equipa que a produziu. Ou assim se explica no início.

Nesta história reconhecemos Homem-aranha e Deadpool, sendo que o herói mercenário aqui não se importa de estar sob a ordem de políticos duvidosos e ainda lança as sementes para o caos de corrupção política que reflectirá o governo actual. Os desenhos pretendem reflectir o que era publicado na época, ainda que naquela década Deadpool ainda não tivesse sido criado.

A história seguinte é um exercício interessante entre o criador e a sua criação, onde Deadpool e o criador são personagens num jogo de Poker, onde se cria a expectativa da próxima jogada. Esta interacção não se fica por aqui e prossegue para uma curta aventura onde ambos, Deadpool e Homem-aranha enfrentam uma vilã que materializa monstros a partir de cartas de Tarot.

Dado o lançamento deste volume na época natalícia, prossegue-se com uma história centrada no Natal. Ou melhor na corrupção do feriado Saturnino – corrupção que enfurece o Deus Romano e o leva a destruir todas as invocações ao Natal. Homem-aranha e Deadpool começam por enfrentá-lo mas decidem-se por uma solução mais pacífica e mostram-lhe como o Natal pode continuar a ser visto como uma progressão da festa que era dedicada ao Deus.

No final temos pequenas aventuras dedicadas ao Peter Parker e ao Espectacular Homem-Aranha.

Este é um volume bastante diverso em aventuras, sobretudo divertidas, onde houve o cuidado de adaptar os comentários cómicos das personagens à realidade portuguesa, tentando aproximar-se mais do público ao que é destinado (característica que parece não ter sido do agrado de todos, mas que eu apreciei, qual falas do Dragonlance). Não senti como sendo um volume coeso pela variedade e diferente tom das histórias mas contém episódios engraçados e de leitura aprazível.

A série Homem-aranha foi publicada em Portugal pela Goody.

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