The Magician’s Guild é o primeiro volume de uma série fantástica, assim como o primeiro livro de Trudi Canavan, constituindo uma história juvenil onde os poderes mágicos podem existir em qualquer um, mas é necessário treiná-los para que alguém se torne num mago.
Sonea é uma rapariga do povo que descobre as capacidades mágicas que possui no momento em que, conjuntamente com outros rapazes, atira pedras aos mágicos. Estranhamente, a pedra atirada por Sonea atravessa o escudo protector, o que provoca um ataque por parte dos magos, que acaba por matar um dos rapazes.
Protegido por Cery, um amigo de infância, Sonea é alvo de suspeitas por parte dos restantes elementos do gang, numa sociedade em que apenas aos ricos é dado treino mágico. Escondida pela maior associação criminosa da cidade, com vista a obterem vantagem dos poderes mágicos, Sonea torna-se capaz vez mais um risco pela incapacidade de controlar a magia.
Simultaneamente, A Guilda dos Mágicos divide-se em busca de Sonea por toda a cidade: se alguns mágicos pretendem acolher e ensinar a rapariga, outros vêem nela um alvo fácil para manipulações e um exemplo para que nenhum membro de uma classe inferior possa aspirar a ser mágico.
Lido pouco tempo depois de a trilogia de Pullman, não pude deixar de fazer algumas comparações por serem ambos livros juvenis de fantasia: se Pullman não poupa as personagens para que a história seja coesa e lógica, em The Magician’s Guild a maioria dos conflitos são resolvidos ingenuamente, de forma a não prejudicar as personagens principais: é bastante visível a barreira que separa os bons dos maus.
Um dos pontos mais interessantes da história é o evidente confronto de classes: os mágicos são poderosos e inacessíveis, não deixando de ter o seu papel em preservar a cidade, manter os diques e tratar os doentes, acções quase invisíveis para as camadas mais pobres desta cidade, que se vêm obrigados a viver fora das muralhas, em construções precárias. Sendo Sonea proveniente das famílias mais pobres da cidade, existe algum debate social com os mágicos com a acolhem, com grande relevo para a forma oposta como são percepcionados os mesmos acontecimentos.
Apesar dos pontos fracos no desenvolvimento da história, é uma leitura rápida e amena, à qual poderiam ter sido retiradas 300 páginas, mas suficientemente interessante para já ter adquirido o segundo volume da trilogia. Sendo o primeiro livro da autora, fiquei curiosa para saber se as falhas reveladas neste se irão atenuar.
The Magician’s Guild foi publicado em português pela Bertrand Editora como A Guilda dos Mágicos em 2009, mas ainda se aguarda a publicação dos dois volumes seguintes.
