As Serviçais de Kathryn Stockett é um livro que não se enquadra em nenhum dos géneros a que me tenho acostumado ultimamente: não pertence à ficção científica, nem à fantasia, muito menos ao horror. Poderia ser chamado, no máximo dos máximos, ficção história – mas muito recente. Também as personagens fogem bastante do estereótipo que me costuma captar: sem ironias nem sarcasmos. Não apresenta ideias diferentes ou estranhas, apenas a voz de três mulheres nos anos sessenta, com o intuito de retratar a vida das serviçais.
Aibileen é a típica empregada dócil e afável, que se verga a todos os insultos provenientes dos brancos, sabendo que é a única forma de conseguir manter o emprego que pouco lhe rende. Em compensação, cuida também da criança, ignorada pela mãe, mais preocupada com eventos sociais.
Minny é a outra serviçal, que, ao contrário de Aibileen, tem uma língua afiada, respondendo à letra a todos os insultos. Ainda assim, tem conseguido manter o emprego devido aos dotes culinários, pelos quais é conhecida. Mas nem estes a salvam quando a senhora, já idosa, é enviada para o lar, e a filha desta decide espalhar rumores de que Minny, para além da língua, tem o hábito de roubar.
Sem sistema de segurança social, vivendo em bairros separados, em condições degradantes e tendo de aguentar insultos e humilhações: casas-de-banho separadas, preconceitos e pobreza de espírito. É este o dia-a-dia das duas serviçais numa cidade do sul da América, e é este retrato que Skeeter, uma jovem que pretende seguir a carreira de jornalismo, se propõe a captar num livro, mantendo o anonimato das personagens.
Skeeter não é apenas a escritora da história, mas também uma das personagens que, tendo terminado o curso à pouco tempo, regressa à cidade onde a mentalidade continua a mesma: o objectivo de uma jovem é o casamento, e de preferência com um jovem endinheirado para a sustentar.
Apesar da temática séria por detrás das várias histórias, a história conseguiu surpreender pela positiva ao ser contada sem lamechices nem choraminguices, chegando a tocar o tom cómico, pelo ridículo de alguns episódios: se por um lado as crianças aprendem pela imitação e não conseguem perceber as diferenças sociais da época com base na cor da pele; por outro as mães das mesmas revelam-se seres insensíveis, fúteis e egoístas. A leitura é leve e rápida e, ainda que não me tenha arrebatado, gostei imenso da história.
