Contos Maravilhosos – Hermann Hesse

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Qualquer expectativa que poderia ter perante este livro é pequena comparada com o que encontrei – contos escritos com mestria que contam histórias singulares, na sua maioria apreensivas, algumas com parecenças a contos populares.

O primeiro conto, é o Anão, retratando o estranho relacionamento entre uma bela jovem e o anão que possui. A formosura da jovem é realçada pela disformidade do anão que,  para além de ser um excelente malabarista,  é bastante culto. Rejeitando os vários pretendentes, a jovem cresce egoísta e altiva. Não é, assim de estranhar que, quando finalmente se apaixona por um nobre viajado e sabido, ceda a todos os seus desejos, deixando que ele maltrate os animais e o anão. O conto, sublime, não é feliz, antes uma história apreensiva, onde se exploram as consequências de todas as acções, num final justo mas catastrófico.

Depois de histórias de tragédia que exploram as fraquezas do carácter humano, como a vaidade ou o ciúme, encontramos dois contos que apresentam a concretização de desejos mal formulados e como estes podem ter graves consequências, por melhores que sejam as intenções – contos de conteúdo quase popular, mas de detalhes e escrita elegantes.

Nos contos seguintes nota-se a sombra da guerra, que carrega o tom e os acontecimentos dos contos. Se em O Sonho dos Deuses se descrevem as ruínas de uma cidade resultantes da guerra, como se de um pesadelo se tratasse, em Singular Mensagem de uma outra Estrela um rapaz parte em missão para falar com o rei para conseguir os meios para homenagear os mortos de um intenso terramoto – apenas para ser transportado por um Deus para um outro Mundo onde a destruição se deve à Guerra e os corpos jazem espalhados nos campos.

Já em O Europeu ocorre um dilúvio e de todas as raças humanas restam casais que demonstram aos restantes as belezas da sua cultura – todos menos o humano da Europa que, sem esposa, se revela também estéril em capacidades, necessitando sempre de algo que não possui para concretizar as gabarolices superiores que descreve.

Histórias semelhantes aos contos populares, com figuras caracterizadas e de intuito moral, histórias de estrutura menos tradicional com a sombra da guerra, contos em que o homem deambula em busca de si próprio – este conjunto apresenta contos bastante diferentes do mesmo autor, mas todos elegantes e coesos, que se alongam no desenvolvimento apenas o suficiente para criar ambiente e calmamente deixar correr a historia. Este é um excelente conjunto de histórias que recomendo a leitores de todos os géneros.

7 pensamentos sobre “Contos Maravilhosos – Hermann Hesse

      • Esse é o grande clássico do Hesse, mas é mais filosófico, basicamente é a história de buda 😀
        Ele converteu-se ao espiritualismo oriental, mas sempre seguiu uma linha e filosofia muito própria embora com características orientais.
        Mas é um livro que se lê muito bem 🙂
        Acho que me fizeste ter vontade de ler novamente HH e vou pegar no “O lobo das estepes” que está cá em casa 🙂 🙂

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