Em segundo lugar na lista da Amazon americana para melhores livros de ficção científica e fantasia, este é o segundo livro de Charles Yu, sendo o primeiro uma colectânea de contos, Third Class Superhero. Imensamente comentado, foi com alguma expectativa que peguei num livro de título tão estranho.
A história centra-se em Charles, um jovem, reparador de máquinas do tempo, filho de emigrantes, que restringiu o seu mundo ao cão inexistente e ao computador, sendo apaixonado pelo sistema operativo do mesmo, a quem chama de TAMMY. Para se conseguir isolar completamente, viaja para um local no espaço onde apenas cabe ele e o pouco que lhe pertence, um cubículo silencioso onde remói os momentos que podiam ter sido e nunca foram.
O comportamento anti-social de Charles é o resultado de uma juventude problemática, entre uma mãe carente, e um pai ausente, a trabalhar incansavelmente na garagem, onde tenta construir a primeira máquina do tempo, uma forma de provar as suas ideias e a sua inteligência. Enquanto adulto, Charles evita a mãe, com a qual comprou um circuito de simulação de uma hora, em que esta revive eternamente uma hora de jantar familiar, e procura o pai, desaparecido há muito.
Após a avaria do seu sistema, vê-se obrigado a recolher ao Minor Universe 21, um estrutura espaço-temporal de diversão. É aqui que encontra o seu eu futuro, e reage atirando sobre ele e fugindo numa máquina do tempo. Desta forma, entra num loop interminável de acontecimentos onde revive alguns dos momentos e sentimentos mais importantes da sua vida, enquanto procura o pai.
Entre o relato da aventura de Charles, surgem partes de um guia escrito pelo próprio Charles, sobre como evitar situações embaraçosas no Universo em que vive, relembrando The Hitch-Hikers Guide to the Galaxy, ainda que de uma forma mais simples, sem tantos detalhes e com pouco nonsense.
Com uma premissa interessante, mas um desenvolvimento leve, explora sobretudo o relacionamento difícil de Charles com os pais, uma personagem com problemas de auto-estima. É aqui que, para mim, a história falha: possui uma boa premissa, mas não a explora. Senti que o autor tinha dois rumos possíveis e não se decidiu por nenhum: poderia ter enveredado pelo rumo cómico, mas não o explorou; poderia ter optado pela seriedade mas não desenvolveu a história o suficiente.
Desta forma temos uma história com detalhes interessantes mas sem grande progressão que, no final, me deixou com a sensação de que o autor não soube o que fazer com todas as ideias engraçadas que foi tendo: a ideia é boa mas não é explorada, possui humor, mas não o suficiente para se tornar especial. Ainda que tenha sido uma leitura agradável, acredito que facilmente cairá no esquecimento.

Viva! Acabei por “tropeçar” neste louvável blog sobre leitura e, sem querer fazer dele um espaço de promoção própria, gostava de aproveitar para deixar o convite a descobrir o meu recente trabalho “Os Bárbaros” (http://www.fnac.pt/Os-Barbaros-Humberto-Oliveira/a320310) ou até, quem sabe, outras das minhas obras cujo lançamento se encontra para breve. Agradecido,
Humberto Oliveira (Jimmy David).
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