Vencedora do prémio Locus, a história que dá nome ao livro foi a primeira que li do autor, e aquele que me pôs em busca das restantes obras do autor. No mundo retratado o aumento da poluição provocou a quase esterialidade da espécie humana, e, dos recém-nascidos, poucos são totalmente humanos – a maioria são pequenos “trogs” de mente simples e devassa. Mas os humanos adultos também não escapam ilesos ao efeito dos químicos presentes no ambiente e na água.
“It’s like that time you tried to clean an electric outlet with a fork. You just got to remember not to look for gas leak with a fire. It’s not a good idea. “
Trabalhando na rede de esgotos, Alvarez é um dos poucos que evita beber a água da rede, restringindo-se à água engarrafada. À sua volta os restantes começam a demonstrar sintomas de extrema simplicidade e burrice – como a namorada que procura por uma fuga de gás com um isqueiro ou limpa tomadas com um garfo; ou como o empregado de bar que simplesmente se esquece que, para continuar a vender cerveja, precisa de se continuar a abastecer.
Apesar de não ter tirado um curso superior Alvarez é um dos únicos capazes de entender as instruções do sistema de válvulas e motores que constituem o sistema de canalização. Mas desta vez as bombas da zona seis pararam totalmente – algumas peças precisam de ser substituídas, mas o fabricante criava peças tão duradoiras que já fechou por falência há muitas décadas.
História coesa e irónica, possui vários episódios tão cómicos como o excerto acima que demonstram as alterações graduais da inteligência humana numa civilização em rápido declínio. Ainda que contenha alguns dos ideais ecológicos que o autor reflecte na maioria das suas obras, neste caso é menos explícito tornando-se numa história excepcional que cumpre bem o objectivo de divertir o leitor de forma inteligente.

