Lua cheia

As mais recentes colecções da Civilização Editora são de encher os olhos! Mas neste caso o destaque é para a colecção Lua Cheia onde podemos encontrar novas edições de livros de ficção especulativa, mais propriamente clássicos dos géneros da ficção científica, do fantástico e do horror. Para além dos títulos interessantes e das capas graficamente impressionantes, o preço é bastante razoável e está agora a 20% de promoção.

dama

Quem não conhece a fantástica história da Dama pé de cabra, aqui compilada por Alexandre Herculano

“A Dama Pé-de-Cabra”, conto que dá título ao livro, conta a história de um nobre que, ao encontrar na serra uma dama, se perde de amores por ela; mas a dama não é quem parece ser e o nobre terá de sofrer muito em consequência das suas escolhas. Um conto misterioso, intrigante, marcante pelo tom com que é apresentado e onde os elementos sobrenaturais são soberanos. “A Abóbada” fala da construção do Mosteiro da Batalha, em particular, da abóbada da casa do capítulo. Este conto envolvente, marcado por descrições soberbas, ilustra como o orgulho excessivo pode ser a ruína de um homem. Um poderoso relato de uma época de grande poder e forte superstição.

frankenUm dos primeiros livros enquadrados no género de ficção científica, um clássico no género que pode ser também classificado como sendo de horror:

É Mary Shelley quem nos remete diretamente para a Antiguidade Clássica ao considerar o seu Frankenstein como o Prometeu moderno. O fogo dos deuses é agora o segredo da vida, que se vê materializado na criatura engendrada pelo Dr. Frankenstein através de uma heterodoxa abordagem do método científico, onde também se cruza alguma da investigação feita em torno do galvanismo e da medicina forense, em voga na época. Apesar de tomar como seu um atributo divino, o Dr. Frankenstein não será capaz de controlar completamente as implicações próprias da sua criação, o que terá, naturalmente, consequências funestas. Temos pois um olhar romântico sobre Prometeu e o mito de Pandora, onde se vislumbram os homúnculos de Paracelso e o Golem da tradição judaica.

carmilla

Alicerçada na tradição folclórica do Leste europeu e nas primeiras produções literárias sobre o tema, Carmilla haveria de dar origem ao arquétipo do vampiro feminino na literatura universal. Exerceu um papel fundamental na elaboração de Drácula (1897), sendo considerada a obra que deu a Bram Stoker a ideia e a inspiração para escrever o seu romance. Certa noite, após um acidente de carruagem, uma jovem muito atraente, Carmilla, uma das passageiras, é convidada a ficar hospedada no castelo da família de Laura para se recuperar.Carmilla é uma figura alegre e exótica, totalmente oposta a Laura. Entre elas desenvolve-se uma intensa e apaixonada amizade, mas os estranhos hábitos de Carmilla começam a despertar a curiosidade dos empregados. Quando uma “estranha doença” começa a conduzir à morte várias jovens da redondeza, Laura, cujas noites de sono são dominadas por terríveis pesadelos, procura descobrir os segredos da nova amiga e resistir aos seus encantos

edgar

“Os Crimes da Rua Morgue” é considerado por muitos a primeira obra policial de sempre. Mãe e filha são encontradas mortas num edifício situado na Rua Morgue, uma artéria parisiense. As vítimas foram brutalmente assassinadas e a sala onde foram descobertos os corpos encontrava-se trancada por dentro. Para adensar o mistério, os vizinhos alegam ter ouvido o assassino falar numa língua que ninguém consegue identificar. Quando um homem é acusado do crime, C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, oferece-se para ajudar a polícia a resolver este caso e impedir que um homem inocente seja preso por um crime que Dupin acredita não ter cometido. Um pelo encontrado junto dos corpos leva-o a crer que o assassino poderá não ser humano…

medico

O comportamento do Dr. Jekyll, um conceituado médico londrino, começa a preocupar os seus empregados e amigos, especialmente porque, cada vez mais isolado no seu laboratório, recebe frequentemente o intrigante e violento Mr. Hyde.Temendo pela vida do amigo, o advogado Utterson resolve tirar a limpo a história e vai à residência do médico procurar a explicação para tão bizarro comportamento. E é aí que descobre o que realmente se está a passar.

metamorfose

Em carta datada de 25 de outubro de 1915, dirigida a G. H. Meyer, da Kurt Wolff Verlag, Kafka exprime de forma veemente a sua preocupação pelo facto de o ilustrador escolhido para a sua obra, Ottomar Starke, poder vir a querer representar um inseto na capa de Die Verwandlung (A Metamorfose). “Isso de maneira nenhuma, por favor”, escreve Kafka, em antecipação. “O inseto em si não pode ser esboçado. Não pode ser visto sequer à distância.” Volvidos cem anos em 2015, a Civilização propõe aos seus leitores uma leitura renovada de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, no cumprimento estrito da vontade expressa pelo autor, que julgamos reveladora.

chinela

Os contos fantásticos de Machado de Assis, bem pautados pelo estilo francês, concentram o teor mágico e insólito das suas narrativas no elemento onírico. É por meio do sonho, loucura, delírios ou alucinações que os protagonistas se defrontam com aparições fantasmagóricas, aventuras inacreditáveis, ameaças de morte, encontros com cientistas insanos e viagens astrais. Geralmente o enredo tem início em ambientes verosímeis, que em nada remetem ao surreal. E dessa forma Machado conduziu muito bem os seus textos deste teor. Vivendo num mundo crível, monótono e enraizado no quotidiano, os protagonistas são repentinamente lançados em ambientes mágicos, maravilhosos, e que fogem das leis normais da compreensão humana, como em “A Chinela Turca”, conto que dá título a este livro.