Lightspeed Magazine – February 2015 (2)

lightspeed february 2015

Depois dos contos de ficção científica, seguem-se os de fantasia. The Girl Who Ate Butterflies de Mary Rickert poderá sem dúvida enquadrar-se no género New Weird, relatando pequenos episódios amorosos de uma rapariga que atrai e come borboletas em segredo. Uma história sem dúvida estranha de paixão e desilusão, que não faz muito o meu género.

Tão estranha quanto esta é And the Winners Will be Swept Out to Sea de Maria Dahvana Headley, que retrata um estranho festival em que os participantes se despojam de tudo o que têm, e acabam no mar. Quem mais tem a perder é quem ganha este destino. A história é contada pela companheira de um vencedor deste festival que recorda, sozinha, alguns momentos marcantes. Mas não sendo ela humana, partirá em busca do companheiro.

Things you can buy for a penny de Will Kaufman é um divertido conto em torno de um poço de conceder desejos em troca de uma moeda. Mas se pensam que os desejos são pacíficos, estão enganados – como qualquer lenda que se preze! Neste caso quem concede os desejos é um cavalheiro molhado que sobe do fundo do poço. Mas a forma como concede os desejos tem sempre um senão – a menina que pede que os pais nunca mais se discutam encontra a casa ao sabor das chamas, o marido que deseja a pobreza para o homem que provocou o adultério da mulher vê-se ele próprio pobre. Apesar de possuir uma premissa conhecida e explorada noutras histórias (recordo-me de um divertido episódio de Supernaturals) apresenta-se como uma exploração interessante e irónica, de leitura bastante agradável.

Terminada a secção de contos fantásticos, encontra-se uma novela de Elizabeth Bear, In the House of Aryaman, a Lonely Signal Burns. A história decorre no futuro em que a engenharia genética domina quer os seres humanos, quer os animais de estimação. Os filhos são desenhados consoante os desejos dos pais e os animais são capazes de comunicar verbalmente com os humanos, sabendo o seu nome e o que precisam para se alimentar correctamente. Ferron é uma inspectora da polícia, chamada para analisar um crime. No local, o corpo mais não é do que uma amálgama irreconhecível de carne, especulando-se que o dono do apartamento terá morrido por inversão corporal, ou seja, o interior (orgãos e ossos) encontra-se agora à superfície.

Enquanto analisa o caso a inspectora, solteira, recolhe o gato da vítima e luta internamente contra o sentido de dever de cuidar da mãe, que lhe foi impingido geneticamente. História de detectives num cenário surreal e futurista, entre clones e manipulação genética, é uma excelente novela de ambiente melancólico e leve distopia, apenas perceptível pelos comentários rápidos à existência de duas classes em que a dos trabalhadores é a mais elevada, e aos esboços de surpresa ao ver alguém de outro país. Publicada originalmente na revista Asimov (Janeiro de 2012), pode ser lida gratuitamente no site da autora.

Resumindo, para alguém que, como eu, não dá grande valor à componente de não ficção, resta analisar o valor das histórias comparando-as ao preço da revista. Tendo sido adquirido no conjunto e ficando por menos de um dólar, tem uma relação qualidade / preço excelente. Mesmo considerando o preço oficial (2 dólares) apresenta uma qualidade mais do que razoável. A novela de Elizabeth Bear é excelente, bem como os contos de David Barr Kirtley e Will Kaufman.

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