Eis um livro curioso, tanto pelo título, tanto pelo mistério que cria a leitura da sinopse. A história começa com Rosemary já na faculdade mas cedo percebemos (e a própria narradora no-lo diz) que a narração começou a meio – uma forma que arranjaram para que, enquanto criança irrequieta e palradora, falasse menos. A infância não é só referida neste sentido, mas também como um período bastante marcante – algo relacionado com os irmãos de quem desconhece o paradeiro há vários anos.
Quando Rosemary assiste a uma briga de namorados em que a rapariga perde as estribeiras e começa a desfazer o conteúdo da mesa, bem como a própria mesa, acaba por ser confundida com a namorada pela polícia e vai presa por desacato. Este episódio aparentemente simples irá despoletar novas recordações e novos sentimentos que julgara enterrados.
Os motivos para desconhecer o paradeiro dos irmãos vão sendo revelados a pouco e pouco, percebendo-se que estarão associados a um forte ressentimento para com os pais que também não escaparam incólumes – a mãe sofre depressões sucessivas e o pai, psicólogo académico, refugia-se na bebida.
Grande parte da história passa por manter o leitor curioso quanto aos acontecimentos que fizeram desaparecer os irmãos de quem não se pode falar. Após a revelação de alguns detalhes cruciais, a história passa por nos fazer compreender as circunstâncias, bem como a personalidade de Rosemary face aos acontecimentos.
Apesar de, por detrás da história, se encontrarem circunstâncias especiais, o livro torna-se mais do que essas circunstâncias pelos episódios peculiares contados sobre a narradora ao longo da história – uma criança desinibida e aventureira, fruto do ambiente em que viveu. É assim que a história consegue manter o interesse, centrando-se numa história familiar nada simples.
A narração começa com a percepção de uma jovem adulta dos acontecimentos que lhe marcaram a infância, mas culmina com a desconstrução destes, transformando-os num plano de vida, algo que irá resolver os problemas desenvolvidos na infância e irá restaurar a paz de espírito a todos os familiares.
Não se enquadrando nos meus géneros favoritos de leitura, conseguiu tornar-se uma história interessante onde apontaria apenas o facto de se centrar na visão de uma só personagem – algo que facilita a manutenção do mistério familiar, mas que concede uma perspectiva afunilada dosa contecimentos.

