best of kate elliott

Se na primeira história da antologia, Riding the Shore of the River of Death, a história era consciente e propositadamente uma subversão dos contos tradicionais de heróis de cavalo e espada, neste segundo também uma mulher tem um papel preponderante, mas sem deixar o tradicional de curandeira.

A narração começa numa noite de batalha, em que os plebeus se escondem a meio da noite, receosos de serem o alvo da fúria do exército que varre aquelas terras em busca de maior poder. A disputa silenciosa entre os dois lordes é resultado de uma típica história de traição em que um deles, socorrendo-se de mentiras, faz crer ao rei que o outro pretende usurpar o trono, afim de lhe ficar com as terras.

Mas não é esta a história que é aqui contada. A curandeira é acordada a meio da noite para socorrer o lorde, alvo de perjúrio, que tentava socorrer o seu povo. Ferido e sem o seu exército, não irá sobreviver se a curandeira não conseguir chamar à atenção da irmã do rei para os acontecimentos. Parte, então, sozinha para o castelo.

A viagem não é um curto passeio, antes uma caminhada de largos dias durante os quais se vai dissimulando nos papéis que mais lhe convêm, desde mendiga a viúva ou leitora de futuros amorosos, ganhando a simpatia que a irá fazer passar incólume ao seu destino. Incapaz de lutar pela sua passagem, serve-se da astúcia para lentamente conseguir o que pretende.

Recorrendo a alguns acontecimentos sobrenaturais que pouco interferem na história senão na sua forma de mitos dissuasores das deambulações no bosque, a história centra-se sobretudo na heroína, anónima e corajosa, que irá partir em busca de socorro por forma a garantir a estabilidade da terra onde vive.

De tom pausado, não perdendo detalhes, mas também não se alongando demasiado em pontos desinteressantes, é uma história de audácia e astúcia da figura menos provável – uma mulher já avô e viúva, aparentemente fraca e desarmada. Sem ser apaixonante é uma excelente história.

(exemplar digital gratuito fornecido pela editora)