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Wolverine é dos heróis do Universo Marvel que mais me fascina. Seja nos filmes em que aparece como personagem secundária, seja nos filmes em que é principal herói, é pouco sociável e apresenta um espírito tempestuoso, submetendo-se por isso a uma vida de isolamento por receio de magoar os que o rodeiam.

Em Wolverine:Origem o isolamento é ainda mais vincado. Iniciando-se com a infância do herói, um rapaz enfermo que passa os dias fechados na mansão da família, centra-se sobretudo na menina orfã que é contratada para lhe fazer companhia, pelo que pouco vemos por detrás da barreira que vai crescendo em torno do rapaz de poucas palavras.

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Entre o avô de rígida mentalidade que instiga à brutalidade, e a mãe que permanece fechada no quarto, o pai é o único elemento da família que se preocupa com o rapaz, procurando trazer alguma normalidade à vida do filho enfermo. Os contrastes emocionais tornam o quotidiano difícil mas dois amigos persistem – a menina e o filho do caseiro que sofre maus tratos diários do pai, bêbado e vingativo.

Estes momentos entre as três crianças são os raros e efémeros momentos de grande luminosidade, momentos frágeis que não afastam totalmente a sombra dos acontecimentos que terão ocorrido ao rapaz enquanto bebé, e que cedo se esgotam – o caseiro odeia a nova companhia do rapaz e afasta-o, contaminando-o com o rancor crescente.

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Estão reunidos os elementos de tensão que irão originar um episódio de grande violência. Como forma de defesa a natureza do rapaz enfermo revela-se e as garras crescem-lhe nas mãos. Protegido pela rapariga, é obrigado a fugir de casa e até do país, abrigando-se no trabalho árduo das minas para o qual não está preparado.

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Cada vez mais silencioso e isolado, o rapaz transforma-se num homem do qual pouco conseguimos perceber, transparecendo poucos pensamentos ou sentimentos, principalmente pela quase ausência de expressão facial – isto quando o rosto aparece descoberto, o que é raro.

Assemelhando-se cada vez mais a um predador selvagem revela raros rasgos de humanidade apenas perante a amiga de infância que ainda o protege. O trabalho nas minas entre homens de pouco carácter endureceu-o – assim se lançam as sementes para novo episódio violento e determinando na geração do herói.

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Este volume introdutório explora os primeiros momentos da personagem apresentando-nos a criança doente e frágil antes de se transformar no homem temível que conhecemos como Wolverine. Crescendo num ambiente familiar decadente, amadurece entre homens brutos tendo como âncora humana a amável rapariga.

Tudo isto confere à personagem o isolamento voluntário que lhe conhecemos. Mas pouco se percebe do herói em si. Como já tinha dito o rosto aparece quase sempre encoberto o que, em conjunto com o seu silêncio, permite manter o véu de mistério.

Em tom de inevitável queda psicológica, a história intercala qualquer momento mais positivo e pacífico com grandes episódios de rancor, ódio e perda. O resultado já o conhecemos – o herói avesso a usufruir da companhia dos restantes e imperdoável consigo próprio.

Não sendo das pessoas mais conhecedoras do Mundo Marvel apreciei bastante esta versão do aparecimento do herói, uma história que tem elementos muito deprimentes, mas talvez por isso mesmo, também cativantes.