
Em Um mundo de pernas para o ar sobrepõem-se várias realidades ou várias possibilidades de um presente. Tom Barren é um fracasso. Filho de um grande cientista e de uma mulher que se anulou para facilitar os êxitos do marido, Tom Barren nunca consegue estar à altura do grande nome do pai.
Depois de várias tentativas de emprego falhadas e da morte da mãe, é aceite na empresa do pai como substituto da melhor crononauta, ou seja, ocupa o lugar menos importante de sempre, na criação de viagens no tempo. Até que o quase impossível acontece. Envolve-se com a crononauta que ao engravidar perde o seu lugar e consequentemente se suicida.
A experiência de viagens no tempo é suspensa até avaliação de todas as circunstâncias mas Tom, num acto de desespero decide experimentar a máquina e viaja ao ponto de descoberta de um famoso motor que gera energia infinita e que teria permitido evoluções tecnológicas inimagináveis no seu tempo – uma sociedade sem guerra nem fome, sem escassez onde os seres humanos podem concretizar as suas pretensões intelectuais.
Mas Tom é um trapalhão e até aqui no papel mais simples da história, como simples viajante faz confusão e interfere com a primeira experiência decisiva. Quando ocorre o salto automático de volta ao seu tempo, tudo mudou – a sua mãe continua viva, o pai não é um cientista bem sucedido e egocêntrico e a mulher que amava ainda se encontra viva. Ainda assim pensa em restabelecer a linha anterior, em que as evoluções tecnológicas permitiram uma sociedade quase perfeita.
A teoria por detrás das viagens do tempo aqui descritas é interessante – estas seriam impossíveis se viajássemos simplesmente para trás, porque a Terra viaja a elevada velocidade e ontem não se encontrava no mesmo local. Desta forma, as viagens no tempo só são possíveis seguindo restos específicos de radiação em libertação, sendo que a primeira viagem usará o rasto deixado pelo primeiro motor que gera energia infinita.
Com elementos e hipóteses interessantes, este livro dá uma elevada importância à componente romântica perdendo-se em detalhes da vida pessoal da personagem principal e deixando-se expandir em digressões sem grande importância, explicadas como sendo escritas pelo próprio Tom.
Em Portugal Um Mundo de Pernas para o Ar foi publicado pela Bertrand Editora.
