
Considerado entre os melhores mangá de sempre, One piece já foi adaptado para cinema e séries de animação, bem como videojogos e jogos de cartas. A série apresenta um aspecto juvenil e bem disposto, aludindo a piratas. Recentemente, a Devir publicou uma edição que colecta os três primeiros volumes da série, sendo esta que adquiri.
A história começa por nos apresentar uma criança, Luffy, que espera, um dia, tornar-se pirata. Até lá, tenta convencer os piratas que param na sua aldeia a levarem-no com eles. Ao contrário do que seria de esperar, estes marinheiros parecem afáveis e integrar-se bem dentro da comunidade. Tanto que Luffy se descuida e come uma das frutas que estes trazem – uma fruta de valor quase incalculável que lhe confere o poder de se esticar como se fosse de borracha. Anos depois, já os piratas escolheram outro poiso, Luffy parte para formar, ele próprio, uma tripulação e tornar-se o rei dos piratas, em busca de míticos tesouros.



Assim começa a história que acompanha Luffy numa demanda infindável. Seguindo os clichés das demandas que se iniciam com um herói solitário, ao longo do caminho, esta personagem vai encontrar pessoas que convence a segui-lo. Bem, ou convence ou negocia, mas nem sempre da forma esperada. Não encontra só amigos, mas também déspotas, ou melhor, pessoas que usam o seu escasso poder para aterrorizar as populações locais e que serão piores do que os piratas na sua abordagem.
Sucedem-se, portanto, os episódios de confronto. Apesar de querer ser um pirata e de andar em busca de tesouros e mapas, Luffy acaba por enfrentar estes pequenos chefes locais, em episódios de batalha épica e cómica. Para além dos estranhos poderes de Luffy, encontramos outros poderes ou outras capacidades, que resultam em divertidas, inusitadas e originais cenas de luta. Para além das habilidades curiosas, Luffy tece planos megalómanos com várias reviravoltas.
A fórmula vai-se repetindo com variações e detalhes diferentes que nos fazem progredir pela leitura. Luffy encontra alguns companheiros e perde outros, não consegue convencer todos os que encontra a juntar-se à sua tripulação e as circunstâncias que vai encontrando ao longo da viagem vão sendo sucessivamente mais complexas e difíceis de lidar.



As personagens que vai encontrando são, também, bastante diferentes – desde um honrado espadachim a uma ladra esquiva que odeia piratas, a um miúdo pirata que tem medo de tudo o que o rodeia. Também os vilões que enfrenta vão sendo diferentes e curiosos, existindo, quase sempre, elementos que podem ser usados para os ridicularizar aos olhos do leitor.
Para além dos poderes de algumas personagens, encontramos criaturas inexistentes na nossa realidade e outros elementos ligeiramente fantásticos. Nada excessivo, mas detalhes que vamos encontrando ao longo da narrativa.
Mas ao longo do livro não encontramos apenas as aventuras de Luffy. Entre cada capítulo encontramos dicas para trabalhos manuais (como criar o nosso próprio pirata), passatempos, piadas ou textos do autor onde refere, por exemplo, a inspiração nos desenhos animados de Vickie.



A narrativa tem vários momentos de acção, mas sempre rodeados de um bom humor caricaturesco. Estes momentos de acção não são muito explícitos, fazendo com que possam ser lidos por leitores mais jovens, classificando-se como Shonen e considerando-se apropriado para jovens a partir dos 12 anos.
Até ao momento, One Piece transformou-se uma das minhas séries Mangá favorita e decerto comprarei os restantes volumes – fabuloso e divertido, com um excelente ritmo narrativo, alternando entre momentos cómicos e de acção, com peripécias que recordam ligeiramente as aventuras de Tom Sawyer, mas que estão envoltas em detalhes ainda mais mirabolantes.
