Eis um livro sobre livros! Esta é uma das minhas categorias favoritas entre os livros de não ficção, sendo que se descobrem novas futuras leituras ou referências a livros que conhecemos e que gostamos. Foi com alguma expectativa que peguei neste O que lêem os escritores. Infelizmente, não correspondeu ao que prometia na sinopse.

À vez, 28 escritores apresentam um texto que se alonga, na média, ao longo de três / quatro páginas. O resultado é tão heterogéneo quanto os vários escritores e tal é de esperar. Até aqui tudo bem. O problema é que, nesta heterogeneidade, existem alguns que referem apenas um livro, mas que o usam para falar de si e de um episódio das suas vidas, sem realmente se perceber porque tal referência ou porque tal livro ficou na memória.

Alguns escritores são demasiado herméticos na sua referência, produzindo textos que deambulam em torno de algo que lhes aconteceu. Outros acabam por falar de uma obra, mas tão tangencialmente que não desperta nenhum interesse. Nalguns casos, questiono-me até se os escritores lêem, ou se estas referências (quase sempre do cânone, exemplos respeitáveis) são uma forma de manter aparências.

Talvez o problema sejam as expectativas. Quando pego num livro com este título, e com esta sinopse, espero que falem de paixões literárias, ou que falem genericamente do tipo de livros que gostam de ler (e porquê, claro). Não estou necessariamente à espera de ler exercícios de escrita, em torno de um tópico que, devendo estar no meio, parece ser o ponto cego de alguns textos.

Alguns escritores optam por falar da infância e de um ou outro livro que lhes tenha ficado na memória. Nalguns casos, só tenho a dizer, que infâncias tão desprovidas de magia, fantasia ou algo original. Os livros lidos são quase sempre algum escape para um Verão enfadonho, com alguma complexidade, como se o autor tivesse a querer mostrar a sua precocidade na escolha literária em tão tenra idade.

Felizmente, alguns, poucos, aproximam-se mais do que parece ser a pergunta apresentada no título e realmente falam de livros, do que lêem e dos que o marcou, de forma mais envolvente e apaixonada. Alguns falam de um episódio associado ao livro mas lá conseguem transmitir algo sobre o conteúdo do livro.

Mas na sua globalidade, foi um livro que ficou aquém das minhas expectativas. A maioria dos textos não fala realmente de livros, colocando-se o escritor no cerne do texto, ou apresenta referências clássicas desprovidas de paixão ou transmitindo pouco interesse.