Publicado em Setembro de 2001, a obra recebeu o Booker Prize de 2002, tendo-se tornado dos livros mais conhecidos ao qual foi atribuído o prémio mais importante da língua inglesa. No entanto, a escolha não foi acolhida sem polémica, pois a premissa principal já teria sido usado num outro livro, Max e os Felinos, de Scliar (um autor brasileiro) no qual um refugiado alemão atravessa o Oceano Atlântico num barco partilhado com um Jaguar.
No entanto, as semelhanças terminam por aqui e a história em A Vida de Pi não se resume à substituição de um refugiado alemão por um rapaz indiano ou de um jaguar por um tigre.
Piscinne Molitor Patel, filho do responsável de um jardim zoológico, cedo se faz conhecer como Pi para minimizar a troça dos colegas. Indiano, desde pequeno fascinado pela religião e por Deus, deixa que a curiosidade o leve a deambular entre a sinagoga, a mesquita e a igreja; apesar de nenhum dos pais ser religioso. Mas a educação de Pi realça-se ainda pelo extremo contacto com os animais, que o leva a desenvolver um respeito e uma compreensão pouco usuais para a sua idade.
Spoilers
Uma história que, segundo o autor, nos poderá fazer crer em Deus, uma história que é menos naive e infantil do que poderá parecer pelo modo como toca o irreal. Mas a realidade pesada e constrangedora, está em todos os momentos, mesmo os de aparência mais ingénua. E é no final que somos levados a optar pela versão da história – com ou sem metáfora, com ou sem magia.
Talvez por ser uma fusão de inocência com a implacável verdade, o filme será adaptado (segundo fonte do IMDB) por Jean Pierre Jeunet, o mesmo realizador de Un Long Dimanche de Fiançailles e Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, dois dos meus filmes preferidos, eu que não costumo gostar de cinema francês.
