Adaptado a partir do  famoso romance de Patrick Suskind, Perfume (que se encontra ainda à espera de ser lido, numa das minhas prateleiras), o filme transporta-nos até à cidade de Paris no século XVIII, época onde abundavam todos os cheiros imagináveis e inimagináveis – o cheiro a podre ou a estagnado confunde-se com o dos dejectos deitados à rua, enquanto os mais sublimes perfumes das damas se elevam por breves momentos.

É sobre os restos de peixe podre que nasce Jean-Baptiste Grenouille, por entre as pernas de uma peixeira que pensa abandoná-lo. Mas o choro do bebé trai-a e alarma os circundantes. A mãe é enforcada e Jean é levado para um orfanato, onde cresce sem grande noção do que o rodeia, excepto dos odores. Para ele o mundo é constituído por cheiros e cada ser, cada objecto tem a sua essência específica. Fascinado pelos aromas que o rodeiam, alarma-se quando o odor de uma rapariga que sufocara, desaparece horas depois da sua morte. A partir daí, decide aprender a captar a essência de tudo – das flores, do ferro, da madeira ou do corpo humano.

A fama do livro é imensa, e as expectativas quanto ao filme eram elevadas – mesmo assim, conseguiu interessar de uma forma estranha, não previsível. Apesar de retratar um assassino, a história não se debruça sobre a moralidade de tais actos, mas sobre o encanto perante a exaltação excessiva de um sentido. Imagens chocantes? existem, mas o fascínio que as rodeia, faz com que o choque tenha sentido e faça parte de um todo.

Enfim, um filme a ir ver mesmo para quem não aprecia muito o género.